domingo, 1 de fevereiro de 2026
O que é uma catástrofe?
sábado, 31 de janeiro de 2026
Wim Mertens
Foi a terceira vez que ouvi Wim Mertens ao vivo. Sempre como se fosse experimentar a surpresa. Aula magna a abarrotar de gente atenta e entusiasmada. Espectáculo único. Músicos de excepção. Ouvir boa música dá saúde e faz crescer. Aguardo a próxima aula de Mertens. Obrigado.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Bom viver
Morreu o realizador João Canijo. Morte inesperada que nos deixa sem palavras. Diremos sempre pouco, comparando com o muito que ele nos disse nos seus filmes. Esses ficam. Os filmes que realizou estão visionáveis e recomendáveis. Lembro-me de vários que me forneceram momentos de bom viver. Foi bom viver no seu tempo. Muito obrigado, João.
Trumpelias
A saga continua. O imperador do mundo conseguirá chegar a todo o lado, seja por que método for? O mundo dos ficcionistas está em risco. A realidade está mesmo a ultrapassar as mais eficazes denúncias. Os cartoons de Vasco Gargalo já são uma interpretação quase real do que se passa na cabeça do tresloucado Trump. Um energúmeno da pior espécie pode chegar ao topo da hierarquia. A delinquência política pode ser preferida pelos eleitores. É que há muita gente que se revê nestes biltres. São os justiceiros caseiros. Excluem tudo o que os ameaça. Não respeitam regras e não sabem o que é a decência. Querem ficar sós, nos seus mundinhos de merda.
Fiquem com estes excelentes trabalhos do Vasco Gargalo.
(O Vasco viu a sua conta piratiada e agora aparece aqui com um nome estranho. Esperemos que volte à normalidade rapidamente).
terça-feira, 27 de janeiro de 2026
A palavra precisa de ternura
A palavra precisa de ternura, escreveu José Afonso.
No próximo dia 6 de fevereiro abre a minha exposição na galeria da Biblioteca Camões (Chiado). Mostro várias fases de um percurso que teve início em Abril de 2023, em Montpellier, mas mostro trabalhos anteriores para que se percebam as linhas que traçam uma linguagem.
Aqui vai em anexo o programa das festas. Os participantes são de elevadíssima qualidade, como podem comprovar. Vamos ter convívios de alto gabarito e também divertidos. É o que se espera. Eu espero por vocês. Apareçam.
27 de Janeiro - Dia Internacional em memória das vítimas do holocausto
Hoje é dia de se assinalar o horror do holocausto. Quase noventa anos depois, já há quem, entre dirigentes políticos, defenda que aquilo foi coisa de somenos. Fascistas de toda a Europa desmentem factos. O pai Le Pen desmentia categoricamente a existência da atrocidade.
Um candidato presidencial em Portugal, amigo dos Le Pens da vida, alinha com nazis em fotografias de família, tem candidatos autárquicos nazis no seu partido, e ataca minorias e pessoas diferentes dele como se fossem criminosos. Ele é único e original, tendo como grande referência o ditador criminoso Salazar. Mussolini e Hilter usaram a mesma cartilha para convencer os seus seguidores. Anda por aí muita gente má, que agora encontrou um mentiroso sem vergonha que os une na defesa do racismo, da xenofobia e do crime de ódio. Votar num alarve sem maneiras destes para Presidente é estúpido e vergonhoso. Imaginam o palácio de Belém habitado por gente tão mesquinha e triste, em arremessos insistentes contra pessoas que eles consideram inferiores? Seria uma tristeza. O holocausto existiu. Não queremos outro. Assinalar esta data é lutar contra o fascismo e os fascistas. É que eles andam aí. Combatê-los é preciso. Sempre.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
Espuma dos dias
A América de agora mesmo olhada pelo assertivo traço de Barry Blitt.
Existem americanos que nunca adormeceram, e tentam acordar os que ainda
dormem. Acordem. Anda por aí um maluco que nos vai lixar a todos.
O tempo dos criminosos
Um criminoso fascista é chefe todo poderoso de um país que considera seu e que tem uma milícia que agride e mata. Uma quadrilha perigosa domina um país poderoso. O respeito pela vida humana não existe. O criminoso condena sempre o agredido. O desprezo pelas pessoas é norma desta gente desprezível. Tempos tristes, e perigosos.
domingo, 25 de janeiro de 2026
Se não são fascistas, são o quê?
Se parece um pato, nada como um pato e grasna como um pato, então provavelmente é um pato.
sábado, 24 de janeiro de 2026
Da seriedade humorística
Caro senhor primeiro-ministro e outros actores políticos muito sérios: esta notícia é uma brincadeira inserida numa publicação humorística. Não levem a mal. O Nuno Saraiva é meu amigo e eu sei que ele leva o humor muito a sério. Portanto, isto é humor a sério, não é tentativa de enganar ninguém. Perceberam?
Há quem diga que o CDS/PP é um partido fundador da democracia. É verdade, o CDS (antes de ser acrescentado o PP) era a direita mais agressiva que existia logo depois do 25 de Abril. Como o debate político tendia para a esquerda, os membros do CDS às vezes pareciam uns perigosos operacioanis da vontade mais retrógada. Mas atenção, falamos de gente como Diogo Freitas do Amaral, Adelino Amaro da Costa ou Francisco Lucas Pires.
Há quem diga que o CDS/PP é um partido fundador da democracia. É verdade, o CDS (antes de ser acrescentado o PP) era a direita mais agressiva que existia logo depois do 25 de Abril. Como o debate político tendia para a esquerda, os membros do CDS às vezes pareciam uns perigosos operacionais da vontade mais retrógada. Mas atenção, falamos de gente como Diogo Freitas do Amaral, Adelino Amaro da Costa ou Francisco Lucas Pires.
Que põem sempre a bola ao centro
Mas quem melhor os fintar
É que vai marcar o tento
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
Da decência
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
A gargalhada engasga
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
Gente lamentável
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
É preciso fazer um desenho?
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Pedro Pina, André Carrilho, eu, Tiago Ferreira e João Paulo Cotrim, numa actividade da Festa da Ilustração |
Confesso que estou mesmo muito preocupado. Fico angustiado com este sobressalto permanente que é a possibilidade de um partido liderado por um mentiroso rasca e sem maneiras ser normalizado e ter muita influência. Claro que alguma influência já tem. O parlamento instalou uma taberna ali naquele recanto mais à direita da casa da democracia. Gente sem valor grita e esbraceja sempre que a decência quer ter palavra, e o berrador mor não sai dos suportes de comunicação mais visionados. Um horror. Um susto.
Em Setúbal nasci e vivi até há bem pouco tempo. Colaborei com a Casa da cultura e concebi e dirigi a Festa da Ilustração durante onze anos. Desenvolvi design de comunicação, fiz curadoria e design expositivo de exposições, promovi encontros literários e artísticos. Coloquei a actividade em Setúbal no topo das minhas preocupações profissionais. Considero que a cidadania deve ser exercida envolta em solidariedade. "A solidariedade não é facultativa, é um dever", como pretendia Jorge Sampaio. Mas o exercício do dever tem contornos mínimos e limites. Nunca alinhei em bairrismos cegos. Sempre denunciei o provincianismo bacoco e a farronquice parola dos apologistas do "é nosso é bom". A minha actuação em Setúbal inscreveu-se na intenção de se "levar o melhor do mundo a Setúbal, e o melhor de Setúbal ao mundo". O cosmopolitismo iluminou a minha existência no mês de Abril do ano de 1974 e nunca mais se apagou. Fiz o que me foi possível para manter essa lanterna acesa. Sinto que fui eu quem mais aprendeu. Aprendi muito e agradeço por isso a todos os artistas e autores que conviveram comigo e também ao pessoal do município: funcionários e responsáveis autárquicos.
Resolvi não continuar a colaborar com o município porque percebi que muito do que fiz até aqui não poderia fazer a partir do momento em que o executivo municipal é apoiado por vereadores do partido que considero bem longe dos ideais de solidariedade, progresso e cidadania inscritos no meu manual pessoal. O município de Setúbal tem o executivo mais à direita de que há memória em democracia. A minha atitude é política. Mantenho assim a distância higiénica que me limpa o fígado e alegra o espírito. A Cultura e a Arte combatem o obscurantismo. Sempre. Outra atitude é impossível. Estarei nesse combate até ao fim. Mas pretendo fazê-lo com a alegria e a inteligência que norteiam a curiosidade intelectual. Os arautos do retrocesso — já clamam sem vergonha por três salazares — não nos podem fazer desistir. "Seremos muitos. Seremos alguém", como cantou José Afonso. Continuaremos a cantar com ele.
Enderecei uma carta aos artistas, escritores, historiadores, jornalistas e outros colaboradores esclarecendo a minha atitude. Esta missiva pretende esclarecer toda a gente minha amiga e põe assim uma pedra no assunto. Não comentarei rigorosamente mais nada que aborde a minha relação com a cidade.
| Com Sérgio Godinho e Rosa Azevedo, em Muito Cá de Casa. |
| Com Jorge Silva Melo e Rosa Azevedo, em Muito cá de Casa. |
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Com Pedro Chorão e Ana Nogueira, na abertura da exposição de Pedro Chorão em 25 de Abril de 2025. Exposição que se integrou nas comemorações dos 50 anos da revolução. |
Trumpelias
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
E depois do rescaldo?
Apesar de tudo as sondagens não foram vencedoras. Foram manipuladoras. O candidato fascista não foi um destacado vencedor como era vaticinado. Claro que ele assumiu a postura de vencedor. De líder de uma nova direita. Isso já se esperava. Montenegro e Marques Mendes ou ainda não perceberam nada ou estão-se perfeitamente borrifando para o que isto vai dar, ao declararem que não vão tomar posição na segunda volta. Mais depressa do que imaginam vão ser engolidos pelo novel fascista que por acaso até saiu da mesma família política a que pertencem. Será uma reconciliação familiar? Quanto ao pernóstico liberal assim-assim, não tenho nada a dizer.
Sim, vamos cruzar-nos com gente rasca em apoio ao seu caudilho. Isto não vai ser trigo-limpo farinha amparo. O fascista vai fazer das suas. O povo de direita que nele vota é mais desprevenido culturalmente do que uma larga maioria dos eleitores da direita dita democrática. Gente rasca domina poderes. Imaginam o Palácio de Belém ocupado pelos trogloditas que rodeiam o seu caudilho chunga? Parece-me evidente também que muita gente do PSD vai estar connosco contra a chungaria. Aguardemos para ver.
O resultado de Catarina Martins ficou aquém do desejado, mas não aconteceu por a campanha ter sido ruim. Muito pelo contrário: foi na minha opinião a mais séria, lúcida e esforçada campanha, acentuando o perigo do que aí pode vir. O voto útil em Seguro dividiu o eleitorado da esquerda, só isso, mas "ainda não é o fim nem o princípio do mundo, calma, é apenas um pouco tarde", como diria Manuel António Pina. Catarina Martins, na declaração do final da noite, referiu o eleitorado do Bloco que votou agora em Seguro, com um aceno a um reencontro futuro. Fez bem. E apelou de imediato ao voto em Seguro agora. Fez bem. Também fizeram bem os outros candidatos da esquerda. O muito respeitável António Filipe (em quem eu nunca votaria por mor da sua posição como deputado na Assembleia da República contra a eutanásia, a favor das touradas e mais uns pozinhos de conservadorismo moralista que me irritam seriamente) definiu de maneira assertiva o seu apoio ao candidato Seguro, referindo que apesar de se inscrever na agenda neoliberal da "moda" é agora a única maneira de não termos o fascista em Belém. Jorge Pinto foi igual a si próprio: lúcido e decente. Os restantes humoristas foram o que foram, agraciados pela falta de graça que apenas lhes permite o ridículo. Não consigo encontrar um pingo de graça nas tiradas ditas humorísticas de Manuel João Vieira. Apenas ridicularia parola, nada mais. Irrita.E AGORA? | Agora resta-nos apoiar e votar em António José Seguro. A única maneira de não nos envergonharmos do nosso mais alto representante. Nunca respeitaria Ventura como chefe de Estado. Não respeito sequer os seus eleitores e lamento ter de me cruzar com eles no meu dia-a-dia. Não conheço pessoalmente nenhum. Nem vou conhecer. Se por acaso estiver enganado peço o favor aos meus aparentemente "amigos" racistas, xenófobos, (talvez mesmo fascistas) que me informem da sua miserável condição ideológica. Agradecido.Obrigado, Catarina
Foi a candidata da minha esquerda. Fez uma grande campanha eleitoral. Tive o privilégio de a representar na região onde nasci e ainda vivo. Participei com a intensidade possível. Uma mulher de cultura que sabe que a política precisa dessa retaguarda. Catarina Martins é uma mulher extraordinária. Reforcei uma amizade que se vai prolongar por um futuro de resistência. Mas disso falaremos amanhã. Muito obrigado por tudo, Catarina. Muito obrigado, mesmo.





























