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Amor de pai

«O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho vai manter-se em silêncio na segunda volta das eleições presidenciais, que vão ser disputadas por António José Seguro e André Ventura a 08 de fevereiro.

"Não desejo fazer qualquer comentário ou declaração sobre as eleições presidenciais", escreveu o ex-líder do PSD e do Governo em resposta a uma pergunta escrita da agência Lusa.

Passos Coelho não fez qualquer declaração sobre as eleições presidenciais até domingo, dia das eleições, devendo manter a mesma postura relativamente à segunda volta.»

Fonte

Porquê? Porque Passos não pode dizer “Votem Ventura”. Nem pode dizer “Votem Seguro”. Nem pode dizer “Não votem Ventura”. Nem pode dizer “Não votem Seguro”.

Porquê? Porque Passos criou o Ventura, o qual criou o Chega. E depois Passos olhou para a sua criação, directa e indirecta, e gostou do que viu. Passou a proteger as suas crias, as quais correspondiam ao amor do pai com paixão fervorosa.

Não se peça a um pai para fazer mal ao seu filho. Só Deus se lembraria de crueldade tamanha.

O novo líder da direita? Não, não és, André Ventura (à atenção dos 39% que, não tendo votado Seguro, não votaram no Ventura)

Com a ida à segunda volta, André Ventura, o demagogo, rodeado de gente boçal que não se recomenda, vai apelar a que a restante direita vote nele para, se isso acontecer, poder dizer que é o grande líder e que Montenegro já era*. A verdade, porém, é que os votos somados do Marques Mendes, do Cotrim e do Gouveia e Melo dão 39% do eleitorado. Ventura não foi além dos 24%/25% (se tomarmos em consideração os votos da emigração, ainda não conhecidos). É certo que nem toda a gente que votou no almirante, como eu, ou no Cotrim pertence à chamada “direita”, mas, para efeitos deste post e do que Ventura deseja, chamemos-lhe assim.

Sem grandes simpatias pelos votantes no Marques Mendes e no Cotrim, penso, no entanto, que a afinidade deles com Ventura será pouca e, se alguma há, não será suficiente para os levar a votar nele massivamente. António José Seguro deverá, pois, ter a Presidência ganha.

Ora, olhando para a actuação do grande ídolo dos populistas aldrabões de hoje em dia e ídolo confesso do Ventura, Donald Trump, olhando para a violência, as injustiças, a corrupção (sobretudo a corrupção desbragada), o fascismo que instaura na América e que saltam à vista de todos, espero sinceramente que os votantes naqueles três candidatos tenham juízo e não alimentem, na segunda volta, as ambições e o ego perturbado do Ventura. Um tipo que mistura idas fiéis à missa e a imitação/inveja de “videntes” de aparições do outro mundo com saudações nazis e apelos a intervenções musculadas das polícias, com uso facilitado de armas, insultos soezes e convites a decapitações de adversários políticos, sem freios na linguagem, sem problemas em apelar ao que de pior existe no ser humano. Um demagogo perturbado. Não alimentem o Ventura, por favor. Também eu votarei em Seguro na segunda volta sem motivos de monta para o admirar (a não ser, para já, a sua incontestável coragem). Qualquer candidato que, ganhando, evite a chegada a um cargo de poder da aberração Ventura tem que merecer o nosso voto. Mesmo que o motivo seja apenas esse.


*Não lamentarei nada o dia em que Montenegro “se vá”. É um incompetente e, com o que se conhece da Spinumviva, um vigarista sem perfil para o cargo. Mas estará sempre vários pontos acima do Ventura, enquanto for democrata.

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Dominguice

Corina Machado entregou mesmo a sua medalha do Nobel da Paz a Trump. Em simultâneo, ambos ofereceram à História um dos momentos mais absurdos e patéticos de que há memória. Mas a coisa teve um epílogo que eu não teria sido capaz de imaginar. É que ela saiu da Casa Branca com um saco daqueles que se dão em qualquer pronto-a-vestir – onde no exterior se via a assinatura de Trump, e no interior transportava bugigangas. Ou seja, a senhora trocou uma medalha de ouro com o seu nome gravado, símbolo de uma das mais prestigiantes honras mundiais, por um saco cheio de quinquilharia do marketing MAGA.

Fiquei a admirar Trump neste episódio. Porque tratou Corina Machado como um dejecto ambulante, sorridente e de saco na mão. Fez-lhe justiça.

Seria lindo

Concordo a 300% com a Guida: a melhor segunda volta possível é Seguro-Gouveia e Melo. Mendes-Ventura, Cotrim-Ventura, Mendes-Cotrim, seriam experiências traumáticas. Seguro contra outro qualquer da direita, é apenas triste. O confronto interessante, com potencial para ser fascinante, seria entre o fulano com dificuldade em se dizer de esquerda, apoiado por passistas e com excelente imprensa entre os direitolas, e o outro fulano que promete, que lança uns fogachos, mas que continua a ser uma incógnita.

Seguro conseguiu recuperar votos no PS e consolidar quem vota PSD pragmaticamente porque não se comprometeu com nada que tivesse alguma importância para a República. Disse merdas convencionais, inanes, e isso agrada a quem vê nele a escolha sem risco. Seguro é conhecido, faz parte da fauna política, pode ficar em Belém a brincar aos estadistas corta-fitas. Já o almirante não foi carne nem peixe, mostrou muita dificuldade em perceber qual era o seu papel (talvez ainda assim continue) e para as pessoas que não querem perder tempo com a política aparece como um tipo esquisito. Se fosse só uma farda a salvar-nos do virus, poderia ter colhido o fervor messiânico. Tendo que tomar posição sobre a miséria institucional que atravessamos, perdeu o voto dos borregos.

Vai acontecer? Não, infelizmente.

As empresas de sondagens já ganharam

Até há relativamente pouco tempo, uma sondagem que apresentasse um número de indecisos superior a 10 por cento não era levada muito a sério. Nesta campanha, o número de indecisos passou a ser irrelevante. Ontem, na CNN, no fim de apresentar as projecções para hipotéticos cenários de segunda volta, o jornalista afirmou com toda a descontracção que 50 por cento dos inquiridos tinham admitido alterar o sentido de voto. 50 por cento?! Que raio de valor tem o tal inquérito? Ora, para os comentadores, é como se se tratasse do resultado oficial das eleições. E, por estranho que pareça, os próprios candidatos também não as desvalorizam com muita veemência.  Se os resultados eleitorais confirmarem as projecções relativamente ao taralhouco do Cotrim de Figueiredo até eu me renderei a estas magníficas empresas.

Posto isto, por exclusão de partes, irei votar em Gouveia e Melo. Caso se confirme a necessidade de uma segunda volta, gostaria que o confronto fosse entre ele e o Seguro. Voltaria a votar nele.

Declaração de voto

Estas eleições presidenciais são uma desgraça, mas evoluíram para se evitar a tragédia, segundo as sondagens. A tragédia seria termos uma segunda volta com Marques Mendes e Ventura (entretanto, viemos a saber que seria igual tragédia calhando passarem Ventura e Cotrim de Figueiredo). Assim, passando Seguro, como parece ser o mais provável, evita-se o mal maior, pode-se ir votar sem ser branco ou nulo.

Seguro é uma desgraça. Se ganhar, vão ser 10 anos de nulidade intelectual e empáfia moral na Presidência. Irá vingar-se do PS, ou de algum PS, e fará da função um exercício puramente narcísico, vácuo, espelho do seu percurso político.

Gouveia e Melo talvez também se revelasse uma desgraça em Belém, tendo largado grossos disparates na campanha à mistura com declarações muito relevantes. Mas nele reside a única esperança de levar para a função a defesa do Estado de direito democrático. Não por mérito próprio, tão-só por ter ao seu lado vários que têm sido paladinos corajosos dessa causa fundamental. Por essa razão, porque numa primeira volta o voto deve ser apenas guiado pela convicção, votarei nele. É o mal menor no boletim de 18 de Janeiro.

Pensei o mesmo quando vi

«Ao longo de demasiados anos as pessoas com experiência de doença mental ou défice cognitivo deparam-se com estereótipos e preconceitos que condicionam a sua integração social. O impacto do estigma na vida da pessoa com experiência de doença mental pode ser tão prejudicial quanto os efeitos diretos da própria doença. Muitas formas de os discriminar têm sido usadas, incluindo frases pejorativas, abundantemente também usadas para insultar quem tem ideias e comportamentos diferentes.

Estigmatizar não esclarece, não protege e não transforma. Pelo contrário, afasta, silencia e perpetua o sofrimento. Se queremos sociedades mais saudáveis e justas, é preciso acabar com este tipo de campanhas, substituir o rótulo pelo encontro e o preconceito por responsabilidade coletiva. Combater o estigma é, em última análise, um exercício de humanidade, a favor da causa ambiental e da saúde mental.»

“Atrasados ambientais”: quando a linguagem adoece

Estranho

Pode não ser estranho aparecer uma denúncia de assédio sexual contra um candidato presidencial em cima da votação. São inúmeras as possibilidades que levam a tal, para todos os gostos. O que acho real e profundamente estranho é o baixíssimo, residual, número de denúncias de assédio sexual face ao total da população e contando as últimas décadas de democracia e legislação para o efeito.

Ou melhor, esse encobrimento não tem nada de estranho. É bem portuguesinho da Silva.

Com Cotrim, tudo é ligeiro e superficial; não admira que se tenha precipitado

Não excluo qualquer candidato, mas teria de fazer uma reflexão profunda”, admitiu o também eurodeputado, no final de uma visita ao Mercado Municipal do Fundão onde teve, a seu lado, o vice-presidente da Assembleia da República Rodrigo Saraiva, a ex-deputada do PSD Liliana Reis e o vereador na Câmara Municipal da Covilhã, que concorreu como independente eleito pelo CDS-PP, Eduardo Cavaco. Questionado sobre se apoiaria o adversário André Ventura na corrida a Belém, o antigo líder da IL reafirmou que, nesta altura, não exclui ninguém.

O André Ventura dos últimos quatro dias eu ainda não conheci. Moderou o discurso e parece um político diferente”, considerou.

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Em declarações aos jornalistas depois de uma visita à adega Vila Real, o líder do Chega reagiu ao facto de João Cotrim Figueiredo não excluir apoia-lo numa possível segunda volta. André Ventura disse ter ouvido as declarações do ex-líder da Iniciativa Liberal com “naturalidade”.

 

Que queridos.

Cotrim de Figueiredo pode ter dado um tiro no pé ao declarar que votaria em Ventura em caso de confronto deste com Seguro na segunda volta das presidenciais. Pois bem, foi dito, está dito, o Ventura não o choca (não desconfiávamos já? Cotrim tem como apoiante um fundador do Chega, Nuno Afonso, ex-braço direito de Ventura). Se os seus adversários da área democrática (Gouveia e Melo, Seguro e …cof cof … Marques Mendes) forem habilidosos, atacá-lo-ão sem dó nem piedade nestes sete dias que restam. Basta lembrarem ao eleitorado que Ventura não é mais do que um candidato a ditador, à laia de Trump, que tanto admira e a cuja tomada de posse nem pôde faltar (mesmo ficando à porta). Se puder, e quando puder, acaba com a democracia e põe-se a perseguir tudo o que seja cigano, paquistanês e preto, pondo o país em pé de guerra, para logo de seguida calar os seus adversários políticos, de raça branca, com recurso à polícia. É isto que Cotrim quer ou não se importa de ver na Presidência da República?

Cotrim ou não pensa antes de falar e é um tipo superficial, no fundo um vaidoso – pouco talhado para a Presidência, ou acha mesmo que o Ventura tem mais qualidades do que o Seguro – e pouco apreço tem pelos regimes democráticos. Um dandy sem cabeça. Saiu da liderança da Iniciativa Liberal porque queria ir até Bruxelas e Estrasburgo ver as modas e agora o melhor a fazer é rua com ele.

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Dominguice

Adorava que Corina Machado desse o seu Nobel da Paz a Trump. Seria um dos momentos mais efusivos da minha vida, não tenho pejo em admitir. Explico. O Nobel da Paz, para lá do prémio em dinheiro, materializa-se numa medalha de ouro e num diploma artístico. A haver uma entrega da coisa, seria então a medalha e o diploma. Medalha e diploma personalizados para a real vencedora, a senhora venezuelana. Ora, parece que Trump aceitaria ficar com esses recuerdos de Oslo grafados com o nome Corina Machado e passar a dizer que o prémio Nobel da Paz era afinal e mui justamente seu. Mas que faria a seguir? Creio que de imediato escreveria por cima do nome dela o seu, e trataria de martelar a medalha com igual intenção. E esta operação seria realizada na Sala Oval, com solenidade e cobertura mediática.

O meu entusiasmo com essa hipótese vai parar aos romanos. Poder descobrir o que terão sentido e pensado enquanto Nero foi o maior artista na capital do império.

E o prémio Nobel da falta de noção e de espinha vai para…

Maria Corina Machado

Não percebeu que Trump não quer saber da democracia para nada. Não percebeu que toda a máquina repressoara de Maduro continua instalada e que  a mudança de governo (que pouco interessa a Trump se puder corromper o actual) só se faria provocando uma guerra civil. Não percebeu que não é intenção dos MAGA pôr americanos a combater pela democracia na Venezuela, eventualmente nem pelo petróleo. Não percebeu que, neste momento, a proposta de partilha do Nobel da Paz é completamente deslocada e absurda. Não percebeu que já deve haver quem ache que o seu prémio não foi merecido.

A democracia tem de ter inimigos, bué deles

Na procura de uma qualquer racionalidade, ou intencionalidade substantiva, nas decisões de Trump 2º, não é possível a quem estiver fora do círculo relacional mais próximo saber se ele decide por capricho ou como marioneta de terceiros. Como neste caso da Venezuela, qual poderá ser o seu interesse pessoal? Podemos oscilar entre a aparente megalomania criminosa e os milhares de milhões de dólares de lucro rapace para empresas e pessoas americanas caso se cumpra o propósito de abarbatar o petróleo. Donde, sendo impossível discernir a lógica causal, resulta desinteressante prosseguir essa via de investigação. Historiadores no futuro desenvolverão as suas teses a partir dos documentos e testemunhos recolhidos. O que tem real interesse é a reflexão sobre a evolução da democracia nos EUA. Trump foi reeleito não apesar de ser um criminoso condenado, depois de uma longa vida de abusos éticos, indecências e deboche, mas precisamente por assumir ser esse ogre infame, sórdido, ignóbil. O eleitorado deu-lhe a vitória no colégio eleitoral e no voto popular. Donde, um democrata tem de aceitar que foi a democracia que tornou possível colocar no poder o inimigo da mesma. E esta característica das democracias não é um erro – antes, e paradoxalmente, consiste na sua maior virtude. Hitler não provou a fraqueza ou disfuncionalidade das democracias, apenas a capacidade para as perverter e aniquilar.

A democracia é o melhor dos regimes porque na sua essência é ingénua e optimista, esperançosa. Os seus inimigos não sabem o que estão a perder, os miseráveis.

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