02 abril 2017

Percipio

Escrever sobre perceber. Difícil num primeiro momento é extrair todo o redemoinho de sensações, ideias, opiniões, desejos, sem simplesmente fazer uma enumeração de palavras. Sempre quis escrever, e há algum tempo me sinto massacrada por algo, saturada, como se qualquer atividade intelectual, por mais simples que fosse, preencheria a última gota de espaço livre necessário ao giro das engrenagens. Não sei o porquê disso, o porquê dessa sensação de que só o movimento do corpo, o contato direto com a natureza, com o vento, a água, o quente, o gelado, os sons dos elementos naturais se encontrando seria capaz de reverter esse estado. Sinto uma urgência de me sentir viva, e de interagir com o mundo. Sinto a angústia de passar o tempo correndo contra o tempo para realizar tarefas burocráticas, completamente desconfortável em relação à minha mesa, à minha cadeira, à minha posição na sala de trabalho. Vontade de ter o dia para fazer algo diferente, diferente das obrigações, para sentir o distanciamento das obrigações sufocantes, e permitir a insurgência das essências dos fenômenos realmente importantes. Deixar estar, permitir, sentir. Escancarar as portas da percepção, sem tanta correria contra o tempo, correria inútil e improdutiva. Quero ler, o que eu quiser, e escrever, sobre o que eu sentir, sobre o que eu percebo, sobre os meus desejos, sobre o futuro, sobre os sonhos quase perdidos, e sobre as crenças refeitas. Quero traços, cores e formas. Quero experimentar, comer e cozinhar. Quero nadar, e sentir o sol e a chuva, sentir o frio na pele das mudanças de estação. Quero dar conta das minhas emoções.

11 setembro 2013

Mais um dia

Mais um dia de tentativas. Eu repito pra mim que vou conseguir, especialmente em dias como hoje, dias em que eu sinto que o anterior foi perdido, ou que mais uma semana se foi e eu produzi muito pouco. Eu repito que vou conseguir, e hoje ainda dormirei feliz, após conseguir mais um degrau, mais um passo. Me contentei em não mais perguntar o porquê disso tudo, agora eu só tento, só olho pra frente. Eu realmente preciso esquecer muita coisa aí pra trás, deixar pra trás mesmo, não pensar, pensar muito pouco, só o suficiente e direcionado para terminar. Eu quero terminar. Ouço todos os dias que eu tenho que terminar, mas não é questão de ter que fazer, é de querer fazer. Então repito isso pra mim mesma, tentando uma auto-ajuda que faz com que eu me sinta muito ridícula, mas a essa altura nem nisso eu quero pensar. Deixa pra eu me sentir ridícula, ou não, depois.

10 setembro 2013

Transtorno do pânico

Programa Ser Saudável apresentado no dia 15/06/2013 pela TV Brasil, e dedicado ao transtorno do pânico. Assistir a esse programa foi um alívio, foi muito emocionante, e fez com que eu não me sentisse tão sozinha. O pior já passou, mas a lembrança e o medo de cair de novo ainda aperta às vezes.

08 setembro 2013

Just relax, take it easy

(Cat Stevens)
It's not time to make a change
Just relax, take it easy
You're still young, that's your fault
There's so much you have to know
Find a girl, settle down
If you want, you can marry
Look at me, I am old
But I'm happy
I was once like you are now
And I know that it's not easy
To be calm when you've found
Something going on
But take your time, think a lot
I think of everything you've got
For you will still be here tomorrow
But your dreams may not
How can I try to explain
When I do he turns away again
And it's always been the same
Same old story
From the moment I could talk
I was ordered to listen
Now there's a way and I know
That I have to go away
I know I have to go
It's not time to make a change
Just sit down and take it slowly
You're still young that's your fault
There's so much you have to go through
Find a girl, settle down
If you want, you can marry
Look at me, I am old
But I'm happy
All the times that I've cried
Keeping all the things I knew inside
And it's hard, but it's harder
To ignore it
If they were right I'd agree
But it's them they know, not me
Now there's a way and I know
That i have to go away
I know I have to go

07 setembro 2013

Tentativas

Hoje o dia começou um pouco abalado. Preciso mesmo voltar aos trilhos. Fui a feira e lá encontrei uma grande amiga. Papo vai, papo vem, e quem sabe há uma oportunidade de trabalho em vista, vamos ver. Criei um novo blog ontem: "Pé no chão cria lugar". Pensei em outros nomes, mas todos estavam indisponíveis. Acontece. A ideia é um lugar pra eu falar do que eu quis falar na minha dissertação de mestrado, e de mais algumas coisas. Poder escrever sobre o que eu penso, sem o apelo acadêmico. Deixa a questão acadêmica no lugar dela junto com as publicações em periódicos classificados pela Capes e informados na plataforma Lattes. Simples assim. Quero simplificar. Quero voltar ao mundo das coisas reais, sentidas na pele, comunicadas e compartilhadas.

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Pontes se sobrepõem em Vitória.
Imagem: Ligia Betim Marchi.

01 setembro 2013

Retorno

Tanto tempo sem escrever aqui, e hoje penso em como o tempo voa, ele voa mesmo. E o medo cresce quando o tempo passa e eu não vi. Eu não vi. Não vi tanta coisa. E o medo só cresce. Tudo acelera, isso assusta, me sinto sem capacidade de acompanhar a vida, por um momento. Tudo é tão rápido, e me afogo entre tantas informações. Em alguns momentos sinto que formou um bloqueio na minha cabeça, como se eu me recusasse a saber qualquer coisa nova, a viver qualquer coisa a mais, como se eu me recusasse a comemorar a vida, aniversários, festas, férias, trabalho, conquistas. Como se eu tivesse criado um bloqueio que me impede de conquistar qualquer coisa, e de sentir prazer em alcançar algo. E nada disso é proposital, não é intencional, acontece, e quando eu menos espero, já passou, e eu perdi. Tudo me deixa ansiosa, tudo se generaliza pra uma ansiedade e um medo sem controle. Fico procurando a solução, mas me dá desespero e mais medo quando penso que ainda não a enxergo. Quando foi que eu descarrilei? Eu tô tentando voltar, mas na maior parte do tempo eu anulo qualquer pensamento a respeito disso. Porque é difícil, é uma sensação de não saber mesmo o que fazer. Eu sei que não estou sozinha, mas sinto que estou, pois não sei nem como pedir ajuda, o que pedir, não sei o que fazer. Isso não quer dizer que eu não faça nada, mas eu não sei pra onde olhar, qual é o foco. Eu esqueço. Esqueço tantas coisas. Esqueço do que eu gosto, do que me interessa, do que me faz feliz. E nesse esquecimento a vida tem passado, acelerada, e eu alheia a tudo, alheia a mim, o que é pior. Parece algum tipo de anestesia, que causa um isolamento. Não é um isolamento choroso e deprimido, pelo contrário, ele nem é tão percebido, só nos momentos em que eu me dou conta de tudo isso. São baques, que vem e somem, que quando vêm causam pânico, desespero, e quando vão, é quase como se eles nem tivessem existido, e caio então em uma anestesia confiante, como se algo tivesse mudado ou estivesse prestes a mudar pra melhor, como se eu novamente me sentisse capaz e com energia. A internet é um inferno. É como estar vivo e ir ao inferno. Claro que estou analisando apenas por um viés. É um inferno porque ela rouba o tempo, e provoca a ilusão de se estar vivendo, interagindo, sentindo. Nesse sentido ela é uma droga, pois me consome em vez de ser apropriada por mim para quaisquer finalidades. Hoje em dia tudo passa rápido, e o meu organismo não é o desse tipo de vida e tempo. Eu já assimilei que não é. O que fazer com essa informação agora? Estou procurando o caminho que quero seguir, que consigo seguir, pois eu me perdi, descarrilei, e tá muito difícil voltar, principalmente porque eu não sei pra onde eu tenho que voltar, sequer o sentido e a direção a seguir.