Aproxima-se a hora da chegada ao grande ecrã do terceiro filme da saga do ogre verde preferido de muita gente. Desta vez Shrek irá ter que enfrentar a possibilidade de ter que seguir o negócio da família da sua amada, isto é, poderá ver-se com uma coroa entre as orelhas, tornando-se o novo rei de Far, Far Away. Escusado será dizer que a ideia não agrada ao ogre, já que deixar o seu pântano recôndito para viver na luz da ribalta não faz certamente parte dos seus planos. Para conseguir mais um final feliz, Shrek terá que encontrar um outro sucessor digno do trono, neste caso o ainda adolescente Rei Artur, impedir o golpe de estado do ambicioso Príncipe Encantado, ajudado pelo Capitão Gancho, o Ciclope, o Capuchinho Vermelho e Mabel, a segunda meia-irmã da Cinderela e ainda lidar com a chegada do seu primeiro rebento.
Ao seu lado estarão mais uma vez o Burro, o Gato das Botas e a Princesa Fiona, desta vez acompanhada por um grupo muito peculiar e aguerrido de famosas princesas dos contos de encantar. A sarcástica Branca de Neve, a Bela Adormecida narcoléptica, uma Cinderela com obsessão compulsiva pelas limpezas e a Rapunzel, que ainda não consegui perceber que particularidade tem, verão os seus papéis de donzelas em perigo invertidos e transformar-se-ão num grupo muito perigoso que não precisa de príncipes para nada.
Sir Lancelot e o Mago Merlim juntam-se também à mistura, num filme que promete tantas gargalhadas como os dois primeiros. A estreia não demora muito, e o trailer e o site oficial já estão por aí para irmos dando uma espreitadela.
Shrek III
Os curiosos casos de David Fincher
David Fincher, o mestre dos jogos psicológicos distorcidos e autor de pérolas como Fight Club, Seven ou The Game volta em força. Já no início de Março irá estrear Zodiac, filme com Jake Gyllenhaal e Robert Downey Jr. sobre o assassino do Zodíaco, o serial killer que aterrorizou São Francisco nos anos 60 e 70, dono de uma insalutar preferência por jovens casais e uma cifra muito pessoal. As expectativas estão em alta, pois a combinação de Fincher, do talentoso Gyllenhaal e de um dos mais místicos e misteriosos (e nunca identificados) assassinos em série promete.
Mesmo com Zodiac ainda por estrear, o realizador iniciou já as filmagens de The Curious Case of Benjamin Button, projecto que andou de mão em mão durante uma década, que relatará a história de um homem de 50 anos que dá por si a ver o tempo a andar para trás, isto é, a rejuvenescer a cada minuto que passa. O elenco incuirá um Brad Pitt gordo e careca a fazer mais uma vez par com Cate Blanchett, após a recente colaboração em Babel. Tilda Swinton e Julia Ormond fazem também parte de um cast promissor que dará vida ao conto de F. Scott Fitzgerald, adaptado ao cinema pelo argumentista Eric Roth. A data de estreia é ainda um mistério, mas não se espera a sua chegada antes de 2008.
Entretanto, mais um serial killer.
Perdido

Breaking and Entering é um drama sobre pessoas falhas de identidade, perdidas, impotentes e impassíveis de encontrar os seus próprios caminhos. É um filme construído sobre o cinzento, a ausência de representações completas do bem ou do mal, da vida a preto e branco. O crime, a quebra da lei, o erro são elementos inerentes à humanidade, como o são a dor e a procura contínua de algo semelhante ao arquétipo individual de felicidade. Os caminhos são obscuros e retorcidos, e cada um deambula pela vida sem mapa, numa busca incessante por algo indefinido mas essencial e os choques entre corpos e vontades são inevitáveis.
Anthony Minghella surge armado da sua natural sofisticação estética e formal, mas parece difuso, perdido, deixando a câmara flutuar ligeiramente acima da superfície dos sentimentos e das dores das suas personagens. As imagens e a sua sensibilidade fria parecem ficar aquém do toque humano, não conseguindo, por alguma razão, aquecer ou perturbar o espectador a um nível mais profundo. De certo modo, a distância e intangilibildade das relações entre as personagens estudada na obra parece reflectir-se na sua relação com o público.
O arranque da história é lento e demoramos a conseguir apontar o tom definitivo do filme, enquanto que o fim parece atar demasiadas pontas soltas após uma trama de emoções indefinidas e profundas que anteriormente assaltaram as personagens revolvendo completamente as suas vidas. As feridas, tão profundas e confusas, que fizeram questionar rumos e vidas, não parecem passíveis de sarar de forma tão limpa e célere, deixando apenas uma leve sombra de dor como de um acontecimento distante no tempo, o que faz com que o desfecho corra o risco de ser insatisfatório e de roçar a implausibilidade.

O prato forte e a melhor arma de Minghella é o cast, em que se destacam Robin Wright Penn, que ostenta uma interpretação poderosa com base no silêncio, dotada de uma subtileza gélida que desenha a ténue linha entre dor e frieza e Juliette Binoche, com uma intensidade habitual, que é o retrato da deslocação emocional e espacial e do desespero (mal) contido. Jude Law parece melhorar com a idade e assume aqui o protagonismo com classe e sangue-frio, mas parece diluir-se enquanto Penn ou Binoche lhe roubam subtilmente as cenas. Vera Farmiga é também digna de nota, dando vida a uma personagem tão ambígua como alegórica que proporciona ao filme um equilíbrio que evita o negativismo total e oferece os únicos sorrisos que possamos retirar da experiência, tal como um paradoxal sentido de esperança na natureza humana.
Sob o olhar de Minghella e o vaivém de Will (Jude Law), Londres torna-se quase uma personagem activa no enredo, adquirindo uma luz e uma vida pouco habituais e aparecendo levemente surpresa, paralisada e cansada perante a velocidade alucinante própria de uma cidade cosmopolita que duvida da própria identidade.
Estamos definitivamente perante uma obra cuidada, inteligente, civilizada e contida, mas que se sente estranhamente aérea, distante e difusa e que transmite para fora a frieza que se deveria cingir apenas ao seu interior.
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Disconcordem: 6/10
Discordâncias
Anthony Minghella’s film is conspicuously thoughtful and civilized as it provides a close-up snapshot of particular aspects of life in London at this moment.
Variety
Despite Minghella’s admirable attempt to tackle major themes on an intimate scale, the film goes down like weak tea.
Rolling Stone
A Spike Lee Joint

Os bons filmes precisam de amadurecer. Só o tempo determina o seu triunfo ou esquecimento, não só aos olhos do público em geral e de potenciais seguidores de culto como na mente de cada um.
Há filmes que me entusiasmaram bastante quando os vi pela primeira vez, mas que passados dois anos, ao ouvir novamente o título numa qualquer conversa perdida, descubro com leve surpresa que não tenho grande memória do filme, pelo menos emocional. Não sinto o entusiasmo e a leve ansiedade que costumo associar aqueles filmes que realmente me marcaram e percebo que o filme, embora possa ser bom e ter os seus méritos, não resistiu à passagem do tempo.
O contrário também já aconteceu a toda a gente. Há sempre aqueles filmes que de cada vez que os vemos nos parecem melhores.
No fundo, levo sempre um bom par de anos (e de visionamentos) a descobrir realmente quanto gosto de um filme.
Sei que sempre gostei muito d’A Última Hora, mas só ontem descobri que o adorava. É um clássico moderno que terei orgulho de mostrar aos meus filhos daqui a 20 (?) anos. Aliás, até chega a ser uma boa razão para procriar, só para ter a quem obrigar a ver e amar o filme desde cedo.

A direcção é de Spike Lee e o destaque na interpretação vai para além do sempre brilhante Edward Norton, com um grande papel para Phillip Seymour Hoffman e também Barry Pepper , Rosario Dawson e Anna Paquin.
Entre muitas cenas fortes, encontra-se uma em especial que já se tornou clássica e deverá permanecer nas memórias colectivas da nossa geração por muito tempo: o monólogo de Montgomery Brogan em frente ao espelho. “Fuck you!”
Outros momentos que ficarão na minha memória serão, por exemplo, a cena do beijo ilícito na discoteca e a silenciosa e desesperante cena da realização do último pedido do futuro condenado. “I need you to make me ugly”.
Quem não viu, devia tratar disso, quanto mais não seja para poder discordar. No entanto, é sem dúvida uma obra que deve ser conhecida, pensada e sentida.
O silêncio no passar das estações
Primavera, Verão, Outono, Inverno… e Primavera é uma vida com poucas palavras, que encontra silenciosamente todos os sentimentos – a paz, a luxúria, o amor, a revolta, a traição, a vingança, o ódio e a redenção.
O tempo passa por portas que se abrem e fecham, que se atravessam e contornam ao sabor das estações e das emoções, calcorreia caminhos inesperados e dolorosos que acabam sempre por retornar ao ponto de origem, uma casa flutuante num lago remoto. Ki-duk Kim funde o homem com a Natureza, vergando-o às suas leis e ao seu ritmo, sempre sereno e inabalável, com a arte em cada imagem.
Encontrar um caminho, um exemplo, um lugar e aprender a abraçar os silêncios da vida.
The Dark Knight Returns II

Perdoem a (aparente) redundância, mas não encontrei esta informação a tempo de a incluir no último post. No entanto, agora que me deparei com estas pérolas, não resisto a divulgá-las e o mais rápido possível.
Já corria por essa internet fora o rumor de que Harvey Dent, mais conhecido como Two Face, iria dar também o ar de sua graça na sequela de Batman Begins para fazer a vida negra a Bruce Wayne, juntamente com Joker (Heath Ledger). Two Face já passou pelo grande ecrã no terceiro filme do herói da BD, Batman Forever de Schumacher, sendo então encarnado por Tommy Lee Jones. Desta vez é ainda incerto quem lhe dará vida, mas é já sabido que Matt Damon recusou o papel e que há interesse em Jamie Foxx e… Edward Norton. Torna-se difícil discernir o critério que está a ser usado pela produtora Warner Bros. e por Nolan para o cast do vilão, mas as hipóteses são certamente interessantes. Se eu tivesse voto, o meu iria para Norton.
Como já disse no post anterior, Katie Holmes não voltará ao papel de Rachel Dawes, já que preferiu fazer um remake de um tele-filme britânico chamado Mad Money com Queen Latifah. Bem, somos o que escolhemos… Mas a curiosidade é que Rachel, a amiga de infância de Bruce Wayne, voltará a estar ao seu lado nesta nova aventura, o que deixa no ar a questão sobre quem irá substituir Holmes no papel. E sendo do conhecimento geral de que normalmente dar continuidade a uma personagem com uma cara diferente não é das melhores apostas… hesito.
O filme iniciou já a pré-produção a 11 de Janeiro deste ano e a data prevista para a estreia em solo americano é dia 18 de Julho de 2008.
Entretanto, as especulações e as expectativas crescem proporcionalmente e posso garantir que este será um assunto seguido de perto no LeStrange.
The Dark Knight Returns

Fãs do Batman, alegrem-se. Esta é uma boa notícia. Katie Holmes não fará parte do elenco do próximo filme do Cavaleiro Negro, que voltará a estar à mercê das ordens de Christopher Nolan. A película chamar-se-à precisamente The Dark Knight, pelo que pressuponho que terá os seus alicerces na aclamada representação de Frank Miller do herói.
Christian Bale voltará (para meu gáudio pessoal) a vestir a capa negra, acompanhado mais uma vez por Michael Caine e Gary Oldman. Em matéria de vilões, o Joker está também de volta e irá ser interpretado, para supresa e desconfiança de muitos, por Heath Ledger. Chamem-me ingénua, mas este facto não consegue abalar a minha confiança no projecto, já que Christopher Nolan e Christian Bale são sempre do bom e do melhor no meu dicionário e Heath Ledger já provou ser muito mais do que uma cara bonita (ao contrário na menina Holmes). Para além disso, para me conseguirem estragar um Batman é preciso mesmo muito. Assim tipo um Joel Schumacher ou um cataclismo parecido…
As crianças são o futuro… de Hollywood
A nomeação de Abigail Breslin, a cada vez mais amada Little Miss Sunshine, trouxe regozijo e e um refrescante sentido de justiça feita a muita gente. As aclamações do talento da pequena proliferam e tem surgido, como seria de esperar, as inevitáveis comparações com outros child actors dos nossos dias, nomeadamente a prolífica Dakota Fanning. Numa nota pessoal, admito que nunca simpatizei particularmente com a última, enquanto a doce Abigail me conquistou à primeira tentativa, em Signs.
No entanto, todo este falatório lembrou-me de um artigo sobre os pequenos actores que aparecem (ou não) nos nossos ecrãs, com que me deparei há uns tempos e guardei por capricho. Tem a sua piada, a título de curiosidade e penso que se adapta à situação.
“Abigail Breslin será a próxima Katharine Hepburne. A sua estreia foi em Signs, de M. Night Shyamalan e o seu futuro é altamente promissor. Breslin deu seguimento à carreira com vários papéis adequadamente femininos e “queridos” até acertar em cheio este ano (passado) com Little Miss Sunshine, o tão aclamado filme de Sundance com direito a rumores sobre possíveis nomeações para os Óscares (já não). Independentemente do rumo que a noite dos Óscares possa tomar, Breslin continua a jogar bem com os seus trunfos, equilibrando papéis em comédias românticas (todos sabemos como isso resultou bem para a senhora Kate) com trabalhos mais infantis. Agora tudo o que ela precisa é de um Spencer Tracy de 10 anos.”
“Dakota Fanning irá dominar o mundo. Podemos discordar, mas o facto de que a actriz de 12 anos e a sua legião de ajudantes e lacaios têm mostrado uma audácia quase maquiavélica na construção da sua carreira é incontestável. De que outro modo se pode explicar que ela tenha contracenado com oscarizados (ou futuros oscarizados) quatro vezes antes dos 10 anos? A miúda tem amigos poderosos e continua a arranjar mais.”
O artigo da MSNBC elege também o jovem actor mais susceptível de vir a participar no “Surreal Life” devido ao curso bizarro que a sua carreira está a tomar, o próximo Alec Guiness, a actriz que provavelmente irá experienciar um renascer espiritual, renunciar Hollywood e ir viver para uma quinta, o petiz que apresenta fortes possibilidades de ser o anti-cristo em carne e osso e aquele que irá ser vítima de typecast sem dó nem piedade para o resto da vida, entre outros. O artigo pode ser lido na íntegra e sem traduções e adaptações duvidosas da minha parte aqui.
Chegaram as nomeações!
Melhor filme:
Melhor Actriz:
Melhor Actor Secundário:
Melhor Actriz Secundária:
Melhor Realizador:
Melhor Argumento Original:
Melhor Argumento Adaptado:
Alguma surpresa? Preferidos? Injustiçados? Opinem!
The Queen

The Queen relata os eventos que seguiram a trágica e inesperada morte da Princesa Diana – as lágrimas, as homenagens, os conflitos, as repercussões, a desesperada e tantas vezes injusta atribuição de culpas. Narra, num ritmo constante, calmo e contido, uma semana que não será facilmente apagada pelo tempo para o povo britânico ou para a sua rainha, Sua Majestade Rainha Isabel II. Cada cena é marcada indelevelmente por um profundo confronto, uma dualidade contrastante. O sofrimento massivo e quase histérico do povo britânico contrasta com a dor discreta e contida da monarca, tal como as opiniões da família real e do recém-eleito Primeiro Ministro, Tony Blair, quanto ao procedimento indicado são profundamente divergentes.
As imagens sucedem-se exprimindo silenciosamente o intenso conflito pessoal da Rainha, subentendido e doloroso, próprio de uma mulher reservada que valoriza o seu domínio privado e que leva muito a sério o seu papel na esfera pública, que se vê numa situação que não compreende, em que enfrenta uma nova ordem de valores e se vê compelida a subverter os valores rígidos com que foi criada. Os protocolos são de vital importância para a monarquia, mas o povo ignora-os e exige tratamento real para alguém que abdicou voluntariamente do seu estatuto de membro da família real .
Tony Blair (Michael Sheen), ainda inseguro no seu novo cargo, está convicto da necessidade de Isabel II (Helen Mirren) vergar a sua vontade à do povo enlutado, apercebendo-se gradualmente de que a irredutibilidade da posição da rainha lhe poderá mesmo custar a coroa. A dualidade entre os ambientes domésticos da residência real e da casa do Primeiro Ministro é também altamente denunciadora da alienação da Família Real relativamente ao seu povo. Na casa da família Blair vemos reflectida a classe média, uma vida “normal”, imperfeita e irregular, numa casa em que tudo se discute, tudo é dito, mesmo que as vozes não sejam concordantes, enquanto que a Família Real é um aglomerado de relações construídas sobre o não-dito, o contacto é polido e apropriado, sendo a linha entre a contenção e a frieza ténue e nem sempre discernível.
A Rainha mostra-nos o reverso da moeda de modo imparcial, mordaz e mesmo sarcástico, com recurso a um humor inglês refinado e subtil. Perante uma situação tão perturbadora, complexa e inesperada, a Família Real foi culpada e aviltada pelo povo, tanto quanto a falecida Princesa foi elevada ao estatuto de heroína nacional. Mas nesta película ninguém sai incólume, ninguém é louvado nem vilificado incondicionalmente. Existe uma profunda humanização dos intervenientes, sendo cruamente exposta a cobardia, a nobreza, a frieza, a cumplicidade, a mentira e a teimosia. Mesmo no caso da (quase) intocável princesa é exposto o “outro lado”, ignorado pelo público. É feita de modo acutilante, através do uso da imagem documental, a oposição entre a Diana privada e a Diana pública, santificada, nascida das revistas cor-de-rosa, das obras de caridade e das entrevistas chorosas em tom de martírio e heroísmo trágico.
A rainha sente o peso do mundo nas costas, visível na expressão da soberba Helen Mirren, ao ouvir as crescentes exigências populares por lágrimas, manifestações públicas de dor e pesar e por um funeral real para a Lady Di do povo que ela não conhecera. Incompreendida, a sua rigidez de valores transfigura-se para o povo em frieza, culpa e ódio. O público apontava um dedo acusador à monarca considerando mesmo o fim do seu reinado e do próprio regime. Pressionada, antevendo a possibilidade de uma grave crise política, Isabel II acabou por ceder fazendo uma declaração pública em honra da ex-nora e concedendo honras reais num funeral extremamente mediático e crivado de celebridades.
No entanto a questão subtilmente colocada por Stephen Frears é se terá sido esse o procedimento correcto. Não estaria a Rainha correcta nas suas convicções? Não deveria ter permanecido fiel aos protocolos que sempre fora compelida a seguir e respeitar? Deveria o circo mediático e a fúria das celebridades atingir proporções tais que rompesse a tradição do próprio regime monárquico?
Pertinente, acutilante e sublime.
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Disconcordem: 8/10
Discordâncias:
A Rainha é a comédia mais reverentemente irreverente imaginável. Ou talvez seja a comédia mais irreverentemente reverente. De qualquer modo, é uma pequena obra-prima.
New York Magazine
Aborreceu-me. Permanecendo um enigma, a Rainha Isabel não tem “perfil” de personagem.
Filmsinreview.com
Bunnies!
Este é na minha opinião um dos pequenos tesouros mais deliciosos que já encontrei por esta Internet fora. Num ritmo acelerado e com um trabalho de voz hilariante, uma trupe de coelhinhos talentosos proporciona-nos interpretações muito próprias e perspicazes de filmes clássicos e de grandes sucessos. Podemos ver títulos tão familiares e distintos como Alien, Casablanca ou Pulp Fiction em versão de animação, condensados em apenas 30 segundos. A última estreia do site criador foi Borat: Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan, que chegou aos nossos pequenos ecrãs no passado dia 16, com direito a honras de destaque na Hit List do iMDB. Os clips são extraordinários, mas é preciso muita atenção (ou vários visionamentos), pois todos os pontos essenciais de cada filme são abrangidos, incluindo o final, portanto se não viram o filme em questão, não vejam a versão coelhificada! Todos os “re-enactments” são altamente recomendáveis e vale também a pena ver as outras criações das mentes do angryalien.com (fundo da página) e a impagável entrevista com a estrela de todos os filmes: o coelho.
Para 30 segundos bem gastos clicar aqui.
Globos com mais ou menos brilho
Querendo ou não, os Globos de Ouro já foram distribuídos, os dicursos de aceitação proferidos (um bem-haja ao Hugh Laurie) e os comentários sui generis do novo ódio de estimação da blogosfera, Liliana Neves, comentados e repetidos à exaustão.
Tudo o que resta são os juízos de cada um, as surpresas agradáveis, os justos vencedores e aqueles que acreditamos terem saído do recinto com o globo destinado a um outro nomeado. É a vida. Quem ganhou, já todos sabem… quem deveria ter ganho… cada um terá certamente o seu parecer no assunto. Aqui está o meu.
Melhor Musical ou Comédia
E o vencedor foi: Dreamgirls de Bill Condon. Neste caso não posso dizer que a vitória não foi merecida já que não vi o filme, embora possa sim dizer que não me parece de modo algum o meu género. Neste caso, senti-me defraudada apenas porque realmente torcia por Little Miss Sunshine ou, como “second runner-up”, Borat (sim, sou das que gostei).
Melhor Actor Secundário
Mais uma vez Dreamgirls levou a melhor, no que foi certamente uma boa noite para o musical. Ora eu espero bem que quando surja a oportunidade de ver o filme, Eddie Murphy brilhe no grande ecrã como nunca brilhou, porque para ultrapassar o grande Jack Nicholson e o seu papelão em The Departed é preciso ter alta estaleca.
Melhor Música
Os pinguins têm realmente estado em alta neste último par de anos. Desta vez foi a animação Happy Feet que levou um prémio para pôr na estante, com a canção original “The song of the heart” de Prince. Aqui a minha contestação não tem qualquer fundamento racional a não ser o facto deste filme me irritar profundamente e de se ter tornado para mim um dos maiores filmes “love to hate it” deste ano. E não é pelos pinguins, que eu até acho os bichos engraçados.
Melhor Actriz Drama (Televisão)
Kyra Sedgwick em The Closer conseguiu conquistar muita gente. A mim nem por isso, mas a verdade é que se trata de um feudo já com alguns anos. A série não é ainda exibida em Portugal, mas graças ás maravilhas da Internet já vi alguns episódios. Nada contra a série, que tem o seu quê de interesse embora não inove por aí além, mas Kyra, pura e simplesmente, não me cativa. Isto ao contrário da fantástica Patricia Arquette que basicamente leva Médium ás costas, e bem longe, na minha opinião. Grande série, grande protagonista. Merecia o globo.
São, portanto, as pequenas desilusões da praxe. Mas no fundo o mundo é justo (ou não) e o equilíbrio foi reposto, para meu gáudio pessoal, com as vitórias de Hugh Laurie (Melhor Actor Drama TV), Grey’s Anatomy (Melhor Drama TV), Martin Scorcese (Melhor Realizador) e Sacha Baron Cohen (Melhor Actor – Musical ou Comédia).
Vendo assim a coisa, o saldo foi positivo.













