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        <title><![CDATA[Stories by Luma Oliveira on Medium]]></title>
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            <title>Stories by Luma Oliveira on Medium</title>
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            <title><![CDATA[Um tempo de travessia]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Luma Oliveira]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 16 Apr 2025 20:27:44 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-04-16T20:35:15.090Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/414/1*JWXgDOgQRA_d7tLl3CxDuQ@2x.jpeg" /><figcaption>leia escutando: https://youtu.be/k6EQAOmJrbw?si=9cPzPcK_5uHXU4UB</figcaption></figure><p>a adolescência é um desses temas que me convoca, talvez porque há algo desse tempo, em sua desordem, ecoando uma pergunta que ainda me atravessa.</p><p>nas últimas semanas, o tema voltou à superfície com a estreia da série Adolescência. ainda não terminei de ver. o modo como a série expõe o fracasso do ideal me pegou pela angústia. ilustra um retrato cru, onde o mal-estar aparece sem mediação.</p><p>a série não oferece soluções, mostra simplesmente como esses jovens tentam lidar com a precariedade simbólica, com a ausência de garantias, com os impasses no laço social. para mim, tocou justamente nesse ponto: há uma queda dos ideais que escancara esse sujeito às voltas com o impossível de dizer.</p><p>de qualquer forma, a série não é o tema central desse texto. escrevo para tecer pensamentos sobre esse momento tão crítico, tempo de uma travessia à fantasia fundamental, que é a adolescência.</p><p>se o inconsciente é estruturado como linguagem, seguindo o axioma lacaniano, então ele não obedece uma linha de tempo atrelada à idade. o sujeito do inconsciente não se desenvolve em linha reta: ele retorna, repete e insiste fora da cronologia. Lacan nos lembra disso ao propor que o tempo próprio do sujeito é lógico, não cronológico: a travessia subjetiva não está garantida pela passagem dos anos, mas pela relação que o sujeito estabelece com o desejo e, por consequência, com a falta.</p><p>em “O Romance Familiar dos Neuróticos” (1908), Freud nos mostra como a criança cria uma versão ficcional de sua origem, muitas vezes idealizando ou substituindo os pais reais por figuras mais poderosas, pais “melhores”, mais “à altura” de seu sentimento de diferença.</p><p>o sujeito constrói uma narrativa para organizar a angústia causada pela experiência da falta. essa “montagem fantasmática” busca dar conta da ausência de garantias, do fato de que o Outro (seja a cultura, a linguagem, os pais…) é falho e incompleto.</p><p>rebeldia, silêncio, submissão ou ruptura: o adolescente tenta reinscrever seu lugar no desejo do Outro. é sempre a partir dessa fantasia fundamental que o sujeito tenta orientar seu desejo e sustentar uma posição frente ao real.</p><p>Sônia Alberti, no livro Esse sujeito adolescente (2009), aponta a adolescência como o tempo dos atos: um ato de coragem frente à inconsistência do ser. a ambiguidade aparece quando o apelo ao Outro se impõe como dificuldade no laço social, enquanto a separação emerge como solução enigmática, em tom de ruptura. são duas forças que se enfrentam em torno de um objeto comum: o advir do sujeito.</p><p>quando o adolescente vacila em sua tentativa de inscrever um lugar no mundo, de afirmar algo de si diante da falta de garantias, no esforço de separar-se do Outro, pode ser tocado um limite, que abre espaço pro acting out, ou ainda flertar com o pior: uma passagem ao ato.</p><p>talvez seja por aí a angústia causada em mim pela série: ali, o mal-estar não é maquiado, e o que se vê são sujeitos tentando sustentar algum desejo onde os ideais já não oferecem abrigo.</p><p>é disso que se trata – não de entender ou controlar, mas sim acompanhar. cada falasser inventa, a seu modo, uma saída possível. nesse movimento, mais do que uma resposta, talvez o que importe seja a escuta: não aquela que promete soluções, mas a que sustenta um lugar onde o sujeito possa se autorizar, ainda que cambaleando, a desejar.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=be623425fdde" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Fazer as pazes com a escrita (ou: larguei o saquinho de sofrimento)]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Luma Oliveira]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 10 Apr 2025 14:13:52 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-04-11T10:59:29.636Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="leia escutando: https://www.youtube.com/watch?v=yWi89zyss2E&amp;list=PLuzURgzrIc_1kWBV8Kkt1YPRd7nBTB-Ky&amp;index=3" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/640/1*xd3XdjtYP7HiCQb37v6wRA.jpeg" /><figcaption>leia escutando: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=yWi89zyss2E&amp;list=PLuzURgzrIc_1kWBV8Kkt1YPRd7nBTB-Ky&amp;index=3">https://www.youtube.com/watch?v=yWi89zyss2E&amp;list=PLuzURgzrIc_1kWBV8Kkt1YPRd7nBTB-Ky&amp;index=3</a></figcaption></figure><p>inauguro esse espaço de retorno à escrita. não é nostalgia que me move, mas consequência. escrevo não porque algo dói, mas porque passou. houve um tempo em que a escrita era sobrevivência, talvez um impulso catártico, uma descarga. hoje, ela me parece mais sinal de que algo se transformou.</p><p>nos últimos tempos, escrever me parecia distante. não por falta de assunto (assunto nunca faltou), mas porque eu estava virada demais pra dentro. acontece. quando o mundo parece cru demais, talvez seja preciso recolher-se lá no fundo da panela. por ali, a gente encontra a possibilidade de se abrigar num calor mais certo, que matura sem queimar.</p><p>em um desses períodos onde as coisas pareciam um pouco maiores do que eu poderia suportar, minha primeira analista me apresentou uma frase de Adélia Prado que diz assim: “De vez em quando, Deus me tira a poesia. Olho pedra, vejo pedra mesmo…”</p><p>na época fez sentido, sim, afinal o mundo tinha perdido suas cores… mas o corte, definitivamente, não tinha sido feito com faca afiada. cortou o suficiente apenas para chegar na epiderme do tempo de compreender. anos depois, releio com olhos de quem atravessou: o que?</p><p>se algo mudou, talvez tenha sido isso, o momento de concluir me parece cada vez menos distante, me percebo em outra posição. aquele saquinho de sofrimento, tão querido e familiar, que me fazia andar em círculos, perdeu seu peso. já não me identifico tanto com a melancolia, embora ela ainda se espreite por aqui, vez ou outra, claro! a escrita pôde voltar não mais como válvula de escape, mas como gesto de presença.</p><p>escrever, agora, é uma forma de me lançar de novo ao mundo com um olhar outro. um olhar que não busca certezas, mas se permite circular. um olhar disposto a enxergar mesmo se deparando com o inevitável, com um pouco de desorganização. percebo que no ato da escrita a gente tenta dar forma a esse caos com certa dignidade (quem sabe até acertamos umas vírgulas pelo caminho, né?).</p><p>Elena Ferrante diz:<br><strong>“Escrever é uma maneira de manter viva a parte de mim que não se rende.”</strong><br>talvez seja isso mesmo: escrever como quem não se rende. como quem se reinventa.</p><p>escrevo porque desejo.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=d746cf479ea0" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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