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        <title><![CDATA[Stories by mortuária on Medium]]></title>
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            <title>Stories by mortuária on Medium</title>
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            <title><![CDATA[Ainda há. Seus olhos minha mente.]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[mortuária]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 16 Mar 2026 10:04:18 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-03-16T10:04:53.118Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/720/1*Ayp9Wgox0F7bWhZjGPqKSA.jpeg" /></figure><p>Ainda há. Seus olhos minha mente. Como um eco que não se apaga. Ainda haverá um amanhã sem você? A pergunta ressoa. E ressoa. Tudo que me resta são lembranças... restos de vida que insistem em pulsar, mesmo na ausência. Essas lembranças, tão vivas, serão revividas dia após dia. Até que meu coração ceda, sucumba ao peso de existir, e minha alma, exausta, seja levada deste mundo.Porque o que me prendia ao chão tinha olhos castanhos. Tinha cabelos ao vento e um sorriso que... arrebata. E agora? Agora, o que prende meus pés é o silêncio, o vazio. Essa vastidão é chamada mundo, onde as chamas crescem, insidiosas. Tudo que me restou foi escrever. Escrever porque o que ainda habita minha mente é aquilo que se foi. Que não volta. Nunca mais.Eu sou. Um ser medroso. Um ser que não conhece o mundo, mas que ainda assim, o procura. Procura sentido na vida. Olho em volta. E tudo que vejo é a mim mesma. Sempre a mim mesma, refletida. Um espelho infinito que revela a escuridão de minha alma, essa alma que, hora após hora, se envelhece. Estou ficando velha. Estou ficando pequena diante do futuro. O futuro... tantas perguntas, tantas incertezas, tantas crises que me assombram. Ansiedade que me devora. Porque o sentido, o que me mantinha no chão, se foi. E tudo que me resta é um horizonte. Um horizonte cheio de monstros. Eu mesma. ͏ ͏͏ ͏͏ ͏͏ ͏͏ ͏͏ ͏͏ ͏͏ ͏͏ ͏͏ ͏</p><p>dália</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=969bb459f40d" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[“O coração morre uma morte lenta, perdendo cada esperança como folhas, até que um dia não resta…]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[mortuária]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 14 Mar 2026 13:21:39 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-03-14T13:22:08.221Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>“O coração morre uma morte lenta, perdendo cada esperança como folhas, até que um dia não resta nenhuma. Nenhuma esperança. Nada permanece.” – Arthur Golden (Em Memórias de uma Gueixa)</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/600/1*LBYo-8jrY3Jwh6DTKIq3VA.jpeg" /></figure><p>E nada permaneceu. Dentre a escuridão, foi como um vislumbre do que aconteceria, podre de minha alma. Agora, já não era pó. Não era nada. Nem as folhas que caminham entre o vento, em uma brisa de verão, seriam suficientes para este coração maldito.<br>Amaldiçoado a não sentir amor, a não pulsar ternura e nem reconhecer os próprios olhos depois de um pesadelo insalubre, cheio de monstros prontos, em devoção, para devorar o meu eu profundo.<br>Nenhuma esperança, somente solidão. Uma mulher trancafiada dentro de si. As amarras são uma corrente enferrujada. Seu alimento é pão e sua bebida também é escassa.<br>Não restou nada, nem os poemas rasgados de um amor não correspondido.</p><blockquote>O tempo corrói, destrói e te afunda, em uma imensidão oceânica. Te deixando para morte. Como uma âncora esquecida. (Dália Scrivani)</blockquote><p>Nesta âncora, navios passaram, mas ninguém foi suficiente para trazer à superfície. Lento, o tempo passa diante daqueles que sofrem. Eu sofro, algo que nem mesmo sei nomear.<br>É vermelho como carmim, sangue puro. Seus olhos esbugalhados, pouco cabelo na cabeça, quatro patas. É o tempo correndo lento, corroendo as paredes da minha própria consciência.</p><p>Sabendo que eu não sou suficiente para correr contra, me entregando à sua jogatina torturante. Me rasgando o peito, me deixando jorrar sangue. Apertando o maldito coração em meu peito.</p><p>O tempo é algo que corrói a mim e o restante que sobrou dos meus pensamentos, da minha vida e dos poemas que já escrevi. É como um livro antigo, prestes a esfarelar nas mãos ao tocar.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=1b385d73bd77" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Eu não me orgulho
de todas as vezes
que fingi não ter sentimentos.]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[mortuária]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 09 Mar 2026 11:02:32 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-03-09T11:02:32.409Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/735/1*OxkC6LoKf2GBBXXl2feJtw.jpeg" /></figure><h3>Eu não me orgulho<br>de todas as vezes<br>que fingi não ter sentimentos.<br>Todas as vezes<br>que olhei em seus olhos<br>e senti a sua alma<br>se apagar.<br>Tudo o que calei<br>por medo de te perder,<br>mesmo já te perdendo.<br>O vislumbre<br>da noite adentro,<br>das malas feitas<br>e sem despedidas.<br>A verdade é que<br>a gente nunca, de fato,<br>se conheceu.<br>Éramos jovens,<br>infelizes com nossas vidas,<br>buscando algo<br>em que se agarrar.<br>Agora somos adultos,<br>cheios de traumas<br>e problemas mal resolvidos,<br>onde mina<br>o espaço do amor,<br>não deixando<br>ele entrar.</h3><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=9b097481c411" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Silêncio,
está noite —
as árvores balançam,
o coração treme.]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[mortuária]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 10 May 2025 11:32:18 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-05-10T11:32:18.358Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/735/1*pSXBsLnWkrEwA2fQhet1xQ.jpeg" /></figure><p><strong>Silêncio,<br>está noite —</strong><br>as árvores balançam,<br>o coração treme.</p><p>Porque o silêncio da noite<br>é um grito<br>em meio à escuridão.<br>Uma despedida fúnebre<br>sem caixão,<br>como poemas doces<br>que ao se mastigar<br>revelam o amargor na boca.</p><p>A vida é assim:<br>amarga em sua forma bela<br>diante aos olhos,<br>mas visceral ao toque,<br>ao se viver.</p><p>De tanta dor,<br>a alma se desfaz.<br>E a dor na alma —<br>essa sim é perigosa.<br>É a que mata<br>sem que se perceba,<br>lentamente.<br>Apaga,<br>como se apagam luzes<br>de um coração que já foi casa.</p><p>É uma despedida fúnebre,<br>essa noite.<br>Besta noite silenciosa<br>que devora o que há de mais belo<br>em mim.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=609af825bb75" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Quase inteira de mim]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[mortuária]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 08 Apr 2025 02:20:31 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-04-08T02:20:31.386Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4><em>fragmento de um dia qualquer</em></h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/620/1*KE0jRnx2VCqrW5AkDKVLiw.jpeg" /></figure><p>Sinto-me sozinha nesta noite.<br>E tudo parece estranho.<br>Há um ruído mudo dentro de mim. Tento escrever. Tento.<br>Mas há algo que me puxa — um peso escuro. Um buraco negro sem nome.<br>Sem saída.</p><p>Tudo em mim… é como um caos miúdo.<br>Silencioso. Mas feroz.<br>Habita minhas entranhas. Vive lá dentro — rente à carne.</p><p>Faz tempo que não escrevo.<br>Mas hoje alguma coisa… alguma coisa martela na minha mente.<br>Corrói.<br>Pouco a pouco.<br>Capaz de me devorar inteira.</p><p>Por que alguém escolheria a solidão?<br>Eu me pergunto isso — e me contradigo. Porque é exatamente o que tenho feito.<br>Eu escolho.<br>Mas não escolho.</p><p>Meu corpo... é feito de solidão.<br>E minha mente cria mundos porque neste aqui, neste agora,<br>eu não sou a protagonista.<br>Minha história?<br>Sem enredo.</p><p>Sou, talvez, a antagonista de mim mesma.<br>Ou só uma figurante — dessas que passam ao fundo e somem.<br>Sou a mulher que sorri para quem brilha.<br>E depois some de cena.</p><p>Sou a piada que faz rir — e é esquecida.</p><p>E então, sim, às vezes, a solidão parece uma escolha.<br>Mas é só uma saída.<br>Um esconderijo para a dor.<br>Essa dor que se entranha. Que finca raízes na alma.<br>E tenta matar — de mansinho — o coração.</p><p>Não.<br><strong>A solidão como escolha não existe.</strong><br>Ela vem de algo mais cruel. Sempre vem.<br>É a pele da ferida.<br>É o último abrigo de quem já sangrou demais.</p><p>Porque <strong>sangrar</strong>…<br>às vezes…<br>é <strong>morrer</strong>.<br>Para si. Para o mundo.</p><blockquote>Eu sangro. Eu morro.<br>E renasço.<br>Mas quase nunca inteira.</blockquote><p>Escolher a solidão é se afastar do real. Do mundo.<br>É se afastar do sentir.</p><p>E, às vezes, é melhor do que o gosto amargo do vazio.</p><p>Porque o vazio…<br>é o nada.<br>É o silêncio que não canta. É parede branca.<br>É morte sem drama.</p><p>Antes sentir dor. Antes curar dor.<br>Antes uma ferida costurada do que o nada.</p><p>O que eu tento dizer… é que ao escolher a solidão, a gente se perde de si.<br>Deixa de sentir a si mesma.<br>Deixa de ouvir o vento.<br>Deixa de ver a beleza.</p><p>E ter medo é deixar o medo vencer.<br>É deixar que ele nos tranque — dentro da cela vazia.</p><p>Então eu prefiro sangrar.<br>Sim.<br>Mas com a esperança de estancar a ferida.<br>De reconhecer a cicatriz.<br>E ver nela… alguma beleza.</p><p>Não.<br>Não é romantizar a dor.<br>É entender o que é ser humana.<br>Ser humana é isso:<br><strong>Sentir.<br>Rachar.<br>Sangrar.<br>E se curar.<br>Mesmo com o gosto da morte ainda no fundo da língua.</strong></p><p><strong>Nota da autora</strong></p><p><em>Escrevi estas palavras numa noite em que o silêncio pesava mais do que qualquer som. Não procurei beleza nelas, mas verdade — mesmo que torta, mesmo que sombria. Às vezes, tudo o que conseguimos fazer é nomear a dor, para que ela não nos engula em silêncio. Talvez, ao escrever, eu tenha conseguido me alcançar um pouco mais. E se você, leitora ou leitor, se reconheceu em algum fragmento… então, por um instante, não estivemos sozinhos.</em></p><p><strong>Dália B. Scrivani</strong></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=566cb235cedb" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[O Amor, a Febre e o Abismo]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[mortuária]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 27 Feb 2025 19:43:33 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-02-27T19:43:33.314Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<blockquote>Porque amar você é isso: tocar o divino e o abismo ao mesmo tempo, sem saber onde termina um e começa o outro.&quot;</blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/600/1*bmb24fOu4WSU3H4GvD2xYA.gif" /><figcaption>Aimée &amp; Jaguar<br>1999 ‧ Guerra/Romance</figcaption></figure><p>Quando a noite cai e tudo se aquieta lá fora, dentro de mim há um tumulto—o desejo urgente de ter você junto a mim, colada à minha pele, dissolvendo-se em mim até que não haja mais fronteiras. Quero olhar nos seus olhos e encontrar aquilo que sempre me escapa, tocar sua pele como quem decifra um segredo, percorrer suas curvas como quem escreve um poema. Mulher minha, tão minha—e, ainda assim, sempre prestes a se perder.</p><p>E esse medo—esse medo que nunca tive antes—ele se espalha em mim como febre, como um amor insano que sussurra, que grita, que se entranha nos pensamentos. Porque amar também é isso: um medo que não se diz, mas que consome.</p><p>Eu preciso olhar nos seus olhos e dizer que te amo. Dizer como quem revela a única verdade que conhece, como quem se despe das palavras e se lança no abismo do que sente. Como em uma música de Cazuza, onde o amor é exagero, excesso, febre e poesia. Preciso dizer que te amo porque tudo em mim se curva ao amor, tudo se refaz na sua imagem—como se meu destino fosse apenas este: amar você até que o tempo se dissolva.</p><p>Eu não saberia escrever sobre outra coisa. Não saberia moldar palavras que não carregassem seu nome, que não tivessem seu peso, sua sombra, seu perfume. Escrever sobre o mundo? Mas que mundo existe sem você? Escrever sobre o tempo? Mas o tempo não é nada quando você está aqui. Então, escrevo sobre você. Sempre. Como quem respira, como quem sangra, como quem ama sem redenção.</p><p>Preciso dizer que te amo—não em um instante, mas em todos, sem começo nem fim. Porque o amor não cabe no tempo, e eu sou feita desse excesso, dessa febre que transborda. Poeta louca e quebrada, que encontra na sua existência o único sentido para continuar.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/736/1*l0JAVUNlvsXMfbkJMN0YTQ.jpeg" /><figcaption>Aimée &amp; Jaguar<br> 1999 ‧ Guerra/Romance</figcaption></figure><p>Porque, no fim, o amor não conserta. Ele não apaga cicatrizes, não reescreve o que já foi. Mas ele constrói. Constrói algo novo, algo indizível, algo que pulsa no peito como uma chama teimosa, que se recusa a se apagar. Algo que queima e aquece, que fere e salva. Todos deveriam sentir isso ao menos uma vez—esse desespero doce, essa certeza absurda, esse abismo onde se cai sem medo. Porque, pela primeira vez, cair é como voar.</p><p>Sou poeta, e já conheci o inferno e o céu. Já caminhei entre chamas e nuvens. Já vi o amor e a ruína se darem as mãos. Conheço os anjos—sei dos seus sussurros, dos seus olhos insondáveis, da luz que carregam. E um deles tem o seu rosto.</p><p>Seu rosto, que ilumina e fere, que acalma e devora. Seu rosto, onde repousam minha fé e meu delírio, onde encontro tanto o milagre quanto a perdição. Porque amar você é isso: tocar o divino e o abismo ao mesmo tempo, sem saber onde termina um e começa o outro.</p><p>Preciso dizer que te amo tanto, tanto, para que nunca haja o engano de que não sinto—quando, na verdade, o amor pulsa em mim como um segundo coração, desde o instante em que soube da sua existência.</p><p>Porque amar você não foi um ato de escolha, mas de destino. Aconteceu como um incêndio inevitável, como uma estrela que cai sem aviso. Desde então, cada batida minha carrega seu nome, cada respiro é um chamado silencioso.</p><p>E se digo que te amo tanto, é porque não há outra forma de existir sem que isso seja dito, repetido, gravado na eternidade.</p><h3>Nota final</h3><p>Esse texto nasceu de um excesso—de um amor que não cabe em mim e das palavras que sempre encontram um jeito de escapar. Inspirado pela intensidade de <strong>&quot;Eu Preciso Dizer Que Te Amo&quot;</strong>, de Cazuza, ele é uma confissão, um desabafo e, talvez, uma prece.</p><p><strong><em>P.S</em></strong><em>.: Entre o divino e o abismo, eu escolhi cair. E você?</em></p><p><strong>Escrevo para quem já amou sem redenção, para quem já sentiu o amor como febre e abismo. Se você entende, esse texto é para você. Me conta: o amor já te fez transbordar assim?</strong></p><p><strong>Caindo, queimando e escrevendo, porque é o que sei fazer.</strong></p><p><em>— Dália B. Scrivani</em></p><h3>Obrigada por ler. Siga-me para mais conteúdos como este — porque a poesia vive em cada palavra que compartilhamos.</h3><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=9e3b1aecd6a3" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Versos de uma Alma Chuvosa]]></title>
            <link>https://medium.com/@estroferis/versos-de-uma-alma-chuvosa-cce5d47c3ff9?source=rss-e7622907f863------2</link>
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            <dc:creator><![CDATA[mortuária]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 24 Feb 2025 01:34:25 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-02-24T01:34:41.734Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/564/1*Yc0GCF1TCrcb8gmuCgAGsA.jpeg" /><figcaption>Versos de uma Alma Chuvosa — Poema</figcaption></figure><p>Que cheiro de chuva, tão fria e densa,<br>a solidão pesa, é sombra imensa.<br>Como cheguei a este lugar?<br>Quais passos me fizeram naufragar?</p><p>Quanto vazio ainda terei?<br>Quantos domingos eu chorarei?<br>Respiro o vento que tudo invade,<br>mas ele não cura, só deixa saudade.</p><p>As árvores dançam num tom indiferente,<br>a chuva me toca, mas segue em frente.<br>Não é da tempestade que a folha se molha,<br>são lágrimas tristes que o tempo não colha.</p><p>Meus olhos veem um mundo a girar,<br>enquanto me perco sem me encontrar.<br>Se fosse um livro, que livro seria?<br>Crônicas mortas de um dia a dia.</p><p>Dizem que em meus olhos há alegria,<br>mas não veem a dor que neles ardia.<br>Dizem que sabem da minha aflição,<br>mas ignoram a minha prisão.</p><p>A verdade é corda que enlaça e aperta,<br>quanto mais corro, mais me desperta.<br>Quando terei liberdade, afinal?<br>Ou serei poeira em um vendaval?</p><p>Que esta chuva de domingo me leve,<br>que lave a dor que o peito percebe.<br>Que traga a solitude, afaste o sofrer,<br>me faça em paz, me deixe viver.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=cce5d47c3ff9" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Querida Olívia,]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[mortuária]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 18 Feb 2025 22:59:51 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-02-18T22:59:51.320Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/735/1*GxUrbluFqZzsWRN_lQGevw.jpeg" /></figure><p><strong>Querida Olívia,</strong></p><p>Dizer parece estranho. Mas tudo o que me alcança agora é uma dor desproporcional, uma coisa que vem e me toma inteira. Há momentos na vida em que tudo parece fora do lugar, e a consciência, traiçoeira, mistura o real com o que não é. Tento me buscar, mas me perco no caminho.</p><p>Eu queria que tudo estivesse bem. Eu queria ser perfeita. Mas a perfeição não existe, e tudo o que nos resta é dar o melhor de si. Ainda assim, minha mente me sabota. Sussurra que não sou suficiente. Que nunca serei.</p><p>Queria ser a melhor amiga, a melhor filha, a melhor neta, a melhor namorada. Mas o melhor nunca me alcança. Talvez eu ainda seja o bastante—mas e se não for?</p><p>Olívia, eu queria ser um pouco mais. Algo além dessa pele cheia de defeitos. Minhas qualidades gritam, mas são abafadas pelo peso do que sou.</p><p>Entre razão e emoção, escolho as duas. Porque sem uma, a outra não sobrevive. Ser humano é carregar a emoção nas mãos e a razão na cabeça, para que não esqueçamos o que nos faz existir. Para que possamos, quem sabe, silenciar os monstros.</p><p>O céu já escureceu e a noite me suga. Agora, Olívia, tudo o que me alcança são meus pensamentos—densos, silenciosos. Nesta terça-feira, a dor me invade. Não só emocional, mas física. Um nó que me aperta, me confunde, me mistura.</p><p><strong>Com sombra e silêncio,</strong><br><em>Dália B. Scrivani</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=777fd45db5c9" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[A sensação de perda — Relatos de um sonho ou seria um pesadelo?]]></title>
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            <category><![CDATA[books]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[mortuária]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 12 Feb 2025 01:33:45 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-02-12T01:33:45.544Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/736/1*EaXvt-QzgZnS-Lixb4HrPQ.jpeg" /></figure><p>Acordei chorando. Não era um choro comum, desses que vêm mansos e silenciosos. Era um soluço desesperado, arrancado de dentro de mim como se alguma coisa tivesse sido rasgada no meu peito. O quarto estava escuro, pesado, como se o sonho ainda pairasse no ar.</p><p>Eu tive um sonho ruim. Ou talvez fosse mais do que isso. Pesadelos às vezes parecem profecias invertidas, sombras de algo que já aconteceu ou que ainda pode acontecer. Alguns diriam que era só a mente pregando peças, outros, mais crentes, pediriam que eu tomasse cuidado—porque sonhos viram realidades, e pesadelos também.</p><p>Mas, ali, tudo o que senti foi um sufocamento. Como se algo dentro de mim estivesse preso, gritando sem som.</p><p>No sonho, você estava em uma casa bonita. Um lugar sereno, quase sagrado. As paredes brancas refletiam o sol dourado, as cortinas dançavam com o vento, e na varanda, lá estava você—segurando um bebê. Um menino. Seu rosto era o seu, seus olhos de amêndoas negras eram os seus, o sorriso, tão familiar, era o seu.</p><p>Eu estava do lado de fora. Distante. Invisível.</p><p>Foi então que alguém saiu da casa. Uma sombra antes de tomar forma. Uma figura que eu não reconhecia, mas que carregava uma presença inegável, sólida, inevitável. Observei de longe, o coração aos poucos diminuindo, parando, morrendo.</p><p>E então, essa pessoa tocou você.</p><p>E depois, tomou seus lábios.</p><p>O que era belo virou um quadro gasto pelo tempo, uma pintura desbotada. O céu azul perdeu a cor, o vento ficou imóvel, o mundo pareceu despencar de seu eixo. A tempestade veio sem aviso, e eu me vi ali, sozinha na chuva, encharcada pela ausência.</p><p>Me aproximei da janela. Lá dentro, você sorria. Você, ele e seu filho.</p><p>O ar me faltou. O peito se apertou como se mãos invisíveis me apertassem a garganta. Minhas lágrimas se misturaram às gotas de chuva, tornando-se parte de algo maior, dissolvendo-se no inevitável. Ajoelhei-me no chão.</p><p>Não. Não pode ser verdade. Isso não é real.</p><p>Pedi que parasse. Supliquei que este pesadelo se desfizesse, que a vida me devolvesse o que era meu, que ao abrir os olhos eu encontrasse você ao meu lado. Mas os sonhos não obedecem, eles se estendem como um veneno, infiltrando-se na pele.</p><p>Eu gritei. Não um grito comum, mas um que veio de dentro da alma, um que ecoou pelo vazio como um lamento de algo que já estava morto.</p><p>Porque ali, diante dos meus olhos, eu te perdia. A vida que deveria ser nossa escapava entre os dedos como areia fina.</p><p>Ali deveria estar você. Eu. Nosso filho.</p><p>Mas tudo o que havia era outro alguém. E você.</p><p>E então compreendi: o que me era mais precioso poderia ser tirado de mim.</p><p>Não. Eu não poderia deixar escapar.</p><p>Não poderia permitir que a vida decidisse por mim.</p><p>Não poderia deixar você ir.</p><p>Foi quando despertei.</p><p>A realidade chegou como uma onda brutal, me arrancando do abismo do sonho. O quarto estava escuro, mas a sua presença estava ali. Você despertou também. Moveu-se ao meu lado, tocou meu rosto molhado de lágrimas, sussurrou algo para me acalmar.</p><p>E a única coisa que fiz foi abraçá-la.</p><p>Apertá-la contra mim, como se, ao soltar, o pesadelo pudesse se tornar verdade.</p><p>&quot;Não me deixe&quot;, murmurei, a voz fraca, embargada, quebrada.</p><p>Não era dependência emocional.</p><p>Era amor.</p><p>Era o medo cru de perder o que ainda era meu.</p><p>O grande amor da minha vida estava ali, nos meus braços.</p><p>E eu não poderia, não queria, deixá-lo escapar.</p><p>Às vezes, não percebemos o tempo passando. Deixamos a vida nos levar, permitimos que a rotina assassine nossos desejos, que o medo tome conta dos nossos corações e que, pouco a pouco, o amor se torne um espectro do que já foi.</p><p>Guardamos palavras, sufocamos sentimentos, evitamos discussões, sem perceber que o outro espera justamente por isso—não pelo conflito, mas pela conversa, pela troca, pelo gesto simples de perguntar: &quot;O que você sente?&quot;</p><p>Deixamos o romance se perder como se o amor tivesse prazo de validade. Erramos ao dizer que paixão e amor são opostos, quando, na verdade, um não existe sem o outro. O amor precisa da paixão para arder, e a paixão, sem amor, é apenas um fogo que se consome em si mesmo, um brilho intenso que não aquece, um vazio sem sentido.</p><p>Você já sentiu medo de perder alguém? Isso é amor. Mas cuidado—não confunda amor com posse. Amar é temer a perda, sim, mas é também aceitar que, se acontecer, o sentimento permanecerá. Às vezes, não queremos perder alguém porque acreditamos que sem essa pessoa não existiremos. Mas amor não é prisão, não é domínio.</p><p>Amar é segurar as mãos abertas, sabendo que, se o outro quiser partir, ainda assim, o amor continuará ali.</p><p>Amem sem medo de amar, mas carreguem consigo o medo da perda—pois é ele que, no silêncio das noites inquietas, mostrará o caminho do amor verdadeiro. Quando tememos perder alguém, é porque essa pessoa é valiosa, porque sua presença molda nossos dias, porque, de algum modo, o mundo sem ela parece um lugar menos habitável.</p><p>E quando esse alguém corresponde, quando segura nossas mãos e nos dá a segurança que acalma o medo dentro de nós—saibam, isso é amor. Porque amor não é apenas paixão ou desejo, mas o abrigo onde repousamos em paz, onde a tempestade lá fora pode rugir, mas aqui dentro há calor e proteção.</p><p>Hoje, sonhei que a perdia. Vi você em uma vida que deveria ser nossa, mas não era eu quem estava ao seu lado. E tudo o que restou foi o vazio. Porque quando amamos de verdade, não buscamos apenas companhia, buscamos um destino compartilhado.</p><p>E mesmo que pareça um conto de fadas—mesmo que o mundo insista em desacreditar—há esperança na humanidade.</p><p>Acreditem.</p><p>Amem hoje, para que, quando o fim vier, possam partir em paz, sem arrependimentos, sem o peso do &quot;e se?&quot;.</p><p>Amem, ainda que doa.</p><p>Porque o vazio só se torna insuportável quando nunca soubemos o que é amar.</p><p><em>Dália B. Scrivani</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=47f127fac9ff" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA["Os Olhos da Decepção"
— relatos de uma pessoa (L)GBTQ+]]></title>
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            <category><![CDATA[psychology]]></category>
            <category><![CDATA[brasil]]></category>
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            <category><![CDATA[writing]]></category>
            <category><![CDATA[books]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[mortuária]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 09 Feb 2025 16:36:45 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-02-09T16:36:49.185Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/736/1*e4BzITcH3kM3aPeK6w2lzw.jpeg" /><figcaption>I am who I am, I love who I love and nothing more.</figcaption></figure><p>Quando me dei conta, já estava aqui. Quando percebi, já existia. Meu cérebro, antes silêncio, agora era pensamento. Mas eu era pequena. E não sabia.</p><p>Não sabia da vastidão do mundo.<br>Não sabia o que estava por vir.<br>Não sabia da maldade que habitava este planeta.</p><p>Apenas crescia. Mas crescer foi como ser empurrada para dentro de uma redoma de vidro. Eu não entendia. Só via os olhos deles. O desapontamento já estava lá, quieto, mas evidente.</p><p>E então, me tornei um nada.<br>Uma fracassada sem voz.<br>Sem ninguém.</p><p>O peso do mundo pousou sobre meus ombros, e eu aceitei.</p><p><strong>Ser e não ser</strong></p><p>Quero ser lida como normal. Não como aberração.<br>Quero respirar o mundo e alcançar minhas mãos aos meus sonhos.<br>Quero amar. Mas não em silêncio. Quero ser amada. Mas não em segredo.<br>Quero tantas coisas.</p><p>Mas parece errado querer o que todos têm e podem ter sem que sua vida esteja em risco.</p><p>Minha mãe não me reconhece.<br>Nem sabe que eu choro no silêncio.<br>Sou fruto do acaso, mas que virou desejo de criança.<br>Sou também a decepção no olhar dela.<br>Sei que sou o não esperado.</p><p>As pessoas sussurram. Dizem palavras que machucam e quebram.<br>Mas o que me destrói não são as palavras.<br>É o que vejo nos olhos dos meus pais: a decepção.</p><p><strong>O fardo invisível</strong></p><p>Sou uma boa filha? Dizem que sim. Eu percebo que sim. Faço mais do que deveria, deixando minha vida de lado, morrendo aos poucos sem que percebam.<br>Mas não serei boa filha quando tentar agarrar a minha felicidade.<br>Quando eu quiser o mundo, serei a ingrata.<br>A que nunca fez nada, a que nunca ajudou.</p><p>Mesmo que eu tenha carregado o peso do mundo em silêncio.<br>Mesmo que eu tenha amado sem ninguém perceber.<br>Mesmo que a felicidade transborde dentro de mim—porque me senti amada por uma garota—pois, aos olhos deles, eu não pareço merecê-la. Ou não pareço querer ser feliz.</p><p>Eles vivem. Eu sobrevivo.<br>Eles são livres. Eu sou prisioneira.</p><p>Sou o limbo de uma nação onde, todos os dias, pessoas como eu morrem e são retalhadas, porque a nossa existência os incomoda.<br>Os olhos dos meus pais são olhos carregados de decepção.</p><p>Eu sou a escória.<br>O amargor.<br>A doença que Deus precisa curar.</p><p>Sou tudo isso. Mas, no fundo, ele me ama, não é?<br>É o que dizem.</p><p>Mas eu tentei falar com ele.<br>E ele nunca respondeu.</p><p><strong>O silêncio de Deus</strong></p><p>Eu sou quem sou? Ou sou porque fui feita assim?<br>Por que estou aqui?<br>E você, quem é?<br>Por que não me responde?</p><p>Preciso ter fé? Preciso ter dor? Eu tenho!</p><p>Então me ouça.<br>Tudo o que há em mim são os olhares pesados dos meus pais.<br>Eu sou a decepção clara deles.<br>Sou o peso que arrastam.</p><p>Então, por isso, não mereço a felicidade? Aos olhos de seus “fiéis”?</p><p>Se eu te desafiar, você me responderá?<br>Se eu insistir, você me verá?<br>Você me dará mais consequências além das que já carrego?</p><p>Me diga que existe.</p><p>EU PRECISO DE FÉ PRA TE CHAMAR?<br>EU PRECISO DE ALGO PARA CONTINUAR, PORQUE TODOS OS DIAS OS MEUS MORREM.</p><p>ME DIGA, ME RESPONDA.</p><p>O silêncio de Deus.</p><p>EU SÓ QUERO SER FELIZ.<br>EU QUERO SER ALGUÉM.<br>EU QUERO SER AMADA.<br>EU QUERO VIVER, NÃO SOBREVIVER.</p><p>Quero o que qualquer um, lido como normal, tem. Mas quero sendo quem sou.<br>Quero respostas.<br>Quero que os olhos dos meus pais brilhem para mim—mas que não seja de decepção.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=5cb837a4d426" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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