blog do ozaí

“Existem nas recordações de todo homem coisas que ele só revela aos amigos. Há outras que não revela mesmo aos amigos, mas apenas a si próprio, e assim mesmo em segredo. Mas também há, finalmente, coisas que o homem tem medo de desvendar até a si próprio…” (Dostoiévski)

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    A práxis docente é instigante. Inspira a reflexão e o aprendizado. Sim, o aprender é permanente. Quem se fecha ao aprendizado ignora o universo infinito do conhecer o mundo e a si mesmo; está acometido de uma espécie de letargia popularmente denominada de preguiça mental ou consiste simplesmente em arrogância. O sr. sabe-tudo não tem idade – manifestações de arrogância podem ser observadas em crianças, jovens e idosos. Mas na docência é um mal que limita o aprender e envenena as relações humanas. Afinal, em sala de aula, é disso que se trata: da interação e relacionamento entre seres humanos diversos em suas experiências de vida, saberes e biografias. O educador, despido da arrogância e que reconhece sua douta ignorância, tem muito a aprender. Basta querer e estar aberto às lições que a vida oferece.

    Portanto, não se surpreenda se o aluno, a aluna, inquirir sobre o que lhe parece sem sentido, expressão da ignorância e inexperiência ou mesmo arrogância dissimulada. Ainda que se irrite com a cândida inquirição do seu aluno, da sua aluna, tenha paciência e, sobretudo, tente compreender. E mesmo que você demonstre impaciência, reflita! Sim, a dúvida pode ser sincera. Claro, também pode consistir em mera provocação. De qualquer forma, sempre há algo a aprender.

    Lembre-se: o mais importante é a pergunta e não quem perguntou. Como ensina Santo Agostinho, refute o pecado, mas ame o pecador. Não tome como uma questão pessoal. Agradeça, pois o questionador lhe ofereceu uma oportunidade valiosa para o esclarecer e demolir estereótipos. Pode até mesmo acontecer que a sua paciência e esforço pedagógico não surta qualquer efeito sobre o inquiridor, mas a opinião deste talvez seja compartilhada por outros colegas da turma. A práxis docente não se dá no vácuo, mas envolve a relação humana com outros, configurando um processo permanente de ensinar-aprender-ensinar…

    Como escreve Paulo Freire (1997, p.25): “Não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”. Sobretudo, não esqueça: na relação docente-discente, você encarna a autoridade intelectual e pedagógica. Portanto, o grau de exigência é maior: atue responsavelmente segundo a expectativa do exercício da docência. Não obstante, tenha a sensatez de admitir sua humanidade: sim, você, como todos os seres humanos, é suscetível ao erro. Você pode falhar. Tudo bem! Mas, não esqueça de se desculpar. Isso também é humanamente humano!

    Referência

    FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1997.

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