Do olho nasci, morri e vivi Vi o mundo pelo qual tanto sofri Acabrunhado estive quando te conheci Adoentado estou e por isso te escrevi
No espelho, tornei-me o que fingi E desse mundo, sem corpo parti Você me ouviu, mas eu menti E por isso, não consigo mais viver aqui
Te quis desesperadamente, mas covardemente corri Me arrependo, não te ouvi Na ofuscação da minha mente, eu me distraí Meu indubitável erro, já admiti E foi por isso que parti.
Tupac Amaru II foi um revolucionário do século XVIII que ordenou uma das maiores insurgencias indigenas contra o regime colonial espanhol aqui na América Do Sul na região que hoje é o Peru que estava sob o dominio Espanhol desde o dominio dos Incas no século XVI, a exploração e os abusos que acarretaram nessa grande revolta contra os Espanhóis.
Sergio Bagú relata que “Para as minas hispanicas, foram empurrados centenas de índios, escultores, arquitetos, engenheiros e astronomos, misturados com a multidão escrava para realizar um grosseiro extenuante trabalho de extração. Para a economia colonial, a habilidade técnica desses individuos não interessava, e eles eram aproveitados como trabalhadores sem qualificação.”.
Nessa época existia um cacique descendente direto dos imperadores incas, que encabeçou o movimento messiânico e revolucionário de maior envergadura.
Montado em seu cavalo branco Tupac Amaru II entrou na praça de Tungasuca ao som de flautas e tambores, logo em seguida anunciou que condenaria à forca o corregedor real: Antonio Juan de Arriaga, e determinou a proibição da mita de Potosí. Em seguida expediu uma nova proclamação decretando à liberdade aos escravos e aboliu todos os impostos e o “repartimento” da mão de obra indigena em todas as suas formas.
Sua luta foi intensa e prometia que quem morresse na guerra sob suas ordens voltaria e desfrutaria às felicidades e riquezas que tenham sido despojadas pelos invasores.
Traído e torturado junto de sua familia Tupac Amaru II foi entregue e acorrentado aos espanhois. Em seu calabouço tentaram submeter em troca aos nomes de seus apoiadores da rebelião uma oferta de liberdade, Tupac Amaru II com desprezo respondeu: “Aqui não à mais cumplices além de mim e de ti. Tu, como opressor, e eu, como libertador”.
Então Tupac Amaru II, sua familia e apoiadores foram amarrados pelos seus braços e pernas em cavaços, esquartejados, queimaram seus torços e jogaram suas cinzas no rio Watanay.
Mataram todos os seus descendentes até o quarto grau.
— –
**Referências**
Galeano, E. *Veias Abertas Da América Latina*: 70–73