Ninguém sabe para o que nasce, bem diz o povo. Mas ainda que uma parte de mim se negue a admiti-lo, no meio do redil de falências e desilusões atormentadas em que, voluntariamente, me vou aniquilando, foi bonita e certeira a escolha de seguir o ofício de Eratóstenes e Estrabão. É a fazer o levantamento das coordenadas humanas que palpitam noutros corações que eu tento calibrar as minhas. Quero deixar cartografadas todas as horas no atlas provisório da vida.
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Médio Orientem-se!
17/08/2009
Imagem: Fox News
Há muito que uns cowboys transformaram o Iraque em tudo menos num país que, antes disso, já pouco o era. Bem assim, que sentido fará a geografia na cabeça de quem elaborou este mapa?

Os estranhos topónimos da cartografia
30/07/2009
Sítio do Pissarral, freguesia de Alferce, Monchique.
Fica a dúvida: terão os dois s sido propositadamente adoptados, no sentido de evitar mal-entendidos? Refiro-me, obviamente, ao facto de piçarra ser sinónimo de calhau de xisto, ou cascalheira, o que parece ser o caso…

Portugal ainda não foi apagado do mapa
18/05/2009Há tempos adquiri um livro onde estava escrito, logo na primeira frase: «Not only is easy to lie with maps, it’s essential.» Mark Monmonier, 1996, How to Lie with Maps.
Mal observei o mapa em baixo, pude perceber uma das boas aplicações da premissa citada. Com efeito, o cartograma apresentado relaciona o tamanho de cada país com a proporção do respectivo PIB (dados de 2005) a nível mundial.
O método “Diffusion-based” foi desenvolvido por Gastner & Newman, 2004 e consiste na distorção da configuração geométrica dos países em função de dados estatísticos (população, resultados eleitorais, incidência de doenças e epidemias, entre outros indicadores ligados às ciências sociais e humanas).
Recorrendo a esta técnica é mesmo possível “apagar” alguns territórios do mapa, quando o indicador medido é quase insignificante, como quase sucede aos países do continente africano, no cartograma apresentado no Relatório Sobre Desenvolvimento Mundial 2009, da autoria do Banco Mundial. Com um PIB irrisório à escala mundial, a África, que ocupa uma superfície geográfica considerável, quase nem existe na representação pictórica abaixo, o que não deixa de ser digno de registo.

Mapa: World Development Report 2009 - Banco Mundial
Portugal também não se encontra representado da forma que todos gostaríamos, embora seja possível observar uma pequena tira a representar o território português, mais ou menos a meio do cartograma.
Ainda assim, os olhos dos mercados, têm grande dificuldade em ver um país cuja contribuição para o actual desenho geométrico do Mundo é inquestionável. Se em termos de dimensão geográfica somos pequenos, em termos de dimensão económica somos uns verdadeiros anões, fundamentalmente no contexto europeu.
Como seria este mapa há cerca de cinco séculos atrás?
