Procurei qual era a festa do dia e me parecia bem rock and roll. Eu estava a seco, de carro, e assim teria de permanecer para evitar ir trabalhar bêbado, como costuma acontecer nessas saídas de meio de semana. Chegamos, tudo ainda vazio. Em julho, há uns dez anos, quando eu era um estudante vagabundo, segunda bombava. Entramos e não havia nada de rock and roll, apenas músicas dos anos 10, uma época à qual ainda não cheguei.O fato dos clientes serem quase todos homens não me intimidou. Basta uma meia dúzia de mulheres interessantes para a noite ser boa. Mas nem isso eu achei. A noite avançou e eu, terrivelmente sóbrio, resolvi abraçar o Capeta e entrar no clima da música. Pelos cantos, dois casais gays se agarravam, até normal para a casa. Até que eu comecei a realmente reparar no pessoal.
As poucas mulheres que estavam na casa sumiram, até que um dos meus amigos soltou a pérola da noite: "Só tem homem nessa porra! E eles estão todos se pegando!". Era verdade! Estávamos no meio de uma festa gay, que provavelmente qualquer pessoa nascida na década de 90 sabia que estava acontecendo ali!
Mas a música não era de todo ruim e permanecemos na pista. Até que meu outro amigo resolveu, sabe-se lá por quê, andar até o meio da pista. Deu de cara com um carinha loiro de cabelo encaracolado com os braços para cima, dedos estalantes, olhando fixamente para seus olhos num clima "Você é meu!". Meu amigo apenas abaixou a cabeça, deu uma guinada para a direita e voltou para o nosso canto.
Definitivamente era hora de ir embora.
