2 Dedos de Conversa
... sobre o que nos desaquieta
20 janeiro 2026
a lapalissade do dia
19 janeiro 2026
não perdem tempo
párias da sociedade
"o diabo agarra na tua alma e deita-a ao lixo"
Partilho um apontamento do Vasco Pimentel no facebook, e acrescento: Bem sei que o governo minoritário está preso por arames e acordos parlamentares pontuais, e por isso mesmo me parece que, neste preciso momento da História, Montenegro tem de escolher se quer preservar a Democracia em Portugal, ou se se está nas tintas para o que vier depois dele.
18 janeiro 2026
"we the people"
segunda volta
e o voto dos portugueses no estrangeiro?
17 janeiro 2026
diagnósticos
acudam, que até parece que estamos cercados...
16 janeiro 2026
reflexão
se é para haver moralidade...
um muito de beleza por dia, nem sabe o bem que lhe fazia
15 janeiro 2026
decisões, só decisões
sopa
Tinha de fazer uma sopa, e decidi prepará-la na Bimby, que toda a gente diz que é o ideal para fazer sopas. Escolhi uma receita com muito boa classificação, "sopa de cenoura e feijão verde", e comecei. Pediam batata doce, mas só tinha das normais. E courgette - como não tinha, deitei mais uma batata. Depois diziam "40 g de beterraba". Mas como tenho um saco inteiro delas, despachei logo ali mais meio quilo. Ala!
Pus a cozinhar, com o feijão verde e a cenoura cortados aos bocadinhos a cozer no vapor, e tudo bem.
O pior foi no fim, quando começámos a comer, aijajus. Era uma sopa bipolar! Uma parte dela ia na direcção de creme de cenoura e feijão verde, a outra era claramente sopa de beterraba. Nunca pensei que estes dois sabores se separassem tão bem no palato, e me dessem uma sensação tão clara de haver alguma coisa muito errada na minha comida.
Falei com uma amiga, que me sugeriu acrescentar sementes de girassol torradas. Mas essas, misturadas com os bocadinhos de cenoura, só aumentaram a impressão de bipolaridade.
Entretanto, a minha amiga falou-me de fazer sopas com ingredientes todos da mesma cor. Pensei: boa, tomate e beterraba! Ela sugeriu que lhe acrescentasse, em vez disso, um refogado de cebola e alho. E juntasse salsa (não fiz perguntas sobre a teoria das cores, que a minha vida já estava suficientemente desesperada, não precisava de arranjar lenha para me queimar uma amiga).
Fiz o refogado de cebola e alho e deitei muito tomate. E salsa. Fiquei com um lindo molho de tomate, e hesitei: faço um esparguete e almoço feliz, ou tento salvar a sopa bipolar, escondendo o excesso de beterraba com o excesso de tomate?
Como a minha amiga não estava a ver, deitei metade da sopa que tinha no novo molho de tomate. Ficou tão deliciosa que - catrapum! - decidi juntar a sopa restante.
Ficou tripolar: creme de cenoura e feijão verde numa direcção, creme de beterraba na outra, molho de tomate entre elas.
Mas por essa altura já tinha tanta fome, que comi uma bela pratada. Agora, amanhã, é aguentar a fome até mais não poder, e marcha o resto.
*naperon*
Tenho um armário cheio de naperons herdados de outros tempos. Já não vou para nova: nasci na época dos naperons em cima da televisão e debaixo dos objectos que povoavam mesas, mesinhas e aparadores, e lembro-me bem do naperon 2.0 desses dias: o chapeu de crochet à volta do rolo de papel higiénico que se via em muitos carros, por trás do vidro traseiro.
Muitos dos naperons no meu armário, se já cá estavam quando nasci, são certamente centenários. Portanto, tenho um museu em casa, e nele guardo testemunhos de mulheres que sabiam criar o belo com as suas mãos. Do tempo em que criar o belo com as mãos era um acto natural de vida das mulheres.
Os naperons, concedo, eram um bocadinho inúteis. Mas nada era inútil na passagem de saberes (agora metes a agulha assim, agora dás uma volta, agora puxas), naquele prazer de se entregar à criação, no trabalho meditativo e no domínio da matemática, no brilhozinho dos olhos ao mostrar os trabalhos terminados e perfeitos: prodígios do saber fazer. Nada era inútil na minha própria aprendizagem, no decifrar dos esquemas das revistas, na imensa certeza de que também eu seria capaz de criar algo belo. Não sei quem fez esses naperons, que guardo quase religiosamente e não uso. Não sei que avó, tia, prima ou amiga. Que vida, que preocupações teriam. Em que momentos se aquietavam em paz, a bordar ou a fazer crochet.
Mas, de certo modo, todas elas estão juntas no meu armário - não como num cemitério, "aqui jaz", mas como num lugar de encontro: "aqui vive".
[ Na imagem: um naperon de renda de bilros, feito por alguma mulher do sul da Alemanha, que encaixilhei (já que as televisões actuais não dão para pôr naperons em cima...) ]
****
As outras mulheres que se encontram no Largo:
A Curva
A Gata Christie
Boas Intenções
Gralha dixit
O blog azul turquesa
Quinta da Cruz de Pedra
14 janeiro 2026
joga pedra na Geni
intrigas internacionais
12 janeiro 2026
11 janeiro 2026
Grimaud!
Ia deixar este vídeo só assim, para um entardecer sereno, mas lembrei-me do comentário de um amigo, "há pianos cheios de sorte!" e do comentário seguinte, depois de lhe ter falado do documentário sobre a pianista e os lobos: "fui ver!!!! Aaaaaah! Os sacanas dos vira-latas!!!! Só me apetece sair a uivar!!!!"
De modo que deixo este vídeo, e mais um sorriso bem disposto, com votos de um bom entardecer de domingo para quem passa por aqui.
10 janeiro 2026
09 janeiro 2026
uma pequena humana de Mumbai
(Mumbai, India)
***
