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        <title><![CDATA[Stories by Oitava Feminista on Medium]]></title>
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            <title>Stories by Oitava Feminista on Medium</title>
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            <title><![CDATA[Sentimentos, necessidades e limites pessoais em contextos feministas]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Oitava Feminista]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 24 Apr 2026 21:33:50 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-04-24T21:33:50.628Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3><strong>Falando sobre sentimentos, necessidades e limites pessoais em contextos feministas: compartilhando aprendizados</strong></h3><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*t6Ecxte9ZPAe9fP9kMmc6A.png" /></figure><p>Na Oitava Feminista, acreditamos que o centro de gravidade do fazer e do sentir das feministas é a relação — e isso inclui as relações entre companheiras de coletiva. <strong>Existimos em relação e geramos novos mundos através dela, e sua qualidade reflete no quanto conseguimos criar, crescer e viver nossa liberdade. Cuidar da relação é cuidar de si e da outra ao mesmo tempo.</strong></p><p>Se o modo de fazer política dos homens prega a impessoalidade e o afastamento, acreditamos que cultivar relações afetivas e laços de confiança entre membras de uma coletiva ou comunidade a fortalece.</p><p>Pensando nisso, revisitamos nossa formação em comunicação afetiva, a AbraçA (você pode ler sobre ela <a href="https://www.instagram.com/stories/highlights/17964473705715088/">nos destaques do nosso Instagram</a>), e no nosso primeiro encontro conversamos sobre sentimentos, necessidades e limites, e a importância não só de saber reconhecê-los e nomeá-los, mas de saber comunicá-los de forma autêntica e respeitosa.</p><p><strong>É um exercício reconhecer que expor os nossos sentimentos e necessidades pode, sim, alterar a natureza de uma relação ou de um conflito.</strong> Mas o oposto disso, e que geralmente fazemos em espaços de coletividade, é manter certos incômodos embaixo dos tapetes e fazermos a manutenção dos espaços com um conflito maior, acumulado, prestes a irromper a qualquer momento. Importante dizer também que, ainda que consigamos reconhecer e verbalizar o que precisamos, nem sempre a reação da outra pessoa se dirige ao que foi dito. Muitas vezes surgem dúvidas, resistências ou mal-entendidos. Isso faz parte do processo de construir relações mais conscientes e responsáveis, e também de amadurecer nossa leitura dos vínculos.</p><p>Foi a partir dessas conversas e reflexões que reunimos alguns aprendizados que têm nos ajudado a cuidar das relações em nossas coletivas e comunidades.</p><h3>Aprendizado 1: conhece-te a ti mesma</h3><p>Reconhecer nossos sentimentos, especialmente os de valência negativa¹, <strong>ajuda a identificar as necessidades por trás deles que não estão sendo atendidas — como necessidade de escuta, reconhecimento, segurança, apoio, pertencimento ou descanso</strong>. <br>Na prática: se eu me sinto desencorajada ou insegura na minha coletiva, talvez eu tenha necessidade de escuta, incentivo ou valorização das minhas ideias.</p><h3>Aprendizado 2: Eu e a Outra não somos a Mesma</h3><p>Todas temos sentimentos e necessidades, mas os vivenciamos de maneira diferente. Eu posso ter necessidades que a outra não tem, e ela pode se sentir afetada por coisas que não me afetam, por mais semelhantes que sejam nossas experiências.<br>Na prática: na dúvida, é melhor agir com curiosidade e perguntar em vez de presumir o que a outra pensa ou sente.</p><h3>Aprendizado 3: saber desenhar fronteiras</h3><p>É esperado de mulheres que estejam constantemente a serviço de outras pessoas, e mulheres que se preservam costumam ser vistas como egoístas, frias ou más. Entendemos que reconhecer as próprias limitações (do momento) e estar alinhada aos próprios valores e desejos às vezes significa dizer “não”.<br>Na prática: expressar com honestidade seus incômodos se algo que sua coletiva faz não está alinhado com o que você quer ou acredita. Respeitar o nível de proximidade e colaboração que você consegue ter com uma mulher com quem já se estranhou.</p><h3>Aprendizado 4: saber flexibilizar fronteiras</h3><p>Uma vez conquistada a habilidade de “dizer não”, também é importante não endurecer por completo a ponto de só fazer o que se quer e evitar o contato com a diferença. Com cuidado, confiança, gentileza e suavidade (para consigo e para com a outra), é possível renegociar as fronteiras para acolher as necessidades da(s) outra(s) também. O desconforto inicial é inevitável, mas, numa relação saudável e segura, é possível fazer essa transição sem recair em (auto) abuso e (auto) abandono.<br>Na prática: se permitir experimentar fazer algo, por sugestão das amigas/colegas de coletiva, que não seria sua primeira opção.</p><h3>Aprendizado 5: as relações nos mudam e mudam com a gente</h3><p>Assim como estamos sempre sendo e nos transformando, inevitavelmente as relações também mudam. Algumas se fortalecem e nos nutrem, outras nos deixam em estado de constante carência, outras passam a exigir mais do que podemos oferecer no momento. Identificar o lugar e a natureza das relações em nossas vidas e ajustar nossas expectativas também é um ato de cuidado (de si, da outra, da relação) e permite manter vivas as relações mesmo após terem mudado.<br>Na prática: aceitar que uma amizade ou afeto pode ter mudado ou acabado, mas isso não impede que vocês continuem trabalhando juntas como companheiras de coletiva.</p><p>Você já conversou sobre isso com suas companheiras de coletiva? Acha que é importante falarmos de nossos sentimentos, necessidades e limites com nossas companheiras?</p><h3>Nota:</h3><p>Sentimentos de valência negativa são aqueles que costumamos experimentar como desagradáveis, desconfortáveis ou difíceis — como tristeza, frustração, medo, insegurança, raiva, ciúme, desânimo ou sensação de desvalorização. O termo vem da psicologia e não significa que esses sentimentos sejam ruins em si; significa apenas que eles sinalizam que algo não está bem. Já os sentimentos de valência positiva são aqueles que costumamos experimentar como agradáveis e fortalecedores — como alegria, entusiasmo, tranquilidade, confiança, satisfação, orgulho, esperança ou sensação de pertencimento — e geralmente indicam que nossas necessidades estão sendo atendidas ou que estamos em situações que nos fazem bem.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=31b99bf6c663" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Em memória de Andréa, Cláudia, Luana e Marielle]]></title>
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            <category><![CDATA[feminismo]]></category>
            <category><![CDATA[antipunitivismo]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Oitava Feminista]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 20 Mar 2026 00:24:24 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2026-03-22T19:14:10.933Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>E uma pergunta para as feministas que somos: em que termos o Estado tem nos protegido?</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*Q2T0Jsnb_zSi3VE-gU1Xfg.png" /></figure><p>Doze anos sem Cláudia Ferreira. Dez anos sem Luana Barbosa. Oito anos sem Marielle Franco. No dia 15 de março, último domingo, Andrea Marins Dias foi tirada de nós.</p><p>Andrea Marins Dias, de 61 anos, foi atingida por disparos de arma de fogo durante uma ação da Polícia Militar, em Cascadura, zona norte do Rio de Janeiro. Cirurgiã oncológica especializada em endometriose, e reconhecida por seus colegas como uma mulher competente e com espírito colaborativo admirável, ela trabalhou nos últimos anos no Hospital do Câncer IV (HC IV) — Unidade de Cuidados Paliativos, e dedicava sua vida à saúde das mulheres.</p><p>Cláudia Silva Ferreira era trabalhadora, moradora do Morro da Congonha, também na zona norte do Rio de Janeiro, e mãe de quatro filhos. Uma mulher conhecida na vizinhança, que saía cedo para trabalhar e sustentava a família. Em 2014, foi baleada durante uma operação policial e teve o corpo arrastado por uma viatura pelas ruas do bairro.</p><p>Luana Barbosa dos Reis era mulher negra, lésbica, mãe de um menino, trabalhadora e moradora da periferia de Ribeirão Preto, em São Paulo. Entre amigas e familiares, era lembrada pelo jeito firme e pelo cuidado com quem estava ao redor. Em 2016, foi espancada por policiais militares após se recusar a ser revistada por homens e morreu dias depois em decorrência das agressões.</p><p>Marielle Franco era socióloga, vereadora no Rio de Janeiro, cria da Maré e militante de direitos humanos. Mulher negra, lésbica, companheira e amiga de muitas. Em 2018, foi executada depois de anos denunciando a violência policial e miliciana contra moradores de favelas.</p><p>Cada uma dessas histórias tem suas nuances, seus contextos e suas lutas por memória e justiça. Ainda assim, quando olhamos para esse intervalo de tempo, torna-se difícil não perceber o que essas mortes violentas têm em comum: mulheres negras atingidas por diferentes formas de agressões que passam, direta ou indiretamente, pelas mãos do Estado masculinista e de suas armas. Seria impossível mencionar todas as pessoas que o Estado nos tirou nos últimos anos, mas não queríamos deixar de trazer essas mulheres.</p><p>Tais memórias colocam diante do movimento de mulheres uma questão incômoda. Grande parte das políticas conquistadas em nome da nossa proteção se apoia no fortalecimento de instrumentos penais: mais crime tipificado, mais polícia, mais prisão. Mas como seguir apostando nesse aparato quando são essas mesmas ferramentas que historicamente violentam e matam mulheres negras e suas crias? Para além de Andrea, de Cláudia, Luana e Marielle, como esquecer das imagens pós-“Operação Contenção”, em outubro de 2025, de dezenas de mulheres negras velando seus filhos, irmãos, primos e maridos?</p><p>Afiamos nosso olhar para essas violências ouvindo as mães negras de favela — as Mães de Manguinhos, o Movimento Independente Mães de Maio, a Rede de Mães e Familiares de Vítimas de Violência da Baixada Fluminense, as Mães da Periferia de Vítimas por Violência Policial do Estado do Ceará, a Agenda Nacional pelo Desencarceramento, as Guerreiras pelo Desencarceramento, a Rede Nacional de Mães e Familiares de Vítimas do Terrorismo do Estado, e tantas outras articulações brasileiras que apontam problemas e caminhos para as questões prisionais.</p><p>Caminhamos também junto à Angela Davis, Françoise Vergès, Gina Dent, Erica Meiners, Beth E. Richie, e demais abolicionistas de cárcere que acreditam que um feminismo comprometido com o antirracismo deve estar disposto a se perguntar de que tipo de proteção estamos falando, e para quem ela realmente existe. Lembrar Andrea, Cláudia, Luana e Marielle é lembrar que a busca por justiça precisa levar em consideração as violências produzidas pelo próprio Estado. Precisamos olhar para isso, mesmo quando ainda estamos construindo as respostas.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=d44322f9e239" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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