Na preguicinha de dia de chuva, resolvemos por não fazer almoço.
Enquanto comíamos observamos um determinado garçom. Fazia malabarismo entre as mesas e lotava as bandejas de copos vazios e latas de coca-cola. Sempre com muita pressa, sempre com muita euforia. Não deu muito tempo o caro colega, com a bandeja tão cheia que mal podia ver adiante derrubou vários dos vidros entulhados sobre ela.
Revoltado, limpou o chão catando caco por caco e gastou preciosos minutos ali naquele processo de amenizar o desastre. Chão limpo, voltou a lotar as bandejas, ainda com pressa e agora com raiva.
– Logo hoje eu tive que derrubar a bandeja. Comentou enquanto recolhia meu prato. Eu, para a amenizar a situação, ou não, respondi.
-Ah. Nem Liga, não foi a primeira vez que isso aconteceu e aposto que não será a última.
Ele para completar a conversa narrou a vez que estava entrando na cozinha com uma pilha tão gigantesca de pratos que não conseguiu ver um desnível no chão. Caiu, junto com todos os pratos entre o salão e a cozinha.
Eu para completar então respondi. “O importante é não se machucar”.
E o garçom mais que depressa falou: “Machucado ou não ele mandam vir trabalhar no dia seguinte do mesmo jeito, num importa se tá todo quebrado em casa”.
Não ousei mais abrir a minha boca, mas guardava dentro de mim a certeza que enquanto não se é feliz no trabalho, nem o simples serviço de carregar pratos será bem feito.













