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        <title><![CDATA[Stories by Maria Vidá on Medium]]></title>
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            <title>Stories by Maria Vidá on Medium</title>
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            <title><![CDATA[bolsa-balsa, olhos d’água]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Maria Vidá]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 01 May 2026 00:07:37 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-05-01T02:33:44.053Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>deixei a água levar e busquei outro reflexo no que ela deixou</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*1tuWGj1F4fK5nveexATZBA.jpeg" /></figure><p>penso<br>na possibilidade</p><p>de um dia<br>construir barragens<br>tão potentes de felicidade</p><p>que impeçam<br>as águas da tristeza<br>de invadirem o seu rosto</p><p>que não passem<br>pelos limites dos seus olhos</p><p>— que brilham<br>quando o sol os beija</p><p>onde a cor<br>amarela-vermelha<br>rosa-manga<br>laranja-fogueira<br>da sua bebida favorita</p><p>ainda reflete neles<br>a falta</p><p>daquilo que enche seu céu<br>de nuvens</p><p>e te rouba<br>os beijos do sol<br>e o brilho dos olhos</p><p>até romper<br>as barragens</p><p>e liberar passagem<br>pras águas dessa tristeza</p><p>onde agora<br>eu me vejo</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=10935a96ea83" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[051222]]></title>
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            <category><![CDATA[rant]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Maria Vidá]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 14 Aug 2024 21:39:15 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-08-14T21:39:15.693Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>foi dia 05 de dezembro de 2022. decidi não morrer.</p><p>um impulso, ainda curto, me colocou do outro lado. descia a cor do dia e subia a luz da noite. eu pensava. achava que tinha certeza. eu mesma tinha, mas precisava duvidar — ou achava que essa, sendo possibilidade do outro, era uma necessidade minha.</p><p>no começo e no fim, eu sempre soube. não era ele.</p><p>vi a noite chegar na fissura da janela de ferro vermelho pintado de branco na parede branca pintada de verde que descama o verde e revela o branco e revela ainda mais a si mesma. não é branca e nem verde — ou outra cor que um alguém outro dia já pintou — é atravancado. tijolo barro e cimento.</p><p>a noite era estrelada e brilhava sem espaço pra escuridão, mas tudo bem. eu estava há alguns meses cultivando a força que podia naquele dia trazer o escuro que pudesse fazer da noite mais noite enquanto pensava.</p><p>pensei na parede. nela.</p><p>em mim, arrepiavam-se os pelos, enrijecia a pele e tirava o sorriso. puxava pra baixo o rosto e o corpo. molhava os olhos, abria a boca, estendia a mão, gritava. tão baixo que o mais alto sussurro podia cobrir a voz que queria pedir e nascer.</p><p>pensei de novo. era necessário que houvesse ali um ponto, daquele do sertão: de onde não se pode mais voltar atrás. parei. quis parar de sentir. achava que era preciso-possível parar de sentir mas só querer não quer de fato, nem faz. eu fiz.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*dYHviNN-eMfKmMHOLJ9-wA.jpeg" /></figure><p>no reflexo do brilho, puxei a prata que pinta e porta outra, ou pelo menos a ideia dela. uma lâmina que corta e revela aquilo que já estava ali, mas só no corte se percebeu. era mesmo ela. era mesmo eu.</p><p>coloquei a lâmina na altura da minha boca e desci a mão. ela já era parte de mim. virou unha minha e também pele. carne e sangue meu. pulsava enquanto descia. em seu curso, levou os pelos e os pulos que algum outro dia 05 de outro mês eu dei, quase sem conseguir atravessar pro outro lado que nesse dia me permitiu não morrer.</p><p>os pelos caíram, caiu água também. me levantei logo depois. olhei no espelho, me apresentei pra ele. ele foi o primeiro a me ver. nem sabíamos que era maria ainda, tínhamos medo de chamar e ela ouvir, querer entrar. nascer mesmo sem gestar.</p><p>o parto mesmo foi nesse dia 05. eu nasci e de certa forma me abandonei também. faltava coragem e sobrava medo. passou um tempo e ela trouxe tudo aquilo que eu achava não ter. a coragem, a imagem, o rosto e um nome.</p><p>chamei. gritei, pulsei, pedi, clamei. senti. era ela, era hora de chegar. seja bem vinda, maria vidá.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=ea2b897cf133" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[eu, canal]]></title>
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            <category><![CDATA[corpo]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Maria Vidá]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 31 Mar 2024 21:59:17 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-03-31T21:59:17.512Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>meu corpo, assim como provavelmente o seu, é coberto por peles. no plural mesmo. ela varia seus tons e texturas em diversas pessoas, mas se minucia também em uma só, como em mim mesma.</p><blockquote><strong>“as casas são como “outras peles ou corpos” […] casas são lugares que albergam vidas.” — Ursula K. Le Guin</strong>.</blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*8uFbTMbE3Q6Gl6CKivkc_A.jpeg" /><figcaption>John Everett Millais — Ophelia (1851–1852)</figcaption></figure><p>no topo dos dedos a pele é uma, mas quando chega aos meus braços já é outra. é diferente daquelas que formam meus mamilos, das que contornam meus lábios e as que constituem os limites das minhas orelhas. é pele e também sou eu. me carrega, me envolve, me segura e me move.</p><p>outro dia, pensando com minha psicóloga, falamos sobre “A teoria da bolsa de ficção”, da Ursula K. Le Guin. reproduzimos alguns conceitos do que trazemos e levamos como bolsas, ou recipientes-comum entre nós. depois do nosso encontro, fiquei eu pensando comigo mesma até me descobrir numa foto onde eu estava sorrindo.</p><p>reparei que carrego em mim mesma diversos recipientes no meu corpo, mas pra limitar meus caracteres, o pensamento e a ideia, falo agora daqueles que carrego no meu rosto.</p><p>minha testa carrega uma rigidez que vira e meche se franse ou se relaxa dependendo dos meus níveis de cortisol. minhas sobrancelhas guardam nelas diversas mensagens que minha boca não conseguiu lançar. abaixo dos meus olhos, trago literalmente duas bolsas. elas podem ser corrigidas com algum procedimento caso eu queira ou caso não resista a tantas pressões, mas têm tanto ali. mesmo sabendo que não, penso as vezes que ali é a morada de uma água que não jorrou dos meus olhos e se acomodou nesse lugar que se manifesta quando sorrio.</p><p>quando sorrio ou quando me vejo sorrir, me lembro das águas que nesse rosto já fizeram correnteza. passo, penso. peso e pasto. ainda existem águas a serem escoadas.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=229833b5bfc2" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[avisibilidade transpofágica]]></title>
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            <category><![CDATA[travesti]]></category>
            <category><![CDATA[rant]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Maria Vidá]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 29 Jan 2024 20:53:11 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-01-29T21:59:17.370Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>há algo que chame mais que um nome?</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*1IokaIM_aQ5c38Uz00lZzw.jpeg" /></figure><p>há alguns dias assisti ‘Os Sapatos de Aristeu’ (2008), de René Guerra.</p><blockquote>“Ele me contou! Eu pedi pra ele ser ele longe de mim.’’</blockquote><p>choro profundamente. o curta, de exatos 17 minutos, não menciona, em nenhum dos 1.020 segundos, o nome da travesti ao qual pertencem os sapatos.</p><p>me pego pensando então no meu morrer.</p><p>quem me salvaria depois da morte? se morro hoje, morro legalmente sem o meu nome e não é novidade que depois de mortas, somos assassinadas constantemente ao sermos enterradas com nomes mortos em corpos que, na maioria das vezes, não foram permitidos a pulsão de uma ou mais vidas.</p><p>penso se alguém burlaria o <em>cistema</em> ao trocar a plaquinha com um nome morto pelo <strong>meu nome</strong>, aquele ao qual hoje respondo. como me vestiriam? colocariam minha peruca, corretivo e blush rosado? passariam em mim o batom que já não consigo mais passar sozinha?</p><p>quantas vezes precisa uma só de nós morrer? já que perguntar quantas de nós parece exigir uma boa vontade muito cruel. hoje é dia nacional da visibilidade trans e normalmente sentiria tudo o que não tenho sentido hoje. estou invisível.</p><p>mais do que afirmar que eu não vou morrer, entretanto, em algum lugar me conforto ao saber que hoje já não quero mais morrer e apesar de saber que a morte está para além dos nossos quereres, chamo vida. me chamo. Maria Vidá.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=2681da6d6557" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[desesistir]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Maria Vidá]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 25 Sep 2023 20:56:32 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-01-29T21:55:44.554Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>a disforia me coloca contra mim mesma numa escola que me faz aprender lições ensinadas durante toda a minha vida. os professores foram vários, eles se espalhavam e se espelhavam pela família, amigos, colegas e estranhos outros. eu, como sempre fui uma boa aluna, aprendi inteiramente. erro meu. passei a formular, responder, corrigir e classificar as lições que me quebravam.</p><p>venho num <strong>in</strong>constante movimento de olhar para o meu corpo com os olhos de quem quer ver e, sobretudo, com um carinho e cuidado ao qual ele nunca foi exposto. nem por mim, que sendo boa aluna, o colocava em seu devido lugar, nem por outros, que como bons professores, me ensinavam que lugar era esse o meu. acontece que me colocar no meu lugar já é dor demais. eramos sempre todos iguais, mas alguns, tão sempre quanto, eram mais iguais que eu.</p><p>hoje precisei fechar os olhos e — com o rosto ainda úmido de um choro que continuava e que continua até agora enquanto escrevo — passar as pontas dos dedos para reconhecer um rosto que a disforia me faz crer ser e querer ser outro, <strong>in</strong>diferente.</p><p>a aula foi conturbada, diferente. não haviam mais professoras e meus colegas de classe combinaram de faltar coletivamente. não fui <strong>in</strong>formada, fui pega de surpresa. sabemos que eu poderia, espontânea e imprudentemente, aplicar a mim mesma uma nova lição, mas eu já não queria, nem podia ocupar esse lugar.</p><p>no intervalo, enquanto mastigo um pastel, sinto um sabor diferente. é a disforia de novo. <strong>transformada</strong>. sinto meu rosto encher como uma bexiga cor-de-rosa. a sensação é absurdamente paralisante. paro, então. com medo, de que esse balão estoure, tenho medo de morrer nessa explosão e <em>desesistir</em>, como uma canção que sem ouvido para alcançar, também morre no ar.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*QWESOqPtdr4LJvZedz91yA.jpeg" /></figure><p>ainda ali, preciso tocar as mãos nesse rosto — que é também bexiga — para reconhecer aquilo. sou eu ainda. sou eu. sou? termino aqui. não literalmente, mas chego num espaço onde já não sei mais o que sou, como passo, o que resto, ou o que faço.</p><blockquote>Quando a gente é trans […] ou a gente luta ou a gente morre. E mesmo lutando a gente morre. <strong>Leilane Assunção</strong></blockquote><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=7147143f2dce" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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