Já é 1h30 da madrugada e sento pra escrever. Não vencemos atualizar os registros diariamente - o tempo e a energia não têm sido suficientes para colaborar com a disciplina de manter um diário de viagens. Como diz nossa amiga Fernanda, melhor viver a vida que escrever um blog (risos). Mas o desejo por registrar tudo é também um desejo de imortalizar a experiência e poder desfrutar, no futuro, muito mais do que lembranças, mas sensações e sentimentos que marcam os nossos doces dias em Paris.
Agora sento pra escrever, pois a areia escorre seus últimos grãos. E para mim, e penso que para Aline também, os fechamentos de ciclos nos levam à reflexão, a um olhar retroativo e meditativo.
Escrevo hoje, no dia 33 de nossa viagem, a respeito da última semana. De terça dia 15 a terça dia 21 de agosto.
Dia 14 de agosto, voltamos de Laon. Na boca, o sabor doce do encontro com amigos era perceptível pelo sorriso suave que não se dissolvia. Os dias em Laon foram como uma suspensão do tempo no qual pouco passado havia, nenhuma preocupação sobre o futuro, e o presente era um presente a cada instante.
A ida para Laon, na sexta, já trazia o primeiro prenúncio de fim. Na sexta-feira, dia 11/08, foi meu último dia de do curso de francês de duas semanas. Também foi o dia que eu deveria fazer uma apresentação oral na aula, falar sobre um lugar de Paris/França que visitei e que não conhecia ainda. Falei sobre nossa viagem a Provins (pode ler
aqui). Neste dia teve poucos alunos em sala, e minha apresentação que deveria durar alguns minutos acabou tomando 60 minutos dos 120 que duram a aula. De Provins os assuntos foram variados e também me tornei assunto, afinal, a maioria da turma fazia/faria no mínimo 1 mês de aula (alguns muitos meses mais). Esta interação foi muito boa, me deu oportunidade de falar bastante, praticar francês como em geral não temos tido oportunidade aqui.
Laon então não foi um consolo a um fim prematuro, mas uma renovação. Conhecer pessoas, estabelecer e fortalecer amizades tornam a vida mais viva por aqui, dão um sentido a mais do que cravar bandeirinhas em pontos turísticos.
Dia 15 de agosto é feriado nacional: Assunção da Virgem Maria. Some: férias de verão + feriado de 15 de agosto + feriadão (afinal dia 15 foi terça), e você terá Paris semi-deserta. Os parisienses que ainda não haviam viajado, viajaram, deixando a cidade um tanto vazia para além de Notre Dame, Quartier Latin e Torre Eiffel - império dos turistas.
Manhã preguiçosa, saímos na metade da tarde rumo ao Petit Palais, cuja visita é gratuita e dizem há um jardim bonito. Tomamos metrô até a Place de la Concorde com seu majestoso obelisco egípcio. Embora sempre tenhamos ouvido falar de Petit Palais e já tenhamos passado na frente em outras vindas, seu interior ainda nos era mistério. E continua sendo. Ao chegarmos lá, eis a surpresa: fechado por conta do feriado. Bem, não foi esta a primeira visita que deixamos de fazer mesmo tendo ido até lá. Resolvemos ir então até a Ponte Alexandre III tirar umas fotos, por que, eita ponte linda! Ainda mais com a torre logo ali espiando a gente.
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| Parece nós em Paris!! |
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| Um minuto sentados pra ter certeza que estamos aqui. |
Vimos então que abaixo da ponte, nas margens, tinha um Brocante (feira de antiguidades e cacarecos). Fizemos uma gostosa caminhada olhando tudo, desejando muito, e não comprando nada. Algumas coisas realmente são baratas... mas precisamos realmente? E ainda: dá pra levar pro Brasil? Fica a vontade e a realização de ter visto coisas lindas...
Além do Petit Palais, a ideia era ir até a FNAC que fica na Champs Elysées. Como não tínhamos ido até lá ainda, seria uma oportunidade de ver a tão famosa avenida. Mas definitivamente não é a nossa praia. A caminhada ao menos rendeu um papo bem interessante com Joaquim sobre marcas e grifes e os motivos que levam a definir um produto ser mais caro que outros etc.
Compramos então na FNAC um cartão mais poderoso pra maquininha fotográfica. Cansados, decidimos não ir até ao Arco do Triunfo (será pecado?). Olhamos num mapinha pensando como continuar o passeio. Resolvemos ir até a Igreja de Madeleine, que fica perto da Place de la Concorde. Decidimos ir a pé e por outro caminho... que acabou se tornando beeem longo. Tudo bem, saindo do império dos turistas de Champs Elysées, o silêncio reinou e a cidade vazia predominava.
Conseguimos entrar em Madeleine, sentar uns minutos para descansar e acompanhar a missa que ocorria bem la na frente. Esta igreja é peculiar por sua arquitetura em estilo clássico grego e não possui nenhuma janela ou vitral.
Dali fomos a uma loja Decathlon, coladinho ali, sondar preços e ver se compravámos alguma blusa/casaco de inverno baratinho nesta época. Joaquim aproveitou pra ficar andando de patinete pela loja - e nós também. Daí bateu aquela vontade grande de comprar um patinete para adultos... mas vontade de comprar a gente sempre tem, né?
Enquanto estávamos no meio da loja, um atendente veio falar conosco. Caso precisássemos de alguma ajuda em português, ele estava a disposição - todo feliz. Depois que ele se foi, ficamos discutindo tentando sacar o cara: era português? Era francês que falava português? Seria brasileiro?
Quando fomos ao caixa, adivinha quem nos atendeu? O rapaz com seus vinte e poucos anos já morava em Paris há 14 anos, vindo de Belém do Pará. Calcule o sotaque no português do rapaz?
Dia 16/08, quarta, resolvemos de uma vez por todas subir na torres da Catedral de Notre Dame - algo ainda inédito para nós. Tentamos sair cedo, mas acabamos chegando lá perto do meio-dia. Das duas ou três vezes anteriores que tentamos subir, ou a fila era imensa demais da conta, ou não tinha mais vagas naquele dia. Bom, com o sistema atual de agendamento de horário ali mesmo, conseguimos um horário para às 15h30. Mas espera... a gente também tinha planejado fazer a visita guiada gratuita na parte externa do Louvre, que ocorreria as 14h45. Pegamos então outro ticket para o horário das 16h30, que assim daria tempo.
Flanamos um pouco pelo Quartier Latin, entramos na famosa livraria Shakespeare e Cia (cheia de turistas como sempre), com sua arquitetura antiga e ambientes misteriosos no segundo andar. Dali pensamos em fazer um programa separados: Aline e Quim iriam a uma loja de jogos e eu em uma livraria especializada em teatro. Mas tudo ficaria corrido. Decidimos comer um Kebab por ali e fomos pra visita guiada no Louvre.
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| Daí você sobe a escadinha pro segundo andar da livraria Shakesperare e Cia. e ouve uma música linda. Senta em um sofazinho, se delicia com a música do turista majestoso, olha todos aqueles livros e pensa no tempo e no espaço que não existem mais... |
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| Pelo Quartier Latin... Tia, olha aí seu restaurante!!! |
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| Uma igrejinha que quase ninguém liga, pertinho de Notre Dame: Saint-Julien le Pauvre. |
Agora no verão, nas margens do Sena, tem alguns quilômetros do
Paris Plage - e uma das atividades é um espaço/stand do Museu do Louvre a partir de onde saem, em determinados horários, visitas guiadas aos jardins ou à arquiterura do Museu, as visitas são gratuitas e no final do tour, dãoganhamos ingressos para o museu como cortesia. Chegamos no stand às 14h30, quinze minutos antes e... não havia mais vaga. Como assim??!!! Gente, era a terceira vez que tentávamos fazer a visita - ok, nos dois outros dias chegamos atrasados... mas tipo... como assim!!!
Por fim, havia um horário extra às 17h30. Deixamos reservado nossos lugares e agora tínhamos 3 horas pra nos ocuparmos.
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| Uma das atividades do Paris Plage do Sena: percurso de escaladinha pras crianças. |
Volta-volta-volta lá pra Notre Dame: vamos então subir no horário de 15h30. Chegamos em tempo, a fila nem demorou tanto, e finalmente subimos os 400 degraus até o alto em escadas que ficavam cada vez mais estreitas. Finalmente vimos as gárgulas, os telhados e esculturas da catedral de perto! Os sinos do corcunda! O Sena e suas pontes! Muitas fotos e muitos turistas japoneses depois, descemos felizes e tontos de tanto girar pelas escadinhas. Pensamos em aproveitar e visitar o interior da catedral, que ainda não fizemos nesta temporada... mas, fala sério... fila daquele tamanho não rola pra nós. Seguimos então novamente para o espaço do Louvre no Paris Plage, que é bem ao lado do museu.



A visita guiada foi bem bacana. duas jovenzinhas empolgadas falando em francês, um grupo de cerca de 15 pessoas de idades variadas, predominando pessoas mais velhas que nós. O passeio durou cerca de 80 minutos - Joaquim até que aguentou bem pra quem não entendia nada e não estava interessado na Paris mediveal, nem na época dos Luizes ou dos Napoleões. Elas eram bastante interativas com o grupo, e um garoto de uns 11 ou 12 anos pôde responder muita coisa que deve ter estudado há pouco na escola. Ele e a senhorinha, pelo que entendemos, professora de história que sempre respondia tudo rsrsrs. Ao final do passeio, a surpresa: elas não nos deram dois ingressos para o Louvre - mas quatro! Tipicamente brasileiros, saímos felizes por termos a chance de entrar duas vezes no Louvre cada um sem pagar (criança entra de graça).
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| Nós na visita |
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| Pirâmide do Louvre sempre rendendo boas fotos |
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| Olhando a partir da estátua de Luiz XIV, em frente ao Louvre, se vê o Arc du Caroussel nas Tuileries, o Obelisco da Place de la Concorde e o Arc de Triomphe - tudo alinhado. |
Dali seguimos para cumprir o combinado com Joaquim: tomar raspadinha no parque de diversões do Jardim das Tuileries e brincar no playground dali. Enquanto ele fervia, a gente relaxava nas cadeiras verdes do jardim. Joaquim fez um amigo, um americaninho mais novo que ele e, enquanto brincava de pega-pega com o garoto e a jovenzinha mãe dele, vinha nos perguntar como dizia algumas coisas em inglês pra poder se comunicar com o garoto. Pra que falar francês em Paris, né?
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| Quando até as cores da raspadinha combinam com o visual da pessoa! |
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| Sentado no Jardim das Tuileries, quem resiste a tirar uma foto destas? |
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| Dia findo, e ela olhando por nós! |
Seguimos caminho, a ideia era Aline e Quim tomarem ônibus e eu fazer o cartão de Velib pra mais uma semana e seguir de bicicleta pra casa. Seguimos juntos até a margem do Sena, Aline e Quim seguiram pela calçada e eu desci pra margem no Paris Plage. Uns minutos depois, me dei conta que fiquei com a mochila que combinamos a Aline levaria no ônibus. Voltei apressado para tentar alcançá-los, e quase nos desencontramos. Em razão de um ônibus incendiado no meio da rua, o trânsito estava sendo desviado. Encontrei Aline meio assustada, meio sem saber o que fazer. Decidimos pegar o ônibus uns pontos mais adiante e fomos caminhando pela margem (até por que a rua estava fechada). Por fim deu tudo certo. Achamos um ponto de ônibus e eu consegui fazer o cartão pra uma semana de Velib.
Pedalar em Paris é muito bom!
PS: Procuramos notícias mais tarde, mas ficamos sem saber o que houve com ônibus queimado...
Na quinta, dia 17/08, decidimos comprar um patinete de adulto pra levar pro Brasil. Meu presente de Dia dos Pais, rsss... Fizemos uns cálculos e aqui, mesmo com o euro tão caro, está custando menos da metade que na Decathlon brasileira. Também estávamos precisando comprar malas. Após Paris, faremos três trajetos aéreos com a empresa Easyjet. Pelo sistema deles, cada passageiro pode levar uma bagagem de mão com as medidas máximas definidas por eles; mas todas as nossas malas são maiores. Para despachar, o custo, por trajeto, era de 39 euros. Pô, vale mais a pena comprar malas de mão então. Descobri outra Decathlon num centro comercial já saindo de Paris pras bandas de cá. Talvez no centro comercial achasse também as malas.
Peguei uma Velib, e lá fui. Mala não achei nenhuma. Agora de patinete adulto, entendi tudo de todos modelos. Eu ia voltar de ônibus com o patinete na caixa, mas quando vi que iria demorar 20 minutos para o próximo, sentei ali mesmo na calçada, montei o bichinho e vim deslizando sorridente para casa. Ao chegar na esquina de casa, dei aquele assobio estratégico que Aline e Quim sabem que sou eu, e apareceram na janela do quarto andar onde moramos. Fiz o gesto e, voilá! Aline entendeu e já me fotografou na minha Ferrari parisiense.
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| Chegando em casa, dois assobios e consegui minha foto. |
Logo mais, fim da tarde, fomos ao Museu Arts et Metiers (Artes e Ofícios), que nas noites de quinta é de graça após as 18h e fica aberto até mais tarde. Aline foi de Velib e eu e Quim de bus. No meio do caminho despencou uma chuva fina. Pobre Aline molhada. Chegamos no Museu pingadinhos e ela ensopadinha. Mas tudo bem, nada que dois ou três lencinhos de papel não amenizem... afinal, é até chique entrar pingando em um museu, né? rsrsrsr
Fizemos a visita até que anunciaram o fechamento do museu. Nessa hora aceleramos, pois não queríamos ser expulsos novamente como no aquário. Novamente nos separamos: Aline e Quim foram de bus e dei umas circuladas de Velib, saboreando a noite. Paris é muito diversa. A sensação de pedalar a noite varia muito conforme onde se está. Em geral, é muito seguro e tranquilo. Mas por vezes, não sei bem se é o eterno medo brasileiro inculcado ou se algumas situações são de fato risco. Na dúvida... Mas as noites quentes de verão em geral são uma festa.
Sexta, dia 18, amanheceu bem feinho o tempo. Tomei uma Velib e fui tentar comprar logo as tais malas em uma loja próximo a Praça da República. Consegui uma por um bom preço e outra por preço normal. Voltei de bus sob uma chuva fina. Dia perfeito pra ficar em casa morgando.
A noite iríamos jantar com o Rodrigo, um amigo brasileiro que estuda aqui e que conhecemos pessoalmente quando viemos pra Paris em 2014. Ele sugeriu um restaurante baratinho, conhecido dele e topamos o programa. Antes porém, resolvemos ir ao Museu do Louvre, usar nossos tickets amados.
Sabendo que o prazo de validade de Joaquim em museus é um tanto curto, meio que propusemos a ele ver a parte egípcia, a múmia, e a Monalisa, claro. O Louvre é realmente fantástico! Procuramos ver as pinturas instigando Joaquim a ver conteúdo e técnica, reconhecer alguns artistas e tal. Obviamente ele ainda não tem plena consciência da oportunidade de estar ali. Mas acreditamos que de alguma forma, a experiência teve, e terá ainda, muitos sentidos. Pra quem estudou história da arte em parte vendo transparências e fotocópias preto e branco, é fantásticos poder ver tantas obras ali, originais diante de si.
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| Joaquim e seu conhecido Arcimboldo |
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| Vai lá, filho, pra gente ter uma ideia do tamanho desta tela. |
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| Grande galeria do Louvre. |
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| Nós olhando pra fora do Louvre |
O jantar com Rodrigo era num restô ali perto, logo atrás do Palais Royal. O Bistrot Victoires é simples e bem bonitinho, tipicamente parisiense e sem o mundo de turistas lá. O garçon que nos atendeu, ao ouvir o papo, já foi falando em português. Depois descobrirmos que sua mãe é portuguesa. Rodrigo e eu temos pontos de pesquisa em comum (foi ele que em 2014 me passou a informação sobre um livro que estava sendo preparado na Inglaterra e para o qual tive a oportunidade de escrever um capítulo: "
The Routledge Companion to Jacques Lecoq". Depois do jantar, saímos pra caminhar um pouco e Aline e Quim voltaram de ônibus. Rodrigo e eu continuamos o papo acadêmico, profissional, as perspectivas de viver em Paris, sobre a cidade etc. Ainda rolou uma cerveja num bar baratinho (chopp de 500 ml por 3,50 euros - diferente de locais turísticos onde o mesmo chopp custa 8,00 euros...). Adivinha como voltei pra casa? De Velib!
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| Chegando no bistrot - dá pra ver o rodrigo sentado lá dentro. |
Sábado, dia 19, havíamos decidido rever o Promenade Plantée (que andam chamando agora de Coulée verte René-Dumont). Moramos perto dele em 2011 e adorávamos passear de carrinho com o bebê Joaquim por lá ou com os amigos que nos visitavam. Enquanto ainda preguiçosos, Lua e Hélio mandaram mensagem perguntando o que planejávamos para aquele sábado. Eles estavam afim de pedalar e combinamos de nos encontrar em um parque que ficava a certa altura do promenade. Antes de sair de casa, ainda fui ao mercado pra comprar algumas coisas: nosso almoço seria um piquenique no meio da tarde.
Tivemos mais um encontro bacana. Eles, como sempre, trouxeram alguma comidinha típica de alguma região da França expandindo assim nosso paladar e conhecimento gastronômico - além da ótima companhia, claro.
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| Jardin de Reuilly, na passarela sobre o gramado. |
O local do piquenique foi no gramado do Jardin de Reuilly, que é cortado no alto por uma passarela em arco. O Jardim está mais ou menos no meio do 4,5 km do Promenade. Por ali passava uma antiga linha ferroviária cujo terminal era onde está hoje a Ópera da Bastilha. Depois do piquenique, cada família seguiu para um lado. Nós queríamos ver a parte dos túneis e do caminho dentro de uma espécie de trincheira, e eles a parte elevada do caminho, que vai sobre o Viaduto das Artes. Caminhamos até quase não aguentar - e Joaquim lá, possessivo com o MEU patinete. rsrsrs
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| Pelas trincheiras do Promenade Plantée |
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| Pelos túneis do Promenade Plantée |
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| Na parte alta do Promenade (embaixo é o Viaduto das Artes) |
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| Na parte alta do Promenade (embaixo é o Viaduto das Artes). Joaquim e as rosas. |
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| Na parte alta do Promenade (embaixo é o Viaduto das Artes) - Vista do relógio da Gare de Lion. |
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| No Viaduto das Artes com meu patinete num raro momento que Joaquim me deixou usar. (Em cima fica o Promenade) |
A noite ainda tínhamos outro programa:
Cinéma en plein air - Cinema ao ar livre no Parque de la Villette. Filme da noite: Ratatouille, é mole?
Arrumamos nossa malinha de piquenique, equipamos com comida para o segundo piquenique do dia, tomamos um bus - por que as pernas são fracas. Chegamos lá e ao passar pela revista (abrir mochilas e detector de metais no corpo), pediram que deixássemos os garfos, facas e saca-rolha de metal. Procedimento padrão. Nos deram o cartão de senha para retirada no final da noite. Agora já está escurecendo mais cedo. Quando chegamos, escurecia lá por 22h40. Agora ãs 21h15 já esta escuro. Chegamos já escuro, mas graças às luzes do local, conseguimos a muito custo achar um lugar pra instalar nosso acampamento - contando com a gentileza de uma brasileira que reside aqui que se dispôs a mudar de lugar sua cadeira de pano alugada lá. Estava muito cheio de gente!! Conseguimos comer, beber, e o filme começou. Apagadas as luzes, telão inflável bem visível, som em volume ótimo, multidão em grande silêncio quebrado apenas pelas risadas e pelo aplauso ao final do filme. Na hora de retirar nossos talheres, perguntei ao atendente quantas pessoas estimava que havia naquela noite. Ele passou um rádio pra alguém da segurança e me respondeu: entre oito e nove mil pessoas. Uh-la-lá!!! Eu bem que achei que estava cheinho... rsrsrs
Uma atmosfera fantásticas, uma de nossas paixões em Paris e um dos motivos de elegermos ficar novamente nestes lados de Paris.
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| Povo partindo depois de uma noite pra lá de agradável. |
Voltamos para casa a pé, seguindo a margem do canal de l'Ourcq - outra de nossas paixões e motivações de morar aqui. Chegamos mortos...
Domingo, dia 20, já amanheceu com sol, embora não quente. A canseira do dia anterior predominava. Nem pensar em bater perna por Paris! Tomamos café, pegamos uns livros, toalha, patinete, e fomos pro Parque Buttes Chaumont, aqui do ladinho, duas quadras. Nos largamos numa grama no alto do parque, lemos, relaxamos. Joaquim patinetou por ali. Fome batendo, voltamos pra casa, almocinho, preguiça de novo. Mas deixar o domingo de sol em Paris passar lá fora? Bora voltar pro parque pra mais uma rodada de sol, preguiça, leitura e patinete.
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| O que melhor ler em Paris do que relatos de viagem em Paris? |
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| Uma das vistas do alto do parque Buttes Chaumont. Assim, ali, meio que por acaso. |
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| Gente bonita, elegante e sincera piquenicando no Parque Buttes Chaumont.... como nós. |
A noite eu tinha comprado ingresso para assistir um quinteto de cordas tocando as Quatro Estações de Vivaldi na Saint-Chapelle - outro local que rondamos, rondamos e nunca fomos. Fui de Velib, mas me demorei tanto pra sair que tive que ir voando até lá. Lógico, com direito e pegar caminho errado, a ter que passar no calçadão em frente ao Centre Pompidou (sempre cheio de turistas distraídos comprando lembrancinhas), a ver a ponte de acesso à ilha da Saint-Chapelle bloqueada pela polícia - e assim ter que deixar a bicicleta algumas quadras antes do que pretendia. Cheguei correndo - literalmente - suado, esbaforido. Ainda tive que aguardar mais de 5 minutos, o que deu tempo de respirar e parar de transpirar loucamente. Li numa plaquinha que metade dos vitrais foram restaurados recentemente, algo que custou apenas 5 milhões de euros.... Só caí em mim quando o quinteto já tocava a metade da Primavera de Vivaldi, observando aqueles vitrais imensos e incríveis e aquela música que tomava toda altura do ambiente.

Após o concerto, peguei outra Velib e pedalei por ali... tendo em mim um pouco do residente e um pouco do turista. Um pouco maravilhado com a cidade e um pouco como quem já sabe o que tem no final dessa ou daquela rua. O cheiro de Paris está em mim.
A noite, cheguei em casa e Aline falou que a água quente não estava mais ficando quente. Deu algum problema no aquecedor do apê.
Hoje de manhã, dia 21/08, mandamos uma mensagem para a
gardienne do prédio e ela logo apareceu. Deu uma olhada e alguns telefonemas. Tão bom saber falar fluentemente uma língua, né? Sendo portuguesa, sua mediação foi muito facilitadora pra nós. Por fim, o proprietário mandou mensagem avisando que à tarde viria um técnico ver a situação.
Depois de mês enrolando e enrolando pra ir numa livraria especializada em livros de teatro, próximo ao Teatro Odeon, no Quartier Latin, finalmente Aline me expulsou de casa. Afinal, a noite já estava marcado jantarmos na casa do Hélio e da Lua, onde deixaríamos nossas malas pelas próximas semanas até voltarmos pra Paris. Sendo assim, se eu fosse comprar livros teria que ser hoje. Vi na internet que a livraria abre nas segundas-feiras somente a partir das 14h. Então aproveitei meu segundo ingresso grátis pra ir novamente ao Louvre. Falei que o ticket dava direito a entrar em fila especial? Bom, né? Depois de quase duas horas, as pernas já diziam que era hora de ir - e a livraria já estaria aberta.
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| Juro que a Vênus de Milo estava olhando pra mim lá no Louvre e disse pra eu ser feliz em Paris. |
Tomei uma Velib ali perto e fiz questão de passar pedalando pela Ponte das Artes, logo ao lado do Louvre. Amo esta ponte! Dali fui me achando e me perdendo até que cheguei mais ou menos perto, mas resolvi largar a bicicleta e caminhar umas quadras. E quando finamente chego diante da livraria o que vejo??? Uma plaquinha informando que estão de férias e reabrirão em 01/09.... Nãããããoooooo!!!
Fazer o quê? Fui flanando um pouco nas ruas próximas e lembrei de outra livraria, na Boulevard Saint-Michel. Não era especializada, mas costuma ter livros "d'occasion" (livros usados ou com descontos). Bom, gastei mais umas duas horas ali, isto por que não era especializada em teatro... é incrível a quantidade de títulos e variedades de temas relacionados que se encontra aqui.
Chegando em casa, Aline tava toda feliz. Veio o técnico arrumar o aparelho de água quente e, adivinha que língua ele falava também? É, português. Ele ficou quase duas horas arrumando o que achamos que era só um botão mal regulado. Custo? 224 euros - por conta do proprietário- ainda bem, né? Mas a empolgação maior da Aline foi em ter conhecido os proprietários que apareceram pra deixar o cheque e conversar com o técnico. Parece que eles estavam em Lion e chegaram hoje em Paris. Devem estar na casa de algum amigo, não sei. Segundo a Aline, o Florent e a Morgane são jovenzinhos de tudo, lindos como um casal de capa de revista, e queridos que só! Aline estava empolgada por que conseguiu conversar com Morgane sobre vários assuntos com certa fluência e até teve seu francês elogiado, vivaa!!!
Logo percebemos que iríamos nos atrasar para o jantar. Hélio e Lua moram em uma cidade vizinha que rola ir de metrô, mas leva seu tempo. Mas o pior era que precisávamos fazer aS malaS. Com isto quero dizer: fazer as mochilinhas que temos que levar na aventura de bicicleta desta semana; as malinhas que levaremos como bagagem de mão na Easyjet; e as malas de coisas que não irão junto nestas andanças das próximas semanas.... Imagina: roupa leve pra pedalar, roupa pra praia, roupa pra montanha, roupa pra cidade e pro campo - e tudo que não precisaremos por 18 dias....
Conseguimos, espero que com sucesso. Pois só saberemos do sucesso das malas a partir do momento que começarmos a usá-las. Decidimos ir de Uber, pois seria muito muito desgastante irmos com uma mala grande, duas médias e três pequenas de metrô, mais uns trechos a pé e troca de metrô. Deu certo nosso app do Brasil aqui. Viva o Uber!
Logo que chegamos, Hélio abriu a cave deles no porão do prédio e guardamos tudo lá. O jantar foi novamente ótimo - e quando falo de jantar se trata da companhia, da conversa, dos petiscos de entrada, da comida, da bebida... como sempre, eles tinham coisas novas para degustarmos. Comemos feito loucos... Joaquim e Anahi puderam brincar novamente - a quinta vez em um mês! E Johann com seu sorrisão e pleno de energia, interagindo com todo mundo.
Dia 23 de agosto completaremos 5 semanas em Paris. Uma eternidade em tão pouco tempo.
Como está nossa agenda pras próximas semanas:
- até dia 23/08 - Paris. Sairemos pela manhã deste apê, infelizmente para não mais voltar... O pouco que não levamos pra Lua/Hélio, sairá conosco na quarta de manhã.
- de quarta dia 23/08 até domingo dia 27/08, estaremos viajando de bicicleta pelas margens do rio Loire, seguindo da cidade de Orleans a Tours. Cada uma das noites dormindo em um local diferente. Serão mais de 150 km ao todo. Aventura inédita para nós e a expectativa é grande!
- na segunda 28/08 de manhã cedo, pegamos um trem de Tours pra Paris. Passaremos na Lua/Hélio pra pegar as malinhas de cabine e já vamos para o aeroporto Charles de Gaulle. Chegaremos na Córsega à noite.
- de segunda dia 28/08 a segunda dia 04/09, viajaremos de carro pela Córsega. Ficaremos hospedados em 5 locais diferentes.
- dia 04/09 bem cedo, pegamos outro vôo, da Córsega para Genebra, Suiça. Ficaremos de carro entre Suiça e França até o sábado dia 09/09. Serão quase 6 dias, sendo 5 noites em 4 lugares diferentes.
- dia 09/09 chegaremos no início da noite em Paris, para outro apartamento, no Canal de l`Ourq. ficaremos lá até dia 13/09, quando voltamos ao Brasil. Sem contar o atual apê, será nosso 15˚ local de hospedagem da temporada.
- no domingo dia 10/09, Aline, Ana e Lua participarão de uma corrida de rua que sairá dos pés da Torre Eifflel. Já tá marcado piquenique depois da corrida com toda galera!.
Bora lá dormir! Já são 5h... as fotos vou colocar amanhã...