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        <title><![CDATA[Stories by Victor Thurler on Medium]]></title>
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            <title>Stories by Victor Thurler on Medium</title>
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            <title><![CDATA[Do manicômio ao cuidado em liberdade: efeitos históricos na psicologia e no imaginário social]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Victor Thurler]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 12 Sep 2025 18:26:45 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-09-12T18:28:01.886Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Durante décadas, o modelo manicomial estruturou a atenção à saúde mental no Brasil e no mundo: internações prolongadas, segregação social, foco na contenção e na ordem institucional. A “terapêutica” confundia-se com isolamento, e a diferença era tratada como periculosidade. Esse arranjo produziu cronicidade iatrogênica, desafiliação social e violações sistemáticas de direitos humanos.</p><p>A partir dos anos 1970–80, a crítica antimanicomial — inspirada por Franco Basaglia e reforçada por movimentos brasileiros de trabalhadores, usuários e familiares — deslocou o eixo do tratamento do hospital para o território. Com a Lei 10.216/2001 e a constituição da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), consolidou-se o paradigma do cuidado em liberdade: serviços comunitários (CAPS), redução de leitos asilares, residências terapêuticas, atenção primária como porta de entrada e participação social.</p><p><strong>Efeitos sentidos hoje na psicologia</strong></p><p>Na prática clínica e institucional, esse giro histórico deixou marcas profundas:</p><p>Da contenção à escuta qualificada: a clínica se desloca para uma ética do encontro, com projetos terapêuticos singulares, gestão compartilhada do cuidado e redução de danos.</p><p>Do diagnóstico como etiqueta à avaliação contextual: ênfase em determinantes sociais do sofrimento, vínculos e funcionalidade (e não apenas sintoma).</p><p>Do caso individual ao cuidado intersetorial: articulação entre saúde, assistência social, trabalho, moradia e cultura; o objetivo não é “curar a diferença”, mas produzir circulação, laços e direitos.</p><p>Formação e supervisão: ampliação de dispositivos grupais, clínica ampliada, matriciamento, e uma crítica à medicalização como resposta única.</p><p>Ética e direitos: centralidade da autonomia, consentimento informado, não violência e descriminalização do sofrimento.</p><p>Apesar dos avanços, persistem ressonâncias manicomiais: internações compulsórias indiscriminadas, comunidades terapêuticas com práticas de confinamento, estigma midiático que associa “loucura” a perigo e medicalização como solução rápida para questões psicossociais. Em contextos de crise (uso problemático de substâncias, situação de rua), narrativas de segurança reaparecem como justificativa para reclusão e controle, tensionando o princípio do cuidado em liberdade.</p><p><strong>Como a sociedade vê hoje esse legado</strong></p><p>O imaginário social está em transição. De um lado, há maior sensibilização para direitos humanos, antiestigma e linguagem de cuidado; valorizam-se CAPS, grupos de convivência e a ideia de maternidade/paternidade social do território. De outro, medos coletivos e demandas por ordem reativam soluções segregadoras — sobretudo quando políticas públicas são subfinanciadas ou descontinuadas. Assim, convivem dois regimes simbólicos: o da cidadania (cuidado, inclusão, autonomia) e o da exceção (confinamento, tutela, silenciamento).</p><p>Em síntese: a passagem do hospital-centrismo ao cuidado territorial reconfigurou a psicologia em direção a uma clínica ética, intersetorial e orientada a direitos. O desafio atual é sustentar esse pacto civilizatório diante de pressões por retrocessos, garantindo financiamento, formação continuada e participação social para que “cuidar em liberdade” não seja apenas um lema, mas uma política viva.</p><p>=========</p><p>Referências bibliográficas (breves)</p><p>Basaglia, F. (2005). A instituição negada. Graal.</p><p>Amarante, P. (2007). Saúde mental e atenção psicossocial. Fiocruz.</p><p>Brasil. (2001). Lei 10.216 — dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas com transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial.</p><p>Ministério da Saúde. (2011). Portaria nº 3.088 — institui a RAPS no SUS.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=8758fd4c41c6" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[A saúde mental é determinada não apenas por fatores biológicos ou individuais, mas também por…]]></title>
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            <category><![CDATA[mental-health]]></category>
            <category><![CDATA[psicologia]]></category>
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            <category><![CDATA[saúde-mental]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Victor Thurler]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 05 Aug 2025 12:10:23 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-08-05T12:11:33.484Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3>Problemas psicossociais: quando o sofrimento é coletivo</h3><p>A saúde mental é determinada não apenas por fatores biológicos ou individuais, mas também por condições sociais, econômicas, culturais e políticas. Nesse contexto, os <strong>problemas psicossociais</strong> ganham relevância como expressão de uma tensão permanente entre o sujeito e o meio em que vive. São fenômenos complexos que atravessam a experiência humana e que <strong>repercutem de forma ampla no comportamento, nas relações e nas estruturas sociais.</strong></p><p>De acordo com a <strong>Organização Mundial da Saúde (OMS)</strong>, cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem com algum transtorno mental ou neurológico, sendo que grande parte desses quadros está relacionada a <strong>determinantes sociais</strong> <strong>da saúde</strong>, como pobreza, exclusão, violência, racismo e desemprego. No Brasil, a última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS/IBGE, 2019) apontou que mais de 10% da população adulta relatou diagnóstico de depressão — com taxas significativamente maiores entre mulheres, pessoas negras e desempregados.</p><p>Os problemas psicossociais se manifestam por meio de sofrimentos subjetivos e comportamentos desadaptativos, mas têm raízes em desigualdades estruturais. Para <strong>Paulo Amarante</strong>, um dos principais nomes da reforma psiquiátrica brasileira, “a saúde mental é, antes de tudo, um campo de disputa política e social”. Já <strong>Marie Jahoda</strong>, pioneira nos estudos sobre desemprego e saúde mental, mostrou em sua pesquisa clássica (1933) que a ausência de vínculos sociais, reconhecimento e participação impacta diretamente a autoestima e o funcionamento psicológico.</p><p>As repercussões desses problemas não são isoladas. Elas atravessam famílias, instituições, comunidades inteiras. Segundo <strong>Viktor Frankl</strong>, psiquiatra austríaco e sobrevivente do Holocausto, “o sofrimento deixa de ser sofrimento no momento em que encontra um sentido”. Essa frase destaca a importância de olharmos para além do sintoma — de buscarmos compreender o contexto e o significado das experiências humanas em sofrimento.</p><p>Ao lidar com problemas psicossociais, não basta intervir apenas no indivíduo. É preciso uma abordagem intersetorial e integrada, que articule saúde, educação, cultura, assistência social, segurança e direitos humanos. Isso implica em criar <strong>redes de cuidado</strong>, fortalecer vínculos comunitários e garantir <strong>políticas públicas que assegurem o direito à saúde mental como parte do direito à vida digna</strong>.</p><p>A repercussão dos problemas psicossociais nos mostra que <strong>o sofrimento individual não é apenas privado: ele é político, coletivo e relacional</strong>. Portanto, transformar a realidade do sofrimento humano requer mais do que escuta clínica — exige compromisso social.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=1cd1cbf65ee5" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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