20 de julho de 2012

FESTA ESTRANHA, GENTE ESQUISITA

A festa corporativa dizia muito pouco respeito a mim. Embora tenha sido bastante divertida, eu estava quase de penetra, pois era de um trabalho paralelo que eu faço com pouca ou nenhuma interação com outras pessoas. Na hora de ir embora, a pergunta era "Daqui pra onde?". Segunda-feira, não o melhor dia para uma night, mas eu já estava na pista, acabei convencido por dois amigos a esticar a madrugada.

ImageProcurei qual era a festa do dia e me parecia bem rock and roll. Eu estava a seco, de carro, e assim teria de permanecer para evitar ir trabalhar bêbado, como costuma acontecer nessas saídas de meio de semana. Chegamos, tudo ainda vazio. Em julho, há uns dez anos, quando eu era um estudante vagabundo, segunda bombava. Entramos e não havia nada de rock and roll, apenas músicas dos anos 10, uma época à qual ainda não cheguei.

O fato dos clientes serem quase todos homens não me intimidou. Basta uma meia dúzia de mulheres interessantes para a noite ser boa. Mas nem isso eu achei. A noite avançou e eu, terrivelmente sóbrio, resolvi  abraçar o Capeta e entrar no clima da música. Pelos cantos, dois casais gays se agarravam, até normal para a casa. Até que eu comecei a realmente reparar no pessoal.

As poucas mulheres que estavam na casa sumiram, até que um dos meus amigos soltou a pérola da noite: "Só tem homem nessa porra! E eles estão todos se pegando!". Era verdade! Estávamos no meio de uma festa gay, que provavelmente qualquer pessoa nascida na década de 90 sabia que estava acontecendo ali!

Mas a música não era de todo ruim e permanecemos na pista. Até que meu outro amigo resolveu, sabe-se lá por quê, andar até o meio da pista. Deu de cara com um carinha loiro de cabelo encaracolado com os braços para cima, dedos estalantes, olhando fixamente para seus olhos num clima "Você é meu!". Meu amigo apenas abaixou a cabeça, deu uma guinada para a direita e voltou para o nosso canto.

Definitivamente era hora de ir embora.

11 de julho de 2012

VIOLA

Ela chamava a atenção, não sei se pelas tatuagens ou pela roupa, mas de uma maneira positiva. Devia ser quente, um vulcão. Era amiga de uma amiga minha, com quem apareci na festa. De início, nem cogitei a possibilidade, mas conforme a noite andou...

Mas havia um problema: as duas irmãs que organizaram a festa já tinham ficado comigo (em momentos diferentes, infelizmente) e estavam extremamente agressivas com a minha amiga.

A festa seguiu e eu fiz o primeiro movimento. Ela respondeu negativamente: "Não quero apanhar das suas amigas!". Recebi de forma positiva: se era esse o problema, era fácil resolver.

Conforme o álcool subia, ela relaxou e acabamos ficando. Umas duas vezes, tivemos de resgatar a minha amiga de algum bêbado insistente fingindo ser, digamos assim, um trio moderno. De lá fomos para a minha casa, apenas eu e ela.

ImageEu esperava uma noite espetacular, mas, em vez disso, foi apenas morna. Começou a esfriar quando ela começou a depreciar seu próprio corpo: "Você aí todo atleta e eu toda mãe". Eu não ligava para isso, mas as ideias entram na cabeça. Ela tinha uma tatuagem de viola, apenas com os efes tatuados nas costas, mas era muito magra, definitivamente não tinha corpo para isso.

O sexo foi burocrático e eu cheguei ao ponto de torcer para gozar logo e acabar com aquilo. Às vezes é coisa de momento, nem chega a ser uma incompatibilidade, mas o papo dela tirou meu tesão. Dormimos, acordamos e, a essa altura, eu já queria que ela fosse embora.

Mas ela não ia. E queria mais. Começou a se tocar e a conversar ao mesmo tempo e aquilo foi me deixando cada vez mais tenso. Até que eu avisei: "Acho que agora não vou conseguir fazer nada...". Mas ela fez por onde, não exigiu demais e se contentou em me chupar.

Não posso negar, foi melhor do que a primeira vez. Mas a minha fome beirava o desespero depois de tantas horas e, finalmente, ela se ligou e se despediu de mim.

No outro fim de semana, chegou a me chamar para sair, mas preferi ficar na minha. "Pena, você ia enfeitar a festa", respondeu.

Algumas mulheres têm essa mania de se desvalorizar, se preparando para o caso do cara se decepcionar com o que vir. Isso é um erro: a gente não se importa com detalhes, a gente se importa com o momento e, se não rolar tesão, não tem nada que se possa dizer para justificar ou consertar isso, mas se rolar, é muito fácil estragar tudo. Na dúvida, é melhor ficar quieta.