A partir daí nossos contatos foram se estreitando. Me aproximei de seu grupo de amigos, pessoas muito interessantes, um novo nicho se abriu. Inventamos de fazer aula de teatro e os contatos começaram a ficar mais físicos.
Convidei-a para assistir Avatar, ela esnobou e me mandou ver o novo filme do Almodóvar. Respondi que me convidasse e ela o fez.Cinema costuma ser barbada: é só olhar para o lado, se ela estiver olhando, não há nada mais a ser dito. Só que, dessa vez, não foi bem assim. Nos encontramos no shopping, ela estava linda como sempre, deliciosa de branco. O filme passava, eu olhava para ela e ela olhava para frente. Mais um tempo, eu olhava para ela e ela, para frente. O filme terminou... e nada.
Continuou me chamando para sair, tomar chope, às vezes com os amigos, às vezes sozinhos. Eu pegava na mão, ela correspondia. Eu me aproximava, ela se afastava. Eu deixei bem claro o que queria e ela disse "não me olha assim", entre o deleite e o constrangimento. Quantas vezes tirei sua roupa com os olhos e ela sabia que, mesmo vestida, eu a via nua!
Mas paciência tem limite e a minha acabou. Fomos nos afastando, perdendo contato... encontrei-a mais de um ano depois numa livraria, lugar óbvio para nós dois. Um papo tenso de menos de um minuto. Depois soube que voltou a morar com o ex, para ser tão feliz ou infeliz quanto antes.
Acho que, no fundo, ela teve medo. Havia pouco tempo que tinha se separado e sentira que, comigo, a coisa seria séria. Mas talvez isso seja uma fantasia para satisfazer meu narcisismo. O fato é que nunca perguntei, afinal, o que ela queria.
