Deixando a análise exaustiva para os politólogos e outros comentadores encartados, ficam apenas algumas breves notas desta primeira ronda eleitoral, para já com dois vencedores – os candidatos que, favorecidos pelo voto popular, passam à segunda volta.
António José Seguro, com mais de 30% dos votos expressos, parte como favorito para a próxima etapa. Com a imagem de político moderado que facilita a conquista de votos no centro político, beneficiou do efeito do voto útil à sua esquerda. O que contribuiu para os resultados miseráveis dos candidatos do BE, CDU e Livre, partidos que revelam uma clara incapacidade de fixar e mobilizar o seu eleitorado e precisam de repensar urgentemente as suas estratégias eleitorais.
Globalmente derrotada foi a direita dita moderada, que dividiu os seus votos entre três candidatos teoricamente fortes, acabando por favorecer o que à partida teria menos hipóteses, o antigo líder da Iniciativa Liberal, que alcançou o terceiro lugar, ainda assim a grande distância de André Ventura, que conseguiu segurar o eleitorado da direita mais radical e de ímpeto fascizante. Curioso é o facto de nenhuma destas direitas supostamente democráticas conseguir sugerir o voto em Seguro na segunda volta contra o protofascismo chegano. Já se sabia, é da História, que nos momentos decisivos de conquista do poder, há sempre uma mãozinha amiga, seja de liberais ou de conservadores, a dar aos fascistas a ajuda de que precisam, e tanto o PSD como a IL parecem não desdenhar prestar-se a esse papel. Mesmo que o candidato apoiado pelo PS seja dos menos socialistas que se poderiam encontrar naquele partido.
Grandes derrotados foram Marques Mendes, o videirinho presunçoso que se autoconvenceu de ser um estadista, e a SIC, a televisão que andou anos a promover esta mediocridade, convencida que fabricava um presidente da República como quem vende um sabonete.
Mal na fotografia ficam também os eleitores abstencionistas, que continuam a perfazer quase metade do eleitorado português. Este desprezo colectivo pela participação democrática não augura um futuro bom à nossa democracia, ameaçada também pela falta de qualidade e o oportunismo de muitos dos que se apresentam a votos. E a logística eleitoral que parece presa ao passado: candidatos que nunca o foram efectivamente a aparecer no boletim de voto, impossibilidade de votar em mobilidade no dia marcado para o acto eleitoral – uma possibilidade que existiu nas últimas presidenciais – ou três semanas para preparar uma segunda volta eleitoral são sinais de incompetência e amadorismo que, com os meios tecnológicos de que dispomos em pleno século XXI e tanta gente com cursos de gestão, são completamente injustificáveis.








