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        <title><![CDATA[Stories by Gio Malizia on Medium]]></title>
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            <title>Stories by Gio Malizia on Medium</title>
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            <title><![CDATA[Hasos: Um Mergulho Profundo no Íntimo de Baco Exu do Blues]]></title>
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            <category><![CDATA[rap-nacional]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Gio Malizia]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 26 Nov 2025 21:10:08 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-12-08T16:26:14.261Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>O quinto álbum de estúdio de Baco Exu do Blues foi lançado dia 18/11 e podemos considera-lo desde já mais um clássico do artista. Como numa conversa de terapia, Baco dividiu essa obra em 4 partes, quatro reflexões contadas por interlúdios.</p><p>O álbum em si transborda referências profundas, não apenas sobre as reflexões pessoais de Baco, mas também 3 principais assuntos de referência: <strong>a espiritualidade</strong> — um tema clássico do artista (vide seu nome), <strong>a musicalidade</strong> — com uma menção especial aos elementos de jazz que se alinham muito bem com as emoções que se quer provocar nas faixas — e as menções do artista ao tema que particularmente tem meu amor desde o colégio: <strong>autores da literatura classica brasileira</strong>, em principal meu favorito, Jorge Amado.</p><p>O álbum começa explorando o caos interno numa crescente, e, como em todos os interlúdios, o artista explora essa conversa entre o terapeuta e o paciente, porém sem seguir um padrão. O que se mantem entre os interlúdios é apenas o terapeuta, enquanto o paciente alterna á cada “sessão”, e os diálogos esmiuçam, em principal, o tema que será debatido nas faixas seguintes. Os quatro blocos se dividem em, respectivamente:</p><p><strong><em>1- Galo de Briga:</em></strong> a raiva, a fúria, a agressividade, e em como isso é, de certa forma, uma catarse; limpeza de dentro pra fora de tudo que seria ruim para dar lugar á possibilidade de um renascimento, como uma fênix.</p><p>Nessa primeira parte o artista transita para além da agressividade e violência, mas os próprios conceitos históricos do nosso país, heranças da escravidão para o povo negro, e como isso criou um rastro até os dias atuais na existência de seus descendentes. Quando ele diz <em>“até espancar me causa trauma […] esse ódio não é meu, ele foi me dado”</em>, é como se dissesse que mesmo sendo obrigado á reagir de forma bruta, talvez não seja seu desejo real. A faixa <em>“Gladiadores de Areia”</em> segue uma crescente no instrumental de jazz, se tornando caótica e poética, assim como a letra. Em <em>“Romance Latino”</em> o artista vem com uma musicalidade mais disco/dance, em colaboração com Teto, e traz um toque de leveza pra essa primeira fase do álbum, que é bem densa.</p><p><strong><em>2- Hasos:</em></strong> a espiritualidade, os orixás, a fé e como ela pode nos sustentar quando passamos pelo insustentável.</p><p>Baco <strong>Exu </strong>do Blues, como seu próprio vulgo já diz, sempre trouxe muito forte em sua arte, a espiritualidade e sua relação com os orixás, e como a religiosidade pode ser um refúgio em momentos de dor e aflição, como ela pode nos curar de dentro para fora através do divino. Particularmente, a forma que o artista traz esse assunto nas suas obras é sempre linda, tanto nos elementos musicais (quando inclui trechos de pontos) e quanto quando fala sobre os rituais, costumes e o papel que cada orixá mencionado tem.</p><p>Em <em>“Mar de Guerra”</em>, Baco traz um compilado de referências ao eterno e inigualável Jorge Amado. Outras faixas possuem menções ao autor, mas essa em especial é praticamente uma homenagem completa ás obras eternas dele. É interessante pois o autor também tem essa mesma caracteristica nas suas obras: descrever os costumes, tradições e práticas das religiões de matriz africana, sempre com esse olhar sensível e extremamente poético sobre, além de contar a história numa perspectiva que vem do povo, dos que construiram o verdadeiro Brasil.</p><p><strong><em>3- Pai Nosso Que Está no Céu:</em></strong> a morte, o luto e a profunda falta de quem partiu.</p><p>Nesse “capítulo” o artista reflete sobre a morte e o luto de forma profunda. Acredito que quem já viveu a dor de perder alguém que ama consegue compreender cada palavra dita nesse interlúdio, e na faixa que o sucede. <em>“Raiva da Morte”</em> é como um monólogo consigo mesmo onde explora, pra além dos sentimentos de tristeza, dor e abandono, a própria raiva que se sente do universo sobre a perda. De fato, o luto é um sentimento que provoca inúmeras sensações que apenas são compreendidas se for experienciado, e em todos essas questionamentos e reflexões que ele traz nessa parte do álbum é possível sentir. Sentir o peso de cada palavra dita ao próprio artista, mas também correlacionar com os próprios lutos pessoais que nós (ouvintes) vivemos.</p><p>Para além das letras, a musicalidade, os arranjos e os elementos que compõe as faixas <em>“Pequeno Príncipe”</em> e <em>“Que Eu Sofra”</em>, com participação de Zeca Veloso, é um espetáculo a parte que compõe e amarra lindamente todo tema, provocando emoção e finalizando com uma energia bem diferente da primeira fase, mais melancólica e menos enérgica.</p><p><strong><em>4- Síndrome do Herói:</em></strong> a autossabotagem, a (re)tomada de consciência sobre si, o acolhimento e, de certa forma, como ás vezes se conformar diante de algumas situações também pode ser libertador.</p><p>Quando se aceita que algo não vai mudar, ou que alguma relação não vai pra frente, isso pode libertar o sentimento que antes aprisionava. Na minha análise, apesar do interlúdio, vejo as 3 últimas faixas como uma continuidade do enredo trazido em. <em>“Que Eu Sofra”</em>. As três, respectivamente, passam entre a falta (<em>“Assassinos de Saudade”</em> part. Vanessa da Mata), o processo da conformidade do fim (<em>“Sertão Sem Flor”</em> part. Ivyson) e, por fim, a aceitação da realidade (<em>“Um Pouco”</em> part. Carol Biazin) seguida de uma nova perspectiva <em>“[…] mal posso esperar pra morrer de amor de novo [..]”</em>.</p><p>Por fim, posso dizer com tranquilidade que <strong>Hasos </strong>vem como mais um clássico atemporal do artista para compor seu repertório, junto de <em>‘Esú’ </em>(2017), <em>‘Bluesman’</em> (2018) e <em>‘QVVJFA?’</em> (2022).</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*6xfedAQ9XIHmU_U6exIlCw.png" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*vqtKEyCv-qcXfrXc7FLtyg.png" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/900/1*64LN-c6_AF7keGT8eGi1RA.png" /></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=42029098cc8c" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Os Garotin: Um Fenômeno Fora da Curva]]></title>
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            <category><![CDATA[música-brasileira]]></category>
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            <category><![CDATA[nova-mpb]]></category>
            <category><![CDATA[música]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Gio Malizia]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 30 Sep 2025 19:22:59 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-09-30T19:22:59.217Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Se você está nas redes, ou mesmo acompanhando a TV aberta e festivais neste ano, é quase impossível que não tenha ouvido falar do grupo musical “Os Garotin” por ai. A banda, que iniciou de forma independente, é um fenômeno que foge das métricas no Music Business dos últimos 20 anos pelo menos, que aposta majoritariamente em artistas solo, acompanhando as tendências de consumo dessas últimas 2 décadas.</p><p>Os dados de análise da indústria musical, considerando as paradas de sucesso global e análise de métricas nos streams e plataformas de música digitais, como a Billbord Hot 100 ou Chartmetric nos EUA, ou BPI (British Phonographic Industry) no Reino Unido, aponta uma clara mudança de preferência e de retorno em relação ao cenário musical dos anos 80 aos dias atuais: em 1994, por exemplo, o percentual de bandas no Top 10 global era de 30%, e hoje, esse número está próximo de zero.</p><p>Já no Brasil, podemos observar essa tendência de consumo através dos gêneros musicais dominantes de cada época, e, de acordo com a Pró-Musica Brasil, hoje o formato predominante nos charts nacionais são de 7 a cada 10 faixas (70%) no Top 10 sendo de Artistas Solo ou Dupla, e em contrapartida, as bandas ocupam menos de 1% nas listas de Top 50 em 2024. Em 2005 as bandas ocupavam cerca de 30–40% das top vendas de CDs e DVDs, de acordo com os ‘Artistas Mais Certificados’ pela ABPD (antiga Associação Brasileira dos Produtores de Discos, hoje Pro-Música Brasil), mostrando uma significativa queda de consumo nas décadas seguintes com suas mudanças técnologicas.</p><p>Esses dados nos mostram ao que o público têm dado preferência no consumo hoje e por que Os Garotin são um fenômeno fora da curva: o grupo, que mistura elementos de R&amp;B, Soul, MPB e um toque de Pop, foi formado em 2023 e, em menos de 2 anos tendo somente 1 álbum lançado (“Os Garotin de São Gonçalo” 2024) e algumas EPs, já somam mais de 1 milhão de ouvintes e 100 milhões de streams somente no Spotify. <br>O currículo da banda conta com a faixa ”Nossa Resenha” (part. Caetano Veloso) como parte da trilha sonora da novela das 21h “Vale Tudo”, um Latin Grammy na categoria “Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa” e apresentações em grandes e renomados festivais como Rock in Rio, The Town e Rock The Montain.</p><p>Agora, a banda inicia sua própria turnê em diversas cidades no Brasil, provando o quanto é sim importante acompanhar as tendências, porém ter um excelente branding e um “produto” (no caso, sua musicalidade) diferenciado é sim capaz de deixar sua marca única e torna-lo uma referência (e até fenômeno) em meio á um mercado tão saturado, trazendo a visibilidade e resultados que fogem do padrão atual.</p><p>E vocês já ouviram falar de Os Garotin? Vale a pena conhecer!</p><p><a href="https://www.linkedin.com/search/results/all/?keywords=%23osgarotin&amp;origin=HASH_TAG_FROM_FEED">#osgarotin</a> <a href="https://www.linkedin.com/search/results/all/?keywords=%23musicabrasileira&amp;origin=HASH_TAG_FROM_FEED">#musicabrasileira</a> <a href="https://www.linkedin.com/search/results/all/?keywords=%23mercadomusical&amp;origin=HASH_TAG_FROM_FEED">#mercadomusical</a></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/900/1*YNz867hRrT4ivx09ujtMwQ.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*vfz7Fd4je7prN8AEHHRGKw.jpeg" /></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=4482b350a88f" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[AJC e ‘Novo Testamento’: Evidenciando a Excelência Feminina no Rap Nacional]]></title>
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            <category><![CDATA[rap-nacional]]></category>
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            <category><![CDATA[rap]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Gio Malizia]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 26 Sep 2025 15:34:25 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-09-26T15:34:25.541Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Ajuliacosta lançou essa semana seu novo álbum intitulado de “Novo Testamento” e esse trabalho traz á tona novamente um assunto que tem sido cada vez mais debatido no meio do Hip-Hop: a excelência que a cena feminina do rap tem entregado ao público.</p><p>Acompanhando os últimos trabalhos, por exemplo, de Duquesa, MC Luanna e Ebony, — e não só elas, mas também diversas outras mulheres da cena — os trabalhos femininos no rap estão evidenciando o que é de fato a excelência na entrega: rimas pesadas, musicalidade, visual e conceito autênticos. Tudo isso bem amarrado e alinhado com a persona de cada artista e seu diferencial, mas trazendo um mesmo ponto em comum (que o hip-hop nacional há alguns bons anos vêm sentindo falta): a vivência feminina, que identifica e representa seu público.</p><p>A excelência do “Novo Testamento” da AJC vai pra além da autoridade de reconhecer e saber aplicar de maneira inovadora suas referências das raízes do hip-hop e os clássicos dos anos 2000, mas, principalmente, em alinhar todo seu discurso, identidade e conceito com o que realmente conversa com seu público: essas vivências.</p><p>Falar sobre a diferenciação e valorização das minas na cena é falar sobre representatividade, ecoar vozes e compartilhar experiências em comum e é isso que garante, para além da repercussão, a venda junto a todo o restante: seu público compra essa identificação, e faz questão de apoiar na prática o que antes não era tão visualizado (ou ao menos não tão acessado) com destaque.</p><p>Quando AJC fala diretamente com seu público e compartilha suas experiências, como seus questionamentos em “O que a Julia vai ser?” — refletindo sobre o que é necessário pra uma mulher se destacar no seu trabalho sem se objetificar ou vender sua ética, e concluindo que deseja seguir sua própria verdade — ou em “Fiel a mim” que, apesar de todas as tentativas externas de limitar sua persona e sua personalidade, ela segue sendo fiel á si mesma — arriscando suas fichas no que acredita e prosperando através disso — milhares de mulheres se sentem representadas e mais fortes á encarar todos os percalços que envolvem ser mulher na sociedade e no rap, sem deixar de mencionar em todas essas reflexões o recorte de negritude que não pode — e nem deve — ser desatrelado de toda essa mensagem.</p><p>AJC não é somente uma rapper em ascensão e empresária fenomenal por saber como vender um produto e um conceito, mas, principalmente, por trazer junto disso sua representatividade de mulher que sustenta o que é e o que acredita em um meio (ainda) tão machista.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*4bzZFOXWXhjWEAaWAH5deA.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*oSMiehkEjLnL5ryc9h_iow.jpeg" /></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=a6028ef2aae7" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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