
(Fonte: http://graphjam.memebase.com/upcoming/?pid=44912&from=recMap2)
Blog em processo de se tornar o que é

Conforme matéria do Estadão, parece que Dilma vai, sim, aproveitar a viagem à China para tratar de direitos humanos. A postura parece marcadamente diferente da de Lula, que, em viagem a Cuba, além de se omitir sobre o assunto, ainda ofendeu grosseiramente os presos políticos cubanos numa declaração sumamente cínica.
Quer dizer, quanto a se omitir, dá até para entender. É complicado mesmo ficar enfiando dedos nas feridas dos países que te recebem, até por, digamos, cortesia com o anfitrião. Esse, se não me falha a memória, era um dos principais argumentos do Idelber a favor do Lula.
Só que, daí para ofender, passou da omissão à ação mais infeliz.
Dilma, por outro lado, para usar uma expressão do Alon, está mostrando muito mais serviço colocando os direitos humanos na centralidade do debate. E, contrariando o receio expresso nesse artigo, mencionará o tema na visita à China.
Mas por que diabos, apesra de tudo isso, eu abri o parágrafo dizendo que a postura de Dilma parece marcadamente diferente?
Porque a lição de casa não está sendo feita aqui. O essencial Leonardo Sakamoto tem martelado muito essa tecla – e que bom que o faz. Cito apenas este post sobre Jirau como exemplo. A situação por lá está tão feia que até a OEA deu um pitaco no Brasil em relação a um projetão ali pertinho, em Belo Monte. Este, por sua vez, reagiu com um belo de um “foda-se”. O mesmo Sakamoto, compreensivelmente, ficou assaz puto e aproveitou para nos fazer o ótimo favor de coligir indignações locais.
Quer dizer, é relativamente muito fácil ficar só dando pitaco nos outros sobre direitos humanos, embora a pregação faça, sim, parte de sua realização. Mesmo as dificuldades que mencionei acima são pequenas se as compararmos com fazer a lição de casa. Ou pelo menos mostrar disposição em fazê-la.
É o caminho fácil: em toda viagem internacional, a presidente coloca os direitos humanos na centralidade do debate. Ganha muitos pontos e credibilidade. Aqui dentro, faz vista grossa para situações horríveis como a de Jirau ou dúbias como a de Belo Monte.
Até mesmo em termos de estratégia política isso é péssimo. Dá combustível para seus adversários dizerem: “Ela só quer saber de direitos humanos contra seus algozes. Na sua menina-dos-olhos que é o PAC, direitos humanos são convenientemente engavetados.”
Por isso, uma política de direitos humanos parcial tão incoerente acaba produzindo menos efeitos do que a parte atendida. Quer dizer, a parte do efeito positivo obtido com as Comissões de Verdade será minimizada pela incoerência institucional. Sem contar a incoerência internacional de “desfilar um voto contra o Irã” mas “ficar em cima do muro na questão líbia” (expressões do post alonesco supra citado).
E o que nós podemos fazer? Cobrar, simplesmente. Criticar. Desfraldar a bandeira. E, como faz o Sakamoto, mantê-la aberta. Inclusive, deputados federais e senadores estão aí para isso. Nós é quem votamos neles, lembram? Ah, por acaso também votamos para presidente.
Mas e no total, o que eu acho disso? No total, ainda acho que a coisa está boa. Por todo que expus, Dilma está me decepcionando, mas em boa parte também está me vingando. Sua postura em relação a direitos humanos, ainda que incoerente e titubeante no todo, é contundente nos pontos em que se afirma. E é muito superior à de seu antecessor. Diria até, inédita.
(Foto: Brasil Econômico)
Essa frase é verdadeira ou falsa?
Este blog foi inaugurado com um post que buscava relembrar o aspecto de constante luta política por trás do Dia internacional da lembrança da luta pela igualização (material) dos direitos da mulher aos do homem. Desta vez incluí o “material” porque já somos iguais formalmente (não, SÉRIO?!?). Apesar da letargia em que o blog se encontra, eu não ia deixar passar isso batido.
Assim, por pura preguiça e auto-propaganda, já que minha birra é justamente com o fato de que esse aspecto é tão velado, relinko vocês para esse post, que, tristemente recebe muitas poucas visitas. Os mais “quentes” são os relativos à autonomia do Banco Central.
Depois de tanto tempo parado, creio que cabe um pequeno pedido de desculpas aos leitores. Estou devendo pelo menos 3 continuações: sobre histeria na literatura; a margem de erro das pesquisas de candidatos; e as desconstruções dos comentários “trollamente” machistas do Conjur no caso do juiz de Sete Lagoas.
Sofri um súbito acréscimo de atividades, o que inclui preparação de um projeto de mestrado. Aproveito para anunciar que, para alegria de uns e desgraça d’outros, invadirei a Antropologia! Tem sido divertido, mas consumido muito do meu tempo. Por exemplo, já posso declarar amor eterno e incondicional aos super-hiper-mega-fodões Franz Boas e Claude Lévi-Strauss.
Enfim, ficam aí meu pedido de desculpas aos leitores e minha pequena contribuição ao des-velamento do significado do dia 8 de março. Se podemos falar em “presente” para as mulheres nesse dia, lembrar desse significado é o melhor “presente” que podemos dar.
É essencial homenagear as pessoas que, literalmente, saíram na porrada para impedir uma manifestação neonazista.
Antes que algum engraçadinho venha com “direito de livre expressão”, fique sabendo que esse argumento é falacioso no caso dos neonazistas. Até mesmo esse direito pode sofrer limitações; no caso, é em prol da própria condição humana. Usando uma expressão do Amiano Marcelino, é pelo bem dos 2% que nos tornam “superiores” aos primatas.
Parabéns, galera!

Morri de rir com isto:
Tem outras excelentes aqui: http://ninapaley.com/mimiandeunice/category/libertarians/
Hat tip: Adriana Dias.
30 de janeiro é o triste aniversário em que o melhor blog do Brasil hibernou. Sua influência neste blog é bastante forte: foi lá onde, pelos meus comentários, ganhei gradativamente reputação, o que me motivou a, além de comentar, blogar. Muitos dos leitores (vocês me lêem, não lêem? POR FAVOR???) deste blog vieram via Celso ou via cutucões constantes, mas vários vieram do Hermenauta – para ficar só em 4, Fernando, Radical Livre, Ademonista e O Patriarca Contemporâneo (que, aliás, voltou à ativa). Infelizmente, não consegui trazer o fantástico Marcos Nowosad, que sumiu junto com o Hermê (doravante também cognominado o Blogueiro). Enfim, sou bastante grato ao Hermê, e continuo a reler seu arquivo como fonte de informação.
Nossas semelhanças são bastante claras:
1) Pseudônimo: Ambos blogamos sob pseudônimos, e ambos são trocadilhos engraçadinhos.
2) Nerdismo quase disfuncional: dã.
3) Crítica à mídica “tradicional”, mas com a consciência de que a blogosfera não vai substituí-la (afinal, de onde os blogs majoritariamente colhem informações primárias?). Ou seja, não é por mantermos um olho aberto no que sai em Veja, Estadão, Folha e afins que não podemos até usá-los como fonte de citação e informação.
4) Variedade: o Blogueiro habitualmente intercalava posts “pesados” (análise política, crítica midiática, discussão de temas polêmicos) com posts de diversos assuntos. É uma técnica simples e que produz bons resultados: vejam, e. g., o Celso ou o Amiano Marcelino.
5) Humor. Aqui como lá, é um convidado sempiterno e permanentemente bem-vindo. O Hermenauta ensinando o “beabá” (Literalmente. Sério.) para o Tiago Maoísta foi um negócio de que até hoje é de matar de rir.
No entanto, nossas diferenças também são bastante fortes. Ei-las, em ordem decrescente de importância:
1) Heroísmo. Eu NÃO tenho a nipo-titânica paciência do Hermenauta de ler e, principalmente, desconstruir periodicamente o Reinaldo Azevedo. Eu poderia dizer que é falta de tempo, mas seria uma péssima desculpa. Ainda mais porque, no mais das vezes, tempo é só a gente querer que arranja. É falta de saco mesmo. No entanto, é uma tarefa necessária: se o Krugman só discutisse com quem tem Nobel de Economia, teria 0,nada% da influência que tem (foi o Celso que disse isso, mas não encontro essa frase no desgraçado). Assim, até me sinto como em falta numa tarefa.
2) Velocidade. Estou muito aquém da lendária velocidade pôsto-digitativa do Hermê. Essa diferença, aliás, sofre influência desta:
3) Concisão. Em geral, o Blogueiro consegue usar menos palavras para dizer mais coisas do que eu diria sobre o mesmo assunto. Mas isso é uma habilidade “alcançável”. O dito-cujo tem muito mais prática blogueira do que este principiante que rescende aos cueiros do mIRC.
4) Música. Ele recorrentemente confessava total ignorância em relação à música, a qual, inversamente, é minha paixão absoluta.
5) “Fuçância”. Apesar de ambos sermos nerds, ele é claramente muito mais nerd do que eu. Além disso, o Hermê fuçava muito mais em fóruns e sites diversos do que eu, de modo a sempre estar a par de mais ou menos, er, TUDO, desde a mais obscura memética até… sei lá, tudo. Eu mal e mal fiquei sabendo do All Your Base Are Belong To Us e olhe lá.
O Blogueiro hibernou o blog por causa do filhinho, para quem até já garantiram um domínio no WordPress. Assim, for great justice, também poderá continuar o legado do pai.
Nesses tempos de internet, até um enorme arquivo inativo como o blog do Hermenauta é uma fonte tão rica que pode ser considerada uma “obra”, tanto quanto um livro de contos ou um trabalho acadêmico. Assim, torçamos, em primeiro lugar, para que dê tudo certo na educação do filhinho; depois, para que o Blogueiro volte, para que possamos voltar a lhe terceirizar a tarefa de desconstruir o Tio Rei voltemos a ter um interlocutor singularmente sábio.
***********************************************************************
Falando em All Your Base, este é um dos mais sensacionais remixes; não só de All Your Base, mas sim EVER.
(Clique para aumentar. Fonte: http://members.arstechnica.com/x/xoa/classical-ZEROWING.jpg)
Fonte: http://dilbert.com/strips/comic/2010-12-28/
Tradução:
Dogbert: Eu posso reduzir os seus impostos usando uma estratégia que os advogados tributários chamam de Sanduíche Holandês. E eu nem estou inventando isso.
Chefe: Então… Isso transferiria a nossa carga tributária para pessoas que não podem pagar por advogados tributários.
Dogbert: É, o sanduíche deles têm um nome menos agradável.
O Scott Adams, pela boca do Chefe, falou tudo.
Só para esclarecer, “Sanduíche Holandês“, pelo que li, é um esquema relativamente simples, mas difícil de implementar, de elisão fiscal – isto é, procedimento pelo qual, dentro da lei, o contribuinte diminui ou até consegue eliminar o pagamento de um tributo.
Especificamente, o “Sanduíche Holandês” consiste em montar subsidiárias em 3 países diferentes, (geralmente, Holanda, Irlanda e mais um), e aproveitar as legislações fiscais de cada um deles. A arquitetura é simples. Só que montar isso exige um baita de um capital. Afinal, não é qualquer empresa que consegue montar subsidiárias em 3 países diferentes.
E a autoridade fiscal do país da empresa nem pode fazer muita coisa, pois envolve a soberania de outros países. Um auditor brasileiro não pode chegar na embaixada e “exigir” que a Irlanda dê uma apertada nas leis tributárias.
E, como o governo precisa aumentar a alíquota para compensar esse tributo que deixa de ser recolhido, todos os contribuintes pagam a conta da malandragem de umas poucas empresas gigantes.
Esse formidável compositor armênio (1903-1978) legou-nos obras manjadas como a Dança do Sabre e o Adágio de Spartacus e Phygia, mas elas, infelizmente, ofuscaram o magnífico corpo de sua obra. Ele é “desconhecido” porque, apesar dessas obras manjadas, ele é pouco conhecido. Por exemplo, meio que todo mundo associa a 5ª Sinfonia ao velho Ludwig, os Concertos de Brandenburg a Bach e o Bolero a Ravel. Mas quantos associariam a Dança do Sabre a… er… quem?
Mas é “famoso” porque ele foi um personagem importante na música do século XX. Seus colegas de União Soviética eram ninguém menos que Sergei Prokofiev e Dmitri Shostakovich. Sofreu com eles a infame censura do orwelliano Decreto Jdanov. E dedicou obras a solistas até hoje famosos, como o violinista David Oistrakh.
Sua obra sofre do mal auto-alimentado do ostracismo: uma vez que uma obra cai no mundo do “desconhecido”, ela tende a ficar mais “desconhecida” ainda, pois cada vez menos gente as traz ao público, ainda que as conheça. Geralmente, pura mesquinhez do intérprete.
Como se não bastasse o ostracismo, seu Concerto para Piano em Ré Bemol também é vítima de amnésia crônica por causa de sua dificuldade transcendental, até para os parâmetros dos virtuoses. Poucos são doidos o suficiente para tocar esse treco, entre os quais está a também armênia Liza Kechichian, atualmente residente em São Paulo.
Diga-se de passagem que essa equação “ostracismo inicial” + “dificuldade alta” = “ostracismo astronômico” afeta até mesmo a obra amplamente estudada de um compositor como Beethoven. Falo da Sonata em Fá no. 22, op. 54, por exemplo.
Sendo um concerto raro, é dificílimo achar gravações, e menos ainda apresentações no YouTube. Mas, graças sejam dadas ao francês Jean-Yves Thibaudet e à televisão japonesa NHK, que nos proporcionaram uma gravação completa em alta qualidade. Animalidade absoluta garantida. Assistam antes que saia do ar!
1º movimento, Allegro non troppo e maestoso – parte 1
1º movimento, Allegro non troppo e maestoso – parte 2
2º movimento, Andante con anima
3º movimento, Allegro brillante
Recent Comments