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        <title><![CDATA[Stories by Mateus Rudá on Medium]]></title>
        <description><![CDATA[Stories by Mateus Rudá on Medium]]></description>
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            <title>Stories by Mateus Rudá on Medium</title>
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            <title><![CDATA[diálogo no Sesc Pompeia]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Mateus Rudá]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 29 Apr 2026 12:06:01 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-04-29T12:06:01.526Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*4RuuG_JWogXAYJFleUXNqg.jpeg" /><figcaption>vista para zona norte — Sesc pompeia</figcaption></figure><blockquote>ela com o isqueiro na mão<br>o fogo acendendo um clarão<br>iluminando uma confissão:<br>​ela gostava de andar<br>em ônibus, sozinha<br>porque assim<br>ela ia vendo<br>o indo e vindo<br>se distraindo<br>andando só<br>se diluindo</blockquote><blockquote>o mano ouvia com atenção <br>ele dizia que não <br>não gostava de busão <br>e que aprendeu muito cedo <br>a arriscar a vida no vagão<br>naquele transe de vai e vem<br>flertando com a morte <br>saltando pela janela <br>&amp; surfando no trem<br>ele ia se diluindo também</blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/31/0*xeG52DtwYJBpbjnb.png" /><figcaption>Ei, gostou do poema?<br>Logo abaixo você pode interagir com nossa equipe de poetas<br>através de palmas (que vão de 1 a 50) e comentários.<br>Continue lendo a <a href="http://faziapoesia.com.br/">Fazia Poesia</a>.</figcaption></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=1758568bfbc1" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://faziapoesia.com.br/di%C3%A1logo-no-sesc-pompeia-1758568bfbc1">diálogo no Sesc Pompeia</a> was originally published in <a href="https://faziapoesia.com.br">Fazia Poesia</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Lembrancinha]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Mateus Rudá]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 11 Jan 2026 12:01:24 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-01-11T12:01:24.412Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*acpnz0WTDQfPisVvexwNqA.jpeg" /><figcaption>lembrancinha. Imagem própria</figcaption></figure><p>te deixo aqui<br>uma lembrancinha <br>uma poesia pacífica <br>meio morna <br>meio dia<br>uma poesia <br>banho de água fria <br>que silencia <br>por um pouco instante<br>o estardalhaço das facas<br>o burburinho das notas<br>as informações das placas <br>e o zunido de bala <br>uma poesia bobinha <br>um pouco engraçadinha<br>que te tire os pés do chão <br>te faça esquecer das rixas<br>da tensão do mundão <br>uma poesia que aliena <br>sem linguagem hermética <br>sem métrica <br>uma poesia de porta de bar <br>que assobie te faça carícia <br>que pisca e te conquista <br>uma poesia pacífica <br>uma poesia peso de porta<br>uma poesia saca rolha <br>uma poesia autoral <br>uma poesia fantasia <br>uma poesia pro carnaval <br>uma poesia sem motivo<br>uma poesia sem razão <br>numa única linha sonora <br>qualquer rima que namora <br>uma palavra e outra palavra <br>uma poesia pro fim do dia <br>uma poesia que te faça rir <br>algo pra ler deitada na cama <br>pelada antes de dormir <br>você pode pensar bobagem <br>acusar a falta de seriedade<br>uma poesia sem pretensão <br>mas cheia de verdade <br>feita de coração <br>uma poesia de mentirinha <br>faça o que quiser com ela<br>amasse, rasgue, descarte<br>esqueça na calçada <br>abandone na rua <br>fique a vontade <br>essa poesia é toda sua.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/31/0*sEbPNSrBt9oJWzh0.png" /><figcaption>Ei, gostou do poema?<br>Logo abaixo você pode interagir com nossa equipe de poetas<br>através de palmas (que vão de 1 a 50) e comentários.<br>Continue lendo a <a href="http://faziapoesia.com.br/">Fazia Poesia</a> .</figcaption></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=afd2b51d782b" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://faziapoesia.com.br/lembrancinha-afd2b51d782b">Lembrancinha</a> was originally published in <a href="https://faziapoesia.com.br">Fazia Poesia</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[avante!]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Mateus Rudá]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 19 Dec 2025 12:02:19 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-01-03T14:02:56.254Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*5cb1mpIUXQeQkFnQ.jpg" /><figcaption>Formação de pássaros em um outono do sudeste</figcaption></figure><p>Eu sugiro começar pelo centro da cidade<br>Esquina por esquina<br>Fio por fio<br>Abrir de volta o leito do rio</p><p>Eu sugiro começar pelo centro da cidade<br>Travar os semáforos <br>Salvar o povo <br>Mas em todo o resto<br>Tacar fogo</p><p>Eu sugiro começar a revolta <br>Pelo centro da cidade <br>Reivindicar com ira<br>Comida no prato<br>E humanidade</p><p>Eu sugiro começar Pelo centro da cidade <br>Da Sé a serra paulista<br>Plantar maconha <br>A perder de vista</p><p>Eu sugiro começar pelo centro da cidade<br>Antes que o sol derreta <br>A gente</p><p>Aprender com os passarinhos<br>A arte do voo <br>E espalhar sementes</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/31/0*YuCQeWnS6F7iupXe.png" /><figcaption>Ei, gostou do poema?<br>Logo abaixo você pode interagir com nossa equipe de poetas<br>através de palmas (que vão de 1 a 50) e comentários.<br>Continue lendo a <a href="http://faziapoesia.com.br/">Fazia Poesia</a> .</figcaption></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=121083123bef" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://faziapoesia.com.br/avante-121083123bef">avante!</a> was originally published in <a href="https://faziapoesia.com.br">Fazia Poesia</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[boca, língua & dedo]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Mateus Rudá]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 25 Oct 2025 12:01:40 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-10-25T12:01:40.481Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*_oieEFMmw1YInNgv" /><figcaption>miles pope — cold mirror</figcaption></figure><p>eu suponho<br>que, às vezes, quando você para em frente à pia do banheiro,<br>você lembra de mim<br>e daquela vez em que arranquei sua calcinha com uma mão,<br>levantei sua saia com a outra, e chupei o muco do teu tesão<br>com olho bem aberto, assistia no espelho a sua fricção<br>a minha língua no seu clitóris meu indicador no seu cu<br>&amp; o all-star que calçava o teu corpo nu</p><p>eu, ao menos<br>sempre que vejo uma pia de banheiro,<br>lembro daquele dia frio no sul<br>e do meu pau murcho, inerte, sem esboçar reação<br>um misto de culpa católica &amp; maldição<br>com tabu &amp; tradição.</p><p>Mas não nos importamos com isso<br>Eu fiz o que pude, sem medo:<br><em>com a boca, a língua e o dedo.</em></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/31/0*smZHgIu5Kxp0dvRR.png" /><figcaption>Ei, gostou do poema?<br>Logo abaixo você pode interagir com nossa equipe de poetas<br>através de palmas (que vão de 1 a 50) e comentários.<br>Continue lendo a <a href="http://faziapoesia.com.br/">Fazia Poesia</a> .</figcaption></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=b203a7637726" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://faziapoesia.com.br/boca-l%C3%ADngua-dedo-b203a7637726">boca, língua &amp; dedo</a> was originally published in <a href="https://faziapoesia.com.br">Fazia Poesia</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Haikai da despedida]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Mateus Rudá]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 12 Oct 2025 01:16:46 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-10-12T01:27:42.099Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*ELT79nAmJYkXOSOV" /></figure><p><em>após ser expulso de casa <br>sem rumo e sem direção <br>a moça bonita chupando duas casquinhas <br>aplacou o meu coração</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=bb3a34e53a0c" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[sindrome de estocolmo]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Mateus Rudá]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 26 Sep 2025 12:01:49 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-09-26T12:01:49.230Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*r3q6EcSg-CrDuNwt" /><figcaption>feito no sora</figcaption></figure><p>Eu falo em karma, você ouve “arma”.<br>Mudo a ideia, você logo percebe.<br>Herdo um fardo que se vende leve.</p><p>Você está em todo lugar.<br>Na bituca, no soslaio.<br>Te deixo em cima do armário,<br>e mesmo assim me flagras:<br>ouvindo minha fala,<br>vendo meu pensamento.</p><p>É você quem dita o ritmo,<br>com algoritmo,<br>e põe as canções a tocar<br> sem parar.<br>Assim, quase não preciso pensar.<br>Quase sempre, você acerta.</p><p>E agora, você me leva<br>a viajar<br>sem sair<br>do lugar.</p><p>Sua luz azul<br>queima a retina<br>e me cega mais.</p><p>Tento partir.<br>Não consigo.<br>Já tentei me afastar,<br>mas você apita, pisca,<br>me chama para voltar.<br>E eu não consigo ignorar,<br>meu querido telefone celular</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/31/0*Lk0YQlHycrz-lTvN.png" /><figcaption>Ei, gostou do poema?<br>Logo abaixo você pode interagir com nossa equipe de poetas<br>através de palmas (que vão de 1 a 50) e comentários.<br>Continue lendo a <a href="http://faziapoesia.com.br/">Fazia Poesia</a>.</figcaption></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=87756aef244e" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://faziapoesia.com.br/sindrome-de-estocolmo-87756aef244e">sindrome de estocolmo</a> was originally published in <a href="https://faziapoesia.com.br">Fazia Poesia</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Carnaval no inferno]]></title>
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            <category><![CDATA[crônicas]]></category>
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            <category><![CDATA[contos]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Mateus Rudá]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 11 Sep 2025 13:26:08 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-09-11T13:30:21.963Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*JH4rVixRSjERYgsq" /></figure><p>Foi impossível não notar a travesti escorregando nas fezes humanas que riscavam a calçada da General Jardim. Eu observava pela janela. Eram três da manhã da quarta-feira de cinzas. Morando num muquifo como um rei, ouvi, lá pelas duas, um maluco solitário soprando um clarinete embaixo do Minhocão, como um galo num campo verde límpido ou como um vagão. Foi feito um chamado militar. Em poucos minutos, muitas janelas se acenderam, revelando rostos desfigurados pelo sono, pelas drogas, pela farra, pela febre de carnaval. Todos colocaram a cara sob a lua, pra fora das janelas.</p><p>Fomos convocados pelos ouvidos. Paramos para assistir ao solitário, bêbado permissivo, com um clarinete nas mãos. Eu, curioso, não fui capaz de reconhecer as melodias. Juntei-me aos outros, esperando sabe-se lá o quê. Talvez a próxima música. O bêbado parecia não nos notar, absorto no transe de se manter de pé, equilibrando arrogâncias, medos, duas pernas trôpegas e um clarinete. Mantinha-se ereto, num leve balançar de quadris, olhos fixos na esquina da Rego Freitas com a General Jardim, avistando a catedral da Consolação ao final da avenida. Meditava como um Buda, adquirindo forças nas pernas para encarar o fim da subida, calculando a rota do voo como uma galinha depenada.</p><p>Alguém berrou de alguma janela no que já era um festival de esquisitices às três da madrugada: <em>toca outra!</em></p><p>Logo outras vozes pegaram carona no eco:</p><p><em>“ Vai embora pra casa!” “Calem a boca, quero dormir!</em>” “<em>Toca Raul!</em>” “<em>Eu vou chamar a polícia!</em>” “<em>Filho da puta!</em>” “<em>Comunista</em>”</p><p>O bêbado fechou a cara, perdeu o equilíbrio. Sem saber se o zunido vinha de fora ou da própria cabeça, calou-se. Mas naquela altura, era como se ele e o clarinete fossem uma só coisa. Surrado e soprado desde o último bloquinho, já não resistia a nada. botou a boca no bocal e soprou um quebranto, um som impossível não reconhecer: <strong><em>Tim Maia.</em></strong></p><p>Não sei ao certo quanto tempo durou essa manifestação do milagre. Nem se consigo me recordar de outros momentos da minha vida surrada em que presenciei um show coletivo da janela. Duvido que tenha se repetido muitas vezes, na minha vida ou na dos moradores do centro. Por isso, aquele dia ficou conhecido como o dia do <strong>bloco solitário</strong>.</p><p>E, quando se recorda a história, ela costuma acabar antes da hora. Ninguém fala do que aconteceu depois que a <strong>polícia chegou.</strong></p><p><em>Sim, a polícia.</em></p><p>No eco das vozes, mais de uma vez alguém avisou que chamaria os homens. Não sei se o bêbado ouviu, mas algumas travestis da noite se irritaram com a pouca paciência do comédia que berrava da janela: <em>“fiquem aí, seus filhos da puta! Vocês vão ver! Vou acabar com a raça de vocês! Vagabundos!”</em> dizia o homem, com a cara fervendo e a boca espumando feito cão raivoso.</p><p><strong>E aí, a polícia chegou.</strong></p><p>Notei que o bêbado, de tão bêbado, já não tinha expressões razoáveis. Rosto indecifrável: sem medo, sem furor, sem pavor. Como um Buster Keaton tropical, derretido pelas drogas da festa ilegal. Qualquer sopro o derrubaria. Mas a viatura avançou e o para-choque verticalizou suas pernas. Coitado voou para um lado, o clarinete chilreou para o outro. As travestis se indignaram com o barulho da máquina, dos motores, das portas, do corpo batendo no asfalto. Os policiais fizeram uma barreira corpórea entre elas e o bêbado acidentado.</p><p>Do outro lado da calçada, o alarme da porta antiga do edifício anunciou a saída do vizinho cão bravo — o que havia chamado a polícia. Surgiu de uma regata surrada dos Ramones, onde Joey, Johnny, Dee Dee e Tommy cediam lugar a Jair, Flávio, Carlos e Eduardo. Atravessou em direção à viatura atropelando duas travestis. Caminhava como um Robocop sem armadura, semelhante ao bebum do clarinete. Logo os policiais perceberam: também estava embriagado, possivelmente drogado.</p><p>— <em>Ele tá muito louco</em> — constatou a travesti. — <em>Foda-se</em> — respondeu o comédia, curto e grosso. Não dialogava nem com os policiais. Rosnava feito bicho. — <em>Calma, bicha</em> — remendou outra.</p><p>O homem ficou vermelho de novo. Avançou. As travestis se juntaram, prontas para o pau cantar. —<em> Tá pensando que bota medo na gente, comédia?</em> — disse a mais alta, loura, forte, experiente. Ela já tinha dado um pau em muita gente.</p><p>Mas o ignorante não a conhecia. Não sabia da sua história. Para ele, eram coisas. Coisas que o incomodavam há anos. Esmagaria qualquer cabeça à frente. Os policiais previram que sua insanidade o tornava um monstro e tentaram contê-lo com as mãos, repetindo como mantra “<em>Calma, cidadão Calma, cidadão de bem.”</em></p><p>O rosto dele ficou cada vez mais vermelho, punhos cerrados, veias saltadas, olhos arregalados. Até que bradou um berro seco: <em>seu viado!</em></p><p>Nas janelas, luzes se apagaram, cortinas fecharam. Fim de festa.</p><p>Poucos viram o que aconteceu depois.</p><p>O bêbado gemia na calçada, já insignificante. O homem foi em direção às travestis; as travestis foram em direção ao homem. <strong>Três da manhã.</strong> Outra correu com um pedaço de madeira e escorregou nas fezes humanas que riscavam a calçada da General Jardim. O homem tomou a madeira e golpeou sua cabeça quatro vezes. agora, só se ouviam os berros, ossos quebrados, garrafas voando, uma besta urrando e rosnando.</p><p>Os policiais avançaram, mas não usaram força nem cassetetes. Esses, guardados para as travestis, se fosse o caso. O homem, com gestos fáceis, derrubou os fardados. Desprezou-os como ratos, encarou o sargento e apontou o dedo ornado de ouro “m<em>eu apartamento custa três milhões. Meu relógio, vinte e cinco mil. Eu sou um cidadão de bem. Eu sou um cidadão de bem.”</em></p><p><strong>Avançou</strong>. O sargento mirou o revólver e atirou no peito, bem sobre o “<strong>O</strong>” de <strong><em>Bolsonaro</em></strong>. O homem fechou os olhos, mas continuou avançando, levantando o sargento no ar como um guarda-chuva. As travestis, horrorizadas, correram para o refúgio do Largo do Arouche. Os policiais ficaram e servindo de saco de pancadas.</p><p>Quando a situação fugiu do controle, um deles atirou várias vezes nas costas do homem. Ele gritava, cada vez mais forte: — Eu sou um cidadão de bem! Eu sou um cidadão de bem!</p><p>As balas encontravam eco numa pele que derretia, gotejava, metamorfoseando-se num exoesqueleto pálido e reticulado. Era a única verdade daquela febre que não transformava ninguém em herói ou super-homem, apenas em monstro. Os olhos estufados subiram para o topo da cabeça como as luminárias de um escritório. Trepidavam, vermelhos e arregalados. A boca <em>abria e cuspia. Cuspia. Cuspia</em> e quando os braços se converteram em garras de caranguejo, mini pernas brotaram das suas pernas e ele largou o sargento como um bicho larga a presa, que tombou morto no chão.<strong> O homem virou um bicho,</strong> arqueou-se em direção ao chão e se arrastou para a escuridão da Praça Roosevelt.</p><p>Os policiais dispararam no escuro da noite. Um urro monstruoso ecoou do fundo vazio da igreja da Consolação e depois<em> na boca</em> da boca <em>da noite,</em> na boca <em>da boca</em> do lixo, um inseto, um bicho, que rasgou-se por dentro do cidadão de bem, fugiu ancorado nas sombras e tocou o <strong>terror</strong>, dizem que ele ainda se esconde no esgoto do centro da cidade.</p><p>Não sei se é verdade.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=60aa40660a00" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[a dúvida]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Mateus Rudá]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 28 Aug 2025 12:13:32 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-09-02T12:23:36.691Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>uma prosa poética escrita para ser lido de uma vez só. com duas respirações e nada mais. sem freio e sem pausa. ou do jeito que você quiser.</h4><p><strong>antes </strong>de sair de casa ela olhou ao redor e procurou algo que esquecia mas não sabia exatamente o quê <strong>da </strong>janela da sala vislumbrou o céu incerto da cidade cinza <strong>vestiu </strong>a mochila desterrada com blusa de frio e saias curtas trajes para dois extremos sem saber ao certo o que iria encarar <strong>deu </strong>o último gole no chafé morno <strong>olhou </strong>pela janela outra vez <strong>pensou </strong>onde guardou o guarda-chuva <strong>não </strong>sabe se chove ou não chove não sabe se faz frio ou calor não sabe nada há muito a previsão do tempo deixou de ser confiável <strong>ficou </strong>famoso o meme feito com o homem da previsão do tempo <strong>na </strong>sexta-feira as suas previsões disseram que o fim de semana seria de um calor pra cada cabeça <strong>muito </strong>sol hora de ir à praia <strong>no </strong>sábado ele deu uma nova entrevista com o carro boiando no engarrafamento de muita chuva <strong>os </strong>telespectadores lhe usaram como bode expiatório pro medo do fim do mundo <strong>ele </strong>foi perseguido e sumiu com a cara trancada pra dentro de casa condenado ao fim da carreira mas nunca ao esquecimento <strong>ainda </strong>hoje a previsão do jornal da noite é chacota pra maior parte das pessoas e dizem seu nome como insulto ironia ou piada <strong>encontrou </strong>o guarda-chuva <strong>bateu </strong>a porta nas costas escolheu a escada deu de costas pro elevador desceu <em>336 degraus </em><strong>abriu </strong>a porta da rua e sentiu o bafo quente e o cheiro de carbono a garganta coçava teve dificuldade pra engolir a própria saliva olhos e narizes secos <strong>carregava </strong>sempre consigo água colírios e lenços pro nariz <em>desviou </em>um quarteirão rumando pelas linhas quadrangulares da calçada pensando se era ideal pastilha ou remédio ou se chá funciona rápido se remédio é mais prático se alguma coisa disso é verdade <strong>se </strong>medicina e a farmacologia não servem mais de consenso para as aflições <strong>ela </strong>ouviu dizer que vacina faz mal a tia disse que a avó morreu depois da vacina da covid o <strong>cara </strong>da padaria disse a mesma coisa <strong>da </strong>última vez que ela precisou de um médico foi embora sem saber exatamente a cor daqueles olhos <strong>pensou </strong>porque diabos médico não olha pra cara da gente risca o papel entrega o remédio tchau <strong>sabia </strong>que o problema não era com ela era com todo mundo e pra irritação da garganta nunca encontrou resposta que fosse consenso <strong>cada </strong>médico fala uma coisa aceita resignada xaropes remédios pastilhas tudo que ia aparecendo junto com a promessa de servir pra curar as aflições do corpo <strong>mas </strong>muita informação atrapalha o juízo e ela fica indecisa não sabe se acredita nisso ou naquilo <strong>a </strong>mesma lógica serve às aflições da alma <strong>foi </strong>com a garganta rouca à benzedeira <strong>bebeu </strong>garrafada de tudo que é coisa <strong>não </strong>resolveu apelou às entidades da umbanda fumou charuto bebendo cachaça com a pomba gira e até sentiu uma dormência que durou tempo o suficiente para lhe encobrir alguma fé no santo <strong>e não </strong>nega as outras alternativas para lidar com as dimensões do mistério do <em>ecstasy </em>ao <em>ayahuasca </em>já viu e sentiu as diversas frações do mundo e sabe que existem mais coisas entre o céu e a terra do que explica a vã filosofia <strong>usa </strong>a velha figura de linguagem que assemelha os <em>mecanismos </em>do universo aos <em>mecanismos </em>de um relógio evocando a ideia de que alguém tá por trás disso tudo <strong>e </strong>que esse alguém só pode ser <strong>deus ao </strong>mesmo tempo acredita em semideuses seres astrais qualquer coisa que mobilize aflições vulnerabilidades demências e tristezas de forma coletiva <strong>ela </strong>aprendeu tudo sobre os reptilianos sobre as sociedades secretas treinou o olho pra identificar traços da maçonaria <strong>dos </strong><em>iluminati </em><strong>crê </strong>veementemente no olho que tudo vê <strong>escuta </strong>atenta os malucos que afirmam que a terra não é redonda a terra é plana o percurso do sol tem a forma de uma banana e um domo protege uma fronteira além-mar <strong>é </strong>tão interessante que fica impossível discordar <strong>na </strong>hora de pagar suas compras não sabe se é melhor fazer <em>pix </em>ou <em>passar </em>o mastercard <strong>ouviu </strong>dizer dos golpes na televisão lugares que fingem ser um lugar e são outro lugar <strong>usam </strong>maquininha clonada roubam seus dados seu dinheiro <strong>e </strong>aí lascou <strong>na </strong>hora de conferir o extrato nunca sabe se o saldo tá certo ou errado <strong>não </strong>lembra quanto custava o leite do mês passado <strong>não </strong>lembra se era barato ou caro <strong>a </strong>cabeça gira entre números que não se fixam <strong>dizem </strong>que a inflação é de seis por cento outros dizem que é vinte <strong>na </strong>televisão falam que está controlada na feira falam que é o fim dos tempos <strong>não </strong>sabe se o dinheiro guardado rende ou se corrói a cada semana o banco inventa uma taxa um débito automático uma tarifa que ela não pediu <strong>tudo </strong>aparece do nada às vezes parece que a conta engorda sozinha outras vezes desaparece <strong>o </strong>dinheiro vira pó sem explicação <strong>não </strong>sabe se acredita na fatura <strong>no </strong>boleto <strong>no </strong>recibo <strong>na </strong>televisão <strong>mês </strong>passado precisou pegar dinheiro emprestado com o irmão depois precisou pedir ao patrão <strong>lhe </strong>deram hora extra como solução trabalhou até mais tarde e nem deu tempo de ir lá pagar o irmão devolver a grana dar um abraço ouvir um sermão <strong>a </strong>família tá distante desde a última eleição dividida entre fascismo e miséria burrice e alienação <strong>evitam </strong>o contato e assim evitam o conflito de antemão <strong>mas </strong>tão pensando em se ver no natal <strong>não </strong>sabem exatamente em qual casa não sabem exatamente em qual <strong>ela </strong>paga pelos remédios e pelas pastilhas volta pro caminho que tava indo <strong>não </strong>sabe se é pra direita ou pra esquerda <strong>se </strong>é naquela rua ou em outra <strong>ela </strong>esqueceu as chaves de casa <strong><em>esqueceu </em></strong>pensou e forçou um sorriso <strong>quem </strong>viu olhou ela rindo e <strong>ela </strong>esqueceu pra onde tava indo <strong>já </strong>não sabe mais o seu endereço <strong>não </strong>lembra quando foi o começo <strong>não </strong>sabe mais o próprio nome <strong>só </strong>vive com a cara no telefone <strong>não </strong>dá mais pra confiar no tempo <strong>não </strong>faz mais sentido o cálculo dos anos <strong>leu </strong>que um dos novos deputados é um moleque neonazista que nasceu em <em>1998 </em><strong>ela </strong>se lembrou de <em>1998 </em>foi ontem <strong>o </strong>que fazia <strong>quem </strong>era a <em>memória </em>era uma mancha borrada <strong>aquele </strong>rosto jovem no plenário a fazia se sentir simultaneamente anciã e desatualizada <strong>uma </strong>peça fora do lugar <strong>num </strong>mundo que não parava de acelerar em direção a um abismo que ninguém sabia nomear <strong>não </strong>sabiam se era calor ou frio <strong>se </strong>tinha jeito ou não tinha <strong>e </strong>se ainda havia palestina <strong>o </strong>mundo novo era o último <strong>talvez </strong>a despedida <strong>o </strong>aceno pra humanidade que apontava a saída <strong>a </strong>antessala do fim do antropoceno <strong>o </strong>momento onde tanto faz se chove ou se faz sol <strong>se </strong>é calor ou frio <strong>se </strong>tem jeito ou não tem <strong>se </strong>é barbárie ou civilização <strong>se </strong>tá vivo ou tá morto <em>morto morto </em>um <em>aborto </em><strong>o </strong>século <em>XXI </em>bem diferente de tudo que a gente sempre quis.<strong><em> Sem final feliz.</em></strong></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*0lhrlv2Q78dYalBr" /></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=5ece1690e46b" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[doce infância]]></title>
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            <category><![CDATA[poesia-brasileira]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Mateus Rudá]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 26 Aug 2025 11:46:04 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-08-26T11:46:04.499Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*9Rv-QI-ctotpjz79" /><figcaption>feito in sora</figcaption></figure><p>a imagem mais nítida<br>da juventude a memória<br>de um sol baixo no outono,<br>o ar seco a falta de chuva<br>e aquele beco em diadema.</p><p>naquele tempo<br>amigos desciam as ruas de skate,<br>com baseados e olhos profundos<br>indo sempre para o centro,<br>da periferia da periferia<br>da periferia <br>do terceiro mundo.</p><p>no beco da Rua Industrial<br>o lençol branco sujo de sangue<br>moscas e cheiro podre<br>paralisavam o ar.</p><p>os pés travaram<br>o skate parou<br>o mais corajoso ergueu o canto do tecido<br>grudento e úmido<br>por um segundo ninguém respirou.</p><p>as máquinas da fábrica,<br>as sirenes e os gritos,<br>o vapor quente do metal<br>tudo atormentava o juízo das crianças</p><p>e medo.<br>Muito Medo.</p><p>são as mais nítidas lembranças<br>da doce infância.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/31/0*PMh08nl9onGe0Q5v.png" /><figcaption>Ei, gostou do poema?<br>Logo abaixo você pode interagir com nossa equipe de poetas<br>através de palmas (que vão de 1 a 50) e comentários.<br>Continue lendo a <a href="http://faziapoesia.com.br/">Fazia Poesia</a>.</figcaption></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=fb1b5f560f45" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Tronco ritmado]]></title>
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            <category><![CDATA[poesia-brasileira]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Mateus Rudá]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 11 Aug 2025 12:01:44 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-08-12T16:17:47.791Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1020/1*tHqiKlb-GVG3AZSijLOLbw.jpeg" /><figcaption>peixes bailarinos— Alessandro Ferreira e Raiana Melo</figcaption></figure><p>O herdeiro nordestino<br>Assim como os filhos dos hebreus<br>Carregam a cultura no coração</p><p>E no caminho do destino<br>Tem consigo o maracatu<br>O forró e o baião</p><p>E todo o panteão dos santos<br>Que ardem na seca do sertão.</p><p>O herdeiro nordestino<br>Assim como os filhos dos hebreus<br>Saem em andada pelo oco do mundo</p><p>Aprendem de tudo<br>Equilibrando pingo d’agua<br>Até o fim, sem derrubar nada.</p><p>O herdeiro nordestino<br>Assim como os filhos dos Hebreus<br>Enfeitiçam com ladainha sagrada</p><p>Vivem montado no tronco ritmado<br>Da palavra enfeitiçada</p><p>E no chão de planalto<br>Em palácios marginais<br>Seguem tocando a boiada</p><p>As custas da própria mão</p><p>Na terra do sol, de terra arrasada<br>Sem vida boa<br>Na terra da garoa.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/31/0*AgeexxyfWjj41V2I.png" /><figcaption><em>Ei, gostou do poema?<br>Logo abaixo você pode interagir com nossa equipe de poetas<br>através de palmas (que vão de 1 a 50) e comentários.<br>Continue lendo a </em><a href="http://faziapoesia.com.br/"><em>Fazia Poesia</em></a><em>.</em></figcaption></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=b3690b293e0a" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://faziapoesia.com.br/tronco-ritmado-b3690b293e0a">Tronco ritmado</a> was originally published in <a href="https://faziapoesia.com.br">Fazia Poesia</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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