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        <title><![CDATA[Stories by João Kerr on Medium]]></title>
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            <title>Stories by João Kerr on Medium</title>
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            <title><![CDATA[Mineração de Bitcoin ameaça clima global; Ethereum reduz emissões em 99%]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[João Kerr]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 10 Apr 2025 18:09:36 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-04-10T18:09:36.385Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>A mais famosa criptomoeda do mundo consome mais energia do que a Argentina inteira; o Ethereum, seu concorrente, já tem a solução para o problema</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*AM6U-qkRZvN2pJOm2Gonjg.png" /></figure><p>Desde os anos 1990, se desenvolve o conceito de <strong>criptomoedas, </strong>moedas digitais que<strong> </strong>proporcionam maior liberdade e privacidade aos usuários, através do uso da criptografia. Entre elas, a mais famosa é a Bitcoin, cuja unidade está avaliada em mais de R$ 450 mil e tem valor total estimado em mais de <strong>R$ 11 trilhões</strong>, segundo o Coin Market Cap.</p><p>Diferentemente das Moedas tradicionais, as criptomoedas são inteiramente digitais e não dependem de uma autoridade central. Enquanto o real é inteiramente controlado pelo governo brasileiro e o dólar americano pelo governo dos Estados Unidos, as transações de criptomoedas são descentralizadas e registradas em seus respetivos blockchains.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*ZQN1xND0xMdgmDAqyeA1xg.png" /></figure><p>As transferências precisam ser registradas e validadas por computadores, fornecidos por pessoas físicas. Esse processo é chamado de <strong>mineração</strong> e pode ser feito por qualquer pessoa disposta a ceder a capacidade operacional de seu computador, sendo remunerada por isso.</p><p>Por exigir muito poder computacional, a mineração de criptomoedas gasta muita energia. Segundo a BBC, o uso energético voltado para a rede <em>Bitcoin</em> durante um ano é maior que o necessário para sustentar um país como a Argentina pelo mesmo período.</p><p>A mineração exige muita energia, mas o maior problema não é o gasto por si só, e sim o uso de energias não renováveis. Esse tipo de energia impacta o meio ambiente ao fazer uso de recursos que podem se esgotar em um futuro próximo.</p><p>Como os mineradores sempre buscam as melhores condições para obter maior lucro, acabam optando pelos locais que oferecem o melhor preço. A China, por exemplo, possui um dos melhores preços de energia elétrica do mundo, e por isso responde por quase <a href="https://www.youtube.com/watch?v=hukR1LysU2Y">75% das operações do <em>Bitcoin</em></a>.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1016/1*8x_nwbafKJHUQiPnd7FD9g.png" /><figcaption><strong>Crédito: SkyNewsBiz</strong></figcaption></figure><p>Mas isso só acontece porque a China faz uso de uma das formas mais baratas de produção de energia: a queima de carvão mineral. Essa forma é, no entanto, uma das mais <strong>poluentes </strong>no mundo.</p><p>O economista Oderval Duarte, formado na UFMG, destaca a necessidade da transição para energias mais limpas. “<em>Energia limpa tem se tornado cada vez mais competitiva e já é mais barata do que algumas fontes baseadas em combustíveis fósseis</em>”, comenta Duarte.</p><p>No entanto, reformar enormes sistemas de produção de energia não é algo que pode ocorrer de um dia para o outro, e uma mudança <strong>rápida</strong> nos níveis de poluição é necessária. Caso contrário, cientistas estimam que teremos um aquecimento global de <strong>2ºC até 2033</strong>, colocando em risco diversas espécies de animais e plantas. As empresas de criptomoedas têm, portanto, o dever de promover ações que diminuam seu gasto energético.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1015/1*iAQEkBDS2OdTbV3zA-FkzA.png" /><figcaption><strong>Crédito: SkyNewsBiz</strong></figcaption></figure><p>Com isso em mente, o governo de Nova Iorque suspendeu operações de mineração de criptomoedas que envolvam combustíveis fósseis por dois anos, visando bater suas metas climáticas. O estado ainda encomendou um estudo sobre os impactos da mineração de criptomoedas, O estudo, que ainda não foi publicado, deve ditar o posicionamento do estado frente à questão nos próximos anos.</p><h4>Qual é o caminho para a sustentabilidade?</h4><p>O processo de mineração do Bitcoin é feito através do método Proof of Work (PoW). Nele, computadores competem para resolver problemas matemáticos complexos para validar transações. Apesar de eficaz, o PoW exige muito poder computacional e energia.</p><p>Como alternativa, o método Proof of Stake (PoS) oferece uma solução mais sustentável. Nele, os validadores são selecionados de acordo com a quantidade de criptomoeda que “apostam” no processo de mineração, não apenas com o poder computacional. Assim, o consumo de energia é drasticamente reduzido.</p><p>O Ethereum, a segunda maior criptomoeda no mundo, fez a transição para o PoS em 2022, reduzindo seu uso de energia em 99,95%, de acordo com a Ethereum Foundation.</p><p>Se o Bitcoin adotasse um modelo semelhante, poderia evitar a emissão de 97,5 milhões de toneladas de CO2 anualmente, o equivalente a 0,2% das emissões globais.</p><p>As criptomoedas oferecem alternativas financeiras inovadoras, mas seu impacto ambiental precisa ser revisto. Ao adotar tecnologias e práticas mais verdes, a indústria pode atingir um equilíbrio entre inovação e sustentabilidade.</p><p>Dessa forma, as empresas e governos nacionais precisam criar projetos eficientes para cortar os gastos dessa tecnologia, pois ela veio para ficar.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=4eaf66fff007" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[O Futebol Brasileiro além dos Gramados]]></title>
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            <category><![CDATA[inclusão]]></category>
            <category><![CDATA[responsabilidad-social]]></category>
            <category><![CDATA[preconceito]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[João Kerr]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 08 Dec 2023 23:38:14 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2023-12-08T23:38:31.216Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>Projetos de impacto na sociedade</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/766/1*iDZZmBCxvUSMOPc2k1cyag.jpeg" /></figure><p><a href="https://medium.com/u/86aaace268a2">João Kerr</a></p><p>O Brasil tem o futebol como um esporte de enorme impacto e influência em sua população. De acordo com o relatório “Convocados”, fruto de pesquisa realizada pela XP em 2022,<strong> 88% </strong>dos brasileiros torcem para algum time de futebol, sendo que <strong>75% </strong>da população o tem como esporte favorito.</p><p>Considerando uma população de 207,75 milhões de habitantes, segundo dados do IBGE, são mais de <strong>182 milhões de pessoas impactadas</strong> pelos clubes de futebol. Ainda segundo a XP, as receitas dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro ultrapassaram <strong>6,9 bilhões de reais</strong> em 2022. Fica evidente, portanto, o quanto essas instituições conseguem influenciar pessoas, utilizando sua visibilidade e poderio financeiro.</p><p>Hoje, porém, o futebol ainda é um esporte rodeado de preconceitos e intolerância. A grade maioria das torcidas de times brasileiros possui em seus cânticos algum tipo de fala preconceituosa ou incitação à violência.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/432/1*PLwEtAVte3GwessHgIKmuw.png" /><figcaption><em>Canto da torcida do Flamengo contra o Fluminense, no Maracanã (Reprodução — O Contra-Ataque)</em></figcaption></figure><p>Buscando tornar as arquibancadas mais seguras e agradáveis para torcedoras mulheres e pessoas da comunidade LGBTQIA+, surgem torcidas organizadas como a Coligay do Grêmio, pioneira entre as torcidas LGBT no Brasil, seguida por outras famosas como a Porcoíris, do Palmeiras e a Flagay, do Flamengo.</p><p>Para além dos movimentos feitos por torcedores, os próprios clubes brasileiros de futebol e as entidades responsáveis pelo esporte, (CBF e federações estaduais) também devem trabalhar visando tornar o ambiente que rodeia o esporte mais agradável e inclusivo. Após mais um caso de racismo contra o atacante brasileiro Vinícius Junior durante partida por LaLiga, principal campeonato espanhol de futebol, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) organizou uma série de ações de combate ao racismo, contando com jogo amistoso da Seleção promovendo a causa e posicionamentos na internet. Clubes brasileiros também demonstraram apoio a Vini através das redes sociais e outras iniciativas.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/377/1*XCbMPWYC3SVgobnyUtz9kQ.jpeg" /><figcaption><em>Vini Jr. Aponta para torcedor racista na torcida do Valenica [Getty Images]</em></figcaption></figure><p>O posicionamento dos clubes frente a questões sociais vem se tornando torna cada vez mais comum, como mostra o levantamento feito pelo coletivo <em>O Contra-Ataque</em>. Em 2021, 17 dos 20 cubes da Série A do Campeonato Brasileiro se posicionaram nas redes a favor do Dia Internacional de Luta Contra a LGBTfobia, contra apenas 4 clubes nos anos 2017 e 2018. Em 2016, a pauta não foi abordada por nenhum clube.</p><p>Esse tipo de iniciativa, no entanto, nem sempre surte resultados e frequentemente acaba sendo alvo de críticas. O amistoso da Seleção Brasileira contra Guiné em 17 de junho de 2023, por exemplo, contou com ações contra o racismo que acabaram “saindo pela culatra”, por conta de algumas negligências por parte da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), entidade responsável pela Seleção Brasileira e pela organização das principais competições do futebol brasileiro.</p><p>A partida foi realizada justamente na Espanha, país onde já ocorreram vários episódios de racismo contra Vini Jr, atacante da seleção brasileira. Durante o primeiro tempo do jogo, a seleção brasileira utilizou, de forma inédita, um uniforme preto, buscando chamar a atenção para a causa racial. Após o apito inicial, vários jogadores ergueram o punho em apoio ao movimento antirracista.</p><p>Porém, antes da partida, um homem da equipe de segurança apontou uma banana para Felipe Silveira, amigo e assessor de Vinícius Júnior e disse: “Levante os braços, essa é minha pistola”, em mais um episódio de racismo no futebol, que revoltou fãs do esporte ao redor do mundo.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/887/1*BXlc86fhMJ7VDqkvimJXXA.jpeg" /><figcaption><em>Confusão se forma após mais um caso de racismo na Espanha [Reprodução/TV]</em></figcaption></figure><p>Segundo Marcos Luca Valentim, jornalista do Grupo Globo que frequentemente se posiciona frente a questões raciais no esporte, o episódio poderia ter sido evitado caso a CBF escolhesse um modelo melhor de combate ao racismo.</p><p><em>“Você pegar o Vinicius Junior e levar para um lugar desse é uma falta de sensibilidade, é crueldade, perversidade. […] Tenho dificuldade de entender o antirracismo nesse modelo. […] Se a gente sabe que o racismo é estrutural, que está nas entranhas da sociedade e dos organismos todos, o antirracismo seria usar tudo que se tem para destruir essa estrutura. Eu tenho dificuldade de acreditar que essas pessoas e estruturas como a CBF realmente querem destruir uma estrutura que as favorece. Óbvio que irrita, desgasta a gente [o episódio de racismo contra Felipe Silveira] mas irrita mais ainda porque era previsível, poderia ser evitado. Mas volto ao cerne de tudo isso — quer se indispor ou quer só botar um emblema contra o racismo e achar que isso é suficiente?”,</em> disse Marcos, em vídeo no Instagram.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/241/1*lINGjCA78WXn1kBV0vQRGw.png" /><figcaption><em>Reprodução/Instagram</em></figcaption></figure><p>Não basta, portanto, realizar ações com o intuito de ganhar popularidade e se isentar de reponsabilidade social. Para ter um verdadeiro impacto social, é preciso organizar projetos bem pensados e planejados de acordo com o contexto da causa que será abordada.</p><p>Como citado anteriormente, as instituições do futebol brasileiro têm visibilidade e verba suficiente para realizar ações com grande impacto na sociedade, mas é preciso utilizar estratégias efetivas. Além do combate aos preconceitos à violência, as ações podem dar visibilidade a diversas causas, como a preservação ambiental, a adoção animal, a inclusão de pessoas com deficiência, entre outros exemplos que podem impactar a sociedade positivamente.</p><p>Entre as diversas ações de clubes de futebol que ocorreram recentemente, podemos citar a parceria do Palmeiras com o projeto Bichos do Gueto, na qual os jogadores titulares da equipe entraram com filhotes de cachorro disponíveis para adoção, para incentivar a adoção responsável, e conseguiu lares para todos os cãezinhos.</p><p>Outro clube que frequentemente realiza ações de impacto social é o Vasco da Gama. O clube, que tem como característica ser ativista desde sua fundação, lançou nos últimos anos diversas camisas especiais, de jogo e de treino, que promovem causas como o respeito à pluralidade religiosa, o combate ao racismo e o combate à homofobia.</p><p>Apesar de serem iniciativas interessantes, essas ações são pouco analisadas pela mídia esportiva. Em geral, os veículos de imprensa apenas replicam releases produzidos pelos clubes. Não há um olhar crítico que busque entender qual foi a verdadeira intenção daquele projeto e se ele teve algum impacto relevante na causa que teoricamente gostaria de apoiar.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/460/1*eT173EyvbP_FAXt6FbkOYQ.png" /><figcaption><em>Duas matérias de grandes veículos retratam uma ação do Vasco com exatamente o mesmo título.</em></figcaption></figure><p>Com isso em mente, a pesquisa a seguir estudou ações já realizadas por instituições do futebol brasileiro, entendendo quais foram os esforços envolvidos, os resultados esperados e os obtidos. Essa não é, no entanto, uma pesquisa voltada para o marketing, publicidade ou comunicação institucional, cujo objetivo seria buscar caminhos para essas entidades ampliarem sua visibilidade ou a simpatia de seus adeptos, e sim um trabalho jornalístico que irá investigar ações de responsabilidade social para entender se houve realmente pessoas impactadas e o apoio a determinada causa foi eficaz ou apenas uma jogada publicitária.</p><p>Para isso, foram ouvidas diversas pessoas envolvidas nos diferentes projetos, como membros das equipes de marketing de clubes de futebol e vozes especializadas em certas pautas raciais, como Marcelo Carvalho, diretor do Observatório da Discriminação Racial no Futebol. Os personagens entrevistados ajudaram a tecer uma rede de diversas nuances que envolvem cada um desses projetos, para olharmos de forma crítica para cada um deles e entender quem de fato foi impactado e quais práticas devem ser adotadas em próximas ações realizadas por essas instituições.</p><p>Assim, para além de entreter fãs de esporte, as reportagens a seguir buscam impactar qualquer tipo de audiência com um ponto de vista diferenciado sobre o papel das entidades esportivas no fortalecimento de diversas pautas sociais e na sociedade como um todo.</p><p>Confira as matérias desenvolvidas para o projeto:</p><p><a href="https://joaokerr.medium.com/palmeiras-e-os-bichos-do-gueto-f00a1c416d2b">Palmeiras e os “Bichos do Gueto”</a></p><p><a href="https://joaokerr.medium.com/vasco-pai-santana-e-a-camisa-ritual-bdeaaa3a826c">Vasco, Pai Santana e a camisa “Ritual”</a></p><p><a href="https://joaokerr.medium.com/cbf-e-as-a%C3%A7%C3%B5es-antirracismo-ap%C3%B3s-o-caso-de-vini-jr-01168adf9fc9">CBF e as ações “antirracismo” após o caso de Vini JR</a></p><p><a href="http://Fortaleza EC e a inclusão de torcedores com autismo nos estádios">Fortaleza EC e a inclusão de torcedores com autismo nos estádios</a></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=34ea86f8d3f2" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Fortaleza EC e a inclusão de torcedores com autismo nos estádios]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[João Kerr]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 08 Dec 2023 23:30:39 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2023-12-08T23:40:10.576Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>Clube nordestino foi o primeiro a disponibilizar abafadores para seus torcedores, inspirando outros clubes brasileiros a realizar ações semelhantes</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/984/0*tCdNElBXw4poE8De.jpg" /></figure><p><a href="https://medium.com/u/86aaace268a2">João Kerr</a></p><p>Em abril de 2023, no mês da conscientização do autismo, o Fortaleza divulgou uma iniciativa inovadora entre os clubes do futebol brasileiro. A partir da partida contra o Fluminense, pelo Brasileirão, no fim daquele mês, o clube passou a disponibilizar abafadores para pessoas com autismo.</p><p>Desde então, em todos os jogos de mando do Leão, os torcedores que possuem o transtorno podem solicitar seu abafador até o dia anterior à partida, através do Whatsapp (85) 99411–0317. Não é preciso ser sócio do clube.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/766/1*iDZZmBCxvUSMOPc2k1cyag.jpeg" /><figcaption><em>Divulgação / Fortaleza EC</em></figcaption></figure><p>Na ação que deu início à campanha, algumas crianças com autismo tiveram a oportunidade de fazer um tour pela Arena Castelão e algumas entraram em campo com os jogadores na estreia do tricolor pelo Campeonato Brasileiro. Elas assistiram à partida em um camarote sensorial, que busca proporcionar um ambiente agradável e acolhedor para todos esses jovens. A iniciativa partiu da parceria com o Clube da Garotada, uma das frentes do Bem Tricolor, projeto criado por torcedores do time, que visa ajudar pessoas em estado de vulnerabilidade social.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/299/1*COozmvxNwIdt8Dz9-_JVbw.png" /><figcaption><em>Mateus Lotif / Fortaleza EC</em></figcaption></figure><p>Apesar do Fortaleza ter sido o clube brasileiro pioneiro na disponibilização dos abafadores, os camarotes sensoriais para pessoas com autismo já estavam presentes nos estádios de Corinthians (Neo Química Arena), Coritiba (Couto Pereira) Goiás (Hailé Pinheiro) e Londrina (Estádio do Café). Mais recentemente, o São Paulo FC também inaugurou um espaço assim no Morumbi. O tricolor paulista também irá disponibilizar abafadores, além de profissionais especializados para prestar atendimento quando necessário.</p><p>Esses espaços contam com iluminação mais suave, áreas de descanso, recursos de cancelamento de ruído e materiais sensoriais. Os recursos minimizam as dificuldades que as pessoas no espectro autista enfrentam ao assistir a partidas de futebol.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/800/1*hM9sPN_8ekskrdj1CALBWw.jpeg" /><figcaption><em>[Rubens Chiri / Saopaulofc.net]</em></figcaption></figure><p>Rogério Lins, administrador da página Tricolor Onde For, busca dar visibilidade à causa através de sua página que leva conteúdo sobre o São Paulo FC a mais de 18 mil seguidores. Ele acompanhou e apoiou o projeto da Sala TEA+ Tricolor e recebeu feedbacks muito positivos por parte de torcedores do clube, mas destaca que ainda deve haver um processo de aperfeiçoamento tanto da sala quanto dos procedimentos que envolvem seu uso.</p><blockquote>“É uma sala muito elogiada, inclusive por quem já visitou outras salas do tipo, tanto em relação aos equipamentos, quanto à logística do serviço. Lógico que com o passar do tempo vamos saber os pontos a melhorar, já que ainda estamos indo para o segundo jogo de uso da sala.”</blockquote><p>Sobre a comparação com salas de outros estádios, ele destaca:</p><blockquote>“Vale deixarmos bem ressaltado que não existe competição entre os torcedores entre as salas sensoriais dos clubes. Não há rivalidade — se houver uma melhoria na sala do Corinthians, o pessoal da Sou Tricolor Autista vai fazer o que for possível para apoiar, por exemplo. É muito diferente do mundo do futebol em geral. A palavra rivalidade, aqui, passa longe.”</blockquote><p>O Transtorno do Espectro Autista é uma questão neurológica, que implica em uma série de impactos nas habilidades sociais e comportamentos daqueles que nascem com ele. Existem vários níveis do transtorno que desencadeiam diferentes tipos de dificuldade para acompanhar aos jogos de futebol em estádios.</p><p>Nickollas Grecco, torcedor do Palmeiras, deficiente visual e autista, é um exemplo de torcedor que possui o espectro, mas que adora acompanhar as partidas de seu time no Allianz Parque. Ele e sua mãe, Silvia Grecco, que narra as partidas para o filho, conquistaram o Fifa Fan Award, prêmio da FIFA dedicado aos maiores torcedores do mundo do futebol e entregue na cerimônia Fifa The Best.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/900/1*NedBa4qsv4OR5LVW4MDiug.jpeg" /><figcaption><em>Silvia Grecco em premiação da Fifa ao lado do filho Nickollas [Simon Hofmann — FIFA via Getty Images]</em></figcaption></figure><p>Sobre a presença em estádios, Silvia conta que Nickollas não tem problema com barulho, mas que muitos autistas têm e que é necessário que os estádios tenham uma estrutura para ajudá-los:</p><blockquote>“É importante que haja o suporte para aqueles que precisam. Até porque muitos torcedores, quando veem um autista que, por exemplo, fica se chacoalhando ou mexendo muito as mãos, acabam não recebendo bem esses torcedores, por conta do capacitismo”</blockquote><blockquote>“As pessoas que trabalham no estádio precisam ter empatia e serem bem instruídas para orientar as pessoas, mostrando lugar em que vai sentar, evitando que saiam na hora do tumulto, procurando que entrem antes”</blockquote><p>Por conta dos grandes desafios enfrentados pelos autistas e a grande demanda dessas pessoas por inclusão e acolhimento nos ambientes esportivos, foram criadas diversas torcidas organizadas de autistas. Autistas Alvinegros (Corinthians), Autistas Alviverdes (Palmeiras) e Sou Tricolor Autista (São Paulo) são exemplos das maiores do estado de São Paulo.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/576/1*Js9F_LL4DuiZcBkVRv1c7g.jpeg" /><figcaption>[Reprodução / ESPN]</figcaption></figure><p>Já são <strong>mais de 20 torcidas</strong> ao redor do Brasil dando voz a essa causa, reivindicando um apoio cada vez maior aos torcedores autistas nos estádios. Os resultados estão aparecendo e iniciativas como as que vimos aqui devem se tornar cada vez mais comuns.</p><p>Esta matéria é parte de um projeto desenvolvido ao longo de 2023 como Trabalho de Conclusão de Curso da graduação em Jornalismo na PUC-SP. <a href="https://joaokerr.medium.com/o-futebol-brasileiro-al%C3%A9m-dos-gramados-34ea86f8d3f2"><em>Saiba mais.</em></a></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=ab6feee1692c" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[CBF e as ações “antirracismo” após o caso de Vini JR]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[João Kerr]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 08 Dec 2023 22:49:58 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2023-12-08T23:41:06.532Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>Após novo caso de racismo contra Vini, a Confederação organizou uma série de ações para dar voz à causa</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*zQjVWL5-uXtWy4jLANgLRw.jpeg" /><figcaption><em>[Pau BARRENA / AFP]</em></figcaption></figure><p><a href="https://medium.com/u/86aaace268a2">João Kerr</a></p><p>Após mais um dos vários episódios de racismo contra Vinícius Júnior, dessa vez em partida contra o Valência, que repercutiu no mundo todo e causou enorme revolta, a CBF resolveu organizar uma série de ações antirracismo em partida contra a Guiné.</p><p>O ataque contra Vini ocorreu no dia 21 de maio de 2022, no Estadio de Mestalla. Durante a partida por LaLiga, a primeira divisão do Campeonato Espanhol, Vini escutou ofensas racistas durante os 90 minutos. Mas o auge foi aos 24, quando o brasileiro fez uma reclamação com o juiz da partida e uma parte enorme da torcida começou a fazer gestos e proferir inúmeras ofensas ao jogador, a maioria de cunho racial.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*fOy23XaQFbEBafP3aH5wEA.jpeg" /><figcaption><em>Vini imita gesto feito por torcedor do Valencia [Getty Images]</em></figcaption></figure><p>Pouco tempo depois, a CBF anunciou que o amistoso já agendado contra a Guiné teria seria uma série de ações de “combate ao racismo”. No entanto, a partida ficou marcada por mais um episódio de preconceito.</p><p>Os jogadores entraram em campo com um uniforme inteiramente preto e jogaram o primeiro tempo inteiro com ele, sendo que a Seleção Brasileira nunca tinha atuado com um uniforme dessa cor. Antes do início da partida, houve um minuto de silêncio, no qual os jogadores se ajoelharam e estenderam os braços com punhos fechados em apoio à causa.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/920/1*5ddgL-T8WZnjALr5uEIXcA.jpeg" /><figcaption><em>Richarlison, Vinicius Jr. e Militão antes de amistoso em Barcelona [</em>Alex Caparros/Getty Images]</figcaption></figure><p>Porém, apesar do esforço da Confederação, o tiro saiu pela culatra. O amistoso ficou marcado por mais um infeliz episódio de racismo, antes mesmo da bola rolar. A equipe de assessoria de Vinicius Júnior, craque que já sofreu mais de 15 casos de racismo em partidas de futebol, ao ingressar no estádio, foi surpreendida por um segurança segurando uma banana, que a apontou para um dos assessores, Felipe Silveira, e disse: “mãos ao alto, essa [banana] é minha arma para você”.</p><p>Felipe estava acompanhado de outros três membros de sua equipe quando passavam pela revista, procedimento padrão na entrada em qualquer estádio. Quando foi impactado com a fala do segurança, ele e seus companheiros de trabalho se revoltaram e chamaram a polícia imediatamente.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/887/1*BXlc86fhMJ7VDqkvimJXXA.jpeg" /><figcaption><em>Confusão se forma após mais um caso de racismo na Espanha [Reprodução/TV]</em></figcaption></figure><p>Segundo os assessores, a denúncia foi tratada com ironia pela equipe de segurança do estádio — “Estou tremendo de medo”, disse um dos profissionais. Imagens de câmeras de segurança mostram que o homem que proferiu a fala racista realmente tinha uma banana na mão.</p><p>Após o ocorrido, Marcos Luca Valentim, jornalista da Globo e líder do grupo-étnico racial da emissora, se revoltou e expressou indignação coma a atitude da CBF de levar a partida para a Espanha, justamente onde já ocorreram vários episódios de racismo com brasileiros. “Você pegar o Vinicius Junior e levar para um lugar desse é uma falta de sensibilidade, é crueldade, perversidade. Óbvio que irrita, desgasta a gente, mas irrita mais ainda porque era previsível, poderia ser evitado”, disse Valentim em seu Instagram.</p><p>Marcelo Carvalho, diretor do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, pensa diferente. Ele acredita que a ideia de realizar a partida na Espanha era interessante, já que é um lugar onde tem que haver esse tipo de ação para reflexão. No entanto, era necessário um planejamento por parte da CBF que olhasse para todos os possíveis cenários que envolveriam a partida.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/425/1*xEF7IepGSkL4JlAh2w8saQ.jpeg" /><figcaption><em>Marcelo Carvalho, diretor do Observatório da Discriminação Racial no Futebol [Divulgação / CP]</em></figcaption></figure><blockquote>“Talvez tenha faltado um olhar para os bastidores. Pelo que se viu, a CBF estava muito preparada para olhar para possíveis casos de racismo que ocorressem entre as quatro linhas e na arquibancada. Faltou um preparo e a definição de um procedimento para caso ocorresse um episódio nos bastidores ou até nos arredores do estádio.”, <em>afirma Marcelo.</em></blockquote><p>O Observatório da Discriminação Racial no Futebol é um projeto criado visando mapear os casos de racismo no esporte e divulgá-los amplamente, dando mais visibilidade à causa e ajudando a erradicar esse tipo de preconceito. Desde 2014, o Observatório produz relatórios anuais, relatando todos os tipos de discriminação dentro do esporte, que são usados para consulta em pesquisas acadêmicas, da imprensa e do público em geral, além de contar com um portal de notícias que cobre esses casos e impacta milhares de pessoas todos os dias.</p><p>Ainda de acordo com Marcelo, diretor do projeto, para termos avanços relevantes no combate ao racismo, é necessário que diversas frentes que envolvem o esporte trabalhem em conjunto: <em>“O que falta é todas as entidades que podem trabalhar em punições no futebol brasileiro se sentarem na mesma mesa — a CBF, os tribunais de justiça esportiva, a justiça comum e a polícia”.</em></p><p>Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, foram registradas <strong>2458 ocorrências de racismo </strong>no Brasil em 2022. O número é 40% superior ao de 2021 (1464).</p><p>No esporte, o Observatório mapeou mais de 230 casos de discriminação em 2022 e os números vem em uma forte crescente desde 2020.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/430/1*0A4I5A35YA_XIJ4pGiF67w.png" /><figcaption><em>Relatório da Discriminação Racial no Futebol — 2022</em></figcaption></figure><p>O racismo é a forma mais comum de discriminação no futebol, representando mais de 50% dos casos registrados pelo observatório que, apesar de ter iniciado com foco no combate ao racismo, não o prioriza entre as formas de discriminação ao relatá-las.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/539/1*vkBlD6uOU56POMVbo65SPA.jpeg" /><figcaption><em>Relatório da Discriminação Racial no Futebol — 2022</em></figcaption></figure><p>Esta matéria é parte de um projeto desenvolvido ao longo de 2023 como Trabalho de Conclusão de Curso da graduação em Jornalismo na PUC-SP. <a href="https://joaokerr.medium.com/o-futebol-brasileiro-al%C3%A9m-dos-gramados-34ea86f8d3f2"><em>Saiba mais.</em></a></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=01168adf9fc9" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Vasco, Pai Santana e a camisa “Ritual”]]></title>
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            <category><![CDATA[futebol]]></category>
            <category><![CDATA[intolerância-religiosa]]></category>
            <category><![CDATA[vasco-da-gama]]></category>
            <category><![CDATA[umbanda]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[João Kerr]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 08 Dec 2023 22:23:48 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2023-12-08T23:41:46.250Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>Homenagem a uma das maiores figuras do clube cruzmaltino serviu também para combater a intolerância religiosa</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*VsqI1khxplaJ5Wb438IPGw.png" /><figcaption><em>[Reprodução / Vasco]</em></figcaption></figure><p><a href="https://medium.com/u/86aaace268a2">João Kerr</a></p><p>Em outubro de 2021, o Vasco da Gama anunciou uma camisa de treino inédita, em homenagem ao ídolo Pai Santana. Falecido em 2011, Pai Santana se tornou um grande ícone vascaíno após atuar por anos nos treinos e aquecimentos da equipe de futebol.</p><p>Antes de cada jogo do cruzmaltino, ele realizava seu Ritual. Vestindo seu tradicional fraque branco, ou a própria camisa do Vasco, Pai Santana sempre entrava no gramado antes da partida começar e beijava o escudo do Vasco estendido no gramado.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/567/1*wGQG02Clo3oCkHgBEnf2xA.jpeg" /><figcaption><em>Pai Santana repete o gesto que levava a torcida ao delírio nos estádios — Reprodução / GE</em></figcaption></figure><p>É por isso que a camisa em sua homenagem foi batizada de Ritual. A proposta do uniforme, além de homenagear uma figura histórica para o clube, é incentivar o respeito às diferentes religiões e celebrar a diversidade de crenças.</p><p>A manga da camisa possui grafismos exclusivos feitos em sublimação, com uma estampa única. Ela foi inspirada no Kufi usado por Pai Santana com frequência durante sua passagem pelo Vasco.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*pEhD78-vn-Iw5Db_N_-t8A.jpeg" /><figcaption><em>[Matheus Lima / Vasco]</em></figcaption></figure><p>O Kufi é um chapéu utilizado na maioria dos países do continente africano e tronou-se um símbolo de orgulho da origem africana em países fora do continente, como os Estados Unidos. Lá, os afro-americanos vestem o Kufi como forma de valorizar sua cultura, história e religião, seja ela cristã, islâmica ou uma das diversas tradicionais da África.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/640/1*zDVW0GS3n9_Kv_YH_Zh2Ew.jpeg" /><figcaption><em>Pai Santana usando seu tradicional Kufi [Reprodução / Vasco]</em></figcaption></figure><p>A camisa contava com as versões branca e preta e foi um sucesso. Já não é possível encontrar o uniforme à venda na internet, apenas de segunda mão.</p><p>O Vasco da Gama é um clube que sempre teve em sua cultura o combate ao racismo e a abordagem de diversas questões sociais de forma contundente em sua comunicação. Segundo Vinicius Mussel, um dos idealizadores da camisa Ritual, isso tem a ver com as origens do clube — o cruzmaltino foi fundado em um movimento da comunidade portuguesa para distanciar aquela ideia do “português colonial”, sendo o primeiro clube brasileiro a aceitar negros.</p><p>“A gente entende esse tipo de ação não só como uma questão de marketing ou awareness, e sim uma obrigação de marca ter esses discursos mais incisivos. Queremos ser pioneiros nessas causas, ser sempre o primeiro clube a falar sobre essas coisas”, afirma Vinicius.</p><p>A ideia da camisa Ritual surge no ano em que a morte de Pai Santana completou 10 anos. “Tivemos a oportunidade de homenageá-lo e ainda falar sobre uma questão superinteressante para nós, a do respeito às religiões”, completou.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/318/1*jWWpgVRirOPkeyHuQbDFzQ.jpeg" /><figcaption><em>Vinícius Mussel — coordenador de Marca no Vasco da Gama SAF</em></figcaption></figure><p>Além dos movimentos de conscientização, feitos através de ações voltadas para atingir o público externo, o Vasco também realiza ações internas, onde os próprios funcionários do clube são impactados com conteúdo sobre inclusão, respeito à diversidade e combate a preconceitos. Mussel afirma que, em diversas ocasiões, o clube organiza grupos de discussão sobre esses temas: “Procuramos trazer referências de mercado sobre cada assunto que queremos explorar. Temos uma parceria com o Observatório Racial do futebol, já fechamos com a CasaNem e para o ano que vem queremos um parceiro só para falar sobre o respeito às religiões”.</p><p>A CasaNem, mencionada em sua fala, é uma das principais casas de acolhimento LGBTQIAPN+ no Brasil e é parceira do Vasco em todas as questões de diversidade sexual. Em um projeto recente, a Camisa da Vasco LGBT, todo o lucro do clube com a peça foi revertido para essa instituição.</p><p>Apesar de pouco explorada pelos clubes de futebol e entidades de grande visibilidade, a defesa da pluralidade religiosa é uma questão que afeta milhões de pessoas ao redor do mundo, mas especialmente no Brasil. Segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos, em 2023, foram 1.201 ataques motivados por intolerância religiosa. Esse número representa um aumento de 45% em relação ao registrado dois anos atrás.</p><p>Diante desse aumento, foi sancionada, em janeiro deste ano, uma lei que aumentou a punição para quem discrimina por motivo religioso, agredindo a liberdade de cada indivíduo. A pena, que ia de um a três anos, foi ampliada para o período de dois a cinco anos após a sanção do texto, que havia sido aprovado pelo congresso em dezembro de 2022.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/800/1*UDPfZ3XmQjgRrF_nENfV0g.jpeg" /><figcaption><em>Lula assina medida como presidente da República — Foto: TV Globo/Reprodução</em></figcaption></figure><p>Se o ato de intolerância for acompanhado de agressão, violência ou impedir a realização de um culto, a pena pode se tronar ainda maior. Ainda de acordo com o MDH, as religiões de matriz africana, como a Umbanda de Pai Santana, são os mais frequentes alvos de ataques.</p><p>Esta matéria é parte de um projeto desenvolvido ao longo de 2023 como Trabalho de Conclusão de Curso da graduação em Jornalismo na PUC-SP. <a href="https://joaokerr.medium.com/o-futebol-brasileiro-al%C3%A9m-dos-gramados-34ea86f8d3f2"><em>Saiba mais.</em></a></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=bdeaaa3a826c" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Palmeiras e os “Bichos do Gueto”]]></title>
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            <category><![CDATA[animais]]></category>
            <category><![CDATA[responsabilidade-social]]></category>
            <category><![CDATA[futebol-brasileiro]]></category>
            <category><![CDATA[animais-de-estimação]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[João Kerr]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 08 Dec 2023 22:11:39 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2023-12-08T23:42:14.840Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>Como uma ação simples do time do Allianz Parque conseguiu lares para vários animais e deu visibilidade à causa</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*59lOavcAqZrDxjbEUwpsXQ.jpeg" /><figcaption><em>Foto: Fabio Menotti/Palmeiras</em></figcaption></figure><p><a href="https://medium.com/u/86aaace268a2">João Kerr</a></p><p>Há muitos anos, é uma prática comum no futebol a entrada dos jogadores no gramado ter a companhia de crianças. Em dezembro de 2021, porém, a equipe do Zenit, da Rússia, inovou ao realizar a entrada dos jogadores acompanhados de filhotes de cachorro de um abrigo. Em 2022, o Palmeiras realizou uma campanha semelhante, conseguindo lares para 11 animais</p><p>Antes da partida do Campeonato Brasileiro contra o Internacional, em 24 de julho daquele ano, a equipe alviverde realizou uma ação de Marketing para promoção do filme “DC Liga dos SuperPets”, de sua parceira comercial Warner Bros. Pictures. Na ocasião, personagens da animação foram reproduzidos em interações com as mascotes do clube — Periquito e Porco Gobbato.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*6x-HLjbe2IU3jJ8zQpsjpg.jpeg" /><figcaption><em>Foto: Fabio Menotti/Palmeiras</em></figcaption></figure><p>Pouco antes da bola rolar, em ação conjunta com a Mars, dona da marca Pedigree, e a ONG Bichos do Gueto, os jogadores titulares do Palmeiras entraram com filhotes disponíveis para adoção na ONG. O intuito da ação era, para além de promover o filme, incentivar a adoção responsável e chamar atenção para a questão do abandono animal.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*Jrn2janEf2P9pHdMBBH1NA.jpeg" /><figcaption><em>Foto: Fabio Menotti/Palmeiras</em></figcaption></figure><p>A ação surtiu resultado, já que todos os 11 animais foram adotados. O desdobramento da campanha nas redes sociais teve um grande alcance, levando a mensagem para milhares de pessoas.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/852/1*CWygah6IRw3AEKgxxNwIeg.png" /></figure><p>Analisamos 9 das publicações da campanha e, só com esses conteúdos, foram mais de <strong>1,7 milhão de impressões</strong> e 981 mil interações, trazendo mais visibilidade para a ação e, consequentemente, para a causa. O levantamento acima não leva em consideração conteúdos feitos exclusivamente para divulgação do filme “DC Liga dos SuperPets”, sem menção aos filhotes ou à causa animal.</p><p>Além disso, mais de 35 mil pessoas estiveram no Allianz Parque para acompanhar a partida entre Palmeiras e Internacional e viram a entrada dos jogadores com os filhotes ao vivo.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*B322oM8lFN5TUMtouvhlxQ.jpeg" /><figcaption><em>Foto: Fabio Menotti/Palmeiras</em></figcaption></figure><p>O Projeto Bichos do Gueto, parceiro do Verdão nessa ação, é um abrigo com foco em castração, que atualmente conta com mais de 150 animais. Eles realizam eventos periódicos de adoção, onde é possível conhecer os animais disponíveis e adotar caso esteja apto.</p><p>A reportagem visitou uma das feiras, realizadas na Cobasi da Marginal Tietê. Nela, cinco cachorros estavam disponíveis para adoção, enquanto dois já tinham encontrado novos lares mais cedo, naquele mesmo dia.</p><p>A Natália, que passeava no Cobasi durante nossa visita, conheceu a ONG através da ação realizada pelo Palmeiras e acabou adotando uma cadela já mais velha.</p><blockquote>“Sou palmeirense e vi que os jogadores entraram em campo com os filhotes desse projeto, foi aí que eu comecei a seguir. Em agosto, eu vi a carinha dela, vi que foi resgatada na Estrada da Santa Inês e tinha um tumor em uma das mamas. Eles realizaram a cirurgia nela e quando eu vi a foto dela, nem esperei a feira de adoção. Preenchi a ficha, fiz a entrevista e vim buscá-la aqui na Cobasi”, <em>disse a mãe da Milly.</em></blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/618/1*WH1q5MsG24ZMGLPyO2WVCw.png" /><figcaption><em>Natália e Milly, que se encontraram graças à ONG Bichos do Gueto e a ação realizada pelo Palmeiras</em></figcaption></figure><p>Quem não tem disponibilidade para adotar um animal também pode ajudar o projeto com doações pontuais ou mensais, tornando-se padrinho do projeto, ou até divulgando a página e os eventos da ONG. O perfil do Instagram <a href="https://www.instagram.com/bichosdogueto/">@bichosdogueto</a> possui as informações necessárias para quem gostaria de contribuir com o eles e ajudar a causa animal.</p><p>A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que existam cerca de <strong>30 milhões de animais abandonados</strong> no Brasil, sendo 20 milhões de cachorros e 10 milhões de gatos. Além de todos esses, mais de 180 mil encontram-se em abrigos, ONGs e grupos de protetores, sendo 60% resgatados após maus-tratos e 40% fruto de abandono, de acordo com o Instituto Pet Brasil (IBP).</p><p>Esta matéria é parte de um projeto desenvolvido ao longo de 2023 como Trabalho de Conclusão de Curso da graduação em Jornalismo na PUC-SP. <a href="https://joaokerr.medium.com/o-futebol-brasileiro-al%C3%A9m-dos-gramados-34ea86f8d3f2"><em>Saiba mais.</em></a></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=f00a1c416d2b" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Como a Copa do Mundo de 1978 legitimou uma ditadura militar]]></title>
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            <category><![CDATA[copa-do-mundo]]></category>
            <category><![CDATA[futebol]]></category>
            <category><![CDATA[esporte]]></category>
            <category><![CDATA[ditadura]]></category>
            <category><![CDATA[argentina]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[João Kerr]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 25 Jun 2023 15:43:42 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2023-06-25T15:44:31.926Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>O torneio, sediado na Argentina, foi rodeado de polêmicas dentro e fora dos gramados. Para muitos, ele serviu para legitimar a ditadura militar de Rafael Videla.</h4><p>Por <a href="https://medium.com/u/86aaace268a2">João Kerr</a></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/640/1*YNVXz5E2qz1JN0EuXw4xeg.jpeg" /><figcaption>Foto: Reprodução/CBN</figcaption></figure><p>Entre os dias 1º e 25 de junho de 1978, ocorreu uma das Copas do Mundo mais polêmicas da história, sediada na Argentina.</p><p>Apesar de ser pressionada a mudar a sede da Copa por conta da crise política na Argentina, a FIFA optou por manter o país-sede, legitimando o governo ditatorial de Jorge Rafael Videla.</p><p>Os Hermanos se aproveitaram do fator casa e sagraram campeões de forma muito polêmica, com erros de arbitragem e uma suposta “mala-branca” em partida contra o Peru.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/573/0*tuMNpZ3TbB9Kouiw" /><figcaption>Argentina 6x0 Peru na Copa do Mundo de 1978 (Foto: Reprodução / Internet)</figcaption></figure><h4>O desafio de sediar a Copa</h4><p>Em 1970, a FIFA definiu que a Argentina seria o país-sede da Copa do Mundo de 1978. Durante os oito anos que antecederam o torneio, a decisão foi questionada diversas vezes, por conta das crises política, social e econômica que assombravam o país.</p><p>De acordo com Livia Gonçalves Magalhães em “Com a taça nas mãos” (2014), outro fator que preocupava era a infraestrutura do país. Essa questão fica clara na declaração emitida pela entidade em 1974, após a Copa do Mundo realizada na Alemanha:</p><blockquote>“[…] O estado atual da infraestrutura, bem como dos locais de competição e de comunicações, não permitiria uma realização satisfatória da Copa do Mundo. Com exceção de dois estádios em Buenos Aires, River Plate e Vélez Sarsfield, nenhum outro estádio vistoriado e visitado […] poderia ser considerado, em seu estado atual, para os jogos da competição final. Em relação à infra-estrutura de telecomunicações, deve ser estabelecida e finalizada para satisfazer as exigências mínimas. Nós desejamos repetir: os planos realmente existem, mas devem ser realizados sem demoras para que tudo esteja pronto em data a ser determinada e para que os estádios estejam em conformidade com as condições, fixadas pela AFA.”</blockquote><blockquote><em>— Declaração Geral a partir da visita em 1971</em></blockquote><p>Para garantir que a Argentina sediaria a Copa, o então presidente Juan Domingo Perón criou, em 1974, a “Comissão de Apoio ao Mundial”, chefiada pelo então Ministro do Bem-estar Social, José Lopes Rega, conhecido como “El Bruxo”. Segundo o Relatório AFA 1974, no Arquivo Institucional da FIFA, os principais integrantes do grupo eram Dr. David Lorenzo Bracuto (presidente), Dr. Santiago Leyden (vice-presidente), Paukino Nimbro, (secretário geral), Oscar Ganete Blasco (chefe de imprensa) e Osvaldo Sanchez (coordenador de imprensa).</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/423/1*PSTx5WrmbpFLoJ3uFmR5rA.jpeg" /><figcaption>Mas vésperas do mundial, a revista Humor Registrado utiliza uma figura satírica para “driblar” a censura. “O mundial ocorrerá custe o que custar”, diz o personagem.</figcaption></figure><p>No entanto, a comissão não foi suficiente para impedir a pressão de diversos países, como o Brasil, sobre a FIFA para alterar a sede da Copa. Além dos problemas de infraestrutura, o que mais pesava nessas manifestações era o cenário político caótico na Argentina.</p><h4>Cenário político</h4><p>5 anos antes da Copa, os argentinos viram a renúncia do presidente Héctor Cámpora e seu vice Vicente Solano Lima, convocando novas eleições. A eleição foi vencida pelo casal Juan Domingo Perón e sua esposa Isabel Martínez de Perón, conhecida como Isabelita.</p><p>Em junho do ano seguinte (1974), Juan Perón faleceu, tornando Isabelita a nova presidente. Ela não possuía experiência política e não tinha preparo para assumir a presidência do país, principalmente em uma situação política extremamente turbulenta como a que a Argentina vivia.</p><p>Em 1975, José Lopes Rega, “El Bruxo” aplica um golpe e assume a secretaria da presidência, sendo responsável pelas principais decisões do poder executivo do país e, basicamente, se tornando o presidente. Como já mencionado, ele seria também o maior responsável pela organização da Copa do Mundo em 1978.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/606/0*MdK7TYZL-yrdICTl" /><figcaption>José López Rega, conhecido como “El Brujo” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure><p>O governo de Isabelita e Rega ia extremamente mal, tanto em questões econômicas quanto sociais. A inflação no país chegou a 283% ao ano, fazendo com que Isabelita se afastasse do cargo.</p><p>Mesmo desgastados após terem governado a Argentina por 8 anos turbulentos e entregado o país em crise em 1973, os militares se aproveitaram da extrema fraqueza do governo de Isabelita e facilmente assumiram o poder através de golpe em 1976. Faltando 2 anos para a Copa, Jorge Rafael Videla assume a presidência do país.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*GCytZWnFiPnPZ0K4LGjvHw.jpeg" /><figcaption>Jorge Rafael Videla (Foto: Getty Images)</figcaption></figure><p>Com isso, a pena de morte foi restituída na constituição argentina e a tortura voltou a ser prática comum. A Tríplice A, esquadrão de morte da extrema direita argentina, travava uma “Guerra Suja” contra os Montoneros, apoiadores do Peronismo. Durante o período dessa guerra, que os militares insistiam em chamar de “Guerra santa”,</p><p>○ Comandante dos Montoneros namorava com a melhor amiga da filha do chefe da polícia da Argentina. A menina colocou uma bomba debaixo do colchão do comandante.</p><p>○ Presidente da câmara do Uruguai tinha fugido para a Argentina por conta do golpe militar no país. Por ser ligado à esquerda uruguaia, seus filhos foram sequestrados e ele e sua esposa foram assassinados.</p><p>○ 1 argentino morria a cada 4h por conflitos políticos</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/600/0*pBP9r6NenEC9e0ZU.jpg" /><figcaption>Cidadão argentinos vão às ruas para protestar contra o desaparecimento de crianças durante a Guerra Suja. (Foto: Reprodução)</figcaption></figure><p>Em agosto de 1976, o diretor de organização da Copa do Mundo foi assassinado. Por conta desse cenário político conturbado, o GP de Fórmula 1 que seria na Argentina naquele ano foi cancelado.</p><p>Na França, foi criado o COBA: <em>Comité d’organization pour le boycotte a la coupe du monde em Argentine. </em>O comitê afirmava que concordar com a realização da Copa do Mundo na Argentina era concordar que o jogo e a tortura podem conviver. A 800m do Monumental de Nuñez, uma das sedes da Copa, ficava o centro de tortura do governo militar, na Escola de Mecânica da Marinha. De lá, era possível até ouvir o som do estádio em jogos.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/330/1*lEk4X1Ip0d_mXjjROMU7hA.jpeg" /><figcaption>A logo da Copa do Mundo era utilizada pela COBA para denunciar a existência de campos de concentração na Argentina. (Foto: Reprodução)</figcaption></figure><p>No Brasil, o Almirante Heleno Nunes, presidente da CDB (atual CBF) tentou se aproveitar do cenário catastrófico da Argentina e trazer a Copa para o Brasil, através de uma carta aberta. Nela, Nunes dizia que, caso fosse oferecido, ele aceitaria receber a Copa no Brasil e que nós tínhamos a estrutura (após o “milagre econômico”, muitos estádios, estradas e outras obras públicas eram realizados), comunicações (sistema de comunicações muito avançado) e tudo que era necessário para sediar uma Copa do Mundo de sucesso.</p><p>Outro argumento utilizado por Heleno Nunes era o “direito sul-americano” — Havia um acordo entre a Conmebol e a UEFA de que as Copas aconteceriam de forma intercalada entre Europa e América do Sul. Em 78, era a vez da América.</p><p>João Havelange, ex-presidente da CBD e presidente da FIFA à época, tinha o poder para fazer isso, mas não quis. Ele considerou que seria uma atitude muito tendenciosa, apenas por ser brasileiro, e que poderia queimar seu mandato como presidente da FIFA.</p><p>“<em>A Copa será na Argentina. Caso eles não possam, vou convocar uma reunião junto à FIFA para mudarmos o regulamento e levar essa Copa para a Europa</em>”, afirmou Havelange.</p><p>Assim, a FIFA acabou permitindo que a Copa ocorresse na Argentina, legitimando o regime militar.</p><p>Campeão na edição anterior do torneio, o lateral-esquerdo Paul Breitney, jogador da Alemanha, publicou um manifesto contra a Copa e não foi ao campeonato, apesar da convocação. Porém, poucos jogadores aderiram ao movimento.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/600/1*2Z6qd3ppprjFg_-h-JIrbg.jpeg" /><figcaption>Paul Breitney (Reprodução/Ludopédio)</figcaption></figure><p>A torcida Argentina foi “comportada” e politicamente calada durante a Copa. A seleção alviceleste se aproveitou da vantagem oferecida pelo “fator casa” e conquistou seu primeiro título de Copa do Mundo de forma muito polêmica.</p><h4>O campeonato</h4><p>Apesar das polêmicas e do cenário conturbado, a Argentina garantiu seu direito de sediar a Copa de 1978. Foram cinco cidades-sede: Buenos Aires, Cordoba, Rosario, Mar del Plata e Mendoza, sendo que Buenos Aires recebeu jogos em dois estádios (José Amalfitani e Monumental de Nuñez).</p><p>Três estádios foram construídos especialmente para a Copa: Olimpico (Cordoba), José Maria Minella (Mar del Plata) e Ciudad de Mendoza.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/768/0*_Y_aABeSueUquKlZ" /><figcaption>Estadio Olímpico de Córdoba, hoje chamado de Mario Kempes (Foto: Reprodução)</figcaption></figure><p>Essa foi a última edição da Copa com apenas 16 seleções. Em 1982, o torneio passou a contar com 24 seleções.</p><p>A campanha da seleção argentina não foi brilhante e contou com algumas polêmicas.</p><p>Após ter uma campanha mediana na primeira fase, a Argentina chegou à última partida da segunda fase precisando vencer o Peru por 4 gols de diferenças. Caso contrário, o Brasil avançaria e os <em>Hermanos</em> seriam eliminados. A partida terminou com a vitória argentina por 6 a 0, com uma atuação extremamente abaixo do aceitável do Peru e seguidas falhas do goleiro peruano.</p><p>A partida levantou inúmeras suspeitas de acordo financeiro entre as equipes, já que havia uma pressão muito grande para que a Argentina vencesse o torneio em casa e deixasse para trás o Brasil, seu maior rival. De qualquer forma, a seleção de Mario Kempes e companhia avançou e sagrou-se campeã após vencer a Holanda por 3 a 1 na prorrogação da grande final.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*r1FfJoLX0GG00b4k" /><figcaption>O capitão Daniel Passarella ergue a taça do primeiro título mundial pela Argentina (Foto: Carlo Fumagalli/AP)</figcaption></figure><p>No documentário “Memórias do Chumbo — O Futebol nos tempos do Condor”, o atacante René Houseman, campeão com a Argentina, disse que não se considera um “campeão da ditadura” e que ele e outros jogadores estavam alienados ao que realmente acontecia no país.</p><p>“Não somos campeões da ditadura. Eu me sinto campeão do mundo, joguei pela Argentina, não joguei para os <em>milicos</em>. Se eu soubesse o que acontecia no país não teria jogado na Copa, teria me retirado”, afirmou Houseman.</p><p><em>Gosta do nosso conteúdo? A partir de R$ 1,00 por mês, você ajuda </em><strong><em>O Contra-Ataque </em></strong><em>a produzir jornalismo independente. Colabore: </em><a href="https://apoia.se/ocontraataque">https://apoia.se/ocontraataque</a></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=1760221bad3e" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/o-contra-ataque/como-a-copa-do-mundo-de-1978-legitimou-uma-ditadura-militar-1760221bad3e">Como a Copa do Mundo de 1978 legitimou uma ditadura militar</a> was originally published in <a href="https://medium.com/o-contra-ataque">O Contra-Ataque</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Por que ficaremos mais de 3 anos sem jogos no Pacaembu?]]></title>
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            <category><![CDATA[futebol]]></category>
            <category><![CDATA[futebol-brasileiro]]></category>
            <category><![CDATA[pacaembu]]></category>
            <category><![CDATA[historia]]></category>
            <category><![CDATA[são-paulo]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[João Kerr]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 05 May 2022 18:18:22 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2022-05-05T18:18:22.785Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>Reformas do estádio incluem demolição do “tobogã” e construção de um edifício de 9 andares</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*pMrp-mVzSLlixHRS4LqMVg.jpeg" /></figure><p><em>Por</em> <a href="https://medium.com/u/86aaace268a2"><em>João Kerr</em></a><em> e Yerko Maurício</em></p><p>Desde fevereiro de 2020, o Pacaembu não recebe partidas oficiais de futebol. Nesse período, o setor conhecido como “tobogã” foi inteiramente demolido e o lugar onde costumava ficar o gramado foi asfaltado.</p><p>Tudo isso faz parte de um grande projeto de reforma do estádio, que inclui a construção de um edifício de 9 andares, onde ficava o tobogã, e diversas outras mudanças no “Complexo Pacaembu”, que inclui o estádio e seus arredores. A capacidade deve diminuir de 39 mil para 25 mil lugares.</p><p>O projeto só se tornou possível após a privatização do estádio e sua concessão junto à Allegra Pacaembu.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*aGr3mMXnUdkPcql8RQJnww.jpeg" /><figcaption>Projeto do novo Pacaembu (Imagem: Assessoria Allegra Pacaembu)</figcaption></figure><h3>Privatização</h3><p>Há muitos anos é especulada a gestão do Pacaembu por uma empresa privada. Alguns projetos já foram feitos e arquivados, até que, em setembro 2019, o então prefeito Bruno Covas assinou a concessão do estádio.</p><p>Em janeiro de 2020, a concessionária Allegra assumiu a gestão do estádio, prometendo investir 400 milhões de reais — R$ 115 milhões pelos direitos de gestão e R$ 285 milhões em investimentos nas obras.</p><p>Até o final de fevereiro daquele ano, o estádio seguiu recebendo jogos normalmente. Em março, começou a pandemia de covid-19 e o Campeonato Brasileiro foi interrompido. Assim, a Allegra optou por iniciar logo as reformas previstas.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/846/1*KxObbknu2NVLcjgTTaNoPA.jpeg" /><figcaption>Última partida no Pacaembu foi Santos x Palmeiras em 29/02/2020 (Foto: Twitter SantosFC)</figcaption></figure><h3>Reformas</h3><p>Como já mencionado, a maior mudança no estádio será a substituição do antigo tobogã por um edifício de 9 andares, sendo 4 subsolos e 5 acima da altura do campo. O novo empreendimento contará com:</p><ul><li>hotel com aproximadamente 50 quartos</li><li>restaurantes</li><li>mercado gastronômico</li><li>centro de reabilitação esportiva</li><li>galeria de arte</li><li>hub de inovação</li><li>centro de eventos</li></ul><p>Um dos andares do prédio servirá como passarela com livre circulação, entre as ruas Desembargador Paulo Passaláqua e Itápolis, buscando cumprir o propósito de integrar mais o complexo ao bairro.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*vFrgDVOdy-lsJ3K1CGou3w.jpeg" /><figcaption>Projeto do prédio que ocupará o lugar do Tobogã (Imagem: Divulgação)</figcaption></figure><p>As arquibancadas leste e oeste do estádio também passarão por reformas. serão construídos 25 camarotes, uma arena de <em>e-sports</em>, novos banheiros e camarotes na parte interior das arquibancadas. O exterior, no entanto, deve ser preservado.</p><p>A fachada do estádio e a arquibancada norte passarão por uma restauração.</p><p>Durante as obras, a região onde ficava o gramado do Pacaembu foi asfaltada para ser utilizada para facilitar o transporte de máquinas e materiais. Segundo a concessionária, a ação é temporária e será revertida antes de o estádio estar apto a receber jogos. Mesmo assim, as imagens chocaram e causaram revolta em alguns torcedores.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/580/1*HzoF0esilNi6ogjlzUj6TA.png" /></figure><h3>Consequências</h3><p>A reforma proposta pela Allegra chama a atenção pelas novas estruturas que surgirão, mas tudo isso trará algumas consequências.</p><p>A destruição do Tobogã, setor que costumava ser o de maior capacidade no estádio, resultará na perda de mais de 10 mil lugares. O estádio, que comportava mais de 39 mil pessoas, terá capacidade reduzida para 25 mil, segundo o CEO da Allegra, Eduardo Barella.</p><p>Essa parte da arquibancada era também a que oferecia os ingressos mais baratos. A falta desses ingressos deve afastar o torcedor mais pobre, em movimento semelhante ao que ocorre em outros estádios e arenas do Brasil.</p><p>Alguns torcedores acreditam que a brusca diminuição na capacidade do estádio, somada ao aumento no valor médio do ingresso, mudará o clima das partidas disputadas sem a massa das torcidas presente.</p><blockquote>“Creio que o clima do estádio será menos de um jogo de futebol e mais de um espetáculo, onde as pessoas sentem e aplaudem, ao invés de torcer e gritar em apoio ao seu time” — <em>afirma Lucas Pantaleão, torcedor do Corinthians e frequentador do Pacaembu.</em></blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*0i7URmCo0wYtJtGKVCTQ4A.jpeg" /><figcaption>Tobogã era o setor com a maior capacidade no Pacaembu, comportando mais de 10 mil pessoas</figcaption></figure><p>Caso o prazo estipulado pela Allegra Pacaembu seja cumprido, teremos o estádio pronto para receber jogos em novembro de 2023. Serão quase 4 anos sem jogos, considerando que a última partida ocorreu em fevereiro de 2020.</p><p>Durante o período, uma estrutura provisória será montada para receber shows e eventos. Chamada de “Pavilhão Pacaembu”, o espaço terá capacidade para aproximadamente 9 mil pessoas.</p><p>A estreia do novo espaço será com show de Gal Costa no próximo sábado (30/04). Os ingressos para o evento partiam de R$ 97,50 e está prevista a presença de até 3 mil pessoas.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*1P1z64kGSMpQlxZ_BAbDig.png" /><figcaption><em>(Foto: Pacaembu Oficial)</em></figcaption></figure><h3>Repercussão</h3><p>Em entrevista exclusiva a O Contra-Ataque, o CEO da Allegra Pacaembu disse que houve um equilíbrio entre feedbacks positivos e negativos em relação ao projeto de reforma.</p><blockquote>“Sabemos da importância do Pacaembu para a cidade e para os paulistanos e por isso há sempre uma avalanche de informações e feedbacks depois de grandes anúncios. O que precisa ficar claro é que vamos inaugurar uma nova fase do Pacaembu, recuperando os seus pilares originais de cultura, lazer e entretenimento, além de ampliar o uso esportivo, atraindo outras modalidades, sem deixar para trás a sua história”, <em>completa Barella.</em></blockquote><p>Nas redes sociais, encontramos opiniões diversas:</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/579/1*z9zYN9Qz0Fjuh0g06y8Lbg.png" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/578/1*b2pEeWWKPOc-wP8k5PQMng.png" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/591/1*WOwsFLYy6EST8SVqI9cRTw.png" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/582/1*njdesvvXK6yYj_K_F-7SGw.png" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/499/1*vveZ5v4AkW5OJV1-EyKlIw.png" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/574/1*LiwmHPTSzTxaFBLbb7OmIA.png" /></figure><p>A ideia da reforma pode trazer vantagens para o Pacaembu, mas será que precisamos de mais um estádio modernizado, com ingressos mais caros? Será que tudo isso fará valer a pena os quase 4 anos sem jogos?</p><p>Será que ainda ouviremos que o “Pacaembu é meu, é seu, é nosso”?</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*GgWo4UsSz-VUbauEgNwT1w.png" /><figcaption>(1944 - Acervo Museu do Futebol | Coleção Leonardo Romano)</figcaption></figure><p><em>Gosta do nosso conteúdo? A partir de R$ 1,00 por mês, você ajuda </em><strong><em>O Contra-Ataque </em></strong><em>a produzir jornalismo independente. Colabore:</em></p><p><a href="https://apoia.se/ocontraataque">O Contra-Ataque está fazendo Jornalismo independente na APOIA.se</a></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=b1eb19228f7f" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/o-contra-ataque/por-que-ficaremos-mais-de-3-anos-sem-jogos-no-pacaembu-b1eb19228f7f">Por que ficaremos mais de 3 anos sem jogos no Pacaembu?</a> was originally published in <a href="https://medium.com/o-contra-ataque">O Contra-Ataque</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Empresas sustentáveis são menos lucrativas?]]></title>
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            <category><![CDATA[sustentabilidade]]></category>
            <category><![CDATA[mercado-financeiro]]></category>
            <category><![CDATA[empreendedorismo]]></category>
            <category><![CDATA[sustentável]]></category>
            <category><![CDATA[esg]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[João Kerr]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 18 Nov 2021 19:13:16 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2021-11-18T19:13:16.598Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>Como a adoção de práticas ESG influencia no desempenho das empresas</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*QXf3INEOKkkFRPYic_8VZw.jpeg" /></figure><p>O tema ESG está em evidência no mercado financeiro e, consequentemente, é de extrema importância para o mundo dos negócios. Segundo o <em>Google Trends</em>, as pesquisas pelo termo crescem exponencialmente desde abril de 2020.</p><p>A sigla corresponde a <em>Enviromental, Social and Governance</em> e contempla critérios relacionados a aspectos ambientais, sociais e de governança corporativa. Esse tema é uma grande preocupação entre os executivos de empresas de todos os tamanhos e segmentos. Companhias que não se preocupam com o mundo a seu redor são cada vez mais vistas como problemáticas por consumidores e investidores.</p><p>Uma empresa só está alinhada aos critérios ESG ao adotar práticas relacionadas a seus 3 pilares, como:</p><p><strong>Meio ambiente</strong></p><ul><li>Controle de emissão de poluentes</li><li>Consumo de recursos naturais de forma responsável</li><li>Respeito às normas ambientais</li><li>Avaliação ambiental de fornecedores</li></ul><p><strong>Sociedade</strong></p><ul><li>Condições de trabalho adequadas</li><li>Boa relação com as comunidades do entorno</li><li>Políticas de respeito aos direitos das minorias</li><li>Representatividade, inclusive nos cargos mais altos</li></ul><p><strong>Governança corporativa</strong></p><ul><li>Ação com ética e transparência</li><li>Conselho de administração independente</li><li>Consulta a stakeholders em processos decisórios</li><li>Práticas anticorrupção</li></ul><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*PIOsStr7vQ0PaX2Ix0pdGg.jpeg" /></figure><p>Uma empresa ESG contempla em seus processos decisórios não apenas seu bem-estar financeiro, mas também de seus colaboradores, fornecedores, clientes e até do governo de seu país.</p><p>Como existe um custo para a implementação de políticas de boa governança, na utilização de energias renováveis e no cumprimento de outros aspectos de sustentabilidade, muitas pessoas acreditam que as empresas que adotam essas práticas não conseguem lucrar tanto quanto conseguiriam se visassem somente o capital.</p><p>A ideia, porém, está comprovadamente equivocada. Um estudo feito pelo professor Robert Eccles, da Harvard University, mostrou que empresas que apostam em sustentabilidade obtêm melhores retornos a longo prazo.</p><p>O estudo acompanhou 180 empresas, ao longo de 18 anos, levando em conta diversos parâmetros financeiros, como patrimônio e valor de mercado. As companhias eram divididas em 90 duplas, de acordo com o segmento de atuação, e cada dupla possuía uma empresa que prezava por sustentabilidade e outra que não.</p><p>Analisando o desempenho dessas empresas ao longo do tempo, Eccles concluiu que as empresas de alta sustentabilidade superaram as suas adversárias no longo prazo, não apenas em relação ao mercado acionário, mas também no desempenho contábil.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*yWFOR-8VLDJiW1VR2RQlTg.jpeg" /></figure><p>A Ágora Investimentos divulgou em 2020 um estudo que comprovou que a adoção de uma agenda ESG traz impactos positivos que vão além da lucratividade — a melhora da reputação e, consequentemente, diversas vantagens competitivas são consequências desse comportamento.</p><p>Isso ocorre porque as empresas que respeitam os critérios ESG conseguem pensar a longo prazo e agir considerando todos os seus <em>stakeholders</em> — ao respeitar seus <strong>fornecedores</strong>, estabelece relações contínuas e evita descontinuidade no fornecimento; ao pensar no bem-estar de seus <strong>colaboradores</strong>, conseguem atrair os melhores talentos etc. Com isso, conseguem encantar seus clientes, obter mais fidelidade e assim por diante.</p><p>Sendo assim, por que será que muitas pessoas ainda acreditam que priorizar questões relacionadas à sustentabilidade diminui a lucratividade de uma empresa?</p><p>De acordo com <strong>Fabio Alperowich</strong>, especialista em ESG, esse equívoco se dá por 3 principais motivos:</p><blockquote>“Isso vem primeiro de uma distância muito grande entre os investidores, o mundo corporativo, e questões de direitos humanos, meio ambiente etc.</blockquote><blockquote>Segundo de um antigo capitalismo, do capitalismo de<em> </em>shareholder que pensava puramente na maximização dos resultados, sem levar em consideração fatores externos e os demais stakeholders. Um artigo de Milton Friedman em 1970 falava que a função social das empresas era a maximização de lucros e isso influenciou muita gente, mas essa filosofia já está muito ultrapassada.</blockquote><blockquote>Em terceiro lugar as questões ESG são muitas vezes compreendidas de forma errônea, como se fossem algo filantrópico. Um olhar em relação a determinadas causas é visto como papel da filantropia e não do investimento. Como a filantropia não dá retorno financeiro, as pessoas fazem essa associação totalmente errônea.”</blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*pe7DQKxFjTJRvpuDyWMg9w.jpeg" /><figcaption><em>Fabio Alperowitch (Foto: Silvia Costanti / Valor)</em></figcaption></figure><p>Alguns casos mostram o quanto as empresas que desrespeitam critérios ESG sofrem graves consequências. O exemplo mais extremo é o da mineradora Vale, que perdeu mais de R$ 72 bilhões em valor de mercado após o rompimento de sua barragem em Brumadinho matar 270 pessoas e causar um dos maiores desastres ambientais da história.</p><p>A indústria de carvão, uma das mais poluidoras do mundo, também sofre por sua irresponsabilidade ambiental. Enquanto múltiplos de empresas de carvão desabam, diversos países já anunciaram que irão proibir investimentos em novas usinas desse tipo. Segundo Fábio Alperowitch, esse tipo de boicote deve acontecer com todos os combustíveis fósseis em breve.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*ZlhOAS7kPi5i0QaS-GX2-A.jpeg" /></figure><p>Enquanto isso, a Ambev, empresa que possui a 14ª maior receita líquida do Brasil, destaca-se por seus investimentos em sustentabilidade. São mais de R$ 500 milhões utilizados para recuperação de nascentes de rios e florestas e R$ 150 milhões em combate à covid-19.</p><p>Em 2021, a empresa já adquiriu mais de R$ 15 milhões em produtos e serviços de empresas comandadas por pessoas negras. A meta é dobrar esse valor em 2022, como parte de uma série de iniciativas de inclusão e diversidade que estão em curso.</p><p>Com o fracasso de empresas de baixa sustentabilidade e o enorme sucesso de empresas ESG, fica cada vez mais evidente que a dicotomia entre rentabilidade e sustentabilidade é falsa.</p><p>A vantagem competitiva das empresas ESG tende a seguir crescendo. Cada vez mais pessoas veem as empresas como agentes transformadores da sociedade, que podem contribuir na solução de desafios globais, e o consumo consciente torna-se uma tendência mundial.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=e979e9d38434" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[O que é o metaverso e como ele se tornou o novo foco do Facebook]]></title>
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            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/35e9efe8e1ec</guid>
            <category><![CDATA[meta]]></category>
            <category><![CDATA[tecnologia]]></category>
            <category><![CDATA[facebook]]></category>
            <category><![CDATA[metaverso]]></category>
            <category><![CDATA[metaverse]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[João Kerr]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 03 Nov 2021 21:55:44 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2021-11-03T21:58:03.840Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>Entenda o que está por trás do termo que se tornou tendência entre as grandes empresas de tecnologia</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*6oSrlwlV_2BBq95Dmb-07g.jpeg" /></figure><p>Durante a tarde da última quinta -feira (28), o CEO do Facebook Mark Zuckerberg anunciou que a empresa será rebatizada com o nome <strong>Meta.</strong></p><p>A famosa rede social continuará existindo com o mesmo nome. Apenas o nome da holding, que também contempla Whatsapp, Instagram e outros produtos, será alterado.</p><p>Segundo Mark, o novo nome foi definido em alusão ao conceito de <strong>metaverso</strong>, novo foco da empresa.</p><p>“Minha expectativa é de que, em cerca de cinco anos, as pessoas nos vejam, antes de tudo, como uma empresa de metaverso”, disse o CEO ao <em>The Verge. </em>No recente mês de setembro, o Facebook anunciou que investirá U$ 50 milhões (cerca de R$ 270 milhões) nessa tecnologia nos próximos 2 anos.</p><p>O conceito está em alta — além da empresa de Zuckerberg, a Microsoft e a Nike também anunciaram nos últimos dias que farão investimentos nessa tecnologia. Segundo o portal <em>Cointelegraph, </em>criptoativos ligados a ele valorizaram 13,4% na última semana.</p><h4>Mas afinal, o que é o metaverso?</h4><p>O termo tem sido utilizado no contexto atual como uma ideia de um mundo virtual, criado a partir do que temos de mais avançado em tecnologia. Para isso, seriam combinados recursos de realidade virtual, realidade aumentada e internet.</p><p>Esse “universo digital” tem o objetivo de <strong>reproduzir experiências reais</strong> a partir do uso de tecnologias como óculos de realidade virtual e roupas com sensores táteis. Tudo isso deve ocorrer dentro de um espaço virtual coletivo , no qual é possível <strong>interagir com pessoas</strong> de qualquer lugar do mundo através da internet.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*dELy8FQDTr47GsDBBQ5bIw.jpeg" /></figure><p>Isso permitiria desde assistir a shows de forma virtual com uma experiência muito mais imersiva e divertida até acompanhar aulas e reuniões de trabalho usufruindo de uma interação muito mais próxima.</p><p>De acordo com o Facebook, a criação do metaverso será semelhante à criação da própria internet e ocorrerá de forma descentralizada, não através de uma ou duas empresas:</p><p>“Este não é um produto que uma companhia poderá desenvolver sozinha. Assim como a internet, o metaverso existe independentemente de o Facebook estar lá ou não”, disse a empresa em comunicado.</p><p>Mais de 90 companhias estão atuando no desenvolvimento dessa tecnologia, de acordo com dados da <a href="https://www.cbinsights.com/research/metaverse-market-map/"><em>CB Insights</em></a>.</p><p>No entanto, um metaverso acessível e com experiências imersivas como as citadas anteriormente ainda está muito longe de nossa realidade. Isso porque os óculos de realidade virtual ainda são muito caros, desconfortáveis e pouco discretos.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/680/1*THTIcuxD1ob6M42et8Obng.png" /><figcaption>Oculus Rift, do Facebook, é vendido a partir de 3280,00</figcaption></figure><h4>Porque o Facebook está tão focado nisso?</h4><p>Mark Zuckerberg e os executivos do Facebook estão cientes de que o metaverso idealizado pela empresa não deve se concretizar tão cedo. No comunicado em que anunciou o investimento nessa tecnologia, a empresa admitiu que muitos dos produtos que estão sendo desenvolvidos só serão realidade em 10 ou 15 anos.</p><p>No entanto, eles já querem começar a investir naquilo que consideram promissor.</p><p><strong>O Facebook demorou para investir em aplicativos móveis.</strong> 10 anos atrás, o mercado de apps para celular estava crescendo. Enquanto eram desenvolvidos aplicativos cada vez melhores para os dispositivos móveis, o investimento do Facebook nesse setor não era tão significativo e o app da rede social era cheio de <em>crashes</em> e <em>bugs.</em></p><p>Em 2012, Mark Zuckerberg e seus companheiros perceberam que apps tinham potencial e voltaram todos os esforços da empresa a essa frente, apesar do atraso. Eles<strong> não querem cometer o mesmo erro duas vezes</strong>, por isso buscam antecipar quais serão os melhores investimentos para os próximos anos.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/868/1*m8V7oQ0t2dgPlPRD0by4cQ.png" /><figcaption>Mark Zuckerberg apresenta o novo nome e a nova logomarca de sua holding. (Foto Reprodução/Facebook)</figcaption></figure><p>Esse posicionamento começou ficou claro em 2014, quando o Facebook adquiriu a <em>Oculus</em>, empresa de óculos de realidade virtual, por U$ 2 bi, e entrou para o ramo da realidade virtual.</p><p>No evento em que comunicou a mudança de nome, a empresa anunciou uma série de novidades para essa tecnologia. Entre elas, estão:</p><ul><li><strong><em>Horizon Home: </em></strong>a atualização permitirá “festas” entre amigos, através do uso de óculos de realidade virtual. A festa utilizará os avatares dos usuários e dentro do espaço será possível conversar, assistir vídeos juntos, jogar jogos e utilizar apps.</li><li><strong>Supernatural Boxing</strong>: o aplicativo, desenvolvido para óculos de realidade virtual, ganhará novos exercícios utilizados por atletas profissionais.</li><li><strong>Novidades no uso para trabalho</strong>: no Quest, um dos modelos de óculos de RV, será possível fazer login com uma conta de trabalho em vez da conta pessoal do Facebook. As salas de trabalho do <em>Horizon Home</em> poderão ser personalizadas com o logotipo, pôsteres e toda a identidade visual da empresa.</li></ul><h4>Já é possível experimentar o metaverso?</h4><p>Apesar do metaverso idealizado pelo Facebook ainda estar longe de acontecer, alguns softwares já flertam com o conceito.</p><p>O <strong>Fortnite</strong>, popular videogame de ação e tiro, inovou ao oferecer a seus jogadores apresentações virtuais de grandes artistas, como Travis Scott. Nesse tipo de evento, os jogadores podiam circular pelo espaço virtual com seus avatares, dançar e interagir com outras pessoas que assistiam ao show simultaneamente.</p><p>O conceito se aproxima do que o Facebook busca para o metaverso ao permitir que o usuário experiencie um show ao vivo enquanto interage com pessoas que estão em diferentes partes do mundo.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*KRbQM0HuoOtLdiPz3uqTXA.jpeg" /><figcaption>Mais de 27 milhões de jogadores assistiram ao show “Astronomical”, segundo a Epic Games (Imagem: Reprodução/Twitter)</figcaption></figure><p>O jogo de mundo aberto<strong> Roblox</strong> também se aproxima desse conceito ao proporcionar a seus usuários experiências além dos <em>games</em>. Na plataforma, o usuário pode circular livremente e não se envolver com os “joguinhos” disponíveis.</p><p>No último mês de maio, a <a href="https://www.voguebusiness.com/technology/inside-gucci-and-robloxs-new-virtual-world">Gucci</a> criou, dentro do jogo, a <em>Gucci Garden, </em>espaço virtual onde os usuários poderiam circular e interagir com outros jogadores. Nele, era possível observar as novas coleções da marca, bem como experimentar as peças em seus avatares e comprá-las. Uma bolsa virtual foi <a href="https://www.pcgamer.com/someone-spent-over-dollar4000-on-this-gucci-bag-in-roblox/">vendida por mais de R$ 22 mil.</a></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1000/1*c_n4lZa3jJlArnor41csBw.png" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1000/1*x55EAWCytStTG2wBZGW1lA.png" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1000/1*z1m4lw5_gNTCowREtP4pdg.png" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1000/1*m4Mj3-Jrbjpjm1ZXXBShfg.png" /><figcaption>Jogadores de Roblox podiam passear e interagir com outros usuários dentro da Gucci Garden (Imagens: Roblox)</figcaption></figure><p>Como vimos acima, alguns produtos do próprio Facebook (que agora chama-se Meta) vislumbrando o metaverso também estão em desenvolvimento e devem estar disponíveis para o grande público em breve.</p><p>O <strong>Horizon Workrooms</strong>, ambiente pensado para simular reuniões presenciais, ainda está em fase de teste, mas já é usado para reuniões internas da empresa há mais de seis meses.</p><p>Nele, os usuários podem criar um avatar e interagir com seus colegas de trabalho em um ambiente virtual que conta com lousa, blocos de anotações e tela de apresentação. Confira:</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2Flgj50IxRrKQ&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3Dlgj50IxRrKQ&amp;image=http%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2Flgj50IxRrKQ%2Fhqdefault.jpg&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/f6a75e868228ed19e586b91fb1e9c19c/href">https://medium.com/media/f6a75e868228ed19e586b91fb1e9c19c/href</a></iframe><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=35e9efe8e1ec" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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