30/01/26

Jackie DeShannon "Love Forever Demo Recordings 1966-68"

 

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Abordou as linguagens do folk, folk-rock, country, soul, blues, gospel, sunshine pop, girl group…, cantou The Band, Margo Guryan, Carole King, Jack Nitzsche …, colaborou com The Byrds, Randy Newman, Jimmy Page, Leon Russell …, foi cantada por Marianne Faithful, Searchers, The Ronettes, Delaney & Bonnie, The Byrds ( de novo ) e por mais de meio mundo…

E no entanto, Jackie DeShannon, a detentora do curriculum acima apenas parcialmente referido, permanece um esquecimento sempre que se invoca a história do período da música americana que frequentou.

A relativa indiferença ou, se quiserem, a parcimónia com que foi recebido “Love Forever Demo Recordings 1966-68” significa mais uma pequena prova disso mesmo.

Datadas do período compreendido entre 1966 e finais de 1967, as dezasseis demos que integram “Love Forever” foram gravadas e publicadas em acetatos que circularam apenas no seio da indústria. A intenção era vender as putativas canções no mercado.

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E apesar de denominadas “demos” e de aqui e ali parecer que não foram terminadas, possuem uma qualidade inquestionável.  

Comummente conectadas com esboços de canções, as demos presentes em “Love Forever” são tudo menos isso. Empolgantes e na sua grande maioria inspirados, estes “projectos” de canções ilustram o tempo em que DeShannon operou a transição entre o seu período pop / folk rock e o consolidar da matriz singer-songwriter através do seminal álbum “Laurel Canyon”.

Alguns destes temas surgiram mais tarde em álbuns de Jackie DeShannon ( “Nicole” em “Me About You” ), outros como “Effervescent Blues” foi lado B do single “The Weight” e “Children & Flowers” foi usado pelos The Critters em “Younger Girl”. A maioria no entanto  permaneceria inédita até “Love Forever”.

Suspeitamos que uma larga faixa de artistas ambicionaria que os seus produtos finais ombreassem com a qualidade aqui patenteada por DeShannon.

21/01/26

Artefactos ( 144 )

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Jornal "A Memória do Elefante
Número Experimental, 25 Fevereiro 1971

15/01/26

"I Shall Be Released, covers of Bob Dylan 1963-1970"

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Coexiste aqui de tudo um pouco. 

Desde o muito bom ( Heron, Starry Eyed and Laughing, Linda Gayle, Canticle, Penny Wager, Jim & Jean, Picadilly Line, Fotheringay. Fairport Convention, Polly Niles, Byrds … ) a prestações de sentido contrário que, naturalmemte, não irei referir para não abusar da paciência do leitor. 

Todo o modo, um bom exercício para qualquer dylanófilo que se preze.
 

14/01/26

Lost Nuggets ( 210 )

 

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Nuno Rebelo "Sagração do Mês de Maio, Primeira Sinfonia Falsificada" ( EMI Valentim de Carvalho 7924801 ) Álbum duplo, Portugal, 1989

Composição e Produção: Nuno Rebelo

Capa: design de Sérgio Rebelo e Cathrin Loerke, Pintura de Sérgio Rebelo

14/12/25

"Safe In My Garden, American Pop In The Shadows 1967-1972"

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Harmonies can convey melancholy, hopelessness and despair as easily as they can impart joy. The music on “Safe In My Garden” would now be described under the retroactive term soft rock, soft pop, or sunshine pop. Essentially, it was melodic, innovative style of American music that grew in the mid-60s out of the folk and surf scenes …” ( Bob Stanley, do booklet ) 

Como todas as compilações deveriam ser, “Safe In My Garden, American Pop In The Shadows 1967-1972” é um manancial de propostas. De confirmação umas, outras, as mais interessantes, de investigação. 

Vão longe os tempos em que o conhecimento geral sobre o dito soft pop se resumia a Curt Boettcher, aos Sagittarius, Association ou Millennium. Existiam muito mais melodias “under the rocks”. 

Safe In My Garden” apenas vem confirmar a asserção anterior. 

Sugere-nos os clássicos ( Harpers Bizarre, The Free Design, Tommy James, The Sunshine Company, New Colony Six, Millennium, Mark Eric, The Cyrkle ) mas concomitantemente alerta-nos para The Sundowners ( magnífico o tema “Always You” ), The Groop, The Eighth Day, Thomas & Richard Frost, Fargo, The New Wave, Best Of Friends ou Smokey & His Sister

Luxuoso e elegante “Safe In My Garden” fica a partir de agora ao vosso cuidado.

01/12/25

Jardins do Paraíso ( 89)

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Publicado na Austrália em 1972 via Warner Brothers, “Maranatha” foi o primeiro álbum de Megan Sue Hicks, uma norte-americana expatriada. 

Vivia-se o período dourado dos singer songwriters e “Maranatha”, fruto da sua sensibilidade algo clandestina, bem como do reduzido número de cópias em circulação ( apenas duzentas ), cedo ganhou o estatuto de disco de culto. 

Agora, finalmente reeditado de forma oficial, é possível ao comum dos mortais dissecar as canções de Megan Sue Hicks sem que para isso seja necessário vender um rim para adquirir uma cópia original. 

Vivia-se o período de maior exuberância dos singer singwriters dizia, e “Maranatha” é daquela corrente um fiel apaniguado. Mas não apenas. 

Se atendermos a canções como “One last alley” ou “Cle’s Song” é praticamente impossível não acabarmos no pátio de “Full House” ou “Angel delight” ou seja, Fairport Convention pós Sandy Denny. “Peter’s Song ( And He’ll Probably Never Hear It )” possui aquele sentimento bucólico, apanágio da contemporânea Vashti Bunyan e que, anos mais tarde, inspiraria a também britânica Virginia Astley

Aqui e ali, mais nos textos que nas melodias, assomam algumas semelhanças com essa outra “flor do mal” que foi Judee Sill

Acompanhada pelos The Flying Circus, uma banda constituída por músicos australianos e neo-zelandeses, Megan Sue Hicks teve aqui o seu primeiro e porventura único momento de glória. Fosse a sua interpretação vocal um pouco mais consistente, a generalidade do Lado B tão atraente quanto o Lado A, misturas e produção um nadinha mais profissionais e estaríamos a falar de uma perene obra prima. 

Todo o modo, “Maranatha” está acima de muitos dos álbuns em cuja corrente se insere. E depois, há “Hey, Can You Come Out And Play” …

 

16/11/25

Record Files ( 34 )

 

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Publicado no Reino Unido em Outubro de 1969 com o selo da Liberty, “I asked for water, she gave gasoline” reveste a forma de uma compilação.

O foco é o blues e os artistas são os da casa ( Tony McPhee, Jo-Ann Kelly, Andy Fernbach ... ). Um dos principais motivos de interesse reside nos dois temas de Andy Fernbach ( “She’s gone” e “Built my hopes too high” ) ambos ausentes do seu único álbum “If you miss your connexion” e só disponíveis na edição original do vinil.

A capa da edição inglesa reproduz uma pintura de inspiração surrealista da autoria de Jim Pitts.

A prensagem americana da Imperial não acompanhou o design da Liberty optando por uma obra de Kevin Leveque.


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08/11/25

Lost Nuggets ( 209 )

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The Eighteenth Day Of May "S/t" ( Hannibal/Transistor HNCD 1496 ) UK, CD, 2005

- "Eighteen Day"
- "Sir Casey Jones"
- "The Highest Tree"
- "Deed I Do" ( Bert Jansch )
- "Hide + Seek"
- "Twig Folly Close"
- "Lady Margaret" ( Tradicional )
- "Cold Early Morning"
- "Monday Morning's No Good Coming Down"
- "The Waterman's Song To His Daughter"
- "Flowers of the Forest" ( Tradicional )
- "The Mandrake Screams"

The Eighteenth Day Of May: Allison Brice ( voz, flauta, dulcimer ), Ben Phillipson ( voz, guitarra e bandolim ), Mark Nichols ( guitarras baixo e solo ), Richard Olson ( cítara, harmónica e guitarra ), Karl Sabino ( bateria e percussão ) e Allison Cotton ( viola )

Canções: The Eighteenth Day Of May, excpeto as indicadas

Produção de Andy Dragazis e The Eighteenth Day Of May

Capa: design de Jimmy Young, foto de Brian Stevens 

03/11/25

Trimdon Grange Explosion "Dreams Buried Under The Sea"

 

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Oito anos após um primeiro álbum homónimo e vinte após o fabuloso trabalho da banda progenitora – The Eighteenth Day Of May – os Trimdon Grange Explosion regressam com “Dreams Buried Under The Sea”.

Trata-se de uma espécie de espelho sonoro que nos conduz a imagens de um pretérito quase perfeito onde o eixo The Byrds / Big Star / R.E.M. removia os destroços do pós-punk e do synth-pop.

Porque “Dreams Buried Under The Sea” é mesmo isso, uma montra sonora que tendo algo de nostálgico, não se esgota naquela matriz.

Atente-se em “World turning round”, a abrir. No evoluir do tema é difícil não rever mentalmente “Murmur”, imediatamente antes da canção explodir num mar de guitarras fuzz.

O jingle-jangle de “September Falls” evoca The Byrds enquanto “Swim on your back in the water” traz à memória os Wolf People de Jack Sharp e P.G. Six de Pat Gubler, outros dois expatriados do eixo acima citado.

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“Breaking the wheel”, um mini épico irresistível, é talvez o título âncora do álbum. Byrdsiano na essência surpreende quando é introduzida a viola de Alison Cotton; o efeito é hipnótico, como se a viola de arco de John Cale regressasse das catacumbas do Velvet Underground para nos encantar uma vez mais.

A fechar “As the world rises to fall”, competente e obviamente cúmplice do Neil Young de “Harvest”.

Dreams Buried Under The Sea” está para além deste tempo. Ostenta um charme muito próprio e, talvez por isso, não é expectável que venha a frequentar as famigeradas listas dos melhores do ano.

Nada que surpreenda e muito menos incomode o Atalho. Como já alguém afirmou: "a história está pejada de exemplos de maiorias que não tiveram razão".

Heroes are hard to find ( 105 )

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Archie Fisher

( 23.10.1939 - 1.11.2025 )

29/10/25

Lost Nuggets ( 208 )

 

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Edição obscura na etiqueta portuguesa Zip Zip, algures entre os anos de 1969 e 1970 ( não parece existir grande informação disponível ).

Na essência uma colectânea de temas originais ou versões de matriz cristã ( o chamado “Christian Folk” estava no seu auge nos Estados Unidos ) interpretados por um colectivo amador.

Surpreendentemente a qualidade das prestações, instrumentais e vocais, está acima da média. Algum do amadorismo que caracterizava o género não tem aqui acolhimento relevante.

As versões de “This land is your land” e “Let’s get together” não comprometem antes pelo contrário e três dos originais “What’s it all about”, “Why” e “I will arise and go to Jesus” ( belíssimo o banjo ) poderiam ser facilmente incluídos em qualquer compilação do género.


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20/10/25

Jardins do Paraíso ( 88 )

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Objecto de uma prensagem original de 200 exemplares, “And Then Perhaps” ( 1971 ) é nos dias de hoje, uma das mais raras prensagens privadas do folk britânico. 

Marie Celeste ( o nome da banda tem origem na história do Mary Celeste, “navio fantasma” norte americano encontrado à deriva no Atlântico em Dezembro de 1872 sem qualquer membro da tripulação a bordo ) foi um quinteto oriundo de Wolverhampton que começou por se chamar The Matchbox Folk Group enquanto actuava no seu próprio club folk ,“Sandpiper” no Hotel Lion naquela cidade das West Midlands. 

A alteração do nome da banda coincidiu com as sessões de gravação, todas ao vivo, acústicas e sem overdubs. O áudio, naturalmente, apresenta características lo-fi e os arranjos uma indisfarçável ingenuidade.

Porém, a espaços “And Then Perhaps” encanta, fruto do talento dos dois guitarristas ( Ken Price e Brian Lindop ) e das harmonias vocais partilhadas por Tricia Jenkins e Mary Bishop. Cinco dos doze temas são originais com particular destaque para o excelente “Prisoner” e para o complexo arranjo instrumental de “Theme based on greensleeves”. 

O leque de versões estende-se de Tom Paxton (“When morning breaks”) a Joni Mitchell ( “Night in the City” ), passando por Paul Simon ( “I am a rock” ) ou Jagger/Richards ( “Ruby Tuesday” ).

Oficialmente reeditado com um novo design de capa “And Then Perhaps” não fazendo embora parte da “first division” do folk rock inglês da época, possui atributos e qualidades mais do que suficientes para justificar a nossa atenção.

14/10/25

Artefactos ( 143 )

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Silva Carvalho ( 8/2/1948 - 8/7/2025 )

"Canções"

Edição do Autor ( dedicada a Bob Dylan )
 1978, 112 páginas
 

30/09/25

Lost Nuggets ( 206 )

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Kathy & Carol "S/t" ( Elektra EKL/EKS 289 ) Mono/Stereo, USA, 1965

- "Spring Time" (música de Carol McComb)
- "George Collins"
- "The Blacksmith"
- "Fair Beauty Bright"
- "Green Rocky Road"
- "The Grey Cock"
- "Wrondrous Love"
- "Carter's Blues" ( Carter )
- "Lady Maisry"
- "Brightest and Best"
- "Gold Watch and Chain" ( Carter )
- "Just A Hand To Hold" ( Mark Spoelstra )

Kathy Larish e Carol McComb ( vozes, guitarras e autoharp )

Canções tradicionais excepto as indicadas

Gravações de Paul A. Rothchild

Produção de Jack Holzman

Capa: foto de James Frawley, design de William S. Harvey

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Record Collector nº 330, Dezembro 2006