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O que realmente acontece com o carro quando você coloca óleo demais no motor

Ultrapassar a marcação máxima da vareta cria espuma no cárter, desregula a pressão do sistema e força o rompimento de retentores

Por João Vitor Ferreira 20 jun 2026, 08h56 | Atualizado em 20 jun 2026, 09h08
Oleo lubrificante
Lubrificante: melhor usar na medida certa (Divulgação/Quatro Rodas)
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O que acontece se eu colocar mais lubrificante no motor do que o indicado pelo fabricante?

Mário Antônio Couto, Criciúma (SC)

O motor do carro demanda uma determinada quantidade de lubrificante para trabalhar em perfeitas condições. Quando é colocado menos que o recomendado, a falta de lubrificação aumenta o atrito entre as peças, gerando desgaste excessivo e até superaquecimento do motor.

Mas se engana quem pensa que óleo em excesso ajuda o motor a trabalhar melhor. A prática não melhora o resfriamento nem reduz o atrito, mas provoca uma cascata de falhas de pressão, superaquecimento e até a perda de rendimento do veículo.

Clayton Zabeu, engenheiro mecânico do Instituto Mauá de Tecnologia, informa que o limite máximo existe para proteger algumas peças que não deveriam entrar em contato com o lubrificante.

“Com óleo demais, biela e virabrequim, por exemplo, começam a bater nesse lubrificante e começam a formar espuma, que não é boa para o motor”, afirma. “Quando (a espuma é) succionada pelo pescador, pode causar problemas no controle de pressão na linha de alimentação da galeria de óleo”, explica. Sem conseguir pressurizar as vias corretamente, componentes essenciais no cabeçote passam a trabalhar com atrito elevado, gerando desgaste excessivo das peças e picos perigosos de temperatura.

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Óleo lubrificante sendo colocado no motor de automóvel
(ACERVO/Quatro Rodas)

O engenheiro também afirma que o atrito entre as peças e o óleo em excesso também cobra seu preço. O atrito extra rouba parte da energia que foi gerada pela combustão, exigindo que o motor faça mais força para entregar o mesmo desempenho. Na prática, a eficiência cai e o consumo de combustível sobe apenas para vencer a barreira imposta pelo próprio óleo.

E um terceiro problema, esse menos usual em carros modernos, são os respingos do lubrificante para fora do sistema. “Nos motores antigos, sem circuito de óleo fechado, você literalmente jogava óleo para fora do motor”, explica.

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O aumento da pressão no sistema fechado força as vedações, estourando retentores de válvulas e juntas, o que frequentemente causa vazamentos externos graves ou a queima de óleo na câmara de combustão.

Para garantir a durabilidade e o comportamento planejado pela montadora, a verificação pela vareta continua sendo o método mais confiável. O ideal é checar o nível com o veículo nivelado e o motor frio, certificando-se de que a marca do fluido repouse exatamente entre as indicações de mínimo e máximo, sem folgas para suposições.

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