Os Magos Astrólogos e a Estrela de Belém
6 de Janeiro, dia dos Reis Magos, dia do Astrólogo
Muitos pesquisadores, ao longo dos séculos, se fizeram a pergunta que, ainda hoje, incomoda a muita gente:
“Os Reis Magos que foram a Belém saudar o nascimento de Jesus seriam astrólogos ?”
E alguns dos amigos que acompanham nossos textos também nos questionam sobre a possibilidade, uma vez que um elemento celeste (uma estrela) foi o anunciador da boa nova.
Bem, vejamos…
O Santo Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus nos conta (Cap. 2) que, havendo nascido Jesus “em Belém de Judá, em tempos do rei Herodes, eis que vieram do Oriente uns magos a Jerusalém, dizendo: ‘Onde está o rei dos judeus, que é nascido? Porque vimos no Oriente a sua estrela e viemos adorá-lo.’ (…) e logo a estrela que tinham visto no Oriente lhes apareceu, indo adiante deles, até que, chegando, parou sobre onde estava o menino. E quando eles viram a estrela foi sobremaneira grande o júbilo que sentiram. E entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe, e prostrando-se, o adoraram. E abrindo os seus cofres, lhe fizeram suas ofertas de ouro, incenso e mirra.”
Segundo essa tradição, uma estrela teria guiado os três “Reis Magos” até o presépio de Belém. Mas, na realidade, estes nobres personagens seriam não apenas soberanos, mas sem dúvida Magos, no sentido antigo e preciso do termo, isto é, sábios, filósofos e astrólogos do Irã ou da Babilônia. Até mesmo por que naquela época, era comum o soberano ser também um sacerdote, um sábio e, conseqüentemente, um astrólogo.
Teorias existem acerca da “Estrela de Belém”. Há quem diga que era um cometa; Johannes Kepler, astrônomo e astrólogo alemão, considerado um dos maiores gênios da Humanidade, desenvolveu a teoria de que a estrela seria, na realidade uma excepcional conjunção entre Júpiter e Saturno (e talvez Marte), que, sobrepondo-se no céu, teriam apresentado o aspecto de uma única estrela gigante.
Preferimos deixar esse enigma sem solução, mais um dos muitos e fascinantes mistérios da Tradição Cristã. O que importa, de qualquer modo, é o inegável patrocínio celeste, estes sinais do Céu, associados ao nascimento d’Aquele que seria o Salvador da Humanidade.
Diz o historiador Bouché-Leclerq, citado por Serge Hutin, em seu História da Astrologia:
“Dizer que Deus se servira de um astro para avisar aos magos, simplesmente porque eram astrólogos, não enfraquece a conclusão: haviam sido avisados, e, portanto, compreendiam os sinais celestes.”
Ou seja, eram astrólogos os magos que adoraram Jesus. Conheciam a linguagem dos astros e, por isso, puderam compreender a sua mensagem e chegar em tempo de adorar a Criança.
No dia 06 de Janeiro, inclusive, dia consagrado aos Reis Magos, é comemorado o Dia Mundial do Astrólogo.
Esta bela passagem, um dos pontos altos da História da Humanidade, traz em seu bojo e seu significado uma importante mensagem: a de que, através dos sinais dos céus podemos chegar mais perto da Criança Crística, não só aquela que está nos templos e nas igrejas, mas sobretudo aquela que trazemos em nosso coração.
Como reflexão, o poema de Rudolph Steiner, codificador da Antroposofia, com o qual saudamos todos os homens e mulheres que, ao longo da História, em tempos passados ou contemporâneos, ousaram praticar a nobre arte de ler os sinais celestes e transformá-los em informações significativas para a Humanidade.
“Se quisermos festejar o Natal
De modo cristão, deverá existir
Em nós próprios um Pastor e um Rei.
Um Pastor que ouve o que outras
Pessoas não ouvem, e que
Com todas as formas de dedicação
More logo abaixo do céu estrelado;
A esse Pastor, anjos anseiam por
Revelar-se.
E um Rei que distribua dádivas;
Que não se deixa guiar por nada mais
A não ser pela estrela das alturas.
E que se põe a caminho,
Para ofertar todas as suas dádivas
Ao pé de uma manjedoura.
Mas além do Pastor e do Rei
Deverá existir também em nós, uma
Criança
Que quer nascer agora!”
Feliz dia dos Reis Magos!!! Feliz dia do Astrólogo!!!
Na véspera do Natal, uma linda triangulação no Céu, entre Lua, Urano e Plutão
Qual a relação entre o Natal e a Morte?
O Natal é provavelmente a época mais mágica do ano, onde somos como que contagiados pelos ideais de esperança, amor e renovação interior, que pairam no ar e inspiram novos rumos.
Neste dia 24, em plena véspera do Natal, acontece esta bela triangulação envolvendo Lua, Urano e Plutão.
E é bastante auspicioso que este fenômeno aconteça na véspera do Natal, pois seus significados estão associados a tesouros interiores que se revelam e produzem marcantes transformações nas pessoas.
Essa ideia é retratada pelo escritor inglês Charles Dickens em seu Conto de Natal, talvez a mais famosa e bela história de Natal, reproduzida em inúmeras versões cinematográficas e literárias.
Ebenezer Scrooge, personagem principal, é um velho comerciante, avarento e ambicioso, cujo único interesse é o lucro e o acúmulo de riquezas, passando por cima de quem quer que fosse, sem se importar com o sofrimento ou a penúria alheias (esse personagem, diga-se de passagem, inspirou Walt Disney a criar, mais tarde, o avarento Tio Patinhas). O pétreo e gélido coração de Scrooge era completamente insensível às causas humanitárias e aos sentimentos de amizade ou compaixão.
Na véspera do Natal, Scrooge recebe a fantasmagórica visita de Marley, seu falecido sócio que, tão impiedoso e avaro quanto ele, sofria, no além-túmulo, as conseqüências de uma vida voltada ao enriquecimento material e à exploração dos mais humildes. A aparição lhe avisa que ainda há tempo de mudar, transformar-se num ser humano melhor e antecipa a visita de mais três espectros.
O primeiro, o fantasma dos natais passados, evoca a Scrooge o seu próprio passado, cheio de sofrimentos, que lhe encheram a alma de mágoas, ódios, ressentimentos e rancores, endurecendo-lhe o coração. O segundo, o fantasma do Natal presente, aponta-lhe o sofrimento das pessoas que o velho Scrooge explora implacavelmente. O terceiro, o fantasma dos natais futuros, mostra-lhe o seu futuro, sendo odiado por todos e morrendo solitário.
No dia seguinte, Scrooge desperta transformado; um novo homem nasceu, tocado que foi pela magia do Natal: cumprimenta a todos, ajuda os pobres e até dá uma festa!
Uma importante reflexão nestas vésperas do Natal, com essa belíssima triangulação entre Lua, Urano e Plutão: o Cristo só renascerá em nossos corações se pudermos matar algo dentro de nós, que nos impede de ver a magia e a beleza. Para isso, temos que ressignificar fatos, conceitos e memórias e assim destravar o nosso coração.
E o coração é uma porta que só se abre por dentro.
Essa ideia pode parecer um lugar-comum, sobretudo numa celebração que se tornou excessivamente comercial. Porém, como sempre afirmamos, todos temos o nosso próprio inferninho interior! E a pergunta (urano-plutônica!) a ser feita é: que fantasmas nos assombram? Ou, traduzindo, que mágoas, ódios, ressentimentos e rancores nos endurecem o coração e nos impedem de resgatar a sensibilidade e o encanto, da mesma forma que o velho Scrooge não entendia a beleza dos sentimentos mais elevados e humanitários?
Na época do Natal, há o momento propício para que nos livremos de nossos ranços interiores, ressentimentos e mágoas que nossos semelhantes, na maior parte das vezes, sem perceber, nos causam. E, seguramente, não há força mais poderosa para isso do que o perdão. Aproveite, portanto e livre-se dos seus fardos.
Mas lembre-se: Natal é todo dia !!! Todo dia, portanto, é dia de perdoar. Se não por que você seja bonzinho, mas por que, no mínimo, você estará se livrando de ranços que somente servem para travar seu crescimento e sua paz.
O nosso desejo é que, neste Natal, você possa reencontrar a dimensão crística dentro de você e, assim, alcançar uma vida cada vez mais plena, em todos os sentidos.
Um grande abraço e um feliz Natal. E que Deus nos abençoe a todos !
O Sol entra no Signo de Capricórnio – Solstício de Verão
Neste 21 de Dezembro, precisamente às 12h03 (hora de Brasília), o radioso astro do dia, em seu contínuo e inexorável caminho através do Zodíaco, adentra o signo de Capricórnio, iniciando um novo ciclo cósmico e uma nova estação.
Esse fenômeno cósmico-astronômico coincide com a ocorrência do Solstício de Verão, para o Hemisfério Sul, e de Inverno, para o Hemisfério Norte.
Fecha-se, portanto, o ciclo anual, com a última das estações, período de abundância e plenitude da Natureza.
Mitologicamente, o signo de Capricórnio é associado ao Deus Pã, símbolo da natureza e da Totalidade. Irmão adotivo de Júpiter, Pã tinha aspecto antropozoomorfo, ou seja tinha forma mista de homem e animal: patas e chifres de bode e corpo peludo, assemelhando-se, no restante, ao humano. Era dotado de prodigiosa agilidade e força fecundante, envolvendo-se sempre em orgiásticas festividades com as ninfas dos bosques; dava-se prazer, inclusive, se não pudesse obtê-lo com alguma companheira. Teve uma importante participação na luta dos olímpicos contra os Titãs: em meio à batalha, tira uma concha em forma de caracol que trazia presa à cauda e sopra-a com força, fazendo ecoar tão poderoso e tonitruante som que os Titãs (símbolos das forças cegas da Natureza) se põem em desabalada fuga.
Simbolicamente, o signo de Capricórnio relaciona-se com a montanha, símbolo da estabilidade e sedimentação, mas também da elevação ascética e da iniciação. É relevante ressaltar que todas as tradições apresentam mitos concernentes à revelação feita numa elevação: é o caso do Monte Fuji-Yama, sagrado para os xintoístas; ou do Monte Sinai, onde Moisés recebeu as Tábuas dos Mandamentos; ou ainda do Monte Ararat, o único ponto poupado das águas do Dilúvio, onde pousou a Arca de Noé. O próprio Cristo foi crucificado no alto de um monte, o Calvário, símbolo de sua proximidade com os céus. Esse é um motivo pelo qual comemoramos o seu nascimento no período em que o astro-rei transita por Capricórnio: o Sol, símbolo do Salvador, o que tira os pecados do mundo, brilhando no ponto “mais alto” do Zodíaco, Capricórnio, símbolo por excelência das elevações e montanhas.
Uma outra associação simbólica que comumente é feita a Capricórnio e a seu planeta regente, Saturno, é a do joelho, que permite fazer as

escaladas (que, invariavelmente, oferecem obstáculos), mas, atingido o cume da montanha, permite-nos, também, fazer a genuflexão diante do Sagrado, para receber, do Criador, as bênçãos e a Iniciação.
Durante a estada do Sol em Capricórnio, portanto, o Cosmos nos convida a reconhecimento da plenitude e integralidade da Natureza (inclusive a Natureza humana), a mesma plenitude que traz, em seu bojo, a sonoridade primordial que expulsa as forças cegas que nos enchem de pânico. Mas que nós possamos, também, ter a humildade e a disposição para escalar as montanhas, tanto as da existência cotidiana como também aquelas que nos elevam a maiores realidades. E que possamos celebrar a estação do Verão com alegria e plenitude, mas que, sobretudo, essa plenitude esteja também presente em nossas almas.
Aproveite também o momento para conscientizar-se acerca de tudo aquilo que, em sua vida, precisa ser melhor sedimentado, realizado e cristalizado. Os impulsos que você der agora aos seus projetos tenderão a tornar-se em efetividade consistente e estável.
Vamos à ação, portanto!
Aproveitamos o momento para desejar aos capricornianos uma linda celebração de aniversário.
E a todos os amigos um Feliz Verão!
Marte em oposição a Urano
A tensa configuração entre Marte e Urano, indica a necessidade de compreensão e ordenação dos potenciais, possibilitando as reformulações e revoluções que pretendemos.
Há um personagem de Monteiro Lobato, chamado Américo Pisca-Pisca, que resolveu tomar para si o cargo de reformador do mundo. Américo não se conformava com elementos que considerava inúteis na Natureza: a existência de sapos, de
chuva e, o cúmulo de sua insana revolta, como podiam jabuticabas, tão pequeninos frutos, nascer em árvores colossais, enquanto que enormes abóboras cresciam rentes ao chão, num paradoxo aparentemente irracional e ilógico. Sentado à sombra de uma enorme jabuticabeira, contemplava enfezado, os frutinhos. Até que dormiu.
Dormiu e sonhou com um mundo novo, inteiramente reformulado por ele. Um mundo, porém, muito quente, pois não havia chuvas para alimentar o ciclo da água; um mundo cheio de mosquitos e marimbondos, pois não havia sapos para comê-los… Até que despertou, pois uma jabuticaba lhe caíra bem sobre o nariz.
E se fosse uma abóbora?
A tensa configuração entre Marte e Urano é um indicativo de que o Américo Pisca-Pisca em nós pode querer armar das suas. Portanto, esteja alerta. Você pode e deve tentar ordenar o seu mundo. Mas não tente impor suas idéias a ninguém, na marra. Cultive os seus pensamentos e procure perceber o sentido que há em tudo o que existe, inclusive aquilo que é objeto de seus interesses revolucionários. A sua revolta pode estar acontecendo por pura ignorância dos verdadeiros significados das coisas, como no caso do nosso bom amigo Américo Pisca-Pisca.
Cuidado, portanto.
E, evidentemente, você preferirá ser conhecido como um idealista, um louco visionário até, antes de ser tachado de birrento e revoltado, que, de tão enjoado, não consegue convencer ninguém de suas idéias.
E lembre-se: os maiores reformadores do mundo foram aqueles que começaram por reformar-se a si próprios.
Por outro lado, o caráter explosivo da conjunção Marte-Urano deve ser zelosamente observado: durante estes dias, devemos tomar cuidado com acidentes de qualquer espécie, mas principalmente acidentes envolvendo eletricidade ou aparelhos elétricos.
Mas sobretudo lembre-se de que Marte e Urano nos falam de força e ativação, sobretudo no que diz respeito a encarar e a desencadear o novo, o diferente, em nossas vidas e em nossas ações. E nos tempos em que vivemos, quem não faz o novo é atropelado por ele.
Análise ciclológica
Independentemente da qualidade própria desse momento, sinalizada pela quadratura Marte-Urano, do ponto de vista ciclológico cabe também uma observação.
O ciclo sinoidal entre dois planetas se dá da seguinte maneira: na conjunção (quando os dois planetas se encontram no mesmo grau do Zodíaco), inicia-se um ciclo novo, novas sementes são lançadas, algo novo começa. O planeta mais rápido continua avançando e, na oposição (quando os planetas estão a 180º), esse ciclo atinge o seu máximo. Nesse ponto, as sementes lançadas no momento da conjunção frutificam (para bem ou para mal) e rendem resultados. Mas, entre a conjunção e a oposição e vice-versa existem dois momentos em que os planetas se colocam em quadratura (a 90º um do outro). Os pontos de quadratura representam momentos de crise, de oportunidade. A quadratura crescente (entre a conjunção e a oposição) está relacionada a crescimento. Às vezes, nesta fase, faz-se necessário um ajuste ou reordenamento de metas, para que os projetos ou vivências iniciados na conjunção continuem ou até mesmo se extingam de vez. Já a quadratura minguante (entre a oposição e a conjunção) está relacionada a uma crise que solicita novos ajustes, porém com vistas ao encerramento do processo.
E, na nova conjunção, o ciclo é definitivamente encerrado e um novo se inicia.
Alguns desses ciclos duram um mês, como é o caso dos ciclos envolvendo a Lua. Outros duram vinte anos, como é o caso do ciclo Júpiter-Saturno. E outros ainda duram entre dois anos e dois anos e meio, como é o caso deste ciclo Marte-Urano.
Quando observamos esse tipo de ciclo, percebemos que o tempo e seu desenrolar em nossa vida fica impregnado de significados. E vivemos em meio a uma infinidade desses ciclos, que se mesclam e se interpenetram entre si.
A vez mais recente em que Marte e Urano fizeram uma conjunção foi em Julho de 2024. Avalie com cuidado: que sementes você lançou, nos entornos desse momento? Que projetos ou vivências você iniciou aí?
Marte e Urano fizeram uma quadratura crescente em Junho de 2025. Pergunte-se: que tipo de crise de ajustamento seu projeto ou vivência passa, durante esse momento?
A oposição Marte-Urano ocorre agora em Novembro-Dezembro de 2025. Aqui acontece o apogeu do ciclo. Pergunte-se: que frutos você está colhendo agora, nessa fase, relativos ao início do ciclo, em Julho de 2024?
A quadratura minguante Marte-Urano ocorrerá em Fevereiro de 2026. Eis aí o momento da crise final, o princípio do fim do ciclo.
E a próxima conjunção Marte-Urano ocorrerá em Julho de 2026, encerrando este ciclo e iniciando outro.
Fique atento. E aproveite para usar os momentos cíclicos a seu favor, em vez de nadar contra a correnteza cósmica.
Dica Cinematográfica
The Mosquito Coast, um filme surpreendente, onde você vai conhecer uma versão moderna de Américo Pisca-Pisca, interpretada por Harrison Ford.
Marte entra em Sagitário
Continuando o seu caminho pela roda zodiacal, o planeta Marte ingressa o signo de Sagitário, inaugurando um ciclo de transcendência da força e do potencial combativo colocado à disposição de nobres e elevados ideais.
Em torno do Século VI de nossa era, os povos da antiga Bretanha foram unificados politicamente por um chefe tribal que os liderou na guerra contra os invasores saxões, que vinham do norte em numerosos barcos e aportavam nas praias da ilha.
Já no século XIII, um escritor romântico, Sir Thomas Mallory, escreveu o clássico “A Morte de Arthur”, onde narra a épica história de um jovem rei, alçado ao trono de maneira inesperada e que, por seu carisma, coragem e justiça, consegue reunir ao seu redor um grupo de valorosos combatentes, que lutavam pelos ideais de justiça e honra.
Provavelmente você conhece a história do Rei Arthur e dos Cavaleiros da Távola Redonda, a mesa sem cabeceira, onde todos são iguais. Já deve ter visto ou lido uma das muitas versões cinematográficas ou literárias dessa que é considerada a última mitologia do Ocidente.
Há uma hipótese histórica que liga o personagem mítico Arthur a esse chefe tribal da velha Bretanha.
Mas isso, francamente, não nos importa, neste momento.
Queremos chamar atenção para outros aspectos desse sensacional mito.
Há muita riqueza em seus magníficos personagens: o justo Arthur e sua espada Excalibur, forjada com metal vindo do céu; a bela rainha Guinewere; o impetuoso Gawaine; o invencível Lancelotte; a misteriosa Morgana; o poderoso Merlin, o Mago… E claro, o Santo Graal.
O Cálice de Cristo, dotado de miraculosos poderes de cura, que teria sido levado à Bretanha por José de Arimatéia, e que desaparece misteriosamente da corte de Arthur, em Camelot.
Arthur recebe a espada Excalibur
E então todos os cavaleiros da Távola Redonda se põem em busca do Santo Cálice. Essa busca ficou conhecida como a Demanda do Graal. E a maioria dos cavaleiros da Távola Redonda pereceu nessa busca ou retornou a Camelot ferido ou louco.
Muitos eram os desafios e as armadilhas do caminho.
Um, porém, um único cavaleiro, dentre tantos nobres guerreiros, é capaz de reencontrar e resgatar o Graal: Sir Percival, que se destaca não por sua coragem e força, capacidades inerentes a qualquer um dos cavaleiros da Távola Redonda, mas por sua capacidade de compreender o que há de mais além, de refinar a coragem e a força, transcendo-as a um discernimento místico-filosófico que o capacitou a, vencendo primeiro os inimigos
interiores, ultrapassar os obstáculos à conquista do Grande Prêmio.
Esse era o segredo do Graal: somente quem vencesse seus piores medos e pudesse dominar as próprias fraquezas seria capaz e merecedor de resgatar o Cálice.
E apenas um cavaleiro de muita fé seria capaz disso. Percival, o bondoso e religioso Percival, foi o escolhido.
Com a entrada de Marte em Sagitário, somos convidados pelo Cosmos a ativar o Percival dentro de nós. O nosso guerreiro interno, aquele que nos impulsiona, nos ativa, nos ajuda a decidir e a travar as batalhas pela vida, não deixa de ser corajoso, combativo e forte, mas compreende que a cada luta, há um sentido maior e mais elevado.
Se não há um sentido na luta não há porquê em lutar.
Durante a estada de Marte em Sagitário, fique atento aos combates para os quais você está sendo chamado. E perceba que cada um deles pode ser um motivo e uma oportunidade de crescimento. E não se furte a travar os bons combates, aqueles que merecem ser travados.
Marte entra em Sagitário neste dia 4 de Novembro de 2025, aí transitando até o dia 15 de Dezembro de 2025.
Vencer a bestialidade e a própria humanidade e buscar a transcendência, eis a maior das batalhas. E lembre-se do que ensinava Gáutama, o Buda: embora um homem vença mil vezes mil homens em combate o maior guerreiro é aquele que conquista a si mesmo.
Um detalhe importante.
Logo após entrar em sagitário, Marte faz oposição a Urano, o que pode trazer grande movimentação e fatos inesperados ou mesmo disruptivos. Mas às vezes a vida nos aplica umas “raquetadas” que, apesar de doloridas, ajudam-nos redirecionar nossas ações e nossas vidas ao rumo mais adequado.
Fiquemos atentos.
Dicas:
Dada a amplitude e multiplicidade do tema deste artigo, vamos nos permitir oferecer várias dicas:
Literárias:
As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley. A história de Arthur e da Távola Redonda sob o ponto de vista das mulheres (Imperdível!);
As Crônicas de Arthur, de Bernard Cornwell. Trilogia que faz uma crônica bem realística e cruenta do que deve ter sido a Bretanha do Século VI;
A Trilogia de Merlin, de Mary Stuart, que conta a história sob a ótica do Mago Merlin.
Cinematográficas:
Excalibur, de John Boorman
Indiana Jones e a Última Cruzada, de Steven Spielberg
E, se você preferir uma linguagem cinematográfica menos simbólica,
Nascido Para Matar, de Stanley Kubrick
O Sol entra em Escorpião
Continuando seu eterno caminhar pela roda zodiacal, o astro-rei adentra o signo de Escorpião, neste dia 23 de Outubro de 2025, dando início a um ciclo de
resgate do mistério e da transformação.
Escorpião está associado ao mito de Orion, o gigantesco caçador, filho de Netuno, que, de tão hábil, gabava-se de matar qualquer animal que na terra vivesse. A Mãe Terra (Gea ou Gaea) não se conforma em ouvir tal desaforo e envia-lhe um enorme escorpião, desafiando o caçador a matá-lo. Orion faz
pouco do bicho e, com o pé, esmaga-lhe a cabeça; esquece, porém, que é na cauda que se situa o ferrão do perigoso animal; e é exatamente esse ferrão que o escorpião, apesar de ter a cabeça arrebentada, crava na perna de Orion, inoculando-lhe o seu letal veneno. O soberbo caçador morre, padecendo de terríveis dores e será catasterizado (= transformado em constelação) no agrupamento de estrelas que leva o seu nome, a pedido da deusa Diana (= a Lua).
Um detalhe interessante do mito é que também o Escorpião foi catasterizado. E os dois contendores, mesmo depois de se transformarem em constelação, continuam inimigos: quando uma das constelações nasce, nos céus, a outra se põe. E assim, o Escorpião e Órion nunca estão visíveis no firmamento, ao mesmo tempo.
Simbolicamente, o signo de Escorpião representa esse veneno, capaz de matar
(= transformar, transmutar), para fazer transcender para algo que está “mais além”. No livro O Pequeno Príncipe, de Exupèry, é o veneno de uma serpente do deserto que faz o jovem principezinho viajar de volta ao seu pequeno planeta; do mesmo modo, a borboleta “mata” a lagarta, ao transformar-se de uma para outra. Assim também o feto, dentro do útero, “morre” para renascer um ser vivo independente; assim também o adulto “mata” o jovem, quando atinge a maturidade.Viver, portanto, é sinônimo de nascer, evoluir, morrer e renascer, numa interminável seqüência, consoante os ciclos cósmicos.
Compreender Escorpião é compreender o Mistério da evolução, da regeneração e da morte; é compreender a liberação das energias necessárias à transformação. E é, sobretudo, compreender o erro sobre o qual se construiu a nossa civilização: a ilusão de que o eu é a última realidade; de que o progresso contemporâneo e finito é mais importante do que os ciclos infinitos e sutis, muito mais sutis, que se mesclam com a realidade; de que podemos acender as luzes do inconsciente sem venerar o Incognoscível; e de que a realidade superficial das coisas é mais significativa do que a ordem oculta em que ela se baseia.
E lembre-se: já que o Universo e dinâmico e eternamente em estado de metamorfose, a mudança invariavelmente acontece, quer você goste disso ou não. É melhor que as transformações aconteçam sob seu controle e sua opção. Aproveite, portanto, a estada do Sol em Escorpião para detonar as mudanças de que você necessita e que, às vezes, fica adiando, por acomodação ou mesmo por (desculpe a franqueza!) covardia.
Aos nossos amigos escorpianos, nossos parabéns e votos de que tenham uma linda celebração de aniversário!
Duas dicas importantes para você.
Primeira dica:
Pode valer a pena contemplar o Escorpião e Orion, nos céus. São duas das mais belas constelações e facilmente identificáveis.
A partir do dia em que o Sol entrar em Escorpião, você poderá contemplar ambas as constelações, seguindo esse esqueminha simples:
Logo após o pôr do Sol, você poderá avistar Escorpião, na direção do poente.
A partir das 22h, mais ou menos, você avistará Orion, na direção do nascente e poderá acompanhar a trajetória do caçador pelos céus, até o amanhecer.
Posição de Orion por volta das duas da manhã.
Posição de Orion pouco antes do amanhecer
Se você não conseguir ver esses belos espetáculos celestes hoje, não se preocupe: durante os próximos dias, você poderá acompanhar essa mesma movimentação, em horários muito parecidos aos que estão sendo indicados.
Vale a pena! Contemplar os céus e perseguir as constelações é um exercício de infinitude e eternidade. Abastece a nossa alma e faz um contraponto à finitude terrena onde estamos aprisionados.
Segunda dica:
O eterno livro “O Pequeno Príncipe”, de onde extraímos o conceito do veneno da transmutação, acima indicado e de onde podemos colher a pérola abaixo, grande e imorredoura lição de senso de mistério:
“Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos!”
Triangulação Tensa entre Sol, Júpiter e Netuno
Sol, Júpiter e Netuno, entram em conflito, indicando um momento de necessidade
de revalorização da espiritualidade e da fraternidade.
“Na península do Kathiawar, na Índia, manhã cedinho, o sono de um garoto de 12 anos, de casta superior indiana e filho de ministro do príncipe de Rajkot, é interrompido pelo ruído causado pelas rodas de duas carroças sobre o calçamento irregular do pátio externo da esplêndida residência. Curioso, da janela do seu quarto, o jovenzinho observou dois homens, pai e filho igualmente maltrapilhos, despejarem os latões de lixo nas carroças por eles próprios tracionadas.
Minutos após, escovado e limpo, devidamente acomodado para o chá matinal, o garoto indagava da sua mãe sobre os dois catadores de lixo. A reprimenda é severa, posto que ele, segundo a mãe, como filho de ministro de príncipe e de casta superior, não deveria sequer olhar para aqueles dois párias imundos, devendo manter-se à distância daquele tipo de gente.
No dia seguinte, idêntico horário, os latões são descarregados por três pessoas, os mesmos de ontem e mais o jovem filho de ministro do príncipe. Diante do alerta honesto de um dos lixeiros – ‘afaste-se de nós, somos párias’ – a resposta ainda hoje ecoa nos tímpanos dos bem nascidos que possuem consciência social consolidada numa prática transformadora conseqüente: ‘Eu sei disso. Mas isso não me importa nada’.
O desmaio da mãe ao ver o filho carregando lixo, bem como a surra tamanho família ministrada pelo pai, de nada valeram para aquele menino de nome Mohandas Karamchand Gandhi, consagrado universalmente, décadas mais tarde, como Mahatma Gandhi, o profeta da Índia livre.
Sem jamais omitir meus balizamentos gandhianos, alertaria fraternalmente todos aqueles que buscam ampliar a dignificação do Ser Humano para uma data que não deveria findar relegada ao baú do esquecimento: 30 de janeiro de 1948. Naquele dia, Gandhi era assassinado. Um dos maiores baluartes da não-violência ativa tombava, três tiros disparados por um sectário que certamente não entendia o significado das suas palavras: ‘O amor é a força mais humilde, e também mais poderosa, que o mundo possui. O mundo está cansado de ódio’ ”.
O trecho acima, extraído de ensaio do escritor, pensador, consultor e (Querido!) professor pernambucano Fernando Antônio Gonçalves, mostra-nos a força marcante e a personalidade do Mahatma, (expressão indiana que significa “a grande alma”).
Continua o professor:
“Ecumênico, universalmente aberto a todos aqueles que buscavam Justiça e Paz, Gandhi era aprofundado nos grandes
livros da Humanidade: a Bíblia, o Alcorão, os Vedas e os filósofos gregos, tornando-se empolgado, conforme suas palavras, com o Novo Testamento, principalmente com o Sermão da Montanha. Sem abdicar dos seus parâmetros religiosos, não titubeou em proclamar certa feita: ‘Cristo é a maior fonte de força espiritual que o homem conheceu. Ele é o exemplo mais nobre de um que deseja dar tudo sem pedir nada. Cristo não pertence somente ao Cristianismo, mas ao mundo inteiro’. ”
Poderíamos continuar tecendo comentários significativos acerca daquele que foi chamado por alguns de “o maior cristão do Séc XX”, mas não é essa a nossa intenção. O que pretendemos, é a utilização de Gandhi como exemplo ilustrativo do evento astrológico sobre o que pretendemos chamar a atenção: a triangulação extremamente tensa entre Sol, Júpiter e Netuno.
Esse evento astrológico nos convida a uma reflexão mais profunda acerca de nossa prática de vida, de nossa ação espiritual e de nossa fé. O mundo será aquilo que nós construirmos com nossos comportamentos, nossas ações e com aquilo em que acreditarmos.
As ações espirituais são de interesse universal porque na natureza intrínseca da totalidade dos seres humanos estão as ânsias de liberdade, igualdade e dignidade, que todos têm o direito de desfrutar e exercitar.
Numa época em que cada vez mais se fala de espiritualidade, ao mesmo tempo em que menos se pratica, a triangulação Sol-Júpiter-Netuno nos lembra que não basta apenas declarar que todos os seres humanos devem desfrutar de uma mesma dignidade, mas isto deve ser traduzido em ações.
O Cosmos nos lembra que temos a responsabilidade de encontrar caminhos para conseguir uma distribuição mais eqüitativa dos recursos materiais.
E que cada um de nós deve aprender a trabalhar não apenas para si próprio, para sua própria família ou por seu país, mas também em benefício da humanidade inteira.
Há que se refletir, também, nestes tempos de Netuno em Áries, sobre as diferenças entre a religião e o que consideramos espiritualidade ou prática espiritual. Afinal, muito se tem matado e destruído em nome da religião e pouco se tem agido em nome da espiritualidade.
Nessa complexa reflexão, pedimos ajuda, mais uma vez, ao Professor Fernando, esse pernambucano e cristão gota serena de bom, que sabe falar de coisas sérias de forma leve faz do humor e da alegria uma forma de espiritualidade.
Dele o texto abaixo.
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A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma. A religião é para os que dormem. A espiritualidade é para os que estão despertos. A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer e querem ser guiados. A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior. A religião tem um conjunto de regras dogmáticas. A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo. A religião ameaça e amedronta. A espiritualidade lhe dá Paz Interior. A religião fala de pecado e culpa. A espiritualidade lhe diz “aprenda com com o erro” A religião reprime tudo, te faz falso… A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro! A religião não é Deus. A espiritualidade é Tudo e, portanto, é Deus. A religião inventa. A espiritualidade descobre. A religião não indaga nem questiona. A espiritualidade questiona tudo. A religião é humana, é uma organização com regras. A espiritualidade é Divina, sem regras. A religião é causa de divisões. A espiritualidade é causa de União. A religião lhe busca para que acredite. A espiritualidade você tem que buscá-la. A religião segue os preceitos de livros sagrados. A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros. A religião se alimenta do medo. A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé. A religião faz viver no pensamento. A espiritualidade faz Viver na Consciência. A religião se ocupa com fazer. A espiritualidade se ocupa com Ser. A religião alimenta o ego. A espiritualidade nos faz transcender. A religião nos faz renunciar ao mundo. A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele. A religião é adoração. A espiritualidade é meditação. A religião sonha com a glória e o paraíso. A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora. A religião vive no passado e no futuro. A espiritualidade vive no presente. A religião enclausura nossa memória. A espiritualidade liberta nossa Consciência. A religião crê na vida eterna. A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna. A religião promete para depois da morte. A espiritualidade nos faz encontrar Deus em nosso interior durante a vida. |
O planeta Mercúrio entra no signo de Escorpião
Em seu contínuo caminhar pelo Zodíaco, o planeta Mercúrio adentra o signo de Escorpião,
iniciando um ciclo de mergulho no mistério das coisas.
Por anos e anos, a monja Reiko estudou, sem conseguir chegar à Iluminação. Uma noite, estava ela a carregar um velho pote cheio de água. Enquanto caminhava, ia observando a imagem da lua cheia refletida na água do pote. De repente, as tiras de bambu que seguravam o pote inteiro partiram-se e o pote despedaçou-se.
A água escorreu e o reflexo da lua desapareceu… e Reiko iluminou-se.

Ela escreveu estes versos:
De um modo ou de outro, tentei segurar o pote inteiro
Esperando que o frágil bambu nunca se partisse.
De repente, o fundo caiu. Não havia mais água.
Nem mais lua na água. Apenas o vazio em minhas mãos.
E seu significado em minha alma.
A história zen acima, adaptada do livro “Nem água, nem Lua”, de B.S. Rajneesh, o Osho, ilustra lindamente o significado da passagem de Mercúrio em Escorpião. Cada um de nós carrega, por assim dizer, um pote de água, que reflete a luz da lua. Esse pote é a nossa mente, repleta de pensamentos que tentam a tudo controlar. No entanto, sabemos que há dimensões em nossa vida que não poderemos abarcar com a razão ou o pensamento. A essa dimensão chamamos de mistério, ou seja, algo que não pode ser enquadrado racionalmente e que, antes de ser compreendido ou formulado, deve ser vivenciado e experienciado. Não me refiro a conceitos metafísicos ou transcendentais, mas a coisas que fazem parte da nossa vida cotidiana: o amor, a fé, a paixão, a alegria.
Se tentarmos explicá-los racionalmente, jamais chegaremos a um resultado totalmente satisfatório, pois sempre haverá partes desses conceitos que não podem ser alcançadas pela mente. Se nos propusermos, por outro lado, a vivenciá-los em toda a sua intensidade, poderemos sentir o sopro de Deus em nossas ações.
Portanto, desista de compreender e controlar tudo o que acontece ao seu redor, permitindo-se, porém, viver seus significados. Só assim, do mesmo jeito que Reiko só encontrou o que buscava ao ver dissolvida a realidade, bem à sua frente, você poderá assimilar o doce mistério da vida e preparar-se para voos mais altos.
E, após todo esse simbolismo, uma dica bem prática: durante a estada de Mercúrio em Escorpião, atente para as mensagens interpessoais que podem estar sendo passadas silenciosamente. Uma verdadeira batalha e conflitos de poder podem ser travados sem que uma única palavra seja proferida e sem que os participantes tenham consciência disso.
Cuidado, portanto, com o que você mesmo pode estar comunicando nos níveis não-verbais.
Mercúrio ingressa no signo de Escorpião às 13h40 do dia 06 de Outubro deste 2025. E transita por esse signo até o dia 29 de Outubro, quando ingressará em Sagitário, encerrando o ciclo atual e abrindo um outro, cheio de novos significados.
Durante esse período, fique atento.
E lembre-se: Mercúrio em Escorpião nos diz que há segredos que devem ser desvelados; outros, porém, nasceram para serem ocultados.
Portanto, antes de botar a boca no trombone, lembre-se do que nos diz o Zohar, livro sagrado da Tradição Judaica: o mundo subsiste pelo segredo.
O Sol entra em Libra. Início da Primavera!
O astro do dia, em seu eterno caminho ao longo do Zodíaco, adentra o
signo de Libra, dando início à Primavera.
Os quatro signos cardeais, também chamados impulsivos, estão ligados às quatro estações do ano solar. Portanto, a entrada do Sol em cada um desses signos assinala o início de uma estação, estabelecendo um novo ciclo. Assim, ao entrar o Sol em Áries, inicia-se o Outono, para o Hemisfério Sul do planeta; em Câncer, inicia-se o Inverno; em Libra, a Primavera; e em Capricórnio, o Verão.
É importante observar os ciclos da Natureza e seus significados. Durante o Outono e o Inverno, a Natureza míngua, contrai-se, aparentemente até morre, pois a folhas caem, muitos animais se entocam e tudo parece árido. Nesse momento, a semente que foi lançada à terra está se nutrindo, desenvolvendo-se, preparando-se para germinar; igualmente, os animais preparam suas futuras ninhadas. Quando chega a Primavera, todo esse potencial desabrocha, germina e a Natureza irá colorir-se das cores da alegria e da luz. As flores se abrem, as plantas se arriscam a emergir da terra em busca do calor do Sol. Chegado o Verão, essa potência desabrochada atinge a plenitude, a maturidade e é chegada, então, a hora da colheita.
Obviamente, para quem mora muito próximo à linha do Equador, as estações do ano não são assim tão bem delineadas. É mais comum que se pense em duas estações: uma chuvosa e outra seca. Entretanto, qualquer um de nós poderá observar toda essa ciclologia, simplesmente prestando atenção aos nossos
próprios ciclos internos, pois cada um de nós passa, já que o macrocosmos (o Universo) e o microcosmos (o Homem) são reflexo um do outro, por essas mesmas quatro etapas, em cada fase, idéia ou projeto que empreender.
A entrada do Sol em Libra, sétimo signo do Zodíaco, do ritmo cardinal e do elemento ar, acontece neste dia 22 de Setembro, precisamente às 15h19 (hora de Brasília) e marca o início da Primavera, ou seja o Equinócio de Primavera para o Hemisfério Sul, momento cosmicamente convidativo para o desabrochar de nossos projetos, de nossas idéias e de tudo aquilo que pretendemos transformar em realidade. Toda essa fase poderá estar permeada de uma serenidade e uma significativa fantasia que permitirá estabelecer nossos objetivos com equilíbrio e vivenciar a paz e a alegria de viver.
Aproveite, portanto, o momento, lembrando-se de que o desabrochar de sua beleza interna, seus potenciais e sua alegria só tem sentido se for para fora, para o mundo, pois com Libra se inicia o ciclo dos signos voltados para o social, para o que está além do eu individual, ciclo que vai até Peixes. Afinal, não se fala em desabrochar para dentro, não é mesmo?
Aproveitamos para desejar a todos os nossos amigos e leitores uma Feliz Primavera!
E aos librianos, uma feliz celebração de aniversário e mil felicidades no ciclo que se inicia.
Um presente
Para celebrarmos adequadamente, oferecemos um presente poético.
A Canção da Primavera. de Mário Quintana, com quem aprendemos a renascer, a cada Primavera:
Um azul do céu mais alto,
Do vento a canção mais pura
Me acordou, num sobressalto,
Como a outra criatura…
Só conheci meus sapatos
Me esperando, amigos fiéis
Tão afastado me achava
Dos meus antigos papéis!
Dormi, cheio de cuidados
Como um barco soçobrando
Por entre uns sonhos pesados
Que nem morcegos voejando…
Quem foi que ao rezar por mim
Mudou o rumo da vela
Para que eu desperte, assim,
Como dentro de uma tela?
Um azul do céu mais alto,
Do vento a canção mais pura
E agora… este sobressalto…
Esta Nova Criatura!
Vênus entra em Virgem
Neste dia 19 de Setembro de 2025, o planeta Vênus adentra o signo de Virgem, inaugurando um ciclo de reflexão sobre a necessidade de resgatar a pureza e os princípios que regem o amor.
“Eu não sou eu nem sou o outro
Sou qualquer coisa de intermédio
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim até o outro”
Os versos acima, do poeta português Mário de Sá-Carneiro, retratam uma realidade tanto comum como lamentável: o óbvio fato de que a maioria das relações afetivas fatalmente descamba para a mais penosa e tediosa das agonias. Depois de algum tempo, uma boa parte dos casais apenas “vai convivendo”, sem que isso traga qualquer coisa de significativo ou impactante para suas vidas.
A entrada do planeta Vênus, regente do amor e do afeto, no signo de Virgem é um convite do Cosmos para que você repense as formas possíveis de resgatar a pureza dos relacionamentos e revisitar os princípios que regem a sua forma de se relacionar.
Observe-se que, lingüisticamente falando, amar é um verbo. Ou seja, uma palavra que designa uma ação, não um sentimento. O amor, um sentimento, é fruto da ação amar. As pessoas, carentes de significado em suas vidas, é que transformam o verbo amar em um sentimento e acabam sendo levadas por esses sentimentalismos e emocionalidades. O glamour hollywoodiano, a literatura e as novelas de TV nos ensinam que nós não somos realmente responsáveis, pois nosso comportamento é fruto de nossos sentimentos. Mas os roteiros cinematográficos não refletem a realidade. Se nossos sentimentos controlarem nossas ações, estaremos abdicando de nossas responsabilidades e transferindo a apenas uma parte de nós o comando de tudo.
Portanto, amar, verbo, não significa sentir algo, mas fazer algo. Amar é cuidar, proteger, partilhar. Amar é considerar, doar-se, manifestar afeto.
As pessoas que amam de verdade fazem do amar um verbo, pois sabem que o amor é algo que se realiza e se cultiva:
os cuidados, o desprendimento, o colocar os interesses do outro no centro das suas atenções. Amar, portanto, é um bem, um ativo patrimonial na contabilidade dos relacionamentos, um bem que se valoriza por meio de atos amorosos.
As pessoas que amam de verdade subordinam os sentimentos aos valores e aos princípios. Somente assim o amor, sentimento, poderá ser recapturado.
E como começamos com poesia, terminemos idem. Mas desta vez, para nos ajudar a refletir sobre o significado do amor em nossa vida, os versos do poeta pernambucano João Luís Martins:
Acende uma luz na cabana da clareira
E sai a mulher com o brocado de flores,
Ainda em molhadas contas
Cantarolando canções do campo e desejando
Que seu homem fizesse um trabalho bom.
Não queria o ótimo
Queria tudo o que fosse simples
E para repartir o pão-da-mesa bastavam
Os olhos cheios de ternura um com o outro
O coração cheio de amor e a luz da vela
Brilhando as intenções de ambos
Tudo isso queria ela
E o seu desejo dava-lhe luz aos olhos,
Qual a vela, poderia ser.
Lá vem a mulher do brocado de amor
Flores buscadas numa manhã-de-calor
O cheiro do ar forte, como fortes são os dois
Quando se unem à noite ou à tardinha
Bem no cume da clareira.
E ela espera pela vinda dele
E ele espera onde está pela espera do rosto dela
Fitando as ilusões que eles criam:
O trabalho que os dois conspiram em criar
Sua casa arrumada por ele
E o jardim, bom amigo, por ele construído com amor
Sim, o mesmo amor de um beijo
Quando da vela não se apaga com um sopro,
Molha a mão dele na boca úmida dela
E pega na chama
E arde as emoções dos dois
Pois a luz chega ao fim de sua trajetória
Objetiva em iluminar,
Passando ao desafio objetivo em agora
Deixar, no escuro, que vivam um amor
Bem forte como o trabalho,
Cultivado como o jardim,
Querido por todos aqueles corações
Que se unem e deixam-se horas a gastar
A gostar do amor que, aos poucos, os toma aos dois.















