
Scoop não é definitivamente o furo do ano para Woody Allen. Mau? Certamente que não. Menor e possivelmente esquecível relativamente à maior parte da filmografia do autor? Provavelmente. Mas convenhamos, a fasquia é bastante alta. Scoop tem como grande trunfo uma performance refrescante e mesmo atípica de Scarlett Johansson, que afirma o seu talento e versatilidade a cada novo trabalho. A interpretação da jovem actriz assume um tom descontraído, quase acidental, conjugando-se de modo sublime com a presença típica e hilariante do Woody Allen a que já nos habituamos. Infelizmente, encontramos Hugh Jackman ligeiramente apagado, num papel muito “understated” e mesmo ciente da mania de Scarlett de roubar cenas não posso deixar de me surpreender com a discrição de Jackman, especialmente após os fortes papéis que lhe tem passado pelas mãos. O catalisador de todas as bizarras e alucinadas peripécias de Scoop é o falecido jornalista Joe Strombel, que insiste em voltar à terra dos vivos para incitar Sondra Pransky (Scarlett Johansson) a desmascarar o proeminente Peter Lyman (Hugh Jackman) como o famoso assassino da carta de tarot que anda a aterrorizar Londres. Quem lhe veste a pele translúcida é Ian McShane, e fá-lo magistralmente, conseguindo fazer-se notar das poucas e curtas vezes que aparece no ecrã.
Temos nas mãos um prazer tão delicioso como inconsequente, que faz uso duma boa e improvável premissa, de uma narrativa simples e muito “clean” e do humor negro para nos fazer sorrir. Scoop atinge esse objectivo de modo eficaz, sem aspirar a muito mais, através dos maneirismos tão característicos do autor, os diálogos frescos e extremamente bem escritos, e de momentos preciosos, sendo da minha preferência as sequências “entre mundos” em que acompanhamos o barco da grande ceifeira fazendo a travessia das almas para o além.
Ficamos então com uma boa comédia e um filme muito agradável com um elenco fantástico. Não me parece que ninguém fique a perder.
E digo isto com todo o respeito.
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Disconcordem: 6/10
Discordâncias:
Some may dismiss Scoop as “minor Woody Allen” because it doesn’t traffic in major phsychological probes. But it makes you smile. And that’s not such a minor accomplishment.
Dallas Morning News
Filmmaking for Allen appears to have settled into little more than personal habit, like shaving, dining or playing clarinet. The result has from some time been a hit-and-miss process.
Newsday