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        <title><![CDATA[Stories by FEA Sports Business on Medium]]></title>
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            <title>Stories by FEA Sports Business on Medium</title>
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            <title><![CDATA[A Elitização do futebol : o ex-porte do povo?]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[FEA Sports Business]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 10 Apr 2026 20:51:01 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-04-10T20:51:01.336Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3>A elitização do futebol</h3><p><em>Por Bernardo Vilas Boas, Caio Yue, Enrico Luchesi, João Rocha, Júlia Seith, Victor Rezende e Victor Lazarini.</em></p><p><strong>Um <em>match</em> para mudar um país:</strong></p><p><strong>São Paulo: </strong>O conto clássico do esporte brasileiro está relacionado ao nascimento da modalidade na capital paulistana: o futebol chegou em São Paulo e no Brasil com Charles Miller. Filho de mãe brasileira e pai escocês, Miller nasceu no Brás e estudou na Inglaterra até 1894, retornando à sua terra natal com uma imensa bagagem adquirida nas ilhas britânicas, incluindo o popular esporte que se espalhava por tal região, o “foot-ball”. Em 1895 ocorreu a primeira partida do esporte na cidade, na chamada Várzea do Carmo, terreno cedido por uma empresa de transporte do período, e disputada por altos funcionários da <em>São Paulo Gas Company </em>e da <em>The São Paulo Railway Company, </em>sob as instruções de Miller, marcando o ponta pé inicial do que viria a ser a “paixão nacional”. Já é notória a presença de termos “anglófonos” e personagens da elite, o que demonstra a natureza altamente “estrangeirista” do futebol pioneiro, e seu aspecto excludente, que iria perdurar em certa medida até a profissionalização do esporte.</p><p>Após os eventos na Várzea do Carmo foram fundados diversos clubes de futebol, ou, mais comumente nesse contexto, o “foot-ball” foi incorporado em clubes preexistentes, como no caso do São Paulo Athletic Club, clube de cricket fundado em 1888 e que adotou o futebol em 1896 por influência direta de Miller. Depois do SPAC, que fora a primeira associação paulistana à incorporar o futebol como modalidade plena, vieram a Associação Atlética Mackenzie College, o Sport Club Internacional, o Sport Club Germânia e o Clube Atlético Paulistano, que juntos fundaram, em 1901, a Liga Paulista de Futebol. Os jogos eram disputados no Velódromo Paulistano, local concluído para a prática de ciclismo, mas que foi rapidamente convertido em um “estádio” no mesmo ano que a LPF começou. Vale ressaltar que, na criação da liga, a visão de seus fundadores era de um modelo amador, em que os praticantes estavam lá para a diversão própria, “aristocrática” ou “burguesa”, não concebendo e, posteriormente, rejeitando o futebol como um trabalho, ou seja, uma instituição profissional. Isso demonstra como o esporte estava intimamente ligado com as classes altas e como elas queriam, em primeiro momento, que ficasse restrito a elas. Entretanto, o baixo custo de entrada, a acessibilidade e a facilidade para jogar futebol fez com que o esporte saísse de seu núcleo original, a elite paulistana, e fosse para os bairros operários da capital. Foi nesse contexto que dois dos maiores clubes brasileiros se formaram, o Sport Club Corinthians Paulista e a Società Sportiva Palestra Itália, fundados em 1910 e 1914 respectivamente. A fundação dos dois clubes e de outras associações operárias menores não “passou batido”, já que, em 1913, as discussões sobre a inclusão de novas equipes mais populares levou à cisão do campeonato. O Paulistano, extremamente incomodado pela expansão da liga, resolveu exigir um valor muito alto para o aluguel do Velódromo, fato que impossibilitava equipes menos abastadas, como o SCCP, de participarem. Assim, o Germânia se ofereceu a ceder seu estádio, o Parque Antártica, à LPF por um valor 4 vezes menor do que o imposto pelo Paulistano referente ao Velódromo.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/944/1*e5Sd5zcmKpVplJwi5n9t7Q.png" /><figcaption>(Fotografia do Velódromo Paulistano)</figcaption></figure><p>Aceito o acordo, o Paulistano se recusou a jogar no Parque Antártica, criando sua própria “liga”, a Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA). O campeonato de 1913 fora dividido em 2, o da APEA, que contava com: Mackenzie College, Associação Atlética das Palmeiras e Paulistano; e o da FPF que contava com: Americano, Germânia, Sport Club Internacional, Clube Atlético Ypiranga, Corinthians e o Santos Football-Club. A edição de 1913 marcou um ponto de inflexão importante na história do futebol paulista pois pela primeira vez um clube dissociado da elite, o Corinthians, participou e, além disso, fora a primeira vez que uma equipe de fora da capital, o Santos Football Club, disputou o torneio (embora ele tenha desistido da competição devido aos altos custos de viagem).</p><p>Após a ruptura, a APEA se viu em uma situação complicada, pois os altos custos restringiam a expansão e consolidação do campeonato. Desse modo, a Associação se viu obrigada a diminuir as altas taxas e foi para a “ativa”, de modo a convidar outras equipes a participarem da competição. Assim, na edição de 1914, o número de competidores saiu de 3 para 6, com clubes como o Ypiranga “virando a casaca” e a fundação de São Bento, que se consagraria o campeão, e Scottish Wanderers, pela comunidade escocesa da cidade de São Paulo. Foi no campeonato de 1914 que surgiu o que seria a maior estrela da era amadora, Arthur Friedenreich, artilheiro do campeonato, revelado pelo Ypiranga. Nos anos que se seguiram, se viu o esvaziamento da FPF e a expansão da APEA, que realmente se consolidou como uma força formidável (possuía até uma “2ª divisão), de modo que em 1917 a FPF foi dissolvida e seus clubes integrantes se filiaram a APEA, reiniciando Campeonato Paulista unificado.</p><p><strong>Análise de contexto, Campeonato Paulista de 1917:</strong></p><p>(Intenção é criar uma tabela comparativa dos clubes e torcidas baseado nesses dados escritos, mas se não ficar massante podem ser mantidas as descrições mais detalhadas)</p><p>O Campeonato Paulista de 1917 realizado pela APEA foi outro ponto de inflexão importante, pois acabou com a divisão presente no futebol do estado e, ao englobar os times mais populares, formulou de forma definitiva as bases e as fundações do esporte no Estado. Assim, é interessante analisar a composição do campeonato de modo a entender o contexto que moldava a identificação e o espírito das “torcidas” primitivas:</p><p><strong>Paulistano: </strong>Clube da elite, principal defensor do amadorismo, equipe forte, prestigiada e bem treinada, campeã da edição de 1917, posteriormente iria sucumbir diante as pressões advindas da popularização do esporte.</p><p><strong>Palestra Itália</strong>: Clube de trabalhadores, em sua grande maioria italianos, representava os anseios de uma parte marginalizada da sociedade paulistana em meio a uma era de mudanças (indústria, urbanização, nacionalismos). Possuía uma torcida/comunidade integrada e participativa, iria se popularizar muito e atingir grande sucesso no futebol paulista e nacional.</p><p><strong>Corinthians</strong>: Clube pioneiro, formado no Bom Retiro por operários da região, enfrentou os preconceitos da época e fez história. Foi vitorioso cedo, embora com dificuldades devido aos empecilhos colocados por outras equipes, era bem popular e, com as futuras glórias, sua frase fundadora “time do povo, para o povo” serviria cada vez mais como base fundamental para a instituição.</p><p><strong>Santos</strong>: Inicialmente um clube local, atingiu grande prestígio em sua cidade natal e aproveitou a oportunidade para entrar nos mais famosos campos estaduais. Era fortemente ligado à comunidade de sua cidade e, no futuro, se tornaria um dos mais lendários clubes brasileiros, com torcedores espalhados por todo o país.</p><p><strong>A.A Palmeiras: </strong>Clube que, embora não tenha sido fundador do Campeonato Paulista, foi extremamente presente na era amadora. Foi essencial para a continuidade do campeonato, pois, além dos títulos conquistados, inaugurou um importante estádio no Bom Retiro após a demolição do Velódromo em 1915.</p><p><strong>Ypiranga e São Bento: </strong>O Ypiranga foi uma equipe recorrente nos campeonatos da era amadora e, apesar de não ter sido campeã, foi importante desenvolvimento do futebol por revelar Arthur Friedenreich, o primeiro grande “craque” brasileiro. Era extremamente forte localmente, na região do bairro Ipiranga. Já o São Bento foi uma equipe criada pelo Padre Kelton, docente do prestigiado Gymnasio São Bento, instituição que se confundiria com a história desse clube, relativamente bem-sucedida antes da profissionalização “eliminá-lo”.</p><p><strong>Internacional e Mackenzie: </strong>Fundado pelo comerciante alemão Hans Nobiling, o Internacional foi a primeira equipe a abrir o esporte para brasileiros e outros nacionais, afinal os antigos clubes, SPAC e Mackenzie, só aceitavam ingleses. O Internacional, apesar de ter sido pioneiro neste aspecto, nunca foi realmente popular. Em paralelo, o Mackenzie foi fundado por um professor da instituição presbiteriana homônima, e ligado aos alunos desta. Nunca foi também um clube popular, mas, com o avanço do profissionalismo, se desfez e cedeu sua infraestrutura para a Portuguesa, time que se tornaria um dos mais tradicionais da capital paulista.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/863/1*sBSt9ADgtMKGlyb9Y5uHiQ.png" /><figcaption>(Partida entre Palestra Itália e Paulistano, 1920)</figcaption></figure><p><strong>A popularização e profissionalização do futebol (anos 20, 30 e gerais):</strong></p><p>A situação do futebol brasileiro e, principalmente, paulistano ia começar a ter grandes mudanças nos anos 20 e 30, pois o esporte, ao se transformar em um interesse de massa, começou a se profissionalizar, a abandonar o amadorismo e o seu forte caráter elitista. Os estádios, com suas icônicas gerais, as quais começaram primeiramente no Velódromo mas que ganharam proeminência no Parque Antártica, começaram a atrair verdadeiras multidões e se tornarem locais de socialização, catarse e festa, atravessando barreiras culturais e socioeconômicas, largando o espírito antigo de contenção e contemplação não-crítica. Foi nessas décadas que os times “populares” prevaleceram e aqueles que resistiram às mudanças e à abertura do cenário começaram lentamente a desaparecer.</p><p>O Palestra Itália e o Corinthians iam dominar a década de 1920, com 3 títulos paulistas para o clube do Brás e 6 para o do Bom Retiro em um espaço de dez anos (1920–1930). Também surgiria o “profissionalismo marrom”, um modelo que tentava burlar o amadorismo com compensações pontuais — bichos — aos jogadores, adotado principalmente pelos clubes de maior torcida. Nesse ponto começam as disputas entre Paulistano, que cada vez mais se isolaria, contra Palestra, Corinthians, Santos e outros, que agora, cada vez mais populares, sofriam pressões por equipes melhores e, portanto, necessitavam de atletas profissionais.</p><p>Ao mesmo tempo, o futebol florescia no estado do Rio de Janeiro, a até então capital nacional. Os tradicionais clubes de regatas, que atraiam divertimento e atletismo para as elites litorâneas, iam aos poucos mudando, entrando em mutação para se tornarem clubes de <em>football. </em>O esporte inglês se espalhava pelos centros urbanos e, agora, na maior cidade do país. Os dois maiores exemplos dessa transformação foram o Clube de Regatas do Flamengo e o Clube de Regatas Vasco da Gama, o primeiro formado por rapazes do tradicional bairro do Flamengo que, ao observarem o prestígio que angariavam remadores como os do Botafogo, resolveram criar sua própria agremiação; o segundo foi formado mais ou menos na mesmo toada, contudo, teve sua própria especialidade, afinal fora fundado por membros da comunidade luso-brasileira. Ambos iriam adotar o futebol como esporte, principalmente com a força do Fluminense F.C (que inclusive foi diretamente responsável pelo departamento de futebol do CRF), do Botafogo F.C (que posteriormente se fundiu com o Clube de Regatas do Botafogo), do Bangu Atlético Clube e do finado Paysandu (que ainda existe como clube social).</p><p>Um fato interessante sobre o futebol carioca é o próprio Bangu Atlético, instituído em 1903 e um dos fundadores do campeonato em 1906. Diferentemente dos outros participantes, o Bangu já começou como um clube “popular”, sendo fundado por operários da Fábrica de Tecidos Bangu e tendo um elenco diverso, algo que inclusive incomodava os jogadores das outras equipes, como Botafogo e Fluminense. É nesse conflito entre elites e povo que, décadas depois, acontece um dos episódios mais emblemáticos da era do “profissionalismo marrom”, que marcaria até hoje a narrativa do futebol brasileiro: “os camisas negras” e a “resposta histórica” do Vasco da Gama.</p><p>Time marcado por homens mulatos, negros e brancos, pobres, muitos deles analfabetos, moradores dos subúrbios do Rio de Janeiro, o Vasco da Gama ascendeu das divisões menores da capital até a primeira divisão da LMDT (Liga Metropolitana de Desportos Terrestres), organizadora do campeonato de futebol do então Distrito Federal. Na sua primeira participação na elite, em 1923, o Vasco da Gama surpreendeu seus já muito bem consolidados adversários, conquistando assim o título contra o Flamengo e marcando um divisor de águas na história do futebol local e nacional. A vitória aguerrida, conquistada pelas mãos de um time diverso e proletário no até então grande palco dos “maneirismos ingleses”, o Estádio das Laranjeiras, levou o time às graças do povo, ao mesmo tempo que irritou os dirigentes dos clubes “maiores”. No ano seguinte, por conta de disputas internas, a AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Athleticos) foi fundada, pelos principais times do período, e convidou o Vasco, atual campeão, para participar da próxima edição. Contudo diversas restrições foram feitas e a rigidez com respeito ao amadorismo foi aumentada, uma clara conspiração das outras equipes, as quais se sentiam ameaçadas por mais um possível título vascaíno. As exigências novas iriam resultar na exclusão de 12 atletas da equipe cruzmaltina. Assim, no dia 7 de abril de 1924, o presidente da instituição, José Augusto Prestes, mandou um ofício ao presidente da AMEA, anunciando sua decisão de abrir mão de inscrição do campeonato diante de tamanha injustiça, se colocando ao lado dos atletas contra os desmandos da elite. Tal ofício seria imortalizado sobre o nome de Resposta Histórica.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/707/1*4-zldX7PiK5sdQIP-toQXg.png" /><figcaption>(José Augusto Prestes, ex-presidente do Vasco da Gama)</figcaption></figure><p>O Vasco entraria para a AMEA em 1925 e, nesse contexto, o profissionalismo se tornava uma realidade cada vez mais inevitável, tanto na capital, quanto na industrial cidade de São Paulo, quanto em outros importantes centros do Brasil. Equipes que tinham protagonizado a década de 10 nos campeonatos de Rio de Janeiro e São Paulo começaram a cair nas tabelas, ter problemas financeiros para manterem um time competitivo, além de verem pouco engajamento se comparados aos clubes mais populares. Assim, ficaria claro a conclusão já ao final da década, ou os times se profissionalizam e mantém um campeonato competitivo, ou se manteriam de forma elitista, defendendo o amadorismo e definhando nos grandes campeonatos, até a desistência final. Alguns clubes ligados às altas classes acabaram por adotar o primeiro caminho, se fortalecendo e se eternizando (exemplos de Atlético-MG e Fluminense), contudo, a maioria optou por não se profissionalizar, dando espaços a novas, pequenas, porém fortes equipes. Tiveram inclusive entidades que entraram em conflito interno sobre qual caminho seguir, gerando cisões internas, como no emblemático caso em que, após uma revolta pró-profissionalismo do departamento de futebol, foi criado o lendário São Paulo Futebol Clube; terminou assim de vez o maior símbolo do amadorismo e da primeira fase do futebol nacional, o Clube Atlético Paulistano.</p><p><strong>Futebol, a paixão nacional (décadas de 50 a 70):</strong></p><p>Durante a década de 1930 surgiram tentativas de unir as equipes dos diversos entes federativos, as quais ainda se encontravam sob certas “barreiras” estaduais. Efêmeras foram as iniciativas: como um protótipo de campeonato entre as equipes mais fortes do Rio de Janeiro e de São Paulo, ocorrido em 1933, e, de forma mais ambiciosa, uma tentativa de realizar um “campeonato brasileiro” em 1937, que acabou em frustração e descontinuidade, ao pisar em uma realidade ainda cinzenta entre profissionalismo e amadorismo.</p><p>Anos de maturidade foram necessários para que em 1950 o torneio Rio-São Paulo se tornasse uma realidade rotineira e de suma importância para as principais equipes nacionais. O torneio daria um gás necessário para que o futebol começasse a se nacionalizar e, mesmo com o trauma do “Maracanazo”, a Copa de 1950 ajudou a consolidar logística e infraestrutura essenciais para que começassem planos para torneios interestaduais não amistosos, além de fortalecer o papel da CBD como entidade organizadora. Nos anos seguintes, sob o grande palco da competição, equipes como Corinthians, Botafogo, Palmeiras e Portuguesa atingiram grande prestígio em meio à era do rádio. Equipes de “fora do eixo”, como Cruzeiro, Atlético-MG, Bahia, Náutico, Internacional e Grêmio desejavam cada vez mais a possibilidade de derrotar os campeões do Rio-São Paulo, “inflamando a torcida” e representando os seus respectivos estados ao obter a alcunha de campeão nacional.</p><p>Assim, no ano de 1959, em meio a efervescência desenvolvimentista de Juscelino Kubistchek e a ambição de unir e modernizar o país, é realizada a primeira edição da Taça Brasil. A realidade é que a competição estava sendo discutida desde 1954, com seu regulamento tendo sido aprovado em 1955, contudo não foi concretizada anteriormente, pelo fato do triênio (1955–1959) já ter sido definido previamente pela CBD com foco na Copa do Mundo. Nesse sentido, acabou que o campeonato ficou marcado por ser realizado um ano depois de um marco historicamente decisivo, a conquista do primeiro título mundial pelo Brasil na Suécia. O primeiro título foi conquistado pela equipe do Bahia, uma relativa surpresa, pois o time de fora do eixo ganhou do Santos, um time fortíssimo, decisivo para a equipe campeã mundial, e que contava com a maior promessa (e futuro maior jogador) do futebol brasileiro, Pelé. Vale lembrar que, pelas limitações logísticas do período e das proporções continentais do país, o campeonato contou com participantes que jogaram uma quantidade significativamente menor de jogos do que outros (o Bahia, por exemplo, disputou 14 partidas, o Santos disputou “só” 5).</p><p>A Taça Brasil se tornaria um sucesso popular, ainda mais com o bicampeonato em 1962 e a consolidação de Pelé, Garrincha, Carlos Alberto e os campeões como ídolos e heróis nacionais. O nacionalismo, muito presente na 4ª república, se misturaria com o desenvolvimento tecnológico e industrial dos meios de comunicação de massa, espalhando o esporte para as mais diferentes camadas e segmentos da sociedade. O futebol, que já era o principal esporte do país, se cristalizou em meio a identidade do que era ser brasileiro. O Santos, mega vitorioso, derrotou os argentinos e uruguaios na Copa Libertadores e partiu em ambiciosas excursões europeias, onde triunfou sobre as principais equipes europeias e se consagrou campeão mundial; o Palmeiras revelou jogadores lendários, lotou estádios e expandiu sua Academia para muito além das fronteiras do Brás; o antigo Palestra Itália de Minas Gerais, agora com o nome de Cruzeiro, saiu vitorioso sobre o até então imbatível Santos, trouxe a taça para o que se tornaria o “templo” do futebol mineiro, o recém inaugurado Mineirão, e adotou uma gestão esportiva pioneira e bem-sucedida, se “espalhando” exponencialmente pelo interior das Minas Gerais de uma forma tão marcante que sua torcida ganharia o icônico apelido de “China Azul”. Contudo, apesar da Taça Brasil ter solidificado muitas das equipes do atual G-12, cortado barreiras entre as capitais e o interior e entre os campeões estaduais, a parte administrativa fora um completo caos, resultando na criação do Torneio Roberto Gomes Pedrosa em 1967 (fato pelo qual o Palmeiras foi considerado campeão brasileiro duas vezes no mesmo ano). O folclórico Botafogo de 1968, por exemplo, ganhou o campeonato apelidado de “Robertão”, enquanto o Santos foi campeão brasileiro pela Taça de Prata, (sucessora da Taça Brasil) no mesmo ano.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/944/1*2I5ANnOrJnJudWGSoh32dg.png" /><figcaption>(Partida entre Santos e Cruzeiro, final da Taça Brasil de 1966)</figcaption></figure><p>Sendo assim, após a seleção mágica de 1970 e o triunfo heróico no México, era necessário regulamentar melhor a situação. A revista Placar também fez intensa campanha para a mudança regulamentar e a criação do chamado Campeonato Nacional. Nesse sentido, o governo militar, aliando esses anseios e a necessidade de usar o esporte como “pão e circo” para os abusos autoritários da ditadura, criou, em 1971, uma edição que seria por muito tempo reconhecida como o primeiro campeonato nacional oficial, conquistado pelo Atlético-MG de Telê Santana e o “passo inicial” para a era moderna do futebol brasileiro. As disputas intensas continuaram e em certos momentos, como em 1987, geraram interpretações diferentes sobre quem foi o campeão; contudo, é inegável que o campeonato de 1971 foi um divisor de águas para a regularização do esporte.</p><p>Nesse tempo, com a euforia de uma realidade nos campeonatos nacionais e a conquista da Copa de 1970, os jogadores estavam se tornando verdadeiras estrelas populares. No entanto, é importante destacar o “populares” como adjetivo, afinal o estilo de vida destes atletas era radicalmente diferente dos “superstars” e multimilionários que jogam, hoje, nas principais equipes da Série A. Estavam longe de serem só “mais um”, ou de terem que aceitar qualquer trabalho que vissem, como na época do amadorismo; contudo esses ainda eram, em grande maioria, ícones da comunidade, protagonistas locais, com o intenso contato com a população. Eles podiam comprar casas, ajudar a família e ter uma vida confortável e, em casos de maior prestígio, viverem certos luxos, no entanto, esse contexto nem se compara aos de grandes atletas dos dias de hoje, que, em meio a realidade das redes sociais e do enriquecimento exponencial do esporte de modo geral, ganham salários equivalentes a de grandes executivos nas maiores corporações do Brasil. A “marra” deixou de ser desafiar abertamente o oponente e virou sinônimo, muitas das vezes, de ignorar seus próprios fãs.</p><p>O esporte que nasceu entre “gentlemans” e suas finas regras acabou por sucumbir aos anseios de uma maioria incomensurável. No entanto, esse mesmo futebol que havia se expandido e se tornado parte integral da identidade brasileira passou a se reorganizar sob um novo elitismo, cada vez mais distante da realidade cotidiana. Aquilo que outrora foi “do povo, para o povo” hoje se apresenta em um cenário que relembra sua infância nacional, só que agora muito mais comercial, midiático e competitivo.</p><p><strong>Estilo de vida incompatíveis : O torcedor e o jogador de futebol</strong></p><p>Carros do ano, últimos lançamentos das marcas, mansões e festas exclusivas fazem parte da imagem de muitos jogadores profissionais que, na atualidade, estão mais próximos de celebridades da mídia do que de representantes do esporte que um dia foi um ambiente de pertencimento. A classe trabalhadora, que é a grande massa consumidora do futebol, está distante dessa vivência de luxo e perde um pouco da identificação que deveria estar presente na função social do esporte. Jogadores famosos que estão no topo da pirâmide financeira mundial com seus salários altos, são protagonistas de escândalos públicos e não estão nem perto da realidade do consumidor médio de futebol, mostrando que o esporte que um dia se consolidou como forma de unir numa só identidade o povo brasileiro já não se mostra tão próximo dos seus entusiastas.</p><p>Mas essa diferença de padrões de vida não existe há muito tempo? Em partes. O estilo de vida luxuoso dos jogadores não é recente e talvez seja mais antigo do que imaginamos, mas com a quantidade de meios midiáticos que transmitem informação na contemporaneidade, a maioria dessas ações não passa despercebida. Partindo do princípio de que as redes sociais possuem um papel importante na sociedade atual e de que, com um telefone celular, todos nós somos micro-meios de comunicação ambulantes, o contato com o estilo de vida incompatível dos jogadores de futebol profissional se torna uma das principais partes da imagem pública dos atletas.</p><p>A discussão não é se os salários dos jogadores profissionais são ou não justos e nem se deve existir um padrão de vida menos extravagante. O que se discute aqui é o quanto esse estilo de vida está distante e promove uma separação cada vez maior do jogador com o torcedor. Jogadores que são flagrados em festas da elite ou ostentando novos carros enquanto seus respectivos times passam por fases complicadas no cenário futebolístico dão a sensação de desinteresse, como se entrar em campo e ter um contrato assinado fossem as únicas coisas que compõem um jogador profissional. Esse tipo de comportamento fere a tradição e mostra que, muitas vezes, o time que para muitos torcedores é uma das partes mais importantes da vida, pode estar sendo usado de alavanca para crescimento financeiro e visibilidade individual, para posteriormente chamar a atenção de um degrau novo na carreira, muitas vezes nos salários milionários e na atenção midiática do futebol europeu.</p><p>Tudo isso cria uma imagem de um esporte que funciona apenas por meio das lógicas de mercado, que não dá mais o devido valor à paixão pelo clube nem ao fervor da torcida, que é resumida a meramente um grupo de consumidores do produto futebol. Jogadores que parecem não possuir nenhuma relação afetiva com o clube e sim com a alta remuneração, mostram que a elitização do futebol também está dentro dos próprios elencos, diretorias etc, tudo resultando num mesmo retrocesso: a transformação do futebol em um esporte para o consumo da elite e programado para ser jogado também por futuros membros dela, que, ao entrarem no futebol com a esperança da mudança de vida, mudam sim de status, mas muitas vezes também se tornam parte da engrenagem que elitiza o esporte e distância o torcedor médio de ter contato com ele.</p><p><strong>Ex-porte do povo: Do esporte popular ao espetáculo.</strong></p><p>Como comentado acima, o futebol, que em determinado momento foi apropriado pelas classes populares e se consolidou como um “esporte do povo”, passou, nas últimas décadas, por transformações significativas que o distanciaram dessa condição.</p><p>Nas últimas décadas, entretanto, houve avanços tecnológicos, como a televisão por satélite e a internet, transformando o que era um encontro local entre uma comunidade em um produto midiático de alcance global. Hoje, campeonatos são vendidos em pacotes comerciais, clubes se posicionam como grandes marcas e o torcedor passou a ser visto, antes de tudo, como consumidor. Essa lógica de mercado remodelou e mercantilizou o futebol brasileiro, estabelecendo um contraste nítido entre o futebol de várzea, visto atualmente como um remanescente daquela expressão social de pertencimento e o espetáculo completo, em que cada partida possui o objetivo de gerar bilheteria, patrocínios e receitas diversas.</p><p>Como comentado acima, observa-se uma gradual elitização do futebol, processo que encarece a prática de torcer nos estádios e restringe o acesso das camadas populares, transformando a experiência em privilégio de quem pode arcar com os altos custos.</p><p><strong>Clubes de futebol como marcas de luxo</strong></p><p>Pagando mais caro para viver o esporte</p><p>Com a visibilidade conquistada pelo futebol, o valor dos patrocínios atingiu patamares cada vez maiores. Camisas estampadas com marcas de grandes empresas representam uma de suas principais fontes de receita, mas não se limitam a isso: estádios hoje operam saturados de possibilidades de lucro, que vão desde cadeiras premium e naming rights até camarotes luxuosos. Esses espaços VIP oferecem entretenimento diferenciado, como música ao vivo e buffet gourmet, criando experiências “premium” para quem pode pagar.</p><p>Na ponta do consumo, quem deseja viver o futebol plenamente assume custos exorbitantes. Uma camisa oficial chega a custar mais de R$ 300 nos canais oficiais: não raro, entre R$ 209 e R$ 370, com a média girando em torno de R$ 301 para os vinte clubes da Série A. Além disso, planos de sócio-torcedor chegam a R$ 320 mensais no patamar Diamante de alguns clubes, como o Santos Futebol Clube, garantindo aos “associados” vantagens como compra antecipada de ingressos e acesso a conteúdos exclusivos. Nesse contexto, torcedores de baixa renda são condenados a recorrer a produtos falsificados ou a abrir mão de ir ao estádio.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/581/1*EIaLlrjtH0r5zWk8QH6W9w.png" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/758/1*cJ1yhMCaR7EML4UzwyBNFA.png" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/755/1*w1oPZlGV167pOK8f7xb-wA.png" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/752/1*Dti7MAs1oaeIHicyc1RzSg.png" /><figcaption>(Planos de sócio torcedores dos 4 grandes clubes de São Paulo: preços e benefícios)</figcaption></figure><p>Ademais, o show do intervalo, popularizado principalmente pelo Super Bowl, jogo anual da principal liga de futebol americano, passou a ser entendido como elemento essencial para transformar uma partida em espetáculo completo. No futebol brasileiro, isso se traduziu na incorporação de apresentações musicais, performances artísticas e efeitos visuais durante o intervalo, além de outras ações de entretenimento (como sorteios e promoções).</p><p>Esse acréscimo de atrações reforça a ideia de que ir ao estádio deixou de ser apenas assistir a 90 minutos de jogo: tornou-se uma experiência de lazer e consumo, em que o torcedor busca não somente o resultado esportivo, mas também momentos de entretenimento, convivência social e sensação de exclusividade. Assim, o futebol, ao adotar o show do intervalo, consolida sua transformação em produto midiático e de diversão, mudando a percepção sobre o que significa apenas “ir ao estádio”.</p><p><strong>Camisas virando moda</strong></p><p>Externamente, observamos fenômenos como a parceria entre Paris Saint-Germain e a Jordan, que transformou o PSG em ícone do streetwear, aparecendo inclusive na Paris Fashion Week. No Brasil, a diversificação de produtos se expande: hoje, não existem apenas itens para uso em campo, mas também blusas, bonés e coleções que permitem ao torcedor inserir símbolos do clube no cotidiano. Para alguns, a camisa deixou de representar apenas identidade e tornou-se artigo de ostentação ou de coleção.</p><p>Marcas de luxo internacionais reforçam essa tendência: a Giorgio Armani já criou a linha esportiva EA7, e desde 2015 produz uniformes de alto padrão para clubes como o Bayern de Munique. Na temporada 2021/22, a mesma Armani abasteceu o Napoli com uniformes — pela primeira vez, a grife forneceu material esportivo para a prática profissional. Além disso, as “camisetas clássicas”, comercializadas como modelos de camisa de temporadas anteriores, despertam interesse por não apenas por carregar memória afetiva de partidas históricas, conquistas marcantes ou fases especiais de um clube, mas, principalmente, levam consigo uma estética única, remetendo a um “estilo cult” por aqueles que colecionam. Colecionadores buscam exemplares usados em jogos decisivos, edições comemorativas ou modelos assinados por jogadores, valorizando neles a conexão pessoal com o time e o momento esportivo. Essa demanda por itens raros ou de edição limitada faz com que a procura supere a oferta, elevando os preços no mercado secundário. Assim, quanto mais rara e significativa for a camisa para a história do clube ou para o torcedor, maior será seu valor comercial.</p><p>À medida que as camisas passam a ser vistas como peças de moda ou objetos de coleção, a motivação de compra desloca-se da identificação com o clube para o desejo de exclusividade e status. Em vez de vestir a camisa para expressar pertença à torcida, muitos consumidores adquirem edições limitadas ou colaborações de grife com fins estéticos ou de investimento.</p><p>Esse processo reduz a conexão emocional genuína: a “torcida” deixa de ser um sentimento compartilhado na arquibancada e se fragmenta em públicos distintos — os que compram para apoiar e os que compram para exibir. Quando o valor da camisa está mais associado ao seu caráter fashion ou ao seu preço de revenda do que à história do clube, perde-se a sensação de pertencimento coletivo, aproximando-se de uma dinâmica nos autênticos servem apenas como mercadoria.</p><p>Em resumo, a mercantilização e o encarecimento das camisas, ao torná-las símbolos de moda e colecionismo, criam uma barreira que afasta parte dos torcedores de sua relação afetiva original com o clube.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/944/1*2d1iiyKL6k9mYc4-tI7e4A.png" /></figure><p><strong>Motivos para os preços altos no Brasil</strong></p><p>No Brasil, a tributação estadual pode chegar a cerca de 35% do valor final de cada peça, elevando substancialmente o custo ao consumidor. Além disso, despesas com logística, produção e medidas de combate à pirataria (como autenticação e selos de segurança) encarecem ainda mais o preço das camisas oficiais. As fornecedoras, por sua vez, passaram a tratar determinados modelos como itens de coleção, o que estimula a compra mesmo diante de valores elevados, pois há um público disposto a pagar por edições limitadas ou peças comemorativas.</p><p>Além disso, os preços elevados na Europa indicam que, mesmo em mercados de maior poder aquisitivo e com ampla oferta, a demanda por camisas oficiais permanece alta.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/380/1*fUqnQ8bkZtno4-SnZlxgSg.png" /><figcaption>Site do PSG ($111,00 = R$625,85)</figcaption></figure><p><strong>. Streaming e acesso restrito às transmissões</strong></p><p>O acesso ao futebol ao vivo, seja no estádio ou pela TV, hoje está condicionado ao alto poder aquisitivo. Considerando-se, por exemplo, o custo anual de acompanhar um clube como o Corinthians em todas as competições, muitos torcedores encontram-se impedidos de arcar com as despesas. Para driblar esse obstáculo, recorrem a transmissões informais, muitas vezes ilícitas, pois a televisão aberta cedeu espaço a plataformas de streaming pagas e canais por assinatura.<br> O torcedor precisa subscrever diversos serviços para acompanhar a maioria dos jogos: Globo, ESPN/Fox, TNT/Space, SporTV, Premiere, Conmebol TV, HBO Max, Disney+, DAZN, Amazon Prime Video e Paramount+. Ao fragmentar o acesso, restringe-se o direito ao entretenimento e reforça-se o crescimento da pirataria esportiva. Quem não dispõe de recursos para abraçar tantas assinaturas ou não domina a tecnologia digital simplesmente fica de fora, ampliando a exclusão e a distância entre as camadas sociais em relação ao futebol.</p><p>O aumento dos custos de acesso ao futebol oficial estimula a expansão da pirataria esportiva, já que muitos torcedores recorrem a transmissões informais para acompanhar os jogos. Essas “telas inclinadas” não apenas violam direitos autorais, como frequentemente veiculam golpes — pedem doações para manter as transmissões de pé e frequentemente anunciam sorteios no PIX, que nunca ocorrem de fato. Além disso, a exigência de conhecimentos tecnológicos e de equipamentos adequados para acessar plataformas de streaming licenciadas exclui aqueles que não dispõem de recursos ou habilidades digitais.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/533/1*EEWm5gPcuyLGN1BeqvuByA.png" /></figure><p><strong>Caso São Januário</strong></p><p><strong>Contexto:</strong></p><p>Após o empate sem gols na partida entre Vasco e Goiás pelo campeonato brasileiro de 2023, torcedores vascaínos atiram objetos no gramado e um confronto entre esses torcedores e a polícia foi gerado. Por conta disso, a equipe vascaína foi condenada, inicialmente, a fechar o estádio por 30 dias, porém após o Ministério Público receber o relatório do juiz Marcello Rubioli, que estava de plantão no local do jogo, a punição foi alterada e o estádio só abriria novamente quando medidas de segurança fossem cumpridas pela equipe. Isso, resultou em 90 dias sem receber público em São Januário.</p><p><strong>Relatório do Marcello Rubioli:</strong></p><p>“Para contextualizar a total falta de condições de operação do local, partindo da área externa à interna, vê-se que todo o complexo é cercado pela comunidade da barreira do vasco, de onde houve comumente estampidos de disparos de armas de fogo oriundos do tráfico de drogas lá instalado o que gera clima de insegurança para chegar e sair do estádio. São ruas estreitas, sem área de escape, que sempre ficam lotadas de torcedores se embriagando antes de entrar no estádio.”</p><p>“<strong>Polêmica”:</strong></p><p>A polêmica do caso entra nas justificativas utilizadas para o julgamento, evidenciando o e a disparidade de tratamento nas justificativas utilizadas nele, apontadas pela própria equipe do Vasco da Gama como seletivas e discriminatórias.</p><p>Ao analisar a fala do juiz, é possível perceber o viés preconceituoso e discriminatório que ele estabelece em sua fala. Principalmente, quando ele generaliza a comunidade da Barreira do Vasco à violência e tráfico de drogas. Esse aspecto foi denunciado pelo próprio Vasco da Gama e pela Associação de Moradores da Barreira do Vasco em um depoimento feito pela presidente da associação e em uma carta oficial feita por eles.</p><p><strong>Depoimento e Carta:</strong></p><p><strong>Vania Rodrigues</strong>, presidente da Associação de Moradores da Barreira do Vasco, destacou:</p><p>“Moro aqui desde que nasci e o que eu posso falar da minha favela, que é uma favela de paz. Eu faço um apelo para não colocarem um rótulo de uma favela perigosa, que oferece perigo ao ponto de proibir jogos no estádio, até porque a Barreira do Vasco está junto com São Januário, uma é o elo da outra e assim vamos caminhar juntos. Impactou a todos. Famílias estão sofrendo. Estamos sendo punidos por uma coisa que nós não somos.”</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/942/1*o82o9BRqSJeFS3lO4KLkZg.png" /><figcaption>Carta Oficial da Associação de Moradores da Barreira do Vasco</figcaption></figure><p>Destaca-se nessa carta o repúdio da comunidade às manifestações elitistas e discriminatórias que associam a Barreira à violência. Os moradores reafirmam a pacificidade do local, a convivência histórica com o estádio e, sobretudo, a importância do São Januário como parte constitutiva de sua identidade. Tal vínculo remete ao papel do futebol de várzea, discutido anteriormente, que sempre funcionou como espaço de sociabilidade, pertencimento e resistência cultural. Assim, o estádio transcende a função de arena esportiva e se consolida como símbolo da memória coletiva, integrando práticas e valores que estruturam a vida comunitária.</p><p><strong>Comparação:</strong></p><p><strong>Santos:</strong></p><p>Em 21 de junho, véspera de Vasco x Goiás, o Santos perdeu para o Corinthians por 2 a 0, na Vila Belmiro, em partida que não terminou, uma vez que foi interrompida depois de a torcida santista atirar fogos no gramado.</p><p>Nesse caso, o Santos foi punido, primeiramente, por oito jogos sem torcida, porém a pena foi reduzida para três jogos e o clube voltou a receber torcedores após, aproximadamente 30 dias.</p><p>Essa situação é muito semelhante com a analisada, pois, além de tratar de um caso de violência gerado por torcedores, a Vila Belmiro se assemelha muito a São Januário por ser um estádio popular e de menor estrutura. Apesar da situação muito parecida, os julgamentos foram totalmente diferentes, enquanto Santos foi punido apenas pelos acontecimentos em relação à sua torcida e ainda teve sua pena reduzida, o Vasco teve sua punição prolongada devido a fatores externos, vistos de forma destorcida, e a estrutura do estádio.</p><p><strong>Atlético Mineiro:</strong></p><p>No jogo entre Atlético-MG e Flamengo pela final da Copa do Brasil de 2024, na Arena MRV, O Atlético foi denunciado por arremesso de bombas ao gramado, invasão de torcedores, tentativa de invasão e uso de lasers no goleiro adversário. Essas ações geraram para o clube uma punição de apenas três jogos.</p><p>Esse caso também trata da violência de torcedores, porém difere-se em relação à estrutura do estádio. Partindo do ponto de violência de torcedores o caso é mesmo, no entanto a punição é, novamente, menor em relação a recebida pelo Vasco.</p><p><strong>Conclusão:</strong></p><p>Portanto, nota-se a crescente elitização do futebol brasileiro, evidenciada pela disparidade no tratamento dado a estádios como São Januário, Vila Belmiro e Arena MRV. Enquanto o clube carioca sofreu punições mais severas, associadas de forma preconceituosa à comunidade da Barreira do Vasco, outras equipes tiveram sanções mais brandas, ainda que em situações semelhantes. Essa assimetria revela como a localização e o perfil social do entorno dos estádios influenciam nas decisões, reforçando a exclusão de determinadas parcelas da torcida. Esse mesmo processo de seletividade, que distingue quem pode ou não ocupar certos espaços, também se manifesta no progressivo encarecimento dos ingressos, tema central para compreender a elitização da experiência de ir ao estádio.</p><p>Destaca-se nessa carta o repúdio da comunidade às manifestações elitistas e discriminatórias que associam a Barreira à violência. Os moradores reafirmam a pacificidade do local, a convivência histórica com o estádio e, sobretudo, a importância do São Januário como parte constitutiva de sua identidade. Tal vínculo remete ao papel do futebol de várzea, discutido anteriormente, que sempre funcionou como espaço de sociabilidade, pertencimento e resistência cultural. Assim, o estádio transcende a função de arena esportiva e se consolida como símbolo da memória coletiva, integrando práticas e valores que estruturam a vida comunitária.</p><p><strong>Comparação:</strong></p><p><strong>Santos:</strong></p><p>Em 21 de junho, véspera de Vasco x Goiás, o Santos perdeu para o Corinthians por 2 a 0, na Vila Belmiro, em partida que não terminou, uma vez que foi interrompida depois de a torcida santista atirar fogos no gramado.</p><p>Nesse caso, o Santos foi punido, primeiramente, por oito jogos sem torcida, porém a pena foi reduzida para três jogos e o clube voltou a receber torcedores após, aproximadamente 30 dias.</p><p>Essa situação é muito semelhante com a analisada, pois, além de tratar de um caso de violência gerado por torcedores, a Vila Belmiro se assemelha muito a São Januário por ser um estádio popular e de menor estrutura. Apesar da situação muito parecida, os julgamentos foram totalmente diferentes, enquanto Santos foi punido apenas pelos acontecimentos em relação à sua torcida e ainda teve sua pena reduzida, o Vasco teve sua punição prolongada devido a fatores externos, vistos de forma destorcida, e a estrutura do estádio.</p><p><strong>Variação do preço dos ingressos de futebol no país</strong></p><p>A elitização do esporte mais praticado no mundo tem, sem dúvidas, impactos irreversíveis. Dentre os diversos aspectos que envolvem essa fase de transformação pela qual o futebol passa, é inevitável falar do preço a que os atuais ingressos são vendidos no país.</p><p>Conhecido por ser o “país do futebol”, o Brasil tem apresentado uma frequência cada vez maior de limitações no acesso aos estádios — e os preços, nesse sentido, têm papel fundamental nessa restrição pela qual o torcedor passa. Dessa forma, é possível observar como o preço dos ingressos disparou nos últimos tempos, de forma que jogos importantes, como finais, possuem uma cobrança muito superior se comparada a grandes jogos do passado.</p><p>Vários são os motivos que explicam esse visível aumento no preço dos ingressos. Dentre eles, pode-se dar destaque à mudança referente ao que o ato de ir a um estádio de futebol representa. Tratava-se, antigamente, de um momento para expressar sua torcida e apoio à equipe, como uma forma de viver o futebol cada vez mais perto. Entretanto, hoje essa atividade não se restringe apenas a isso mais. Os clubes e estádios, percebendo o poder dessa ida ao estádios dentro do mundo dos negócios, optam por transformar esse apoio à equipe em uma forma de entretenimento e em um verdadeiro espetáculo — o qual pode, e de fato é, cobrado. Pensando nisso, são vistos os incessantes investimentos em manutenção, segurança e serviços, para que a experiência dos torcedores durante os jogos seja completa. Esse ano de 2025 trouxe como pauta, também, a questão da biometria enquanto tecnologia para ingresso nos estádios , o que apenas corrobora esse posicionamento dos agentes por trás do campo.</p><p>Além dessa visão exibicionista do esporte, outro ponto de destaque no preço atual de um bilhete é o impacto provocado pela Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil. Com a multidão que se dirigia ao país e relevância incomparável do campeonato, diversos estádios nacionais foram reformados para atender àquela demanda que se iniciava em junho de 2014. Apesar de belos e compatíveis com uma experiência de Copa do Mundo, os novos estádios precisavam de receita suficiente para cobrir os custos de uma reforma daquela proporção. O resultado? Um aumento de 119% no preço dos ingressos em novas arenas, quando comparado ao de arenas antigas — é o que aponta a reportagem de Ciro Barros e Giulia Afiune para a revista Pública.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/944/1*eDxcGhBkTo_VKXtCUpwLcg.png" /><figcaption><em>Reforma do estádio do Maracanã </em>( Foto: Ricardo Moraes/Reuters, via O Globo)</figcaption></figure><p>Essa mesma reportagem revela também os impactos sociais e culturais que esse aumento no valor do ingresso tem causado. É retratado o relato de Reinaldo, de 39 anos e flamenguista fanático — sempre ia ao estádio Maracanã para assistir aos jogos e torcer pelo seu time do coração. O caso de Reinaldo não era algo isolado. Era parte da cultura brasileira. Assim que seu filho nasceu, o torcedor rubro-negro desejava que seu filho tivesse a mesma experiência de infância, de modo que se comprometeria a levá-lo aos jogos. Havia, porém, um impasse: o preço. Essas reformas e mudanças puseram o preço dos ingressos em um nível que afastou (e ainda afasta) os torcedores mais tradicionais e fanáticos, aqueles que realmente estão lá pela sua equipe, e não pelo entretenimento que assistir a um jogo de futebol proporciona.</p><p><strong>A relação do sócio torcedor com o encarecimento</strong></p><p>Com o passar dos anos, é tendência que o que consumimos tenha seu preço aumentado, ainda que nominalmente. Entretanto, alguns reajustes passam além do que seria necessário para manter seu valor real ao longo do tempo, tal fenômeno está seriamente presente para os amantes de futebol e que sabem o quão fervente é a paixão que flui dentro do estádio do seu time de coração.<br> <br> Já não é de hoje que falamos do aumento grave nos preços de ingressos, porém um novo fator pode ser a chave para entender o motivo do aumento dos preços cada vez mais agressivos no mercado: o programa de sócio-torcedor. Após anos esperando por um resultado pujante, tudo indica que a distribuição do plano teve seu objetivo de garantir aos clubes uma renda mensal e previsível ao custo de oferecer descontos em ingressos e alguns sistemas de pontos para fidelizar seus clientes. Mas e aqueles que não conseguem garantir o valor mensal devido a insegurança financeira? Que se contentam com vindas eventuais ao estádio durante jogos acessíveis? Com o reforço no aumento de preço dos ingressos, uma tática comumente conhecida no ramo da economia vem à mente, e pode ser a chave para entender o aumento de preço, a chamada Tarifa em Duas Etapas.<br> <br> Ao considerarmos o mandante do jogo como detentor do monopólio do evento, que neste caso é a partida de futebol do seu time, podemos entender que essa pode ser uma das estratégias adotadas para ajudar a precificar os ingressos e como issoafeta a relação do estádio com o torcedor. A tarifa em duas etapas consiste em, ao identificar não só a demanda para seu objetivo mas também os diferentes perfis de consumidores, estipular um preço que se fraciona em duas partes: a parte fixa, que visa englobar o “excedente” que os torcedores estariam dispostos a pagar, que nesse caso é o valor do próprio sócio-torcedor, e uma parte variável, que é medida pelo quanto aquele serviço é consumido, que seria o ingresso vendido no dia do jogo, que por si só já possui um valor diferente daquele obtido com desconto pelo sócio-torcedor.</p><p>O problema de precificar utilizando a tarifa de duas etapas é que ,por princípio, ao dividir os diferentes tipos de clientes e seus preços de reserva, a população com menor renda — e consequentemente o menor preço de reserva — tende a sofrer mais com os preços altos cobrados para atender ao jogo. Tal mudança também significa que os estádios passam a atender melhor um perfil diferente do torcedor considerado “raiz”, e faz com que o sentido do estádio e a forma como ele é percebido pelos atendentes está propensa a se alterar.</p><p><strong>Futebol de várzea e outras manifestações populares</strong></p><p>De acordo com Santos (2018), o futebol de várzea é o futebol praticado em campos que não têm a devida estrutura dos jogos oficiais e por jogadores não-profissionais do esporte, jogado sem se ater a regras muito rígidas de organização e de forma amadora. O termo “várzea” é uma gíria que designa algo informal, sem muita estrutura e tanto apoio, seja sobre os profissionais ou sobre o campo. Entretanto, o que falta de estrutura, investimento e visibilidade no futebol de várzea, sobra de paixão e democratização do esporte.</p><p>O futebol de várzea é, dentre tantos adjetivos, uma forma transformadora de manter viva a paixão pelo esporte. A modalidade amadora é responsável por revelar talentos, ensinar as primeiras técnicas, fundar o senso de coletividade dos praticantes de futebol e criar pertencimento. O pertencimento que se vê sendo extinto nos jogos do futebol profissional existe e mantém vivo o futebol de várzea.</p><p>Nas periferias e nos campinhos, o futebol de várzea tem reunido as torcidas mais populares e íntimas que se pode imaginar: família, amigos, torcedores locais, vizinhos entre outros que comparecem à atividade como representantes do futebol afetivo, do esporte de integração, de coletividade, de raça em campo. O futebol de várzea não se rende ao espetáculo financeiro, tendo potencial de afastar jovens periféricos do crime e oferecer uma atividade que é, sobretudo, cultural. É uma resposta do público consumidor de futebol para a elitização que assola o esporte profissional.</p><p>No futebol de várzea, as torcidas repletas de torcedores cheios de afetividade e paixão pelo esporte e os jogadores, jovens que buscam exercer nos campos o fervor e a habilidade esportiva, tem estilos de vida semelhantes, muitas vezes sendo amigos pessoais, familiares e de diversos outros ciclos íntimos. O jogador não está mais distante do torcedor e a torcida é pura emoção, valorizando a capacidade das equipes e a força de pertencimento e visão de futuro que os motiva.</p><p>Também como uma maneira de retornar o futebol à sua função social de pertencimento e entretenimento popular, a CUFA (Central Única das Favelas) criou em 2012 a Taça das Favelas, um torneio de futebol que reúne jovens de comunidades para disputarem um campeonato entre favelas de todo o Brasil. Exercendo a função social da atividade esportiva, além dos jogos, a taça das favelas tem ações de integração social, oferecendo workshops sobre educação financeira e alimentação para técnicos e jogadores antes do início do campeonato.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/550/1*7tq41jdhcZvQx1zYvqT30Q.png" /></figure><p>A taça das favelas também é responsável por revelar talentos em suas partidas, como Patrick de Paula, volante revelado no torneio jogando pelo Complexo Santa Margarida e se profissionalizou futuramente no palmeiras, sendo campeão da Copa do Brasil (2020) e de duas Libertadores (2020 e 2021), atualmente jogando pelo Botafogo.</p><p>Esse tipo de iniciativa mostra que ainda pode existir um futebol que não exista em função do dinheiro, favorecendo apenas aqueles com melhor condição financeira. Mostra que o esporte ainda pode continuar com sua função social de pertencimento, que inclui e muda realidades. O consumidor de futebol que recorre a essas alternativas se depara com o futebol que não se elitizou, que é popular como forma de identidade, que entende a importância de sustentar essa posição.</p><p><strong>Conclusão:</strong></p><p>Quando em 1894 Charles Miller e seus colegas disputavam um <em>match </em>de <em>football</em> nenhum deles poderia imaginar o que um dia esse esporte se tornaria na maior nação sul-americana. O Brasil se tornaria, acima da Inglaterra, inventora do esporte, o maior campeão mundial, ganhando a alcunha de “país do futebol”. A visão externa da nação é intimamente ligada à modalidade, aos seus ídolos, como Pelé, Neymar e Ronaldinho, e às campanhas históricas da “seleção canarinho”. Os clubes, que começaram como associações de divertimento recreativo para os “notáveis”, se tornaram verdadeiras instituições dentro da realidade brasileira, desde os clubes de bairro até o “G-12”, as maiores equipes do país, que reúnem brasileiros de todas as classes, raças e ideologias dentro de suas torcidas. Seja pela pequena equipe do Globo, de Ceará-Mirim, até o Flamengo, do Rio De Janeiro, o futebol segue representando um dos maiores marcadores de identidade no Brasil.</p><p>Mas o futebol, assim como quase todas as histórias, possui seus próprios “<em>trade-offs</em>”. A profissionalização abriu portas para dezenas de milhares de jovens, a massificação midiática gerou torcidas apaixonadas, as altas receitas puderam elevar a infraestrutura e permitir mega-eventos como a Copa do Mundo. Mas, ao mesmo tempo, os ídolos, com salários cada vez mais altos, se isolam de suas torcidas, acompanhar o “clube do coração” se tornou um alto dispêndio em meio aos incontáveis serviços de assinatura, os estádios se tornam cada vez mais “experiências” de luxo. Até mesmo para se vestir uma simples camisa, uma demonstração de identificação e apreço pela equipe, se tornou um gasto considerável para a maior parte da população. A crescente discriminação entre os torcedores, o fim das “gerais”, a interdição de São Januário, a falta de isonomia, as festas, os carros caros e as roupas de grife, tudo isso é uma contribuição para o fenômeno da “elitização” do futebol.</p><p>Os mercados financeiros, a globalização e a integração digital estão em um ponto de desenvolvimento inconcebível mesmo para as mentes de 1990, imagine para os britânicos do SPAC. Holdings como o Grupo City e o modelo de SAFs trazem novas perspectivas de valor para um esporte que janela após janela de transferências quebra recordes. Se, por um lado, todo torcedor quer ver seu time cada vez mais financeiramente dominante, o quanto essa maior comercialização não limita o próprio torcedor e sua identificação com o clube? O futebol de várzea cada vez mais lembra as dicotomias entre o Corinthians do Bom Retiro, o Palestra Itália do Brás e o Paulistano do Velódromo, sendo uma expressão mais espontânea da prática esportiva. Corinthians e Palestra Itália, hoje Palmeiras, se tornaram parte integral da identidade paulista, assim como São Paulo e Santos, assim como Cruzeiro e Atlético-MG, Internacional e Grêmio, Vasco, Fluminense, Botafogo e Flamengo, se tornaram parte essencial da identidade de seus respectivos estados e, muitas vezes, para além das fronteiras estaduais. Contudo, é essencial de se considerar que foi a popularização, e não a realidade elitizada do início, que permitiu isso. Portanto, gerenciar a fina balança entre a necessidade de estar cada vez mais competitivo em um esporte cada vez mais valioso, e estar presente para quem realmente ama o clube, os torcedores, é, além de muitas vezes uma questão de ética e solidariedade humana, gerenciar uma das mais importantes facetas culturais do Brasil.</p><p><strong>Referências:</strong></p><p>Gambeta, W. R. (s.d.). A bola rolou: o velódromo paulista e os espetáculos de futebol (1895/1916).</p><p>Atique, Fernando, et al.</p><p>“Uma Relação Concreta: A Prática Do Futebol Em São Paulo E Os Estádios Do Parque Antarctica E Do Pacaembu.” Anais Do Museu Paulista: História E Cultura Material, vol. 23, no. 1, June 2015, pp. 91–109, <a href="https://doi.org/10.1590/1982-02672015v23n0104.">https://doi.org/10.1590/1982-02672015v23n0104.</a> Accessed 18 Jan. 2022.</p><p>Works Cited“1914–1920: Fundação Do Palestra Italia E Primeiro Título — Palmeiras.” SE Palmeiras, 2024, <a href="http://www.palmeiras.com.br/linha-do-tempo/1914-1920-fundacao-do-palestra-italia-e-primeiro-titulo/">www.palmeiras.com.br/linha-do-tempo/1914-1920-fundacao-do-palestra-italia-e-primeiro-titulo/</a>.</p><p>“Associação Atlética Das Palmeiras — Que Fim Levou? — Terceiro Tempo.” Terceiro Tempo, 2026, terceirotempo.uol.com.br/que-fim-levou/associacao-atletica-das-palmeiras-2148. Accessed 18 Feb. 2026.</p><p>“Associação Atlética São Bento — Que Fim Levou? — Terceiro Tempo.” Terceiro Tempo, 2026, terceirotempo.uol.com.br/que-fim-levou/associacao-atletica-sao-bento-2147. Accessed 18 Feb. 2026.</p><p>“CLUBE — HISTÓRIA.” Sport Club Corinthians Paulista, <a href="http://www.corinthians.com.br/clube/historia">www.corinthians.com.br/clube/historia</a>.</p><p>“Clube Atlético Ypiranga — Que Fim Levou? — Terceiro Tempo.” Terceiro Tempo, 2026, terceirotempo.uol.com.br/que-fim-levou/clube-atletico-ypiranga-1972. Accessed 18 Feb. 2026.</p><p>“Mackenzie: Mais de 125 Anos de História No Futebol.” Mackenzie.br, 2025, <a href="http://www.mackenzie.br/chancelaria/novidades-noticias/arquivo/n/a/i/mackenzie-mais-de-125-anos-de-historia-no-futebol.">www.mackenzie.br/chancelaria/novidades-noticias/arquivo/n/a/i/mackenzie-mais-de-125-anos-de-historia-no-futebol.</a> Accessed 18 Feb. 2026.</p><p>“Notícias — Museu Do Futebol.” Museu Do Futebol, 24 Mar. 2020, museudofutebol.org.br/crfb/instituicoes/480320/. Accessed 18 Feb. 2026.</p><p>“O Primeiro Campeão Do Brasil: A História Do Bahia, Vencedor Da Taça Brasil de 1959 Contra Pelé, E a Unificação Dos Títulos Brasileiros.” Uol.com.br, 29 Mar. 2020, <a href="http://www.uol.com.br/esporte/reportagens-especiais/taca-brasil-a-historia-do-bahia-campeao-brasileiro-de-1959/#page5.">www.uol.com.br/esporte/reportagens-especiais/taca-brasil-a-historia-do-bahia-campeao-brasileiro-de-1959/#page5.</a> Accessed 18 Feb. 2026.</p><p>“O Que é Resposta Histórica? Motivo de Orgulho Para Torcida, Ato Do Vasco Completa 100 Anos.” Ge, 3 Apr. 2024, <a href="http://ge.globo.com/futebol/times/vasco/noticia/2024/04/03/o-que-e-resposta-historica-motivo-de-orgulho-para-torcida-ato-do-vasco-completa-100-anos.ghtml">ge.globo.com/futebol/times/vasco/noticia/2024/04/03/o-que-e-resposta-historica-motivo-de-orgulho-para-torcida-ato-do-vasco-completa-100-anos.ghtml</a>.</p><p>“O Verdadeiro Nome Do Palestra.” SE Palmeiras, 9 Feb. 2011,www.palmeiras.com.br/noticias/o-verdadeiro-nome-do-palestra/.PAULO, VEJA SÃO.</p><p>“Corinthians: Como Tudo Começou.” VEJA SÃO PAULO, May 2010, vejasp.abril.com.br/cidades/corinthians-como-tudo-comecou/. Accessed 18 Feb. 2026.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=763442763083" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Da MLB ao Brasil: uma análise do beisebol contemporâneo]]></title>
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            <category><![CDATA[mlb]]></category>
            <category><![CDATA[esporte]]></category>
            <category><![CDATA[baseball]]></category>
            <category><![CDATA[gestão-esportiva]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[FEA Sports Business]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 19 May 2025 20:22:31 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-05-19T20:22:31.365Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>Apesar de ainda ser pouco praticado no Brasil, o beisebol é um dos esportes mais populares e lucrativos do mundo. Neste texto, a FEA Sports Business explora como ele se consolidou nos Estados Unidos com a poderosa MLB, sua expansão para países asiáticos e latino-americanos, e como, aos poucos, vem ganhando espaço por aqui — que, apesar de nichado, está ganhando destaque com feitos inéditos.</h4><p><em>Por Caio Nishiye e Júlia Seith</em></p><p>O Beisebol, esporte tradicionalmente associado aos Estados Unidos, é um dos esportes mais populares e economicamente potentes do mundo, com a Major League Baseball sendo sua representante global. Desde seu início, a MLB tem se consolidado como gigantesco empreendimento esportivo, atraindo milhões de espectadores e gerando bilhões de dólares anualmente. A MLB — liga de beisebol americana e canadense — surge no ano de 1903, quando a liga nacional e a liga americana unem-se para atuar em conjunto.</p><p>Após anos de desenvolvimento e expansão, a MLB, atualmente, é composta por 30 times (sendo 29 americanos e 1 canadense) e dividida em duas conferências. Cada conferência é subdividida em três divisões: Leste, Central e Oeste. A temporada regular da MLB começa, normalmente, no final de março ou início de abril e se encerra no final de outubro, com cada equipe disputando 162 partidas. Número extremamente alto se comparado a outras ligas americanas, como por exemplo a NBA, na qual cada equipe disputa 82 jogos.</p><h3><strong>MLB por um viés econômico</strong></h3><p>De acordo com a CBS Sports, a MLB obteve um aumento de 33% de receita ao longo dos últimos dez anos, batendo o recorde de receitas da liga no ano fiscal de 2024, registrando um total de US$12,1 bilhões no ano. Essa expressiva arrecadação advém principalmente dos direitos de transmissão, dos patrocínios e da publicidade.</p><h4><strong>Direitos de Transmissão</strong></h4><p>World Series (final da MLB) de 2024, protagonizada por Los Angeles Dodgers e New York Yankees, atingiu, de acordo com dados da FOX, uma média de 15,1 milhões de espectadores, um número que não era registrado desde a final da MLB em 2017. Este fato destaca a forte atratividade televisiva da liga de beisebol americana e evidencia, ainda que de forma sutil, a intensa concorrência pelos direitos de transmissão da Major League Baseball.</p><p>Atualmente, a MLB possui contratos altamente lucrativos com emissoras de televisão. A FOX, por exemplo, contém um acordo de US$714 milhões por ano válido até 2028, já a Turner Sports possui um contrato de US$470 milhões por ano válido também até 2028.</p><h4><strong>Patrocínios e Publicidade</strong></h4><p>De acordo com o ranking da SponsorUnited, a MLB arrecadou cerca de US$1,84 bilhão com publicidades em 2024. Esse valor está associado não só a ampla e engajada audiência da MLB, mas também a exposição significativa das marcas nos jogos.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/800/0*jdgKBKCQUcIWph1X" /><figcaption><em>New York Yankees World Series 2009–787</em> ( Foto: BEADMANHERE via Flickr, 2019)</figcaption></figure><p>O relatório da PlayFly Sports, relacionado ao valor da MLB ao patrocinador e ao publicitário, indica que a maioria dos fãs ávidos dos esportes iniciam sua paixão enquanto jovens — 17 anos ou menos. Eles são 2,5 vezes mais propensos a assistir a todos os jogos da sua equipe favorita e 3 vezes mais propensos a se conectar emocionalmente com os patrocinadores do seu time e fazer uma compra de uma marca alinhada com seu time favorito. Dado isso, o relatório expõe que cerca de 70% dos fãs da MLB tornam-se seguidores da liga enquanto jovens, porcentagem maior que a da NFL que conta com 66% e da NBA que conta com 60%. Logo, os fãs da MLB são mais rentáveis às marcas do que as outras ligas americanas.</p><p>Outro aspecto que marca o valor arrecadado pela liga é a exposição das marcas nos jogos. Com 2430 partidas em uma temporada, a Major League Baseball deu às marcas maior exposição que qualquer liga, chamando assim, a atenção delas. A Nike, maior fornecedora de produtos esportivos do mundo, possui um contrato de US$1 bilhão válido até 2029 com a MLB. Além dela, outras grandes marcas também são patrocinadoras da Liga, como por exemplo, a Adobe, empresa desenvolvedora de softwares, a Budweiser, marca de cerveja, a Chevrolet, fabricante de veículos, e a MasterCard, empresa de serviços financeiros.</p><h3><strong>O Beisebol no Mundo</strong></h3><p>Embora o beisebol pareça um esporte exclusivamente praticado nos Estados Unidos devido à sua tradição, países como Japão, Coreia do Sul, Venezuela, República Dominicana, Cuba e Porto Rico também são grandes praticantes do esporte. Além de exportar inúmeros talentos para a Major League Baseball, essas nações também possuem ligas nacionais cada vez mais estruturadas e competitivas.</p><p>Atualmente, a Liga americana está repleta de jogadores estrangeiros. Na temporada de 2025, 265 atletas de 18 países diferentes vão disputar a MLB. Desses jogadores, 160 são centro-americanos, com destaque para os dominicanos que possuem 100 representantes na Liga. Além disso, vale destacar a presença de países como a Venezuela e Japão, que contam, respectivamente, com 63 e 12 jogadores na MLB. Outro ponto notável é que os dois maiores contratos da MLB pertencem a jogadores estrangeiros: o Dominicano Juan Soto, do New York Mets, e o Japonês Shohei Ohtani, do Los Angeles Dodgers. Ambos são estrelas da Liga americana e simbolizam a globalização da MLB e a valorização de talentos internacionais.</p><p>Além da clara expansão internacional da Major League Baseball, é válido ressaltar a evolução das ligas nacionais. A KBO League — Liga Coreana de Beisebol, por exemplo, fundada em 1982, vem se desenvolvendo cada vez mais. No início, a liga contava com apenas 6 equipes, atualmente há a presença de 10 times; esse aumento representa principalmente, o crescimento da popularidade do esporte no país. Além dessa expansão nacional, outro aspecto que demonstra a notoriedade e evolução do Beisebol no país asiático é a presença de grandes marcas coreanos nos nomes dos times da liga: Kia Tigers, Samsung Lions e LG Twins são exemplos dessa influência.</p><h4><strong>Shohei Ohtani</strong></h4><p>Astro do Beisebol Mundial, Shohei Ohtani, nasceu na província de Iwate no Japão e foi revelado pelo Hokkaido Nippon-Ham Fighters no qual disputou 5 temporadas (entre 2013 e 2017) na Nippon Professional Baseball — liga profissional de Beisebol Japonesa, sendo campeão na temporada de 2016 e ganhando o MVP (Most Valuable Player) da liga japonesa naquele ano. Após se destacar no beisebol japonês, Ohtani foi contratado em 2018 pelo Los Angeles Angels e, embora tenha tido um início promissor — foi eleito o novato do ano em sua temporada de estreia, o jogador japonês sofreu uma série de lesões nos dois anos seguintes, que afetaram seu rendimento.</p><p>Em meio a um período de incertezas, Ohtani volta a se destacar no ano de 2021 e chama a atenção dos Los Angeles Dodgers que oferecem um contrato de US$700 milhões (aproximadamente R$3,5 bilhões, ou quase três vezes o valor que o PSG pagou ao Barcelona para contratar o Neymar) para contar com o jogador.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*-_say_oD05CvI7CC" /><figcaption>Shohei Ohtani, jogador do Los Angeles Dodgers (Foto: Mary DeCicco/MLB Photos via Getty Images)</figcaption></figure><p>Além de ter um dos maiores contratos da MLB e do mundo, Shohei Ohtani bateu diversos recordes da MLB. O japonês atingiu a marca de 50 home runs e 50 bases roubadas em uma mesma temporada, feito nunca atingido na liga que, vale destacar, existe desde 1903. Esse recorde foi enaltecido por diversos gênios do esporte como Lebron James, estrela do Los Angeles Lakers, que, através do X, se manifestou escrevendo: “Esse cara é surreal, meu Deus!”.</p><p>Embora tenha conquistado apenas uma MLB, Ohtani já conta com três MVP’s, sendo o 2° jogador da história, ao lado de algumas lendas do esporte, com mais prêmios dessa categoria conquistados. E ainda não só conquistou prêmios na MLB, mas também levou a Seleção Japonesa, conhecida como Samurai Japan, ao terceiro título da World Baseball Classics — campeonato mundial de Beisebol — em cima dos Estados Unidos por 3 a 2, se isolando como o país com mais campeonatos mundiais conquistados.</p><h3><strong>O Beisebol no Brasil</strong></h3><p>Apesar de ser um esporte bastante popular nos Estados Unidos e em outros países como Japão, Venezuela e Cuba, o beisebol é pouquíssimo praticado no Brasil. Jorge Otsuka, ex-presidente da Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol (CBBS), estima que há em torno de 30 mil praticantes da modalidade no Brasil, sendo que, em 2021, cerca de 6.000 deles eram federados. A título de comparação, de acordo com o censo IBGE 2015, 15 milhões de pessoas responderam que a sua principal modalidade esportiva é o futebol e seus derivados (futsal e futebol de areia, por exemplo).</p><p>A principal razão está no fato de que o país já possui uma forte tradição no futebol, que domina o cenário esportivo desde o início do século XX, assim, outras modalidades encontram diversas barreiras culturais para se desenvolver. Outro fator importante é que o beisebol exige equipamentos específicos e infraestrutura adequada, como campos com dimensões padronizadas, o que limita o acesso e a prática em larga escala. No Brasil, o esporte tem maior presença em comunidades com influência japonesa, especialmente no estado de São Paulo, onde há clubes e torneios regionais organizados, mas ainda assim permanece restrito a nichos específicos.</p><h4><strong>As origens do Beisebol</strong></h4><p>Para entender melhor como o beisebol chegou ao Brasil e por que se desenvolveu de forma tão localizada, é importante olhar para as origens do esporte e seu percurso até se tornar uma modalidade global. A história do beisebol ajuda a explicar como ele se consolidou em determinadas regiões do mundo e como essas influências chegaram ao território brasileiro.</p><p>Acredita-se que o esporte sofreu influência de um antigo jogo britânico com aspecto e regras semelhantes. O <em>rounders</em> era praticado de forma similar ao beisebol moderno, com algumas diferenças como a posição das bases e o sistema de contagem de pontos, e teria sido levado aos Estados Unidos em algum momento do século XVIII. Já em meados do século XIX, Alexander Cartwright desenvolveu as atuais regras do esporte e, por conta disso, foi considerado pelo Congresso estadunidense como o inventor do beisebol, ainda que existam controvérsias.</p><p>Em 1908, os primeiros imigrantes japoneses chegaram ao Brasil e se estabeleceram no interior de São Paulo, em cidades como Bastos, Marília e Presidente Prudente. Com eles, vieram também elementos culturais, incluindo o beisebol, que era muito popular no Japão desde o final do século XIX. A prática do esporte começou como uma atividade recreativa entre os membros das comunidades nipônicas, ajudando a manter os laços culturais com sua terra natal. Com o tempo, clubes e associações esportivas foram sendo criados para organizar partidas e campeonatos, mantendo o esporte vivo dentro dessas comunidades. No entanto, o beisebol não chegou a se expandir de forma significativa para além desses grupos, permanecendo até hoje com uma base de praticantes concentrada, em sua maioria, entre descendentes de japoneses.</p><p>Além da influência japonesa, há registros que indicam que o beisebol também foi introduzido no Brasil por funcionários de empresas multinacionais, especialmente norte-americanas, no início do século XX. Com a crescente presença de empresas dos Estados Unidos no país, principalmente no setor industrial e de extração, muitos trabalhadores expatriados se instalaram em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e em regiões do interior onde havia grandes operações empresariais.</p><h4><strong>A CBBS e a Seleção Brasileira</strong></h4><p>As federações exercem um papel fundamental na organização, promoção e manutenção do esporte. A principal entidade responsável pela modalidade no Brasil é a Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol (CBBS), criada em 1990, que coordena campeonatos nacionais, treina seleções brasileiras e dá suporte às federações estaduais. Estas que são intituições essenciais para manter viva a prática do esporte, oferecendo suporte técnico, promovendo torneios regionais e investindo na formação de atletas desde as categorias de base.</p><p>Graças ao trabalho das federações, o Brasil conseguiu montar equipes competitivas para disputar torneios internacionais, como o World Baseball Classic. Além disso, elas têm buscado parcerias com escolas e clubes para ampliar o acesso ao esporte e atrair novos praticantes fora do tradicional eixo da comunidade nipo-brasileira. No entanto, o alcance dessas ações ainda é limitado devido à escassez de recursos, à falta de apoio governamental e ao baixo interesse da mídia esportiva nacional.</p><h4><strong>Campeonatos internacionais</strong></h4><p>A Seleção Brasileira de Beisebol não é considerada uma equipe tradicional na modalidade, por isso, todo e qualquer feito é bastante celebrado pela comunidade. Foi assim com a conquista da prata nos Jogos Pan-Americanos de 2023, em Santiago.</p><p>O Brasil, que não participava de uma edição dos Jogos Pan-americanos desde 2007, ganhou os três jogos da fase classificatória contra Cuba, Venezuela e a própria Colômbia e, ao enfrentar o Panamá na sequência, garantiu a vaga na final. Apesar da derrota para os colombianos na disputa pelo ouro, nada tira o mérito da equipe de ter garantido a primeira medalha do país na modalidade, um feito histórico que marca a maior conquista da história do beisebol brasileiro e se torna ainda mais impressionante quando muitos desses atletas não têm dedicação exclusiva ao esporte e precisam conciliar os treinos com sua rotina diária.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/980/0*xL1OY3SYrkHWnJ1K" /><figcaption>Seleção Brasileira de Beisebol no Pan de 2023 (Foto: Carol Coelho/Carol Coelho Images via Epics)</figcaption></figure><p>É importante destacar que a Seleção Brasileira é resultado de décadas de trabalho de uma modalidade que tem raiz na cultura japonesa e, muitas das vezes, é por conta disso que não é tão difundida no nosso país. O jornalista Ubiratan Leal comenta que “Nesse quase século de existência, dezenas de clubes formaram jogadores, que se aposentaram e se transformaram nos técnicos da geração seguinte, que também envelheceu e ajudou a preparar a seguinte, e assim por diante”. Assim, embora seja um esporte bastante nichado, o beisebol brasileiro vem superando barreiras culturais e estruturais para evoluir gradualmente e trazer realizações para o Brasil como a medalha do Pan ou como a recente classificação — segunda de toda a sua história — para a World Baseball Classic 2026, a copa do mundo de beisebol.</p><h3><strong>O Beisebol nas Olimpíadas</strong></h3><p>A história do beisebol nas olimpíadas é um tanto instável. Desde sua primeira participação nos Jogos de Estocolmo, em 1912, teve algumas aparições como esporte de demonstração e foi incluído oficialmente no programa olímpico em Barcelona 1992. A modalidade permaneceu somente até Pequim 2008, no entanto, sendo depois retirada por decisão do Comitê Olímpico Internacional. Recentemente, por conta de sua imensa popularidade no Japão, voltou a integrar os Jogos de Tóquio em 2020, mas ficou novamente de fora de Paris 2024. Em termos de participação, o Brasil ainda não conseguiu se classificar para disputar o torneio olímpico de beisebol. Apesar de avanços em categorias de base e de uma crescente profissionalização, o nível da seleção brasileira ainda está aquém das grandes potências da modalidade, como Estados Unidos, Japão e Cuba. Ainda assim, a inclusão temporária do beisebol nas Olimpíadas serve como incentivo para o fortalecimento do esporte em países onde ele é menos difundido, como é o caso do Brasil.</p><p>O beisebol, apesar de suas raízes estarem profundamente ligadas à cultura norte-americana, se mostrou um esporte de alcance e impacto globais, tanto em termos culturais quanto econômicos. A força da Major League Baseball, com seus impressionantes números de audiência, receitas publicitárias e contratos milionários, mostra como o esporte evoluiu para além do entretenimento, tornando-se uma verdadeira potência econômica. Internacionalmente, a expansão do beisebol é evidente, com a crescente presença de talentos estrangeiros e o fortalecimento de ligas locais em países como Japão e República Dominicana. No Brasil, ainda que a popularidade do esporte permaneça restrita, resultados recentes, como a classificação para a WBC, demonstram o potencial de crescimento da modalidade. Projetos de desenvolvimento, como os impulsionados pela CBBS, são fundamentais para ganhar espaço em um cenário esportivo tão competitivo. No ritmo da globalização, o beisebol segue reafirmando seu lugar como um dos esportes mais relevantes e estratégicos do mundo.</p><p><strong>Referências</strong></p><p>PODER360. <strong>MLB bate recorde com receitas de US$ 12,1 bilhões em 2024.</strong> Poder Sports MKT, 28 jan. 2025. Disponível em:<a href="https://www.poder360.com.br/poder-sportsmkt/mlb-bate-recorde-com-receitas-de-us-121-bilhoes-em-2024/"> https://www.poder360.com.br/poder-sportsmkt/mlb-bate-recorde-com-receitas-de-us-121-bilhoes-em-2024/</a>. Acesso em: 26 abr. 2025.</p><p>SPONSORUNITED. <strong>MLB Marketing Partnerships 2024 Report.</strong> Stamford, CT: SponsorUnited, 24 out. 2024. Disponível em:<a href="https://www.sponsorunited.com/reports/mlb-marketing-partnerships-2024"> https://www.sponsorunited.com/reports/mlb-marketing-partnerships-2024</a>. Acesso em: 1 maio 2025.</p><p>MAJOR LEAGUE BASEBALL. <strong>Official Sponsors of Major League Baseball.</strong> MLB.com, [s.d.]. Disponível em:<a href="https://www.mlb.com/sponsorship/official-sponsors"> https://www.mlb.com/sponsorship/official-sponsors</a>. Acesso em: 1 maio 2025.</p><p>BROWN, Maury. <strong>Groundbreaking report on MLB shows baseball’s incredible value for advertisers.</strong> Forbes, 17 ago. 2023. Disponível em:<a href="https://www.forbes.com/sites/maurybrown/2023/08/17/groundbreaking-report-on-mlb-shows-baseballs-incredible-value-for-advertisers/"> https://www.forbes.com/sites/maurybrown/2023/08/17/groundbreaking-report-on-mlb-shows-baseballs-incredible-value-for-advertisers/</a>. Acesso em: 30 abr. 2025.</p><p>ESPN.com.br. <strong>Shohei Ohtani faz história na MLB e ‘enlouquece’ LeBron James, Magic Johnson e mais gênios do esporte.</strong> 19 set. 2024. Disponível em:<a href="https://www.espn.com.br/beisebol/mlb/artigo/_/id/14196857/shohei-ohtani-faz-historia-na-mlb-e-enlouquece-lebron-james-magic-johnson-e-mais-genios-do-esporte"> https://www.espn.com.br/beisebol/mlb/artigo/_/id/14196857/shohei-ohtani-faz-historia-na-mlb-e-enlouquece-lebron-james-magic-johnson-e-mais-genios-do-esporte</a>. Acesso em: 1 maio 2025.</p><p>NEVES, Rodrigo. <strong>A prática do Futsal e Futebol no Brasil: Números oficiais de referência.</strong> FOOTHUB, 23 de janeiro de 2024. Disponível em: <a href="https://foothub.com.br/site/a-pratica-do-futsal-e-futebol-no-brasil/.">https://foothub.com.br/site/a-pratica-do-futsal-e-futebol-no-brasil/.</a> Acesso em 28 mar. 2025.</p><p><strong>CBBS — Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol. Site oficial CBBS.</strong> Disponível em: <a href="https://cbbs.com.br/2023/10/29/medalha-de-prata-selecao-brasileira-de-beisebol-tem-conquista-historica-nos-jogos-pan-americanos-de-santiago-2023/.">https://cbbs.com.br/2023/10/29/medalha-de-prata-selecao-brasileira-de-beisebol-tem-conquista-historica-nos-jogos-pan-americanos-de-santiago-2023/.</a> Acesso em 26 de abr. 2025.</p><p>LEAL, Ubiratan. <strong>Semana MLB | O Brasil tem, sim, seleção de beisebol. </strong>ESPN, 14 de março de 2025. Disponível em: <a href="https://www.espn.com.br/beisebol/mlb/artigo/_/id/14933530/brasil-tem-selecao-beisebol.">https://www.espn.com.br/beisebol/mlb/artigo/_/id/14933530/brasil-tem-selecao-beisebol.</a></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=238ed49aa007" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Análise do mercado de transferências: 2024.2]]></title>
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            <category><![CDATA[mercado-esportivo]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[FEA Sports Business]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 19 Feb 2025 21:26:10 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-02-19T21:26:49.026Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>Por que, nas últimas temporadas, observamos a vinda de jogadores “exóticos”, como Depay e Bolasie, que outrora não veríamos no Brasil? Qual o motivo para o aumento dos gastos em contratações no nosso futebol? Essas e outras frequentes dúvidas relacionadas ao mercado de transferências brasileiro serão esclarecidas ao longo de nosso texto ao explorarmos diferentes perspectivas a respeito disso.</h4><blockquote><em>Por Caio Nishiye, Eduardo Cravo, Júlia Seith, Victor Rezende e Vitor Vieira</em></blockquote><p>Nos últimos anos, o mercado de transferências no Brasil tem se transformado e mudado o contexto e a dinâmica do futebol brasileiro. De 2019 até 2024, por exemplo, observamos um aumento expressivo dos gastos dos clubes com contratações e a vinda de jogadores vindos da Europa que antes não eram ocorrência comum e agora passaram a ser. Ainda nesse recorte temporal, vemos também a consolidação do Brasil como a grande potência do futebol sul-americano, monopolizando os títulos da Libertadores, principal campeonato interclubes do continente, e concentrando os elencos mais estrelados do continente. Mas engana-se quem associa essa transformação a apenas um fator, uma vez que se trata de um tema complexo que é afetado por diversas variáveis.</p><p>Entre as causas, podemos destacar a vinda das SAFs (Sociedades Anônimas de Futebol), que permitiram um aumento significativo nos investimentos em contratações. Além disso, uma melhora da condição econômica do país também foi relevante para ajudar os clubes financeiramente e permitir que uma maior fatia do lucro fosse destinada a reforços. Por fim, fatores geopolíticos internacionais, como sanções, guerras e crises também foram decisivos para alterar a dinâmica do futebol no Brasil. Assim, exploraremos como esses fatores interagem para moldar o mercado de transferências no Brasil e as consequências que trouxeram para o futebol nacional.</p><h3><strong>Contratações Exóticas</strong></h3><p>Nas últimas temporadas, o futebol brasileiro tem registrado um aumento expressivo na contratação de jogadores estrangeiros, um fenômeno que reflete mudanças no cenário financeiro e esportivo tanto dos clubes brasileiros quanto no futebol mundial. Após a mais recente janela de transferências, o Campeonato Brasileiro atingiu um número recorde de 131 atletas estrangeiros (incluindo nove europeus) de 18 nacionalidades diferentes atuando na Série A. Esse número é particularmente impressionante considerando que, até 2022, o máximo de jogadores europeus em uma edição do torneio era de três atletas.</p><p>A mudança mais óbvia que pode ter causado esse aumento repentino é a recente decisão, de março de 2024, em que as equipes da primeira divisão aprovaram, de forma unânime, o limite de nove jogadores estrangeiros relacionados para uma partida de competições nacionais. Vale ressaltar que em 2023, os clubes já tinham votado um aumento de cinco para sete atletas.</p><p>Entre as recentes contratações, a que mais repercutiu foi a do neerlandês Memphis Depay, com passagens por Barcelona e Atlético de Madrid, que desembarcou em São Paulo para assinar um contrato de dois anos com o Corinthians. Não é incomum que jogadores de sucesso venham para o Brasil, no entanto, a grande maioria dos casos são daqueles que vêm encerrar as carreiras em seus clubes formadores. O caso de Depay gerou discussões sobre o que fez um jogador de apenas 30 anos sair de uma das melhores ligas de futebol do mundo para assinar com um clube brigando contra o rebaixamento.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*McVfRfINzth7S1B3" /><figcaption>Apresentação de Memphis Depay no Corinthians. Foto: Jairo Nascimento/CNN</figcaption></figure><p>Em um histórico recente, pode-se considerar que, com a chegada de Jorge Jesus e o sucesso do Flamengo em 2019, os clubes brasileiros começaram a ver técnicos estrangeiros (principalmente os portugueses) com outros olhos e, nas temporadas seguintes, mais nomes surgiram no cenário nacional como Luís Castro e Abel Ferreira. Essa nova realidade pode ter contribuído para aumentar a confiança de jogadores europeus ao apostarem no futebol nacional. Mas, provavelmente, o principal motivo que tem trazido atletas de renome ao país seja a mudança no modelo de gestão de alguns clubes, que deixaram de ser uma associação sem fins lucrativos para se tornar uma Sociedade Anônima de Futebol (SAF), pois possibilitou o crescimento das receitas e da capacidade orçamentária, permitindo que o Brasil oferecesse salários semelhantes aos da Europa e se tornasse um mercado mais atrativo.</p><p>Além disso, alguns especialistas, como o empresário André Cury, defendem que os jogadores optam por vir ao Brasil por estarem sem mercado na Europa, mas ainda com a possibilidade de receberem salários a nível europeu. “Os jogadores que vêm para cá […] são jogadores que não tinham mais espaço na Europa e são seduzidos pelos altos salários que o Brasil pode pagar. Eles não vêm por performance esportiva, vêm por estar encerrando a carreira e ter oferta melhor do Brasil”, opina Cury.</p><p>O caso de Depay pode ser analisado dessa forma, já que o jogador estava disponível no mercado desde o fim da temporada 23–24, quando não renovou contrato com o Atlético de Madrid após dois anos em que sofreu com várias lesões. O Corinthians, a princípio, fez uma oferta de R$2,5 milhões de reais por mês e ouviu que o jogador já havia recebido propostas semelhantes de times da Espanha e Arábia Saudita, mas que tinha a intenção de permanecer na La Liga. Assim, o acordo só foi fechado após o time brasileiro aumentar a primeira proposta que agora chega a pouco mais de R$70 milhões entre salários, luvas e bonificações nos 28 meses de contrato.</p><p>A decisão de jogadores como Depay em atuar no Brasil não apenas reforça a competitividade do campeonato, mas também eleva o nível técnico das equipes. A vinda desses jogadores de renome impacta diretamente na qualidade das partidas. Porém, o que talvez seja a consequência mais expressiva é que a chegada de jogadores europeus também fortalece a marca do futebol brasileiro no cenário internacional, atraindo novos patrocinadores e aumentando a visibilidade dos torneios sul-americanos. De acordo com relatório do Corinthians, o perfil do clube na rede social Instagram registrou um aumento de 915% no engajamento apenas na segunda-feira em que Depay foi anunciado. Além disso, segundo dados do Google, a plataforma nos Países Baixos registrou um aumento de 400% nas buscas pelo clube paulista e o nome do atleta foi o segundo termo mais buscado no Brasil no período da contratação, com mais de 1 milhão de acessos. “Esse tipo de movimentação pode resultar em mais patrocínios e novas oportunidades comerciais, além de contribuir para o crescimento das receitas de bilheteiras e das vendas de produtos”, destaca Fábio Wolff, especialista em marketing esportivo.</p><p>Em contrapartida, dar espaço para jogadores mais experientes, pode resultar em menos oportunidades para os jovens da base, o que impacta a formação e o futuro do futebol brasileiro. Sendo assim, surge o questionamento se os clubes devem ou não apostar em “medalhões” europeus, cujas contratações podem ser motivadas, muitas vezes, por questões financeiras ou pela falta de espaço em suas ligas de origem, e privar os garotos da base de oportunidades nos times principais.</p><h3><strong>Economia Brasileira</strong></h3><h4><strong>Aumento de Patrocínios e Investimentos Privados (SAFs e BETs)</strong></h4><p>É fato que as Sociedades Anônimas de Futebol estão cada vez mais presentes no cenário esportivo nacional. No atual Campeonato Brasileiro, dos 20 clubes participantes, 8 deles são SAF, sendo eles: Atlético Mineiro, Bahia, Botafogo, Cruzeiro, Cuiabá, Fortaleza, Red Bull Bragantino e Vasco da Gama. Esse aumento da quantidade de SAFs resulta, principalmente, na ampliação dos investimentos nos clubes, que consequentemente influenciam os valores gastos no mercado de transferências, provocando a inflação do mercado. Dessa maneira, é possível destacar que a presença das SAFs impacta, de maneira aumentativa, o mercado de transferências no âmbito financeiro.</p><p>Esse impacto das SAFs no mercado é evidenciado quando analisamos o valor gasto dos clubes na 2ª janela de transferências de 2024, 46% do valor total foi despendido por Bahia, Botafogo e Cruzeiro, clubes que viraram SAFs recentemente. Além disso, outro ponto que evidencia esse impacto são os valores gastos em algumas contratações, o Botafogo, por exemplo, contratou o jogador argentino, Thiago Almada, por R$123 Milhões, contratação mais cara da história do futebol Brasileiro.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/984/0*OTSaZU7ddZPt7pGi.jpeg" /><figcaption>Thiago Almada com Alessandro Brito, Head Scout do Botafogo. Foto: Giba Perez/ge</figcaption></figure><p>Além da presença das SAFs, outro aspecto que influencia diretamente no mercado de transferências brasileiro é a aparição das BETs, as famosas casas de apostas, como patrocinadores dos clubes. Atualmente, dos 20 times da série A do Campeonato Brasileiro, 18 possuem casas de apostas como patrocinadores masters. Esse alto percentual indica não só a grande influência das apostas no mundo atual, mas também o poderio financeiro das casas de apostas.</p><p>Esse poderio financeiro é notado pelos valores dos patrocínios no Brasileirão, os contratos das casas de aposta, por exemplo, ultrapassam o valor de R$450 milhões anuais. Além disso, outra maneira de perceber a influência financeira das BETs é pelas contratações financiadas por elas. A contratação do atacante Holandês, Memphis Depay, que custaria R$70 Milhões ao Corinthians, terá R$57 Milhões, 81% do valor total, financiados pela casa de aposta <em>Esportes da Sorte</em> patrocinadora principal do Timão.</p><h4><strong>Inflação do Mercado de Transferências</strong></h4><p>De acordo com um levantamento anual realizado pela Ernst &amp; Young, a receita de 31 dos 40 clubes das séries A e B do Campeonato Brasileiro alcançou R$11,1 bilhões em 2023, representando um aumento de 274% entre 2014 e 2023. Esse crescimento expressivo permitiu que os clubes gastassem mais em salários e contratações, elevando os preços e gerando inflação no mercado de transferências. Na janela de 2024, os clubes da Série A gastaram mais de R$2 bilhões, o dobro do ano anterior.</p><p>A inflação no mercado prejudica principalmente clubes menores, que enfrentam dificuldades financeiras para competir por jogadores talentosos e acabam vendendo jovens promessas para equilibrar suas finanças, como é o caso do Gabriel Martinelli, onde, em 2019, o Ituano vende o atacante por R$30 milhões para o Arsenal mesmo sabendo da sua alta margem de crescimento no futebol, na qual em uma futura venda poderiam lucrar mais com o jogador. Essa realidade demonstrada não apenas aumenta o desequilíbrio esportivo, mas também concentra renda nos clubes mais ricos.</p><p>Além disso, a elevação dos preços gera maior pressão por resultados, levando a decisões precipitadas, como demissões de técnicos com pouco tempo de trabalho, o que compromete a estabilidade de longo prazo, como por exemplo é o caso do Rogério Ceni em 2019 no Cruzeiro, no qual a diretoria gastou o equivalente a R$ 80 milhões com reforços e viu o Técnico, com apenas 8 jogos, ser altamente questionado por jogadores veteranos e foi demitido com 2 meses de trabalho. Nesse mesmo ano, o Cruzeiro foi rebaixado pela primeira vez na história, marcada por uma crise financeira profunda.</p><h4><strong>Brasileirão: Segunda Liga Mais Lucrativa em Transferências</strong></h4><p>De acordo com dados recentes do Observatório do Futebol do CIES (Centro Internacional de Estudos do Esporte), o Campeonato Brasileiro se consolidou como a segunda liga mais lucrativa do mundo em transferências de jogadores na última década. Como destacado pelo estudo, os clubes brasileiros acumularam receitas de €1,49 bilhão nesse período, ficando atrás apenas da Liga Portuguesa, que lidera com €2,3 bilhões.</p><p>Esse resultado reflete uma combinação de fatores: o investimento crescente na formação de jogadores de alto nível, as estratégias de negociação de clubes nacionais e a atração de talentos estrangeiros, potencializados pelo modelo SAF (Sociedades Anônimas de Futebol). Segundo o site Poder360, a capacidade de exportar atletas e capitalizar sobre o talento local posiciona o futebol brasileiro em um patamar privilegiado no mercado global de transferências, superando ligas tradicionalmente mais ricas e organizadas.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*6Yy-Lw4dxcGU1Ys3" /><figcaption>Extraído do portal Poder360.</figcaption></figure><h4><strong>Impacto Estratégico para os Clubes</strong></h4><p>A posição destacada do Brasileirão no cenário mundial de transferências reforça a relevância das negociações internacionais como uma fonte essencial de receita para os clubes nacionais. Além disso, essa lucratividade também se traduz em investimentos significativos em contratações, como visto nas recentes janelas de transferências abordadas ao longo do texto. Estratégias bem-sucedidas como as implementadas pelo Bahia e Fortaleza, agora SAFs, demonstram como a gestão profissional pode maximizar o retorno financeiro e esportivo.</p><h4><strong>Cenário Sul-Americano</strong></h4><p>A Copa Libertadores da América, campeonato extremamente tradicional do continente sul-americano, passa por um momento extremamente inusitado. Desde 2019, apenas clubes brasileiros se sagram campeões da competição, essa hegemonia nunca havia sido vista antes.</p><p>Esse predomínio do Futebol Brasileiro em relação ao resto do futebol sul-americano é justificado pela superioridade financeira dos clubes brasileiros. Um exemplo disso é o aumento da diferença nas folhas salariais dos times brasileiros e argentinos, de acordo com a pesquisa do site Somos Fanáticos, em 2020 a diferença era de 0,6%, enquanto que 4 anos depois, em 2024, a diferença é de 52,7%. A disparidade dos salários descrita na pesquisa afeta diretamente a decisão dos jogadores, que preferem jogar em times que lhes ofereçam melhores condições financeiras. Ou seja, a predominância financeira dos clubes brasileiros influi na chegada de novos jogadores ao futebol nacional.</p><h3><strong>Geopolítica</strong></h3><h4><strong>Declínio das ligas do segundo escalão ao redor do mundo</strong></h4><p>As ligas alternativas na Europa estão perdendo força esportivamente e financeiramente, já que não apresentam times competitivos para disputas continentais e seus campeonatos nacionais não possuem um nível de competição alto se comparado ao campeonato brasileiro e aos principais campeonatos europeus. A Liga Turca, que já foi um destino cobiçado por atletas interessados em atuar por seus principais clubes, como Fenerbahçe, Besiktas e Galatasaray, hoje não possui a mesma relevância. Principalmente nos anos 2000 e 2010, esses times viveram seu auge no cenário europeu, mas por diversos fatores — políticos, econômicos e até mesmo culturais — perderam protagonismo na Europa. Nesses tempos, vários craques brasileiros eram seduzidos por times turcos: Alex, Felipe Melo, Taffarel, Elano e etc. A questão turca tem relação com a crise econômica e política que o país enfrenta há anos, não há alternância no poder Executivo da Turquia. O presidente Erdogan, que ocupa a presidência desde 2003, foi reeleito recentemente para mais um mandato. O país vive um cenário interno conturbado, após tentativas de golpe de estado fracassadas, um ambiente político que predomina o autoritarismo e fundamentalismo, e um momento econômico complicado, em que se vê sanções impostas pelos EUA, aumento da taxa de câmbio e da dívida externa. Devido a esse panorama de incertezas, muitos jogadores, antes seduzidos pelo projeto esportivo dos times, hoje já não miram a Turquia como um possível destino para sua carreira.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/640/0*2jWvw_r2zwaxE7nd.jpg" /><figcaption>Alexsandro de Souza, ídolo do Fenerbahçhe. Foto: Reprodução / Imortais do Futebol</figcaption></figure><p>De maneira geral, o declínio contínuo da Liga Turca está alinhado com crises políticas e econômicas profundas, como apontado pelo <em>Politize</em>, que destaca a alta inflação e as sanções econômicas enfrentadas pelo país. Esses fatores reduzem a capacidade de investimento dos clubes turcos e tornam o mercado menos atrativo para jogadores sul-americanos e europeus. A instabilidade política e a concentração de poder no governo atual também afetam diretamente a sustentabilidade econômica desses clubes.</p><p>Outra liga, outrora vista como um possível expoente no futebol asiático, a Liga Chinesa perdeu força no cenário mundial após diversas mudanças regulatórias e o impacto de uma crise sanitária catastrófica, a COVID-19. Similarmente, as mudanças regulatórias e os cortes nos orçamentos para contratações internacionais enfraqueceram a Liga Chinesa, segundo análise da <em>Inteligência Financeira</em>. Essas restrições afastaram investidores estrangeiros, tornando o mercado asiático menos atrativo tanto para atletas quanto para clubes que viam ali um destino lucrativo para seus jogadores.</p><h4><strong>Confronto Bélico Rússia-Ucrânia</strong></h4><p>A guerra entre Rússia e Ucrânia impactou diretamente o cenário futebolístico, enfraquecendo as Ligas Russa e Ucraniana, antes consideradas mercados de segunda prateleira na Europa. Segundo Akhras (2024), essas competições eram importantes para a formação de jovens talentos sul-americanos e africanos, mas perderam atratividade devido à instabilidade gerada pelo conflito. A Rússia, que costumava ser um destino frequente para jogadores brasileiros, viu seu mercado encolher com a desvalorização do rublo e a retração econômica, enquanto clubes como o Shakhtar Donetsk enfrentam graves dificuldades operacionais.</p><p>Essa perda de relevância é ainda mais significativa considerando que ambas ligas eram porta de entrada de talentos na Europa, pois eram campeonatos ideais para o desenvolvimento de jovens promessas, de ambientação ao mercado de futebol do velho continente e suas diferentes características se comparado ao mercado sul-americano, onde se preza mais pela obediência tática e pela construção coletiva em detrimento da individualidade. Os times ucranianos viveram seu auge no começo dos anos 2010, contratando diversos talentos brasileiros, que futuramente, seriam exportados para times e mercados de maior relevância na Europa, como foi o caso de Willian, ex-jogador do Chelsea, David Neres, talento da base do São Paulo e outras promessas. Além de conseguir a contratação desses jovens, os clubes ucranianos montavam fortes elencos para a disputa dos campeonatos europeus, como a Champions League, o que tornava ainda mais atraente a ida dos jogadores para esse mercado alternativo. Shakhtar Donetsk e Dínamo Kiev eram os principais destinos na Ucrânia, visto que esses clubes tinham presença quase que garantida nos principais torneios do continente.</p><p>A Rússia também era um mercado muito visado na Europa, considerado um campeonato alternativo para jogadores que já não despertavam o interesse de clubes das principais ligas europeias, além de jovens em sua primeira passagem pelo continente. No início dos anos 2010, era culturalmente comum que clubes russos contratassem talentos promissores da América do Sul para fortalecer seus elencos, tanto no Campeonato Russo quanto em competições continentais, como a Champions League e a Europa League. Clubes como Zenit, Spartak Moscow, CSKA, Lokomotiv Moscow e Dínamo Moscow se destacavam nesse cenário, investindo em jogadores estrangeiros para competir em alto nível. No entanto, a eclosão da guerra Rússia-Ucrânia mudou drasticamente essa dinâmica.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/900/0*12pkdagq-TKybNpP.png" /><figcaption>Jogadores brasileiros retornando ao Brasil após o início do confronto Rússia-Ucrânia. Imagem: Reprodução/Instagram.</figcaption></figure><p>Paralelamente, o Campeonato Brasileiro tem se beneficiado dessa crise geopolítica. Posicionando-se como uma alternativa mais estável e competitiva, o Brasil atrai jogadores que antes optariam por mercados europeus alternativos, como a Rússia e a Turquia. O fortalecimento das SAFs e a crescente profissionalização dos clubes brasileiros têm consolidado o país como um destino viável e promissor, tanto para talentos emergentes quanto para jogadores experientes em busca de estabilidade e competitividade esportiva.</p><p>No cenário futuro, o Brasil tem o potencial de consolidar-se como um importante hub de transição global para jogadores, impulsionado pela estabilização econômica e pela crescente profissionalização. Conforme destacado pelo relatório da <em>Inteligência Financeira</em>, clubes brasileiros podem desempenhar papel fundamental na redistribuição de talentos globais, utilizando sua posição estratégica no mercado sul-americano para atrair jogadores de ligas europeias e asiáticas em retração.</p><h4><strong>Tendências para o futuro próximo no Brasil:</strong></h4><p>A estabilidade econômica do país, aliada à consolidação das SAFs, permite que as equipes brasileiras invistam em contratações de maior impacto, aproximando o campeonato brasileiro aos padrões observados em ligas intermediárias na Europa. Essa tendência, no entanto, exige atenção redobrada para evitar desequilíbrios financeiros entre clubes grandes e de menor expressão, podendo comprometer a competitividade, uma das características mais marcantes do futebol brasileiro.</p><p>A melhoria na qualidade do Campeonato Brasileiro e a visibilidade internacional conquistada em competições como a Libertadores tornam o Brasil uma opção cada vez mais interessante para atletas que buscam competitividade e estabilidade, características buscadas principalmente pelos jogadores das ligas Ucraniana e Russa, como comentado previamente.</p><p>A profissionalização do scouting será uma peça-chave nesse cenário, transformando a forma como os clubes brasileiros montam seus elencos. O exemplo do Botafogo, que conseguiu partir de um time disputando a Série B para um finalista da Libertadores em poucos anos, ilustra o impacto de um departamento de análise bem estruturado, com contratações como Igor Jesus e Barboza, que chegaram gratuitamente ao clube. O uso de tecnologia avançada, dados estatísticos e inteligência de mercado permitirá aos clubes identificar talentos com potencial de retorno técnico e financeiro, reduzindo erros em contratações e aumentando a eficiência dos investimentos. Essa abordagem deve ser replicada por outros clubes que desejam se destacar em um mercado cada vez mais competitivo.</p><p>Além disso, a internacionalização do futebol brasileiro deve se intensificar, ampliando sua visibilidade e atraindo novos patrocinadores. O aumento da presença de jogadores europeus e de outros mercados fortalece a marca do Campeonato Brasileiro, gerando maior interesse por parte de investidores estrangeiros e consolidando a competição como uma das mais atrativas do mundo. Um maior cuidado por parte da CBF com a roupagem do campeonato, parcerias estratégicas com grandes empresas globais e o desenvolvimento de transmissões internacionais podem transformar o Brasileirão em um produto forte fora do país, capaz de rivalizar com as principais ligas mundiais em termos de alcance e relevância.</p><p>No cenário futuro, o Brasil tem o potencial de consolidar-se como um importante hub de transição global para jogadores, impulsionado pela estabilização econômica e pela crescente profissionalização. Conforme destacado pelo relatório da <em>Inteligência Financeira</em>, clubes brasileiros podem desempenhar papel fundamental na redistribuição de talentos globais, utilizando sua posição estratégica no mercado sul-americano para atrair jogadores de ligas europeias e asiáticas em retração.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=c80634786f52" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Skate: um estilo de vida que virou modalidade olímpica]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[FEA Sports Business]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 11 Sep 2024 22:24:09 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-09-11T22:24:09.716Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>A FEA Sports Business analisou a história dessa modalidade que fez tanto sucesso nos Jogos Olímpicos recentes e trouxe alguns pontos curiosos, atletas importantes na modalidade e como esse esporte impactou na cultura, no modo de se expressar e se vestir da sociedade mundial.</p><p><strong>Por Vitor Vieira dos Santos</strong></p><p><strong>História do Skate</strong></p><p>O skate surgiu na Califórnia, nos Estados Unidos, no final da década de 1940 e início dos anos 1950. O mais curioso do surgimento desse esporte é que a criação dele está diretamente ligada a outra modalidade bem famosa: o Surf. Há relatos que durante algumas temporadas de surf, as ondas da costa californiana não estavam tão propícias para a prática do esporte, com isso, muitos surfistas ficaram parados e sem praticar algum tipo de esporte. Surgiu então a ideia de pegar as pranchas de surf e colocar rodinhas de metal embaixo delas para “surfar” no asfalto, simulando manobras nas ruas e calçadas norte-americanas. No início de tudo, era apenas uma brincadeira entre os surfistas, algo bem rudimentar, visto que as pranchas eram enormes e as rodinhas não eram proporcionais, devido à essa falta de qualidade dos materiais usados, o<em> Skateboard</em>, nome original da modalidade, era bem perigoso nos primórdios, o equilíbrio em cima da prancha era algo bem difícil, as rodinhas não tinham a tração ideal com o asfalto, o que gerava inúmeros acidentes, e também não eram tão resistentes. Com o passar do tempo, a modalidade foi avançando, assim como a ciência também ia, portanto os materiais utilizados na confecção dos skates melhoraram. Em 1971, o engenheiro químico Frank Nashworthy criou as rodinhas de uretano, um composto que possibilitava a confecção de materiais mais silenciosos e que tracionavam melhor em contato com o asfalto. Outros avanços em relação à construção do skate, foi a melhora da fabricação do <em>shape</em>, prancha de madeira onde as rodinhas são fixadas, gerando uma prancha mais resistente às quedas e impactos gerados nas manobras e a<em> </em>introdução do <em>nose e tail</em>, inclinações na frente e atrás do skate respectivamente, com isso, surgiram manobras mais difíceis de realizar e que demandavam mais estabilidade e controle do skate por parte do skatista.</p><p>A história do Skate desde o seu começo é bem curiosa e interessante, desde os primórdios esteve ligada ao Surf e a modalidade só se manteve viva devido a acontecimentos pontuais, como avanços na engenharia de materiais e um evento bem curioso: a falta de água no estado da Califórnia na década de 1980. Já se tinha ciência da construção de pistas de skate vertical, mas até então, o forte da modalidade era a prática na horizontal, em ruas e pistas desenvolvidas para manobras, mas com a falta de água nos EUA nos anos 80, muitas casas não tinham como encher suas piscinas, com isso, os skatistas aproveitavam essas estruturas e começaram a realizar manobras dentro delas, surgiu assim, os <em>bowls</em>, em tradução livre do inglês, tigelas. Essas novas pistas levaram esse nome devido à similaridade com o formato de tigelas, sendo mais arredondadas e profundas. Com essa nova prática, houve a consolidação do skate vertical e o surgimento de novas manobras.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/869/1*YrzfieEcv7tN39f8DxI4Yg.png" /><figcaption>Skatista realizando manobra no Vans Park Series em Huntington Beach. Fonte: Anthony Acosta / Red Bull Content Pool.</figcaption></figure><p><strong>A modalidade nos Jogos Olímpicos</strong></p><p>O Skate foi introduzido no calendário do COI (Comitê Olímpico Internacional) nas Olimpíadas de Tóquio em 2020, com o intuito de trazer mais jovens para o cenário olímpico, tanto na prática dos jogos, quanto na audiência. A modalidade é dividida em duas vertentes durante as Olimpíadas, o Skate Street e Skate Park, ambos sendo competidos pelo masculino e feminino. A modalidade Street é disputada em um circuito que simula uma rua, com obstáculos urbanos, como corrimões, rampas e degraus. É uma tentativa de praticar o esporte em um ambiente parecido com o qual se originou, as ruas. Os atletas executam uma série de manobras e são julgados pela forma como controlam o skate durante duas corridas de 45 segundos e cinco manobras que realizam. Em cada rodada, a corrida com a maior pontuação e as duas manobras mais bem avaliadas são somadas e resultam na pontuação final do atleta. O Skate Park é disputado em uma pista simulando um parque de manobras, onde contém diversas curvas e <em>bowls</em>, que o skatista utiliza para pegar velocidades e realizar diferentes manobras no ar. Essa modalidade contempla o skate vertical, na qual o esportista faz uso das paredes das piscinas, o <em>bowl</em>. Os skatistas são julgados pela altura e velocidade das manobras que realizam durante os saltos, além da capacidade de usar toda a superfície e os obstáculos. Eles realizam três apresentações de 45 segundos, com a melhor das três contando como a pontuação final da rodada.</p><p>A inserção do Skate no calendário olímpico foi muito importante para a visibilidade e também uma certa “aceitação” da sociedade num geral com o esporte. Muitos skatistas citam que o skate é um <em>lifestyle</em>, um estilo de vida, muito mais que um mero esporte praticado sobre rodinhas. Com os Jogos Olímpicos, o mundo pôde ver não somente a prática da modalidade, mas também esse estilo de vida, que se baseia na irmandade, liberdade e amor.</p><p><strong>Time Brasil</strong></p><p>O Brasil é um verdadeiro celeiro de talentos no Skate, possui uma geração muito vitoriosa com Leticia Bufoni e Kelvin Hoefler, detentor da medalha de prata em Tóquio 2020, e também uma nova safra que tem grandes prodígios, como a Rayssa Leal, medalhista mais jovem da história olímpica brasileira, que conquistou medalha nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 e de Paris 2024. Além dessa nova onda de talentos, o Brasil antes mesmo da inserção do skate no calendário oficial do COI, já era uma grande potência no esporte, com nomes já consolidados no cenário mundial, como Bob Burnquist, Sandro Dias, Pedro Barros e Letícia Bufoni que ajudaram a trazer e disseminar a cultura do skate em solos brasileiros. A Bufoni foi muito importante na inserção e aceitação das mulheres na modalidade, ela é vista por muitos como a melhor e principal skatista mulher, não somente pelas suas conquistas de títulos mundiais, mas também por toda luta e visibilidade que ela trouxe consigo durante toda sua carreira.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/579/1*IZxYy9uHqanj62lTaRPJTQ.png" /><figcaption>Rayssa Leal medalha de bronze skate street Paris 2024 — Foto: Julian Finney/Getty Images</figcaption></figure><p>No Skate Park, o Brasil também é muito bem representado pelo medalhista de Tóquio 2020, Pedro Barros, e pelo atual medalhista de bronze em Paris 2024, Augusto Akio. O país é considerado uma potência no esporte justamente por conseguir mesclar tamanha experiência de nomes já consolidados com jovens prodígios que ainda possuem muitos anos de carreira por vir na modalidade, o que traz esperança para o Brasil na conquista de mais medalhas nos próximos Jogos Olímpicos.</p><p><strong>Importância do Skate na cultura street</strong></p><p>O skate desde os seus primórdios foi muito marginalizado e seus praticantes sofreram com muito preconceito da sociedade. Os skatistas eram vistos como “vagabundos”, que depredavam equipamentos públicos e faziam baderna em grupo nas ruas, uma visão totalmente deturpada da essência do <em>skateboard</em>, na qual sempre se prezou pela paz, amor, liberdade e irmandade. Em algumas localidades a prática do skate chegou a ser proibida, como em São Paulo em 1988 pelo então prefeito da cidade Jânio Quadros. Na Noruega também houve uma proibição do esporte por mais de dez anos com a justificativa de ser muito perigoso para as crianças.</p><p>Durante os anos 1960 e 1970, a modalidade já contava com alguns pequenos campeonatos nos EUA, mas se difundiu de vez quando começou a fazer parte de movimentos da contracultura em diversas cidades norte-americanas. Nos anos 1980 e 90, com o surgimento da MTV, videoclipes de músicas com skatistas nas cenas começaram a ser transmitidos pelo mundo todo, com isso, houve uma maior popularização do esporte além dos EUA. O skate sempre esteve muito ligado à cultura, seja pela arte e música, ou pela força de expressão que o esporte desempenhava entre seus praticantes dentro da sociedade. A modalidade foi ganhando força também dentro da mídia televisiva, a ESPN, rede esportiva de televisão começou a produzir e televisionar o X-Games, uma espécie de olimpíadas dos esportes radicais, com tal evento, skatistas começaram a ser reconhecidos como esportistas e o skate foi ganhando espaço na sociedade e sendo tratado como modalidade esportiva.</p><p>Com tamanha visibilidade e importância, empresas de diversos setores começaram a olhar com mais carinho pro Skate, principalmente marcas do setor de moda e vestuário. Na década de 1990, diversas marcas famosas iniciaram linhas de streetwear focadas no skate, como a Nike, que criou a Nike SB, a Adidas, com a Adidas Skateboarding e a Puma. Hoje em dias há diversas marcas focadas no <em>streetwear</em>, desenvolvendo novas tecnologias para confecção de materiais mais resistentes nos tênis e camisas utilizadas na prática do esporte. A Nike realiza diversas <em>collabs,</em> colaborações com skatistas famosos para elaboração e assinatura de novos modelos de tênis da sua linha Nike SB, voltada à moda <em>street</em>, como por exemplo o Nike SB Dunk Low Rayssa Leal, modelo desenvolvido especialmente para a skatista brasileira. Ainda há outros famosos e importantes esportistas que possuem seu próprio calçado dentro da marca, como o skatista Nyjah Huston e Stefan Janoski, com seu icônico modelo Nike SB Janoski.</p><p>Os skatistas sempre carregaram o estereótipo de desleixados e mal vestidos por usarem camisas largas, jeans desbotados, calças cargo e tênis, porém foi com esse visual que a modalidade marcou sua identidade no mundo da moda e influenciou esse setor a investir no ramo de <em>streetwear</em>, vertente essa, que é uma das mais procuradas hoje no mercado de vestuário. Segundo um estudo do BCG e Altagamma, estima-se que até 2025, 45% do público de marcas de luxo seja composto pela gerações Y e Z, com isso, diversas grifes já olham com atenção para essa tendência e já estão desenvolvendo <em>collabs </em>entre si para atender tal demanda.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/588/1*zaI57T5ENOxVFP0YYCWknQ.png" /><figcaption>Uniforme do Time Brasil no Skate nas Olimpíadas de Tóquio 2020. Fonte: Nike Divulgação.</figcaption></figure><p>O esporte também exerce grande influência na cultura urbana, com o grafite e pichações em muros pelas cidades mundo afora, expressando a identidade de skatistas e seu <em>lifestyle</em>. O skate tem uma ligação muito forte com a parte musical, sofrendo e exercendo influência em certos gêneros musicais, como o punk rock, hip-hop, rap, indie e emo que pegaram carona na popularidade do esporte para se consolidarem no cenário musical street alternativo. Uma banda bem famosa no cenário do rock brasileiro foi o Charlie Brown Jr., que no final dos anos 90 e início dos anos 2000 se consolidou como principal expoente desse gênero. O vocalista Chorão, era um skatista e a pura personificação de um praticante do esporte, se vestia com roupas largas, tinha temperamento forte e era visto por muitos como uma pessoa rebelde e destemida. O próprio vocalista dizia se orgulhar por praticar a modalidade e citava que o esporte o proporcionou conhecer seus amigos e companheiros de banda e lhe ensinou vários valores que ele levava para a vida, evidenciando o forte elo que o Skate e a música possuem na sociedade, tratando o esporte não somente como uma atividade mas também como um verdadeiro estilo de vida a ser seguido e propagado.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/711/1*6dq5OdgdU9oJTwEuhJoY7Q.png" /><figcaption>Banda Charlie Brown Jr., importante expoente na cultura do rock e hip-hop/rap.</figcaption></figure><p><strong>Referências</strong></p><p><a href="https://summitmobilidade.estadao.com.br/guia-do-transporte-urbano/conheca-a-historia-do-skate/#:~:text=Os%20relatos%20mais%20verific%C3%A1veis%20do,em%20que%20n%C3%A3o%20havia%20ondas">https://summitmobilidade.estadao.com.br/guia-do-transporte-urbano/conheca-a-historia-do-skate/#:~:text=Os%20relatos%20mais%20verific%C3%A1veis%20do,em%20que%20n%C3%A3o%20havia%20ondas</a>.</p><p><a href="https://theindianface.com/pt-br/blogs/noticias/o-skate-mais-que-um-esporte-descobre-sua-influencia-e-legado-cultural">https://theindianface.com/pt-br/blogs/noticias/o-skate-mais-que-um-esporte-descobre-sua-influencia-e-legado-cultural</a></p><p><a href="https://skateboarding.com.br/index.php/skateboard/historia-do-skate1.html">https://skateboarding.com.br/index.php/skateboard/historia-do-skate1.html</a></p><p><a href="https://olympics.com/pt/paris-2024/esportes/skateboarding">https://olympics.com/pt/paris-2024/esportes/skateboarding</a></p><p><a href="https://super.abril.com.br/cultura/o-pais-europeu-que-proibiu-o-skate-por-mais-de-dez-anos">https://super.abril.com.br/cultura/o-pais-europeu-que-proibiu-o-skate-por-mais-de-dez-anos</a></p><p><a href="https://elle.com.br/moda/como-o-streetwear-tomou-conta-do-mercado-de-luxo">https://elle.com.br/moda/como-o-streetwear-tomou-conta-do-mercado-de-luxo</a></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=8a9c4b483372" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[A fórmula do sucesso da NFL: como a liga fatura tanto e consegue mobilizar multidões de torcedores?]]></title>
            <link>https://feasb.medium.com/a-f%C3%B3rmula-do-sucesso-da-nfl-como-a-liga-fatura-tanto-e-consegue-mobilizar-multid%C3%B5es-de-torcedores-321cb788619b?source=rss-520d570f6c5e------2</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/321cb788619b</guid>
            <dc:creator><![CDATA[FEA Sports Business]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 06 Sep 2024 20:36:35 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-09-06T20:36:35.998Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Qual o segredo por trás do sucesso financeiro e de público da NFL? A FEA Sports Business analisou os pontos cruciais para que a liga americana seja exemplo mundial em arrecadação e na construção de espetáculos esportivos como o Super Bowl.</p><p><strong>Por Vitor Vieira dos Santos</strong></p><p><strong>A construção da NFL como liga de um esporte nacional</strong></p><p>A liga de futebol americana se beneficia da paixão do americano por esportes e pelo sentimento intrínseco de nacionalismo. O americano tem por sua essência o amor pela pátria e por tudo que reforça esse amor pela nação, e o futebol americano é um esporte genuinamente americano (em outros lugares do mundo pratica-se o Rugby), onde muito da história dos EUA se envolve diretamente com a história do esporte. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Gallup indicou que o futebol americano é, de longe, o esporte favorito dos cidadãos dos Estados Unidos, com 37% da preferência. Basquete (11%) e beisebol (9%) vêm a seguir. Desde 1971, a NFL é a liga mais adorada da nação. A liga serviu de palco para protestos políticos recentes contra a discriminação racial no país, onde jogadores se ajoelharam no momento do hino nacional. Esse momento inicial de cada partida é tratado como tradição, onde todos cantam o hino em pé com a mão no peito, portanto esse gesto dos jogadores em forma de protesto foi vista como um desrespeito à nação, ocasionando críticas da própria NFL, dos americanos e até mesmo do ex-presidente Donald Trump.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/924/0*lioZdpa-UxSId9vN" /><figcaption>Jogadores em ato de protesto. Foto: Kevork Djansezian/Getty Images</figcaption></figure><p>Muitos ex-presidentes já tiveram ligação com o esporte, chegando a jogarem em nível universitário, como Gerald Ford que atuou pela Universidade de Michigan e Dwight Eisenhower que jogou futebol americano pela Academia Militar dos EUA, devido à forte ligação do esporte com as forças armadas do país. Algumas franquias da liga chegam a receber milhões de dólares do Ministério da Defesa para realizarem cerimônias pré jogos e de canto do hino nacional, em troca disso, a NFL realiza um mês inteiro de homenagem aos militares, e alguns times possuem setores de seus estádios com cadeiras cativas para os militares e suas famílias. Um ponto curioso foi a intervenção do ex-presidente Theodore Roosevelt em 1906 nas regras do esporte a fim de torná-lo menos agressivo.</p><p><strong>Buscando seus talentos nas universidades americanas</strong></p><p>Muito do sucesso da NFL com os espectadores tem relação com a construção do esporte como elemento cultural americano, visto que o futebol americano está presente na vida da população desde a juventude. O futebol americano está para os americanos assim como o futebol está para o brasileiro. O esporte é praticado desde muito jovem nas escolas americanas, no <em>High School</em>, ensino médio americano, e os jogadores que se destacam ganham bolsa atleta nas universidades com foco nas competições universitárias. O cenário de esporte universitário é tão grande e tradicional nos EUA que há uma liga de futebol americano universitário, onde há um campeonato entre as universidades americanas com o objetivo de revelar talentos para serem <em>draftados</em> pelos times da NFL. O esporte universitário é levado tão a sério que recentemente a EA Sports, desenvolvedora do jogo eletrônico FIFA, lançou neste mês de julho o EA College Football 25, jogo eletrônico de futebol americano universitário.</p><p>O sistema de montagem dos elencos dos times da NFL segue o mesmo modelo das franquias da NBA. Os jogadores universitários são <em>draftados</em> (escolhidos) pelas 32 equipes em 7 rodadas de escolha. Essa escolha é baseada no desempenho esportivo da equipe no último campeonato, porém de forma inversa, por exemplo a melhor equipe do último campeonato é a última a escolher no draft, a 2ª melhor equipe é a penúltima a escolher e assim segue o modelo. Portanto com esse sistema de draft, teoricamente há um equilíbrio de forças dentro das franquias, com os piores times ficando com as melhores promessas e os melhores times ficando com promessas não tão badaladas. Ainda há um esquema de troca de escolhas entre equipes, como realizou Chicago Bears e Carolina Panthers, os Bears cederam a primeira escolha do Draft de 2023 para os Panthers em troca da escolha de primeira rodada de Carolina em 2024.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/984/0*Rb_ttBuUiLCNzor3" /><figcaption>Bryce Young no draft de 2023. Foto: David Eulitt/Getty Images</figcaption></figure><p><strong>Como a liga consegue arrecadar tanto dinheiro?</strong></p><p>A NFL é a liga esportiva mais valiosa do mundo, com um faturamento de US$ 13 bilhões no ano de 2023, superando NBA, MLB, Premier League, La Liga, Champions League, entre outras ligas esportivas. Segundo a Forbes, do top 50 equipes mais valiosas do mundo, a NFL possui 30 franquias nessa lista. Esse sucesso financeiro se deve à boa gestão que a liga faz na divisão de recursos entre as franquias. A NFL tem duas principais formas de arrecadação: arrecadação direta por meio da própria direção da liga e por meio dos times. O carro chefe da arrecadação é a venda de direitos de imagem, negociados com TV´s americanas e plataformas de streaming. Essa fonte de renda gerou mais de US$ 125 bilhões nos últimos 11 anos, sendo igualmente repartida entre todas as franquias da liga. Como comparação, a NBA tem engatilhado um acordo televisivo de duração de 10 anos no valor de US$ 75 bilhões.</p><p>Logo em seguida, com uma estimativa de 10% da renda da liga vêm produtos licenciados e merchandising. Com um acordo bilionário selado com a Nike em 2018, a NFL deu permissão exclusiva à fabricante da comercialização de seus produtos oficiais nos EUA através do site de varejo online Fanatics. A liga também é um sucesso com relação a patrocinadores, grandes marcas disputam espaço para divulgarem suas marcas em comerciais durante os jogos, em placas de anúncios nos estádios e na mídia oficial da NFL. Em 2023, a liga contou com 36 patrocinadores, entre eles: Gatorade, Visa, FedEx e etc. Com os recentes acordos publicitários realizados, há a estimativa que a renda proveniente dos patrocínios chegue a US$ 800 milhões.</p><p>Além da arrecadação da própria liga, os times arrecadam uma boa parte do faturamento anual através da comercialização dos ingressos dos jogos, artigos esportivos e de concessões de produtos comercializados dentro de seus estádios. Levando em consideração o bom engajamento do público e a alta ocupação dos estádios durante a temporada, essa fonte de renda se torna um importante ponto no sucesso financeiro da liga.</p><p><strong>A força da marca NFL dentro dos EUA</strong></p><p>A marca NFL dentro do cenário estadunidense é fortíssima, tanto em termos de engajamento dos torcedores, quanto em termos de mercado publicitário. Em 2023, a final foi vista por mais de 115 milhões de pessoas nas televisões americanas, rendendo assim, um grande meio de comunicação para empresas divulgarem seus produtos e serviços. A liga detém o recorde dentro da televisão americana, dos 50 programas mais assistidos, 41 são jogos do Super Bowl. A ocupação média dos estádios durante os jogos da temporada regular chegam a 92,2%, demonstrando o quão enraizada está o esporte na cultura americana.</p><p><strong>Internacionalização da marca mundo afora</strong></p><p>Já consolidada em território americano, a NFL agora busca expandir seu mercado para fora dos EUA. A liga vem realizando alguns jogos em outros países do mundo, recentemente levou partidas para a Europa, na Alemanha e Reino Unido.</p><p>No dia 06 de setembro deste ano, a NFL chegará pela primeira vez em solos brasileiros, realizando uma partida em São Paulo, na Neo Química Arena. O jogo será entre Green Bay Packers e Philadelphia Eagles. O Brasil é um importante mercado consumidor da liga esportiva americana, visto que há 35 milhões de fãs da NFL no país. Boa parte desse público são homens e jovens, atingidos pelas redes sociais na divulgação do esporte e do Super Bowl como produto internacional.</p><p>Segundo levantamento do Twitter, o Brasil foi o quarto país no mundo que mais postou sobre a NFL na rede na temporada de 2022, atrás apenas dos EUA, Canadá e México. O volume de tweets foi 16% a mais em relação à temporada de 2021, evidenciando o aumento da base de fãs no país.</p><p>A NFL firmou parcerias de patrocínio e televisão no Brasil nos últimos anos. A marca possui um acordo com a Vivo na comercialização do NFL Game Pass, um serviço de assinatura, no qual dá acesso a todos os jogos da liga na temporada entre outros conteúdos de bastidores.</p><p>Com a recente chegada de jogos da liga no Brasil, a NFL fechou acordos de direitos de televisão com a rede aberta Rede TV!, com a rede fechada ESPN e com a Cazé TV para transmissão pelo Youtube, selando de vez a força da marca em território nacional. Com esses movimentos de expansão no mercado brasileiro, fica cada vez mais claro o objetivo da liga de conquistar mais fãs e fidelizar os já existentes.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*aRMyy4lWnP509SJ2" /><figcaption>Foto: Reprodução</figcaption></figure><p><strong>O sucesso publicitário e financeiro da NFL: Super Bowl</strong></p><p>É uma tradição, quase tido como um ritual, para os americanos assistirem o Super Bowl, jogo final da temporada da NFL. Esse evento esportivo, ultrapassa muito além da esfera esportiva, chegando a atingir mercados publicitários, de entretenimento e de apostas esportivas. O jogo por si só carrega uma importância muito forte, é o embate final entre as duas melhores equipes da temporada, portanto todos os olhos estão voltados para esse evento. Além da importância esportiva, o Super Bowl traz à tona a força da NFL no cenário americano, e possivelmente mundial. Na última edição em 2024, as estimativas de apostas realizadas na final chegaram a US$ 23 bilhões, um aumento considerável em relação a 2023, onde as cifras chegaram a US$ 16 bilhões. Segundo dados da American Gaming Association, 26% da população americana deve ter apostado no jogo.</p><p>Indo na esfera publicitária, o Super Bowl é um ponto fora da curva nesse mercado. Segundo dados da Statista, o preço médio de um anúncio durante a atração custa em torno de US$ 7 milhões, se comparado com outras atrações dentro do próprio mercado publicitário americano é um número muito expressivo.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*NR-jGUyx0mq0fgjd" /><figcaption>Gráfico mostrando a evolução do preço dos anúncios no Super Bowl no decorrer dos anos</figcaption></figure><p>No Super Bowl de 2024 houve uma grande surpresa ao se deparar com as propagandas da final. O jogador argentino Messi era a estrela publicitária da vez, estrelando pela primeira vez um anúncio em sua carreira. Houve uma estimativa que a Michelob Ultra, empresa de cervejas anunciante, gastou cerca de US$ 14 milhões para realizar esse comercial de 60 segundos no intervalo da final.</p><p>Como já citado anteriormente, o evento é muito mais que um marco esportivo, é também um importante evento musical. No intervalo do jogo há o tradicional <em>Halftime Show</em>, onde grandes artistas se apresentam e esse espetáculo é televisionado mundo afora. Importantes artistas já se apresentaram, como: Usher, Michael Jackson e Shakira. Esse momento também é importantíssimo para anúncio de marcas e para a própria consolidação do Super Bowl como evento de entretenimento.</p><p>Estima-se que em 2023 os consumidores americanos tenham gastado cerca de US$ 16,5 bilhões em relação ao Super Bowl, seja com ingressos, artigos esportivos e etc.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/895/0*CCc252duJTsnD_gJ" /><figcaption>Foto: Ethan Miller/Getty Images/AFP</figcaption></figure><p><strong>Referências</strong></p><p><a href="https://ge.globo.com/futebol-americano/nfl/noticia/2024/04/25/draft-x-free-agency-entenda-os-momentos-mais-importantes-da-pre-temporada-da-nfl.ghtml">https://ge.globo.com/futebol-americano/nfl/noticia/2024/04/25/draft-x-free-agency-entenda-os-momentos-mais-importantes-da-pre-temporada-da-nfl.ghtml</a></p><p><a href="https://www.uol.com.br/esporte/reportagens-especiais/nfl-espelho-da-america-o-lado-conservador-do-futebol-americano/">https://www.uol.com.br/esporte/reportagens-especiais/nfl-espelho-da-america-o-lado-conservador-do-futebol-americano/</a></p><p><a href="https://trickplay.com.br/sobrenfl/negocios-da-nfl/">https://trickplay.com.br/sobrenfl/negocios-da-nfl/</a></p><p><a href="https://www.poder360.com.br/poder-sportsmkt/nfl-distribuiu-mais-de-us-400-mi-por-time-na-temporada-2023/#:~:text=A%20NFL%20">https://www.poder360.com.br/poder-sportsmkt/nfl-distribuiu-mais-de-us-400-mi-por-time-na-temporada-2023/#:~:text=A%20NFL%20</a></p><p><a href="https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/super-bowl-2024-apostas-esportivas-na-final-da-nfl-devem-passar-dos-us-23-bilhoes/">https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/super-bowl-2024-apostas-esportivas-na-final-da-nfl-devem-passar-dos-us-23-bilhoes/</a></p><p><a href="https://www.bloomberglinea.com.br/estilo-de-vida/super-bowl-quanto-custa-um-comercial-de-30-segundos-em-2024/#:~:text=2019%2DLIII%3A%20US%24%205,%3A%20US%24%205%2C6%20milh%C3%B5es">https://www.bloomberglinea.com.br/estilo-de-vida/super-bowl-quanto-custa-um-comercial-de-30-segundos-em-2024/#:~:text=2019%2DLIII%3A%20US%24%205,%3A%20US%24%205%2C6%20milh%C3%B5es</a></p><p><a href="https://www.espn.com.br/futebol/artigo/_/id/12614168/revista-lista-50-equipes-mais-valiosas-mundo-sem-brasileiros-futebol-fora-top-10">https://www.espn.com.br/futebol/artigo/_/id/12614168/revista-lista-50-equipes-mais-valiosas-mundo-sem-brasileiros-futebol-fora-top-10</a></p><p><a href="https://maquinadoesporte.com.br/midia/caze-tv-espn-e-redetv-exibirao-partida-da-nfl-no-brasil/">https://maquinadoesporte.com.br/midia/caze-tv-espn-e-redetv-exibirao-partida-da-nfl-no-brasil/</a></p><p><a href="https://www.sportico.com/c/leagues/football/">https://www.sportico.com/c/leagues/football/</a></p><p><a href="https://gq.globo.com/GQ-Esporte-Clube/noticia/2022/02/nfl-entenda-como-liga-de-futebol-americano-e-uma-paixao-em-ascensao-no-brasil.html">https://gq.globo.com/GQ-Esporte-Clube/noticia/2022/02/nfl-entenda-como-liga-de-futebol-americano-e-uma-paixao-em-ascensao-no-brasil.html</a></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=321cb788619b" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[JOGOS PARALÍMPICOS: A FESTA DA INCLUSÃO ESPORTIVA.]]></title>
            <link>https://feasb.medium.com/jogos-paral%C3%ADmpicos-a-festa-do-esporte-da-inclus%C3%A3o-98373f1e6fc4?source=rss-520d570f6c5e------2</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/98373f1e6fc4</guid>
            <dc:creator><![CDATA[FEA Sports Business]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 28 Aug 2024 11:31:15 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-09-08T13:45:58.144Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>No dia 28 de agosto de 2024, teve início mais uma edição dos Jogos Paralímpicos, desta vez em Paris (FRA). Aproximadamente 4.400 atletas proporcionaram lindas, inspiradoras e marcantes histórias de superação, ligadas à vida e à celebração esportiva. Neste texto, você conhecerá um pouco mais sobre a história das Paralimpíadas e os grandes atletas brasileiros que se destacaram nessa grande celebração, sobretudo da inclusão.</p><p><strong>Escrito por William Soares</strong></p><p>Os Jogos Paralímpicos ocorrem desde 1960, originando-se de uma evolução de competições esportivas para veteranos de guerra com lesões na medula espinhal, iniciadas em 1948, no Reino Unido, pelo Dr. Ludwig Guttmann, um famoso neurologista alemão, considerado o pai do esporte paralímpico. A partir de 1960, em Roma (ITA), as Paralimpíadas se tornaram um evento internacional, ocorrendo a cada quatro anos, imediatamente após os Jogos Olímpicos, na mesma cidade-sede.</p><p>Em sua 17ª edição, os Jogos Paralímpicos teve Paris (FRA) como cenário para novas histórias serem construídas, hegemonias serem consolidadas ou quebradas, novos ídolos do esporte paralímpico surgirem e o espírito paralímpico ecoar cada vez mais forte.</p><p>Os jogos tiveram início no dia 28 de agosto de 2024 e se estenderão até 8 de setembro de 2024, sendo 11 dias de intensa vivência tanto para espectadores quanto para atletas, com 549 eventos disputados em 19 locais diferentes. Do ponto de vista jornalístico, foram esperados 3.000 jornalistas do mundo inteiro, 278 guias credenciados e o acompanhamento de 34 milhões de pessoas das competições.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/887/0*Jfekv_vOgMNxCuNh" /><figcaption>Arco do Triunfo com o logo dos Jogos Paralímpicos em Paris. (Foto: Foto: Glenn Gervot/AFP)</figcaption></figure><p>Vale lembrar que as Paralimpíadas proporcionam a chance para atletas com deficiências físicas (como amputações, paraplegia, tetraplegia, hemiplegia, paralisia cerebral, nanismo, entre outras), deficiências visuais e deficiências intelectuais competirem em busca do cobiçado ouro paralímpico, além de inspirarem milhares de pessoas ao redor do mundo.</p><p>O Brasil foi representado na competição por 280 atletas, sendo 255 com deficiência, em 20 modalidades, entre as quais estão Atletismo, Badminton, Bocha, Goalball, Remo, Natação e Vôlei Sentado, entre outras. Os (as) atletas brasileiros competiram em 8 das 22 modalidades esportivas das Paralimpíadas de Paris 2024. Nossos atletas são considerados parte de uma das federações com melhores resultados na competição, tendo conquistado 72 medalhas em Tóquio 2020 (realizada em 2021), sendo 22 delas de ouro. Esse sucesso é resultado do árduo preparo dos atletas, que competem no mais alto nível. Ao longo das 16 edições completas dos Jogos, o Brasil tem a honra e o orgulho de contar com atletas históricos, lendas e novas promessas que surgiram no meio paralímpico. O intuito principal deste texto é destacar aqueles que tão bem honraram e honram as cores verde e amarela.</p><p><strong>Daniel Dias</strong></p><p>Aos 33 anos, Daniel Dias é o maior nome da história do esporte paralímpico brasileiro. Seus feitos na natação são incomparáveis, superando qualquer outro esportista do Brasil, com ou sem deficiência. São 27 medalhas em Paralimpíadas: 14 ouros, 7 pratas e 6 bronzes, além de outros 40 pódios em Mundiais, sendo 31 deles dourados. Em Jogos Parapan-americanos, disputou 33 provas e venceu todas. Mesmo assim, os louros não o satisfazem plenamente, pois ele faz parte de uma categoria de atletas paralímpicos que, quando comparados aos convencionais, ficam em segundo plano. “Se eu fosse um atleta olímpico, você imagina o reconhecimento que eu teria?”, diz ele durante entrevista por videoconferência ao <em>EL PAÍS</em>.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/774/0*Xg0mkk0NSfNtHjYD" /><figcaption>Daniel Dias com seus 3 bronzes em Tóquio 2020. (Foto: Reprodução/Facebook/@danieldias)</figcaption></figure><p>Dias nasceu em 24 de maio de 1988, em Campinas (SP), com uma má-formação congênita dos membros superiores, perna direita e pé esquerdo. Aos 3 anos, passou por uma cirurgia para poder usar uma prótese e começou a andar.</p><p>Quem vê tantas conquistas pode pensar que ele começou cedo na natação, mas sua trajetória no esporte iniciou-se quando ele assistiu à Paralimpíada de Atenas, em 2004, e conheceu o esporte adaptado, ao ver o nadador Clodoaldo Silva conquistar 6 ouros para o Brasil. Até então, Daniel praticava esportes na escola, como futebol e basquete, mas não sabia da possibilidade de competir.</p><p>Quando chegou à Associação Desportiva para Deficientes Físicos (ADD) em São Paulo (SP) para começar a treinar, Dias estava interessado em praticar basquete, mas, após avaliação, os professores perceberam que seu talento seria melhor aproveitado nas piscinas. O tempo mostrou que os treinadores estavam mais que certos. O atleta aprendeu a nadar em apenas 8 aulas e já saiu campeão na primeira competição em que participou.</p><p>Daniel Dias compete nas categorias S5, SM5 e SB5. Nessa classificação de paraesportes, as letras indicam a modalidade: “S” se refere a <em>swimming</em> (nado, em inglês), “B” vem de <em>breaststroke</em> (nado peito), e “M” de <em>medley</em> (medley). O número indica o grau de limitação: de 1 a 10, sendo que, quanto menor o número, mais grave a deficiência.</p><p>Em 2014, o nadador fundou o Instituto Daniel Dias em Bragança Paulista (SP), para usar o esporte como ferramenta de inclusão social.</p><p><strong>Terezinha Guilhermina</strong></p><p>Terezinha Guilhermina nasceu em 3 de outubro de 1978, em Betim (MG), com retinose pigmentar, uma doença que provoca a perda gradual da visão. Ela cresceu em uma família humilde com doze irmãos, cinco dos quais também tinham deficiência visual. Perdendo completamente a visão na juventude, Terezinha tornou-se a velocista paralímpica mais rápida do mundo, um exemplo de heroísmo e superação.</p><p>Aos 16 anos, um exame na Santa Casa de Betim revelou que ela tinha apenas 5% de visão e que perderia a visão por completo com o tempo. Apesar do choque, Terezinha não se deixou desanimar e continuou a buscar oportunidades para superar as dificuldades da vida.</p><p>Em 2000, ela descobriu o atletismo ao se inscrever em um projeto da prefeitura de Betim que oferecia esportes para pessoas com deficiência. Inicialmente, ela se inscreveu para natação, pois já tinha um maiô, mas sua verdadeira paixão era o atletismo. Sua irmã Evania deu-lhe um tênis usado, o primeiro da carreira de Terezinha. Ela participou de sua primeira corrida para deficientes visuais e terminou com um pé descalço devido à má qualidade do tênis, mas logo ficou em segundo lugar em uma corrida de rua, ganhando R$80,00.</p><p>Em 2001, Terezinha foi convocada para o Pan-americano na Carolina do Sul (EUA), representando a seleção brasileira. Nessa competição, ela conquistou três medalhas de prata na categoria T12, para atletas com alguma visão.</p><p>Entre suas principais conquistas, destacam-se:</p><ul><li>Medalha de ouro nos 100m rasos, 200m rasos, 400m rasos e 4x400m rasos no Parapanamericano da IBSA em São Paulo, 2005.</li><li>Medalha de ouro e recorde mundial nos 100m rasos, medalha de ouro nos 200m e 400m rasos no Mundial da IBSA em São Paulo, 2007.</li><li>Medalha de ouro nos 100m e 200m rasos e medalha de prata nos 400m rasos, com novo recorde mundial na Parapan Rio, 2007.</li><li>Medalha de ouro nos 100m e 200m rasos e medalha de prata nos 400m rasos nas Olimpíadas de Londres, Reino Unido, 2012.</li><li>Medalha de ouro nos 400m rasos na Golden League IAAF em Paris, França, 2008.</li></ul><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/275/0*FsrJkIHVLGCNdPIG" /><figcaption>Terezinha Guilhermina com a sua medalha de ouro em Londres 2012. (Imagem: Buda Mendes/CPB/Divulgação)</figcaption></figure><p>Em 2004, Terezinha conquistou o bronze nos 400 metros nas Paralimpíadas de Atenas. Como sua visão continuou a se deteriorar, ela passou para a categoria T11, para atletas completamente cegos.</p><p>Além de suas conquistas esportivas, Terezinha também se envolveu em diversas atividades fora das pistas. Ela é ativa em campanhas de conscientização sobre deficiência visual e inclusão social e trabalha como mentora para jovens atletas. Em 2021, foi eleita para o Comitê Paralímpico Brasileiro, contribuindo para a melhoria das condições e oportunidades para atletas paralímpicos no Brasil. Seu trabalho e legado continuam a inspirar muitos no Brasil e no mundo.</p><p><strong>Claudia Santos</strong></p><p>Cláudia Cícero dos Santos Sabino nasceu em 4 de agosto de 1977, em Carapicuíba, São Paulo. Em 2000, sofreu um acidente de trânsito na Rodovia Raposo Tavares, quando saía do trabalho, o que resultou na amputação total de sua perna direita.</p><p>Em 2005, Cláudia começou a praticar natação e, dois anos depois, em 2007, aos 29 anos, conheceu o remo adaptado. Surpreendentemente, após apenas oito meses de treino, participou do Mundial de Munique, onde conquistou a medalha de ouro.</p><p><strong>Principais Conquistas:</strong></p><ul><li><strong>Ouro no Mundial de Munique 2007:</strong> Conquista significativa após pouco tempo de treinamento em remo.</li><li><strong>Ouro no Mundial Indoor de Boston 2012:</strong> Destaque importante em sua carreira no remo.</li><li><strong>Prata no Mundial da Nova Zelândia 2010:</strong> Outra importante conquista internacional.</li><li><strong>Bronze no Mundial da Coreia do Sul 2013:</strong> Continuação de seu sucesso em competições mundiais.</li><li><strong>Ouro no Campeonato Brasileiro de Paracanoagem 2018:</strong> Título nacional importante em sua carreira.</li></ul><p>Em outubro de 2021, Cláudia passou por uma extensa cirurgia para substituir a tela abdominal. Em novembro de 2022, teve que remover a tela devido a uma infecção crônica. Após um período de recuperação, ela retornou aos treinos no final de fevereiro de 2023, mas sofreu um AVC pouco depois. Mesmo com esses desafios, voltou aos treinos intensivamente em abril de 2023, visando o Campeonato Brasileiro que ocorreu em junho de 2023. Durante esse período, ela teve um afastamento médico de 22 dias para exames.</p><p>Cláudia tornou-se a primeira atleta brasileira a garantir uma vaga nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024. Ela conquistou a vaga ao vencer a final B no PR1 1xW e alcançar o sétimo lugar geral no Campeonato Mundial de Belgrado, na Sérvia, uma conquista notável, considerando o longo período de afastamento do esporte.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/870/0*5NOVVPZlMv3elkRw" /><figcaption>Cláudia Santos: 3ª Paralimpíada no ASW1x (Foto: Mpix/CPB)</figcaption></figure><p>Portanto, as Paralimpíadas representam não apenas uma celebração do esporte, mas também um poderoso símbolo de inclusão e superação. Desde sua origem em 1960, os Jogos têm evoluído para se tornarem um dos maiores eventos esportivos do mundo, proporcionando uma plataforma onde atletas com diversos tipos de deficiência podem demonstrar suas habilidades e inspirar milhões. Ao longo das edições, o Brasil se destacou como uma potência paralímpica, produzindo ícones como Daniel Dias, Terezinha Guilhermina e Cláudia Santos, cujas histórias de perseverança e sucesso ressoam além das competições. Em Paris 2024, novos capítulos serão escritos, reforçando o impacto transformador das Paralimpíadas na sociedade e consolidando ainda mais o espírito de inclusão que move esse grandioso evento.</p><p><strong>Bônus: Campanha brasileira em Paris 2024.</strong></p><p>Com o encerramento dos jogos no dia 08 de setembro, o Brasil concluiu sua participação nos jogos olímpicos com 89 medalhas no total, sendo 25 medalhas de ouro, 26 de prata e 38 de bronze; o que configurou a melhor campanha da história da delegação brasileira nos Jogos Paralímpicos.</p><p>Para efeito de comparação, a melhor campanha brasileira nas Paralimpíadas foi em Tóquio 2020, com 22 ouros e 72 medalhas no total, fechando na sétima colocação. E em Londres 2012, a delegação nacional também tinha fechado na sétima posição, mas com 21 ouros e 47 medalhas no total, isso mostra o crescimento a cada edição de jogos, consolidando cada vez mais o Brasil como uma potência paralímpica.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/852/0*ji8_iGb1FWN3ZHbv" /><figcaption>Top 5 do quadro de medalhas dos Jogos Paralímpicos de Paris 2024. (Fonte: ge.globo)</figcaption></figure><p><strong>REFERENCIAS:</strong></p><p><strong>1. BRASIL. Fundação Cultural Palmares. Terezinha Guilhermina: a atleta cega mais rápida do mundo. Disponível em: </strong><a href="https://www.gov.br/palmares/pt-br/assuntos/noticias/terezinha-guilhermina-a-atleta-cega-mais-rapida-do-mundo"><strong>https://www.gov.br/palmares/pt-br/assuntos/noticias/terezinha-guilhermina-a-atleta-cega-mais-rapida-do-mundo</strong></a><strong> . Acesso em: 18 ago. 2024.</strong></p><p><strong>2. COMITÊ PARALÍMPICO BRASILEIRO. Claudia Cicero dos Santos Sabino. Disponível em: </strong><a href="https://cpb.org.br/atletas/claudia-cicero-santos/"><strong>https://cpb.org.br/atletas/claudia-cicero-santos/</strong></a><strong> . Acesso em: 18 ago. 2024.</strong></p><p><strong>3. WIKIPEDIA. Cláudia Cícero Santos. Disponível em: </strong><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cl%C3%A1udia_C%C3%ADcero_Santos"><strong>https://pt.wikipedia.org/wiki/Cl%C3%A1udia_C%C3%ADcero_Santos</strong></a><strong> . Acesso em: 18 ago. 2024.</strong></p><p><strong>4. DIGIO. Jogos Paralímpicos Paris 2024. Disponível em: </strong><a href="https://www.digio.com.br/blog/meu-digio/jogos-paralimpicos-paris-2024/"><strong>https://www.digio.com.br/blog/meu-digio/jogos-paralimpicos-paris-2024/</strong></a><strong> . Acesso em: 24 ago. 2024.</strong></p><p><strong>5. EL PAÍS. Sir Ludwig Guttmann: o pai do movimento paralímpico. Disponível em: </strong><a href="https://brasil.elpais.com/esportes/jogos-olimpicos/2021-08-24/sir-ludwig-guttmann-o-pai-do-movimento-paralimpico.html"><strong>https://brasil.elpais.com/esportes/jogos-olimpicos/2021-08-24/sir-ludwig-guttmann-o-pai-do-movimento-paralimpico.html</strong></a><strong> . Acesso em: 24 ago. 2024.</strong></p><p><strong>6. TOQ DILETRA. Do iogurte aos recordes: os caminhos de Terezinha, a cega mais rápida do mundo. Disponível em: </strong><a href="https://toqdiletra.blogspot.com/2016/09/do-iogurte-aos-recordes-os-caminhos-de-terezinha-a-cega-mais-rapida-do-mundo.html"><strong>https://toqdiletra.blogspot.com/2016/09/do-iogurte-aos-recordes-os-caminhos-de-terezinha-a-cega-mais-rapida-do-mundo.html</strong></a><strong> . Acesso em: 24 ago. 2024.</strong></p><p><strong>GLOBO ESPORTE. <em>Quadro de medalhas — Paralimpíadas de Paris 2024</em>. Disponível em: </strong><a href="https://ge.globo.com/paralimpiadas/quadro-de-medalhas-paralimpiadas-paris-2024/"><strong>https://ge.globo.com/paralimpiadas/quadro-de-medalhas-paralimpiadas-paris-2024/</strong></a><strong>. Acesso em: 8 set. 2024.</strong></p><p><strong>GLOBO ESPORTE. <em>Brasil bate recordes e termina no top 5 do quadro de medalhas das Paralimpíadas pela primeira vez</em>. Disponível em: </strong><a href="https://ge.globo.com/paralimpiadas/noticia/2024/09/08/brasil-bate-recordes-e-termina-no-top-5-do-quadro-de-medalhas-das-paralimpiadas-pela-primeira-vez.ghtml"><strong>https://ge.globo.com/paralimpiadas/noticia/2024/09/08/brasil-bate-recordes-e-termina-no-top-5-do-quadro-de-medalhas-das-paralimpiadas-pela-primeira-vez.ghtml</strong></a><strong>. Acesso em: 8 set. 2024.</strong></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=98373f1e6fc4" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[O Peso Econômico dos Jogos Olímpicos]]></title>
            <link>https://feasb.medium.com/o-peso-econ%C3%B4mico-dos-jogos-ol%C3%ADmpicos-a7ba49c348e9?source=rss-520d570f6c5e------2</link>
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            <dc:creator><![CDATA[FEA Sports Business]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 15 Aug 2024 22:51:38 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-08-15T22:51:38.201Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>O impacto econômico dos Jogos Olímpicos sobre as cidades-sede varia drasticamente, oscilando entre promessas de desenvolvimento urbano e um legado de dívidas prolongadas. Tóquio 2020, Rio 2016 e Montreal 1976 são exemplos claros das diferentes realidades que as cidades enfrentam ao receberem este evento global, revelando lições cruciais para futuras candidatas.</p><p><strong>Por Filipe Neri, Júlia Seith e Maria Luiza Monteiro</strong></p><p>Sediar os Jogos Olímpicos é, para muitos países, uma oportunidade única de se mostrar ao mundo, de promover o desenvolvimento urbano e de impulsionar a economia local. Contudo, os custos astronômicos e o risco de endividamento a longo prazo levantam questões sobre o verdadeiro benefício de receber o evento. Para cada cidade que se destaca por sua eficiência em gerir os Jogos, há exemplos numerosos de localidades que se veem presas a uma espiral de dívidas e infraestrutura subutilizada. Neste texto, exploramos os impactos econômicos dos Jogos Olímpicos em três cidades: Tóquio, Rio de Janeiro e Montreal. Cada uma dessas cidades teve uma experiência distinta, oferecendo um estudo de caso sobre os diferentes resultados possíveis ao sediar os Jogos Olímpicos. Adicionalmente, exploramos o caso de sucesso de Los Angeles 1984, fornecendo uma visão mais ampla dos desafios e oportunidades associados ao evento.</p><p><strong>Tóquio 2020: Uma Olimpíada no Auge da Pandemia</strong></p><p>A realização das Olimpíadas em Tóquio foi um verdadeiro teste para a economia japonesa, impactada severamente pela pandemia da COVID-19. O evento, que deveria ser uma celebração global, tornou-se um símbolo das dificuldades enfrentadas durante a crise sanitária. Com o público severamente reduzido e a ausência quase total de espectadores internacionais, as receitas provenientes da venda de ingressos despencaram, resultando em uma perda estimada de 800 milhões de dólares.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/615/1*tV96tuVENZxg_gjzBDhUIQ.png" /><figcaption>Artista solo se apresenta para arquibancadas vazias nas Olimpíadas de Tóquio 2021 — Foto: Leah Millis/Reuters</figcaption></figure><p>Além disso, o investimento massivo no evento, que ultrapassou os 15 bilhões de dólares, foi recebido com grande insatisfação pela população japonesa, onde 55% dos entrevistados se posicionaram contra a realização dos Jogos. Este cenário complicado foi agravado pela necessidade de adiamento dos Jogos, que gerou um prejuízo imediato de 354 bilhões de dólares e um impacto negativo no PIB japonês de aproximadamente 1,4%.</p><p>Apesar desses desafios, o governo japonês e o Comitê Organizador apostaram na transformação digital e na mobilidade urbana como legados duradouros dos Jogos. Contudo, o cenário de pandemia e as medidas de restrição impuseram severas limitações aos benefícios econômicos esperados. A estimativa é de que os ganhos econômicos durante os Jogos se situaram em apenas 520 bilhões de ienes, aproximadamente 47 bilhões de dólares, muito abaixo das expectativas iniciais.</p><p><strong>Rio 2016: Um Legado Econômico Contestável</strong></p><p>Os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016 foram cercados de controvérsias, desde a preparação até o legado pós-evento. Apesar dos investimentos significativos, que somaram 39 bilhões de reais, os impactos econômicos foram motivo de intenso debate. Segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas, os Jogos geraram 512 bilhões de reais para o PIB, com um impacto considerável na renda das famílias e na criação de empregos.</p><p>Entretanto, o sucesso econômico foi ofuscado por questões de uso racional do dinheiro público. Embora o estudo da FGV tenha concluído que o Rio de Janeiro entregou um dos Jogos mais eficientes em termos de uso de recursos públicos, a percepção popular foi marcada por críticas à administração dos investimentos e às promessas de legado. Além disso, a sustentabilidade dos projetos olímpicos tem sido questionada, com muitos deles enfrentando problemas de manutenção e subutilização.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/640/1*hTXTVcllUbpbv3cpO40cKw.png" /><figcaption>Cerimônia de encerramento das Olimpíadas do Rio de Janeiro 2016 — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil</figcaption></figure><p>Ainda assim, o evento proporcionou um impulso temporário à economia local, beneficiando a cadeia produtiva e gerando empregos. A longo prazo, porém, o impacto positivo é menos evidente, e o Rio de Janeiro continua a lidar com as consequências econômicas e sociais de sediar um evento dessa magnitude.</p><p><strong>Montreal 1976: O Peso das Dívidas Olímpicas</strong></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/506/1*dTEtOfa4BlU8dkRMYROgHg.png" /><figcaption>Estádio Olímpico de Montreal, cartão postal da cidade — Foto: Reprodução/Vinícius Tavares</figcaption></figure><p>Montreal 1976 é frequentemente lembrada como um dos piores exemplos de má gestão econômica em Jogos Olímpicos. O custo total da organização superou em mais de sete vezes as estimativas iniciais, chegando a 61 bilhões de dólares ajustados para 2023​. Essa disparidade entre custo e previsão resultou em uma dívida que a cidade levou mais de 30 anos para quitar.</p><p>Os Jogos de Montreal deixaram um legado turístico limitado, e a cidade continua a ser um exemplo dos perigos de subestimar os custos e superestimar os benefícios. Os problemas de corrupção e má gestão agravaram ainda mais a situação, destacando a importância de uma governança eficaz e transparente na realização de eventos desse porte.</p><p><strong>Los Angeles 1984: Um Modelo de Sucesso</strong></p><p>Em contraste com Montreal, os Jogos de Los Angeles em 1984 representam um modelo de sucesso na gestão econômica de eventos olímpicos. Utilizando principalmente infraestrutura já existente e financiamento privado, Los Angeles conseguiu organizar os Jogos com um custo total de apenas 720 milhões de dólares (1,7 bilhões em valores de 2023), resultando em um lucro de 223 milhões de dólares​.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/550/1*mF3Nd1JJyl8jW3nhvYsjBg.png" /><figcaption>Cerimônia de abertura das Olimpíadas de Los Angeles 1984, no Coliseum — Foto: Steve Powell/Getty Images</figcaption></figure><p>A abordagem pragmática de Los Angeles, que incluiu a reutilização do Coliseum e a contratação de patrocinadores privados, demonstrou que é possível sediar os Jogos com eficiência econômica. Essa estratégia permitiu à cidade minimizar os riscos financeiros e maximizar os benefícios, tornando-se um exemplo para futuras cidades-sede.</p><p><strong>Comparativo Econômico das Olimpíadas</strong></p><p>Para melhor compreensão, a tabela a seguir resume os principais dados econômicos das Olimpíadas de Tóquio 2020, Rio 2016, Montreal 1976 e Los Angeles 1984, convertidos para valores equivalentes em dólares americanos de 2023.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/809/1*oMU0j7Dsr5yUPmo7Hrfb4w.png" /><figcaption>Gráfico gerado em excel</figcaption></figure><p><strong>Lições para o Futuro</strong></p><p>As experiências de Tóquio, Rio de Janeiro e Montreal ilustram a complexidade de sediar os Jogos Olímpicos e os riscos econômicos associados. Enquanto Tóquio enfrentou os desafios únicos impostos pela pandemia, o Rio de Janeiro lidou com questões de sustentabilidade a longo prazo, e Montreal se tornou um exemplo clássico dos perigos de uma má gestão financeira.</p><p>Por outro lado, Los Angeles 1984 oferece um modelo de como uma cidade pode realizar os Jogos de maneira economicamente viável. As lições aprendidas dessas edições devem servir de guia para futuras cidades-sede, destacando a importância do planejamento cuidadoso, da governança transparente e da avaliação realista dos custos e benefícios.</p><p><strong>Implicações Finais</strong></p><p>Para futuras candidatas a sediar os Jogos Olímpicos, é essencial considerar não apenas o prestígio, mas também os impactos econômicos, sociais e ambientais a longo prazo. Investimentos em infraestrutura devem ser planejados com foco na utilidade pós-evento, e a busca por financiamento privado pode ajudar a mitigar os riscos financeiros. As experiências do passado mostram que, com a estratégia certa, é possível sediar os Jogos de maneira benéfica, mas sem o devido cuidado, o legado pode se transformar em um fardo pesado.</p><p>MAIS RETORNO. Investimentos em Tóquio sede das Olímpiadas 2021 já superam US$ 15 bilhões. Disponível em: <a href="https://maisretorno.com/portal/investimentos-em-toquio-sede-das-olimpiadas-2021-ja-superam-15-bilhoes-de-dolares">https://maisretorno.com/portal/investimentos-em-toquio-sede-das-olimpiadas-2021-ja-superam-15-bilhoes-de-dolares</a>. Acesso em: 09 ago. 2024.</p><p>REUTERS. Exclusive: Olympics-Frustrated by delays, Tokyo 2020 sponsors cancel booths. Disponível em: <a href="https://www.reuters.com/lifestyle/sports/exclusive-olympics-frustrated-by-delays-tokyo-2020-sponsors-cancel-booths-2021-07-08/">https://www.reuters.com/lifestyle/sports/exclusive-olympics-frustrated-by-delays-tokyo-2020-sponsors-cancel-booths-2021-07-08/</a>. Acesso em: 09 ago. 2024.</p><p>SCIELO. O legado dos megaeventos esportivos. Disponível em: <a href="https://www.scielo.br/j/cebape/a/9FBmv65DPysnknsf4SffQTm/?format=pdf&amp;lang=pt">https://www.scielo.br/j/cebape/a/9FBmv65DPysnknsf4SffQTm/?format=pdf&amp;lang=pt</a>. Acesso em: 09 ago. 2024.</p><p>EL PAÍS. Tóquio 2020: uma Olimpíada de mau agouro para a economia japonesa. Disponível em: <a href="https://brasil.elpais.com/economia/2021-07-10/toquio-2020-uma-olimpiada-de-mau-agouro-para-a-economia-japonesa.html">https://brasil.elpais.com/economia/2021-07-10/toquio-2020-uma-olimpiada-de-mau-agouro-para-a-economia-japonesa.html</a>. Acesso em: 09 ago. 2024.</p><p>LANCE. Quanto vão custar os Jogos Olímpicos de Paris 2024? Compare com outras edições. Disponível em: <a href="https://www.lance.com.br/lancebiz/financas/quanto-vao-custar-os-jogos-olimpicos-de-paris-2024-compare-com-outras-edicoes.html">https://www.lance.com.br/lancebiz/financas/quanto-vao-custar-os-jogos-olimpicos-de-paris-2024-compare-com-outras-edicoes.html</a>. Acesso em: 09 ago. 2024.</p><p>FGV. Legado Olímpico: Fim ou saída? Disponível em: <a href="https://conhecimento.fgv.br/sites/default/files/2024-07/publicacoes/fgv_legado-olimpico_fim_saida_bx-003.pdf">https://conhecimento.fgv.br/sites/default/files/2024-07/publicacoes/fgv_legado-olimpico_fim_saida_bx-003.pdf</a>. Acesso em: 09 ago. 2024.</p><p>FGV. Cálculo inédito dos impactos do legado olímpico do Rio de Janeiro é divulgado pela FGV. Disponível em: <a href="https://portal.fgv.br/noticias/calculo-inedito-impactos-legado-olimpico-rio-janeiro-e-divulgado-pela-fgv">https://portal.fgv.br/noticias/calculo-inedito-impactos-legado-olimpico-rio-janeiro-e-divulgado-pela-fgv</a>. Acesso em: 09 ago. 2024.</p><p>AGÊNCIA BRASIL. FGV diz que houve uso racional de dinheiro público em Olimpíada do Rio. Disponível em: <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2024-07/fgv-diz-que-houve-uso-racional-de-dinheiro-publico-em-olimpiada-do-rio">https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2024-07/fgv-diz-que-houve-uso-racional-de-dinheiro-publico-em-olimpiada-do-rio</a>. Acesso em: 09 ago. 2024.</p><p>AEAWEB. The Rio 2016 Olympic Legacy: Public Perceptions of the Impacts of Hosting the 2016 Summer Olympics. Disponível em: <a href="https://pubs.aeaweb.org/doi/pdfplus/10.1257/jep.30.2.201">https://pubs.aeaweb.org/doi/pdfplus/10.1257/jep.30.2.201</a>. Acesso em: 09 ago. 2024.</p><p>METRÓPOLES. Estudo aponta que Jogos Olímpicos costumam dar prejuízo para sedes. Disponível em: <a href="https://www.metropoles.com/esportes/estudo-aponta-que-jogos-olimpicos-costumam-dar-prejuizo-para-sedes">https://www.metropoles.com/esportes/estudo-aponta-que-jogos-olimpicos-costumam-dar-prejuizo-para-sedes</a>. Acesso em: 09 ago. 2024.</p><p>INFOMONEY. O efeito econômico dos Jogos Olímpicos: o que importa é competir. Disponível em: <a href="https://www.infomoney.com.br/colunistas/cesar-grafietti/o-efeito-economico-dos-jogos-olimpicos-o-que-importa-e-competir/">https://www.infomoney.com.br/colunistas/cesar-grafietti/o-efeito-economico-dos-jogos-olimpicos-o-que-importa-e-competir/</a>. Acesso em: 09 ago. 2024.</p><p>SAGE JOURNALS. Tóquio 2020: Jogos Olímpicos em meio à pandemia. Disponível em: <a href="https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/0308518X20958724">https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/0308518X20958724</a>. Acesso em: 09 ago. 2024.</p><p>OLHAR DIRETO. Canadá levou 30 anos pagando as Olimpíadas e alerta Brasil. Disponível em: <a href="https://www.olhardireto.com.br/copa/noticias/exibir.asp?noticia=Canada_levou_30_anos_pagando_as_olimpiadas_e_alerta_Brasil&amp;id=7952">https://www.olhardireto.com.br/copa/noticias/exibir.asp?noticia=Canada_levou_30_anos_pagando_as_olimpiadas_e_alerta_Brasil&amp;id=7952</a>. Acesso em: 11 ago. 2024.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=a7ba49c348e9" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Taekwondo: Muito mais que um esporte olímpico.]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[FEA Sports Business]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 14 Aug 2024 02:53:06 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-08-14T02:53:06.517Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>A FEA Sports Business abordou a história e origem do taekwondo inicialmente como uma arte marcial e manifestação cultural surgida na Coreia até sua institucionalização como um esporte e, mais tarde, sua validação como esporte olímpico pelo COI.</p><p><strong>Por Eduardo Rosa Cravo</strong></p><p><strong>História e Origem</strong></p><p>As lutas corporais representam muito mais do que apenas forma de autodefesa, sendo uma forma de expressão do corpo humano e refletindo em seus movimentos uma filosofia de vida e até mesmo traços culturais do seu local de origem. Nesse sentido, para falarmos da origem do Taekwondo, é preciso retomarmos o passado e analisar um certo período histórico da Coreia. Entre 57a.C e 668d.C, é constituído o Período dos Três Reinos na antiga Coreia, que foi dominado pelos três reinos de <strong>Baekje</strong> (백제), <strong>Goguryeo</strong> (고구려) e <strong>Silla </strong>(신라). Esses reinos foram formados a partir da junção de grupos locais, que foram se fortalecendo e formando cidades fortificadas com entidades políticas próprias. Nesse contexto, Silla, o menor e mais fragilizado reino, era vítima constantemente de diversos ataques dos outros reinos, por isso, o rei Ching Heung, da 24ª dinastia Silla, formou um grupo de combatentes de elite especializados em combates corporais com a intenção de defender o território.</p><p>Esse conjunto de combatentes denominado Hwarang-Do formado por uma elite de jovens guerreiros, que cultivavam valores como a lealdade, a honra e habilidades marciais, foi essencial para a defesa e manutenção da ordem no reino ao longo dos anos. Além disso, os códigos de honra desse grupo refletiam traços importantes da cultura e sociedade coreana, como o respeito aos pais, nunca recuar diante de um inimigo e matar somente em última instância. A arte marcial praticada por esses indivíduos era chamada de Taekkyon e destacava-se pela sua eficácia técnica, mas também por ser uma prática que aliava a habilidade física com o crescimento moral e espiritual. Essa manifestação cultural foi se desenvolvendo e sendo difundida de geração em geração, juntamente com a sua filosofia e valores morais, como a lealdade e a honra. Por fim, desse estilo de luta encontram-se as primeiras raízes do Taekwondo atual,compartilhando movimentos e preceitos morais em comum e servindo como uma das bases para a formação do Taekwondo como uma forma de luta.</p><p>Com o passar do tempo, a difusão do Taekkyon entre as gerações e a absorção de práticas oriundas de outras lutas orientais fez com que esse estilo de luta se diversificasse e evoluísse. No entanto, essa evolução foi freada quando o Japão imperialista invadiu a Coreia em 1909 e a transformou em uma de suas colônias. Dessa forma, durante a ocupação japonesa no país, entre 1909 e 1945, todas as formas de lutas coreanas, como o Taekkyon, foram proibidas. Somente após a libertação da Coreia em 1945, que essas artes marciais foram retomadas, o que culminou na formação, de fato, do Taekwondo como conhecemos hoje. A formalização do termo Taekwondo ocorreu em 1955 quando o general Choi Hong-Hi uniu diferentes escolas de artes marciais em uma única forma de luta, batizada de Taekwondo, que significa “o caminho dos pés e das mãos”.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/889/1*KGEtoO6HIfEyLmLCK8spmg.png" /><figcaption>Imagem: Mestre de Taekwondo/itftkd.sport</figcaption></figure><p><strong>Desenvolvimento como esporte e Regras</strong></p><p>O primeiro exemplo da transformação dessa arte marcial e manifestação cultural coreana em esporte foi o primeiro campeonato nacional de taekwondo realizado em 1964 na Coreia com a participação de mais de 200 atletas. Nesse processo de consolidação da prática como um esporte, o governo sul-coreano teve papel fundamental, na medida que o promoveu como uma representação da cultura e identidade coreana. O que é observável pelos valores morais e filosóficos em comum entre o Taekwondo e a cultura coreana, vide a disciplina, o respeito e a justiça.</p><p>Outro momento marcante para a consolidação do taekwondo como prática esportiva foi a fundação da ITF (Federação Internacional de Taekwondo) pelo General Choi Hong-Hi, fundador do taekwondo, em 1966. Essa organização foi criada com o intuito de promover uma padronização das técnicas do Taekwondo — algo essencial para sua transformação como esporte — unificando os diferentes estilos e práticas existentes, além de auxiliar na sua disseminação ao redor do mundo e corroborar para tornar, no futuro, o Taekwondo uma prática global. Dessa forma, a influência da ITF contribuiu para a globalização dessa prática, ganhando cada vez mais reconhecimento à medida que se expandia para novos países.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/863/1*nccQRz3p_Dq8_BwqcuthqQ.png" /><figcaption><strong>Logo da Federação Internacional de Taekwondo</strong></figcaption></figure><p>Já a década de 70 foi um período crucial para a internacionalização em peso do taekwondo. Inicialmente, em 1973, houve a realização do primeiro Campeonato Mundial de Taekwondo em Seul, na Coreia do Sul, esse evento atraiu diversos participantes de inúmeros países e foi importantíssimo para a divulgação internacional do Taekwondo. Essa competição alçou o esporte a novos patamares e possibilitou uma forte presença em outros países, além de demonstrar a seriedade que o país anfitrião tinha com a modalidade e, de fato, o encarava como um símbolo nacional. Portanto, a década de 70 marcou a transição do Taekwondo de uma prática tradicional coreana para um esporte internacional, reconhecido e respeitado mundialmente. O que foi fundamental para ampliar o número de praticantes e pavimentar o caminho para o reconhecimento do taekwondo como esporte olímpico nos anos seguintes.</p><p>Quanto às regras do Taekwondo, elas são estruturas a fim de garantir a segurança e a justiça nos embates dentro das competições. Na luta, são permitidos socos e chutes, entretanto, os socos só podem ser direcionados ao tronco do adversário, enquanto os chutes não podem atingir a área abaixo da cintura do oponente. O local de combate é um tatame, geralmente, com 8x8 metros de área. Além disso, ambos os atletas devem estar utilizando o equipamento de proteção, que envolve: capacete, protetores bucais, luvas e colete. O combate é dividido em três rounds de dois minutos, nos quais os atletas somam pontos ao acertar chutes e socos em áreas permitidas do corpo do adversário, incluindo a cabeça. O sistema de pontuação é eletrônico, visando maximizar a precisão e a justiça em batalhas, utilizando sensores localizados no equipamento dos atletas e com o passar do tempo, a evolução tecnológica fez com que os equipamentos fossem cada vez mais precisos e passassem por constante mudança. Assim, ao final da batalha, o vencedor é o competidor que acumular mais pontos ao final dos três rounds, outras opções são a vitória por nocaute, ou por golden point quando há um empate na pontuação após os três rounds.</p><p><strong>Trajetória nas olímpiadas</strong></p><p>Ainda no ano de 1973, foi criado a WTF (Federação Mundial de Taekwondo), que tinha como objetivo principal transformar o taekwondo em um esporte olímpico. Dois anos após sua criação, em 1975, a WTF foi reconhecida pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), sendo um marco do início da aceitação do Taekwondo como esporte olímpico. Assim, ao longo dos anos, a WTF buscou incessantemente a entrada do esporte nas Olimpíadas, usando como justificativa a popularidade e internacionalização dessa prática, assim como o fato de ser um elemento que complementava o ideal olímpico, de ênfase na ética e na disciplina. Esses esforços culminaram para que nas Olimpíadas de 1988 realizadas em Seul, na Coreia do Sul, país responsável pela criação do esporte, a arte marcial coreana fosse finalmente incluída como um esporte de exibição. Após isso, foi esporte de exibição em Barcelona, em 1992, novamente, mas ficou fora da programação olímpica na edição seguinte, em 1996.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/930/1*X-D_NjCCaLuVHqRxV9wL3w.png" /><figcaption>Imagem: Steve D`Agostino</figcaption></figure><p>A inclusão de forma oficial do Taekwondo no programa olímpico ocorreu em 1994, quando o COI definiu que o esporte estaria presente nas Olimpíadas de Sydney, em 2000. Essa decisão foi muito comemorada pela comunidade internacional praticante do esporte e derivou do árduo trabalho da WTF e da ITF de institucionalizar o Taekwondo como um esporte reconhecido no mundo todo de uma vez por todas. No entanto, essa conquista também é dos milhares de praticantes que semearam essa atividade, como luta e manifestação cultural por mais de 1000 anos, desde o início com os guerreiros do Hwarang-Do até o presente. Essas pessoas foram vitais para a construção de uma identidade nacional coreana e da formação de uma arte marcial praticada em todo o planeta por milhões de pessoas, que veio a se tornar uma modalidade presente nas Olimpíadas.</p><p>As Olimpíadas de Sydney foram um marco histórico e simbólico por ser a primeira edição em que a modalidade estava presente, tornando, finalmente, o sonho em realidade de diversos praticantes da arte marcial ao redor do mundo. A competição foi dividida em 4 categorias de peso para homens e 4 categorias de peso para mulheres, cada categoria contendo 16 atletas que haviam se classificado por meio de campeonatos mundiais e regionais. Com a participação de atletas de 51 países diferentes, o país que mais se destacou, como esperado, foi a Coreia do Sul, conquistando 3 medalhas de ouro e 1 medalha de prata. Um dos destaques dessa edição foi o atleta Kim Kyong-Hun, que conquistou a medalha de ouro na categoria masculina até 80Kg. O coreano já se destacou nas lutas preliminares, mostrando domínio técnico pleno e uma força expressiva, até avançar para a final, na qual venceu o nigeriano Emmanuel Oghenejobo por um placar apertado e garantiu a medalha de ouro para si e para seu país. A sua vitória foi uma representação do contínuo esforço coreano em promover o Taekwondo globalmente e torná-lo uma modalidade olímpica, sendo traduzido em sucesso.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/938/1*k0mE9XIoLS36b59f2N9TwQ.png" /><figcaption>Foto: Robert Cianflone / Getty Images</figcaption></figure><p>Nas edições seguintes dos jogos olímpicos, o Taekwondo se solidificou de vez como um esporte olímpico, estando presente em todas, mantendo seu formato original e apenas incorporando as inovações tecnológicas no esporte. Um dos grandes nomes de destaque nessas edições foi Steven López, atleta estadunidense, que faturou um ouro já na primeira edição em 2000 na categoria até 68Kg e depois, em 2004, conquistou o ouro, mas ,dessa vez, na categoria até 80Kg. Isso exemplifica a globalização do esporte e mostra que a Coreia, apesar de ser responsável por criar essa luta, não foi capaz de monopolizar suas conquistas, o que torna o evento muito mais inesperado e emocionante. Outro exemplo dessa disseminação global da modalidade é a britânica Jade Jones, que é bicampeã olímpica, sendo ouro na categoria até 57Kg nas edições de 2012 e 2016.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/932/1*HPuhozQZWC48SHmjXMKing.png" /><figcaption>Foto: Peter Cziborra / Olympics</figcaption></figure><p>Por fim, a última edição dos jogos olímpicos realizada em agosto de 2024 na cidade de Paris nos reservou mais uma vez diversas lutas emocionantes e, principalmente, histórias de superação. Num panorama geral, a Coreia do Sul foi capaz de recuperar seu protagonismo na modalidade, após não ter conquistado nenhum ouro em Tóquio na edição anterior. Liderando o quadro de medalhas, sendo o único país a conquistar 2 ouros e faturando também 1 bronze, a atleta Kim Yu Jin e o atleta Park-Tae-Joon foram os responsáveis pelas conquistas das medalhas de ouro. É válido ressaltar que o país tem também a liderança histórica da competição com 14 medalhas de ouro, 7 a mais que a segunda colocada China. Apesar disso, os resultados deste ano e de anos anteriores mostram que, cada vez mais, novos países vêm conquistando seu espaço na modalidade, elevando a competitividade do esporte e expandindo os horizontes do esporte.</p><p>Um dos exemplos dessa pluralidade de conquistas dentro da modalidade é de Edivaldo Pontes, paraibano de 26 anos, que conquistou uma medalha de bronze nos Jogos de Paris. Também apelidado de “Netinho”, o taekwondista destaca-se como um dos maiores casos de superação dessas Olimpíadas. O episódio da perda de seu pai, um de seus maiores incentivadores, no ano de 2020, foi um ponto marcante na história do brasileiro, que mirava o pódio nas Olimpíadas como uma forma de homenagear seu pai. Em uma entrevista, Netinho evidenciou a importância de seu pai: “Eu quis desistir em duas partes da minha vida, e meu pai sempre falava: ‘Para mim você é um campeão, mas, a partir do momento em que você desistir, você passa a ser um perdedor’. Isso sempre ficou na minha cabeça.” Outro ponto que pesava contra sua chance de medalha era sua suspensão do esporte até abril deste ano, por conta de doping. Mesmo assim, apesar de todas as adversidades, incluindo uma derrota em sua primeira luta, Edivaldo foi capaz de se reerguer e conquistar um lugar no pódio para si, para o Brasil e também para seu pai que sempre o apoiou. Por conta de sua trajetória, o jovem nordestino exemplifica perfeitamente o espírito olímpico, que nos mostra que as verdadeiras vitórias na competição vão muito além de uma conquista do primeiro lugar, sendo, essencialmente, a superação individual.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/940/1*MA6p2ag376xqb7bA94kzCw.png" /><figcaption>Foto: Wander Roberto / COB</figcaption></figure><p>O Taekwondo, uma arte marcial originária da Coreia, evoluiu de uma prática cultural dos guerreiros do reino de Silla para um esporte global reconhecido pelo COI. Inicialmente praticado como uma forma de defesa e desenvolvimento moral, o Taekwondo sofreu uma pausa durante a ocupação japonesa, mas foi revitalizado após a independência coreana. A formalização do Taekwondo em 1955 e a criação da Federação Mundial de Taekwondo (WTF) foram fundamentais para sua expansão global. A inclusão do esporte nas Olimpíadas, a partir de 2000, marcou sua consolidação internacional. Jogos Olímpicos recentes, como os de Paris 2024, destacam a crescente competitividade e a diversidade de países que conquistam medalhas, evidenciando o impacto global do Taekwondo. Por fim, histórias de superação, como a do brasileiro Edivaldo Pontes, ressaltam o espírito olímpico do esporte, que transcende suas origens culturais para se tornar uma modalidade de destaque mundial.</p><p><strong>Referências</strong></p><p><a href="https://www.sulsport.com.br/historia-do-taekwondo/">https://www.sulsport.com.br/historia-do-taekwondo/</a></p><p><a href="http://rededoesporte.gov.br/pt-br/megaeventos/olimpiadas/modalidades/taekwondo">http://rededoesporte.gov.br/pt-br/megaeventos/olimpiadas/modalidades/taekwondo</a></p><p><a href="https://torah.com.br/a-historia-do-taekwondo/">https://torah.com.br/a-historia-do-taekwondo/</a></p><p><a href="https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/educacao-fisica/taekwondo">https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/educacao-fisica/taekwondo</a></p><p><a href="https://ge.globo.com/taekwondo/noticia/2023/03/13/paris-2024-veja-classificacao-do-taekwondo-para-as-olimpiadas.ghtml">https://ge.globo.com/taekwondo/noticia/2023/03/13/paris-2024-veja-classificacao-do-taekwondo-para-as-olimpiadas.ghtml</a></p><p><a href="https://www.grupoeduc-kr.com/post/os-tr%C3%AAs-reinos-da-coreia">https://www.grupoeduc-kr.com/post/os-tr%C3%AAs-reinos-da-coreia</a></p><p><a href="https://www.espn.com.br/olimpiadas/artigo/_/id/14013984/quem-e-netinho-dono-bronze-taekwondo-olimpiadas-flamengo-fanatico-sonho-pai-realizado">https://www.espn.com.br/olimpiadas/artigo/_/id/14013984/quem-e-netinho-dono-bronze-taekwondo-olimpiadas-flamengo-fanatico-sonho-pai-realizado</a></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=8c364803e778" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Vôlei de quadra brasileiro nas Olimpíadas: história, participações e conquistas.]]></title>
            <link>https://feasb.medium.com/v%C3%B4lei-de-quadra-brasileiro-nas-olimp%C3%ADadas-hist%C3%B3ria-participa%C3%A7%C3%B5es-e-conquistas-a142c55c2777?source=rss-520d570f6c5e------2</link>
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            <dc:creator><![CDATA[FEA Sports Business]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 02 Aug 2024 02:26:27 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-08-02T02:26:27.553Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p><strong>As Olimpíadas da Era Moderna são o maior evento esportivo do mundo que reúne mais de 200 países e diversas modalidades, entre elas o vôlei de quadra. Conquistando o coração dos brasileiros desde o século XX, o voleibol é motivo de muita emoção para o país. Por isso, a FEA Sports Business trouxe a trajetória das equipes brasileiras nesta modalidade desde a sua primeira participação nas Olimpíadas.</strong></p><p><strong>Por Júlia Seith</strong></p><p>O voleibol de quadra tem suas origens no fim do século XIX em Massachusetts, nos Estados Unidos. William G. Morgan, diretor de educação física de uma associação cristã, tinha como objetivo criar uma atividade que pudesse ser praticada internamente, mas que não fosse tão desgastante quanto o basquete, outro esporte que estava em ascensão na época. Dessa forma, em 1895, começou a ser praticado um esporte parecido com o badminton cujo objetivo, no entanto, era utilizar as mãos para passar uma bola de couro sobre a rede. A princípio, foi batizado por Morgan de <em>mintonette</em>, uma junção de basquetebol e badminton, porém logo foi substituído pelo nome atual.</p><p>O vôlei rapidamente se disseminou nos EUA, ultrapassando as fronteiras para Canadá e México nos anos seguintes e chegando até o Japão em um curto intervalo de tempo. Já na América do Sul, o primeiro campeonato aconteceu no Rio de Janeiro em 1951, com a seleção brasileira sendo campeã tanto no feminino quanto no masculino. Apesar da grande popularidade, o vôlei só teve sua estreia nas olimpíadas em Tóquio 1964 como parte de um evento especial para apresentar novos esportes e fez tanto sucesso que até hoje nunca saiu do programa olímpico.</p><p>Durante os primeiros ciclos olímpicos com a participação do voleibol, que compreende de 1964 até 1980, o Brasil não teve uma participação expressiva, conquistando o quinto lugar como sua melhor colocação. Vale citar também que o time feminino se classificou pela primeira vez para os Jogos apenas em 1980. Nesse período, os destaques são para Japão, com dois ouros e duas pratas no feminino e um ouro, uma prata e um bronze no masculino, e para a União Soviética, com três ouros e duas pratas no feminino e três ouros, uma prata e um bronze no masculino, conquistando medalhas nas duas categorias em todas as cinco olimpíadas.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/691/1*fVF6djeZT142A3iDszIBbA.png" /></figure><p>Os Jogos de Los Angeles foram um marco para o voleibol brasileiro. Em 1984, pela primeira vez, o Brasil conquista o pódio com a equipe masculina. Após ganharem dos donos da casa por 3x0 na fase de grupos, Brasil e Estados Unidos se reencontraram na grande final. Infelizmente, a seleção brasileira teve uma atuação discreta e levou o troco no placar: três sets a zero para os EUA e prata para o Brasil. Já a seleção feminina novamente não fez uma boa campanha, repetindo a 7ª colocação dos Jogos anteriores.</p><p>Apesar da derrota na final, a medalha do masculino deu uma nova visão para a modalidade no Brasil. Até a década de 1980, o país não tinha tradição no voleibol, mas foi a partir de Los Angeles 1984 que o Brasil passou a ter uma relevância internacional no esporte. Desde então, com exceção de Seul 1988, a seleção brasileira subiu ao pódio em todas as edições de Olimpíadas, seja no masculino ou no feminino.</p><p>Após as Olimpíadas de 1984, o vôlei virou uma febre entre os adolescentes, sendo considerado o segundo esporte mais praticado nessa faixa etária, ficando atrás somente do futebol de salão. Mais tarde, entre 1990 e 2000, a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) percebeu que a modalidade se tornou a segunda em preferência dos brasileiros, independentemente da idade, e até hoje segue sendo uma das mais amadas e praticadas no país.</p><p>Esse repentino incentivo em um esporte que ainda estava criando raízes na população fez com que a seleção brasileira construísse a base do que seriam os times multicampeões nos anos seguintes. A primeira equipe a saborear os frutos de tanto trabalho foi a comandada por Zé Roberto Guimarães e que contava com estrelas como Tande e Marcelo Negrão. Após perder o bronze para a Argentina em Seul 1988, a seleção masculina não chegava em Barcelona como favorita ao ouro. Entretanto, surpreendendo até mesmo os jogadores, a seleção ganhou todas as partidas, batendo os Países Baixos na final e conquistando para o Brasil o primeiro ouro olímpico em um esporte coletivo.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/796/1*xInhAkMJ0OLN16USBDLUoA.png" /><figcaption>Foto: Divulgação/CBV</figcaption></figure><p>Os anos de glória chegaram, enfim, para a seleção feminina depois de quase três décadas de participação nas Olimpíadas e duas campanhas recentes batendo na trave: o Brasil foi bicampeão olímpico em duas edições seguidas. A equipe feminina, que coincidentemente também era treinada pelo técnico Zé Roberto Guimarães, chegou em Pequim 2008 com sede de medalha. Em retrospecto, foi eliminada nas semifinais nas últimas quatro Olimpíadas e, mesmo que tenha conquistado o bronze em duas delas, queria quebrar essa maldição e chegar pela primeira vez em uma final olímpica. Fechou a fase de grupos com cinco vitórias em cinco jogos e manteve os 100% de aproveitamento sem perder nenhum set até a final. A seleção brasileira de voleibol feminino se sagrou campeã de forma incontestável na partida contra os Estados Unidos com um placar de três sets a um, coroando a campanha perfeita do Brasil.</p><p>Avançando quatro anos no tempo, o Brasil não fez um bom pré-olímpico e definitivamente não era favorito para medalha em Londres. Terminou a fase classificatória na quarta colocação e tinha pela frente o forte time da Rússia que havia ganhado todos os jogos de seu próprio grupo. Apesar de ter feito a final novamente contra os EUA e repetido o placar de três a um, foi justamente o confronto com a Rússia nas quartas que deu o gás que o time precisava para reagir na competição. Num jogo disputado e decidido no tie-break, a seleção brasileira salvou seis match points no quinto set e virou o jogo de forma heroica. Nas semis, bateu o Japão e sacramentou sua participação conquistando o ouro sobre os Estados Unidos.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/819/1*6cT0WPQHHhNGQ4xrFTnmjw.png" /><figcaption>Jogadoras da seleção brasileira comemorando o ouro olímpico sobre os EUA. Foto: Ivan Alvarado/Reuters</figcaption></figure><p>Para um país com essa história crescente no voleibol, a cereja do bolo que faltava era ocupar um lugar no pódio diante da sua própria torcida e a seleção brasileira teve essa chance na 31ª edição dos Jogos Olímpicos. Sediadas no Rio de Janeiro, as Olimpíadas de 2016 foram marcadas por momentos de muita emoção para os fãs brasileiros. O país investiu bilhões em sua infraestrutura para receber o evento e toda a expectativa já existente em outras edições foi multiplicada com a possibilidade de ser campeão em casa.</p><p>Porém, a seleção feminina caiu cedo na competição. Vindo do bicampeonato, era uma das favoritas para levar o ouro e confirmou seu favoritismo na fase de grupos: sem perder nenhum set, se classificou para a fase eliminatória na primeira colocação. Infelizmente para o Brasil, a China, que havia se classificado em quarto do outro grupo, não se acanhou frente às donas da casa e teve uma atuação surpreendente para eliminar a seleção nas quartas de final. Ainda venceu os Países Baixos e a Sérvia para ficar com o ouro olímpico no Rio de Janeiro.</p><p>A equipe masculina, diferentemente, fez jus ao favoritismo e se tornou tricampeã olímpica dentro de casa. Mesmo que tenha se classificado em último do grupo, só perdeu um set na fase final (para a Argentina nas quartas) e num jogo pegado contra a Itália, com parciais de 25/22, 28/26 e 26/24, garantiu a quarta medalha de ouro consecutiva para o vôlei brasileiro.</p><p><strong>Jogos Olímpicos de Paris 2024</strong></p><p>O Brasil chega na França com um total de onze medalhas olímpicas, sendo elas: três de ouro no masculino e duas no feminino, três de prata no masculino e uma no feminino e duas de bronze no feminino. O desempenho recente da equipe masculina não é bom, é o 7º colocado no ranking da FIVB e não vem tendo atuações convincentes. A seleção feminina, por outro lado, se classificou em segundo e tem grandes chances de medalha, podendo até sonhar em trazer o ouro para o Brasil.</p><p>Surpresas podem acontecer, é claro, mas a história olímpica da seleção brasileira de voleibol é muito rica, cheia de momentos de derrotas e também de superação e conquistas. Uma coisa que não se pode negar é que os atletas brasileiros sempre deixam tudo de si em quadra e que, sem dúvida, as futuras edições dos Jogos Olímpicos guardam coisas muito boas para o vôlei do Brasil.</p><p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p><p>História do Voleibol. Volleyball Federação Paulista. Disponível em: <a href="https://www.fpv.com.br/historia_volleyball.asp.">https://www.fpv.com.br/historia_volleyball.asp.</a> Acesso em: 20 de jul. de 2024.</p><p>O Brasil nos Jogos. Rede do Esporte. Disponível em: <a href="http://rededoesporte.gov.br/pt-br/megaeventos/olimpiadas/o-brasil-nos-jogos.">http://rededoesporte.gov.br/pt-br/megaeventos/olimpiadas/o-brasil-nos-jogos.</a> Acesso em: 22 jul. 2024.</p><p>Vôlei: Federação muda contagem de pontos. Folha de S. Paulo. Disponível em: <a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk29109821.htm.">https://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk29109821.htm.</a> Acesso em: 25 jul. 2024.</p><p>Todas as medalhas do vôlei brasileiro em Jogos Olímpicos. Olympics. Disponível em: <a href="https://olympics.com/pt/noticias/todas-as-medalhas-do-volei-brasileiro-em-jogos-olimpicos.">https://olympics.com/pt/noticias/todas-as-medalhas-do-volei-brasileiro-em-jogos-olimpicos.</a> Acesso em: 30 jul. 2024.</p><p>JUNIOR, Nelson K. M. História do voleibol no Brasil e o efeito da evolução científica da educação física brasileira nesse esporte. EFDeportes.com. Buenos Aires, n.º 170, jul. de 2012. Disponível em: <a href="https://www.efdeportes.com/efd170/historia-do-voleibol-no-brasil.htm.">https://www.efdeportes.com/efd170/historia-do-voleibol-no-brasil.htm.</a> Acesso em: 01 ago. 2024.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=a142c55c2777" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Saltos: Rumo à Glória Olímpica]]></title>
            <link>https://feasb.medium.com/saltos-rumo-%C3%A0-gl%C3%B3ria-ol%C3%ADmpica-42f8c16006c2?source=rss-520d570f6c5e------2</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/42f8c16006c2</guid>
            <dc:creator><![CDATA[FEA Sports Business]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 31 Jul 2024 21:44:28 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-08-11T14:38:08.476Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p><strong>A FEA Sports Business trouxe a linha do tempo da Ginástica Artística, desde sua criação até as Olimpíadas de Paris de 2024, mostrando como o esporte é um fator que reflete as situações sociais.</strong></p><p><strong>Por Maria Luiza Almeida Monteiro</strong></p><p>“Somos o que repetidamente fazemos. A excelência, portanto, não é um feito, mas um hábito”. A frase dita por Aristóteles nos remete a um passado grego que deu origem a muitas das atividades que conhecemos atualmente. Um exemplo delas é a ginástica artística. Seu surgimento se deu na Grécia Antiga, onde a prática frequente de exercícios intensos era extremamente valorizada a fim de garantir um elevado rendimento durante os conflitos. Ainda, a ginástica era muito recomendada pelos filósofos na Antiguidade, pois, para eles, era a junção ideal de treinamento físico e mental. Porém, durante a Idade Média, o culto ao corpo foi encoberto e o esporte perdeu suas forças.</p><p>Entretanto, em 1896, na primeira edição das Olimpíadas da Era Moderna, a ginástica voltou a ser uma potência e é uma das poucas competições que assiduamente faz parte do calendário olímpico desde sua inauguração. Inicialmente, existia apenas a categoria masculina, com cinco aparelhos, sendo um deles a subida na corda, que não é mais disputada. E apenas em 1928, nas Olimpíadas de Amsterdã, a participação feminina foi permitida, sendo inaugurada com três dos quatro aparelhos disputados hoje em dia.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/540/0*gCu7YYfEQPegmJRd" /><figcaption>Pôster dos Jogos Olímpicos de Atenas, 1896</figcaption></figure><p>Em meados do século XX, com a intensificação da Guerra Fria, a União Soviética enxergou a possibilidade de mostrar sua força a partir de um esporte que, na época, estava sendo pouco explorado. Por conta disso, a URSS passou a investir fortemente na ginástica artística e se tornou referência nessa modalidade. A exemplo da atleta romena Nadia Comaneci, que, aos 14 anos, durante os Jogos Olímpicos de Montreal em 1976, tornou-se a primeira ginasta a receber nota máxima nas barras assimétricas: feito tão inesperado que, em um primeiro momento, o placar registrou sua pontuação como sendo 1 ao invés de 10. Ainda durante as Olimpíadas de 1976, Nadia recebeu outras sete notas 10, três medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/720/0*NfreHc5Q_sfuuCpq" /><figcaption>Foto: Don Morley / Getty Images</figcaption></figure><p>O mundo, então, passou a reparar no poder desportivo da URSS quando, em seu auge, ela conquistou quase todas as medalhas da ginástica artística feminina, despertando um sentimento de rivalidade com as nações ocidentais não apenas a partir de questões armamentistas, mas também no esporte. A partir disso, eventos esportivos passaram a sofrer boicotes esporádicos pelas potências e suas zonas de influência. Em 1980, os Estados Unidos e outros 65 países não participaram dos Jogos Olímpicos de verão para protestar contra a invasão soviética no Afeganistão. Em resposta, a União Soviética e seus aliados não participaram das Olimpíadas de 1984, ano em que os Estados Unidos conquistaram diversas medalhas de ouro, incluindo sua primeira vitória na categoria individual geral.</p><p>Apesar disso, o triunfo americano mais marcante se deu apenas nas Olimpíadas de Atlanta de 1996, com a ginasta Kerri Strug. Ela realizou com maestria seu salto sobre o cavalo, mas, durante a aterrissagem, a atleta se desequilibrou e rompeu dois ligamentos do tornozelo. Não obstante a Guerra Fria já ter chegado ao fim, o nacionalismo e a rivalidade entre os países ainda se faziam muito presentes. Por isso, Strug, sabendo que a tão sonhada medalha de ouro dependia apenas de seu segundo salto, levantou-se e realizou sua segunda tentativa, que, apesar das dificuldades, foi feita com precisão e garantiu a vitória ao time americano. Kerri saiu da área de competição carregada por seu técnico e recebeu aplausos calorosos da plateia.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1000/0*Q_TeWumBWC-qH9DT" /><figcaption>Foto: Doug Pensinger / Getty Images</figcaption></figure><p>Atualmente a tecnologia é um fator muito importante nas competições. Além do já conhecido Sistema de Controle e Replay Instantâneo, outra inovação encontra-se em fase de teste para possivelmente ser usada durante os futuros Jogos Olímpicos. Em 2017, a empresa de tecnologia japonesa Fujitsu, em parceria com Morinari Watanabe, presidente da Federação Internacional de Ginástica Artística, desenvolveu o Sistema de Julgamento Esportivo. Essa tecnologia avalia, a partir de uma inteligência artificial analítica, dados coletados durante a execução dos movimentos dos atletas e fornece um mapeamento tridimensional do ambiente de performance. O uso desse sistema permite que as decisões dos juízes sejam mais imparciais e fundamentadas.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/582/0*MVhy616Obp2UjacZ" /><figcaption>Imagem: divulgação / Fujitsu</figcaption></figure><p>As Olimpíadas de 2024 foram muito aguardadas pelos amantes de esporte, os quais estão com expectativas altíssimas para a competição, principalmente porque a edição de 2021 não pôde ter espectadores presencialmente devido à pandemia de Covid-19. No campo da ginástica artística, as atuais apostas são focadas em:</p><ol><li>Rebeca Andrade: primeira brasileira a ganhar mais de uma medalha em uma edição olímpica;</li><li>Sunisa Lee: em 2021, sua primeira participação nas Olimpíadas, venceu a categoria individual geral feminino;</li><li>Simone Biles: nas Olimpíadas de Tóquio de 2020, a multicampeã anunciou sua desistência da competição para cuidar de sua saúde mental;</li><li>Hashimoto Daiki: em 2021, sua primeira participação nas Olimpíadas, venceu a categoria individual geral masculino;</li><li>Max Whitlock: o ginasta britânico tem chances de ganhar sua quarta medalha consecutiva na etapa cavalo com alças;</li><li>Arthur Zanetti: as Olimpíadas de Paris de 2024 podem marcar a despedida do medalhista brasileiro;</li></ol><p>A edição de 2024 dos Jogos Olímpicos está acontecendo com sucesso em Paris, sua cidade-sede. Os eventos esportivos estão sendo transmitidos para o mundo todo e acompanhados por milhões de pessoas. A ginástica artística conta com atletas talentosos e consagrados, bem como novas figuras de elevado potencial, permitindo que o público acompanhe com euforia e curiosidade o esporte, que já refletiu (e o faz até hoje) mudanças sociais significativas, como a pauta trazida por Simone Biles acerca da importância de cuidar da saúde mental.</p><p><strong>Referências</strong></p><p>BLAKEMORE, Erin. Como a ginástica se tornou um dos mais populares esportes olímpicos. <strong>National Geographic</strong>, 2021. Disponível em: &lt;<a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2021/07/olimpiadas-ginastica-esportes-olimpicos-jogos-modernos-atleta-ginasta">https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2021/07/olimpiadas-ginastica-esportes-olimpicos-jogos-modernos-atleta-ginasta</a>&gt;. Acesso em: 22 de jul. de 2024.</p><p>GOULART, Karine Naves de Oliveira. <strong>Gasto energético e intensidade do esforço de atletas do sexo feminino durante sessões de treinamento de ginástica artística</strong>. 2013. 41 f. Monografia (Graduação em Educação Física) — Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2013.</p><p>CATALDO, Diego. Nadia Comaneci: idade, medalhas, biografia e altura da atleta. <strong>GE</strong>, 2024. Disponível em: &lt;<a href="https://ge.globo.com/olimpiadas/guia/2024/07/16/c-nadia-comaneci-idade-medalhas-biografia-e-altura-da-atleta.ghtml">https://ge.globo.com/olimpiadas/guia/2024/07/16/c-nadia-comaneci-idade-medalhas-biografia-e-altura-da-atleta.ghtml</a>&gt;. Acesso em: 22 de jul. de 2024.</p><p>DOR e glória: relembre salto de ginasta com ligamentos rompidos que deu ouro inédito aos EUA. <strong>GE</strong>, 2019. Disponível em: &lt;<a href="https://ge.globo.com/olympicchannel/noticia/dor-e-gloria-relembre-salto-de-ginasta-com-ligamentos-rompidos-que-deu-ouro-inedito-aos-eua.ghtml">https://ge.globo.com/olympicchannel/noticia/dor-e-gloria-relembre-salto-de-ginasta-com-ligamentos-rompidos-que-deu-ouro-inedito-aos-eua.ghtml</a>&gt;. Acesso em: 22 de jul. de 2024.</p><p>ARBULU, Rafael. Fujitsu cria IA para ajudar juízes em Mundial de Ginástica Artística. <strong>Canaltech</strong>, 2019. Disponível em: &lt;<a href="https://canaltech.com.br/inteligencia-artificial/fujitsu-cria-ia-para-ajudar-juizes-em-mundial-de-ginastica-artistica-151465/">https://canaltech.com.br/inteligencia-artificial/fujitsu-cria-ia-para-ajudar-juizes-em-mundial-de-ginastica-artistica-151465/</a>&gt;. Acesso em: 22 de jul. de 2024.</p><p>VIEIRA, Sheila. Ginástica artística em Paris 2024: programação completa e ingressos. <strong>Olympics</strong>, 2022. Disponível em: &lt;<a href="https://olympics.com/pt/noticias/calendario-ginastica-artistica-jogos-olimpicos-paris-2024">https://olympics.com/pt/noticias/calendario-ginastica-artistica-jogos-olimpicos-paris-2024</a>&gt;. Acesso em: 22 de jul. de 2024.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=42f8c16006c2" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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