Foram três anos bem difíceis, para quase todos nós. Estamos, boa parte, cansados e nem sabemos (ou sabemos?) de quê.
Estou em pleno período de recesso, mas eu não tinha ideia de quanta coisa eu tinha que atualizar, organizar, limpar e planejar. Admiro quem encosta em um poste e dorme, seja noite ou seja dia. Durmo bem à noite, mas me render ao sono de dia é mais raro. Não que eu esteja trabalhando horrores. São pequenas coisas aqui e ali. Listas: marcar médicos para janeiro, lembrar de pagar as contas dia tal antes de viajar, levar aquelas roupas que estão há meses em uma sacola na costureira, cortar o cabelo, planejar as atividades de janeiro das turmas, tirar um pó teimoso que insiste em se acomodar nas superfícies etc.
Estou descansando? Estou, mas ao mesmo tempo já estou cansada. Foram três anos vivendo em constante sobressalto, nosso país não é para amadores, como costumamos dizer. Nesta expectativa para a formalidade de mudar de número, para 2023, estou me organizando. Acredito que um novo ano nasce todos os dias, mas existe toda uma pompa nesta combinação social de um calendário. Vou surfar nesta onda.
Desejo a quem, porventura, se depare com esta postagem, um 2023 de saúde, principalmente, e que seja melhor do que 2022. Se for assim, já estaremos no lucro.
Daqui a alguns dias, vou fazer meu tradicional retiro de início de ano. Não, não, não é um retiro formal. Sou eu indo para um lugar cheio de verde, desconectada (o mínimo, só para saber como estão as gatas e a família), para fazer uma limpeza na aura. E limpa mesmo, viu? Em janeiro deste ano, voltei limpinha e energizada. Sou daquelas pessoas que precisam de um banho de verde.
Diante das incertezas, vivam. Vivam o tempo que têm para viver aqui. Aproveitem, usufruam, obstáculos fazem parte do caminho, erros também, e não vamos esquecer que, às vezes, é necessário voltar na estrada para encontrarmos o caminho certo, depois de pegarmos a trilha errada.
Minha gratidão a cada pessoa que encontrei por aqui, às amizades virtuais e aquelas que se tornaram presenciais.
E o sítio? O sítio é aqui, é cada semente plantada, é cada mudinha cuidada, foram as colheitas de pepino, de tomatinho, de fisális e inesperadas beterrabas. É ser uma senhora (cof cof cof) que ainda olha para o céu à noite, sente os cheiros das ervas e da terra molhada e admira a força da Natureza nas tempestades.
Pode parecer meio clichê, mas o futuro é agora. Não espere para viver, porque a vida não espera. Ela vai, ela passa, ela desfila na tua cara.
Lavem suas tigelas, estejam conscientes da respiração, sintam a sensação do toque em outra pele e em outros pelos.
Os perrengues são passageiros, por mais que a sensação temporal seja de que não passem. E as alegrias também o são. Procurem o contentamento modesto que, aos olhos do mundo, pode parecer até uma vida chata, monótona, mas é a tua vida. Não fazendo mal aos outros, o que é que tem, né?
Um 2023, e além, de muito contentamento!
Provavelmente estarei mais no Eremita Andarilha...acho...vai saber?