Era como uma banda punk. Glauco, Luis Gê, Angeli e Laerte, o Toninho Mendes de manager e a Editora Circo agregando todos.
Os petardos imagéticos, para lá de sonoros, eram o Bob Cuspe, os Piratas do Tietê, Geraldão, Skrotinhos…as tiras do cotidiano.
Na verdade esse povo são pré punk, são beats, são filhos e parças de Crumb e Art Spiegelman, do underground, de uma longa contracultura.
A revista Circo fez parte da formação sentimental de um monte de gente naquela São Paulo saindo da ditadura. Nós crescemos com esses nomes animando nossas vidas e conseguindo exorcizar demônios, recalques, atrasos e solidões.
Como eu dizia, eles eram como uma banda punk. Glauco nos deixou tragicamente, Toninho Mendes foi em 2007. Restaram Laerte, Luis Gê e Angeli.
Angeli agora se calou, teve que se silenciar. Os punks também amam, choram e às vezes se calam. Para uma banda punk o silêncio é a negação, para uma banda punk imagética o silêncio é a imagem que se ausenta.
Valeu Angeli, as vezes gostei muito do que você fez, outras não, o fato é que você esteve presente na minha vida e de muitos da minha geração. Nos resta respeitar o silêncio.
Como disse a banda punk escocesa Exploited em algum momento do início dos anos 80: “Punks Not Dead”.
É verdade, a revista Circo vai sobreviver conosco, ainda que um dia só restem as histórias e as tirinhas, o que não é pouco.




