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Archive for novembro \30\-02:00 2008
Novas janelas abertas
Posted in Uncategorized, tagged foto, janelas para o mundo, windows to the world on 30/11/2008| Leave a Comment »
Chega de faz-de-conta: criança é prioridade
Posted in direitos humanos, tagged direitos das crianças, direitos humanos, educação, exploração, infância, trabalho infantil on 30/11/2008| 2 Comments »
Fafá, 11 anos, devia estar brincando de casinha, de roda, de amarelinha. Devia estar terminando o dever de casa, conversando com as amiguinhas. Devia estar vendo nuvens e imaginando nelas um castelo, um rosto, um urso e tudo o que a imaginação infantil é capaz de fazer ver. Devia estar recebendo em sua face corada um beijo de boa noite dos pais. Mas o passado ficou imperfeito.
E o dever-ser se transformou em um tempo verbal lamentável, o futuro inalcançável, o deveria-ser-mas-não-é. Fafá não estava brincando, não estava estudando, não estava recebendo amor de seus pais. Não estava sendo tratada como criança. Fafá estava sendo usada como objeto sexual. Seus pais, em vez de lhe desejarem boa noite, cobravam, no fim do dia, os trocados recebidos pela intimidade infantil raptada.
Dedé tem 13 anos e devia estar fazendo molequices, jogando bola, subindo em árvores. Devia estar na escola, devia estar andando de bicicleta. Mas, assim como Fafá, Dedé também é vítima da imperfeição pretérita. Devia estar, mas não está. Em vez disso, é explorado pelo tráfico de drogas. Faz papelotes de maconha e espera ser promovido a “gerente da boca”. Sabe, porém, que a chance maior é a de ser preso ou morrer antes de que isso aconteça. Não tem medo do destino, já que lhe tiraram tudo -inclusive sua dignidade.
Fafá e Dedé são vítimas de duas das piores formas de exploração do trabalho infantil , conforme a Convenção 182 da Organização Internacional do Trabalho -a exploração sexual comercial e a utilização de crianças na produção e tráfico de drogas. Infelizmente, existem milhares de Fafás e de Dedés entregues aos próprios destinos, em afronta ao artigo 227 da Constituição Federal, que diz ser dever de todos – da família, da sociedade e do Estado – proteger crianças e adolescentes.
Então, como transformar esse passado imperfeito em um presente mais-que-perfeito? Em primeiro lugar, a óbvia constatação de que somente com investimentos pesados em educação se pode romper o ciclo da pobreza. Infelizmente, também a educação sofre dessa doença gramatical -o futuro que parece inalcançável. Entra governo, sai governo… e a educação continua em segundo plano.
Contudo, quando se fala em dever, se está dizendo que alguém tem uma dívida, uma obrigação. Assim, quando se diz que Fafá devia estar brincando, mas está sendo explorada sexualmente, a dívida recai sobre todos nós.
O que estamos fazendo para cumprir a nossa parte da obrigação? E o que podemos fazer? Podemos nos conscientizar, discutir, defender nossas crianças, cobrar dos governantes, nos articularmos, eleger aqueles comprometidos com a defesa dos direitos das crianças.
Este texto foi especialmente adaptado pelo autor para este blog. O original pode ser lido em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1011200509.htm ou http://www.prt10.mpt.gov.br/notonline/2005/art200506.html
Projeto Janelas Abertas para o Mundo
Posted in Uncategorized on 29/11/2008| 3 Comments »
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Preconceito lingüístico
Posted in cogitando, tagged linguística, preconceito on 29/11/2008| 3 Comments »
Cheguei na bera do porto
onde as onda se espaia.
As garça dá meia volta,
senta na bera da praia.
E o cuitelinho não gosta
que o botão de rosa caia.
Quando eu vim de minha terra,
despedi da parentaia.
Eu entrei no Mato Grosso,
dei em terras paraguaia.
Lá tinha revolução,
enfrentei fortes bataia.
A tua saudade corta
como o aço de navaia.
O coração fica aflito,
bate uma, a otra faia.
E os oio se enche d’água
que até a vista se atrapaia.
Esta é a canção “Cuitelinho” que a saudosa Nara Leão interpretou com sua voz meiga. “Cuitelinho” é o nome do beija-flor em algumas partes do Centro-Sul do Brasil. Alguns de nós chamariam essa estrutura de “fala caipira”, de “português errado”, mas que o lingüista, consciente de que essas denominações estão cobertas de preconceito lingüístico, chamaria de português não-padrão. O fato de não ser um padrão não significa que esta variedade do português seja “errada”. Muito pelo contrário, ela tem uma clara lógica lingüística, tem regras que são coerentemente obedecidas, e serve de material para uma literatura popular muito rica.
Podemos observar a ausência do plural e isso é muito comum no português não-padrão que tem regras gramaticais diferentes das do português-padrão. No português-padrão utilizamos a concordância de número e, no português não-padrão, a regra do plural é marcar uma só palavra para indicar um número de coisas maior que um. A regra tem uma hierarquia rígida: a marca indicadora de plural é usada apenas no artigo definido. Quando não há artigo, ela vai para a primeira palavra do grupo a ser pluralizado, que pode ser um substantivo “terras paraguaia” ou um adjetivo “fortes bataia”.
Se prestarmos atenção na fala das pessoas a nossa volta, iremos perceber que em situações informais, descontraídas, mesmo as pessoas ditas cultas aplicam a regra do plural do Português não-padrão. Essa regra de eliminação das marcas de plural redundantes não existe só no português não-padrão, duas outras línguas estrangeiras mais ensinadas nas escolas, o inglês e o francês, têm regras bastantes parecidas. Vejamos: My beautiful yellow flowers died yesterday e Je veux te donner les belles fleurs jaunes qui poussaient dans mon jardin (no caso do francês, a ausência de plural não se encontra na escrita, mas na oralidade).
Fonte: A língua de Eulália: novela sociolingüística, de Carlos Bagno, editora Contexto.
A magia de dar e receber
Posted in nanocontos, tagged amizade, dar e receber, desapego, doação on 29/11/2008| Leave a Comment »
Na primeira vez que veio à minha casa vestia-se com roupas finas. Trouxe peças de louça e cristal, vinhos e frutas exóticas. Confessei-lhe que estava constrangido por ser pobre e não ter como retribuir tanta gentileza. Disse que não sabia como ele podia deixar o seu palácio para vir comer uma comida tão simples. Ele apenas sorriu. Antes de almoçarmos, rezamos juntos e eu pedi a Deus que compensasse sua generosidade.
Na segunda visita trouxe-me apenas algumas flores, aparentemente colhidas no campo. Reparei que agora usava roupas mais surradas que as minhas. Perguntei-lhe o que acontecera. Respondeu-me que perdera toda a sua fortuna. Espantado, afirmei que isso era muita injustiça, logo ele que era tão generoso! Deus não ouvira minhas preces. Indaguei-lhe se não estava revoltado. Como sempre, sorriu e me disse: Deus ouviu suas preces e manteve suas portas desinteressadamente abertas para mim, assim como eram desinteressados os presentes que eu trouxe. Saber dar e saber receber é um dos mistérios da vida. Muitos fecharam suas portas, agora que enfrento este infortúnio. Mas devemos saber dar, e também saber receber. Assim, eu recebo o seu acolhimento e a sua amizade com muita alegria.
Ninguém é tão pobre que não possa oferecer amor.
Salário do professor no Brasil é o 3º pior do mundo
Posted in cogitando, tagged educação, professor, salário do professor on 28/11/2008| Leave a Comment »
“O professor brasileiro de primário é um dos que mais sofre com os baixos salários, mostra pesquisa feita em 40 países pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) divulgada ontem, em Genebra, na Suíça. A situação dos brasileiros só não é pior do que a dos professores do Peru e da Indonésia.”
Veja a íntegra da matéria aqui: http://raquelrfc.blogspot.com/2008/11/salario-do-professor-no-brasil-e-o-3.html
Ladrão de beijo
Posted in cogitando, tagged beijo, comportamento, crime on 28/11/2008| 3 Comments »
O G1 publicou uma matéria que chama a atenção. Um rapaz foi absolvido da tentativa de “roubar um beijo”. Ele não só não conseguiu o intento, como foi agredido pela mulher que tentou beijar. Mas o que queremos destacar é ter a mulher afirmado: “Se ele fosse o Gianecchini, a reação teria sido outra”. O mesmo ato poderia ter sido classificado de crime ou não ser dependendo de quem o pratica? É claro que aqui o que está em questão é o consentimento. Isso nos faz pensar sobre o quão sutis são as relações humanas. Veja-se que se tratou de uma tentativa de um beijo na face. Vale a pena ler a íntegra da matéria em http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL881494-5598,00.html
Fumante morto não paga
Posted in cogitando, tagged cigarro, fumo, indústria do tabaco, tabagismo on 27/11/2008| Leave a Comment »
Você cairia numa ratoeira? Pois é quase exatamente isso que aco
ntece com quem resolve experimentar um cigarro. Pesquisas recentes demonstram que o cigarro vicia com muita mais intensidade e velocidade que se acreditava, principalmente os mais jovens. “Não há dúvida de que os adolescentes apresentam muitos sintomas logo após seu primeiro cigarro”, afirma o cientista Joseph R. DiFranza.
Segundo este cientista, o cérebro rapidamente desenvolve adaptações para compensar os efeitos da nicotina. Quando o efeito da nicotina termina, essas adaptações provocam os sintomas da abstinência.
É uma ratoeira mental, mas uma ratoeira. Existe uma isca e um mecanismo de aprisionamento, que agora se vê é rápido como a armadilha de molas. Mas, ao contrário da ratoeira, a armadilha do cigarro não mata na hora. Nem poderia. Fumante morto é ex-fumante. Não consome mais.
http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/fisgado_na_primeira_tragada.html
O espaço que nos une
Posted in cogitando, tagged astronomia, espaço, matéria, núcleo atômico on 27/11/2008| Leave a Comment »
No texto “Sol, nuvens e solidão” afirma-se que o Sol está ao nosso lado. Trata-se de uma ficção, portanto talvez seja uma figura de linguagem, uma metáfora ou algum recurso literário. Mas é uma afirmação aparentemente estranha, pois parece haver um enorme vazio separando a Terra do Sol. Entretanto, não é cientificamente absurda a idéia de estarmos próximos. Basta modificarmos nosso ponto de vista.
Marcelo Gleiser, no livro Mundos Invisíveis, descreve assim as primeiras impressões colhidas da análise dos tamanhos dos átomos: “O mais estranho eram os tamanhos relativos. Os átomos são praticamente vazios! Se ampliássemos um núcleo atômico até que ele atingisse o tamanho de uma cereja, os elétrons seriam encontrados a mais de 10 quilômetros de distância. Era bizarro imaginar que entidades tão ocas pudessem dar rigidez à matéria.”
A matéria de que somos feitos é tão rala que, não fossem as forças que agem sobre os átomos, seria possível atravessarmos uma parede de concreto como os fantasmas fazem nos filmes. No entanto, nossa percepção, quando vemos uma peça de metal, ou mesmo o nosso próprio corpo, é de uma coisa compacta, unida. Isso porque temos uma perspectiva diferente em relação ao que nos parece muito menor. Mas, em essência, o espaço aparentemente vazio entre o Sol e a Terra é tão compacto (ou tão ralo) quanto o espaço entre os núcleos dos átomos e os eletróns, ou entre os átomos. Tudo depende da maneira que se vê.
O Sol, as nuvens e a solidão
Posted in nanocontos, tagged solidão on 26/11/2008| 1 Comment »
Sinto-me terrivelmente sozinho. Sou o último da minha espécie. Ou o primeiro. Existem muitos bilhões de pessoas na Terra. Mas tenho certeza que nenhuma delas se parece comigo. O que me fazia tão diferente assim? Estava tão distraído que não a percebi na minha frente. Ela se materializara ou simplesmente eu não a vira se aproximar? Você, disse-me, não é diferente de nada. Seu próprio eu é uma ilusão defensiva. Franzi minha sobrancelha mas continuei escutando. A sua mente luta para criar esta ilusão. Mas se você procurar em seu interior onde está sua consciência, não vai encontrar. Por que ela não está em você. Olhou para o Sol. Não entendo onde você quer chegar, eu disse. Não tente entender. Sinta. Sente o calor do Sol? Você acha que seria possível você sentir o calor do Sol se você não estivesse ligado a ele? No entanto, nos iludimos que ele está a centenas de milhões de quilômetros de distância. O Sol e o Universo inteiro estão bem aqui, ao seu lado. Cada partícula, cada ser vivo. Porque todos são a mesma matéria, ou o mesmo espírito, se você quiser. Sequer faz sentido falar em perto ou longe sobre o que não está separado. A ilusão do eu tem sua importância em alguns momentos. Mas temos que saber abandonar este eu ilusório. E ver o eu completo. Só assim você percebe que a solidão é impossível. Se todos abrissem os olhos para a unidade da existência, não haveria guerras nem fome. Mas estamos num círculo vicioso. As pessoas supervalorizam o eu. Isso traz o sofrimento. Quando, por alguns momentos e por acaso, nos abrimos para a percepção da unidade, sentimos esta dor. E nos isolamos novamente para evitá-la. Nossa solidão alimenta o sofrimento e o sofrimento reforça nossa solidão.
Não sei se o que ela disse faz sentido. Mas olho para as nuvens no pôr-do-sol. Elas parecem diferentes. Um violeta profundo, misturado com amarelos. É intenso. Pareço fazer parte daquela imagem. Apesar de toda a beleza, logo sinto uma dor profunda. As lágrimas tomam meus olhos. Fecho-os. Não se desespere com a dor, posso ouvi-la. Espere um pouco. O amor é maior que o sofrimento, que está na superfície, como uma camada de poeira sobre a água. Mas é só esperar esta poeira submergir e todo o amor se revela. Sinta-se banhado pela água morna do amor. Abro os olhos e ela não está mais ali. Mas eu continuo sentindo sua presença.
Antídoto para a metamorfose – Assédio moral no trabalho
Posted in direitos humanos, tagged assédio moral, dignidade, direitos do trabalhador on 26/11/2008| 3 Comments »
“Certa manhã, ao despertar de sonhos intranqüilos, Gregor Samsa encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso. Estava deitado sobre suas costas duras como couraça e, quando levantou um pouco a cabeça, viu seu ventre abaulado, marrom, dividido em segmentos arqueados, sobre o qual a coberta, prestes a deslizar de vez, apenas se mantinha com dificuldade. Suas muitas pernas, lamentavelmente finas em comparação com o volume do resto de seu corpo, vibravam desamparadas ante seus olhos.”
‘O que terá acontecido comigo?’, ele pensou.”
Assim começa o livro de Franz Kafka, “A metamorfose”. Gregor Samsa acorda descobrindo-se um inseto. Esta metáfora é perfeita para descrever o assédio moral. O próprio personagem parece ter sido vítima dessa forma de violência. Gregor era devedor de uma dívida que não contraíra, mas que pela qual era responsável. Uma dívida impagável que o aprisionava no trabalho. Seu patrão não hesitava em humilhá-lo, lembrando-o, a todo momento, da dívida e ameaçando-o de demiti-lo. Gregor não contava com a solidariedade dos colegas, que, ademais, ainda conspiravam contra ele com fofocas e maledicências.
O que aconteceu realmente com Gregor Sansa não temos como responder. Mas, com certeza, deixou-se de reconhecer nele sua dignidade, ao ponto dele deixar de ser humano. A dignidade do ser humano é o bem jurídico que se pretende tutelar quando se combate o assédio moral. O reconhecimento da dignidade inerente a todos as pessoas é a questão principal.
O assédio moral no trabalho é uma prática deliberada de ataque à dignidade do trabalhador, por ação ou por omissão. Tem, em geral, um objetivo concreto, que pode ser, por exemplo, a desestabilização emocional de um empregado que detenha estabilidade provisória, para que ele acabe por pedir demissão. Cria-se um ambiente humilhante, com ofensas diretas ou simbólicas, como a imposição de ordens impossíveis de serem cumpridas, ou muito abaixo da qualificação do empregado. Infelizmente as possibilidades são inúmeras e a criatividade para crueldades é enorme.
O antídoto é a consciência, a mobilização, a informação. Se você acredita que está sendo vítima de assédio moral, procure ajuda psicológica, médica, jurídica e, principalmente, dos órgãos de proteção dos trabalhadores, como o Ministério Público do Trabalho. Não se desespere. Quanto maior for o seu desespero, mais o assediador terá conseguido seu objetivo: desestruturar você emocionalmente.
Adaptado pelo autor especialmente para este blog. O texto original pode ser encontrado aqui .
Mais informações sobre Assédio Moral: cartilha do sinasempu
O amor e as drogas, parte 2
Posted in cogitando, tagged amor, comportamento, dependência química, depressão, drogas, psicologia, vício on 25/11/2008| Leave a Comment »
Recentemente adicionamos um texto pelo qual se podia deduzir que, se a pessoa for amada e estiver confortável física e emocionalmente, será menos provável que se vicie em alguma droga. Mas é necessário ressaltar duas situações: drogas cada vez mais potentes, que viciam logo no primeiro contato (o cigarro é uma delas, como falaremos em breve) e a presença de doenças como a depressão. A depressão modifica a visão de mundo, tornando-o, muitas vezes, descolorido, apagado, sem graça. A pessoa afetada pela depressão tem dificuldade de sentir prazer e está em estado de sofrimento. As drogas (inclusive o cigarro) atuam nestes mecanismos, trazendo algum alívio. Daí porque, quando no texto anterior se conclui que a pessoa precisa saber que é amada, é possível que não se trate da falta de expressão do amor por quem ama, mas da incapacidade da pessoa amada sentir e ter consciência deste amor. Daí porque ela não “sabe” que é amada. Então, será preciso curar a depressão, antes ou durante o processo de cura do vício.
Leia também O amor e as drogas, parte 1
