Conversas distintas que tive nessa semana pré eleição 2014 com amigos me trouxeram lembranças de dois pleitos:
1989 – Collor eleito Presidente da República
1992 – Maluf eleito Prefeito de SP
Foram duas eleições emblemáticas, duas eleições onde a bílis, o ódio, o sentimento de negar foi muito maior do que o de afirmar.
Em 1989, Collor foi o primeiro Presidente eleito de forma direta após a ditadura. Em 1992, Maluf foi eleito o sucessor de Luiza Erundina, uma mulher petista e nordestina, que governou a cidade São Paulo.
Na semana em que Collor foi eleito a TV Globo fez duas grandes intervenções, a primeira foi veicular reportagem atribuindo ao PT ligações com os sequestradores do empresário Abílio Diniz.
Na sexta feira antes da eleição, promoveu debate entre Collor e Lula e, posteriormente, manipulou a edição do mesmo no JN de sábado beneficiando Collor.
Collor, foi eleito com muita gritaria e um sentimento de revolta (!?), tempos depois foi deposto com o mesmo sentimento de revolta e gritaria com o adendo das camisas pretas.
O processo de impeachment foi uma extensão da decisão e dos motivos que o elegeram, um ato único
Os eleitores malufistas espumavam ao falar o nome da, então, prefeita petista. Maluf, segundo os eleitores dele em 1992, colocaria a cidade de São Paulo nos prumos, de onde fôra retirada pela forasteira nordestina, Luiza Erundina.
Maluf eleito, cometeu a gestão que sempre prometera (patrimonialização, obras estapafúrdias, descalabro) e prolongou a catástrofe ao eleger seu sucessor, o obscuro Celso Pitta. Após sua gestão “redentora” Maluf nunca mais seria eleito para cargos majoritários, o legado malufista hoje foi capitalizado pelo PSDB.
Um adendo: a eleição de Maluf aconteceu pouco tempo depois do impeachment de Collor e foi coroada por outro fato grave no seu contexto, o Massacre do Carandiru, patrocinado pelo herdeiro de Quércia, o Governador Antônio Fleury Filho. Tempos sombrios.
Maluf e Collor foram eleitos, entre outros motivos, por um sentimento antipetista. Hoje, ironicamente, os dois mastigam um ostracismo, são figuras menores e se atrelaram à base de sustentação do governo petista de Dilma.
Mas por que me lembrei disso?
O furor, o ódio, o sentimento de excludência, o antipetismo estão presentes no semblante e nos motivos dos eleitores de Aécio nesse 2014. Dessa forma lembram muito os eleitores de Collor em 1989 e de Maluf em 1992, com as devidas proporções guardadas. O mesmo toque de irracionalidade paira sobre a decisão.
Pergunte a um eleitor aecista por que ele opta pelo mineiro. Perdigotos, olhos estalados e grunhidos serão entremeados por frases de ira contra o PT, Lula, Cuba, Venezuela e o comunismo. Sobre o Aécio e suas propostas pouco se fala. E eles o querem Presidente.
Aécio 2014, Maluf 1992 e Collor 1989 são políticos diferentes, suas plataformas idem, mas atraem o mesmo tipo de eleitor, um eleitor que nega, que não suporta, que detesta, que muitas vezes renega a própria democracia, e que nesses 25 anos de vida democrática, seja ele votante neofito ou veterano, não conseguiu construir uma alternativa afirmativa para esse sentimento incômodo.
Aguardo domingo com o desejo de que a história não se repita em tragédia, que a exclusão não vença a afirmação, para de fato avançarmos.
Dilma 13, não porque eu deteste o Aécio ou seus eleitores, mas porque prefiro afirmar a minha candidata e o projeto de país que me representa.







