Desde o início da temporada, a participante Marina Queiroz foi “cancelada” na internet, intensificada pela saída do participante John Lee. Mas o que levou a participante a ter uma rejeição tão expressiva?
Toda temporada de precisa de um vilão. E, nesta, o papel caiu, sem chantilly e sem filtro, em Marina Queiroz. Não foi por acaso. Foi por uma soma de ingredientes que, juntos, renderam o cancelamento: uma pitada de arrogância, uma dose generosa de autoconfiança mal interpretada, e uma cobertura espessa de suspeita de favorecimento.
Desde o primeiro episódio, Marina dizia saber o que estava fazendo, afinal, é professora de confeitaria, dizia possuir técnica, estudo, formação sólida, inclusive um histórico na Le Cordon Bleu, uma das escolas mais prestigiadas do mundo. Teoria é uma coisa, prática é outra, em diversas provas, a participante foi insuficiente tanto aos jurados, quanto para o público, entregando pratos feios, que não condiziam com o que a artista plástica demonstrava saber. Feedback negativo? Ela não concordou com nenhum, exceto o último, em partes. Sabia que iria embora?
O fato é que o Masterchef é um reality show. E como todos, são sujeitos a julgamentos. O público pode ser implacável e ele não julga apenas o prato: julga o temperamento. E Marina parecia sempre em guerra com o ambiente, discutia com colegas, retrucava jurados e fazia comentários que, mesmo talvez sinceros, soavam presunçosos. O momento em que ela rebateu Helena Rizzo com um “me poupe” foi simbólico. Não porque estivesse errada, afinal, discordar de jurado não é crime, mas porque ali ela se colocou fora do jogo. E o público ama o jogo. Quem se posiciona acima dele, perde.
O poder de ser odiada
Marina virou o assunto preferido das noites de terça-feira, que se estendia pela semana inteira. Aliás, na semana da eliminação do John Lee, falou-se tanto dela e da sua suposta vantagem por fazer parte da Le Cordon Bleu, que eles fizeram uma declaração de que ela não ocupa nenhum cargo na instituição desde 2023 e nunca ocupou cargo docente. (confira aqui). E há uma ironia nisso tudo: o público que dizia não a suportar era o mesmo que não perdia um episódio. A rejeição virou entretenimento. Ela ocupou o espaço do “personagem que movimenta a história”, aquele que dá sentido à temporada e mantém viva a discussão.
Ser vilã, em um reality, é também ser combustível de audiência. E, convenhamos, poucos desempenham esse papel com tanta precisão. No fim, pouco importou se Marina tinha técnica, que ficou foi a sensação de que faltava humildade e sobrava defesa. Em um programa onde o público se conecta pela emoção, falar de si com soberba soa pior do que errar o ponto da calda. Reality show é sobre vulnerabilidade, e o público perdoa erros, mas não perdoa quem parece incapaz de errar.
Marina Queiroz foi eliminada ontem e o que fica de lição? Ela provocou debates sobre meritocracia, favoritismo e, acima de tudo, sobre o limite entre confiança e arrogância. Num mundo que prega autenticidade, talvez o problema seja que ainda não sabemos lidar quando alguém confia demais em seu potencial, isso não é pecado algum, mas para sustentar esse papel, no mínimo, você precisa entregar o que promete.
