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RIDING THE STORM

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SCRIBING BY Denise Cunha Sobrinho

Somebody talked about compassion, empathy and looked at me. The person was far out into the crowded room, holding a potent microphone, surrounded by fans, whistleblowers, spies, worshipers. But he still looked at me, chased my eyes, when he spelled out loud C-O-M-P-A-S-S-I-O-N. Should that discourse touch me? What impacted me in his speech? I couldn’t feel any compassion for him, although I knew by now that he was fighting a terminal illness, and that wasn’t COVID-19. However, he made so many innocent people suffer and die because of his selfishness and arrogance that my heart was turned into a heavy inert stone when faced with his pleading eyes.

I see he doesn’t regret what he did or said in these pandemic times: telling people COVID-19 was just a bad cold and that getting vaccinated would turn you into an alligator. Or worse, he said vaccines would implant a chip into your body so the pharmaceutical multinationals will forever surveil you. All his stupid bullshit made people like my best friend, a traditional and resentful Catholic, avoid vaccination, masks, social distancing, and ridicule those who engaged in these safety measures. My friend died three weeks ago because of COVID-19.

Now he pleads my compassion while still roaring to a multitude of numb-hearted people. I am numb-hearted also. I know he is dying, and I wish he were dying due to COVID-19. I try hard, but I can shed no tear for him. I don’t hate him. I just regret the day we met and became so close, almost twins in life. The pandemic, isolation, and mental illness tore us apart. I am leaving him with his crowd of worshipers and Jude traitors. I am going back home. I hope he dies quickly and with not much suffering. 

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Zumbis sobre o Atlântico

FURACÕES-ZUMBIS

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM

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E você achava que Covid-19, Pandemia, queimadas na Austrália, Estados Unidos e Brasil, Flamengo sem Jesus, e crise econômica planetária já eram desgraças o bastante pro ano de 2020 entrar para a História? Errou. 2020 ainda não acabou, e os cientistas do National Weather Service dos Estados Unidos identificaram um fenômeno assustador, segundo eles, causado por mudanças climáticas no mundo: as tempestades – zumbis.

Como o nome sugere, o fenômeno raro ocorre quando tempestades tropicais voltam à ativa, depois de “mortas”. E foi o que aconteceu com o furacão Paulette, que atingiu as Bermudas, no dia 14 de setembro, semanas como um furacão de categoria 1, chegou rapidamente à categoria 2, atingindo seu pico de intensidade com ventos de 106 km/h. Na noite do dia 15, já começou a perder força e se transformar numa tempestade extratropical. Virou chuvinha no dia 16. Morreu Paulette. Só que não. Foi se movendo pro sul, pro leste, fraquinha, e de repente, no dia 22, ressurgiu com força surpreendente, perto das ilhas Açores, na costa da África, com ventos de até 95 km/h.

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Scopio. Cloudy skies by Katherine Thompson.

2020 é um sério candidato a bater recordes em tempestades-zumbis no Oceano Atlântico, porque já é também recordista na temporada de furacões e ciclones. As águas de boa parte do Atlântico, e em especial, do Golfo do México, estão com temperaturas acima da média histórica, o que favorece ao surgimento de maior número de tempestades. E assim como Paulette, de volta ao mundo dos vivos, outras tempestades aparentemente mortas e dissipadas, encontram condições favoráveis à regeneração.

Segundo o National Weather Service dos Estados Unidos, Paulette perdeu força, virou chuva e se dissipou. Morreu de novo, ontem, dia 30 de setembro, ao sul dos Açores. Esperamos que continue assim.

FROM WATER TO ASHES: FLAMES RAVE THE WORLD’S LARGEST TROPICAL WETLAND —THE BRAZILIAN PANTANAL

Pantanal is the world’s largest tropical wetland and is currently in the midst of a fire crisis of unprecedented proportions. Known for its rich biodiversity and sprawling landscapes that extend across Brazil into Bolivia and Paraguay, Pantanal is under siege by devastating wildfires that threaten its diverse wildlife and the livelihoods of thousands who depend on its resources.

On August 6, in a mere 24 hours, the fire consumed more than 100,000 ha, reaching 8.7% of the biome. According to data from the Environmental Satellite Applications Laboratory of the Federal University of Rio de Janeiro (Lasa-UFRJ), this staggering rate of destruction already exceeds the 1.3 million hectares of area affected by fires since the beginning of 2024.

HOW DID WE GET HERE?

The Pantanal fires are not a mere act of nature but a confluence of human activity and environmental factors that have disrupted the delicate balance of this wetland ecosystem. During the dry season, which peaks from July to September, the marshes recede and the grasslands dry out, providing ample fuel for fires. However, more controllable factors have magnified the scale and intensity of recent fires.

Agricultural practices in the region, including clearing land for grazing and crop production, often use fire. These man-made fires, which local farmers usually start, are meant to be controlled but can easily escape boundaries under particular wind and weather conditions, leading to widespread destruction. Furthermore, the region’s escalating deforestation rates contribute to a drier regional climate, making the Pantanal more susceptible to fires.

The numbers paint a bleak picture. In 2020, nearly 30% of the Pantanal, which covers an area of about 4.5 million hectares, was consumed by fire. It was not only a record but also a devastating blow to an ecosystem home to hundreds of species of birds, the elusive jaguar, and countless other wildlife species, many of which are already threatened by environmental changes.

The fires in the Pantanal also release massive amounts of carbon dioxide, contributing to the greenhouse gas emissions that drive global warming, further exacerbating the cycle of drying and burning. Smoke from the fires poses a severe health risk to local populations, with respiratory ailments rising during and after the fire season.

HOW CAN WE NAVIGATE THE FLAMES?

Addressing the crisis in the Pantanal requires a multifaceted approach. On the ground, more robust monitoring and enforcement are needed to control the use of fire in land management and prevent illegal burning. Improving fire management practices, creating firebreaks, and enhancing the capabilities of firefighters in these often remote areas are also critical.

Scientific research also plays a crucial role. Understanding the ecological impacts of these fires can help formulate strategies to restore damaged areas and manage the land more sustainably. Efforts to rehydrate the wetlands by conserving headwaters and restoring native vegetation could help restore the Pantanal’s natural balance and resilience.

As Brazil battles these relentless fires, the survival of the Pantanal hangs in the balance. The path forward requires national resolve and international cooperation, ensuring that the flames do not permanently alter one of the most biodiverse landscapes on Earth. It is a call to action for all stakeholders, from local farmers to global policymakers, to safeguard the future of the Pantanal for today and generations to come.

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ADORÁVEL ATIVISTA

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A carinha e o jeito são de menina: veio com os cabelos presos num coque, com tiara azul-céu, e vestido branco e preto de alcinhas para aguentar o calor úmido de 35 graus, que fez hoje em Washington. Enfeitou-se com argolas nas orelhas e uma gargantilha discreta. Yolanda Renee King só tem 12 anos, mas já faz parte da História de luta dos negros americanos. Hoje, ela emocionou e surpreendeu milhares de pessoas, reunidas na Marcha de Washington.

        “Minha geração já tomou as ruas– pacificamente, com máscaras e distanciamento social – para protestar contra o racismo” – ela disse. “E quero que os jovens aqui se juntem a mim, prometendo que apenas começamos essa luta – e que nós seremos a geração que vai mudar do eu para o nós.”

         Yolanda faz parte da chamada geração Z – aqueles nascidos depois do ano 2000, da qual também faz parte a adolescente sueca Greta Thunberg, que se tornou conhecida no mundo inteiro, brigando com gente grande contra o aquecimento global e a devastação do meio-ambiente. Greta foi a personalidade do ano de 2019 da revista Times.

         “Grandes desafios produzem grandes líderes” – disse Yolanda, com a convicção de quem conhece de perto a equação.

          Yolanda é neta do pastor e líder do movimento dos direitos civis, nos Estados Unidos dos anos 50 e 60, Martin Luther King.  Num 28 de agosto de 1963, há 57 anos, reuniu milhares de pessoas, no mesmo cenário, para pedir o fim do racismo e das injustiças contra os negros americanos. O discurso do reverendo King ficou famoso: “Eu tenho um sonho”.  Mais de meio século depois, a mensagem dele ainda está viva em movimentos como “Black Lives Matter”. E é inspiração para a única neta.

         “Menos de um ano antes de ser assassinado, meu avô previu esse momento que estamos vivendo agora” – disse Yolanda à multidão. “Ele falou que estávamos entrando numa nova fase de luta. A primeira fase foi a dos direitos civis, e a nova fase seria a luta pela igualdade genuína.”

          Yolanda mora com os pais – Martin Luther King III e Andrea Waters King – em Atlanta, cidade natal do avô. Ela já foi personagem de um programa da rede de TV NBC – que mostra crianças e jovens com potencial pra mudar o mundo. Em 2018,  Yolanda teve uma participação memorável na Marcha por Nossas Vidas, que reuniu jovens americanos contra a violência das armas, logo após o tiroteio na Escola Marjory Stoneman Douglas, em Parkland, na Florida.  Saiu consagrada

           Nesta sexta-feira, no Memorial de Lincoln, Yolanda foi apresentada à multidão pelo pai, Martin Luther King III, que antes de discursar, pediu que ouvissem a filha. Engraçado ver como a menina quase tímida, tentou ajustar o microfone à sua altura, e de repente, cresceu e se transformou em um leão, rugindo contra as injustiças, fazendo os milhares que a assistiam se emocionar.  Cada vez que era aplaudida, dava aquele sorriso de criança, às vezes desconcertada, às vezes reconfortada pela calorosa recepção. Ela mesma escreveu seu discurso, que durou pouco mais de 3 minutos e meio.

            No final, Yolanda fez a multidão cantar com ela:

           “Mostrem-me como é a Democracia!”- repetia.

           “Isso aqui é a Democracia!” – bradavam todos, empunhando cartazes e faixas.

          Eu sou suspeita. Criança que briga pelo que acredita, me empolga demais. Mas tem muita gente como eu. Fui conferir as reações ao discurso nas redes sociais. Esperava ver muitos comentários positivos, é claro, mas também aqueles agressivos e antipáticos. Surpresa: a esmagadora maioria aplaudiu, chorou, se empolgou, e se encheu de esperança com Yolanda. E não foram poucos os que já lançaram a candidatura dela à presidência dos EUA, em 2030.

         Se você quiser assistir ao discurso completo de Yolanda Renee King, clica aqui.