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        <title><![CDATA[Stories by Erick Gregner on Medium]]></title>
        <description><![CDATA[Stories by Erick Gregner on Medium]]></description>
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            <title>Stories by Erick Gregner on Medium</title>
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            <title><![CDATA[O nome que quero ser chamado é o meu nome]]></title>
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            <category><![CDATA[queer]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Erick Gregner]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 22 Oct 2025 03:21:49 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-10-22T03:21:49.562Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Tem uns dias que tô comemorando a COMPRA DO MEU NOME.</p><p>Agradeço à quens cava(ra)m espaço, abrindo caminhos — não os mais justos, mas os mais possíveis.</p><p>Se hoje não fosse ontem, abriria precedente no Direito inserindo na certidão de nascimento o SEXO TRANSMASCULINO. Seria o mínimo de reconhecimento, descrição e inserção das nossas vidas na burrocracia, porque essa historinha de somos-todos-iguais MAS só se inscrevem nos autos dos processos Históricos a cisgeneridade Não cola Não!</p><p>Diz, pq que eu, transmasculino-boyceta-sapatão-homem trans, do corpo com útero que exige atenção médica constante, e peitos que são determinantes do comportamento social — do outro e próprio — devo aceitar o nosso silenciamento e apagamento pra ter validada pelo Extado a minha constituição?</p><p>Não é pouco, não.</p><p>(Só) a taxa do cartório de registro civil foi 130 lajô, e até as certidões disponíveis online eu tive que levar impressas.</p><p>250 dinheiros vivos apagaram dois nomes trocados por um, e substituíram um equívoco de gênero por outro — que ainda não tenho certeza — mas me parece de proporção similar o estrago.</p><p>Ainda assim, comemorei(mos)!</p><p>07 de janeiro de 2019, São Carlos/sp, Brasil.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=89c7d354ecb9" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Um dia perfeito num ambulatório trans]]></title>
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            <category><![CDATA[saúde]]></category>
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            <category><![CDATA[transgender]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Erick Gregner]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 20 Oct 2025 02:15:10 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-10-21T19:41:03.663Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Amanhã tenho consulta, combinei com a Cassandra da gente ir junto. Como o transporte passa às 8h, se eu acordar às 7h dá tempo tranquilo, tomo banho, café, faço yoga e vamos.</p><p>Apesar de fazer algum tempo que não me hormonizo, gosto, e preciso, frequentar o ambulatório, afinal os 35 anos tão aí né, e é bom acompanhar os exames e cuidar da minha saúde, ainda mais agora com o uso das medicações psiquiátricas e de frequentar a academia. Além disso, é uma alegria a conquista desse serviço, que veio de muita luta e comprometimento nosso e des nosses.</p><p>É de um tudo frequentar espaços com pessoas trans, usuárias do serviço e profissionais que ali trabalham. Não tem nada como já ser acolhido na recepção pela Lari. Fazer exames ginecológicos com o Pedro é um sonho, todo o cuidado que ele tem ao tocar meu corpo; a paciência em explicar os procedimentos antes de fazê-los; o aviso a cada novo toque ou movimento me dá muita tranquilidade, sobretudo com essa minha sensibilidade sensorial. A nossa conversa é muito franca e ele considera todos os fatores, biológicos, emocionais, sensoriais, sociais, pra pensar sobre as questões que eu apresento.</p><p>O Pedro formou lá na universidade e entrou no hospital pelas cotas trans em prol da empregabilidade da nossa população nos serviços de saúde. A Elvira, uma das psicólogas, também. Ela eu conhecia de antes do hospital, por ser amiga da Cass.</p><p>Fiquei aqui nessa viagem e a hora voou, deixa eu escovar os dentes e dormir, amanhã é dia de ambulatório trans.</p><p>8h15 o ônibus passou, a gente encontrou o Caê e a Nati indo pro hospital também; é praticamente um encontrans. Hoje a triagem foi tão rápida. No corredor conheci um garoto trans que tava lá pela primeira vez e se surpreendeu com o espaço, o tratamento humanizado, até o uso apenas do nome dele na ficha ele estranhou. Era o maior medo que ele tava, ser chamado pelo nome antigo. Não correr o risco de passar por isso deixou ele bem calmo.</p><p>Hoje eu fui pra pegar a solicitação de exame de rotina e de mamografia, porque tá fazendo um ano que fiz a mamoplastia masculinizadora pelo CRT, encaminhado pelo próprio ambulatório. Aí o Pedro me informou uma novidade do hospital, a disponibilização da testosterona produzida para corpos transmasculinos, com aplicação a cada seis meses. Ele sabe que no momento não tô me hormonizando e respeita minha escolha, só me informou pra que eu saiba o que o serviço tá disponibilizando e assim possa optar ou não pelo uso. Achei um bafo e fiquei interessado, disse que vou pensar, afinal entre os motivos de eu ter parado a T. teve a incerteza do uso a longo prazo de hormônios que não foram pensados ​​pra corpos como os nossos, e a recorrência de aplicações — 21 em 21 dias, injeção, não é pra mim.</p><p>Agradeci a informação do Pedro e perguntei se poderia comentar com um amigo, ele respondeu que sim e me lembrou o caminho pra novos pacientes: pedir pro clínico geral da UBS mais próxima de casa enviar uma solicitação para o ambulatório e aguardar ser chamado; costuma demorar no máximo um mês. Antes de acabar o atendimento eu pedi encaminhamento para o nutricionista porque quero ter uma alimentação mais adequada para os treinos que comecei a fazer.</p><p>Quando saí da consulta a Cass tinha acabado de ser chamada pra dela, e tudo bem, ainda eram 9h15. Aguardei ela no espaço de espera do ambulatório, tinha cartazes com informações dos serviços: o horário do grupo terapêutico e também o mutirão de atualização de cadastro do SUS, com inclusão de nome social, e alteração de nome pra quem retificou, entre outras informações. Lá é bem mais agradável pra nós do que o lugar anterior, que ficava no corredor de saúde da mulher, porque agora também existimos no espaço, ainda que nenhum de nós esteja sentado nas cadeiras.</p><p>Quando a Cass saiu a gente passou na sala da Elvira pra perguntar se ela tinha notícias da Fabi, que recentemente passou por momentos bem delicados, mas ela, excelente profissional, ética acima de tudo, informou a gente que o serviço está fazendo todo o acolhimento possível. Um alívio. E nada de expor a intimidade da paciente, como acontecia no ambulatório anterior, até nos corredores.</p><p>Dali a gente foi na farmácia pra Cass pegar os hormônios, na dosagem exata pras demandas dela. Felizmente agora temos hormônios produzidos pensados ​​pra nós, pros nossos corpos e necessidades. A gente encontrou a Gabe e a Alice, também retirando os hormônios na farmácia. Conversamos um pouco, trocamos informações sobre os novos procedimentos cirúrgicos que estão disponíveis, além do silicone; e nos surpreendemos que a Alice, em 3 meses, já foi chamada pra consulta com o cirurgião, lá mesmo, no hospital.</p><p>Às 10h20 a gente tava em bonde no ponto de ônibus, em frente ao hospital, esperando o motorista abrir as portas pra gente embarcar e vir pra casa. Pelo horário eu sabia que ia rolar escrever, pelo menos começar a resenha do livro, antes do almoço.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=40fa744071ca" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Inocente*]]></title>
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            <category><![CDATA[autism]]></category>
            <category><![CDATA[transgender]]></category>
            <category><![CDATA[transmasculine]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Erick Gregner]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 29 Aug 2025 14:58:16 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-10-20T02:21:36.526Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<blockquote>“o que a vida pede da gente é coragem” <br><em>Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas</em></blockquote><p>Se eu sou inocente? Difícil dizer. <br>O google me retorna que inocente é um adjetivo de dois gêneros — então não tem a chance do meu estar incluído. Segundo ele ainda, inocente é:</p><ol><li>que não faz mal; não é nocivo; inócuo, inofensivo. <br>ex: “um inocente cordeirinho”</li></ol><p>… nesse sentido, não há como eu ser inocente porque tudo em mim tem sido passagem. O ir e vir provoca balanço e também náuseas.</p><p>2. destituído de segunda intenção, de malícia. <br>ex: “conversa inocente”</p><p>… e como ser inocente se, ao redor, tudo tem sido ventania? Se ainda, e mais, tem sido necessário um Código Internacional de Doenças pra encaixotar minha identidade estilhaçada? Se o meu nome, esse que vocês me reconhecem, foi comprado por 450 reais na passagem de 2018 pra 2019. Se os meus girassóis sinalizam que sou de outra classe de humanos, um humano do tipo inocente — e, aqui, inocente tem um leve tom, porque outros poderiam dizer “esquisito”, “antissocial”, “doente”… e como afirmar que não se é, se:</p><ul><li>por um lado se faz necessário acompanhamento de 2 anos pra se atestar um gênero em movimento?</li><li>por outro, 3 meses de anamnese e testes pra verificar e atestar um modo de funcionamento biopsicossocial?</li></ul><p>atesta de um lado — inocente — de outro condena</p><p>O cordeiro em pele de lobo transita ardilosamente entre as frestas, junto de outres monstres.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*KJlviwmctgDJs16TuC2L1w.jpeg" /><figcaption>presenças transmasculinas na USP ♡</figcaption></figure><p><em>*palavra proposta no exercício do Clube de Escrita do </em><a href="https://www.instagram.com/projetomarieta/"><em>@projetomarieta</em></a></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=fb17cdb2f9ed" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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