Depois de dois grandes filmes que cá para mim são das melhores películas de acção do últimos anos está aí a chegar o terceiro e último filme da saga do amnésico e fatal Jason Bourne. The Bourne Ultimatum é realizado por Paul Greengrass que já andou nestas lides no segundo filme da série, The Bourne Supremacy (o primeiro é de Doug Liman), e conta mais uma vez com Matt Damon no papel principal. A estreia em terras do Tio Sam é já este Verão, lá para o dia 3 de Agosto e digo já: estou que nem posso. Mas lá terei que esperar mais uns mesinhos (sabe-se lá quantos para a estreia portuguesa) e entretanto a única coisa que temos para ir roendo é o trailer internacional, que infelizmente, não tem é lá muita carne agarrada ao osso.

E já agora, para quem quer saber mais sobre a cruzada do sniper esquecido ou simplesmente gosta destas coisas de espionagem, snipers, correrias e perseguições, recomendo vivamente que procurem os livros de Robert Ludlum de onde nasceram os filmes. Garanto que se há homem que sabe escrever acção é ele.
E por último, o Ultimato.
Dito na tela

“If I ever start referring to these as the best years of my life remind me to kill myself.”
Dazed and Confused
É mesmo Pó de Estrela ou é só areia?

Um herói apaixonado que tenta encontrar uma estrela caída para dar à sua amada, um reino mágico e proibido aos comuns mortais, uma fronteira quebrada, uma bruxa má e um pirata voador.
Provavelmente mais um filme a atrelar-se à sucessão de supostos épicos fantásticos que tem pululado desde o glorioso Lord of the Rings… É esta a primeira coisa que me cruza o pensamento ao ler esta sinopse que sinceramente não me faz mais nada senão evocar a imagem do já habitual filme povoado de criaturas pouco habituais e CGI, geralmente com açúcar a mais no argumento e de preferência com 3 horas de duração.
Isto é, em circunstâncias normais, não voltava a pensar no caso e continuava a caça aos novos projectos que parecem valer a pena manter debaixo de olho. Mas, por alguma razão, este Stardust tem tido direito a uma grande fatia de internet hype, o que faz com que tropece constantemente no dito durante as minhas buscas pela web.
E quando digo “por alguma razão”, quero dizer: porque para o filme que parece ser, o cast é impressionante. Lendo os nomes Robert De Niro, Michelle Pfeiffer, Claire Danes, Ian McKellen, Peter O’Toole, Ricky Gervais e Sienna Miller, todos associados a um filme que à primeira vista parece o Crónicas de Narnia com gente mais alta, não dá para evitar franzir a sobrancelha e pensar que alguma coisa deve ter para ter esta gente toda nos créditos. Logo, o passo seguinte é dar uma vista de olhos ao trailer, acabadinho de vir ao mundo.
E agora pergunto: mas o trailer não devia servir para deitar a minha primeira impressão por terra e deixar-me a salivar por algo emocionante e original que mereça o hype?
Ou o filme é mesmo um desperdício de dinheiro, talento e CGI ou fizeram um trabalho muito pobrezinho no trailer… digo eu.
Clink here.
Já dizia a mãe do Forrest… The Internet is like a box of chocolates. You never know what you’re gonna get.

Não que eu ache que há algo de errado com a saga do Senhor dos Anéis mas este fim alternativo vale bem os vossos dois minutos!

Ah, os estereótipos hollywoodianos… A loira burra fã (não assumida) de silicone, o nerd simpático e desastrado, o herói solitário com passado obscuro e o menos conhecido homem negro com aura mistíca ou poderes mágicos. Não estão assim bem a ver? Ora aqui estão 13, bem nossos conhecidos.

Quem é que não gosta da Guerra das Estrelas? E quem é que não gosta do R2D2? Então agora que se descobriu mais um uso para dar à tão simpática personagem… Quem é que precisa duma caixa de correio?

Melhor Clink: Os filmes que nos marcam e nos fazem amar a sétima arte não são propriamente um bom bocado. A maior parte das vezes são mesmo bem difícieis de engolir e ainda nos deixam um gosto amargo na boca. E é por isso mesmo que gostamos tanto deles. Os 25 filmes mais perigosos e controversos do cinema, numa lista que vale a pena ler com atenção.
E a rubrica, tá boa?
Tim Burton Day!

O Leão de Ouro da Bienal de Veneza, prestigiado prémio de carreira, vai este ano parar às merecedoras mãos de Tim Burton. As palavras do director do festival, Marco Müller, o responsável pela escolha do homenageado da 64ª edição, dizem quase tudo. Müller classifica o amado autor como um dos cineastas mais arrojados, visionários e inovadores, capaz de emocionar e fascinar os mais diferentes e amplos grupos de espectadores”, evidenciando “o equilíbrio entre arte e indústria” alcançado nas obras de Burton, que considera estarem “fora do paradigma contemporâneo do cinema norte-americano”.
Para rematar a exaltação o director chama-lhe ainda “um génio do cinema que tornou a nova era desta arte mais fantasiosa” e que “possui um talento único para impregnar de profundidade emotiva as histórias que conta”, sendo “mais insolente que a maior parte dos realizadores actuais e ao mesmo tempo menos desejoso de aprovação que a maior parte dos velhos mestres”. Sobre Burton, não há muito mais a dizer. O resto vê-se, sente-se e sonha-se.
Será então dia 5 de Setembro o “Dia de Tim Burton”, a ser celebrado na italiana cidade dos canais.
Dos confins do mundo

Chegou o tão esperado trailer para Pirates of the Caribbean: At World’s End, o terceiro filme da saga e, há que dizê-lo, promete. Para o filme ainda faltam uns meses… vamos lá a ver se a espera vale a pena.
Harry sem Hermione?

O franchise Harry Potter já é olhado de canto por muitos desde o seu início e por muito que goste dos livros há que admitir que a qualidade da maioria dos filmes estreados até agora é indefensável… E agora a já tremida aventura cinematográfica do feiticeiro dá de caras com uma nova crise. A poucos meses da estreia do quinto filme da saga se Harry Potter e do lançamento do último livro, “Harry Potter and the Deathly Hollows”, o trio dourado do cinema ameaça a dissolução. Embora Daniel Radcliffe já tenha assinado o contrato para os dois últimos filmes parece que a menina do grupo, Emma Watson, se está a cansar da brincadeira. Os fãs não estão contentes com a hipótese de ver uma cara diferente no papel de Hermione Granger, mas pelos vistos a rapariga já está farta de ser conhecida como “aquela miúda do Harry Potter”. Compreensível, mas mesmo assim… será que há potencial suficiente para fugir ao rótulo? Typecast’s a bitch…
Metralhadoras de Plástico e Ketchup Extra
É gore, é sexo, é mau gosto, é “hot chicks with guns” e é o comeback do ano. É o regresso da loucura Grindhouse dos anos 70 americanos, tudo graças ao já famoso double-feature de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. E como os fãs estão que nem podem com a ansiedade e já não sabem que mais fazer do tempo para além de raspar as mais raquitícas novidades sobre o filme dos cantinhos mais longínquos da web, o senhor Rodriguez aliou-se ao festival texano de música e cinema South by South West para organizar uma competição de falsos trailers. Estudantes de cinema, fãs tresloucados ou gente com tempo a mais nas mãos, quem quer que sejam os participantes, não perderam muito tempo a arranjar uma camâra e um grupo de amigos dispostos a serem salpicados com litros de sangue falso ou a empunharem orgulhosamente uma metralhadora de plástico em frente à objectiva.
O resultado foi obviamente uma enxurrada de trailers fictícios no YouTube, cada um mais bizarro que o outro, como qualquer um pode rapidamente comprovar escrevendo Grindhouse e SWSX na caixinha de procura. No meio de tantas interpretações más e de efeitos especiais piores lá vamos dando de caras com muito boas ideias, pelo menos para quem partilha do gosto e sentido de humor claramente retorcido e desviante dos “cineastas” em questão. E eu, partilhando, posso dizer muito francamente que parti o coco a rir e que achei alguns dos clips fantásticos. Penso que vale bem a pena dar um saltinho ao YouTube e ver alguns, mas para os conhecer os vencedores não é preciso. Ei-los:
The Dead won’t Die
“This theatre will not be giving refunds to those patrons unable to make it through the most brutal and controversial film ever made.”
Maiden of Death
“And now she’s back, with a new song to play: a symphony of exit wounds.”
Hobo With a Shotgun
“This hero is going to have to deliver justice… one shell at a time.”
Este Hobo with a Shotgun foi o grande vencedor da competição, tendo mesmo merecido um certo interesse de Rodriguez em talvez vir a fazer acontecer respectiva longa. Acho que as t-shirts com o logo já estão à venda algures na net… 😉
Be Kind Rewind

Um acidente industrial causa a magnetização da cabeça de Jack Black (digam lá se isto não começa bem!), o que faz com que este apague inadvertidamente todas as cassetes VHS do clube de vídeo do seu melhor amigo, interpretado por Danny Glover. Ora claro está, isto não cai bem à cliente mais leal do clube, uma simpática velhinha com fortes sinais de demência, não restando outra solução aos dois amigos senão recrear eles próprios filmes como Robocop, Regresso ao Futuro ou o Rei Leão para trazer alguma felicidade à senhora.
Depois de tal sinopse, será normal passarem-nos pela cabeça adjectivos como bizarro, ridículo, estapafúrdio ou mesmo genial. Agora cada um que decida como melhor lhe convier qual a categoria em que vai encaixar uma coisa destas. Mas antes de decidir é melhor acrescentar à equação o facto de que o projecto é de corpo e alma (que é como quem diz realização e argumento) do senhor Michel “Eternal Sunshine of the Spotless Mind” Gondry. Provavelmente influencia o resultado…
Cá por mim, eu só digo: eu quero ver isto!!!
Bonecada do melhor!

Desta vez sem capa, roupa interior por fora das calças ou super poderes, está na agenda mais uma adaptação de livros aos quadradinhos que parecem apelar tanto ao pessoal do cinema por estas alturas. Depois da enxurrada de super heróis dos comics americanos parece que alguém se lembrou dos clássicos francónos, quem sabe até do clássico dos clássicos. O jovem jornalista belga Tintin, criado pelo falecido Georges Rémi, vulgo Hergé, deverá chegar aos cinemas lá para 2009 pela mão da DreamWorks, provavelmente trazendo consigo Milu, Capitão Haddock, Dupont e Dupond, tal como reminescências nostálgicas de tempos mais inocentes, pelo menos para mim. Se em imagem real, animação tradicional ou CGI, ainda não se sabe, mas diz a boa gente dos Hergé Studios que se a primeira fita resultar bem outras mais a seguirão. Por mim, tudo bem.

Ainda falando em “bonequinhos”, não pode passar em branco o anúncio do sucessor de um dos melhores franchises de animação da Disney: a saga Toy Story. A luz verde já piscava há algum tempo e sabemos agora o mais parecido que há com uma data de estreia. O lançamento da terceira aventura de Woody e Buzz Lightyear está agendado para 2010 (tanto tempo…) e Tom Hanks e Tim Allen voltarão a dar a voz ao manifesto. Mais uma curiosidade: o argumento será da autoria de Michael Arndt, que ainda deve estar a decidir qual o melhor lugar para guardar o seu Óscar de Melhor Argumento Original por Little Miss Sunshine.
Só boas notícias!
Às vezes o melhor é esquecer o passado…

Hannibal Lecter é uma das personagens mais marcantes da última década, que nos tem vindo a intrigar a aterrorizar desde o mítico Silence of the Lambs em 1995. O bom (?!) doutor voltou aos nossos ecrãs em Hannibal e The Red Dragon, eternamente encarnado por Sir Anthony Hopkins, que lhe ofereceu o olhar gélido e uma classe e um charme impreteríveis. E agora, a fazer render a galinha dos ovos de ouro e a juntar-se à moda da prequela, cá está, o filme que ignora a conhecida premissa de que o que mais se teme é o desconhecido. Hannibal Rising quer desconstruir e explicar a origem do mal, o que para além de ser areia a mais para a camioneta de Peter Harris, diminui o singular misto de medo e fascínio que a personagem ostentou desde que a conhecemos.
De modo asséptico, desapaixonado e esquemático, Hannibal Rising esmiúça as acções e motivações do seu protagonista, retirando-lhe lentamente o eterno status de vilão, preferindo identificá-lo com o papel do anti-herói. O jovem Hannibal não age movido por um mal incompreensível, mas por vingança. Reza então esta história que, em plena Segunda Guerra Mundial, os pais dos pequenos Hannibal e Mischa são mortos na sua isolada quinta durante um ataque militar, deixando as crianças à mercê de um grupo de soldados que não prezam pela moral. Impossibilitados de regressar devido aos rigores do Inverno, o grupo sente a fome apertar, pelo que acabam por matar a menina para se alimentarem. O pequeno Lecter sobrevive, crescendo obviamente traumatizado num orfanato londrino até à sua fuga para a casa de sua tia, Lady Murasaki Shikibu (Li Gong), uma bela viúva japonesa com quem, já agora, desenvolverá um relacionamento romântico.
Depois, como seria de esperar, Hannibal alterna os seus estudos de medicina com imaginativos homicídios de personagens completamente odiosas e de quem não temos pena nenhuma, normalmente seguidos de um pequeno lanche em honra da sua falecida irmã. E é isto. Um jovem que costumava ser um vilão brilhante passa a vingador duma criancinha inocente, as vítimas são da pior espécie que há, e pelo meio temos um enredo romântico estranho e rebuscado com uma severa falta de química entre os seus protagonistas.
De qualquer modo não estamos perante uma total perda de tempo, sendo a maior mais-valia do filme Gaspard Ulliel que consegue manter o interesse numa história contada em piloto automático, exibindo um aspecto sinistro e frio através duma beleza não convencional e um charme envolvente e próprio. É Ulliel que dá vida aos melhores momentos do filme, mas mesmo assim estes parecem acabar depressa, voltando a deixar cair a narrativa dormência indiferente que nos faz ter saudades de frases e momentos como “I ate his liver with some fava beans and a nice Chianti”, Ralph Fiennes exibindo a sua “tranformação” ou simplesmente o arrepiante sussuro “Clarisse…”
A dualidade da luta interna do homem contra o monstro poderia ser profunda e perturbadora, mas não, tudo parece feito de modo superficial, quase politicamente correcto, anulando-se a ambiguidade e sendo-nos esfregado na cara sem sensibilidade o lado bom e humano que houve no psicopata antes deste ser consumido pelos horrores da própria vida. Para além disso, não conseguimos evitar pensar que não pode ser esta toda a história, que a morte prematura e certamente hedionda da angélica irmã não chega para criar a autêntica personificação do mal que é Hannibal Lecter. Fazendo a pergunta sobre a origem do mal esta história diz-nos que este não é puro mas fruto dum ciclo vicioso, que as vítimas serão os predadores, mas no caso do Dr. Lecter (e pela saúde do nosso imaginário cinematográfico) não é essa a resposta que queríamos ouvir.
O thriller psicológico profundo fica infelizmente esquecido num filme de acção com pouco suspense, que dá para entreter durante duas horas mas que não está de modo algum à altura do nome que o suporta. É uma história pálida e simplista sobre o mal gerado pelo mal, que provavelmente resultaria melhor se, simplesmente, a sua personagem principal não se chamasse Hannibal Lecter.
Disconcordem: 5/10
Discordâncias:
The great thing about monsters is that they glide noiselessly from nightmare straight into myth, fully formed and eternally mysterious. To know what made them is to explain them. And once you explain anything, you begin to lose your fear of it.
Lecter is presented as a soul-dead vigilante who reserves his carnage for the truly deserving; that’s a long way from the Lecter of Silence of the Lambs who kills and tortures innocent and guilty alike.
Newark Star-Ledger/Chicago Tribune
Ulliel’s impressive facial dexterity keeps his expressions devoid of emotion, except for slowly sadistic smiles, careful enunciation, and an occasional Hopkins-worthy eye twitch.
Premiere Magazine
Imaculado Novo Mundo



A poesia em movimento, a perfeição, intensamente sentida, os sentimentos que emanam da terra e vivem no vento, na pele e no calor dos corpos. Silenciosamente, vidas completas que queimam e elevam as mentes de quem vê e ouve como se tocasse e saboreasse. Novo Mundo que paira etéreo, transcendente, acima da realidade, que nos envolve e aperta o coração com a dor insuportável do que será para sempre inatingível. Ímpar para os que crêem o amor com mágoa permanente.
Trágico, marcante, imaculado e dolorosamente sensível, é O Novo Mundo.
O melhor filme de 2006, uma obra-prima, uma marca que ficará comigo enquanto eu for eu.