23 de maio de 2012

AFINAL, O QUE VOCÊ QUER?

Da primeira vez que eu a vi, tive o panorama completo! Nada como conhecer alguém na praia, não há nada físico para esconder. Era linda, seios na medida, tudo no lugar! E como era inteligente! Ela estava com uma grande amiga minha e nos encontramos para tomar um coco. Chamei-a para dar um mergulho e ela topou.

A partir daí nossos contatos foram se estreitando. Me aproximei de seu grupo de amigos, pessoas muito interessantes, um novo nicho se abriu. Inventamos de fazer aula de teatro e os contatos começaram a ficar mais físicos.

ImageConvidei-a para assistir Avatar, ela esnobou e me mandou ver o novo filme do Almodóvar. Respondi que me convidasse e ela o fez.

Cinema costuma ser barbada: é só olhar para o lado, se ela estiver olhando, não há nada mais a ser dito. Só que, dessa vez, não foi bem assim. Nos encontramos no shopping, ela estava linda como sempre, deliciosa de branco. O filme passava, eu olhava para ela e ela olhava para frente. Mais um tempo, eu olhava para ela e ela, para frente. O filme terminou... e nada.

Continuou me chamando para sair, tomar chope, às vezes com os amigos, às vezes sozinhos. Eu pegava na mão, ela correspondia. Eu me aproximava, ela se afastava. Eu deixei bem claro o que queria e ela disse "não me olha assim", entre o deleite e o constrangimento. Quantas vezes tirei sua roupa com os olhos e ela sabia que, mesmo vestida, eu a via nua!

Mas paciência tem limite e a minha acabou. Fomos nos afastando, perdendo contato... encontrei-a mais de um ano depois numa livraria, lugar óbvio para nós dois. Um papo tenso de menos de um minuto. Depois soube que voltou a morar com o ex, para ser tão feliz ou infeliz quanto antes.

Acho que, no fundo, ela teve medo. Havia pouco tempo que tinha se separado e sentira que, comigo, a coisa seria séria. Mas talvez isso seja uma fantasia para satisfazer meu narcisismo. O fato é que nunca perguntei, afinal, o que ela queria.

2 de maio de 2012

BABY SITTING

Talvez uma das minhas maiores qualidades seja também a que mais me dá trabalho: eu me sinto responsável pelas pessoas. De uma forma muito estranha, isso não envolve culpa, mas eu não consigo deixar de fazer algo por alguém que vai se ferrar muito caso não conte com a minha ajuda. Foi o que aconteceu nesse dia.

Já no fim da night, o sol começando a evaporar as poças da chuva, lá estava eu sendo expulso da boate porque a galera precisava ir dormir. Me deparei com uma menina que, com certeza, não tinha idade para estar lá.

– O que você tá fazendo aí?
– Esperando a namorada do meu irmão acordar.
– Onde ela está?
– No carro.

Logo pensei que devia fazer alguma coisa, pois se a moça estava dormindo no carro, certamente não tinha condições de dirigir para casa. Fui lá ver e, de fato, não havia como deixá-las à própria sorte. Conversei com os seguranças da boate, que já me conheciam, que me autorizaram a pegar o carro para exercer a atividade não remunerada de motorista.

ImageA primeira coisa que vi: o carro estava entulhado de coisas. Coisas de casa, roupas... Assim que entrei, a bela adormecida me deixou rolar de sua mão uma maçaneta – daí comecei a pedir explicações. A mais nova, que descobri ter catorze anos, me explicou que sua cunhada havia sido despejada e a fechadura, trocada e, subsequentemente, arrombada. Logo pensei: "O que é que eu fui arrumar!".

A pequena me guiou direito e ajudei a subir a moça, que por sinal era muito bonita, devia ter mais ou menos a minha idade, talvez um pouco mais nova. Inocentemente, a menina me pediu ajuda para botá-la na cama, mas eu recusei. Depois descemos para comprar café da manhã no McDonald's. Conversamos, trocamos contato, e   levamos um café da manhã para sua casa.

Eu entendo que as pessoas estejam mal, se acabem de beber e tal. Mas jamais conseguiria ser tão irresponsável com uma menina dessa idade.

Mantivemos contato por um tempo, depois nos afastamos, e retomamos, eu e as duas. Uns dois anos depois, a ex-bêbada me chamou para sair e eu aceitei. Fomos para a mesma boate, onde ela me deixou esperando por uma hora na porta.

É claro que acabamos ficando, mesmo com ela jurando que não me chamou para isso. Conversamos um pouco mais e comecei a ficar incomodado com a falta de conteúdo. Não cheguei a me arrepender de ficarmos, quase sempre prefiro ter uma história para contar, mas ela não era tão inteligente quanto achava ser e, sinceramente, era mais interessante bêbada e apagada no banco do carro.