Este é um romance com dados históricos e um enredo precisamente construído que me prendeu do começo ao fim.
O ano é 1941, em Leningrado (hoje, São Petesburgo) nascem as gêmeas Natasha e Maya, filhas de uma promissora bailarina que sonhava com o Kirov (Balé Imperial Russo), que preferiu a morte a ter que parar de dançar. As meninas cresceram sob o regime soviético totalitário, a pátria-mãe que concede moradia, roupas, estudos e uma profissão, mas, em contrapartida, exige fidelidade incondicional e liberdade restrita.
Criadas pela melhor amiga da mãe, as meninas são treinadas para serem dançarinas. A Academia de Ballet Vaganova é o único mundo que elas conhecem. Até que, já adolescentes, o destino as coloca diante do degrau mais alto: dançar no Kirov. A aspiração das irmãs é compartilhada com os demais colegas, que também compartilham outros sonhos: liberdade, glamour, conhecer o mundo, os Estados Unidos, o amor, a vida com roupas coloridas e à disposição, poder escolher o que comer, onde comprar.
Maya, apesar de gêmea, vivia à sombra de Natasha, esta, por sua vez, já tinha o futuro desenhado em seu coração. Maya sabia que precisava se esforçar mais, e que as coisas não seriam tão fáceis na sua vida. E o que uniu as irmãs também foi o que as apartou: a dança, o Kirov, o sucesso e a sensação inebriante que a fama traz.
Separadas e machucadas, Maya entrou para o Kirov, mas influenciada pela figura conhecida de Balanchine (um coreógrafo famoso nascido na União Soviética (São Petesburgo)) encontrou um novo sonho, ser coreógrafa e encantar o mundo com passos que iriam além do clássico. Natasha, após o acidente que a tirou do Ballet, tornou-se atriz e foi a Natasha do romance Guerra e Paz, de Tolstói, chegando ao Oscar (o prêmio realmente existiu, e ganhou na categoria de filme estrangeiro em 1969).
Elyse Durham conseguiu uma obra com todos os ingredientes necessários para um excelente romance histórico: realidade e ficção condensadas de forma que o leitor mais distraído se confunde, romance, superação e uma dose necessária de crítica social a um dos piores regimes do mundo.
Eu recomendo demais a leitura!
Frases do livro:
“Todos nós temos segredos vergonhosos, as coisas que passamos a vida toda tentando esconder.”
“O destino é uma mão invisível tecendo a tapeçaria da vida e ninguém tem o poder de controlá-lo.”
“Apenas o amor de alguém poderia revelar sua forma verdadeira.”
“Quão pouco o coração humano conhece a si mesmo.”
“Aceitar que o adulto é parar de se mostrar, é aprender a se esconder até se dissipar.”
“Existe um tipo mais afiado e profundo que vem de se sentir sozinha na presença de outra pessoa, uma solidão que fica mais densa e apavorante (mas mais comum) se a pessoa for alguém de quem somos muito próximos.”
“Quem nos tornamos nessa vida depende de muito mais do que de nossos desejos”.
“Nada impressiona mais do que um acordo perfeitamente coordenado entre todas as partes – (Nikolai Gogól).”
“Uma vida vivida apenas na busca da própria felicidade era uma vida sem amor e estar livre do amor não era liberdade nenhuma, era uma escravidão de si mesma.”
“Amar era se voltar para o outro, não para longe dele.”
Sobre a edição:
Tradução: Isadora Sinay
Editora: TAG – Enviado na caixa inéditos do mês de agosto.







