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        <title><![CDATA[Stories by Mariah Macedo on Medium]]></title>
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            <title>Stories by Mariah Macedo on Medium</title>
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            <title><![CDATA[Ainda Estou Aqui: E a cristaleira coberta de chumbo.]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Mariah Macedo]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 24 Nov 2024 00:26:45 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-11-24T16:55:37.411Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*8UQ3vQg29Egw6LkM" /><figcaption>“‘Ainda Estou Aqui’ foi exibido no<strong> Festival de Cinema de Veneza</strong> e foi aplaudido por 10 minutos.” — Exame.</figcaption></figure><p>Regime militar, Rio de Janeiro no início da década de 70 — os famigerados Anos de Chumbo — e os Paiva, uma família com uma vida perfeita; morando de frente para a praia, com a casa de portas abertas aos amigos e coberta de amor. Um dia, entretanto, Rubens Paiva é levado por militares e some do mapa. Eunice, sua esposa, busca pela verdade sobre seu marido durante anos, o que muda completamente o rumo de sua vida e a de seus filhos. Inspirado no livro de Marcelo Rubens Paiva e dirigido por Walter Salles, o longa-metragem cirurgicamente aborda a angústia vivida por uma família durante décadas de espera por uma resposta: <strong><em>O aconteceu com Rubens Paiva?</em></strong></p><p>Mais do que apenas uma adaptação, o filme nos presenteia com um enredo rico e um elenco sensacional. Selton Melo dá a vida ao ex-deputado Rubens Paiva. Fernanda Torres brilha como Eunice, trilhando por uma jornada emocionante que termina em uma atuação sublime de Fernanda Montenegro, que com poucos minutos de tela e sem nenhuma fala, nos emociona ao final da obra.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/888/0*rPtHADTIymQ9ETey.png" /><figcaption>“ ‘Ainda Estou Aqui’ foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema como representante do Brasil na categoria de <strong>Melhor Filme Internacional no Oscar de 2025.” — G1</strong></figcaption></figure><p>Lembro de quando fui ver <em>Ainda Estou Aqui</em> , a sessão estava lotada. Minha amiga, sentada ao meu lado, comentou sobre a grande quantidade de idosos que estavam curiosos para destrinchar um pouco mais de nossa história; aquela que deixamos para trás. Confesso que achei interessante a comoção global e <em>nacional </em>gerada, não apenas entre aqueles que, assim como Os Paiva, viveram na década de 70, mas também entre um público tão diverso quando se trata de idade.</p><h4>Por que “nacional” em itálico?</h4><p>Porque nós brasileiros somos assim: costumamos não dar valor as nossas próprias produções, acredito que isso faça parte do “jeitinho brasileiro”, Nelson Rodrigues chama isso de “Complexo de vira-lata”. Quantas foram as obras, sobretudo cinematográficas, que nós já assistimos? (Posso dizer que assisti poucas.) Quantos foram os filmes, livros, músicas, pinturas que não demos valor? Será que precisamos que a nossa arte chegue ao público internacional para que ela seja intitulada como “excelente”? Onde quero chegar com essa reflexão é na simples afirmativa: <em>Ainda Estou Aqui</em>, assim como tantas outras criações, é um tesouro nacional, é nosso. E como nosso, é digno do <em>nosso </em>reconhecimento também.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/800/0*d8ACsQNvnIAGY4MV.jpg" /><figcaption>“Ao longo do tempo, percebi que a grande heroína desta história é minha mãe. Agora que ela está com Alzheimer, pensei que é hora de guardar essas memórias”. — Marcelo Paiva para a revista Época em 2015.</figcaption></figure><p>São poucos os filmes que me deixam sem palavras, sabe quando você não sabe o que pensar? <em>Ainda Estou Aqui </em>me deixou assim, sem jeito. Algumas linhas e frases não seriam capazes de transmitir o sentimento que a obra me fez sentir. Costumo descrever algumas produções que tenho o privilégio de ter acesso, em um ou dois termos, mas acredito que um filme de tamanha magnitude não possa ser descrito com apenas uma palavra. Prometo à você, caro leitor, que nos próximos parágrafos tentarei lhe mostrar um terço do que gostaria de expressar, porém, acho válida a visita ao cinema mais próximo de você, para que entenda o que escrevi.</p><p>Creio que muito além de um patrimônio cultural, uma parte da nossa história, o filme nos evoca a observar os detalhes; a intimidade, especialmente quando se trata de Eunice, uma mãe, que de repente se vê sozinha e com uma angústia incessante no peito.</p><p>Durante a exibição eu senti essa inquietação. Uma inquietação tão delicada, mas ao mesmo tempo tão atroz. A atuação de Fernanda Torres me comoveu tanto, porque eu parecia estar ali, vivendo aquela situação terrível junto à ela, como se fosse sua sombra. E é interessante essa proximidade, esse abraço. Porque, mesmo diante de uma situação psicologicamente pesada, o amor dessa mãe por sua família, foi capaz de lhe dar sustento e prosseguir, pois sabemos que é preciso dar um jeito.</p><blockquote>E, afinal, eu acho que dentro de cada um de nós, existe essa criança que precisa de uma mãe forte e corajosa.</blockquote><p>Para encerrar todo esse sentimentalismo…Quero confessar que poucos filmes me fazem chorar de verdade. Mas, <em>Ainda Estou Aqui</em>, me arrancou rios de lágrimas apenas com um olhar opaco e uma pele cheia de rugas. Era como uma cristaleira, cheia de porcelanas frágeis. Essa foi a sensação que Fernanda Montenegro, em seus poucos minutos de tela, me fez sentir. Uma atuação sem nenhuma palavra, mas arrebatadora.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/984/0*7lEfYVT_R6EhBMHB.jpg" /><figcaption>“Fernanda Montenegro entrou para o <strong>Guinness Book</strong> por reunir a maior audiência já registrada para uma leitura filosófica, em agosto de 2024”. — Catraca Livre</figcaption></figure><p>Em suma, <em>Ainda Estou Aqui</em> é apenas uma amostra da nossa história, do que deixamos para trás e não nos lembramos. Dos gemidos angustiantes de um passado revestido por chumbo e opressão. E de uma luta em busca do alívio de saber o que aconteceu, não apenas com Rubens Paiva, mas com tantos outros desaparecidos, mortos e torturados durante a Ditadura Militar.</p><p>Assim como qualquer porcelana empoeirada, deixada de lado na nossa casa, Walter Salles, junto de Marcelo Paiva, reviram o passado e, delicadamente retiram o chumbo sob elas. Assim como deve ser: Rever o passado para que não se repita no presente.</p><blockquote>“Descansar não adianta<br>Quando a gente se levanta quanta coisa aconteceu.” — É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo de Erasmo Carlos.</blockquote><p><strong>Ainda Estou Aqui. (2024)</strong></p><p><strong>Direção:</strong><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Walter_Salles"> Walter Salles</a></p><p><strong>Duração</strong>: 137 min.</p><p><strong>Onde assistir: </strong>Em cartaz, nos cinemas.</p><p><em>Mariah Macedo.</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=8901e7b766b5" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Análise: New Woman — Realmente, quebra-se o silêncio.]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Mariah Macedo]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 26 Aug 2024 19:51:02 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-09-19T14:40:21.851Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/736/0*POQRI2C-hZ_fkd5Z.jpg" /></figure><p>Anos 2000, versos em espanhol, yin-yang, ousadia, crítica social, e uma pitada de referências. Seria possível misturar todos esses elementos em um único videoclipe?<em> ‘New Woman’</em>, o novo hit de sucesso de LISA, em parceria com a cantora espanhola ROSALÍA, tornou-se uma sensação global para a GEN-Z e não sai da boca, ou melhor, dos <em>AirPods</em> do povo. Marcado por baixo, bateria e sintetizador no estilo industrial, a música transmite aquela <em>vibe Y2K </em>(Aos leigos: “Anos 2000”)<em>, </em>além de claro, explorar o vocal de LISA, até então nunca usado dessa forma.</p><p>Que eu amo música e cinema, vocês já sabem. Você pode conferir essa paixão na outra minha resenha, onde mostro como as duas artes se completam e criam uma obra prima <em>(Você pode ler clicando </em><a href="https://medium.com/@mariceeus/r-e-o-cinema-na-m%C3%BAsica-1c7d0f82045d"><em>aqui</em></a><em>).</em> Esse trabalho, entretanto, me surpreendeu de uma forma interessante. Acompanho a carreira da cantora há mais de três anos e a mudança de estética me deixou boquiaberta, mas falaremos sobre isso em breve.</p><h3>LISA.</h3><p>Lalisa Manobal, nascida em Bangkok, Tailândia, teve sua estreia no mundo musical em 2016, como uma das integrantes do grupo feminino que viraria o maior da atualidade: <em>BLACKPINK</em>. Cantora, rapper e dançarina, LISA torna-se uma das maiores influências globais da música e da moda. Fundadora da <em>LLOUD, </em>sua própria empresa de gerenciamento de artistas, em colaboração com a <em>RCA Records — “</em>Apenas” uma das divisões da <em>SONY MUSIC- </em>a tailandesa, desvincula sua carreira solo da <em>YG Entertainment, </em>onde começou sua jornada. Guarda essa informação, porque nos será importante.</p><p>Com quatro músicas solo na carreira;<em> </em>o hit global <a href="https://www.youtube.com/watch?v=dNCWe_6HAM8&amp;pp=ygUFbW9uZXk%3D"><em>MONEY</em></a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=awkkyBH2zEo&amp;pp=ygUGbGFsaXNh"><em>Lalisa</em></a>, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=hbcGx4MGUMg&amp;pp=ygUGbGFsaXNh"><em>Rockstar</em> </a>e a mais recente <a href="https://www.youtube.com/watch?v=UxXY_hR_wzo&amp;pp=ygUGbGFsaXNh"><em>New Woman</em></a><em>, </em>a artista usa bastante do poder da transição entre estéticas. Caminhando entre a ostentação, tradicionalismo tailandês, futurismo e uma aparência mais <em>girly pop</em>, respectivamente.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/736/0*jROaYGqZk0nfUfT8.jpg" /><figcaption>‘New Woman’ supera ‘Rockstar’ como a maior estreia de streaming para uma solista feminina de K-Pop na parada global do Spotify, obtendo 6,007 milhões de streams.</figcaption></figure><h3>Vigiar e punir.</h3><p>O mais interessante sobre o videoclipe de <em>New Woman</em>, resumidamente, é o grande caos que ele é. E essa, sem dúvidas é o traço mais marcante de <a href="https://davemeyers.com/">Dave Meyers</a>, o diretor. Crítico, metafórico e colorido, o clipe, com a música, cumpre com seu papel de transmitir uma mensagem à quem assiste; a mulher que você <em>precisa</em> ser diante da sociedade.</p><p>Em certos momentos do clipe, somos levados à uma sala com uma janela coberta por persianas. Se você já experimentou esse modelo de cortina, deve saber que não é a melhor opção quando se trata de privacidade e isso foi algo que observei enquanto assistia ao clipe; o segundo telespectador. Como celebridade, LISA não tem total privacidade, sempre haverá alguém lhe observando a todo tempo, entretanto, segundos depois somos surpreendidos: Quem também nos olha pelas persianas é LISA.</p><h4>Como ‘New Woman e a filosofia conversam? Uma breve análise.</h4><p><em>Michel Foucault</em>, filósofo contemporâneo, em seu livro “Vigiar e Punir” afirma que estamos sendo vigiados a todo o tempo e que as normas sociais são mais seguidas do que as leis. Como se vestir ou se comportar são tópicos sempre presentes na sociedade.</p><p>Sutilmente, a criticidade se constrói em torno de elementos visualmente chamativos. Roupas espalhadas pelo chão, canelas cobertas por longas meias e bolinhas caindo entre elas, <em>glitter</em> sobre a perna e logo em seguida uma gilete o retirando. As interpretações são diversas, mas se convergem em um único lugar: LISA. A letra em si sugere o quão complexa foi sua caminhada para chegar até aqui, enfrentando os desafios pelo simples fato de ser o que é: mulher.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*scbs84UiUCJZKKCZs24_ww.jpeg" /><figcaption>‘New Woman’ obteve 20.8 milhões de visualizações em suas primeiras 24 horas no YouTube, se tornando a maior estreia de uma colaboração lançada em 2024.</figcaption></figure><h4>LISA &amp; ROSALIA: YIN-YANG.</h4><p>A colaboração com ROSALIA, sem dúvidas, foi um grande acerto no novo trabalho de LISA. Com uma diminuição no tempo da música e no ritmo caótico do videoclipe, a cantora catalã retorna aos primórdios de ambas as carreiras e expressa o quão difícil foi, mas não importa as circunstâncias, sempre foi sobre a música e não sobre a fama.</p><p>A parte de ROSALIA deixou um grande ponto de interrogação na minha cabeça, até compreender que se trata de um rolo de filme, ou seja, a <em>metalinguagem</em> é usada; <em>o clipe pelo clipe. </em>A espanhola surge como um contraponto na jornada de LISA, a pessoa que sussurra em seu ouvido para não desistir; o <em>yin </em>de seu <em>yang.</em></p><h4>O taoísmo e literatura brasileira: a harmonia.</h4><p>O símbolo de “yin-yang” é algo bem fascinante. Representa as mais diversas contradições do mundo, entretanto, essas antíteses se completam, são o mesmo lado da moeda. O equilíbrio. Um não pode ser mais forte do que o outro, eles precisam estar em sintonia <em>yin </em>pode conter algo de <em>yan </em>e vice-versa. Nas palavras de Machado de Assis, em<em> Quincas Borba:</em></p><blockquote>E enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida</blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*PTbZefzWT0vLwKUP-kyLUA.jpeg" /><figcaption>LISA se torna a artista solo feminina de K-POP mais seguida no Spotify, ultrapassando IU.</figcaption></figure><h3>A nova mulher.</h3><p>Como fã de carteirinha, é muito inspirador observar a trajetória de LISA, desde o <em>BLACKPINK </em>até <em>New Woman</em>. É nítida a transformação de uma adolescente para uma mulher adulta. No início do clipe, a tailandesa, loira e sentada numa sala de espera com outras garotas, levanta e quebra o silêncio — como a própria letra nos diz — e assim, sua jornada começa (Por curiosidade: Quando ainda era <a href="https://jovemnerd.com.br/noticias/etc/glossario-de-k-pop-guia-termos-expressoes-tudo-sobre#:~:text=Trainee,indo%20de%20meses%20at%C3%A9%20anos."><em>trainee</em></a><em> </em>na YG, LISA estava loirinha, que coincidência, não?)</p><p>Acompanho a cantora, e consequentemente o grupo, há quatro anos e posso afirmar, com certeza, o quanto a mudança de mentalidade, estilo, aprimoramento vocal e de dança de LISA são marcantes. É ótimo ver uma artista sair de uma empresa totalmente mercadológica e começar carreira solo; explorando seu estilo, testar conceitos novos e entregar um impecável trabalho aos fãs. LISA se torna a mulher que gostaria de ser e não a mulher que os outros gostariam que fosse. Se <em>New Woman</em> fosse um filme, lhe daria cinco estrelas.</p><p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UxXY_hR_wzo&amp;pp=ygUJbmV3IHdvbWFu"><strong>New Woman </strong></a><strong>(2024)</strong></p><p><strong>Artista:</strong> LISA ft. (ROSALIA)</p><p><em>Mariah Macedo</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=42f6d58cb4dc" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[“Ela” e “O Lagosta” — E o robô dos vínculos emocionais.]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Mariah Macedo]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 20 Apr 2024 12:15:49 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-01-10T13:55:44.698Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3>“Ela” e “O Lagosta” — E o robô dos vínculos emocionais.</h3><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/564/0*Nf7Nan8ruG9EtsTc.jpg" /><figcaption>O Lagosta (2015)</figcaption></figure><p>É interessante percebermos como as distopias tomaram conta do cinema com suas narrativas envolventes e fora da realidade. Desde<em> “Wall-E</em>” até <em>“Interestelar”, </em>o gênero sequestrou o coração dos telespectadores fascinados por ficção científica e que amam elaborar teorias mirabolantes sobre o roteiro dos filmes. Além de servirem como uma boa diversão para o público <em>“nerd” </em>e serem vistas como “uma grande baboseira” para os que gostam de dizer: “Isso é impossível de acontecer”, muitas dessas produções apresentam críticas à sociedade contemporânea. Esse é o caso de “Ela” e “O Lagosta”, ambos com enredo distópico.</p><p>Encenado por <em>Joaquin Phoenix</em> (Coringa de 2019), “Ela” narra a história de um solitário e recém-divorciado escritor, que se apaixona por Samantha, o <em>software</em> de seu computador. A obra é coberta de intimidade, essa é a palavra certa para descrever “Ela”. Apesar de muito parado em alguns momentos, é nítida a familiaridade que Theodore e seu computador compartilham ao decorrer do filme.</p><p>Por outro lado, “O Lagosta”, de <em>Yorgos Lathimos</em> (Pobres Criaturas, 2023), é um longa perturbador, gerador de estranheza e desconfortável do início ao fim. Imagine um mundo onde estar solteiro seja proibido, e caso você esteja, será enviado à um hotel isolado, onde deverá encontrar um par em quarenta e cinco dias… Caso contrário, você vira um animal e é solto na natureza. Essa é a história de “O Lagosta”, esquisita quando se lê pela primeira vez, mas crítica aos que reparam nos detalhes do filme.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/564/0*Wzj_do83qFOCXBCX.jpg" /><figcaption>Ela (2013)</figcaption></figure><h4>“Ela” e a troca.</h4><p>Como estudante do Ensino Médio e amante de textos dissertativos-argumentativos, já escrevi algumas redações e usei como repertório “Ela”, então posso dizer que já ruminei esse filme diversas vezes. Em meu último texto para a escola, argumentei sobre a troca do real para o irreal, e é justamente sobre isso que falarei hoje.</p><p>O homem precisa de um par para sobreviver, somos ensinados a acreditar nessa verdade a todo tempo. Dessa forma, a necessidade humana de estabelecer relações emocionais gera a procura de vínculos a todo momento. O protagonista do filme se vê ali, sozinho, deprimido após seu divórcio e logo de primeira, ele procura algo para preencher esse vazio. Samantha, na realidade, é uma escapatória de um relacionamento real, afinal, estabelecer um laço consideravelmente mais fácil e menos cansativo é muito melhor do que correr atrás de um ser que pode te decepcionar e te cansar de alguma maneira.</p><p>A busca do mais fácil e menos cansativo é sempre vista como melhor para qualquer pessoa. Convenhamos, quem não prefere ficar em casa assistindo filmes do que ir à algum encontro com alguém que você mal conhece? A verdadeira questão em “Ela” é o desespero humano em sempre desejar ter uma pessoa ao seu lado e quando Theodore percebe a predisposição de Samantha a desenvolver sentimentos mais analíticos, ele recua. Ou seja, aquele relacionamento é melhor do que um real, pois não apresenta toda a complexidade humana em sentir e deixar de sentir. “Ela” apresenta a robotização de laços emocionais.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/563/0*hLXtfSu6h0S_Tvn_.jpg" /><figcaption>O Lagosta (2015)</figcaption></figure><h4>Amor por sobreviver.</h4><p>Admito que “O Lagosta” é um filme que não gostaria de assistir de novo. Não me levem a mal, não é ruim, mas me deixou bastante desconfortável. A história, os personagens, a trilha sonora e a fotografia. Se “Ela” transmitia intimidade, esse causa incômodo. A descomodidade e estranheza são traços marcantes na cinematografia de <em>Yorgos Lathimos, </em>não é por coincidência que seu mais novo lançamento, Pobres Criaturas, com Emma Stone, tenha levado quatro estatuetas de ouro para casa.</p><p>É interessante a forma de tratamento que o amor recebe em “O Lagosta”. Na biologia animal, encontramos diversos exemplos na busca por possíveis parceiros sexuais ou companheiros para a vida toda, como os pinguins. O primitivismo na premissa do filme é interessante, ou seja, você <em>precisa</em> achar seu par, alguém com quem passará a vida e terá uma família, assim como os seres selvagens.</p><p>“O Lagosta” gira em torno da banalização de vínculos emocionais. Durante sua exibição é notória a robotização das personagens, quase sem emoções, sem expressões, as falas curtas e rasas. Não existe uma real conexão entre os hóspedes, são apenas peões no jogo do amor imposto pela sociedade. A maiorias dos relacionamentos construídos a partir do hotel são apenas por uma questão de sobrevivência, sem o uso da racionalidade em questão. Se o único fator de diferença entre os humanos e os animais é o pensamento racional, em “O Lagosta”, nós somos colocados como os seres irracioanais, que apenas buscam por uma forma de sobreviver as custas de um parceiro.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/564/0*4o8F0Kn98PjnTufy.jpg" /><figcaption>Ela (2013)</figcaption></figure><p>Os dois longas tem muitas críticas nas entrelinhas, críticas essas que têm grande potencial analítico. Particularmente, a questão emocional me encanta bastante em ambas as produções. No mundo <em>real</em> em que vivemos, os relacionamentos tem se tornado cada vez mais rasos e robotizados. Não nos tornaremos animais caso o par ideal não apareça durante nossa vida e não precisamos sanar nossas necessidades afetivas nos privando de pessoas reais. Como animais racionais, a capacidade de pensamento é a maior habilidade que possuímos e usá-la a nosso favor é crucial para a vida em sociedade.</p><p>Considerações finais: Dei três estrelas para as duas produções no <em>Letterboxd, </em>gosto das duas, entretanto, por serem filmes consideravelmente longos e muito parados, acabam enjoando em certos momentos, mas no geral, são ótimas produções para os que curtem distopias e histórias complexas.</p><p><strong>O Lagosta e Ela (Informações apresentadas respectivamente):</strong></p><p><strong>Direção:</strong> Yorgos Lathimos / Spike Jonze</p><p><strong>Duração</strong>: 119 min / 126 min.</p><p><strong>Onde assistir: </strong>Netflix, Amazon Prime, Apple TV / Amazon Prime, Apple TV</p><p><em>Mariah Macedo.</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=51d6da8d0dbe" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Crítica: Fome de Sucesso — E a sátira da gastronomia.]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Mariah Macedo]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 22 Mar 2024 16:37:39 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-08-21T15:44:51.978Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/562/1*UaveffIM-W2XIodNJKr7kg.png" /></figure><p>Cebolas, ervas picadas, facas afiadas, panelas de fritura e fogo alto. Fome de Sucesso, filme tailandês lançado em 2023 na <em>Netflix, </em>narra a história de <em>Aoy</em>, uma jovem cozinheira que trabalha no restaurante de sua família como cozinheira. Repentinamente, sua vida vira de ponta cabeça quando recebe uma proposta de um desconhecido para trabalhar com Chef Paul, um dos maiores cozinheiros do país.</p><p>Trama promissora, talvez clichê, entretanto o longa me surpreendeu bastante, apesar de alguns pontos que deixam a desejar. “Fome de Sucesso”, é um filme cheio de camadas, críticas, diálogos instigantes e reflexões que ficam entrelinhas, além da cinematografia permeada de um sutil suspense e enquadramentos surreais no preparo e montagem de cada prato servido ao longo da obra.</p><p>Para os fãs do cinema americano, “Fome de Sucesso” se assemelha muito com “<em>Whiplash</em> — Em Busca Pela Perfeição”, de Damien Chazelle (O mesmo diretor de <a href="https://medium.com/@mariahmcdo/la-la-land-e-os-artistas-que-habitam-em-nós-36395fec6127"><em>“La La Land”</em></a>). E essa semelhança não é mera coincidência. A trilha sonora do longa tailandês, em certos momentos, é permeada pelo jazz, entretanto apresenta um violino escancarado de fundo, dando aquela pitada de suspense. O que os dois filmes tem em comum: Um instrutor com métodos questionáveis, jovens com uma vontade insaciável pelo <em>pódium </em>e um toque de problemas atrelados à essa ambição.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/563/1*uoYBhMKa8Ig8vKrlOExT8Q.png" /></figure><h4>Entrada: A soberba prevalece a ruína.</h4><blockquote>“Você se apegará ao seu sucesso a todo custo, sem perceber o que perdeu.”</blockquote><p>Arrogância. Essa é a palavra mais chamativa sobre o filme. Chefe Paul é arrogante, seus clientes são arrogantes, seus aprendizes (Não todos) são arrogantes, sua culinária é arrogante. O filme nos alimenta com a arrogância de seus personagens.</p><p>Chefe Paul constrói um altar para si mesmo quando diz que seus clientes imploram para comer sua comida, quando alega ser o melhor, quando é rude com seus aprendizes. Durante os minutos finais, Paul e Aoy tornam-se rivais, entretanto o chefe é derrubado de seu império e a cozinheira do restaurante de bairro, volta às suas origens como uma jovem cansada de todo <em>glamour </em>e arrogância que encontrou na alta gastronomia.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/715/1*u0Wrrw_1WIVDaEZZpV8jWg.jpeg" /></figure><h4>Prato principal: O parasitismo da fome.</h4><blockquote>“Os pobres comem apenas para saciar a fome. Mas, quando você tem mais do que o suficiente para comer, sua fome não acaba.”</blockquote><p>Enquanto assistia, pude fazer algumas ligações com o ganhador do Oscar em 2019, <em>“Parasita”</em>, longa sul-coreano dirigido por <em>Bong Joon-ho. </em>Não é segredo que a Tailândia apresenta um elevado índice de desigualdade social e Fome de Sucesso aborda essa tema voltado para a fome. A questão que prevalece é: Por que os que tem muito dinheiro podem ter acesso à uma refeição de qualidade enquanto os pobres não?</p><p>O filme aborda esse aspecto de forma sucinta, deixando clara a existência da insegurança alimentar no país. Em uma das cenas, onde chefe Paul e sua equipe cozinham em uma festa de um jovem magnata, é perceptível a pouca importância que o anfitrião e seus convidados dão à comida. Já que o acesso é garantido, por que dar tanto valor?</p><p>Além da fome, outros aspectos como o sistema de saúde e as regiões da mesma cidade com diferentes traços econômicos, ganham destaque no filme.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/563/1*UkgV9PR60a3BBEz2LYQmAQ.png" /></figure><h4>Sobremesa: Considerações finais.</h4><p>Antes de mais nada, quero exaltar a atuação de Chutimon Chuengcharoensukying, a atriz que interpreta Aoy. É perceptível que a artista está alavancando sua carreira no cinema tailandês. Em cada minuto pude notar a desconfiança, o medo e a ambição da personagem durante as cenas.</p><p>De inicio o filme é promissor, como disse, permeado de suspense e jogos de câmera muito interessantes e até mesmo diferentes do comum, a proposta é instigante, te prende e te faz querer saber o que irá acontecer ao decorrer da trama, entretanto, existe uma perda grande desse ritmo.</p><p>Até a metade o filme é eletrizante, cheio de ambição e fogo, mas do meio até o fim, perde o tempero. De um filme que poderia nos servir um menu cheio de surpresas e sabores explosivos, o longa vira só um miojo com tempero pronto nos ultimos minutos. Sinto que o roteiro foi se arrastando até um ponto onde todo aquele suspense se definha. Por esse motivo, dei três estrelas no <em>Letterboxd, </em>“Fome de Sucesso” tinha muito mais para nos apresentar.</p><p>Apesar do desapontamento com o final, foi um filme gostoso de assistir, ainda mais quando se trata de uma indústria cinematográfica que mal conhecemos. Para os que gostam de fazer <em>links</em> com outros filmes, “Fome de Sucesso” é para você.</p><p><strong>Fome de Sucesso. (2023)</strong></p><p><strong>Direção:</strong> <a href="https://letterboxd.com/director/sitisiri-mongkolsiri/">Sitisiri Mongkolsiri</a></p><p><strong>Duração</strong>: 145 min.</p><p><strong>Onde assistir: </strong>Netflix</p><p><em>Mariah Macedo.</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=e793986ad9e4" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[La La Land — E os artistas que habitam em nós.]]></title>
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            <category><![CDATA[music]]></category>
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            <dc:creator><![CDATA[Mariah Macedo]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 01 Mar 2024 22:01:18 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-03-02T11:03:16.058Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3>La La Land — E os artistas que habitam em nós.</h3><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/564/1*en0UapQv5o9ToKaGjXt4aA.png" /><figcaption>La La Land (2016)</figcaption></figure><p>Amado por muitos, odiado por outros, <em>La La Land: Cantando as Estações </em>é um dos meus filmes favorito.Devo admitir que sou uma puxa saco da obra.<em> </em>Lançado em 2016, estrelando Ryan Gosling e Emma Stone (Ganhadora do Oscar de “Melhor Atriz”) o longa narra a história de amor entre dois artistas ambiciosos: Um pianista apaixonado por <em>jazz, </em>com o sonho de abrir seu próprio clube e uma jovem atriz que almeja alcançar o estrelato em <em>Hollywood. </em>Já assisti ao filme três vezes, e preciso dizer que em todas as vezes eu sofro um pouquinho mais.</p><p>Com cores vibrantes, cenários instigantes e trilha sonora permeada pelo <em>jazz</em>, o longa me traz uma sensação de familiaridade. Uma sensação gostosa do início ao fim que me remete à algo puramente artístico. <em>La La Land</em> não é um desses filmes que você assiste como se estivesse bebendo um copo com água, <em>La La Land</em> é um filme de degustação, daqueles que você senta, para, observa e se delicia com o sabor, como se fosse um delicioso café com leite no final da tarde. Caso ainda não tenha o visto, recomendo que o veja antes de continuar a leitura, ou então, apenas leia um resumo mais detalhado na <em>internet.</em></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/564/1*DKJiamvf1j9R16nuN7voNg.png" /></figure><h4>Como a música transforma o universo de La La Land.</h4><p>Como você sabe, sou muito fã de música também, você pode ter acesso à essa paixão no meu <a href="https://medium.com/@mariahmcdo/r-e-o-cinema-na-música-1c7d0f82045d">último texto.</a> E com <em>La La Land</em> esse amor não poderia ser diferente. Sou dessas pessoas que curte escutar a trilha sonora de um filme enquanto estuda ou escreve (Por sinal, escuto agora enquanto escrevo para vocês) e toda vez que ouço o <em>soundtrack</em> de <em>La La Land</em> a magia do filme entra toda no meu corpo. Por isso reforço a ideia da degustação do filme, não apenas o veja, mas o escute também.</p><p>Há uma música na <em>setlist</em> que tem todo o meu coração. <em>“Mia &amp; Sebastian’s Theme”. </em>Essa aqui não é apenas uma melodia, ela é um sentimento. Ao decorrer de todo o filme ela nos acompanha em diferentes estágios do relacionamento das personagens. Toda vez que escuto essa música, sou tomada por um sentimento daqueles que você não sente toda hora, algo que você nunca experimentou na vida. A cada vez que ouço, é uma sensação diferente. <em>“Mia &amp; Sebastian’s Theme” </em>é mais do que um café com leite, ela é um <em>Macchiato</em>.</p><h4>Os artistas que habitam em nós. (SPOILER ALERT)</h4><p>Talvez uma das partes mais decepcionantes para o público seja o final, onde as personagens não ficam juntos. Alguns não entendem a real motivação da separação de Mia e Sebastian. É verdade que os dois eram os amores da vida um do outro, e em cada estação, podemos ver o desenvolvimento do amor entre ambos, passando por diversas fases e temperaturas, assim como a primavera, o verão, o outono e o inverno.</p><p>É, de fato, triste ver a separação de um casal que aprendemos a gostar durante algumas horas, mas é bonito enxergar o porquê dela ter acontecido. Apesar de serem pessoas que amam, as protagonistas também são artistas, e como artistas, cada um tem seu sonho, sua verdadeira paixão que arde mais do que o amor que sentiam um pelo outro.</p><blockquote>“A pessoa certa, na hora errada”</blockquote><p>Existem dúvidas se eles realmente eram feitos um para o outro, se era o tempo certo para estarem numa relação, mas a verdade, é que os dois se amavam tanto, que compreenderam que amar, também é deixar ir. E deixar ir, implica em olhar para o artista que habitava dentro deles. A minha queda pelo filme está relacionada ao simples fato dos dois serem amantes que não podiam se amar naquele momento da vida, mas que mantêm o carinho um pelo outro até o fim, mesmo que com pessoas diferentes e em situações divergentes. <em>Será que amar é deixar ir mesmo?</em></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/540/1*12EuWjTO75MQtGAgpnBLBw.png" /><figcaption>Emma Stone (La La Land)</figcaption></figure><blockquote>“Eu sempre vou te amar / Eu sempre vou te amar também”</blockquote><p><strong>La La Land: Cantando as Estações. (2023)</strong></p><p><strong>Direção:</strong> <a href="https://www.google.com/search?client=opera&amp;hs=Ycu&amp;sca_esv=acff160628c8f4be&amp;sxsrf=ACQVn09R11fjCECGXwMNaciGLinn_gzqHQ:1709330181479&amp;q=Damien+Chazelle&amp;stick=H4sIAAAAAAAAAONgVuLSz9U3MK0sSqo0f8Royi3w8sc9YSmdSWtOXmNU4-IKzsgvd80rySypFJLgYoOy-KR4uJC08Sxi5XdJzM1MzVNwzkisSs3JSQUASqjWM1gAAAA&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjx-pSSh9SEAxU4q5UCHYgiBBYQzIcDKAB6BAglEAE">Damien Chazelle</a></p><p><strong>Duração</strong>: 128 min.</p><p><strong>Onde assistir: </strong>Amazon Prime, GloboPlay, Star+, Google Filmes</p><p><em>Mariah Macedo.</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=36395fec6127" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[-R- e o cinema na música.]]></title>
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            <category><![CDATA[film]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Mariah Macedo]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 02 Feb 2024 20:57:44 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-03-25T11:26:44.764Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/540/1*ROgAWTnSP69LR1Bb384DWw.gif" /></figure><p>Além de amar cinema, se tem uma coisa que está no meu cotidiano (Muito mais do que qualquer nota no <em>Letterboxd</em>), é a música. E hoje, resolvi analisar um videoclipe de uma artista que admiro muito. Logo de entrada, te adianto que o trabalho solo completo dela é composto por dois clipes, mas um tem todo meu coração e é sobre ele que falaremos hoje. E claro, vale a pena assistir os dois videoclipes, você pode ter acesso a eles no final dessa matéria.</p><p>Antes de qualquer análise e apresentações formais sobre a cantora em questão, quero deixar aqui meu carinho pelo trabalho da artista, que foi lançado um dia antes do meu aniversário, e semanas depois, recebi o álbum físico. O trabalho analisado de hoje, tem uma carga muito artística no que se trata da música e do cinema em questão.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/563/1*mclL1rluGz0WrPJoiVHmXA.png" /><figcaption>-R- (Capa do álbum)</figcaption></figure><h4>-R-</h4><p>Lançado no dia 12/03/2021, “<em>-R-”</em> como fora intitulado, bateu o recorde de vendas na Coréia do Sul, com 281.674 exemplares vendidos em apenas um dia. Produzido, escrito e pensado por Roseanne Park (ROSÉ), o álbum mostra o grande coração artístico da cantora que acompanhou a produção em cada mínimo detalhe e etapa. Nascida na Nova Zelândia, ROSÉ sempre mostrou paixão pela música. Ainda nova, a neozelandesa cantava em corais promovidos pela igreja e sabia tocar piano e violão. Aos 15, mudou-se para Seul (Coréia do Sul) onde começou sua carreira.</p><p>Com duas faixas (<em>On The Ground e Gone</em>), <em>-R-</em> apresenta duas faces de uma moeda, apresentando ao público dois lados da artista. Confesso que foi muito complicado não falar sobre uma delas nessa matéria, mas quero deixar claro que minha admiração por ambas, é a mesma. Por ser um <em>M/V</em> (<em>Music Video</em>) cheio de detalhes, o analisado de hoje será <em>Gone.</em></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/563/1*YdEHrgjE8cOgk4KLsnDl5g.png" /><figcaption>Gone (ROSÉ)</figcaption></figure><h4>Gone e a cura de um coração partido.</h4><p><em>Gone</em> é uma música para os que já sofreram muito ou para os que só gostam de sofrer sem motivo. Alguns fãs acreditam que a canção tenha sido escrita para um amor passado da cantora, mas a própria afirmou, durante entrevista no <em>Zach Show, </em>que na verdade <em>Gone</em> era um sentimento sobre diversas situações, não só apenas um relacionamento.</p><blockquote>“Podemos partir nosso coração, nos tornar vulneráveis, mas nem sempre o motivo é um relacionamento. Tantas coisas podem partir nosso coração.”</blockquote><p>Ao analisar o clipe da música, fiquei maravilhada pela complexidade de detalhes e vida que construíram toda a dramatização em torno da canção. Como são muitos, deixarei registrados os que mais me fizeram saltar da cadeira de emoção enquanto assistia ao curta.</p><p>ROSÉ leva ao clipe um universo tomado de opostos, tanto nas cores, quanto nos elementos dos cenários. Nos primeiros minutos de vídeo, somos convidados a observar uma jovem feliz, com uma vida feliz, vivendo em uma casa tomada de alegria. A maquiagem da ROSÉ também tem um ar mais leve e suave. Cores como o azul turquesa, amarelo bebê, laranja e vermelho são o foco da felicidade ao longo dessas cenas. Jantares felizes, taças de vinho cheias, velas acessas e rosas vermelhas fazem parte desse mundo inexplorado pela tristeza.</p><p>Ao se abrirem os portões para o que é triste entrar, a casa se torna um ambiente sombrio, tomado por cores frias e poucos tons de amarelo. O figurino e a maquiagem da artista mudam drasticamente, o que antes era leve e alegre, agora se torna pesado e melancólico. Entre vinhos derramados, velas derretidas e espinhos de rosa, a percepção da decepção toma conta da casa e da personagem vivida por ROSÉ no clipe.</p><h4>O “Lar” retratado em Gone.</h4><blockquote>“I pack my bags and go This don’t feel like home too much darkness for a rainbow” (Eu arrumo minhas malas e vou, isso não se parece com um lar, muita escuridão para um arco-íris).</blockquote><p>É nítida a existência de um “Lar” em todo o clipe, até porque, todos os cenários estão ambientados dentro de uma casa. A artista deixa claro que nossa casa não precisa ser, necessariamente, um lugar físico, um lugar para onde vamos todos os dias depois de um dia cansativo, mas que também pode ser uma pessoa ou um momento da vida.</p><p>Ao olharmos para o M/V e para o trecho acima, ROSÉ nos mostra que quando somos decepcionados, nossos lares (Não apenas os físicos), são destruídos e totalmente revirados. Na primeira parte do clipe, a casa está linda, nova e com cores e elementos vivos e alegres, entretanto, essa “magia” decai ao longo da narrativa, até a segunda parte do vídeo. A parte dois é uma das mais interessantes, ela nos mostra um lar quebrado pela frustração, onde tudo está fora do lugar e as luzes apagadas.</p><p>Como dito no começo, recomendo que você assista o videoclipe de <em>Gone</em> para que entenda alguns pontos citados por aqui! E também assista ao clipe de <em>On The Ground</em>, a faixa principal do álbum.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/540/1*crAnn8KipHb_AePFC5HYnQ.png" /><figcaption>Gone (ROSÉ)</figcaption></figure><p><strong>-R- (2021)</strong></p><p><strong>Faixas:</strong><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CKZvWhCqx1s&amp;list=TLPQMzAwMTIwMjRZgSUmefp3MA&amp;index=1&amp;pp=gAQBiAQB8AUB"><strong> </strong>On The Ground</a> / <a href="https://www.youtube.com/watch?v=K9_VFxzCuQ0&amp;list=TLPQMzAwMTIwMjRZgSUmefp3MA&amp;index=2">Gone</a></p><p><strong>Artista:</strong> Roseanne Park (ROSÉ)</p><p><em>Mariah Macedo.</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=1c7d0f82045d" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Crítica: Call Me Chihiro — A felicidade está nas pequenas coisas.]]></title>
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            <category><![CDATA[film]]></category>
            <category><![CDATA[culture]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Mariah Macedo]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 26 Jan 2024 20:42:30 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-03-25T11:26:00.352Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3>Crítica: Call Me Chihiro — A felicidade está nas pequenas coisas.</h3><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/563/1*UB4MX3zShvxb5hAP_UdLug.jpeg" /><figcaption>Kasumi Arimura (Chihiro)</figcaption></figure><p>A gata de rua, a loja de <em>bentōs, </em>o litoral, a coleção de mangás, o morador de rua e o lar para idosos. <em>“Call Me Chihiro”, </em>em tradução para o português; “Meu nome é Chihiro” foi o filme que mais rápido tirei da minha <em>watchlist</em>. Com uma fotografia encantadora, personagens cativantes e frases interessantes, o longa ganhou as minhas cinco estrelas no <em>Letterboxd</em>. Confesso, nunca assisti a filmes japoneses, mas para uma primeira vez, a escolha foi certa.</p><p>A obra narra a história de <em>Chihiro</em>, uma ex-acompanhante que começa a trabalhar em uma loja de <em>bentōs </em>em uma cidadezinha no litoral e alegra todos os que passam em seu caminho. Enredo simples, talvez um pouco clichê para quem gosta de julgar o livro pela capa, porém, antes de assistir ao filme, não pare apenas no prefácio.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/564/1*Yxi40Z-DnO4VbwQzpqeUhQ.jpeg" /></figure><p>Sobre a protagonista que dá nome ao filme… <em>Chihiro</em>, a personagem mais boa pinta e generosa que você um dia poderá conhecer. Apesar do passado nada agradável, a jovem ainda mantem um belo sorriso no rosto, ajudando todos à sua volta. Ela é tão boazinha, que quem a conhece nos primeiros minutos pode até achar que não é, sequer, um ser humano de verdade, mas <em>Chihiro</em> também chora, também sente apatia, tem seus momentos de confusão e de nostalgia.</p><p>Ao longo da trama, os roteiristas fizeram o favor de quase não deixarem nós soltos na história da protagonista, criando complexidade e peso para a personagem. Ao final, somos convidados a refletir sobre um aspecto de sua vida (Sem spoilers por aqui, assista o filme). Mas, o longa em si, é uma pura reflexão, com frases e momentos (Não apenas de <em>Chihiro</em>, mas também das outras personagens) que o tornam único e um prato cheio para aqueles que gostam de se sentir leves e reflexivos depois de um longo filme.</p><p>A obra em si, é cheia de camadas, como dito anteriormente, não se trata apenas de uma jovem que começa a vender <em>bentōs</em>, o filme vai muito além disso. Tenho tantas coisas para falar sobre, mas escolhi apenas algumas delas, as que mais me chamaram atenção.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/563/1*by-iS8UFN6FeK3tWEWcX4w.jpeg" /></figure><h4>As diferentes faces da solidão.</h4><p>Durante a exibição do filme, esse aspecto da solidão me chamou atenção. Não é toda obra que consegue tratar esse sentimento de tantas formas distintas, mas <em>“Call Me Chihiro” </em>aborda isso de uma maneira suave que só nos leva a refletir sobre nos últimos minutos.</p><p>A protagonista carrega dentro de si o peso da solidão e esse fardo é levado aos holofotes em diversas cenas do filme. Achei tão curioso como essa emoção é retratada. A maior parte das personagens traz consigo um gostinho do que seria a solidão. <em>Chihiro, </em>o garotinho que mora com a mãe, o morador de rua, a filha com pais rígidos, a senhora internada e a garota dos mangás. Todos eles carregam <strong>feridas</strong> solitárias que são retratadas tão bem durante o enredo que a reflexão é o único resultado de todas elas. Acredite em mim, assista o filme e você verá tudo o que estou citando por aqui.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/563/1*yq7zQv9_B5R4IzOADSAuRg.jpeg" /></figure><h4>A felicidade está nos olhos de quem vê.</h4><p><em>“Call Me Chihiro” </em>é um filme extremamente intimista. Ele nos leva para perto dos personagens, dos seus sentimentos e dos pensamentos. Ele nos faz chorar, nos faz rir e nos convida a pensar que a felicidade está nas pequenas coisas. A fotografia do filme é tão marcante, mas o mesmo tempo tão leve que me deixou apaixonada. Esse jeito de gravar, deu mais sensibilidade aos momentos de alegria que cada personagem vive.</p><p>É interessante o jeito como os roteiristas conseguiram passar a mensagem de que a alegria pode ser vista até em pequenos becos ou em dias de chuva quando se está dentro do carro. <em>“Call Me Chihiro” </em>é um filme que ama diálogos, importância deles e que dá valor ao compartilhamento de conselhos. Esse filme é magnífico em todos os aspectos.</p><p>Como dito, as histórias estão todas entrelaçadas em um grande fio. Boa parte dos enredos individuais tem um início, um meio e um fim. Apesar das histórias encerradas, a da personagem principal fica em aberto, mas não um aberto gigante, é apenas uma brecha. <em>Chihiro </em>é uma poça de sentimentalismo e mistério. Entretanto, apesar de muitos desfechos distintos, o longa não deixa de nos contar que a felicidade está nos olhos de quem vê.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/563/1*uv-OVhvSCkUmDZxxYf9S_g.jpeg" /></figure><h4><em>“Call Me Chihiro” </em>é sobre a família também.</h4><p>Sei que na minha última resenha abordei esse tópico (Por sinal, você pode acessa-lá aqui: <a href="https://medium.com/@mariahmcdo/aranhaverso-a-f%C3%B3rmula-encanta-e-a-fam%C3%ADlia-tamb%C3%A9m-08a38167a611">Aranhaverso</a>), mas não tem como não mencionar família quando se fala de “Meu Nome é <em>Chihiro</em>”. Eu fiquei encantada. Apesar de abordar muitos problemas no eixo familiar, o longa também fala sobre como a família pode estar onde você menos espera. Não importa quem você é, de onde vem, como chegou ali…Sempre haverá uma família te esperando.</p><p>Esse filme aborda muito em duas horas, mas flui rapidamente quando se presta atenção nos detalhes e principalmente nas bolotas. Mas, como uma escritora muito apegada ao que é sentimental, reforço que não vale a pena assistir “<em>Call Me Chihiro” </em>apenas como mais um filme. Essa obra tem carinho, amor, alegria e muita família. E para finalizar, quero te deixar uma frase, que quando você assistir (Espero que assista), lhe fará refletir tanto quanto eu.</p><blockquote>Você está pensando em ir para longe? Tudo bem. Você pode parar de fugir agora. Não importa o quão rápido você corra ou quão longe você vá, sua solidão te seguirá.</blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/563/1*kQsP_QRuYjXhp94iLV-zQQ.jpeg" /></figure><p><strong>Meu Nome é Chihiro. (2023)</strong></p><p><strong>Direção: </strong><a href="https://www.imdb.com/name/nm4219316/?ref_=tt_ov_dr">Rikiya Imaizumi</a></p><p><strong>Duração: </strong>131 min.</p><p><strong>Onde assistir:</strong> Netflix.</p><p><em>Mariah Macedo.</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=daf2fe0ecac5" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Aranhaverso: A fórmula encanta, e a família também.]]></title>
            <link>https://medium.com/@mariceeus/aranhaverso-a-f%C3%B3rmula-encanta-e-a-fam%C3%ADlia-tamb%C3%A9m-08a38167a611?source=rss-13847c037cd4------2</link>
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            <category><![CDATA[culture]]></category>
            <category><![CDATA[film]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Mariah Macedo]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 03 Jan 2024 21:45:03 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-01-26T22:28:19.182Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*v-1c3B9RgKv1RyQlQ23VBg.jpeg" /><figcaption>Homem-Aranha: Através do Aranhaverso (2023)</figcaption></figure><p>Confesso, como fã de todos os filmes do “amigo da vizinhança”, os dois lançamentos em animação, são, sem dúvidas, os meus favoritos. Com a estreia do primeiro filme em 2018, a Pascal Pictures, junto da Marvel, trouxe uma nova perspectiva ao mundo já explorado dos desenhos animados. E com a edição de 2023, não poderia ser diferente. O longa usa e abusa de cores vivas, traz uma estética mais extravagante e nos insere em um universo onde as clássicas “<em>HQ’s”</em> podem ser vistas na tela do cinema.</p><p>Além da aparência cativante, o protagonista, <em>Miles Morales</em>, faz toda a diferença em ambas as produções. E isso não é para menos, considerando que o rapaz é um adolescente e traz o protagonismo negro ao filme, fator nulo nos últimos lançamentos cinematográficos da “franquia” Homem-Aranha. E, claro, não podemos esquecer do carisma encantador do mais novo herói.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1023/1*QLTCygaHeqMv0YaphNJzKw.jpeg" /></figure><h4>A fórmula das cores em Homem-Aranha: Através do Aranhaverso.</h4><p>Antes de falarmos de família e de como ela é importante no segundo filme, precisamos dar ênfase na paleta da obra. No momento em que vi o longa de 2023 pela primeira vez no cinema, entrei em uma grande mistura de sentimentos e sensações ao assisti-lo. Ao decorrer do filme, o uso das cores torna cada momento especial para cada personagem e cena. É importante destacar que cada universo e cada Homem-Aranha tem sua própria paleta de cores, mas quero focar nas de<em> Miles Morales</em> e as de <em>Gwen Stacy</em>, as duas grandes estrelas do segundo filme.</p><p>Durante as primeiras cenas do longa, somos apresentados à <em>Gwen</em>, uma jovem baterista que, até então, acredita ser a única Mulher-Aranha. Quando entramos em seu quarto, podemos notar logo de cara uma paleta de cores mais fria (Azul, verde, roxo e rosa), onde percebemos que ela é uma garota melancólica. Porém, de outra perspectiva, seu apartamento (Que divide com o pai) é um lugar de cores quentes, cheio de afeto paterno. Poucos segundos depois, ao decorrer da cena, <em>Gwen </em>e seu pai, dividem um abraço caloroso dentro de seu quarto, que rapidamente é tomado pelas mesmas cores quentes.</p><p>Diferente de sua amiga, <em>Miles </em>e suas cores me deixaram em dúvida sobre o que realmente poderiam representar. Mas é nítido o contraste entre sua paleta e a de <em>Gwen</em>. Seu mundo apresenta algo mais “descolado”, adjetivo que define o personagem, cores como vermelho, laranja, amarelo e verde dão vida ao local onde o mora, o tão famoso <em>Brookyln</em>. A coloração escolhida realça os traços típicos do bairro suburbano de Nova York, principalmente o <em>“street style”</em>.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*82cuZPyJu9Pi04_DlZ5ICg.jpeg" /></figure><h4>A família que deu certo.</h4><p>Apesar de ser um filme de animação, seus diretores não nos desapontam no que se trata da família. Durante toda a exibição, é notável o esforço que fizeram em demonstrar que a <strong><em>família é a base de tudo.</em></strong> Apesar dos altos e baixos nas famílias de cada personagem: <em>Miles, Gwen, Miguel Ohara e Peter Parker </em>(O mentor de Miles no primeiro filme), a sua importância está em cada detalhe do filme. Desde os motivos que levam o Homem-Aranha 2099 a se tornar um quase vilão, ao dilema de <em>Miles</em> sobre contar sua verdadeira identidade aos pais, o filme sabe o quão tocante a questão <strong><em>“família”</em></strong> pode ser para o telespectador.</p><p>Gostaria de voltar aos dois adolescentes da obra, <em>Miles e Gwen </em>e de como a trajetória familiar dos dois me tocou por ser uma jovem e por conviver com uma família também. Ao analisar o filme de verdade, percebi o amor paterno gigante de capitão <em>Stacy </em>para com sua filha, que apesar de ter fugido de casa e ter retornado como a filha pródiga, não fora recusada pelo pai. Esse amor só revela o quão importante as cores foram para a construção desse núcleo familiar.</p><p>Tenho que abrir um novo parágrafo apenas para comentar sobre a família <em>Morales. </em>Sua mãe (Porto-riquenha) e seu pai (Nativo do Brooklyn), são pais rígidos, mas rígidos por amor. Os dois almejam um futuro brilhante para o filho. Apesar de amar os pais, <em>Miles </em>mostra total indecisão sobre revelar sua identidade aos dois, mesmo tendo ciência do amor que sentem por ele, o rapaz ainda teme que, se disser a verdade, toda essa rede de apoio cairá por terra. Essa parte do filme me fez chorar, pois como jovem me identifiquei com o dilema de <em>Miles. </em>E claro, não poderia encerrar sem comentar a respeito de uma das frases mais marcantes da obra (Se você assistiu o filme, você vai entender do que estou falando), em um momento de alto clímax, Miles lembra das palavras da mãe e aquilo o dá forças para fugir de toda a confusão construída. É em momentos como esse que as palavras de uma mãe fazem toda e completa diferença.</p><blockquote>“Todo mundo fica me dizendo como a minha história tem que ser. Não, eu vou fazer do meu jeito.”</blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/540/1*120xo-Um-L15qizSxIdAxA.gif" /></figure><p><strong>Homem-Aranha: Através do Aranhaverso. (2023)</strong></p><p><strong>Direção:</strong> <a href="https://www.google.com/search?sca_esv=595441494&amp;sxsrf=AM9HkKnaZfzAQf4EL49MBCZuvx6dEyNiXQ:1704313518587&amp;q=Joaquim+Dos+Santos&amp;si=ALGXSlYzFQQn5id74gU-GPAR8UsllKNebHx5zj2txQsc1FfqFKuelYpkjLp7HRsXQY6Rp18nGY999rkHlxlRPM1qbscMhsk-uF9tq49-Jft4xD86Z-FJz2l69OLTm4ZBVfQw9oi2MrHdZLiQYVNyBGRxCWwoWeHiycUYMrRY08DvX1rEBEtoAhNePW41Z5LwkEITI4DQbcXdKRUVX_ks7qiwGFdvsDlVcHtm1xxK4mjv3N7fULdNc0sdSnOtmhi8UzSc8989ZI3tWuU1iteafy1OfxpFTIQ0OpmBbsIs1kllSGp-v62pK1I%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwi1zvHOhsKDAxUCK7kGHQ8FBBwQmxMoAHoECBkQAg">Joaquim Dos Santos</a>, <a href="https://www.google.com/search?sca_esv=595441494&amp;sxsrf=AM9HkKnaZfzAQf4EL49MBCZuvx6dEyNiXQ:1704313518587&amp;q=Justin+K+Thompson&amp;si=ALGXSlYzFQQn5id74gU-GPAR8UsllKNebHx5zj2txQsc1FfqFJS75ZJ505OXvfELMjNCs-T8cJVPBpqG4jK2GU5Da1qX-F_1fOA6K0PlNKGJaVNb6Xp-Ai_HNzSIrdkP1jw6xi01v78vz444He0j0CwBamBN46BeiWdtL8pz9kHri7PGnFuTXTFj7OfZ7B_-tCOFkfX52up8M0F7aBAda5lPtUBNGTuV7Bqc9b1-WqTslMZCZmySgb1mKQbHViXefn4r-jg6Whu9ZwHXZ2kW-mHcHyMxZOoR2GbSPO4Pfs5zGhtZx48yOAY%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwi1zvHOhsKDAxUCK7kGHQ8FBBwQmxMoAXoECBkQAw">Justin K. Thompson</a>, <a href="https://www.google.com/search?sca_esv=595441494&amp;sxsrf=AM9HkKnaZfzAQf4EL49MBCZuvx6dEyNiXQ:1704313518587&amp;q=Kemp+Powers&amp;si=ALGXSlZZLz93Q5j8HVkpXyxpTaoqXw8cocmoi-DFAGsSj5diF3lV1Y4G1BGEK9GphmrLAeCGytczdGopnb2LdJPVmr6ripVCZUHvNjbFk4h-fV2D7BRcxl7fbLg87yt-COT2q4ieJoZqwh7vRN9j2nBNW96JGRB_5NAcFqzWMafcsMRq7FjHPIjHZVZXsE34msa_hUmKucLLzavC2_ileDyALceoO-EB5vIAvUOaf0w-eToMar3T_dspQXyZzEgvVAjirxaa-n1AIBRyWB_99DYQtmTeeWOxACltEAbGxFfC3yI9cveXriQ%3D&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwi1zvHOhsKDAxUCK7kGHQ8FBBwQmxMoAnoECBkQBA">Kemp Powers</a></p><p><strong>Duração</strong>: 140 min.</p><p><strong>Onde assistir: </strong>HBO+<strong>, </strong>Amazon Prime, Apple TV, Google Play Filmes</p><p><em>Mariah Macedo.</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=08a38167a611" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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