Eiiiiiiiiiiiiiiii! A freada tardia. Tempo pra nada. Com os cotovelos, abri caminho na lateral do círculo que se formou no meio da rua, em torno de nós. De fora. A alguns metros, a bengala branca do outro que agora é um tanto de carne a impedir o trânsito. Sirenes, buzinas. Me afastei rapidamente. Psicodinâmica das cores. Verde. Laranja. Vermelho. A multidão avança, permaneço na calçada. posso ajudar? Disse isso já me tocando o braço e me conduzindo a outra extremidade da avenida. Obrigado. essa cidade não é feita pra gente como você, agora mesmo um foi atropelado bem ali na esquina. Se benzeu. Católica. Sorri. a rua parece que é dos carros. Com essas pernas… E os peitos, então… a gente tem de que se espremer no meio dos carros, e os ônibus, humpf! prontinho. Pra onde você vai. não vou, fico por aqui. Àquela hora alguns motoristas, carregadores de caminhões de frutas, operários da construção civil já movimentavam a rua. Garotas. Leggins. Shorts. Justíssimos. Viviaaaanh! preciso ir. Escuta. Falei erguendo a bengala e retirando os óculos. eu já sabia, respondeu baixando os olhos e os pousando na região entre o meu abdôme e o começo de minhas pernas.
nimbo::lenise regina