Um poema perdido no meio do tempo.
I
Uma década combinando sílabas,
Com o intuito de fazer versos.
Muitas vezes com propósitos.
Na maioria sem qualquer um.
Uma cidade um pouco mais ao sul.
Uma, vinte, duzentas, mil pessoas.
Trezentos e sessenta e cinco dias
Sem nenhuma estrofe.
Já não tenho a esperança de outrora,
Que o que eu escreva
Possa significar alguma coisa
Para quaisquer um que
Esteja a minha volta.
O tempo passa em galopes.
Há dez anos as letras debutaram,
Faz um ano que já não as toco.
II
A minha lição poética
Poderia prescindir das palavras.
Basta estar em vida para tê-la.
A serenidade é arrebentada
Pelo inesperado.
(Antônio Alberto P. de Almeida)
No Galpão Das Entrelinhas.
É na fresta deixada pelos afetos que não se inscrevem, que debutam as palavras que partem ao mundo.
terça-feira, junho 21, 2016
terça-feira, agosto 25, 2015
[Poesia] Escrevo sobre as incoerências da escrita.
Escrevo sobre as incoerências da escrita.
Ou
Considerações sobre o fato de não haver escritos.
Minhas palavras, na atualidade
Uma parte a serviço da ciência.
As outras, sobre o amor, são ditas reservadamente.
Penso sobre isto,
As palavras sobre a ciência são guardadas,
Muito bem ensaiadas. Vistas por uns e criticadas.
Levam meses ou anos numa incubadora...
Procurando a sua melhor expressão,
A sua exatidão com os ditos dos outros.
Não devem ser muito ousadas.
Para ousar é preciso muitas palavras.
E olha lá quem sai do conforto para tal...
As palavras de amor são espontâneas.
Elas encontram o seu respaldo num sorriso.
Tem fluidez e leveza.
Reverberam no imediatamente.
São urgentes. Debutam e já são.
Quem serei eu...
Entre as palavras de amor e as palavras da ciência.
A escrever poesia?
A falta agora é bem menor.
Resta sorrir e viver...
Entre as minhas palavras,
Muito mais do que dizê-las ao mundo..
(Antônio Alberto P. de Almeida)
Ou
Considerações sobre o fato de não haver escritos.
Minhas palavras, na atualidade
Uma parte a serviço da ciência.
As outras, sobre o amor, são ditas reservadamente.
Penso sobre isto,
As palavras sobre a ciência são guardadas,
Muito bem ensaiadas. Vistas por uns e criticadas.
Levam meses ou anos numa incubadora...
Procurando a sua melhor expressão,
A sua exatidão com os ditos dos outros.
Não devem ser muito ousadas.
Para ousar é preciso muitas palavras.
E olha lá quem sai do conforto para tal...
As palavras de amor são espontâneas.
Elas encontram o seu respaldo num sorriso.
Tem fluidez e leveza.
Reverberam no imediatamente.
São urgentes. Debutam e já são.
Quem serei eu...
Entre as palavras de amor e as palavras da ciência.
A escrever poesia?
A falta agora é bem menor.
Resta sorrir e viver...
Entre as minhas palavras,
Muito mais do que dizê-las ao mundo..
(Antônio Alberto P. de Almeida)
quinta-feira, julho 23, 2015
[Prosa] A Vida e o Trem.
[Prosa] A Vida e o Trem.
-
A vida é bem semelhante a um trem seguindo numa neblina turva em trilhos desconhecidos. Em face a isto, este prosseguir é permeado pelo imponderável. Se lanço meu olhar para trás vejo apenas mapas que foram descortinados. Chega a ser paradoxal, pois são caminhos para os quais eu não posso mais voltar. É a cartografia do que jamais acontecerá de novo, ainda que seja isto que me guia no ir adiante. Meus olhos lançados sobre o futuro não vêem nada, além de projeções, fantasias e o que está-para-vir ainda meio deformado. As paradas nas estações tem sempre durações variáveis. Muita coisa é deixada e, ainda assim, as minhas costas sentem o peso de tudo aquilo que carrego. Há também o que embarca comigo vindo do desconhecido e me traz motivos para sorrir, leveza para a alma. Reconheço nestas paradas as estações-chaves da vida. E, ao fim disso tudo, estas fazem ressoar em mim sinais de alegria recobertos pelo véu da serenidade...
(Antônio Alberto P. de Almeida)
terça-feira, julho 07, 2015
[Poesia] Mapeamento Subjetivo.
I
(Refletindo...)
Se trafego pelo beco (da cidade) em tropeços,
Diante de ruas,
objetos e tralhas.
Passeio por d'onde
há estórias.
Contos trofegos
d'uma vida.
II
(Caminhando...)
Paf.
Olha ali! Já não é
mais a rua.
Vejo um corpo
desabitado.
D'alguém que está
bem longe.
Fruto do infortúnio acidente do (des)encontro.
Fruto do infortúnio acidente do (des)encontro.
Entre estas pessoas
que se cruzam aqui.
Deslumbradas ou
apressadas.
Há o outrora e a
ausência. [Presente.
Paf, paf.
Inscrito no nome
daquela avenida.
Está um conto de
três páginas.
Retorcido por alguns
rabiscos.
Entrecruzados por
capítulos... descontínuos.
São tantas coisas
inesperadas!
Que se fazem no
acaso e contam depois
Sobre o espanto da
surpresa.
Paf, paf, paf.
E ali vejo uma fachada. Seria um letreiro.
É a letra do olhar
que se perdeu no tempo.
E persiste na
memória, de um beijo.
Ou d'um um dia que
se fez em vários,
Que se fez em meses,
que se fez em anos.
Ou que se faz nas
costas da memória.
Paf, paf, paf, paf.
O sabor da infância
é mais que um sorvete.
É o corpo marcado
pela sensação imóvel.
Que se registrou na
superfície da alma.
Daquilo que se
acomodou e permanece.
Carregado na
lembrança subjetiva
Do aperto que se dá
por dentro.
Paf, paf, paf, paf, paf.
Há olhares que me
espantam!
Pois percebo que os
lugares...
Não são só eles.
E neles habitam corpos
[ausentes ou não.
Que vão e vem, vão
e vem.
É a estação, o
cruzamento.
Dos aero-portos e
dos retratos.
Vai e vem... vai e
vem.
III
(Descanso...)
Eis as fotos vivas no meio do urbano.
A memória é o verdadeiro olhar do afeto.
É a alma cantando
no que os outros não verão.
O mapa da cidade é
da ordem da singularidade.
Só se vê, aqui,
aquilo que vem do íntimo.
E a intimidade é da
ordem do construir.... sobre o sensível de toda uma vida.
(Antônio Alberto P.
de Almeida)
sábado, julho 04, 2015
[Poesia] Sobre Responsabilidades e Correspondências.
Sobre Responsabilidades e Correspondências.
-
Estive pensando no significado do termo “correspondência.”
Se nos tempos de outrora era o envio de cartas.
D'onde dois eram responsáveis por um dizer
Que ia e vinha diante da própria lentidão do tempo.
Nestas épocas que me acompanham
Questiono-me o que pode ser..
Um ato de co-responder.
Já é um baita de um clichê dizer
Que o mundo é narcisista em demasia.
Que podemos fazer... se o espelho
Tantas vezes é mesmo maior.
Co-responder, então, não é.
Aqui, emerge em meio ao cinza urbano
O responder a si mesmo, aos seus anseios.
Mesmo em face de outro e dos outros.
Inda há muita velocidade. Perdeu-se a espera.
Tantas vidas que buscam ser grandiosas...
E que perdem os elementos fundamentais,
Do gesto de um sensível de aproximar-se.
A correspondência é sempre as duas mãos de
Tecelões. No vazio do tempo que necessita aguardar.
Se somos amantes de correspondências...
E lamentamos pela perda para o imediato.
D'onde a responsabilidade e o desejo se esvaem.
Não há motivo para mergulharmos na alma resignada.
Haverão outros por aí pensando contra a vida apressada.
E que se reinvente a correspondência, não mais
Como nos tempos de outrora, em cartas.
Quem sabe em dois olhares que aguardam.
Em simples gestos que descortinam alma e pedem.
Não mais em encontros diante de si mesmo
E sim em descobertas sobre aquele que vem.
Descobrir.... corresponder-se... responsabilizar-se.
Não hemos de nos iludirmos. Hão de ser poucos.
Hão de ainda haver palavras no silêncio.
D'onde reconstrói-se... o longo caminho de uma carta...
No gesto decidido entre duas almas.
(Antônio Alberto P. de Almeida)
-
Estive pensando no significado do termo “correspondência.”
Se nos tempos de outrora era o envio de cartas.
D'onde dois eram responsáveis por um dizer
Que ia e vinha diante da própria lentidão do tempo.
Nestas épocas que me acompanham
Questiono-me o que pode ser..
Um ato de co-responder.
Já é um baita de um clichê dizer
Que o mundo é narcisista em demasia.
Que podemos fazer... se o espelho
Tantas vezes é mesmo maior.
Co-responder, então, não é.
Aqui, emerge em meio ao cinza urbano
O responder a si mesmo, aos seus anseios.
Mesmo em face de outro e dos outros.
Inda há muita velocidade. Perdeu-se a espera.
Tantas vidas que buscam ser grandiosas...
E que perdem os elementos fundamentais,
Do gesto de um sensível de aproximar-se.
A correspondência é sempre as duas mãos de
Tecelões. No vazio do tempo que necessita aguardar.
Se somos amantes de correspondências...
E lamentamos pela perda para o imediato.
D'onde a responsabilidade e o desejo se esvaem.
Não há motivo para mergulharmos na alma resignada.
Haverão outros por aí pensando contra a vida apressada.
E que se reinvente a correspondência, não mais
Como nos tempos de outrora, em cartas.
Quem sabe em dois olhares que aguardam.
Em simples gestos que descortinam alma e pedem.
Não mais em encontros diante de si mesmo
E sim em descobertas sobre aquele que vem.
Descobrir.... corresponder-se... responsabilizar-se.
Não hemos de nos iludirmos. Hão de ser poucos.
Hão de ainda haver palavras no silêncio.
D'onde reconstrói-se... o longo caminho de uma carta...
No gesto decidido entre duas almas.
(Antônio Alberto P. de Almeida)
Assinar:
Comentários (Atom)