EU NÃO ARDO NAS SOMBRAS, CONSTRUO ALVORADAS!...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

ONDE SEMPRE AMANHEÇO...

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                                                         Encosto-me à noite
                                                         com os dedos fatigados
                                                         e entro no bosque adormecido
                                                         onde a luz se esconde.
                                                         O teu corpo responde
                                                         ainda antes da tua voz,
                                                         e eu leio-te no arrepio leve
                                                         e no suspiro que tentas conter.

                                                         Há um rumor diáfano entre nós,
                                                         uma seiva lenta a subir pelos pulsos
                                                         quando te toco
                                                         e parece que o mundo se estreita:
                                                         a minha boca encontra a tua,
                                                         e o meu nome treme dentro do teu.
                                                         O teu corpo vibra
                                                         sussurra sem palavras,
                                                         e eu sigo o teu desejo,
                                                         levando o meu próprio fogo
                                                         para arder contigo.

                                                         Os dedos já não sentem cansaço,
                                                         é a ti que sentem!
                                                         O teu corpo chama-me
                                                         com a voz onde eu sempre amanheço
                                                         e eu entrego cada pedaço de mim
                                                         ao teu desejo
                                                         como quem oferece a luz dos olhos.




albino santos
* Ressrvados Todos os Direitos de Autor

 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

QUANDO SORRIS...

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Quando sorris, algo em mim reconhece um lugar onde já estive. Não é memória, é sensação. O teu sorriso não promete cuidado nem excesso, e isso é o que mais me estimula. Há uma sedução silenciosa na forma como existes diante de mim. De repente, tudo o que sou ganha outros contornos em função da tua presença. As emoções tornam-se mais nítidas, mais honestas, quase dolorosas na sua clareza. O desejo nasce aí, não como urgência imediata, mas como necessidade de permanecer nesse campo intenso onde já não me escondo. Esse teu sorriso doce e sedutor não é leviano – é lucidez extrema. Um modo de sentir tão próximo, que sustenta o olhar mesmo quando ele pesa. Sinto-me num lugar delicado, num céu que tudo promete, um mar de insónia onde o teu olhar paira, como um aroma de primavera num amanhecer de outono. Quando te aproximas – mesmo sem tocar – a pressa dissolve-se. Fico preso ao instante, atento ao que pulsa sob a pele, à forma como o silêncio entre nós se torna carregado de significado. Não é tensão vazia, é desejo em estado bruto. É ali que percebo que o que me prende além do corpo, é também a forma como me fazes sentir profundamente desejado. Quando sorris, não me convidas apenas a querer-te; Convidas-me a existir mais intensamente, a aceitar que há emoções que não podem perder tempo, para que a ousadia possa penetrar no brilho dos teus olhos, cintilando no seu silêncio de fogo. Ou tomar os teus lábios para sentir o sabor do beijo, num devaneio louco que a lucidez não conseguiu desvanecer.



albino santos
* Reservados Todos os Momentos de Autor

domingo, 25 de janeiro de 2026

AMANHECE...

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Amanhece.
A noite ainda brinca no nosso corpo.
Teus olhos nos meus a fazer fogueira,
fogo queimando o tempo
e murmúrios afogados nos lençóis da noite
que ainda retêm teu cheiro,
fazendo arder a nossa vontade.

Não quero acordar nem dormir.
Quero o amanhecer imprevisível do amor
silencioso e cúmplice,
o sabor oculto
o prazer do enlace
o deslumbrado abandono,
o desejo solto nos teus lábios
onde o sol se acende,
o fogo inunda,
e o prazer se derrama…




albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

SÓ COM PALAVRAS

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Só com palavras aproximo-me de ti
como quem sabe
que tudo começa antes do toque.
Ardo-te nos lábios
e o som da minha voz
já te percorre
onde as mãos ainda não chegaram.

Sorvo-te devagar,
no intervalo entre um olhar e outro,
onde o desejo se inflama
como um amor sem margens
onde a lua rompe e a sua luz se derrama.

Bebo-te como quem já conhece a sede
no secreto rumor da noite
onde nasce a sombra nua do teu corpo.
És o excesso que me seduz,
o corpo que me chama,
a vertigem de ficar,
quando tudo em mim se quer
afundar em ti.

Em cada suspiro teu
o corpo nu ondula, infatigável.
Sacio-me no seu abandono
e beijo-te no silêncio
submerso na luz do amanhecer.
Assim... amorosamente,
toco o sabor dos deuses.                                                                             



albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor


segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

O TEU OLHAR

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O teu olhar incendeia-me.
Não é metáfora – é fogo.
Quando me olhas assim, o corpo entende
e já não há tempo para a espera.

Quero-te perto!
Quero a tua presença a roubar-me o ar,
a tua voz feita de sussurros,
esse segundo exacto
em que tudo em mim já cedeu.
És o sonho que nunca ousei sonhar,
porque contigo, o desejo é urgência,
é vontade que pulsa, que aperta,
que pede agora! 

E se me olhares assim outra vez,
não me peças contenção.
Há encontros que não nasceram
para ser pensados – nasceram
para acontecer!





albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor

sábado, 17 de janeiro de 2026

O POEMA

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Não tem fim o poema que te escrevo
porque nasce quando te encostas
no meu silêncio, com a ternura
de quem toca a pele pela manhã.
Há versos que só acontecem
quando o mundo se afasta
e ficamos apenas nós
e a clara sombra
onde pousam os nossos lábios.

Todos os dias acrescento um verso
deixando a mão errar
como uma folha levada pelo vento
nas colinas ofegantes do teu peito.
E se te toco, o poema suspira,
não pede fim,
quer sempre continuar
enquanto houver este lugar entre nós
onde tudo é verdade
sem precisar de ser dito.

És página viva:
quando te leio, o texto muda,
quando te toco tudo se aprofunda.
Há palavras que só existem
no calor da tua presença,
vogais abertas como suspiros,
consoantes que tremem
quando sussurradas no ouvido.

E o poema cresce quando te moves,
quando sorris, quando me falas.
E assim, verso a verso,
vou aprendendo que amar
é escrever sem ponto final,
é deixar a frase em suspenso
para poder voltar sempre a ti.



albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

TU ÉS POESIA!

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Tu és poesia.
Não a que se explica,
mas a que se sente quando te olho.

És verso livre quando sorris
e o mundo desaprende a métrica,
quando o tempo pára só para te ver passar.
És rima perfeita quando hesitas,
porque a dúvida em ti
soa a verdade dita num sussurro.

Quando te calas, és metáfora viva:
silêncio que diz mais que qualquer palavra,
pausa onde o coração aprende a escutar.
Tens nos olhos a gramática do indizível,
nas mãos as carícias da pontuação,
e no peito um poema que se escreve
para os voos mais audaciosos.

Ler-te… é nunca chegar ao fim!
E, ainda assim,
é querer ficar em cada verso.



albino santos
* Reservados Todos os Direitos de Autor