Ishitara
Ele avança. O chão estala sob os pés. A lâmina corta o ar com violência. Ishitara não se move. Ela está sentada, pernas cruzadas, olhos fechados. Como uma vela ardente diante dele. O golpe atravessa seu corpo. Não há impacto. Não há resistência. A lâmina passa como se cortasse o calor acima de uma fogueira. No instante do atravessar, a arma começa a avermelhar. O punho dele arde. Ishitara abre os olhos. Não há nenhuma reação em seu olhar. Apenas visão. Ela pega o cachimbo ao lado, acende com a própria respiração - sem gesto, apenas intenção - e traga. A brasa no fornilho pulsa como um coração. Ela exala. A fumaça se espalha lenta, densa, silenciosa. As tochas ao redor se apagam. As lanternas morrem. Até o luar parece engolido. Escuridão. No centro da névoa, uma silhueta começa a se delinear, não feita de chamas violentas, mas de um fogo baixo, constante, quase aconchegante. A voz dela surge de todos os lados e de lugar nenhum: - O que quer? Ele responde de ...