Pela democracia liberal, contra o autoritarismo populista

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Daqui para a frente já não é sobre socialismo, liberalismo, conservadorismo ou social-democracia. É sobre democracia liberal ou autoritarismo populista.
É entre um político moderado com a rara característica de não se lhe conhecerem telhados de vidro e um extremista que os tem com fartura, que faz da mentira uma arma, do ódio estratégia e do medo o meio privilegiado para atingir o fim que sempre o moveu: poder absoluto.
É entre um democrata que respeita a constituição, a liberdade e as instituições e um protofascista que as pretende destruir e abrir espaço ao regresso da miséria, da fome, da censura, das prisões arbitrárias, da tortura, da guerra, do analfabetismo e da corrupção salazarista. Em triplicado.

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Uns cobardes

Entre democracia e populismo. Entre um racista e xenófobo e alguém decente. Entre quem faz repetidos apelos a Salazar e quem rejeita a ditadura.

Entre um ditador wanna be e um democrata, Cotrim, Gouveia e Melo e Marques Mendes mostraram o seu apoio ao não rejeitarem explicitamente a abjecção. A eles se juntou Montenegro, o qual já tinha mandado as linhas vermelhas às urtigas há muito tempo.

Não foi uma noite má de todo

Podia ter sido melhor se o Ventura não tivesse passado. Mesmo assim, ficou essencialmente pelo mesmo resultado das legislativas.

Agora está na televisão a queixar-se das sondagens manipuladas. É capaz de ter razão – davam-no sempre à frente.

Ficou em primeiro lugar o mal menor. E ganhou o candidato do Montenegro.

A gregar a direita

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Prémio Nobel da Cinologia

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Maria Corina Machado prestou-se ao triste papel de se deslocar à Casa Branca para oferecer o Nobel da Paz a Donald Trump, o delinquente que lidera a Gestapo americana e que tudo tem feito para abafar o maior escândalo de pedofilia da história moderna. Só por isto, já merecia que o prémio lhe fosse retirado. Mas, a julgar pela quantidade de delinquentes que já o receberam, conclui-se que foi business as usual.

Não sei o que Corina Machado esperava deste acto de vassalagem canina, para além do sabor dos sapatos de Trump na sua língua, mas nada mudou. Trump não declarou o seu apoio à senhora, não se comprometeu com eleições livres na Venezuela e vai continuar a trabalhar com o regime, que mantém o exacto mesmo poder interno que detinha antes do sequestro de Maduro. Além da remoção de Maduro, nada mudou. Rigorosamente nada.

Compreende-se este estado de coisas: um delinquente entende-se melhor com os seus pares, e a escumalha que lidera o regime venezuelano não é assim tão diferente da escumalha trumpista. É natural que Trump escolha falar e negociar com os autocratas de Caracas. Ou será que já nos esquecemos que este é mesmo Trump que ataca as democracias ocidentais, ameaça invadir o Canadá e a Dinamarca, e estende a passadeira vermelha a Putin, MBS e Netanyahu?

Qual é a dúvida?

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Nova Ordem Maquinal

Bill Gates says these are his superpowers

Gustavo Santos, o Cristiano Ronaldo da chalupice nacional, foi ao podcast de um indivíduo que fala com uma máquina que desmascara o sistema, ou seja, propaga teorias absurdas sobre vacinas, novas ordens mundiais e restantes talking points do manual de instruções da extrema-direita.
Fun fact: durante a conversa, que não ouvi na íntegra, a bem da minha sanidade mental – mas da qual ouvi partes no Extremamente Desagradável de hoje e da passada Sexta, que vos aconselho vivamente – fiquei a saber que a tal máquina é, afinal, o ChatGPT. O ChatGPT da empresa OpenAI, que tem como principal acionista a Microsoft de Bill Gates, que segundo pessoas como Gustavo Santos e outros utilizadores de chapéus de alumínio é o anti-Cristo que nos quer todos escravos.
Como é que tanta gente come esta narrativa absolutamente alucinada é algo que nunca vou perceber. Se alguém me conseguir explicar, agradeço.

Quem não quer ser Ventura que não lhe vista a pele

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João Cotrim de Figueiredo apareceu no panorama político nacional como uma frescura. Um ar que nos dá. Uma brisa que passa. Tal como o partido em que milita.

“O primeiro partido liberal português”, o que em parte pode ter um fundo de razão, é também uma hipérbole porque do PS ao Chega todos eles, de uma forma ou outra, integram o liberalismo nas suas hostes (seja social ou económico). No entanto, passados meses e anos, aquele que parecia, afinal um partido verdadeiramente liberal transformou-se noutra coisa qualquer que pouco tem a ver com o liberalismo clássico que as ideias iluministas nos trouxeram.

O crescimento da IL, que estagnou, fez-se também a reboque do crescimento do Chega. Se o Chega crescia doze, a IL crescia cinco. Sustentado num discurso radical e, em boa medida, também ele populista, a IL atraiu jovens, empresários e gente da elite económica do país, que ali via um espaço da direita neo-liberal mais assumida. E João Cotrim de Figueiredo foi o seu primeiro líder.

Durante anos, defendi a tese de que Cotrim era dos únicos, dentro da IL, com algum bom senso para não defender ideias libertárias que aproximavam a IL de uma nova extrema-direita que surgia e se colava aos movimentos MAGA nos EUA ou que deu o poder a Javier Milei na Argentina. Enganei-me redondamente. Há uns anos, João Fernando teve uma tirada absurda no Parlamento: enquanto se discutia o racismo e a xenofobia na sociedade portuguesa, o então líder da IL, do alto da sua sapiência, comparou o racismo ao desdém que alguns mostram pela elite financeira. Dizia ele que: “Se substituirmos as palavras ‘negro’ ou ‘cigano’ (…) por investidor privado ou investidor bolsista é arrepiantemente próximo da discriminação e do ódio que aqui (…) queremos condenar”. Ri-me, achei atrevido, mas deixei passar. [Read more…]

O triunfo do bordel neofascista

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Trump foi, de facto, a melhor coisa que aconteceu a Putin. Aliás, foi revelado esta semana que o Kremlin foi alertado pelos amigos de Mar-a-Lago sobre o que acabaria por acontecer na Venezuela no passado fim-de-semana, e mandou retirar todos os seus diplomatas e respectivas famílias do país.

E se o sequestro de Maduro foi um convite a abdução de Zelensky (ou de Cho Jung-tai), a ameaça de invasão e ocupação do território dinamarquês da Gronelândia é para levar muito a sério. E vai acontecer. Será o fim da NATO, ou pelo menos da encenação multilateral, e um convite à entrada dos exércitos russos pela Europa de Leste adentro. Seremos um quintal com dois donos.

Importa sublinhar que quem defende esta a nova estratégia de Trump está, a partir de agora, na mesma barricada que Putin, Lukashenko e Ali Khamenei, por muito que se esforce por provar o contrário. É, aliás, um traidor no contexto nacional e europeu. Claro que tal não irá afectar minimamente os trumpistas. Os membros de um culto fundamentalista nunca foram conhecidos por valorizar a lógica ou a razão. São fanáticos, idiotas úteis, à espera de migalhas. O mais certo é terem destino idêntico ao do marido da cantora cubana pró-Trump que actuou num dos seus comícios, detido pelo ICE para deportação. [Read more…]

Made in Bangladesh

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Isto não é o Bangladesh. Mas as camisolas de campanha do encantador de burros, vêm directamente do Bangladesh.

Nunca acabem, antas com pernas.

ANDRÉ VENTURA ARRASA QUEM APOIA DITADURAS

As relações entre Portugal e a Venezuela esfriaram há alguns anos. Mas não passaram de prazo de validade.

Em 2013, depois da morte de Hugo Chávez – já habituado aos botões de rosa que Sócrates lhe fazia -, Nicolás Maduro assumiu a presidência venezuelana e logo tratou de tentar estreitar as relações entre o seu país e a Europa. Como seria de esperar, Portugal, este país tão forte na letra e tão fraco na acção, estava na linha da frente.

Numa visita à Europa, em Junho de 2013, Maduro aterrava em Portugal. Tinha à sua espera uma comitiva sedenta de negociatas para mascarar as trapalhadas dos cortes e da perda de direitos. Portugal não era novo nas andanças; as relações com o regime venezuelano vinham de trás, com gigajogas à mistura, as relações com a Rússia e com a China viam dias resplandecentes e Angola era uma maravilha para o Estado português.

Recebido pelo primeiro-ministro de então, Pedro Passos Coelho, que resumiu as relações de Portugal com a Venezuela da seguinte forma:

“Não é por de mais dizer que as relações políticas entre Portugal e a Venezuela são excelentes. A visita do Presidente Maduro, incluída na sua primeira deslocação à Europa, é demonstrativa da vontade em aprofundar a parceria existente entre os dois países, fundada numa sólida base de confiança, amizade e compreensão mútuas”, considerou Passos Coelho, numa intervenção de menos de dez minutos.” [Read more…]

Lebensraum

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O cartaz mostra um mapa da “Grande Alemanha” logo antes do início da Segunda Guerra Mundial (fonte) – “Também aqui se encontra o nosso espaço vital”

Lebensraum. Venezuela já está. Colômbia, México, Canadá, Canal do Panamá e Gronelândia na mira. Lajes não é preciso. Já é americana.

O que é que justifica um estado capturar uma pessoa estrangeira e julgá-la, para além de dar palha ao gado na arena internacional (e interna)?

A sofisticada Europa do calibre da fruta não tem tomates para dizer à corja a evidência: O que vocês fizeram foi um crime e não têm o nosso apoio.

Quem te mandou aceitar o Nobel da Paz, Maria Corina Machado?

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Existe uma diferença entre ordenar um golpe de Estado para instalar um fantoche, como os EUA fizerem várias, sobretudo ao longo da segunda metade do século XX, e o que se passou na noite de Sexta para Sábado, que foi uma operação rápida e tremendamente eficaz de sequestro do presidente venezuelano, seguido do anúncio de Trump de que os EUA irão governar a Venezuela e gerir os seus recursos. Uma espécie de colonização-relâmpago.

Maria Corina Machado, que todos esperávamos ver receber o poder das mãos de Trump, e que muito inteligentemente garantiu que mudaria a embaixada venezuelana em Israel para Jerusalém, algo que acrescenta zero à vida dos venezuelanos, mas que demonstra claramente que Corina Machado sabe onde reside o poder real e que está na disposição de se submeter, foi, ainda assim, prontamente descartada por Trump:

“Não tem o apoio nem o respeito do país.”

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O triunfo dos porcalhões

José Gabriel

Vejam-nos em todos os canais. O modo como é dada a notícia. O entusiasmo dos filhos da puta. A submissão, até à oferta anal, da maioria dos comentadores. Que até falam em instauração da democracia, como se a história das intervenções dos Estados Unidos na América do Sul alguma vez tivesse essa preocupação. Foi sempre exactamente o contrário. Lembram-se de Pinochet?
Olhem como quase todos eles se esquecem desta vez, de falar me direito internacional. Os canais televisivos são hoje, sem excepção, a festa dos cevados. Da vacalhada servil. Cérebros, deixaram-nos à porta dos estúdios; só levaram as carteiras.

A posição de presidente da República é a de uma galinha desossada. Diz que vai acompanhar, etc e tal. A fascistagem exulta, quiçá na esperança de que os canalhas norte americanos cá venham fazer-lhe um favorzinho.

Não, criaturas, não está em causa e regime da Venezuela e juízos sobre a sua natureza. O mesmo acontecendo com a já ameaçado Irão. Eu diria precisamente o mesmo em qualquer caso. Mesmo a corja que agora se bamboleia nas televisões sabe que isto não tem nada a ver com democracia nem com narcotráfico, mas com as maiores reservas de petróleo do mundo, mesmo que tenha de se desenterrar a arqueológica doutrina Monroe. Mentem e distorcem porque é para isso que são pagos.

Em vão esperaremos que governantes e responsáveis aflorem o mais pequeno tom de indignação. Agora mesmo o rastejante Marques Mendes mostra a sua estatura de político. Abjecto.

E não esqueçamos a legitimação que este acto confere às outras grandes potências. A Ucrânia deve ter ficado a tremer. Taiwan também. E não esqueçamos e referência de Trump, no primeiro mandato, sobre a posse da Ilha Terceira. Porque já estou a ver os nossos governantes, calças em baixo e cu para o ar, esperando os “libertadores” Yankees.

Quem branqueou o regime da Venezuela?

A resposta nas imagens. Abaixo.

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Pedro Passos Coelho (PSD) e Hugo Chávez.

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José Sócrates (PS) e Hugo Chávez.

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Paulo Portas (CDS-PP) e Hugo Chávez.

A Idade Média digital

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Imagem falsa criada por IA

Esta imagem teve forte circulação nas redes sociais ao longo do dia de ontem.

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A Gronelândia está a salvo

Por lá, pó branco, só se for gelo. Como sabemos, o combate à droga é a motivação destas movimentações. A libertação de Hernández foi uma armadilha extremamente inteligente para apanhar os barões da droga desprevenidos.

A palha já lhe enche a boca

Sem grande surpresa, André Ventura come a palha oferecida pelos americanos.

Diz ele no X, “sem o jugo de um ditador narcotraficante“. Como se este acto pirata tivesse alguma relação com drogas.

É isto que alguns portugueses querem para Primeiro-ministro dissimulado de candidato a Presidente da República?

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Consumir energia americana para fazer este boneco tem o seu quê de ironia

 

Nova Ordem Mundial

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Ainda sou do tempo em que Donald Trump era diferente dos outros, garantiam milhares de trumpettes no país e no mundo.

Ia acabar com a guerra na Ucrânia da noite para o dia, até se tornar mordomo de Vladimir Putin.

Ia denunciar pedófilos e revelar os ficheiros Epstein, até perceber que o seu nome aparecia muitas vezes nos documentos sobre o maior escândalo de pedofilia da história.

Ia defender os valores cristãos até transformar o velório de Charlie Kirk no Super Bowl neofascista.

Ia drenar o pântano até perceber que podia transformar os EUA numa oligarquia onde o nepotismo e as suas amizades pessoais seriam critério de selecção. E assim foi.

Ia acabar com a corrupção, mas depois percebeu que podia lucrar com ela e optou antes por normalizar o suborno e a usar a presidência para corromper e ser corrompido.

Ia combater as elites, mas mudou de alvo e decidiu combater a sobrevivência do americano médio para dar borlas fiscais aos mais ricos entre os mais ricos.

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Começa 2026

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Via Reddit

A mentira das drogas nunca pretendeu ser convincente. É apenas palha para encher a boca na cena internacional.

A pirataria chegou a isto. EUA e Rússia na mesma linha. Twain na mira da China. Teme-se o pior.

E pinar, não?

A malta não pina.

A malta queixa-se da “substituição populacional”.

A malta não pina. Mas queixa-se. Mas não pina.

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ps: quantos filhos, biológicos ou adoptivos, tem o Grande Líder?

O problema deste conjunto de 61 palavras é haver sete ques

Efectivamente, cerca de 11,5% do total.

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O grande negócio da saúde

Os hospitais públicos já não são hospitais, são Unidades Locais de Saúde (ULS).

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Algumas ULS. Que locais são estes?
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Mentalidade de Cristiano Ronaldo

Luís Montenegro, o surpreendente primeiro-ministro português, explicou aos portugueses, na sua mensagem de Natal, que devemos ter a mentalidade de Cristiano Ronaldo, a fim de ajudar o país. Procurando reforçar o serviço público, deixo aqui algumas ligações.

Cristiano Ronaldo sobre Trump: «Desejo conhecê-lo um dia para me sentar com ele, é uma das pessoas de que gosto mesmo porque acho que ele consegue fazer as coisas acontecer e eu gosto de pessoas assim.»;  Ronaldo agradece a Trump o jantar na Casa Branca.

Cristiano Ronaldo sobre Georgina: «Cuida de mim, o que é muito importante, da família, da casa, o que implica muito trabalho. Se fosse o oposto, eu não conseguiria. Os homens não são capazes, honestamente. »

O patrão de Cristiano Ronaldo: «Só este ano, a Arábia Saudita executou 340 pessoas.»; «Cristiano Ronaldo volta a dar voz a campanha internacional da Arábia Saudita»

Talvez o problema de Portugal seja a mentalidade de Cristiano Ronaldo. Adapto um provérbio, a propósito da escolha de Luís Montenegro: diz-me quem elogias, dir-te-eis quem és.

Ginásio para a cabeça

Este texto não foi escrito com o auxílio da inteligência artificial, IA para os amigos chegados. Apesar da comodidade das palavras estatisticamente seriadas, com as vírgulas e os pontos nos sítios certos e sem confundir “à” com “há”.

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Isto não é Portugal

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Cláudio Nunes Valente, cidadão português com autorização de residência nos EUA, que entrou no país em 2000 para estudar na prestigiada Brown University, era o principal suspeito pelo homicídio do físico e professor do MIT, Nuno Loureiro. Suicidou-se pouco antes de ser detido.

Não vim aqui em modo crónica criminal, deixo isso para os populistas profissionais da imprensa sensacionalista, mas quero falar-te sobre o outro lado deste caso escabroso. Sobre o facto de, na sequência do sucedido, Donald Trump ter mandado suspender o programa de vistos DV-1.

Agora repara: por causa de um criminoso, todas as pessoas que se candidataram e entraram nos EUA com um visto DV-1 são agora colocadas em causa. Incluindo outros portugueses, trabalhadores e honestos, sem manchas no currículo. Como se a maioria fosse culpada pelos crimes de uma pequena minoria.

Nada disto surpreende. É a extrema-direita a ser extrema-direita. A extrema-direita que generaliza de forma abusiva para criar medo e alarme, e poder apresentar-se como a solução que não é. E não é muito diferente daquilo que André Ventura, o CH e os incels da quadrilha do palerma que odeia mulheres defendem para Portugal: se um imigrante cometer um crime, sobretudo se for pobre e do subcontinente indiano, a culpa é colectiva.

A grande diferença, parece-me, é que, desta vez, quem vai pagar as favas, nos EUA, serão, também, emigrantes decentes que decidiram deixar o nosso país para procurar uma vida melhor do outro lado do oceano. Emigrantes que muita dessa gente diz defender e representar, pese embora prefira agradar ao corrupto que lidera o culto MAGA, porque o seu nacionalismo está ao nível do de um nazi latino que acredita na superioridade da raça ariana.

Outra diferença é que não há um único registo de um imigrante do subcontinente indiano que tenha assassinado um português em solo nacional. Mas Gurpreet Singh foi assassinado por dois portugueses em Setúbal. É por estas e por outras que a generalização deve ser manuseada com cautela. Nunca sabemos quando nos pode rebentar nas mãos.

Pedófilos em barda

E analfabetos também

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O progresso ortográfico português

I don’t trust him one iota.
Cycling Mikey

Streets and shoesAvenues
Jim Morrison

… indicating that Chinese would face perceptual difficulties in these sounds.
–Zhang & Liao (2023)

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Prestes a terminar 2025, feito o ponto da situação orçamental, quer aqui, quer no Público, convém responder a duas perguntas:

  1. Em termos de montra, o problema esgota-se no OE, na CGE e no DR?
  2. Porque é que Objetivamente é uma coleção da Objectiva?

Começando pela primeira pergunta, responda-se não. Pessoa muito chegada pediu-me recentemente informações sobre as alterações da lei laboral. Remeti-a para sindicalista de conhecimento comum. O documento encontra-se aqui (pdf) e aquilo que nele se lê justifica o não ainda agora indicado.

Repare-se naquela inspectiva

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e nestes respectivos

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Acordo Ortográfico de 1990? Para quê?

Portanto, não.

No que diz respeito à segunda pergunta, a resposta é [Read more…]

Há lugar para os pobres nas residências? E na política pública?

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Foto: Leonel de Castro/Global Imagens (arquivo)

A polémica sobre as declarações do ministro da Educação, Fernando Alexandre, teve tudo o que uma boa polémica de redes sociais tem, hoje em dia: péssima habilidade comunicacional, declarações truncadas em vídeo que se tornam virais, e indignação primária, pedindo a cabeça do ministro de imediato.

Posso falar disto com total legitimidade: vi o vídeo cortado, reagi a quente e pedi a cabeça do ministro. Depois vi e ouvi as declarações completas e percebi que o problema em questão era outro.

Vamos a factos: é falso que o ministro tenha declarado que os alunos carenciados são os responsáveis pela degradação das residências. Este foi o ponto essencial da polémica e é factualmente falso.

No entanto, há um problema subjacente às declarações que é importante salientar e dissecar.

Fernando Alexandre defende que as residências não devam ser repositórios de alunos de classes baixas porque, no seu entender, quando um serviço público é usado apenas pelas classes mais baixas, tende à degradação. Poderá ser isto porque essas classes têm menos voz e menos poder reivindicativo (como defende Daniel Oliveira) ou porque, como o usufruto desses serviços é “pelos pobres”, perde-se o incentivo da sua manutenção e boa gestão.

E é neste segundo ponto que está o grande problema. O ministro pode e deve identificar esta ideia como um problema. Não pode é demitir-se das suas responsabilidades enquanto ministro da pasta.
E tenta fazê-lo quando nos apresenta a sua solução: se as residências foram usadas por outros estratos sociais, então será possível garantir que não se degradam.

Isto cria dois problemas. Em primeiro lugar, diz-nos que, na opinião de Fernando Alexandre, o Estado, no qual ele é o representante da tutela, pode “transferir” a sua responsabilidade de gestão e manutenção da “coisa” pública, se esta for apenas usada ou dirigida para as classes mais baixas.

E em segundo lugar, perpetua o papel das classes mais baixas enquanto classe sem papel ou poder reivindicativo. Porque se a condição para a não degradação é a existência da classe média em convivência com a classe baixa, então a classe baixa torna-se figurante do seu próprio direito, empurrada para um papel subalterno.

Nada disto põe em causa o que devem ser ambições em ter um ensino superior de qualidade, com o seu acesso garantido a quem o quiser frequentar.

O Estado pode e deve aspirar a que as residências universitárias se tornem espaços de diversidade social, abertas à comunidade, talvez até em competição com o sector privado, arrefecendo um mercado que configura a maior despesa de um aluno deslocado.

Mas o problema mais urgente a resolver é outro: tendo em conta a falta de residências, a prioridade absoluta deve ser direccioná-las para os alunos mais desfavorecidos, evitando que o acesso ao ensino superior se torne dependente da classe social; e garantindo a sua manutenção e gestão cuidadas e próximas, aplicando mecanismos de responsabilização quer com os utilizadores, quer com os gestores mais directamente envolvidos (as universidades e os seus departamentos de acção social).

Só assim poderemos ter um Estado equilibrado e que garanta a redução de desigualdades de origem, permitindo que o elevador social que o ministro fala possa funcionar, evitando que se criem, pelo caminho, cidadãos de primeira e cidadãos de segunda.

 

Privados a prestar socorro?

Foto: CNN

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O Ministério Público abriu, nos últimos anos, vários inquéritos a mortes relacionadas com falhas estruturais do INEM. Uma morte que fosse serviria para nos colocar em estado de alerta.

Afinal, quando falha o nosso serviço de emergência médica nacional, o que nos resta como sociedade? Não estamos todos dentro dessas falhas? Ou continuamos, ingenuamente, a ver o Estado como uma entidade quase onírica, muito longe da nossa acção diária, cívica e política?

O INEM tem sido casa de várias situações que nos deviam envergonhar, porque representam uma disfuncionalidade que diz respeito a todos nós. Bombeiros a exigir ao Estado e ao INEM o pagamento de dívidas relacionadas com acções de socorro – ou seja, bombeiros a financiar o próprio Estado; profissionais do INEM que se queixam da falta de atractividade das carreiras, dos baixos salários e da ausência de reconhecimento. Ainda este ano o Ministério das Finanças autorizou a ultrapassagem das horas extraordinárias previstas por lei, para evitar o colapso. E é esta multiplicidade de casos que nos demonstra uma falência do sistema: a sobrecarga de pessoas levadas ao limite para compensar aquilo que o Estado não assegura.

É factual que o orçamento da saúde, em sede de Orçamento de Estado, tem crescido. E isto tem sido usado como argumento em forma de soundbite para atacar o SNS enquanto estrutura pública de suporte aos cidadãos. Mas mais dinheiro não significa necessariamente melhor serviço. É possível, aliás, existir um aumento de orçamento simultâneo com um desinvestimento funcional, quando a valorização das carreiras dos profissionais de saúde não é equiparada à sua importância na sociedade. E tudo isto com um objectivo muito claro: o ataque posterior a um SNS em falência, que abre a porta ao sector privado como salvador óbvio do sistema.

Vem tudo isto a propósito da revolução que o Governo quer operar no INEM, com as ambulâncias de socorro a serem geridas pelo sector privado, segundo parecer da comissão técnica independente. Enquanto mais desenvolvimentos não existem, subsistem algumas questões às quais ainda não temos respostas: quanto custará esta decisão aos cofres do Estado, sendo que a rubrica “aquisição de bens e serviços” do orçamento da saúde representa, há vários anos, cerca de 50% do bolo total? Os privados que ficarão a gerir as ambulâncias vão garantir uma cobertura nacional? Se decidirem não cobrir determinadas zonas, por “questões de rentabilidade”, o Estado vai assegurar essas zonas, pagando em dois lados?

Já não estou em idade política de negar, por princípio, a existência do sector privado na saúde. Mas estou convencido de que essa existência deve estar subjugada a uma lógica de escolha livre dos cidadãos. E a escolha só será livre com a existência de um serviço público de excelência, que valorize profissionais, carreiras e meios, e não com a sobrecarga permanente e a normalização da exaustão.

E se tudo isto parece demasiado longe do nosso dia-a-dia (enquanto não precisamos de chamar o INEM), vale a pena fazer um exercício simples: o que diríamos nós se tivéssemos de lidar com o stress que lidam estes profissionais e nos víssemos obrigados a trabalhar sistematicamente para além dos limites legais porque não há contratações suficientes? O que sentiríamos se o nosso novo chefe (aqui o novo presidente do INEM) decidisse excluir quem não concordar com as mudanças no sistema? A democracia não é apenas um sistema político; é uma forma de estar na vida e no trabalho.

Engane-se quem pensa que este texto e este problema são sobre o INEM. São, na verdade, sobre o país em que queremos viver.

André, a greve e a espinha

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Em Novembro, André Ventura estava preparado para ser o parceiro do governo Montenegro na aprovação da contrarreforma laboral.

Sobre a greve geral de ontem, que criticou de forma veemente, Ventura garantiu tratar-se de “um erro em que só a extrema-esquerda e os partidos a ela ligados conseguem ver qualquer benefício”.

Ontem, dia da greve geral, o mesmo Ventura criticou o governo, que acusou de arrastar o país para aquele desfecho, arvorou-se em defensor dos direitos dos trabalhadores (que obviamente não é), quase quase a filiar-se na CGTP, e disse esta coisa fantástica, que cito: “[O governo] optou por uma espécie de linha liberal, que dá ideia a quem trabalha de que pode ser despedido a qualquer altura, que vai perder direitos e que só interessa quem manda e não quem trabalha, e isso é errado.”

Num mês é uma tramoia da extrema-esquerda, no outro é vil ataque neoliberal do governo aos trabalhadores.

Porquê?

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