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        <title><![CDATA[Stories by Daniela Rezende on Medium]]></title>
        <description><![CDATA[Stories by Daniela Rezende on Medium]]></description>
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            <title>Stories by Daniela Rezende on Medium</title>
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            <title><![CDATA[O Príncipe]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Daniela Rezende]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 12 Feb 2026 12:01:01 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-02-12T12:01:01.133Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/600/1*IQYgA0x3dGbSppa7Z-lhdA.jpeg" /><figcaption>Imagem: Remedios Varo, “Encontro”, 1959. Fonte: <a href="https://www.nationalgalleries.org/art-and-artists/features/magical-world-remedios-varo">https://www.nationalgalleries.org/art-and-artists/features/magical-world-remedios-varo</a></figcaption></figure><p>I.<br>“uma noiva”<br>o Príncipe procura uma bela noiva<br>capaz de fazê-lo feliz,<br>de fazê-lo realizado<br>três filhos, um cachorro chamado Bruce<br>passeio em família no shopping<br>aos domingos, sexo garantido<br>– o sexo é certo, mas requentado<br>qual os restos da janta no fogão frio<br>longa noite após o trabalho –</p><p>II.<br>porém,<br>nem cabelos escuros, nem claros<br>nem tez translúcida, nem pele escura<br>nem seios fartos, intocados ou mirrados<br>tampouco pés grandes, finos, chatos<br>de unhas vermelhas metidos em sapatos,<br>nada agrada ao homem que busca<br>uma bela noiva<br>nada agrada Sua Alteza real tal<br>qual havia sonhado</p><p>III.<br>– bom, há um lugar<br>há um último lugar<br>onde Vossa Alteza poderá, quiçá,<br>encontrar a sua bela noivinha<br>– afirma o confidente do Príncipe –<br>– lá há senhoras, é fato,<br>para todos os tipos &amp; gostos<br>são segredos do negócio<br>Vossa Alteza, são segredos<br>escondidos da plebe em riste</p><p>IV.<br>breu, céu de aço fechado<br>gramados, árvores – som sequer<br>de passos – o confidente estaca<br>o cavalo entre grades – não é algo fácil,<br>mas aqui estamos, olhe, Alteza<br>olhe à vontade!<br>– alguém grita ao longe – vamos,<br>Vossa Alteza, escolha à vontade!<br>– diante do monte, confiante<br>o confidente do Príncipe abre bem os braços –</p><p>V.<br>num sorriso de finos lábios<br>o homem que procura uma noiva<br>inspeciona mui&#39; cuidadosamente<br>qual fruto proibido<br>a longa fileira de mulheres tristes<br>boas &amp; belas<br>lapidadas sob o mármore &amp; o ouro<br>encerradas a sete largos palmos<br>da bela<br>triste &amp; boa terra</p><p>VI.<br>– essa? – um filho, três cachorros<br>– aquela? – o jantar garantido &amp;<br>o sexo requentado no corpo frio<br>– esta, é esta! tal qual mensagem<br>clara enviada pelos anjos! – exulta<br>a Grande Alteza – peguem as pás, pois,<br>cavem! – sorri para o confidente<br>&amp; para a corja acompanhada<br>– bem se sabe que um Príncipe<br>jamais anda sozinho – &amp; não diz palavra</p><p>VII.<br>de volta à alcova, o Príncipe<br>antes de dormir às noites<br>agora beija os lábios gelados<br>de sua bela &amp; boa esposa<br>– você é maravilhosa! – sussurra<br>&amp; apalpa a coxa excelentemente<br>conservada<br>– você é maravilhosa! – sussurra<br>&amp; despe a camisola<br>– maravilhosa! – &amp; afinal sobe<br>sobre o corpo morto ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ – tão obediente!</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/35/0*XJAdoUPmgz4ycO-f.png" /><figcaption>Ei, gostou do poema? 🤗<br>Logo abaixo você pode interagir com nossa equipe de poetas<br>através de <strong>claps</strong> (que vão de 1 a 50) e <strong>comentários.</strong><br>Continue lendo a <a href="http://faziapoesia.com.br/">Fazia Poesia</a>.</figcaption></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=03588ecb7123" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://faziapoesia.com.br/o-pr%C3%ADncipe-03588ecb7123">O Príncipe</a> was originally published in <a href="https://faziapoesia.com.br">Fazia Poesia</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Esse pequeno poema rouba & expõe as joias da cultura ocidental]]></title>
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            <category><![CDATA[literatura]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Daniela Rezende]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 28 Oct 2025 12:07:13 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-10-28T12:07:13.577Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>a Colônia &amp; os processos<br>da sifilização ocidental mancham meus dedos<br>meus passos na prancha do navio<br>os tubarões logo abaixo<br>sob o sol aperto os olhos, Napoleão<br>me saúda<br>em língua perigosa me beija<br>à força — o lapso<br>de Napoleão, o lapso<br>linguístico do grande corsário</p><p>veja bem, o Louvre<br>a pirâmide vítrea que brilha<br>à distância desde o Ártico<br>a pirâmide mais que desejada onde<br>a Humanidade perdeu sua humanidade<br>a obscuridade gelada guarda as relíquias<br>as pinturas gravuras esculturas<br>os fósseis ossos ossários<br>de mulheres decapitadas<br>de culturas mortas — impregnadas<br>da fumaça dos cachimbos dos infames<br>bandeirantes de barro</p><p>⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀(se você se aproximar, verá<br>⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀como as imagens esfarelam<br>⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀sob a ponta dos dedos)</p><p>a vida não é justa com as mulheres<br>tenho 33 anos<br>estou à beira do colapso<br>o mundo à beira do precipício<br>42 graus na sombra hoje<br>um dia de verão sem trégua<br>sem trégua nossa ocupação no globo</p><p>passeio pelas esquinas do Louvre<br>o lusco-fusco das últimas luzes<br>sendo apagadas — uma a uma<br>enfio meus dedos num buraco<br>que está em mim &amp; sobe pelas paredes<br>entre um Goya &amp; um El Greco<br>ali, bem no meio<br>dos dois neurônios de meu pai insiro<br>dois dedos — uma bomba<br>⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀(uma granada)<br>puxo o pino, respiro<br>o alívio banha meu corpo em largas cascatas</p><p>não corro, antes me faço<br>de estátua, paro<br>rogada, acendo um cigarro<br>&amp; assisto à destruição em massa</p><p>⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀(às vezes as pessoas erram<br>⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀&amp; você tem de aprender<br>⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀a perdoá-las)</p><p>as mulheres &amp; as crianças<br>são as primeiras a abandonar navios</p><p>é difícil ancorar o espaço<br>&amp; eu, que não sou mulher nem criança<br>nem navio ou planta<br>gaivota, tubarão ou Napoleão<br>eu, inominável que desliza por avenidas<br>não abandono este navio:</p><p>antes,<br>o esculacho</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*t-DEKilyY0qdhx2Yvv-qCw.jpeg" /><figcaption>Imagem: Titanic partindo do Reino Unido, 1912</figcaption></figure><p>Poema publicado na edição de junho da Revista CULT. Disponível em: <a href="https://revistacult.uol.com.br/home/esse-pequeno-poema-rouba-expoe-as-joias-da-cultura-ocidental/">https://revistacult.uol.com.br/home/esse-pequeno-poema-rouba-expoe-as-joias-da-cultura-ocidental/</a></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/35/0*MJOpKadDxgTo2oxe.png" /><figcaption>Ei, gostou do poema? 🤗<br>Logo abaixo você pode interagir com nossa equipe de poetas<br>através de <strong>claps</strong> (que vão de 1 a 50) e <strong>comentários</strong>.<br>Continue lendo a <a href="http://faziapoesia.com.br/">Fazia Poesia</a>.</figcaption></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=b850400c7628" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://faziapoesia.com.br/esse-pequeno-poema-rouba-exp%C3%B5e-as-joias-da-cultura-ocidental-b850400c7628">Esse pequeno poema rouba &amp; expõe as joias da cultura ocidental</a> was originally published in <a href="https://faziapoesia.com.br">Fazia Poesia</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[A equilibrista de pratos]]></title>
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            <category><![CDATA[literatura]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Daniela Rezende]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 17 Oct 2025 12:06:01 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-10-17T12:06:01.150Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/984/1*L7Kkvau_KP9MUsHrEsUCFw.avif" /><figcaption>Imagem: Lenora de Barros, &quot;Poema&quot;, 1979</figcaption></figure><p>é<br>escrever poemas é<br>como lavar pratos</p><p>primeiro, jogamos os restos<br>de comida velha fora<br>no cesto de lixo da pia</p><p>(o conteúdo não importa<br>falamos de continentes<br>não do que comemos)</p><p>segundo, abrimos a torneira<br>despejamos detergência<br>em abundância</p><p>depois, o esfrega-esfrega<br>a superfície oleosa ganha<br>brilho &amp; cheiro de coco</p><p>pratos esfregados empilhados na pia<br>um após o outro após o outro após<br>aguardam o enxágue pacientes</p><p>maior o número de convidados<br>maior a pilha de pratos<br>com a qual lidaremos depois</p><p>por último, precisamos secá-los<br>um pano de algodão – de prato –<br>é útil nessa parte</p><p>guardamos os pratos na pra-<br>teleira primeira do armário<br>adormecem ali até a próxima</p><p>escrever poemas é<br>como lavar pratos<br>– assunto de pequena importância –</p><p>escrevo poemas desde<br>os seis anos de idade<br>diz o poeta-branco-cis-hetero</p><p>a grande inteligência ocidental<br>jamais ajudou a esposa ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀(ele mesmo diz)<br>a recolher ⠀ ⠀⠀ ⠀ um garfo<br>⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀⠀sequer</p><p>Poema que faz parte da coletânea <em>Imagine a primeira gota de sangue</em>, Bidê Coletivo, Editora TAUP, 2025 (no prelo).</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/35/0*A9nMFYvycMlResF3.png" /><figcaption>Ei, gostou do poema?<br>Logo abaixo você pode interagir com nossa equipe de poetas<br>através de <strong>claps</strong> (que vão de 1 a 50) e <strong>comentários</strong>.<br>Continue lendo a <a href="http://faziapoesia.com.br/">Fazia Poesia</a>.</figcaption></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=419754deec74" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://faziapoesia.com.br/a-equilibrista-de-pratos-419754deec74">A equilibrista de pratos</a> was originally published in <a href="https://faziapoesia.com.br">Fazia Poesia</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[A vendedora de tomates]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Daniela Rezende]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 26 Sep 2024 12:02:03 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-10-30T23:14:38.478Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*EUta46bj5YGiMrHwDpQWLQ.jpeg" /><figcaption>Imagem: Ilha das Flores<br>Fonte: <a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2024/06/ilha-das-flores-cenario-de-curta-emblematico-de-jorge-furtado-segue-sob-lixo.shtml">https://www1.folha.uol.com.br/</a></figcaption></figure><p>atropelada ontem na rua<br>a sacola plástica recheada<br>dos frutos suculentos<br>vermelho esmagado no asfalto<br>&amp; o cheiro do vento<br>era o de carne podre</p><p>a vida campesina resumida em:<br>⠀⠀ ⠀ ⠀a) o cuidado com a terra<br>⠀⠀ ⠀ ⠀b) o arado da terra<br>⠀⠀ ⠀ ⠀c) o cultivo da terra<br>⠀⠀ ⠀ ⠀d) a sabedoria da terra<br>semear, plantar, colher<br>depois embalar &amp; vender<br>os produtos na feira agrícola</p><p>todos gostam de tomates é<br>uma afirmação universalmente aceita<br>nem todos, porém, gostam de pobre<br>de gente pobre que planta &amp; colhe<br>planta &amp; colhe<br>o tomate da salada de cada dia</p><p>quem reivindica o corpo camponês?<br>todos passam reto desde anteontem<br>pela vendedora estatelada na estrada</p><p>Poema originalmente publicado na Revista Figueira, Ano 1, Ed. 1, Julho/2024.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/35/0*uj-wcAelx-zwXFa9.png" /><figcaption>Ei, gostou do poema? 🤗<br>Logo abaixo você pode interagir com nossa equipe de poetas<br>através de <strong>claps </strong>(que vão de 1 a 50) e <strong>comentários</strong>.<br>Continue lendo a <a href="http://faziapoesia.com.br/">Fazia Poesia</a>.</figcaption></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=03855f1f44ae" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://faziapoesia.com.br/a-vendedora-de-tomates-03855f1f44ae">A vendedora de tomates</a> was originally published in <a href="https://faziapoesia.com.br">Fazia Poesia</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Imagine a primeira gota de sangue]]></title>
            <link>https://faziapoesia.com.br/imagine-a-primeira-gota-de-sangue-4f7f871b0f0c?source=rss-39f160703437------2</link>
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            <category><![CDATA[mulher]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Daniela Rezende]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 29 Jul 2024 12:06:46 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-09-23T19:16:47.945Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*JubLfiLhLz44VlL_90wWPg.jpeg" /><figcaption>Imagem: Citra Sasmita, “The passenger of land and sea”, 2020<br>Fonte: <a href="https://www.16albermarle.com/citra-sasmita">https://www.16albermarle.com/citra-sasmita</a></figcaption></figure><p>na faca de doce<br>no cutelo<br>na faquinha do pão<br>⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀abundante em migalhas<br>no milímetro abissal<br>⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀da folha de sulfite<br>na peixeira<br>na Makita<br>na tesoura de ponta<br>naquela espada velha<br>enferrujada com a vida de gente<br>⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀assassinada<br>na faca de plástico<br>no corte de cabelo feio<br>na franja esquisita na cara<br>na palavra<br>⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀gasta &amp; afiada<br>de tanto uso<br>nas demissões em massa<br>nos funcionários largados ao olho da rua<br>no bisturi no centro cirúrgico<br>&amp; seus restos de pele placenta &amp; útero</p><p>na serra<br>no serrote<br>nas mandíbulas das formigas que dilaceram folhas<br>à sombra (que é do sol o corte)<br>&amp; ao sonho</p><p>na linha pontilhada<br>na fenda para o futuro<br>na falta de plaquetas<br>&amp; anticoagulantes</p><p>nossos corpos esvaindo<br>dois<br>em tantos furos</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/35/0*C8nc08BGlPBTY_4W.png" /><figcaption>Ei, gostou do poema? 🤗<br>Logo abaixo você pode interagir com nossa equipe de poetas<br>através de <strong>claps </strong>(que vão de 1 a 50) e <strong>comentários</strong>.<br>Continue lendo a <a href="http://faziapoesia.com.br/">Fazia Poesia</a>.</figcaption></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=4f7f871b0f0c" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://faziapoesia.com.br/imagine-a-primeira-gota-de-sangue-4f7f871b0f0c">Imagine a primeira gota de sangue</a> was originally published in <a href="https://faziapoesia.com.br">Fazia Poesia</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Nós, mulheres, criaturas pobres]]></title>
            <link>https://medium.com/@rezende.dna/n%C3%B3s-mulheres-criaturas-pobres-9ca396a63322?source=rss-39f160703437------2</link>
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            <category><![CDATA[cinema]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Daniela Rezende]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 05 Mar 2024 16:44:37 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-01-13T23:51:43.535Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/720/1*mj80ypY2y8Yo4fU1_HDGcw.jpeg" /><figcaption>Imagem: pôster do filme “Pobres Criaturas” (detalhe)</figcaption></figure><p>Este texto parte de uma perspectiva pessoal sobre o filme “Pobres Criaturas” (Poor Things, 2023), do cineasta grego Yorgos Lanthimos.</p><p>Antes de continuarmos, gostaria de esclarecer um ponto importante: sou pesquisadora, produtora e trabalhadora da arte há pelo menos uma década. Portanto, tudo o que será dito aqui se baseia nessa perspectiva contextual de uma pessoa que lida com a arte todos os dias (e isso não é uma carteirada).</p><p>Essa rede não permite textos muito longos, por isso, infelizmente, não poderei me ater a definições que poderiam ser temas de teses. Nesse sentido, gostaria de falar de ética e de estética, como duas facetas imbricadas de uma obra de arte específica. Infelizmente, como dito, não serei capaz de oferecer definições sobre esses termos. Vamos pensar que esse texto é mais uma abertura ao debate, do que um encerramento dele.</p><p>Como artista, acredito que toda produção estética carrega consigo uma implicação ética. Literatura, música, cinema, dança, arquitetura… por aí vai. E o inverso também é verdadeiro: uma produção estética (por exemplo, uma coleção de moda) está atrelada também a uma concepção ética, a uma forma de ver e de traduzir o “mundo” sob certos valores (morais, sociais, ideológicos, etc).</p><p>Com base nisso, questiono: qual a ética envolvida no filme “Pobres Criaturas”? O que vocês acham?</p><p>Já quero descartar, de antemão, a possibilidade de falar em “feminismo” sobre o filme de Lanthimos. Eu não sei de onde tantas pessoas tiraram essa teoria (na verdade, eu sei: de um feminismo branco neoliberal que gosta de gritar “meu corpo, minhas regras” e usar maiô de paetê no carnaval em meio aos trópicos, achando que isso é o máximo da luta feminista possível). Descartamos isso, portanto, e eu mesma não fui ao cinema esperando um filme a que não poderia assistir. Também gostaria de descartar o argumento “a arte realmente boa tem que provocar o público”. Bom, voltando à ética, será que isso é, realmente, o centro da produção e da fruição artística? Será possível existir determinados limites no tratamento de alguns temas ou de algumas representações? Posso, por exemplo, escrever o soneto mais lindo e provocativo do mundo já escrito exaltando o nazismo? Será que estarei produzindo uma boa obra de arte? Será, sequer, que estarei produzindo arte?</p><p>Lanço aqui essas perguntas porque, justamente, não possuo as suas respostas. E porque, sim, o trabalho estético do filme é interessante.</p><p>Um dos pontos mais problemáticos, para mim, sobre essas pobres criaturas é a maneira como o filme aborda a questão da prostituição. Temos duas falas centrais, nesse sentido, que resumem o fato: a primeira, é a fala da parisiense, dona do bordel onde a protagonista vive por um tempo, que diz à branca Bella, em certo momento, sobre como ali era um espaço em que as mulheres poderiam “alcançar a sua liberdade”. A segunda fala vem, por sua vez, da própria protagonista, que, enquanto trabalhadora do sexo, afirma ser “dona de seus próprios meios de produção”, sugerindo, inclusive, uma postura socialista sobre as práticas em questão. Oi?</p><p>Retorno à questão: qual a dimensão ética do filme “Pobres Criaturas”? E o que falas como essas indicam?</p><p>O mais chocante para mim foi ver, dentre o público do cinema, tantas e tantas risadas nesses momentos. Vamos lembrar que o filme sobre o qual falamos aqui está incluído na categoria “Comédia/ Ficção Científica”. Bom, não vejo a prostituição como uma piada ou um tema cômico, longe disso. Penso no tema como uma das formas existentes mais cruéis de exploração sistemática dos corpos das mulheres (cis E trans), dada a vulnerabilidade e o estigma social que permeiam esse trabalho. E, gente, esqueçam a Bruna Surfistinha. Ela é uma exceção nesse quadro que inclui milhões de mulheres ao redor do mundo que só conseguem escapar da miséria e da pobreza iminentes através da prostituição. Não há a menor possibilidade, nesses casos, de clamar o tão aclamado slogan “meu corpo, minhas regras”, já referido. Infelizmente, por mais pessimista que possa parecer, nós, mulheres, não possuímos os nossos corpos. Basta olhar as estatísticas recentes e antigas: o número de feminicídios nos jornais diariamente, os dados reais de estupro de vulneráveis, o trabalho reprodutivo jamais remunerado, as cifras do tráfico sexual, a alta taxa de suicídios entre mulheres que trabalham na indústria pornográfica… A expectativa de vida das mulheres trans… E tantos outros temas que doem e que moldam a (nossa) experiência de ser mulher nesse mundo que tenta nos explorar a qualquer custo e que nos oprime até a raiz do último fio de nossos cabelos. Que exaure até a nossa última gota de sangue.</p><p>Volto, pela terceira e última vez, à questão: qual a perspectiva ética dessa obra cinematográfica?</p><p>“Então, Daniela, você quer dizer que o filme está romantizando a prostituição”? Não, a saída não é tão simples assim. O que eu quero dizer é que esse filme é, NO MÍNIMO, problemático no tratamento desses temas (para não falar em outros… por exemplo, a representação das personagens negras. Mas isso, provavelmente, é assunto para outro texto). E que, talvez, nós pudéssemos olhar para a obra de Lanthimos e para a atuação de Emma Stone a partir de outros ângulos. Afinal, o filme é tanto dele, quanto dela — a estrela principal e produtora da coisa.</p><p>Por fim, gostaria de frisar duas últimas questões: não é porque eu acredite que a prostituição seja uma exploração de corpos de mulheres que eu também pense, por consequência, que as trabalhadoras do sexo não necessitam de direitos trabalhistas, de um salário digno e de amparo legal no exercício de suas atividades. A realidade entre o pensar e o fazer é outra e essa é uma pauta urgente que necessita de medidas no agora a fim de amparar, minimamente, essas pessoas. Portanto, não sou contrária à luta dessas trabalhadoras.</p><p>Em segundo lugar, antes que venham as críticas, não sou feminista radical, certo? Aliás, engana-se quem pensa que pautas como as descritas neste texto são fruto da reflexão e da práxis única e exclusiva de apenas uma parte do movimento feminista (que é múltiplo e divergente entre si, convém lembrar).</p><p>De resto, os caminhos estão abertos e sigo aqui, pronta para a conversa. Vocês sabem onde me encontrar.</p><p>Texto também publicado no Instagram da autora: @rezende.danielaa</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=9ca396a63322" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Cone Sul]]></title>
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            <category><![CDATA[fazia-poesia]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Daniela Rezende]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 24 Dec 2023 12:01:38 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2023-12-24T12:01:38.843Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*J4Y9HQ-yE-jiQKFU5yBoiQ.jpeg" /><figcaption>Imagem: Página do livro “American insects”, 1906</figcaption></figure><p>I.</p><p>uma mulher na periferia da américa latina<br>revira lixo<br>na calçada. o bebê espera paciente<br>com fome olha uma abelha<br>a abelha se arrasta já sem ferrão<br>e paciente<br>espera a morte<br>seu trabalho é revirar lixo atrás de M&amp;Ms<br>coloridos<br>açúcar azul<br>amarelo verde vermelho<br>levar o açúcar até a casa, com ele<br>produzir mel e leite para as crianças<br>uma abelha na periferia da américa latina<br>revira lixo<br>e apenas espera a morte<br>apenas espera<br>apenas</p><p>II.</p><p>no sul<br>o mel é azul<br>amarelo<br>verde<br>vermelho</p><p>Esse poema foi publicado originalmente pela autora na plaquete <em>Mãe fantasma</em>, Editora Primata, 2023.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/35/0*er0ynY4-bbl5d0Xp.png" /><figcaption>Ei, gostou do poema? 🤗<br>Logo abaixo você pode interagir com nossa equipe de poetas<br>através de <strong>claps</strong> (que vão de 1 a 50) e <strong>comentários</strong>.<br>Continue lendo a <a href="http://faziapoesia.com.br/">Fazia Poesia</a>.</figcaption></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=775266f35226" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://faziapoesia.com.br/cone-sul-775266f35226">Cone Sul</a> was originally published in <a href="https://faziapoesia.com.br">Fazia Poesia</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Um poema para o capitalismo]]></title>
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            <category><![CDATA[mulher]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Daniela Rezende]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 02 Sep 2023 12:02:26 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-09-23T19:24:29.474Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/640/0*1EBpGntIZDKMU9o5" /><figcaption>Imagem: Paula Rego, “Mulher-cão”, 1994</figcaption></figure><p>o corpo que é somente instrumento de trabalho<br>a fala antes da fala, vampiro rouco<br>corpo explorado, derreado, ruínas<br>do corpo que digita teclas na cidade cinza, duas pupilas cinzas<br>morno da manhã, mãos, cerradas cortinas, aveludado cenário<br>o torpor do corpo que é somente instrumento de trabalho<br>corpo-máquina, bate-ponto, bate-pronto<br>desperta antes do galo, calça a bota, veste o uniforme<br>séculos de pó, máquinas, de corpo treinado em disciplina<br>todos os séculos que se passaram enquanto o corpo dormia<br>apenas as horas necessárias da lida, do ganho do sal do pão<br>enquanto se fazia pó, dia a dia, o corpo disciplinado<br>esquecido das horas de prazer &amp; de gozo que escapam</p><p>ao trabalho<br>instrumento de tortura, <em>tripalium<br></em>dois pés bem fincados<br>em terra fresca de uma tumba fria<br>três pontas contra o céu azulado<br>uma mula, uma cabra, uma búfala<br>o corpo espancado da cabra, o gozo<br>os olhos da multidão uniformizada<br>desejos desenhados nos pelos negros, grafismo vermelho<br>a alta traição dos olhos amendoados<br>o mundo em extinção em passos sorrateiros<br>&amp; o funcionário da firma — melhor funcionário — interessado<br>apenas na denúncia anônima que leva a cabra preta</p><p>à caída<br>humilhada diante de todos<br>cabra que não sobe mais a montanha, só trabalha das oito<br>às cinco sem folga, feriado, final de semana<br>cabra bem regulada, o corpo que é somente instrumento<br>do futuro infarto<br>causado pelo estresse, <em>burnout</em>, perda de cabelo<br>&amp; de interesse na vida<br>no voo ainda escuro, inseguro<br>de todo o pardal que ama a madrugada<br>&amp; perde penas &amp; perde palavras &amp; perde a própria pele<br>o corpo capitalizado se perde em enigmas<br>notas, moedas &amp; a última <em>selfie</em> ⠀ ⠀⠀ ⠀ tirada na esquina</p><p>do corpo bomba orgulho do capitalismo<br>o trabalho dignifica o homem, a mulher &amp; a criancinha<br>a mula operária volta à máquina, horrorizada, emudece<br>diante das atrocidades cometidas<br>duas mães com prole jogada na rua<br>após o retorno da licença-maternidade<br>elas foram desligadas, o RH avisa<br>como se fossem máquinas — a mula atina<br>desconfia até da própria sombra, chega mais cedo, mais cedo<br>empresta carisma à cara fatigada &amp; mal pintada<br>nem mais reclama da mão boba do patrão — porco de escritório<br>sovina que onde põe o dedo apodrece até a mais alta<br>das garantias estendidas</p><p>mandai-me de novo o terremoto, a mula implora ao improvável<br>&amp; fazei com que venha a mim todos os fogos da ira<br>de cada trabalhador expropriado de si mesmo sobre a face<br>capital desta dura vida dura que nos cabe</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/proxy/0*er0ynY4-bbl5d0Xp.png" /><figcaption>Ei, gostou do poema?<br>Logo abaixo você pode interagir com nossa equipe de poetas<br>através de <strong>claps</strong> (que vão de 1 a 50) e <strong>comentários</strong>.<br>Continue lendo a <a href="http://faziapoesia.com.br/">Fazia Poesia</a>.</figcaption></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=4c922612e7b0" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://faziapoesia.com.br/um-poema-para-o-capitalismo-4c922612e7b0">Um poema para o capitalismo</a> was originally published in <a href="https://faziapoesia.com.br">Fazia Poesia</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Saturno]]></title>
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            <category><![CDATA[poema]]></category>
            <category><![CDATA[fazia-poesia]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Daniela Rezende]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 18 Mar 2023 12:07:01 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-09-23T19:26:13.985Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*nYYHUiUjczMsvEQbkvzR8w.jpeg" /><figcaption>Imagem: Rosana Paulino, “Parede da memória”, instalação, 1994-2015<br>Fonte: <a href="https://revistacontinente.com.br/edicoes/234/rosana-paulino">https://revistacontinente.com.br/edicoes/234/rosana-paulino</a></figcaption></figure><p>o tempo cura tudo<br>o tempo há de curar essa paixão<br>o tempo há de minar esse amor<br>o tempo há de renovar essa amizade<br>o tempo há de crescer aquela árvore<br>o tempo há de mudar aquelas nuvens<br>o tempo há de transformar aquelas crianças<br> ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ em adultos<br> ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ em velhos<br> ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ em mortos<br> ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ em túmulos<br> ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ em lembrança<br> ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ em húmus<br> ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ para as minhocas<br>o tempo há de apagar qualquer ninharia<br>o tempo há de matar mesmo a vida<br>o tempo há de me matar<br>o tempo há de fazer aqueles que me amam hoje<br> ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ ⠀ aqueles que eu amo hoje<br>serem esquecidos<br>nessa dança noturna de esquecimentos<br>o tempo vai trabalhando<br>– costurando seu bordado efêmero –<br>e curando tudo</p><p>Poema publicado originalmente na Revista Alcateia, maio 2021.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/proxy/0*0t3ozAGI-1Hwo6J9.png" /><figcaption>Ei, gostou do poema?<br>Logo abaixo você pode interagir com nossa equipe de poetas<br>através de <strong>claps</strong> (que vão de 1 a 50) e <strong>comentários</strong>.<br>Continue lendo a <a href="http://faziapoesia.com.br/">Fazia Poesia</a>.</figcaption></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=1ee3f9b79bd7" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://faziapoesia.com.br/saturno-1ee3f9b79bd7">Saturno</a> was originally published in <a href="https://faziapoesia.com.br">Fazia Poesia</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Na natureza selvagem]]></title>
            <link>https://faziapoesia.com.br/na-natureza-selvagem-273f46172c68?source=rss-39f160703437------2</link>
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            <category><![CDATA[literatura]]></category>
            <category><![CDATA[mulher]]></category>
            <category><![CDATA[poema]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Daniela Rezende]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 09 Mar 2023 12:06:48 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-09-23T19:25:29.221Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*6DOe2QBfiwArRQbRUAPiQA.jpeg" /><figcaption>Imagem: Zebra e leão<br>Fonte: Canal Maiores do Mundo <a href="https://www.youtube.com/channel/UCklk9VakE_wxdFvr_AdEhhQ">@MaioresdoMundo</a></figcaption></figure><p>pernas abertas, barriga para cima<br>ela mostra as costelas<br>ele lambe a pele devagar<br>com deleite, com delícia<br>ela ofega ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀relincha<br>as garras prendem o corpo contra a terra<br>cada lambida é um anúncio<br>um preparo para a mordida<br>ela pede socorro em alguma língua que sou incapaz de compreender<br>é fato<br>ela pede socorro e me olha<br>um pedido de socorro é um pedido<br>elaborado em linguagem universal<br>o sol a pino demarca as sombras agora<br>ele passa a língua por cada uma de suas estrias<br>ele busca o ponto ideal, o alvo sem volta<br>é quando ela menos espera<br>⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀ele ataca<br>caninos em câmera lenta<br>o grito da grande agonia</p><p>Esse poema foi publicado originalmente pela autora no livro <em>Uma mulher só não faz verão</em>, Editora Urutau, 2022.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/35/0*0t3ozAGI-1Hwo6J9.png" /><figcaption>Ei, gostou do poema?<br>Logo abaixo você pode interagir com nossa equipe de poetas<br>através de <strong>claps</strong> (que vão de 1 a 50) e <strong>comentários</strong>.<br>Continue lendo a <a href="http://faziapoesia.com.br/">Fazia Poesia</a>.</figcaption></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=273f46172c68" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://faziapoesia.com.br/na-natureza-selvagem-273f46172c68">Na natureza selvagem</a> was originally published in <a href="https://faziapoesia.com.br">Fazia Poesia</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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