O que fazer com essa Bad

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Olho no espelho e não me vejo. Quem é esse? Onde estão meus amigos? Por que as pessoas me chamam para tudo o que é profissional ou acadêmico, mas para sair, comer algo, beber algo, nem me convidam? Que tipo de pessoa desinteressante eu sou?

Apaguei meu Facebook e Twitter há três meses. Agora apaguei o Instagram e o Beme. Falta só o whatsapp. Por quê? Porque não me acho interessante. Porque tenho vergonha de existir, de que vejam minhas fotos, leiam meus pensamentos. Na verdade, minto! Eu até me acho interessante, sim, e gostaria de encontrar alguém assim como eu. Porém, não acho que alguém mais acredite nisso. A prova está aí, não é baixa auto-estima, são evidências: pessoas que gostam de você e o querem por perto convidam para sair, buscam conversar, lembram que você existe. Mas isso não acontece. E eu cansei. Cansei de correr atrás, de perguntar se podemos sair pra tomar um café, conversar, etc etc. Esse interesse não existe nas pessoas que conheço, nem no povo da facu, nem em amigos de muito tempo, salvo raríssimas exceções de baixíssima frequência.

Apagar Facebook, Instagram, etc, além de evitar o vício nessas redes sociais, é medida de segurança. Assim, eu deixo de ver e saber que virtualmente todo mundo que conheço sai e se diverte e nem um convite mínimo aparece. Ou tenho os amigos errados ou sou muito, muito, MUITO chato! Ou as duas coisas.

Sim, já está óbvio que estou na Bad hoje. Ontem vi uns amigos da facu, lá pelas onze da noite, se encontrando pra balada. Nem sabia que iriam sair. O mesmo pessoal que sempre pega carona comigo, que pede ajuda nas matérias da facu. E nem um convite. A mensagem é bem clara. E esse foi só um exemplo, tem mais. Tem amigo de infância que nunca tem tempo para colocar o papo em dia, mas sai, posta as fotos do churrasco, das cervejas entre amigos… E ainda tem os tais pretendentes amorosos, mas melhor nem entrar nesse assunto.

Não, pode até parecer, mas isso não é ciúme. É a constatação da exclusão, de ser um náufrago social. E não entendo o motivo, só sei que um dia foi diferente, bem diferente.

E, como resultado, vêm aqueles sentimentos negativos, aquela vontade de esquecer o mundo e viver em isolamento, aquele desânimo, a vontade de desistir de tudo, da vida. Em suma, vem a Bad. E ela está aqui já tem um tempo, desde que voltei de João Pessoa, há dois anos já: hoje, tenho me encontrado profissionalmente na engenharia química, mas desde João Pessoa que não sou mais feliz na vida pessoal e amorosa.

E não sei mais o que fazer, só desistir e ir vivendo na minha, isolado, esquecendo do mundo. A Bad está aí e ela ataca feio quando tenho o mínimo de tempo livre. O que fazer com essa Bad? Talvez me ocupar e fingir que alguém se importa. Mas não se importa. Triste, mas é a verdade. E isso só me faz querer me isolar mais e mais e me importar cada vez menos com as pessoas. Uma prisão por eu ser quem sou.

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Perdi Meus Poderes Mágicos?

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É, você não vai acreditar, eu sei, mas é verdade, a mais pura verdade. Eu sou bruxo. Ou fui. Quando eu era pequeno certas coisas simplesmente aconteciam, sem explicação. Ah, ok, você já leu Harry Potter, né? Não, não estou falando desse tipo de magia, de varinhas que soltam raios e feitiços tipo Lumus. Quando digo que sou bruxo, ou fui, quero dizer que sou, ou fui, wiccano. E quando digo que coisas aconteciam é porque elas simplesmente aconteciam.

Por exemplo? Eu costumava visualizar e atrair coisas que pareciam fora da minha realidade. Aos 10 anos de idade, isso significava ganhar um videogame de um primo que morava em outro país, de surpresa, ou fazer passar o filme que eu queria na sessão da tarde – sempre Superman – ou, ainda, fazer seu pai, que morava em outra cidade, aparecer de surpresa justamente quando você sentia falta dele. Bastava pensar “quero ver meu pai” e no dia seguinte um telefonema seguido de uma visita em questão de dias. Ou “quero ver Superman II” e no dia seguinte ou no outro o filme ser anunciado como parte da programação da semana seguinte. Não falhava uma vez. 

Isso só para ficar nos exemplos da infância, os mais simples. Depois de adulto, esses episódios vão para o apartamento exatamente como eu queria na avenida Paulista, ao me mudar para São Paulo, ou fazer meu ex voltar comigo – coisa absurda que já então se provou a pior coisa do mundo, a gente não pode fazer ninguém amar ninguém, não dá certo. Mais alguns pequenos exemplos. Está cheio deles. 

E depois que aprendi as artes mágicas e descobri como controlar tudo isso, os tais “eventos” só se multiplicaram. Tipo quando aprendi magia de velas e queria um namorado, mas queria algo quente, bem sexual, e usei uma vela vermelha (não uma vela cor-de-rosa) e em uma semana aconteceu de ficar com uma pessoa em quem eu já estava de olho e – boom! Aquilo foi intenso. Forte. Um dos melhores sexos ever! Ele me pediu em namoro… mas aí, acabou. Intenso, mas rápido. Ainda somos amigos. Ele ainda me atrai, mas só. Ele nunca sentiu por mim aquele tipo de amor mais emocional. 

Bom, chega de exemplos. O tempo passou. Tive uma crise com a Wicca e acabei voltando à prática Católica. Hoje, meu lado Cristão está em crise. E talvez ainda meu lado wiccano. Talvez porque, sobretudo com a faculdade de engenharia e com minha aproximação à ciência e aos métodos científicos, eu tenha perdido um bom bocado da fé que tinha. Talvez porque eu esteja tão cansado e cheio de tudo que mal consigo parar para pensar nisso tudo e só estou deixa do as coisas acontecerem.

Mas será que isso tudo me fez perder minhas habilidades da magia? Ou será que eu continuo controlando e atraindo absolutamente tudo o que desejo? Afinal, mesmo minhas realizações mais recentes são todas 100% dentro do que planejei. 100%. Da faculdade ao emprego atual. Contudo, existe uma limitação clara nisso tudo. Pois eu deixei o “que isso seja bom e correto” de lado e fui atrás das coisas que eu acreditava possíveis. Isso é ruim à medida que eu sei que tenho baixa auto-estima e que acredito muito pouco em mim.

Fica, portanto, a dúvida: será que se eu acreditar um pouco mais em mim consigo voltar a tornar reais as coisas mais inesperadas e surpreendentes? Ou eu simplesmente vou descobrir que perdi meus poderes ou, ainda pior, que eles nunca passaram de ilusão e probabilidade estatística? (embora um 100% de sucesso seja um outlier deveras interessante).

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A Consciência da Morte

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Todo mundo, um dia, morre. Absolutamente tudo no universo deixa de existir, exceto a energia – até onde sabemos, pelo menos. Até mesmo átomos têm seu tempo de meia-vida, se desintegram, mesmo que isso leve umas centenas de milhares de anos. A mais estável ligação química está fadada ao fim, um dia. A matéria é vã, a vida – seja orgânica ou inorgânica (sim, ou você negaria que todo o Universo é vida, está em movimento?) – um dia acaba. O Sol um dia apagará, o mais distante buraco negro um dia deixará de sugar a luz.

Sabemos disso. Somos constantemente lembrados disso todos os dias, sejam com as tragédias nos jornais ou os dramas familiares ou de pessoas próximas. Todo dia tem velório, todo dia morre alguém. Mesmo assim, vivemos com a constante sensação de invencibilidade, de que nunca seremos o próximo. A ciência da morte se mistura com a efêmera certeza de que haverá um outro dia e de que o sol brilhará novamente. Mas, quem garante?

Tome a mim como exemplo: 37 anos, facilmente confundidos com 28-29 anos (posso mentir a idade à vontade, sem riscos); vivendo como alguém de 21-22 anos; cursando uma nova faculdade; se matando (percebam a ironia no uso da metáfora) para dar conta do trabalho, dos estudos e das contas; sem tempo para esportes; elevando a cada dia mais e mais o nível de estresse; compensando isso tudo em uma alimentação falha, cheia de exceções como doces, pizzas e guloseimas. 

Eu me julgava invencível: Se engordar, emagreço (já fiz isso antes com muito sucesso); se deixar de dormir, nas férias tiro o atraso; se não sobrar tempo para conviver com família, amigos ou para conhecer um novo amor, puff!, depois da facu eu cuido disso; se ficar flácido e sem fôlego por causa do sedentarismo, quando sobrar tempo volto a ter uma atividade física; se o estresse apertar muito, dou um jeito, sempre fui bom em viver sob estresse.

Em julho, tirei férias. Duas coisas a dizer sobre isso e você já, já entende o que isso tem a ver com a suposta invencibilidade: Um que eu continuei resolvendo coisas do trabalho e da faculdade durante as férias, só me desliguei durante uma semana quando viajei – logo, não consegui descansar; Dois que aproveitei para fazer o check-up que faço a cada dois anos e é aí que mora o problema.

Fiz os exames de rotina e descobri que virei hipertenso. É, aos 37, com cara de 28, tenho pressão alta. Além disso, o triglicérides está mega alto. Claro que isso não é atestado de morte, mas junte isso a pequenas coisas como dores nas costas que aparecem de vez em quando por conta de maus jeitos, uma tolerância baixa à lactose que apareceu no último ano, dores de cabeça (possivelmente por causa da pressão alta), um nível de estresse que está ficando além da minha capacidade de controlar, noites de insônia… Ou seja, um monte de coisas que alguns poucos anos atrás eu nem imaginava que poderia ter. Junte tudo isso e minha tal invencibilidade já era. 

Estou morrendo, aos poucos. Devagar, coisas que eu fazia com muita facilidade anteriormente parecem sumir da minha lista de habilidades. O corpo parece dar sinais de sua mortalidade e de que possui uma data de validade. Pode levar décadas ainda, mas estou morrendo. Sempre estive. Todos nós estamos sempre. A diferença, agora, é a consciência da morte.

E o que muda com tal ciência? Muda tudo. Será que, se tudo falhar em muito pouco tempo, eu poderei dizer que de fato vivi? Ou nos tais flashbacks da vida descobrirei eu, como temia Thoreau, que nunca vivi? Será que minhas escolhas e apostas de hoje me trarão a chance de viver daqui a 6, 7, ou 10 anos? Ou morrerei antes tentando? Ou comprometerei minha saúde a tal ponto que nada valerá a pena? E se antes dos 30 eu já sonhava com um amor duradouro, um filho e uma família minha, mas aos 37 não tenho nada disso ainda, será que mais 6 ou 10 anos de espera permitirão que eu seja pai um dia na vida? Ou deixarei essa existência sem nunca ter sido aquele que eu sempre quis ser? Sem nunca ter vivido meu Eu em sua plenitude?

Sinto que tem muita coisa errada nessa equação. Porém, cadê resposta para as questões acima? No momento, tenho só essa consciência. E medo. Medo de que saber disso me paralise e me impeça de, de fato, viver.

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Eu sou uma boa pessoa?

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Pergunta honesta, rápida e direta, um sim ou um não é suficiente: Sou uma boa pessoa?

Não sei se essa pergunta faz parte do escopo das pessoas. Talvez não. Se fizesse, esse mundo talvez fosse um lugar melhor. Acho que simplesmente todo mundo se acha uma boa pessoa, todo mundo tem suas razões, seus motivos para serem quem são e fazerem o que fazem. Já experimentou o exercício da empatia? Dá pra se colocar no lugar de muita gente e entendê-las. Ademais, nós, seres humanos, somos mestres em racionalizar as coisas e encontrar explicações para virtualmente tudo – mesmo que apelando para divindades, maldições, encostos…

Sei que costumo me fazer essa pergunta. Até um tempo atrás eu me achava o máximo, uma alma evoluída, ciente de minha própria evolução e considerando-me em um estágio superior. Quanta bobagem! Não acredito mais nisso. Nada mais estúpido e entorpecedor que se achar “superior” seja qual for o motivo. Não tem isso de superior. Seja por intelecto, por condições financeiras, por crenças, por religião, por orientação sexual, nacionalidade, cor da pele, abdomen sarado… Você pensa que vai pro Céu? Pense de novo.

Eu achava que ia pro Céu, que era um cara legal, uma boa pessoa. Um dia conheci alguém legal, desses por quem nos apaixonamos facilmente. Nos conhecemos, passeamos, nos vimos um tempo. Quando a coisa ia esquentar, ele se abriu comigo e contou que tinha um problema, uma condição que vinha de um erro passado, uma questão que o perseguiria a vida toda. Assustei-me, afastei-me, não sabia o que dizer, só sabia que “eu preferia ficar sozinho a me expor.” Enrolei enquanto deu, até que o tal alguém desistiu, sentindo-se mal, traído. Fui uma boa pessoa? Tive atitude decente? “Ah, mas eu não sou obrigado a ficar com ninguém nem me expor a nada.” De fato, não sou, é fácil racionalizar e explicar meu comportamento. Isso não muda, porém, o fato de eu ter sido uma péssima pessoa com ele.

Quer outro exemplo? Esses dias, na universidade, irritei-me com um amigo durante uma atividade em grupo ao perceber suas atitudes arrogantes e que, em linguagem direta, passavam a ideia de “fodam-se todos à minha volta, eu sou o único importante aqui.” Fiquei quieto e não manifestei essa irritação, misturada com um pouco de decepção – afinal, sempre o estimei muito. Depois desse dia continuei a prestar atenção em sua atitude de arrogância e pretensa superioridade. Ao notar isso, comecei a ignorá-lo, evitar sua presença, tratá-lo com rispidão e mal posso olhar-lhe nos olhos. Minha reação é explicável? Possivelmente. Mas isso não me faz uma boa pessoa. Uma boa pessoa guarda rancor e trata as pessoas dessa forma, seja quem for? …pois é, foi o que pensei.

Aliás, acho que o comportamento dele me irritou tanto porque isso diz muito sobre mim. Somos assim, né? Gostamos das pessoas que têm nossas qualidades (mesmo que sejam qualidades em potencial) e não gostamos das que possuem nossos defeitos, das que nos fazem ver quem somos de verdade e o quão ruim isso pode ser. 

Um pouco de reflexão me faz ver que tenho muito da arrogância e pretensa superioridade dele. Me faz ver o quão “evoluída” é essa minha alma. O quão fechado no meu próprio universo eu sou. O quão intenso meu “fuck the world” pode ser, mesmo que exista todo um pensamento, toda uma “aura” de amor e aceitação, de pessoa “evoluída.” Fachada. Isso é ser uma boa pessoa? Dar carona pra galera da facu me faz uma boa pessoa? Ajudá-los quando têm dúvidas nas matérias me faz uma pessoa melhor? Tratar bem a minha gata me traz o Nobel? Atender bem os clientes do trabalho me faz um Buda? Ser educado constantemente com quem quer que seja, mesmo que meu interior se corroa em ódio extremo, me faz um Jesus Cristo? Gosto de me enganar dizendo que “pelo menos estou melhor que muita gente por aí, pelo menos disfarço bem” (olha o pensamento de superioridade nesse “estou melhor que muita gente” aí), mas sou uma boa pessoa por isso? Sou de fato uma boa pessoa, sendo egoísta e corroendo-me internamente em ódio, fingindo ser uma boa pessoa por aí? 

É, pois é, foi o que pensei… Hora de trabalhar isso tudo direitinho.

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Andando em Círculos

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Já teve a sensação de andar, andar, andar e não sair do lugar? Como se a vida fosse cíclica e que questões outrora consideradas findadas voltassem regularmente, de tempos em tempos, para te assombrar?

Estive conversando com um amigo sobre isso. Falavamos de algumas questões atuais quando, de repente, ele me perguntou: “Você não acha que já passou por isso antes? Não é como se você nunca se resolvesse?” Minha resposta, claro, só poderia ter sido afirmativa. Pois, acho… acho, sim! 

Como é isso para você? Faz algum sentido? Caso não tenha ficado muito claro, permita-me exemplificar com os tais fatos. 

Primeiro: engordei no último ano. Desde o fim de dezembro de 2013, saí de 75kg para 89kg. Uma diferença de 14kg. Deixei de ser o cara que passou mais de dois anos mega saudável, com academia, alimentação correta, etc, para aquele que mal consegue controlar o que come. De uma hora para outra, tudo se foi. E não foi a primeira vez. Nem a segunda. Nem a terceira. Isso me aconteceu antes. Essa é simplesmente a sexta vez que perco o controle e engordo nos últimos 20 anos. A essa altura do campeonato eu sei me alimentar corretamente, sei manter meu peso, sei o que fazer para perder peso com saúde, mas simplesmente não ligo e perco o controle. O que falta? Como mudar isso de uma vez por todas? Como resolver de vez essa questão?

Segundo: há pouco mais de 1,5 ano, terminei meu mais recente namoro. 1,5 ano depois, ainda não consigo ter olhos para outros. Passo os dias lembrando dele – ou da cidade em que morava quando estava com ele. Sinto saudades de tudo. Aí, de repente, me convenço de que quero conhecer um outro alguém. Faço a mesma coisa de sempre: procuro alguém novo na Internet, com o mesmo perfil e faixa etária de sempre, conversamos a mesma conversa de sempre, saímos, se me interessar mesmo, ficamos, beijamos, deixo rolar. Porém, o tempo todo eu já sabia que não combinava, que não daríamos certo. Aliás, a faixa etária de sempre – algo em torno dos 20, the early 20s – já é uma certeza de que não vai durar, de que, se ele quiser um namoro, algo um dia vai frustrar a relação e nos separar. Quando percebo que esse novo alguém nem durou para virar namoro, tenho a mesma reação automática perante a vida. A mesma. Sempre: quero sumir, me isolar, juro celibato, penso se conseguiria me apaixonar por uma mulher e não um homem – com mulher daria certo, já estaria casado, penso. Mas não rola. Nunca escolhi ser gay e preferiria não o ser, mas sou eu e, por mais que tente mudar, isso sou eu. E acabo deprimido, pensando no ex. Até que tomo coragem, procuro novas pessoas, etc, etc. E não é só com esse ex. Era assim com o ex anterior. E com o anterior. E do mesmo jeitinho. Sempre. Já perdi as contas de quantas vezes fiz esse ciclo.

Terceiro: Internet. Desde que ela existe, tenho Internet em casa. Sempre. No trabalho e em casa. Cada vez mais, fui me tornando de certa maneira dependente. Depois que saiu o iPhone, piorou. Com o iPad, então, piorou mais ainda. E desde sempre fui me impondo limites. No começo, nem precisava, havia os limites de horário e de megabytes utilizados. Mas depois que surgiu a banda larga e as redes sociais, o troço ficou feio. Tinha minhas crises, cometi vários orkuticídios, mas sempre voltava e criava um novo. O mesmo vale com fotolog, msn, depois o facebook, canais do Youtube… Apago, volto, crio restrições, volto a perder o controle. Sempre foi assim. Andando em círculos. Sempre uma desculpa, sempre uma explicação nova. Atualmente, quando resolvo apagar ou restringir o uso, alguém comenta: “já vi esse filme.” E viu mesmo. 

Entendeu? Acontece com você também? Eu poderia citar diversos outros exemplos, mas acho que já pude me expressar bem. Será que é só comigo? O que falta para criar a mudança de padrão definitiva? O que fazer? No que estou errando? Vou passar a vida nesse ir e voltar, ir e voltar, como uma mola? Nesse looping? Cadê o crescimento? Ou vivemos, mais que um ciclo, uma espiral? Afinal, o micro imita o macro. É só olhar para a órbita dos planetas. A tal da elipse que os planetas fazem ao orbitar em torno do sol é na verdade uma espiral, pois todo o sistema solar também está em movimento, junto da galaxia e até do universo (Veja este vídeo para entender essa ideia melhor).

Mas… se vivemos em espiral, repetindo o ciclo, apesar de passar por momentos diferentes, cadê nosso crescimento? Ou precisamos ensaiar várias vezes para, quem sabe, um dia, conseguir aquilo que queremos? Ou, então, será que estamos presos a traumas e definições de uma vida jovem sobre a qual temos controle zero ou tendendo a zero? Será que, no fundo, somos incapazes de mudar? Sempre buscando o mesmo, a mesma sensação, o mesmo sofrimento? Ah! Quem sabe o vício em determinado tipo de sofrimento? 

Se for isso, livre arbítrio é só ilusão? Então, pra que esse esforço todo? Pra quê? Se vivemos um vortex eterno de erros que se repetirão para todo o sempre, Sísifos que somos, presos ao trabalho fadado ao fracasso, sempre. E outra vez. E outra. E outra…

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Saindo da Sombra da Internet

ShadowO despertador toca. Acordo. Uma das primeiras coisas que faço é usar o banheiro. Nunca sozinho, porém. Sempre acompanhado do iPad ou, se este estiver descarregado, do iPhone. Gasto mais de 30 minutos sempre, olhando as notícias do dia na Folha Online, vendo as novidades das páginas do Omelete e do MelhoresdoMundo.net. Após isso, vou para o Facebook e dou uma olhada em vídeos babaquinhas e no que as pessoas têm compartilhado. Por fim, vejo o Youtube e se há alguma novidade nos canais que sigo. Só depois fico livre. Se não tenho compromisso pela manhã, chego facilmente a uma hora nesse ritual.

Ao longo do dia, o iPhone toma o lugar do iPad e estou sempre abrindo o Facebook só por abrir, nem vejo o que tem por lá direito, a questão aqui é saber se alguém me marcou em algo ou se alguma mensagem chegou. Raramente dá positivo. O mesmo se dá com o Whatsapp, com os emails e com a Folha Online. Qualquer minuto ocioso automaticamente chama pelo celular e o mini-ritual descrito acima. Nunca contei, mas, por cima, diria que isso acontece entre 20 a 50 vezes por dia… em qualquer intervalo, em qualquer minuto de ócio, em qualquer instante de ansiedade ou menos paciente: se vou falar com alguém e tem gente conversando com esse alguém, enquanto espero já puxo o celular. Se eu estiver em alguma fila, então, a média de vezes diárias sobe ainda mais.

É quase como um cigarro, que não causa câncer. Ou causa, não sei. Vai saber se todas essas ondas eletromagnéticas de Wi-Fi e 3G/4G não fazem mal à saúde. E se fizerem… nossa! Extinção em massa! Outra diferença é que dá para usar enquanto se come. Afinal, o cigarro normalmente se fuma antes ou depois da comida, não durante. Nem fica bem fumar assim, acredito. Mas o celular, com um videozinho para ver enquanto se almoça ou come-se um lanche… por que não? É bom que distrai. Distrai e perde-se a noção da comida. Engorda? Imagina…

Por fim, à noite, em casa. Antes de dormir, lá vem o iPad de novo. Mais Folha, mais emails, mais canais no Youtube. Sobretudo os canais do Youtube. A noite é o momento de ver os vídeos lançados no dia, principalmente os mais longos, com mais de 4 ou 5 minutos. E lá se vão mais 30-40-50-60 minutos de iPad. O relógio avisa que passou da meia-noite e eu já virei abóbora, mas só falta mais um, mais unzinho, um vídeo de 15 minutos. Não, de 20 minutos. Ah! E tinha aquele outro de 12. Total, 32 minutos. Vou ver. E tem esse vídeo maior, com 30 minutos, mas esse eu deixo tocando para servir de canção de ninar.

Quando vejo, vou dormir depois da 1h da manhã. Serão 5-6h de sono, mas já me acostumei. E daí se eu preciso de 8-9h de sono normalmente? E não é só o sono (ou a falta de) que contabilizo no fim do dia. Contabilizo horas e horas do dia, que poderiam ter sido gastas com sono, com ócio, com contatos a amigos, com leitura, com meditação, com oração, com minha gata, com família e pessoas mais próximas… horas que poderiam ter sido gastas com tudo isso e mais, gastas, na verdade, com Internet por meio do iPad e do iPhone. Sempre à toa. Muitas vezes sem nenhuma novidade ou, havendo-as, novidades com que eu poderia passar sem.

Aliás, muitas vezes, novidades que me deixam ansioso, não me deixam dormir depois de todo esse ritual, ou me deixam preocupado em um fim de semana… e por aí vai.

Por isso tudo e mais – sim, há mais, sempre há mais! – renuncio à sombra da Internet em minha vida. Quero mais leitura, mais sono, mais ócio, mais nadismo, mais amigos, mais qualidade de vida. Quero menos preocupações, menos obsessão, menos tempo online, menos mensagens no Whatsapp tirando minha concentração, menos, menos, menos…

Contudo, sei que o radicalismo pode ir contra mim. Em outras oportunidades, desativei Facebook e tirei vários aplicativos do celular. Porém, a Internet fica, a Folha fica, o Youtube fica… O tempo gasto com um acabava sendo gasto com outro. Radicalismo de um lado, afrouxamento do outro. Não! Assim não funciona! Comigo, pelo menos, nunca funcionou!

O que proponho, a começar já, de forma que eu possa, inclusive, desfrutar melhor do período de fim de ano, são as seguintes ações, sem os rótulos extremistas, com equilíbrio:

* Internet em geral – OK no computador do trabalho (aí tem de ser, nem tem jeito, né) – OK para downloads (em casa) – OK para emergências;

* Folha e sites de notícias (incluindo Omelete, MelhoresdoMundo.net, etc) – OK no fim de semana, por no máximo 1 hora, lá pelo meio do dia, caso eu esteja à toa;

* Whatsapp – OK nos finais de semana – OK para emergências – OK uma vez ou duas vezes por dia para ver e responder mensagens (de preferência em um horário neutro, tipo o meio da manhã ou o meio da tarde, em algum intervalo de ócio. Evitar ver ao acordar e antes de dormir, até para não aumentar ansiedade e ou já estragar o dia antes ou ficar ansioso perto da hora de dormir) – em todos os outros momentos, Wi-Fi/3G desligado!;

* Facebook – Continua ativado e continua sem postagens minhas (eu raramente posto no FB) – OK no fim de semana, por no máximo 30min, lá pelo meio do dia, caso eu esteja à toa;

* Youtube – OK no fim de semana, por no máximo 1h, também lá pelo meio do dia, caso eu esteja à toa.

* E-mails – os de trabalho, no trabalho; todos os outros e-mails, uma vez por dia, em horários neutros (como com o Whatsapp).

Fora desses dias e horários, o Wi-Fi e o 3G ficam desligados. Vamos ver no que vai dar. Futuramente, escrevo algo aqui contando os resultados.

3, 2, 1… Valendo!!!

 

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Liberdade ou As Prisões Modernas

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Qual sua prisão? O que tira sua liberdade atualmente? Passei o semestre com essas questões em mente. Afinal, um semestre corrido, sem tempo para sair ou ver pessoas, sem tempo para cultivar amizades (as antigas ou começar novas), sem tempo para amores. O mais simples seria pensar que minha prisão é a falta de tempo. Ou, ainda, o que gera tal falta de tempo: a faculdade e o trabalho. Ledo engano…

Em verdade, como posso culpar pela falta de tempo a faculdade da minha vida, com o curso mais fantástico e – por que não? – “tesudo” que já fiz – nem preciso dizer o quanto estudar engenharia química, estar de volta aos laboratórios e com questões de exatas na cabeça me deixam feliz, né? … Como eu dizia, como posso culpar a faculdade pela falta de tempo? Não posso, é o que quero, me faz feliz, tempo bem investido, sabe? Nem posso culpar o trabalho, que me garante o sustento enquanto estudo, mesmo não sendo na área que mais desejo: a da engenharia.

Quais seriam minhas prisões, então? Qual anzol tem me pescado nesses tempos? Duas coisas, eu resumiria: 1- alimentação; 2- celular/Internet. Não sou nada original, né? Exatamente as mesmas coisas que grande parte das pessoas da sociedade atual. Mas deixe que eu me explique:

1- Alimentação: comer sempre foi para mim válvula de escape. Estou cansado? Como para relaxar. Estou estressado, preocupado? Como para relaxar. Estou depressivo, me sentindo só? Como para aliviar o sentimento. Passei este ano de 2014 desfazendo tudo o que tenho feito desde 2011 em termos de alimentação e cuidados com o corpo. Ter voltado a morar com a família também não ajudou, uma vez que sempre há mais opção de comida que somente aquela que você deveria comer – quando se mora só acaba-se comprando só o que é certo.

Para piorar, noto nesses tempos um certo comportamento levemente compulsivo com relação à comida. Chegam esses momentos de estresse e o controle sobre a alimentação some de uma vez. Coisa de louco! É como se eu estivesse até possuído por uma entidade demoníaca que deve ser muito gorda, porque PQP!, vai comer assim lá na China – ou no McDonnald’s.

2- Celular/Internet: olha, eu desde que resolvi desativar meu facebook ano passado (e fiquei uns 6 meses assim), diminuí bastante minha exposição online – bastante mesmo. Expor-me era o que mais me incomodava antigamente. Não é mais. Minha prisão hoje é estar ansioso por qualquer coisa – seja esperando a missa começar, seja numa fila, seja estudando, seja cansado à noite para dormir, seja em qualquer situação, acabo me pegando com o celular na mão. E é sempre o mesmo ritual: abro o whatsapp, abro o email, abro o facebook, abro as mensagens do facebook e abro o Youtube para ver se tem vídeo novo dos canais em que sou inscrito. Tudo para ver se tem alguém ali querendo falar comigo. Tudo para me sentir menos sozinho – e de quebra baixar a ansiedade do momento. Isso tem uma frequência muito alta, sobretudo quando estou em casa, e faz eu perder um tempo grande, principalmente tempo de sono à noite – e quantas vezes já não fiquei ansioso com um email ou mensagem e isso acabou tirando meu sono?

1 e 2 são prisões. Coisas que beiram a compulsão em algumas vezes. Tanto comer quanto pegar o celular me deixam claramente mais calmo. A ausência disso aumenta a ansiedade de forma a mudar até minha respiração. Duas prisões. Duas coisas que preciso vencer se quero atingir meus objetivos.

DESAFIO: Por isso, a partir de amanhã e por todo o período de 2015, vou tomar 1 e 2 como desafios pessoais. Vencer de vez essas duas prisões são metas para 2015 e começam amanhã já, aos poucos, montando a estratégia.

Os posts aqui do blog vão acompanhar esse desafio (e vou até atualizar a página que explica o desafio desse blog, mais tarde). Vencer a dependência na alimentação e vencer o excesso de uso do celular/Internet.

O que eu quero mesmo é retomar a alimentação saudável e a prática de esportes que tinha até 2013, além de virtualmente desligar o wifi do celular (e do iPad e de tudo o mais que me faz me isolar das pessoas e me deixa ansioso. Mais para frente, ao ir atualizando o blog, vou explicando o que estou fazendo para atingir tais metas.

A hora é agora. Não há depois. Se quero atingir minhas metas, não dá para esperar. Desafio aceito. Valendo! 🙂

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Ansiedade, autoestima e autossabotagem – ou, Minha Primeira Recuperação

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Vista de prova. Comparando o que fiz com a correção, descobri que perdi quase 2 pontos por me distrair e elevar ao quadrado algo que deveria ter sido ao cubo, conforme escrevi na prova. Com o resultado final errado, o professor desconsiderou o exercício e voilà! Eu precisava de 1 ponto para passar direto e acabei ficando. Um descuido. Uma peça pregada pelo meu próprio inconsciente.

Algo parecido havia acontecido, na mesma matéria, na primeira prova. Troquei o valor de uma constante, que eu conhecia bem, e cheguei a perder também dois pontos na prova. Fora um exercício que deixei de fazer porque fiquei nervoso e simplesmente não pensei.

O professor, bastante conhecido na faculdade pelas provas mega difíceis e por reprovar muita gente, por si só já me deixava nervoso. Para piorar, era a matéria, a única matéria, que eu sempre fiz questão de ir bem – nunca fiz menos de 9,0 ou 8,5 nela… na vida. E como assim eu consigo uma das maiores notas de cálculo da turma – este semestre foi a terceira maior – e não faço a nota mínima na única matéria em que nunca – nunca! – me dei mal na vida, justo a matéria de que mais gosto na vida e que me fez retornar para a faculdade, por não conseguir ficar muito tempo longe dela: Química!

Resultado: além da nota baixa (4,5), por meio ponto – e pior! por meio ponto que eu sei que era capaz de ter tirado, nas duas provas – fiquei de recuperação. E a inevitável questão aparece: por quê? Por quê?!?!?!

Simples. Porque passei o ano perdendo nota em provas por causa de ansiedade e, principalmente, por não acreditar em mim mesmo. Aconteceu muito no primeiro semestre, quando entendi o que acontecia. Foi ajustar isso e comecei a tirar 10,0 em provas – e em matérias nas quais a média da turma era em torno de 5,0, às vezes menos. Contudo, não fui capaz de acreditar em mim na matéria que mais me importava. Na matéria para a qual mais estudei e em que eu sei que sei, que entendi os conceitos e que nunca errei um exercício das listas e dos livros na hora de estudar. Mas chegava a prova e pã! Travava. De novo, não por não saber, mas por não acreditar.

Tenho certeza de que a recuperação é culpa inteiramente minha, por não ter acreditado, por ter ficado ansioso demais e por ter me autssabotado, errando coisas idiotas que eu sabia resolver. OK que uns 80% da turma ficou de recuperação, mas cada um tem seu motivo e, o meu, sei que é essa pequena-grande questão de sempre.

E isso me faz pensar: quanta coisa eu não deixei de realizar ou cheguei a falhar no caminho simplesmente por falta de acreditar em mim mesmo? Consigo pensar em várias, várias, várias. É… Isso parece me perseguir, me limitar – e muito! É impressionante como o sistema de crenças em que somos criados nos faz ser menos do que de fato somos ou podemos ser.

Agora, resta-me estudar para a prova de recuperação e acreditar o suficiente para tirar uma boa nota e recuperar o meio ponto que faltou.

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