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        <title><![CDATA[Stories by Alexis Peixoto on Medium]]></title>
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            <title>Stories by Alexis Peixoto on Medium</title>
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            <title><![CDATA[Anotação para Paul Auster]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Alexis Peixoto]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 01 May 2024 09:57:50 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-05-01T16:08:35.845Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Quando eu tinha uns 12 ou 13, achei um VHS de Sem Fôlego em casa e fiquei obcecado pelo filme.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/288/0*MwaXGmLa-u7w0Gwi" /></figure><p>Não sei dizer o que me atraiu exatamente, mas houve uma época em que eu via esse filme quase todo dia, nem que fosse só um pedaço. Achava absurdo e engraçadíssimo. Do elenco, eu conhecia Madonna e Michael J. Fox, claro. Lembrava de ter visto Lily Tomlin em Um Espírito Baixou Em Mim. Já sabia mais ou menos quem era Lou Reed, mas nunca tinha visto ele em movimento. Provavelmente foi aqui que vi Jim Jarmusch e RuPaul pela primeira vez. Depois, reconheceria Harvey Keitel, Jared Harris e Giancarlo Esposito em outros filmes, sempre tendo este como referência (“Ah, esse cara fez Sem Fôlego” etc).</p><p>Sem Fôlego era um filme só meu, que eu não dividia com ninguém. Tentei mostrar a um amigo uma vez e ele achou insuportável, pediu pra tirar com menos de 20 minutos. Nunca mais mostrei nem comentei o filme com ninguém.</p><p>Me pergunto quando descobri que um dos caras que tinha escrito e dirigido o filme também escrevia livros e se foi por isso que fui atrás de ler Paul Auster, mas é provável que essa ligação só tenha se revelado pra mim muito depois. Quando li A Trilogia de Nova Iorque, já na faculdade, eu não assistia Sem Fôlego há algum tempo, mas ainda pensava no filme de vez em quando. Li mais uns dois de Auster (Leviatã, Noite do Oráculo) e devo ter gostado, mas ele nunca foi promovido à prateleira dos favoritos.</p><p>Aos poucos fui me esquecendo de Sem Fôlego, e há anos não revejo. A fita, nem sei que fim levou. Mas não deixa de ser engraçado como um filme que descobri por acaso, jogado no meio das coisas dos meus pais, se tornou algo tão íntimo e precioso só pra depois sumir da minha vida, não sem deixar ecos nos meus interesses e gostos futuros. De certa forma, como uma presença ausente. Mais Paul Auster impossível.</p><p>Por isso, agradeço.</p><p><strong>|m|.</strong></p><p><em>Originally published at </em><a href="https://transmissoestardias.wordpress.com/2024/05/01/anotacao-para-paul-auster/"><em>http://transmissoestardias.wordpress.com</em></a><em> on May 1, 2024.</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=a8109c2f37db" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Guerra Civil / Dias Perfeitos]]></title>
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            <category><![CDATA[alex-garland]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Alexis Peixoto]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 29 Apr 2024 19:44:28 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-05-01T16:06:40.281Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Num fim de semana de aproveitamento sobre-humano, consegui ver dois filmes inteiros. E melhor, dois filmes diferentes e bons, dos quais gostei por motivos bem distintos. A eles, pois:</p><p><strong>Guerra Civil (Alex Garland, 2024)</strong> Leio por aí, em opiniões, xuítes e comentários de Letterboxd, que o filme de Alex Garland peca por não oferecer “contexto”, “motivações”, “questionamentos” sobre o conflito que retrata. Há quem vá mais direto ao caroço e diga que faltou ao filme apresentar um posicionamento político claro.</p><p>Penso que o maior pecado de Guerra Civil é confiar na inteligência do próximo, e deixar o espectador se virar para preencher as elipses que o roteiro — um cozidão delícia de clichês bons — vai botando na mesa. Pecado louvável, diga-se. Do lado de cá, fico feliz quando um filme me provoca com uma visão de mundo que possa ser diferente da minha, em vez de só me dizer o que quero ouvir. É o melhor trabalho do Garland desde, digamos, Aniquilação (que pede uma revisita pra já).</p><p>Guerra Civil retrata a atividade jornalística por meio da jornada de personagens amorais em um mundo de moral deteriorada, mas parece que alguns colegas de profissão esperavam algo mais… heróico. Uma defesa do ofício em tempos de fake news, ou ao menos um exemplo tático quanto ao que fazer, talvez. Por acidente, a lição que o filme e toda essa repercussão deixam é ainda mais valiosa: sem o exercício do pensamento crítico, a barbárie é a próxima saída.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*bvXat1JGHC_FcWMm" /></figure><p><strong>Dias Perfeitos (Wim Wenders, 2023)</strong> No meu tempo de universitário revoltz, Wim Wenders era o pôster boy do cinema chato, tudo o que não interessava ao meu eu curtidor dos irmãos Coen. Passam-se os anos, o rio faz a curva, a cabeça muda, e um filme como Dias Perfeitos me pega de frente.</p><p>Poético, caloroso, elegante,melancólico, sutil — o próximo parágrafo poderia ser só de adjetivos, sem verbo algum. O que de melhor há em cineastas como Wenders, Jarmusch e Kaurismäki é o poder de síntese, de dizer muito em filmes onde aparentemente “não acontece nada”, sem que os personagens precisem ficar telegrafando suas emoções e motivações a cada interação. Em vez disso, deixa-se o tempo desenrolar-se pelo olho da câmera. Em Dias Prefeitos o valor da rotina, do passo próprio, da contemplação, do desapego ao “propósito” e ao “útil” desprendem-se como folhas de um matinho arrancado da pracinha do bairro: um haiku de duas horas, sem um minuto de gordura.</p><p>Preciso ver outros filmes do homem, ou pelo menos rever Paris, Texas — lembro que gostei e só; tenho o disco da trilha sonora e nunca ouço — e tentar ver Asas do Desejo sem dormir (culpa minha, não do filme). Sobre O Amigo Americano, só te digo o seguinte: é o melhor conto de Ripley já filmado. E que se lasque essa versão paiosa da Netflix.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*R1YJkTECCYaDrgQ4" /></figure><p><strong>|m|.</strong></p><p><em>Originally published at </em><a href="https://transmissoestardias.wordpress.com/2024/04/29/guerra-civil-dias-perfeitos/"><em>http://transmissoestardias.wordpress.com</em></a><em> on April 29, 2024.</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=85048135c1c9" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Geografia sentimental das minhas banquinhas tristes]]></title>
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            <category><![CDATA[banca-de-jornal]]></category>
            <category><![CDATA[gibi]]></category>
            <category><![CDATA[quadrinhos]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Alexis Peixoto]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 30 Mar 2024 15:34:57 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-04-25T16:12:44.456Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*a_GNjIyufgbXfa7L" /><figcaption>Photo by <a href="https://unsplash.com/@sangsara?utm_source=medium&amp;utm_medium=referral">Brandon Lee</a> on <a href="https://unsplash.com?utm_source=medium&amp;utm_medium=referral">Unsplash</a></figcaption></figure><p>Enfim, divago.</p><p>Todo dia um pedaço do mundo como a gente conhecia se acaba, e às vezes calha de ser um pedaço mais visível.</p><p>Ultimamente, tenho notado bancas de jornal saírem de cena por toda a cidade. As cigarreiras, como nós a chamávamos carinhosamente, morrem por inanição, definhando sem renovar o acervo, que vai perdendo a cor para o azul debaixo do sol quente, ou de supetão: um dia você vai até ela e ela não está mais lá.</p><p>Outro dia, um desses youtubers de quadrinhos que eu às vezes acompanho foi perguntado por um inscrito seu se ainda frequentava bancas de jornal. Respondeu que não, mas que já frequentou muito e acha legal quem ainda frequenta. Entre as razões para o abandono do hábito, citou a distância de seu bairro até o centro, onde ficam a maioria das bancas que restaram na sua cidade, e a conveniência das compras on-line.</p><p>A conveniência, todo mundo sabe, matou a convivência, sobretudo a que sobrevivia nos hábitos banais. Sair de casa e ir até uma banca de jornal pra comprar um gibi, muitas vezes sem saber se a revistinha do mês chegou, é, para todos os efeitos da modernidade, contraproducente. Pra mim, que frequentei durante toda a vida, guarda uma potência que é muito particular; um combinado senso de familiaridade, com a alegria das pequenas descobertas, e uma tristeza de pontada (daquelas que fura &amp; passa), quando a viagem era perdida pela revistinha que não tinha chegado.</p><p>Anoto em ordem cronológica reversa os nomes e lugares dessas pequenas ilhas de imaginação que tive o prazer e o privilégio de frequentar em Natal e São Paulo, sobretudo para comprar quadrinhos, e os títulos que peguei em cada uma delas, de acordo com os dizeres da minha memória sentimental.</p><p>***</p><p><strong>Revistaria Ponta Negra, Ponta Negra. </strong>Com a qual atualmente mantenho vínculo esporádico; alguns números de A Saga do Batman e A Saga do Flash.</p><p><strong>Revistaria Conceito, Nordestão Cidade Jardim, Capim Macio (atual administração). </strong>Um dos pontos mais antigos de Natal, que ainda frequento ocasionalmente. É possível que tenha mudado de nome ao longo dos anos, talvez de donos. Recentemente, peguei lá diversos números de A Saga do Batman; e outros quadrinhos avulsos da Marvel e DC, incluindo uma breve antologia do Cavaleiro da Lua (que eu passei pra frente sem ler); e livros como A Personalidade Autoritária: Ontem e Hoje, e Estamos Aqui — Antologia de Poetas Jovens Negros, ambos da editora Cult, e Castella, contos de Park Min-Gyu (Ed. Martin Claret). Ver anotações sobre administrações antigas.</p><p><strong>Acervo Tabacaria e Revistaria, Nordestão Ponta Negra, Capim Macio.</strong> Minha banquinha regular por quase um ano, sobremesa após o mercado quinzenal, falecida de supetão em um dia de agosto. Onde completei a coleção de Lendas do Universo DC: Kamandi (de Jack Kirby, vols. 3 a 5); peguei praticamente todos os números de A Saga do Batman do 18 até o 30, mais ou menos; um especial da revista Cult sobre Deleuze e Guatarri (prêmio após um exame de sangue ali perto); pelo menos dois volumes dos três da coleção do Batmangá de Jiro Kuwata; entre outros quadrinhos avulsos.</p><p><strong>Banca Ranieri e outras da Av. Paulista.</strong> Todas as bancas que frequentei em toda a extensão da avenida, sobretudo a preferida, Banca Ranieri, em frente ao Conjunto Nacional. Marvel e DC avulsos, diversos números de John Constantine: Hellblazer dos runs de Jamie Delano e Garth Ennis; possivelmente algumas publicações da editora Mythos; os primeiros números de A Saga do Demolidor; Capitão Britânia por Alan Moore; muitos números de A Saga do Batman. Uma menção especial à banca próxima da livraria Martins Fontes, onde comprei edições avulsas da Coleção de Graphic Novels Marvel da Salvat, incluindo A Vida e a Morte do Capitão Marvel e a saga de Adam Warlock (ambos por Jim Starlin e em dois volumes); Surfista Prateado: Origens (Lee/Buscema), Howard, O Pato, entre outros.</p><p><strong>Banca Ana Rosa, Av. Conselheiro Rodrigues Alves, Vila Mariana. </strong>A banca da volta da terapia, passada obrigatória antes das cervejadas de meio de semana no bar Estrela da Ana Rosa com o amigo Bazzi. Peguei alguns números de John Constantine: Hellblazer; Batman avulsos; volumes diversos da coleção Lendas do Universo DC: Liga da Justiça; OMAC, de Jack Kirby; mais alguns números de O Quarto Mundo.</p><p><strong>Banca Santa Cecília, Largo Santa Cecília.</strong> A minha banca mais fiel em São Paulo, alento nas tardes do bairro. Aqui comprei os últimos números da coleção Lendas do Universo DC: O Quarto Mundo, de Jack Kirby, diversos números de John Constantine: Hellblazer; os dois volumes de Lendas do Cavaleiro das Trevas: Archie Goodwin, títulos variados da linha Vertigo da Panini; uns poucos números de Dylan Dog; eventualmente a edição do mês da revista Piauí e do Le Monde Diplomatique; alguns volumes da coleção Lendas do Universo DC: Liga da Justiça, outros avulsos Marvel e DC.</p><p><strong>Banca da esquina da Alameda Barros com a Angélica, Santa Cecília.</strong> Na calçada oposta ao meu apartamento paulistano mais longevo. Não mantinha o acervo tão atualizado, mas ainda assim peguei os dois primeiros volumes de Batman: O Último Cavaleiro, e os três primeiros da série dos X-Men que publicou o run de Jonathan Hickman; alguns avulsos, como o primeiro volume do Demolidor de Mark Waid.</p><p><strong>Banca do Carrefour da Chácara Santo Antonio.</strong> Um respiro do aperto lancinante do trabalho. Onde peguei os dois volumes de Senhor Milagre, de Tom King e Mitch Gerads; possivelmente os primeiros volumes de O Quarto Mundo; os dois primeiros volumes do run de Brian Azzarello em John Constantine: Hellblazer; Marvel e DC avulsos.</p><p><strong>Banca da Praça da Liberdade, Liberdade.</strong> Aquela clássica, na saída do metrô. Excelente acervos de encadernados. De lá, lembro de poucos, mas vivos &amp; bons: Homem-Animal, o terceiro volume dos três com o run de Grant Morrison; Os Livros da Magia de Neil Gaiman, em edição de luxo; O Xerife de Bagdá, de King e Gerads; talvez alguns outros avulsos.</p><p><strong>Banca da Alameda Barão de Limeira, em frente a padaria Nova Orquídea, Campos Elísios.</strong> Ficava em frente ao primeiro apartamento que morei em São Paulo. Frequentei pouco, mas comprei coletâneas de Mandrake e Fantasma, ainda editados pela editora Pixel.</p><p><strong>Banca do Nordestão Cidade Jardim, Capim Macio (antigas administrações).</strong> Na adolescência, foi onde peguei os doze números de Watchmen, quando do relançamento pela editora Abril, em 1999; onde mais de dez anos depois, quer dizer, aí pelos anos 2010–2012, frequentei fielmente para pegar os números da magazine Vertigo, editada pela Panini, bem como as coleções completas de outras séries do selo editadas à época: Sweeth Tooth, O Inescrito, Loveless e Y: O Último Homem; apenas os dois primeiros volumes de 100 Balas; avulsos em formatinho Marvel e DC, principalmente entre 1998–2000, incluindo um pacote especial com dois números de Marvel Force, da editora Globo, que estranhei muito por trazer personagens do fundão da Marvel, que até hoje me são estranhos. Não raro, costumava pegar um ônibus de casa pra ir até lá, onde era mais provável encontrar o acervo atualizado com os gibis do mês.</p><p><strong>Revistaria Cultural, Nordestão Lagoa Nova.</strong> Onde fui pego como cúmplice do roubo espetacular de algumas edições avulsas de Sandman (ed. Globo), por volta de 1998 ou 9; e onde consegui, pagando legitimamente, uma edição encadernada do último arco da mesma série, O Despertar, em capa dura vermelha, que até hoje não sei se era uma edição oficial ou capricho de algum colecionador. Também onde vi, mas não comprei, edições avulsas de Akira, em cores, também pela editora Globo. Diversos boosters e acessórios relacionados a Magic: The Gathering, meu jogo de preferência à época. Era, nesses fins dos anos 90, a banca mais interessante para nós que líamos essas coisas, pelo acervo atualizad0 e com títulos que normalmente não encontrávamos por aqui.</p><p><strong>Banca do Carrefour Natal, Lagoa Nova</strong> Estreitinha, bem perto da saída, onde anos depois instalaram uma farmácia. Frequentei talvez duas ou três vezes. Algumas publicações da fulgaz editora Atitude e, possivelmente, da editora Tudo Em Quadrinhos/Metal Pesado.</p><p><strong>Banca do Shopping Via Direta</strong>, <strong>Lagoa Nova</strong>. Por volta de 1997, onde comprei os dois primeiros número da versão brasileira da Heavy Metal; possivelmente também o primeiro número da correlata Metal Pesado, com quadrinistas brasileiros.</p><p><strong>Banca do Natal Shopping, Candelária.</strong> Não lembro de nenhum título adquirido, mas lembro da banca, um quiosque de frente à loja de discos Planet Rock (mais tarde, Planet Music) em que as revistas ficavam expostas em um mostruário de vidro e era preciso pedir à pessoa encarregada para abrir, apontando e/ou dizendo em voz alta a revista que queria. Por toda essa dificuldade, frequentei pouco, embora sempre parasse para olhar quando estava no shopping.</p><p><strong>Banca do canteiro do cruzamento da Av. Inconfidentes com Av. Ayrton Senna, Conjunto Pirangi.</strong> A mais próxima de casa durante os anos de Serrambi e Pirangi. Diversos números de Wolverine e X-Men, da editora Abril, incluindo a aguardadíssima X-Men Gigante n.2; alguns avulsos de A Espada Selvagem de Conan e Conan Saga.</p><p><strong>Banca da Rua Jundiaí, em frente a antiga pizzaria Reis Magos, Cidade Alta. </strong>Onde peguei pelo menos uns dois números da Metal Pesado, entre outros títulos do selo Vertigo lançados por essa mesma editora, como Shade — O Homem Mutável, Patrulha do Destino — Saindo dos Escombros; talvez uns números de Terminal City, de Dean Motter, da editora Abril.</p><p><strong>Banca da R. Princesa Isabel, esquina com a João Pessoa, Cidade Alta.</strong> A banca para onde eu arrastava minha mãe na saída da escola. Lá, peguei quase toda as edições correspondentes à Queda do Morcego, quando da publicação pela editora Abril nos títulos Liga da Justiça &amp; Batman e Batman; avulsos que me chamavam a atenção como o especial Ás Inimigo — Um Poema de Guerra, de George Pratt; diversos números das revistas Herói e Wizard; possivelmente avulsos de Savage Dragon, da editora Abril, e Cyberforce, Strykerforce, Gen 13 e WildC.A.T.S., títulos da Imagem publicados à época pela editora Globo, diversos outros avulsos de Marvel, DC, Dark Horse, Image.</p><p>À todas as banquinhas que frequentei e que não existem mais, e às que visito menos por questões geográficas, temporais, de inabilidade automotora, ou quaisquer outras, meu caloroso obrigado e as mais sinceras saudades.</p><p><strong>|m|.</strong></p><p><em>Originally published at </em><a href="https://transmissoestardias.wordpress.com/2024/03/30/geografia-sentimental-das-minhas-banquinhas-tristes/"><em>http://transmissoestardias.wordpress.com</em></a><em> on March 30, 2024.</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=34c38a58a208" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Tom Verlaine por Patti Smith]]></title>
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            <category><![CDATA[television]]></category>
            <category><![CDATA[tradução]]></category>
            <category><![CDATA[punk-rock]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Alexis Peixoto]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 31 Jan 2023 13:49:38 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2023-02-02T12:35:40.996Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*yt0EllkIukB2qj3k" /></figure><p>No sábado, 28 de janeiro, morreu Tom Verlaine, guitarrista e vocalista do Television. Músico genial, letrista enigmático, repórter sonoro dos cantos mais fantasmagóricos das grandes cidades, tocava como se chuva pingasse dos seus dedos. Mas o maior epíteto sem dúvida é o de figura-chave da cena punk de Nova Iorque, da qual também participou sua amiga Patti Smith, com quem dividia o gosto por poesia simbolista (“Verlaine” era sobrenome artístico, claro), e uma sede irrefreável por explorar as possibilidades líricas do rock and roll.</p><p>A seguir, traduzo o obituário de Verlaine, escrito por Patti Smith para a revista New Yorker. O texto original pode ser lido <a href="https://12ft.io/proxy?q=https%3A%2F%2Fwww.newyorker.com%2Fmagazine%2F2023%2F02%2F13%2Fhe-was-tom-verlaine"><strong>aqui</strong></a><strong>.</strong></p><h3><strong>Ele era Tom Verlaine</strong></h3><p>Ele acordou com o som da água pingando em uma pia enferrujada. As ruas lá fora banhadas por um luar medieval, reverberando silêncio. Ele ficou lá deitado, brigando com o horror da beleza, enquanto a noite se revelava como uma tela chinesa. Deitado tremendo, deslumbrado pelos movimentos cintilantes de aliens e anjos, enquanto as palavras e as melodias de “Marquee Moon” formavam-se, gota a gota, nota a nota, de um estado de calma, ainda que sinistra, excitação. Ele era Tom Verlaine, e este era seu processo: sofrimento requintado.</p><p>Nascido Thomas Joseph Miller, criado em Wilmington, Delaware, deixou a casa dos pais e rasgou seu nome, uma pele descartada, embolada no canto de uma garagem modesta entre pilhas de aparelhos de ar-condicionado usados que exigiam atenção profissional constante de seu pai. Havia tacos de hóquei, uma bicicleta e pilhas de velhos jornais de Tom largados nos fundos, cobertos com contornos fantasmagóricos de objetos distorcidos; ele costumava atropelar latinhas até que ficassem achatadas, praticamente irreconhecíveis, e depois as pintava de dourado, suas esculturas bidimensionais, cada uma representando uma frase musical arrebatadora. No colégio, ele tocava saxofone, abraçando John Coltrane e Albert Ayler. Jogava hóquei também, e quando um disco perdido o acertou nos dentes da frente, ele foi obrigado a largar o saxofone e se dedicar à guitarra elétrica.</p><p>Ele morava a vinte e oito minutos de onde eu cresci. Poderíamos tranquilamente ter passeado pelo mesmo Wawa (1) na fronteira de Wilmington com South Jersey, em busca de Yoo-hoo (2) ou Tastykakes (3). Poderíamos ter se cruzado, duas ovelhas negras, na mesma estrada rural, cada um com seus livros de poetas Simbolistas franceses — mas não nos encontramos. Não até 1973, na East Tenth Street, em frente à St. Mark’s Church, onde ele me parou e disse: “Você é Smith.” Ele tinha cabelos longos, e nos encaramos, ambos ecoando o futuro, ambos usando roupas que já não se usavam mais. Notei como os braços dele pendiam, e suas igualmente longas e lindas mãos, e então seguimos cada um seu caminho. Quer dizer, até a noite do domingo de Páscoa, 14 de abril, 1974. Lenny Kaye e eu fizemos uma rara corrida de táxi do Ziegfeld Theatre, depois de assistir a sessão de estréia de “Ladies and Gentlemen: The Rolling Stones”, direto para o Bowery pra ver uma banda nova chamada Television.</p><p>O clube era o CBGB. Tinha só uma meia dúzia de pessoas lá, mas Lenny e eu ficamos imediatamente encantados pela mesa de sinuca, pelo bar estreito, pelo palco rente ao chão. O que nós vimos naquela noite era familiar, era o nosso futuro, uma fusão perfeita de poesia e rock and roll. Enquanto eu via Tom tocar, eu pensei, Se eu tivesse sido menino, teria sido ele.</p><p>Eu ia ver o Television sempre que eles tocavam, principalmente para ver Tom, com seus olhos azuis-pálidos e pescoço de cisne. Ele baixava a cabeça, agarrado à sua Jazzmaster, emitindo nuvens onduladas, becos estranhos habitados por homens minúsculos, um bando de corvos, e os gritos de um pássaro azul cruzando uma réplica do espaço. Tudo isso transmutado através de seus longos dedos, quase torcendo o braço da guitarra.</p><p>Nas semanas seguintes, nos aproximamos. Enquanto andávamos pelas ruas da cidade, improvisávamos contos sem fim, nossa própria versão das “Mil E Uma Noites”. Descobrimos que ambos amávamos a obra do compositor armênio-americano Alan Hovhaness, e que “Prayer of St. Gregory” era a nossa peça favorita. Analisando as estantes um do outro, descobrimos admirados que nossos livros eram praticamente os mesmos, até os de autores raros. Cossery, Hedayat, Tutuola, Mrabe. Nós dois éramos olheiros literários independentes, e acabamos dividindo nossas fontes secretas.</p><p>Ele devorava poesia e donuts Entenmann com cobertura de chocolate escuro, e lavava tudo com café e cigarros. Às vezes ele parecia aéreo e distante, e de repente caia na gargalhada. Ele era angelical e ao mesmo tempo levemente demoníaco, um personagem de desenho animado com a graça de um dervixe. Eu o conhecia naquela época. Gostávamos de ficar de mãos dadas e passar horas vendo as estantes da Flying Saucer News (4) e de ir até a Forty-eighth Street para olhar guitarras que ele nunca conseguiria comprar, e de pegar a balsa de Staten Island depois de ver três shows no CBGB e subir seis andares de escadas até o apartamento na Eleventh Street e deitar juntos num colchão, encarando o teto, ouvindo a chuva e escutando algo mais (5).</p><p>Não havia ninguém como Tom. Ele possuía o dom infantil de fazer de um pingo d’água um poema que, de alguma forma, gerava música. Em seus dias finais, ele contou com o apoio generoso de amigos queridos. Sem filhos, recebeu o amor da minha filha, Jesse, e do meu filho, Jackson.</p><p>Em suas últimas horas, olhando ele dormir, viajei no tempo. Estávamos no apartamento e ele cortava meu cabelo, e umas mechas ficaram pra lá e outras pra cá, e ele me chamava de Cabeça-de-Asa (6). Nos anos seguintes, só Asa. Mesmo quando ficamos mais velhos, era sempre Asa. E ele, o menino que nunca cresceu, no topo do Ômega, um filamento dourado na vibrante luz violeta.</p><p><strong>Notas:</strong></p><ol><li><strong>Wawa:</strong> Rede de lojas de conveniência americana, geralmente localizadas em postos de gasolina.</li><li><strong>Tastykakes:</strong> Marca de salgadinhos e doces americana.</li><li><strong>Yoo-hoo:</strong> Bebida de chocolate vendida em caixinha, semelhante ao Toddynho.</li><li><strong>Flying Saucer News: </strong>Livraria especializada em ufologia e temas paranormais que funcionou na 45th Street, em Nova Iorque. O dono, James S. Rigberg, também editava um jornalzinho de mesmo nome, que publicava relatos de contatos imediatos e resenhas de livros sobre ufologia e de ficção científica.</li><li>Aqui, Smith faz referência direta à segunda estrofe de “Marquee Moon”: “I was listening/Listening to the rain/I was hearing/ Hearing something else”.</li><li>“Winghead”, no original.</li></ol><p><strong>|m|.</strong></p><p><em>Originally published at </em><a href="https://transmissoestardias.wordpress.com/2023/01/31/tom-verlaine-por-patti-smith/"><em>http://transmissoestardias.wordpress.com</em></a><em> on January 31, 2023.</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=6f88443c39d5" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[(Re)Leitura de Carl Solomon]]></title>
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            <category><![CDATA[surrealismo]]></category>
            <category><![CDATA[beat-generation]]></category>
            <category><![CDATA[allen-ginsberg]]></category>
            <category><![CDATA[literatura-marginal]]></category>
            <category><![CDATA[poesia]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Alexis Peixoto]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 07 Apr 2022 14:46:32 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2022-12-08T12:04:44.324Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Apesar de pouco lido, o dadaísta do Bronx segue presente</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*hxeW_LtxCBOA_RVU" /></figure><p>É muita patifaria que Carl Solomon seja mais conhecido pelos livros dos outros do que pelo que escreveu.</p><p>Agora, antes de reclamar tem que ver duas coisas. Primeiro, a estatura do povo que andava mais ele: Allen Ginsberg, que lhe dedicou <em>Uivo</em>; William Burroughs, cujo <em>Junky</em> Solomon ajudou a publicar pela Ace Books, editora de um tio seu especializada em literatura pulp. Isso pra ficar nos dois mais famosos. Depois tem que ver a brevidade da obra do cidadão que praticamente se resume à duas plaquetes, <em>Mishaps Perhaps</em> e <em>More Mishaps</em>, ambas com textos fragmentados, inclassificáveis.</p><p>Nada disso explica o papel modesto que foi dado a Solomon na narrativa crítica e histórica da geração beat. O bicho é uma espécie de beat da terceira divisão, fora do segundo círculo — Corso, Di Prima, Snyder, McLure — e só parcialmente banhado pelo brilho do trio ternura — Kerouac, Ginsberg, Burroughs. Mas verdade seja dita: era diferente de todos eles.</p><p>Se faltam leituras sobre a obra, sobram anedotas sobre o cara. Tem aquela do primeiro encontro dele com Ginsberg, na sala de espera de um hospital psiquiátrico, quando os dois se apresentaram como se fossem personagens de Dostoiévski (Solomon, Kirilov; Ginsberg, Myschkin). Ou a da vez em que trombou com Artaud berrando poesia nas ruas de Paris. Ou ainda quando ele e alguns colegas atacaram uma palestra sobre dadaísmo em Nova Iorque a golpes de purê de batata.</p><p>Folclore à parte, o que na maioria das vezes se ignora ou, no máximo, comenta-se de soslaio é o papel de Solomon como condutor entre o dada e o surrealismo e os escritores beats. Por outro lado, é também verdade que o mais energizado por essas influências foi o próprio Solomon, tanto que acabou esturricado por seu entusiasmo.</p><p>De saída, entendeu de forma mais ampla que seus companheiros que a única literatura possível é a que se entranha à vida. E que a Vida, essa de “V” maiúsculo, não está circunscrita aos círculos e grupelhos literários. Carl Solomon escreveu o que quis, quando e quanto quis. Cartas aos amigos, poemas em prosa, relatos-minutos, manifestos de movimentos imaginários, peças de uma fala só. Submeteu-se ao tratamento de choque voluntário (poesia presente no corpo), depois escreveu sobre a experiência no ensaio “Relato do Asilo — Reflexões de um Paciente após o Choque”. Desgraçado da cabeça, escreve os textos de seus dois livros em linguagem lascada, ainda sentindo a dormência nos dedos. Dando choque com a língua.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/180/0*rfvRBaK7TpZ-ur7D" /></figure><p>Depois de publicados os livros, Solomon continuaria escrevendo, colaborando com publicações como a American Book Review e que tais, mas aos poucos foi expurgando a literatura do corpo.<em> Emergency Messages</em>, seu último livro, é uma seleta dos dois títulos anteriores + alguns escritos sobre poesia e memórias do seu envolvimento com os beats. Longe da pena, trabalhou como carteiro, auxiliar de escritório e não sei mais o quê, mas manteve a amizade com Ginsberg e Burroughs até o fim da vida. Desencarnou em 1993 após anos de prática não-suicida cotidiana. Até onde se sabe, não deixou textos inéditos.</p><p>Feliz o leitor em português que pode ler os dois livrinhos de Solomon (uso o diminutivo no sentido mais carinhoso possível) na boa tradução de José Thomaz Brum, publicada pela L&amp;PM sob o título <em>De Repente, Acidentes</em> em meados dos 80s do século passado. Fora de catálogo, por certo, mas só se considerarmos os catálogos oficiais das grandes cadeias de livros e mercados etéreos. No catálogo sem páginas e sem título dos verdadeiros espaços dos livros verdadeiros (vulgo <a href="https://www.estantevirtual.com.br/livros/carl-solomon/de-repente-acidentes/3452523941?show_suggestion=0&amp;busca_es=1"><strong>SEBOS</strong></a>), Solomon segue presente.</p><p><strong>FAIXA-BÔNUS:</strong></p><p>Links para ler/saber mais sobre Carl Solomon</p><p><a href="https://litkicks.com/CarlSolomon/"><em>Carl Solomon</em></a>, um perfil biográfico do poeta, por Levi Asher no Literary Kicks</p><p><a href="https://subcultura.org/beat-generation/carl-solomon/confissoes-de-um-homem-decepcionado-com-a-literatura/"><em>Confissões de um homem decepcionado com a literatura</em></a>, poema de Solomon incluído em <em>De Repente, Acidentes</em>, transcrito no site Subcultura.org</p><p><a href="https://allenginsberg.org/2015/03/carl-solomon-and-jack-micheline/"><em>Carl Solomon and Jack Micheline</em></a>, relato de uma leitura de poesia em 1982 com participação de Solomon e de Jack Micheline, beat da turma de São Francisco, no Allen Ginsberg Project</p><p>Pra encerrar, um poema curto de Ginsberg sobre Solomon, tradução minha seguida do original.</p><p><strong>SONHO DE CARL SOLOMON</strong></p><p>Encontro Carl Solomon.<br>“Como são as coisas no além?”</p><p>“É igual ao hospital psiquiátrico.<br> Se dá bem quem segue as regras.”</p><p>“Quais são as regras?”</p><p>“Primeira regra: Lembre-se que você está morto.<br>Segunda regra: Aja como se estivesse morto.”</p><p>***</p><p><strong>DREAM OF CARL SOLOMON</strong></p><p>I meet Carl Solomon.<br>“What’s it like in the afterworld?”</p><p>“It’s just like in the mental hospital.<br>You get along if you follow the rules.”</p><p>“What are the rules?”</p><p>“The first rule is: Remember you’re dead.<br>The second rule is: Act like you’re dead.”</p><p><em>- circa 1996</em><br>em <em>Wait Till I’m Dead: Uncollected Poems</em> Grove Press / Penguin UK 2016. Disponível em The Allen Ginsberg Project, <a href="https://allenginsberg.org/2017/03/t-30-carl-solomon/">Remembering Carl Solomon</a>.</p><p><strong>|m|.</strong></p><p><em>Originally published at </em><a href="https://transmissoestardias.wordpress.com/2022/04/07/releitura-de-carl-solomon/"><em>http://transmissoestardias.wordpress.com</em></a><em> on April 7, 2022.</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=28aa018587c5" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[As coisas anteriores não serão lembradas]]></title>
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            <category><![CDATA[cut-up]]></category>
            <category><![CDATA[literatura]]></category>
            <category><![CDATA[ficção]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Alexis Peixoto]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 01 Nov 2020 20:43:20 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-11-02T14:51:39.933Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p><em>Minuta de ditos inúteis para o fim dos tempos. Recomenda-se cautela ao abordar a grande empreitada histórica deste mundo fracassado.</em></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*W6XuKZynkk-NLlkT" /><figcaption>Daguerreótipo decadente do congressista americando Joshua R. Giddings [entre 1844 e 1860], registrado no estúdio de Mathew Brady’s. Fonte: <a href="https://publicdomainreview.org/collection/decayed-daguerreotypes">Public Domain Review</a></figcaption></figure><p>Instalação sensorial para preencher as horas desconexas. Vale a viagem. Se possível, absorver toda a história universal, vivenciar sons, texturas. Sair pra jogar bola e trombar com a consciência do passado.</p><p>Com base nos conhecimentos independentes, a administração calcula que países onde são denunciadas exações redirecionam a libido. Por recomendação médica, todas as viagens, pessoais ou a negócios, estão suspensas por tempo indeterminado.</p><p>Diga a seus amigos que desastre é coisa do passado.Quando morrer alguém, imagine como vai ser na ressurreição. Converse sobre seus sentimentos.</p><p>Uma médica diz: “Precisava do meu marido comigo e meus filhos de Deus transformar a terra em um paraíso”.</p><p>Tudo na vida tem seu lado positivo e negativo. No entanto, todo mundo confia em Deus.</p><p>As coisas anteriores não serão lembradas. Por exemplo: desastres, quadrinhos, a noite também, cinema, jovens &amp; adolescentes, Machado, futuro, vestibular, livraria, nervos, textos bíblicos consoladores, tocar violão, paz, nerds, o olhar eletrônico, o verde, informações, maridos, produção de resíduos, vidro, fisioterapia, poesia russa moderna, cachorro, arquitetura, índio, palavras, pessoas, o passado, os direitos humanos, as providências, o organismo, o labirinto, a higiene, o aparelho psíquico, países, o violento mundo atual.</p><p>Quando ocorre superar o que aconteceu é essencial pensar em práticas, padarias e hotéis. Conhecer de cor os versículos bíblicos mais populares nas comedorias. A maioria dos indivíduos que habita as grandes cidades inclui no currículo aquilo que observam e experimentam durante visitas à igreja.</p><p>Janice, da Austrália: “É normal querer ficar sozinha às vezes. Não há nada mais precioso do que o meu diário de bordo. Sempre gostei de olhar para o retrovisor do passado. Há muitas histórias de mulheres que se esforçam para conseguir esse tempo de lazer”.</p><p>As Nações Unidas não são de matéria orgânica. Um enorme edifício, construído ao longo de muitas culturas, resiste nobremente na terra de hidrogênio, velha &amp; cheia de privilégios. Não basta isso, as pragas e os doentes hostis mas também as taças se multiplicam exigindo cada vez mais. Contribuem para o desaparecimento da origem profissional do câncer. Das rotatividades longas.</p><p>Um violino que tocasse a si próprio cem anos depois de ontem seria um subproduto da queda para o alto. Não se trata de fundo musical, mas do surgimento da música de aparelho psíquico, da curiosidade de um público amplo. Se a grande aposta em licenciamentos desaparece no espelho, a curiosidade se apaga, observadora e misteriosa.</p><p>Um touro espreita num dormitório de quartel. Certamente no Brasil.</p><p>Quando permitimos que a verdade oriente dois punhados de trabalho unimos com mais facilidade o desejo de continuar criando e a esperança de continuar vivendo. Diga a seus amigos como eles podem ajudar.</p><p>A cidade é o tempo contrário. Destinos incríveis e serviços personalizados em cabine externa com os melhores, mais diferentes e complexos tipos de câncer. O era uma vez é agora. Para realizar o sonho não precisa de conta bancária.</p><p>Deus quer dar um futuro a você mas sabe o que é ficar perdido.Ocorre o mesmo com o universo. Ele cuida de você.</p><p>Um homem chamado Mão, da Nigéria, diz: “Ao participar dos torneios, os médicos podem usar remédios, terapias e sua popularidade. A sua dor nunca vai saber o que você está passando”.</p><p>Em face da maré de ceticismo, reduzir o manual de conduta e resistência. A estratégia é remover os jardineiros dos subúrbios.</p><p>Enfermidades profissionais: os jovens estão sofrendo mas investindo. A angústia, porém, pode ser sem partido. As partículas livres penetram.</p><p>Em primeiro lugar, uma observação cética sobre a teoria descrita acima: não podemos observar essas partículas na vanguarda.</p><p>Voltamos agora ao obituário.</p><p><strong>P.S. perfeitamente desnecessário:</strong> <em>O texto acima foi produzido durante uma oficina de cut-up realizada na Casa Guilherme de Almeida, no mês último antes do colapso civilizatório, início de 2020. Deveria ter sido publicado em um zine-coletânea que reuniria os textos dos participantes da oficina, mas a peste tinha outros planos. Para a escritura destas notas foram vilipendiados e apropriados textos de Guy Debord, Marcia Denser, Albert Einstein, da Veja São Paulo, da Revista do SESC, do Le Monde Diplomatique Brasil e A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová.</em></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/42/0*aw9mMbQVD_KHr0Br" /></figure><p><em>Originally published at </em><a href="https://transmissoestardias.wordpress.com/2020/11/01/as-coisas-anteriores-nao-serao-lembradas/"><em>http://transmissoestardias.wordpress.com</em></a><em> on November 1, 2020.</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=bb59dd90c6c5" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Coletânea da Submarine Records traz 20 sons para empenar a quarentena]]></title>
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            <category><![CDATA[disco]]></category>
            <category><![CDATA[experimental]]></category>
            <category><![CDATA[coletanea]]></category>
            <category><![CDATA[submarine-records]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Alexis Peixoto]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 28 Jul 2020 18:27:10 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-07-31T13:00:23.607Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p><em>Compilação reúne faixas inéditas de artistas como Hurtmold, ACruz Sesper e Black Snake 808</em></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*WcIC-gER2_YBeXoz2b6cVg.jpeg" /><figcaption>Capa da coletânea Quarentanea 2020, da Submarine Records.</figcaption></figure><p>Outra coisa não, mas o pau que mais tem aqui nas nossas páginas ultimamente é coletânea. Faça um exercício de reflexão (ou de pesquisa mesmo): desde que começou a quarentena, dificilmente passa uma semana sem que a gente escreva aqui ou na nossa newsletter sobre alguma compilação lançada algures no Brasil. Já teve coletânea de <a href="https://medium.com/o-inimigo/colet%C3%A2nea-punkadaria-antifascista-%C3%A9-mais-um-grito-contra-o-atual-governo-836b08d6c8ac"><strong>punk antifacista</strong></a><strong>, </strong><a href="https://medium.com/o-inimigo/compila%C3%A7%C3%A3o-the-iguanas-att%C3%A4ck-vol-1-%C3%A9-o-grito-da-resist%C3%AAncia-nordestina-1e497db427ee"><strong>de música feia antifacista</strong></a>, <a href="https://medium.com/o-inimigo/colet%C3%A2nea-de-profundis-spatio-socialis-mostra-cena-dark-em-ebuli%C3%A7%C3%A3o-e153650a48d8"><strong>de dark</strong></a><strong>,</strong> <a href="https://medium.com/o-inimigo/covid-19-provoca-o-efeito-colateral-monobandis-contagiosus-30a7996e2718"><strong>de monobandas</strong></a>, de<a href="https://medium.com/o-inimigo/surf-music-contra-o-fascismo-bb427b98011b"> <strong>surf music</strong></a>, etc. E hoje, vamos falar de que, jovens? Acertou: de mais uma coletânea.</p><p>A da semana, no caso, é compilação <em>Quarentanea 2020</em>, do selo <a href="https://submarinerecs.bandcamp.com/music"><strong>Submarine Records</strong></a><strong>, </strong>casa de artistas como <strong>Hurtmold, Paulo Santos, </strong><a href="https://acruzsesper.bandcamp.com/"><strong>ACruz Sesper</strong></a><strong>, </strong><a href="https://soundcloud.com/blacksnake808"><strong>Black Snake 808</strong></a><strong>, Againe, </strong><a href="https://objetoamarelo1.bandcamp.com/"><strong>Objeto Amarelo</strong></a>, entre outros bons representantes da música empenada planetária. A Submarine completou vinte anos de atividades em 2020 e, circunstâncias nefastas à parte, essa coletânea vale por um mais-que-merecido “parabéns” batido em volume máximo, e em conjunto por todos os artistas que fizeram e fazem a história do selo, que aqui contribuíram apenas com faixas inéditas.</p><p>Para quem não conhece nada ou conhece por alto o catálogo do selo, a coletânea é uma boa porta de entrada ao mundo de sons da Submarine Records. Do post-rock ao free jazz, do punk ao kraut rock, o disco vale por um passeio guiado pelo trabalho de artistas tão interessantes quanto diversos, alguns com quase tanto tempo de estrada quanto o selo.</p><p>Além dos artistas citados mais acima, a coletânea conta também com faixas de <a href="https://tildaflipers.bandcamp.com/music"><strong>Tildaflipers</strong></a><strong>, GOATFACE!, </strong><a href="https://rohrersomervell.bandcamp.com/album/rohrer-somervell"><strong>Rohrer e Somervell</strong></a><strong>, </strong><a href="https://eternals.bandcamp.com/"><strong>The Eternals</strong></a><strong>, </strong><a href="https://chankasez.bandcamp.com/"><strong>Chankas</strong></a><strong>, </strong><a href="https://guilhermegranado.bandcamp.com/"><strong>Guilherme Granado</strong></a><strong>, </strong><a href="https://defeitos.bandcamp.com/"><strong>defeitos</strong></a><strong>, </strong><a href="https://nicolemitchell.bandcamp.com/"><strong>Nicole Mitchell</strong></a><strong>, </strong><a href="https://robmazurek.bandcamp.com/"><strong>Rob Mazurek</strong></a><strong>, </strong><a href="https://mauriciotakara.bandcamp.com/"><strong>M.Takara</strong></a><strong>, </strong><a href="https://propositorecs.bandcamp.com/album/bode-holofonico"><strong>Bode Holofonico</strong></a><strong>, </strong><a href="https://mdmmusic.bandcamp.com/album/mem-rias-demais"><strong>MDM</strong></a> e <a href="https://otua.bandcamp.com/"><strong>Auto</strong></a>.</p><p>Apesar da gracinha sem graça com a abundância de coletâneas lançadas atualmente, lançamentos deste tipo são extremamente oportunos para conectar artistas e chamar atenção para a produção de um determinado tipo de cena, local ou estilo. Em tempos de pandemia, em que shows e festivais continuam suspensos por tempo indeterminado, discos coletivos como este são mais que bem-vindos.</p><p>Que venham mais e mais coletâneas.</p><p><em>Ouça a coletânea Quarentanea 2020 no Bandcamp da Submarine Records</em></p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fbandcamp.com%2FEmbeddedPlayer%2Fv%3D2%2Falbum%3D3764555576%2Fsize%3Dlarge%2Flinkcol%3D0084B4%2Fnotracklist%3Dtrue%2Ftwittercard%3Dtrue%2F&amp;display_name=BandCamp&amp;url=https%3A%2F%2Fsubmarinerecs.bandcamp.com%2Falbum%2Fv-a-quarentanea-2020&amp;image=https%3A%2F%2Ff4.bcbits.com%2Fimg%2Fa2026891795_5.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=bandcamp" width="350" height="467" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/63e6bee66713e3b21135b97bd2600966/href">https://medium.com/media/63e6bee66713e3b21135b97bd2600966/href</a></iframe><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=cc4271ddd8db" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/o-inimigo/colet%C3%A2nea-da-submarine-records-traz-20-sons-para-empenar-a-quarentena-cc4271ddd8db">Coletânea da Submarine Records traz 20 sons para empenar a quarentena</a> was originally published in <a href="https://medium.com/o-inimigo">O Inimigo</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Cinco discos ao vivo lançados durante a quarentena]]></title>
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            <category><![CDATA[quarentena]]></category>
            <category><![CDATA[disco]]></category>
            <category><![CDATA[quarantine]]></category>
            <category><![CDATA[bootleg]]></category>
            <category><![CDATA[ao-vivo]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Alexis Peixoto]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 21 Jul 2020 21:52:00 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-07-22T13:22:21.136Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p><em>Artistas têm aproveitado período sem show para desovar “bootlegs oficiais”</em></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*lcVOe6RXSdaYZ_MUJeBX_A.jpeg" /><figcaption>Rakta disponibilizou bootleg gravado no festival Mart.The, em Teresina (Foto: Hominis Canidae)</figcaption></figure><p>Por mais que a gente tente pensar positivo, a verdade é que ainda não há perspectiva para voltarmos a ver música ao vivo. Enquanto a corrida pela vacina da COVID-19 continua, e diversas casas de shows e festivais mantêm as portas fechadas e as atividades suspensas, vários artistas têm aproveitado o período de distanciamento social para colocar gravações de shows na praça.</p><p>Muitos desses “bootlegs oficiais” são gravações feitas por técnicos de som ou pelos próprios músicos, a princípio sem pretensão de lançamento oficial. No contexto presente, acabam servindo como uma paliativo para compensar a ausência dos palcos e atiçar a memória do calor que só é possível sentir quando se está no mesmo ambiente da música, ouvindo &amp; vendo com o corpo inteiro. A qualidade sonora meio “pirata” dá um charme extra aos discos.</p><p>Na sequência, listamos cinco “bootlegs oficiais” que pintaram entre março e julho deste ano. Todos estão disponíveis para audição e download, gratuito ou não. Ligue o som e se puder, <strong>FIQUE EM CASA!</strong></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/300/1*afine13ZwmOERqnTAstJKA.png" /></figure><p><strong>Rakta — Ao vivo no Mar.The Festival</strong></p><p>Lançamento do <a href="http://rec.hominiscanidae.org/"><strong>Hominis Canidae REC</strong></a>, selo virtual do blog <a href="https://www.hominiscanidae.org/"><strong>Hominis Canidae</strong></a>, este bootleg traz um registro da aparição do duo de yoga negativa no Festival Mar.The em Teresina, no já distante mundo de novembro de 2019. O repertório é um prato cheio para os fãs e inclui faixas de todas as fases e discos da banda, que neste show contou com o baterista convidado Mariano de Melo (Deafkids). <strong>Ouça::</strong> <a href="https://open.spotify.com/album/2Wgf3GKLJAzxMs9TqhsPaU?si=ptZ_7P3DQPyo-yi5y_9Nuw"><strong>Spotify</strong></a> |<a href="https://www.youtube.com/watch?v=csGnXg9lYNg&amp;feature=youtu.be"><strong>YouTube</strong></a><strong>|</strong><a href="https://rakta.bandcamp.com/album/live-at-mar-the-teresina"><strong>Bandcamp</strong></a><strong>. Baixe:: </strong><a href="https://www.hominiscanidae.org/2020/06/rakta-ao-vivo-no-marthefestival-2019.html"><strong>Hominis Canidae</strong></a></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/300/1*Gw-JYJ9y6AILhWVDKgrtMA.jpeg" /></figure><p><strong>Deafkids — Live in São Paulo 2018</strong></p><p>Falando em Deafkids, o trio também tem aproveitado a quarentena pra desovar alguns registros ao vivo. Até agora já foram disponibilizadas gravações de shows em Manchester, São Paulo, e Ljubljana (Eslovênia), realizados em 2019, 2018 e 2016, respectivamente. Vale a pena conferir todos, mas o show em São Paulo traz a participação do Test na faixa “Podre Solidão + O Medo Invade”. <strong>Ouça/Baixe:: </strong><a href="https://deafkidspunx.bandcamp.com/album/live-in-s-o-paulo-2018"><strong>Bandcamp</strong></a></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/300/1*uq194B9-4cpe4iAhZzhYAg.jpeg" /></figure><p><strong>Valério — Ao vivo no Sesc Guarulhos</strong></p><p>O inquieto multi-instrumentista, cantor, e compositor Valério (HAB, Gata Pirâmide) disponibilizou este registro de um show de 2019, na sua cidade natal. O repertório traz cinco temas inéditos em estúdio executados por uma senhora banda de apoio, formada por Maurício Takara (Hurtmold, São Paulo Underground), Barulhista e Sérgio Pererê. Pós-punk, afro-futurismo e jazz numa viagem só. <strong>Ouça/Baixe:: </strong><a href="https://open.spotify.com/album/0qpfbvtOUVmWDRYVgECIFD?si=IDDJdbKXQFiOkJpnB0iL2w"><strong>Spotify </strong></a><strong>|</strong><a href="https://valerio.bandcamp.com/album/ao-vivo-no-sesc-guarulhos-ep"><strong>Bandcamp</strong></a></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/300/1*CMQ0AETVyW_OazCQe8TlwA.jpeg" /></figure><p><strong>Firefriend — Hotel Bar</strong></p><p>Os shows do trio Firefriend são uma experiência sensorial para qualquer fã de shoegaze e psicodelia. Este bootleg registra uma das muitas aparições da banda no Hotel Bar, espaço clássico do underground de São Paulo, que costuma abrigar shows de música experimental e punk. O disco flagra o debute de faixas como “Surface to Air” e “Avalanche” antes do registro em estúdio, com toda a liberdade e experimentação que caracterizam a banda ao vivo. <strong>Ouça/baixe::</strong> <a href="https://firefriend.bandcamp.com/album/hotel-bar"><strong>Bandcamp</strong></a></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/300/1*9p03mThF2oXqPoMt1E9MUg.jpeg" /></figure><p><strong>Sonic Youth — Live in Yugoslavia 1985/1987</strong></p><p>No começo de julho, o Sonic Youth jogou nada menos do que 20 discos ao vivo no Bandcamp. Grande parte das gravações é inédita e cobre o período que vai desde meados dos anos 80 até os shows de 20 anos do <em>Daydream Nation</em>, em 2007. Escolhemos esse ao vivo na Iugoslávia por puro capricho (e porque a capinha é legal), mas vale a pena explorar <a href="https://sonicyouth.bandcamp.com/"><strong>todo o acervo</strong></a> deles na plataforma, que inclui também trilhas sonoras e outras doidices. <strong>Ouça/baixe::</strong> <a href="https://sonicyouth.bandcamp.com/album/live-in-yugoslavia-1985-1987"><strong>Bandcamp</strong></a></p><p><em>*Tem mais alguma dica de disco ao vivo ou bootleg que saiu durante o período de quarantena? Jogaí nos comentários!</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=652ff37395b2" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/o-inimigo/cinco-discos-ao-vivo-lan%C3%A7ados-durante-a-quarentena-652ff37395b2">Cinco discos ao vivo lançados durante a quarentena</a> was originally published in <a href="https://medium.com/o-inimigo">O Inimigo</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Coletânea De Profundis — Spatio Socialis mostra cena dark em ebulição]]></title>
            <link>https://medium.com/o-inimigo/colet%C3%A2nea-de-profundis-spatio-socialis-mostra-cena-dark-em-ebuli%C3%A7%C3%A3o-e153650a48d8?source=rss-384c67fe9322------2</link>
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            <category><![CDATA[arcadia-records]]></category>
            <category><![CDATA[de-profundis]]></category>
            <category><![CDATA[paranoia-musique]]></category>
            <category><![CDATA[disco]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Alexis Peixoto]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 16 Jul 2020 18:12:08 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-07-17T21:16:08.617Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3>Novo volume da coletânea De Profundis mostra cena dark em ebulição</h3><p><em>Produzida pelos selos Paranoia Musique e Arcadia Records, compilação reúne 24 nomes do som sombrio nacional</em></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*CaXwtyCEcEAokdNk-EEgoA.jpeg" /><figcaption>De volta à caverna do morcego: novo volume da coletânea De Profundis está disponível em versão digital</figcaption></figure><p>Quem curte, sabe: a história do coletivo De Profundis se confunde com a própria trajetória da cena dark nacional a partir dos anos 90. Por meio de troca de fitas demo e zines, promoção de eventos e, principalmente, das coletâneas <em>Violet Carson</em> e <em>De Profundis</em>, ambas lançadas pelo selo Baratos Afins, o coletivo ajudou a conectar dezenas de bandas que estavam espalhadas pelo Brasil e hoje são referência da cena.</p><p>Como em 2020 completam-se 20 anos do lançamento da primeira edição da <em>De Profundis, </em>nada mais em sintonia com os tempos sombrios atuais do que lançar uma nova versão da coletânea, e trazer à luz a nova cena darkwave nacional. Produzida em parceria pelo selos <a href="https://paranoiamusique.bandcamp.com/artists"><strong>Paranoia Musique</strong></a> e <a href="https://www.facebook.com/Arcadia-Records-BR-178113529539584/"><strong>Arcadia Records</strong></a>, <strong><em>De Profundis — Spatio Socialis</em></strong> traz 24 artistas da cena presente da música gothic/pós-punk/synth de todo o país, como <strong>Andromeda, Vox Lugosi, Dead Roses Garden, In Venus</strong>, <strong>The Downward Path, Mateamargo , Cum Mortuis, Stella Tacita , As Cinzas do Tempo, Svartfåglars Begravning, </strong>entre muitos outros artistas.</p><p>Para quem curte texturas obscuras de teclados, baixos sintetizados, beats do além e vocais cavernosos, o disco é um verdadeiro banquete à luz de velas.</p><p>Confira o vídeo teaser, com a faixa “Miau” da Andromeda:</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2F6zFivHnIc_c&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D6zFivHnIc_c&amp;image=http%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2F6zFivHnIc_c%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/bba6484d5632159b9d9b138e0d5f29d5/href">https://medium.com/media/bba6484d5632159b9d9b138e0d5f29d5/href</a></iframe><p>A <a href="https://paranoiamusique.bandcamp.com/album/de-profundis-spatio-socialis"><strong>versão digital da coletânea está disponível no Bandcamp da Paranoia Musique </strong></a>e o download ainda inclui como bônus quatro versões alternativas para a capa e cinco edições do zine De Profundis em PDF.</p><p>A seguir, confira uma entrevista por e-mail com os organizadores da coletânea <em>De Profundis</em>, <strong>Diego de Oliveira</strong> (Paranoia Musique) e <strong>Edu Morpheus</strong> (Arcadia Records).</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/600/1*XjEpohGn6Sj-E21BCzuTzg.jpeg" /><figcaption>Capa da coletânea De Profunds — Brazilian Darkwave Collection, lançada pelo selo/loja Baratos Afins em 2000.</figcaption></figure><p><strong>Qual a importância da primeira <em>De Profundis</em> para o cenário de música dark/goth nacional? Por que lançar um novo volume agora?</strong></p><p><strong>Edu Morpheus</strong>: A primeira <em>De Profundis</em> teve uma característica muito interessante em relação às demais. O final dos anos 90 foram marcados por um consumo abundante de CDs e não faltavam lojas de discos especializadas para todos os lados. A edição anterior (<a href="https://www.baratosafins.com.br/violet_carson.html"><strong><em>Violet Carson</em></strong></a><em>,</em> de 99) já havia sido lançada com a parceria da Baratos Afins e isso fez com que o material fosse comercializado em lojas fora do circuito dos góticos, principalmente em São Paulo e região. Sempre houve algumas poucas lojas especializadas no estilo, mas a <a href="http://baratosafinsloja.com.br/de-profundis-brazilian-darkwave-collection-cd-bra.html"><strong><em>De Profundis — Brazilian Darkwave Collection</em> (2000)</strong></a> podia ser encontrada sem grande dificuldade em lojas convencionais, sem relação alguma com o gótico, o que obviamente potencializa o alcance. Diferente de sua antecessora, a coletânea contou com apenas cinco bandas e três faixas de cada uma. É uma fórmula que permite apresentar com mais profundidade a proposta de cada banda. Foi uma ideia que surgiu de forma muito espontânea entre as bandas envolvidas e funcionou muito bem.</p><p>Agora, atribuir à coletânea uma importância para o cenário… Meu entendimento é que a coletânea é uma ferramenta a mais de divulgação para as bandas. Assim como os zines sempre o fizeram. A importância para o cenário está nas obras dos músicos e as coletâneas só ajudam a direcionar o holofote.</p><p>O trabalho mais recente surge da mesma forma que seus anteriores. Com uma profusão de ideias que culmina em um trabalho com várias mãos. Mais uma vez tentaremos colocar luz sobre algumas bandas nacionais, de todas as regiões possíveis e consolidar um sonho antigo de muitos de nós. Uma obra escrita que contemple um apanhado da nossa cena ao longo dos anos.</p><p><strong>Diego de Oliveira</strong>: Essa pergunta é muito difícil de responder porque nunca é fácil mensurar a importância de um trabalho quando você faz parte do processo. Como fã do trabalho e agora parte do núcleo De Profundis por causa do lançamento desse último volume, eu tenho uma visão um pouco diferente do Edu sobre o legado dessas coletâneas. Toda a equipe da De Profundis, no momento dos lançamentos da <em>Violet Carson </em>(de 1999) e da própria <em>De Profundis</em> (de 2000), acreditava que precisava preencher uma lacuna, fazer algo por aquela cena de bandas de post-punk que tanto amavam, mas que não conseguiam ecoar suas vozes além dos seus círculos mais próximos.</p><p>Existiam outras coletâneas lançadas no Brasil dessa cena dark / goth, mas a <em>De Profundis</em> com certeza foi uma das primeiras a privilegiar as bandas nacionais e tirar de um limbo vários nomes que hoje são referência dentro dessa cena underground. Um grande exemplo é a <a href="https://www.youtube.com/watch?v=I4rhtDqGqXE"><strong>Lupercais</strong></a>, banda hoje cult entre os novos fãs de gótico e deathrock.</p><p>Além disso, as coletâneas serviram para lembrar ao público que a cena não é apenas formada por festas e DJs (que são extremamente importantes), mas também por artistas que têm o que dizer, que expressam as suas verdades através da música e estão fora das grandes mídias.</p><p>O novo volume faz um apanhado de diversas bandas novas e clássicas nacionais. Todas as pessoas envolvidas no “conglomerado” De Profundis são inquietas e a novo trabalho faz um ótimo apanhado desses últimos anos. Como diria o Eduardo Morpheus: “É legal ter um alfinete no mapa. Isso aconteceu, está registrado!”. Sem dúvida, foi uma ótima maneira de comemorar esses vinte anos e nós da Paranoia Musique estamos muito felizes de participar desse lançamento.</p><p><strong>Como foi o processo de seleção das bandas para a nova coletânea?</strong></p><p><strong>Diego</strong>: Nesse trabalho, a Paranoia Musique entrou com o lançamento e distribuição do material digital e a galera da Arcadia Records, um dos braços do “conglomerado” De Profundis, fez a seleção de todos os artistas. Mas o processo de seleção não é muito diferente do que costumo fazer dentro dos lançamentos da Paranoia Musique: Envolve pesquisa, sempre estar aberto para o novo, e observar quais artistas têm se destacado, feito bons lançamentos. Algumas das bandas são bem novas (como é o caso do Mateamargo), outras são veteranas lançando suas novas produções, mas eu acredito que todas têm algo em comum: elas estão apontando os novos caminhos dentro dessa cena. Não vejo, dentro dessa seleção, artistas repetindo as fórmulas de 10, 20 ou mesmo 30 anos atrás. Houve uma preocupação em apresentar o que é atual, o que tem sido feito de relevante.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/400/1*fjJ1-BZUCLOKYGB9kkXAMA.jpeg" /><figcaption>Capa do fanzine De Profundis # 2 (2001), editado por Eduardo Morpheus. Crédito: <a href="http://fanzinotecamutacao.blogspot.com/"><strong>Fanzinoteca Mutação</strong></a></figcaption></figure><p><strong>Nessas duas décadas desde o primeiro volume da De Profundis, o que mudou no cenário dark brasileiro?</strong></p><p><strong>Edu: </strong>Uma das mudanças mais significativas está na forma de consumo do conteúdo musical. Atualmente é bastante incomum que as pessoas se direcionem a uma loja específica ou recorram à discotecagem de algum DJ de sua preferência para conhecer o que está rolando. Embora, verdade seja dita, a cena gótica/dark nacional sempre tenha encontrado um espaço secundário nas lojas especializadas (quando presente) e nas discotecagens. Entretanto, até isso ficou pra trás. O <em>streaming </em>tem sido a forma principal de consumo musical e de contato das pessoas com as bandas e com a música que lhe agrada. É uma via de duas mãos. Se por um lado rompem-se as amarras com selos e gravadoras por vezes injustos com as bandas que efetivamente produzem a obra, por outro cria-se um ambiente em que a informação está tão acessível, disponível e abundante que corre-se o risco de perder-se nessa infinidade de conteúdo. Passa-se a ouvir as obras sem o esmero que alguns trabalhos demandam. Os álbuns conceituais perdem espaço nessa confusão. Tudo vira “uma faixa na playlist”, algumas vezes montadas por um influenciador de sua preferência.</p><p><strong>Diego: </strong>Eu acho que muita coisa mudou, apesar de outras permanecerem iguais. Vejo uma boa parcela do público mais jovem valorizando bastante o trabalho dos artistas locais. Surgiram festivais e festas em várias regiões que abrem espaço para essas bandas. Com certeza a “De Profundis” foi um dos responsáveis (juntos com diversos outros) para essa nova cultura.</p><p>Por outro lado, ainda estamos permeados por muitas pessoas que apenas valorizam o que é produzido lá fora, ou àqueles que estão presos no passado, revivendo os anos 80 num eterno loop.</p><p>Mas, no geral, existe uma nova leva de artistas que está se aproveitando das revoluções digitais dos últimos anos e conseguindo produzir material de alto nível. Usando a internet para espalhar seu trabalho globalmente.</p><p><strong>Falando agora dos selos, como estão as atividades durante a pandemia?</strong></p><p><strong>Edu:</strong> A versão digital foi disponibilizada primeiro e pode ser ouvida nas plataformas convencionais. Estamos trabalhando em paralelo no conteúdo que integrará o livro e cada envolvido está fazendo sua parte para finalizarmos o quanto antes. Temos um longo processo de pesquisa pela frente, pois é um longo conteúdo para ser coberto.</p><p><strong>Diego: </strong>A Paranoia Musique é um organismo com vários tentáculos: selo digital, eventos, além das entrevistas e “lives” que estamos realizando. Infelizmente, os eventos presenciais estão sem previsão de voltar aqui no Rio de Janeiro, mas fizemos algumas lives com artistas que gostamos (<a href="https://halleck.bandcamp.com/"><strong>Halleck</strong></a>, <a href="https://quanticoromance.bandcamp.com/"><strong>Quântico Romance</strong></a><strong>,</strong> Dennis Sinned) e agora estamos focados na divulgação da coletêna, em parceria com o núcleo da De Profundis. O livro citado pelo Edu será um compilado das diversas bandas que fizeram e fazem parte dessa cena, uma enorme referência para os amantes dos sons obscuros brasileiros.</p><p>Além disso, todas às quintas-feiras rolam os nossos bate-papos no Youtube, falando sobre música e cultura (que às vezes contam com convidados). Em breve, devemos também partir para o modelo podcast com entrevistas.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2Fvideoseries%3Flist%3DPLVIEDnBOqq48ibV12wWtb4bdVpPnmanf_&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DE3SkKEkYw5s&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FE3SkKEkYw5s%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/793a109c4c6e7f5b8892a6066b1e8fee/href">https://medium.com/media/793a109c4c6e7f5b8892a6066b1e8fee/href</a></iframe><p>Mas teremos novidades de nossas bandas do coração, como os já citados Halleck &amp; Quântico Romance, além do <a href="https://cubusonline.bandcamp.com/"><strong>Cubüs</strong></a>. Aguardem.</p><p><em>Na sequência, ouça a coletânea De Profundis — Spatio Socialis via Bandcamp. O disco também está disponível no </em><a href="https://open.spotify.com/album/4UKwK1oczeKPgek4DxqKJG?si=QvqfTA_PS_62XAIRxJviyw"><strong><em>Spotify</em></strong></a><em>, Deezer e outras plataformas.</em></p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fbandcamp.com%2FEmbeddedPlayer%2Fv%3D2%2Falbum%3D2343918202%2Fsize%3Dlarge%2Flinkcol%3D0084B4%2Fnotracklist%3Dtrue%2Ftwittercard%3Dtrue%2F&amp;display_name=BandCamp&amp;url=https%3A%2F%2Fparanoiamusique.bandcamp.com%2Falbum%2Fde-profundis-spatio-socialis&amp;image=https%3A%2F%2Ff4.bcbits.com%2Fimg%2Fa0798414275_5.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=bandcamp" width="350" height="467" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/a205f64103fce7c58aa56b991ec86229/href">https://medium.com/media/a205f64103fce7c58aa56b991ec86229/href</a></iframe><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=e153650a48d8" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/o-inimigo/colet%C3%A2nea-de-profundis-spatio-socialis-mostra-cena-dark-em-ebuli%C3%A7%C3%A3o-e153650a48d8">Coletânea De Profundis — Spatio Socialis mostra cena dark em ebulição</a> was originally published in <a href="https://medium.com/o-inimigo">O Inimigo</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Chapa Mamba contra as Quatro Bestas do Apocalipse Pós-Moderno]]></title>
            <link>https://medium.com/o-inimigo/chapa-mamba-contra-as-quatro-bestas-do-apocalipse-p%C3%B3s-moderno-17a9d3455b26?source=rss-384c67fe9322------2</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/17a9d3455b26</guid>
            <category><![CDATA[disco]]></category>
            <category><![CDATA[música-independente]]></category>
            <category><![CDATA[música-brasileira]]></category>
            <category><![CDATA[chapa-mamba]]></category>
            <category><![CDATA[underground]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Alexis Peixoto]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 11 Jul 2020 17:29:40 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-07-14T14:31:10.095Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p><em>Em novo disco, trio ataca as mazelas da realidade imediata com rocks certeiros e jabs de sarcasmo teleguiado</em></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1009/1*tMKVCqzRaEv6ILoBeDlnqw.jpeg" /><figcaption>O trio em raro momento de corpo presente: Bruninho (bateria), Stêvz (guitarra e voz) e Binho (baixo)</figcaption></figure><p>É a incrível volta de quem não foi a parte alguma. Após um período de incomum silêncio, a <a href="https://chapamamba.bandcamp.com/"><strong>Chapa Mamba</strong></a> está de volta com <em>Poeira Nenhuma</em>, uma novíssima coleção de rocks empenados. São 11 músicas em pouco mais de 20 minutos, que é o tempo perfeito para tomar um café, dar um tapa ou ler um gibi — todas atividades que caem bem em conjunto com esse disquinho, ainda que ele mereça muito mais do que servir de música de fundo.</p><p>Mas antes de falar do disco e das canções propriamente ditas (chegaremos lá, jovens), ainda é preciso tirar algumas coisas da frente. A notícia do lançamento de <em>Poeira Nenhuma</em> apareceu quase de supetão numa das newsletters da <a href="https://chupamanga.bandcamp.com/"><strong>Chupa Manga Records</strong></a>, o selo-de-um-cara-só tocado pelo Stêvz, guitarra e voz da Chapa Mamba. Não que uma aparição súbita seja algo fora da norma para o trio — aliás, eles só aparecem se for de repente — mas o que chamou atenção foi o tempo corrido sem notícias.</p><p>Do disco anterior, <a href="https://chapamamba.bandcamp.com/album/presente"><strong><em>Presente</em></strong></a>, até aqui foram três anos sem músicas novas da Chapa Mamba, o maior período de silêncio na história da banda. E mais: as músicas do <em>Poeira Nenhuma</em>, informava o release, foram registradas ao vivo em uma sessão de 2018. Então por que esperar para lançá-las só agora? O que aconteceu com a banda de lá pra cá? Considerando tudo que rolou no Brasil e no mundo nesses dois anos, é possível que as canções tenham ganhado outro sentido enquanto maturavam no cofre?</p><p>Curioso pelos efeitos da passagem do tempo sobre a banda e o disco, escrevi para Stêvz e fiz as três perguntas do parágrafo anterior. Poucas horas depois ele me escreveu de volta com a seguinte resposta:</p><blockquote>No meio de 2018 me mudei de Porto Alegre para São Paulo, e isso me obrigou a deixar o material de lado por uns bons meses. Mas apesar de ter sido gravado basicamente ao vivo, em 3 ou 4 dias, tentei tomar o tempo que fosse necessário para descobrir o que as músicas desse disco poderiam dizer — algumas foram terminadas no último minuto. Não havíamos planejado muita coisa além de trocar umas demos toscas por whatsapp, e as “sessões” só foram mesmo suficientes para aprendermos as músicas que tínhamos prontas, fazer os arranjos e inventar uma ou outra coisa na hora.</blockquote><blockquote>Enquanto nos preparávamos para gravar no Rio de Janeiro, durante uma intervenção militar, Marielle Franco foi assassinada com seu motorista Anderson. De lá para cá, a situação política do país conseguiu piorar exponencialmente com a eleição de um verme neofascista e sua turba, e, nesse exato instante, o mundo enfrenta a pior pandemia em um século. É difícil acrescentar qualquer coisa relevante à cacofonia geral na qual estamos imersos todos os dias, ainda mais dentro de uma posição de privilégio, mas tentei escrever letras que pelo menos não fossem completamente alienadas desse contexto geral — mesmo que de forma indireta.</blockquote><blockquote>Além disso, há limitações óbvias quando se criam as letras depois de gravado o instrumental (especialmente do jeito que pudemos fazê-lo, sem separação dos instrumentos, tudo junto em dois canais estéreo), por conta da estrutura já engessada. É um problema recorrente. Os espaços estão definidos, a dinâmica também — embora em alguns momentos tenha sido necessário lançar o “truque” de duplicar uma seção ou outra para caber mais versos — e, não bastando preencher os espaços, às vezes a palavra ideal para a narrativa não funciona por conta da sua fonética. No fim das contas, apenas agora conhecendo realmente as canções e sabendo como elas deveriam ser interpretadas, essa seria a hora (mas não podemos nos dar a esse luxo) de GRAVAR TUDO DE NOVO, de forma INTENCIONAL.</blockquote><blockquote>Mesmo assim, tentei não mexer demais no que havia sido captado ao vivo. Há um senso de urgência ali que traduz um pouco dessas angústias, e espero que faça algum sentido para quem escuta hoje ou daqui há 10 anos, se ainda existir Brasil e mundo. Veremos.</blockquote><blockquote>(No mais, é só um disquinho de rock caseiro de uma banda que toca junta uma vez por ano, e olhe lá. Você também pode fazer um.)</blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/500/1*S4mPRJeSLAc2UEUXjhFwJQ.jpeg" /></figure><p>É tentador escrever que <em>Poeira Nenhuma</em> é um retorno da Chapa Mamba à boa forma, ainda que isso não faça lá muito sentido. Primeiro, porque o grande trunfo deste conjunto é justamente ser uma genuína banda de “corpo ausente”, logo sem forma aparente definida. Outra que essa expressão, surrada e pisada por anos de mau uso em críticas de música, me parece mais apropriada ao jornalismo esportivo. Mas é fato que há neste disco novo um vigor recuperado em relação aos dois anteriores, que inauguraram a fase da Mamba como trio, com a chegada do baixista Binho pra completar a cozinha com a bateria de Bruno. Em <em>Poeira Nenhuma</em>, o formato finalmente entra nos eixos e as 11 faixas correm refrescantes &amp; ligeiras, como um pé de vento que entra pela janela e espalha os papéis da mesa pela casa.</p><p>As faixas retomam temas caros à banda desde os primeiros discos, uma espécie de saga recorrente contra as Quatro Bestas do Apocalipse Pós-Moderno — <em>Consumismo, Espetáculo, Controle e Alienação </em>— , aqui atacadas por todos os lados com jabs de sarcasmo teleguiado. Vide “Água em Pó”, jingle imaginário para um produto que deve ser sucesso entre terraplanistas, ou a quase-grunge “Nunca Leia os Comentários”, de título autoexplicativo. Há ainda as sensacionais “Apoie a Cena Local”, tiração de onda com a galera que só se abraça pra sair na foto, e a “Mão Invisível do Patrão”, que em menos de três minutos resume uma vida inteira de expedientes massacrantes.</p><p>Mas a faixa mais sintonizada com o tempo presente talvez seja “Ideia Errada”, que em poucos versos resume bem o estado confuso das coisas desses dias:</p><blockquote>tentam te convencer<br>a não ser mais você<br>pra poder te vender<br>mais uma ideia errada<br>eles não querem que a gente saiba<br>dar um jeito de se defender</blockquote><p>Posto dessa forma, pode parecer que <em>Poeira Nenhuma</em> é um jorro de ressentimento contra tudo que está aí — eu vos garanto, não é. Mas é sim um trabalho preocupado em dizer algo em vez de simplesmente divertir, que fala com um vocabulário simples, mesmo quando o assunto é sério. E se tudo mais parecer sem saída, a dobradinha final do disco, “Vai Passar” e “Enquanto Isso” — essa, um instrumental com gosto de fim de tarde — apontam para amanhãs melhores.</p><p>Fiquemos tranquilos, juventude. Enquanto houver maneira de dizer “não”, a Chapa Mamba canta. E a gente segue aumentando o som.</p><p>Ouça <em>Poeira Nenhuma</em> abaixo, via Bandcamp. O disco também está disponível no <a href="https://open.spotify.com/album/2tb9ho5z0oVxoBWsCDjNfq?si=SIlX2kC8S5idDv4M3_SYgw"><strong>Spotify</strong></a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=vLb5xfGlCIw"><strong>YouTube</strong></a> e que tais.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fbandcamp.com%2FEmbeddedPlayer%2Fv%3D2%2Falbum%3D1775232876%2Fsize%3Dlarge%2Flinkcol%3D0084B4%2Fnotracklist%3Dtrue%2Ftwittercard%3Dtrue%2F&amp;display_name=BandCamp&amp;url=https%3A%2F%2Fchupamanga.bandcamp.com%2Falbum%2Fpoeira-nenhuma&amp;image=https%3A%2F%2Ff4.bcbits.com%2Fimg%2Fa4038203488_5.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=bandcamp" width="350" height="467" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/dd73fd855ecabaae68e6d3b4ce4a5dc2/href">https://medium.com/media/dd73fd855ecabaae68e6d3b4ce4a5dc2/href</a></iframe><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=17a9d3455b26" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/o-inimigo/chapa-mamba-contra-as-quatro-bestas-do-apocalipse-p%C3%B3s-moderno-17a9d3455b26">Chapa Mamba contra as Quatro Bestas do Apocalipse Pós-Moderno</a> was originally published in <a href="https://medium.com/o-inimigo">O Inimigo</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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