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        <title><![CDATA[Stories by Natasha Menezes on Medium]]></title>
        <description><![CDATA[Stories by Natasha Menezes on Medium]]></description>
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            <title>Stories by Natasha Menezes on Medium</title>
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            <title><![CDATA[alguém]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Natasha Menezes]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 11 Sep 2024 03:48:54 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-09-11T04:09:26.154Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3>alguém que eu quero te apresentar</h3><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*iDvaAdrdNG3jAbab9RcY_g.png" /></figure><p>é engraçado falar sobre alguém, quase como num amigo oculto (ou amigo secreto?), quando a tarefa é descrever quem saiu no sorteio daquele saquinho cheio de nomes. o bicho sempre pega nessa hora, não é mesmo?</p><p>pois é! tive que ir bem fundo e chacoalhar, com um montão de nomes e histórias fascinantes. no final, tirei uma pessoa que realmente gostaria que todos conhecessem. essa pessoa tem por si só um nome muito bonito.</p><p>no entanto, uma das coisas que mais se destaca de primeira, assim que os nossos seus olhos se repousam nela, são seus olhos, suas sobrancelhas e a expressão que carregam. ora verdes, ora misturados com o castanho. tendo um jeito de parecerem confusos, assim como ela mesma. talvez seja por causa do seu signo? dizem que librianos são indecisos. pelo menos é a justificativa que essa pessoa faz sempre (SEMPRE) para seus atrasos e (in)decisões. uma confusão que, curiosamente, combina muito bem com ela.</p><p>é uma confusão que esconde a coragem para as aventuras da vida, mesmo com todas as dificuldades que surgem pelo caminho. essa pessoa já pisou em muitos cacos de vidro. aqueles pequenininhos, quase invisíveis, que parecem não machucar de imediato, mas que continuaram ali, incomodando. foram muitos cacos pelos quais ela passou, mas agora usa um salto bem alto, maior do que a minha cabeça, para dançar no pole dance e enxergar a vida por novos ângulos. se isso ajuda? com certeza!</p><p>e, falando sobre ângulos, essa pessoa é uma mistureba danada! um pouco mística, às vezes vegetariana, outras vegana, às vezes até sente saudade de carne. ora agnóstica, às vezes “fã do “O Segredo”, às vezes (talvez muitas) entrega tudo nas mãos do universo, às vezes até meio bruxa. e, em cada uma dessas versões, ela desperta uma vontade de querer ficar perto.</p><p>talvez seja essa curiosidade infinita que faça com que todos queiram estar ao lado dela, mesmo com aquela sobrancelha de bruxa má, que pode dar um certo medo… mas não é por acaso que, por onde ela passa, até os gatos buscam carinho. ah, e como esquecer de Banguela, seu gatinho preto, pretinho e dengoso? uma preciosidade que só aumenta seu encanto.</p><p>entre o mar, o sol, o silêncio e sua própria companhia, já foram muitos os momentos passados ao lado dela. porque, mesmo apreciando sua solidão, ela sempre encontra espaço para compartilhar com os outros. é capaz de conversar sobre tudo e qualquer coisa, seja com velhinhos no ponto de ônibus, tornando-se a melhor amiga deles, ou com as crianças, porque acaba sendo a tia mais divertida que existe.</p><p>no fim das contas, ela sempre deixa um pouco de si em todos os lugares que ocupa. e olha que ela já esteve em muitos lugares… quem a conhece acaba experimentando a saudade de tê-la por perto. poderia falar horas e horas sobre essa pessoa, mas é melhor parar por aqui, antes que alguém resolva roubar meu lugar de melhor amiga, não é mesmo?</p><p>com vocês, a encantadora Helena. ❤</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/399/1*CJEOotnCPTBBIninkNyuBQ.png" /></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=0ed84f68061b" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[“existe aquilo que você procura e aquilo que encontra, não é?”]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Natasha Menezes]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 11 Sep 2024 02:46:27 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-09-11T02:46:27.651Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*y6vsCkc0ZoJLmTvvaHEXoQ.png" /></figure><p>gosto de pensar que, mais do que uma escolha, meu nicho de atuação foi um encontro que se deu naturalmente, mesmo que por muito tempo eu não o tivesse percebido. desde sempre, estive cercada por mulheres. as voinhas, com suas histórias bem contadas, minha mãe, irmãs, tias, amigas, primas. cada uma carregava um jeito único de ser, mas havia uma similaridade que as unia: questões que, apesar de diversas, eram profundamente parecidas. sendo mulher, eu também cresci com inquietações que, desde cedo, me ensinaram a aceitar como “comuns” ou “naturais”. essa naturalização, tão repetida, me fez acreditar que essas questões eram intrínsecas ao nosso ser — mas, com o tempo, percebi que isso não era essencialismo, e sim algo que nos foi ensinado. aprendemos a engolir em seco, sem muito bem entender.</p><p>essa constatação é importante, pois fala de algo que está em todas nós, que vivemos e experimentamos diariamente. fui entender um pouco melhor, durante a faculdade. tinha um certo gosto estranho. por muito tempo, não sabia ao certo o que me movia. tudo parecia diferente do que eu conhecia. até que um dia, fiz uma disciplina sobre gênero, em outro curso — porque, ironicamente, na Psicologia, não havia nenhuma eletiva que abordasse esse tema. estava no terceiro período e, de repente, uma porta se abriu. uma possibilidade. ali, pela primeira vez, senti que aquele era um espaço em que queria estar. muitas das coisas discutidas eu já conhecia, a gente sabe, né? naquele ambiente, senti que essas questões estavam sendo legitimadas. e o mais incrível: havia outras pessoas pensando como eu. “uau”, pensei. não estava sozinha.</p><p>com essa porta aberta, pude respirar aliviada e pensar: “é por aqui que quero caminhar”. logo vieram os estágios, e em cada lugar que passei fui confirmando esse sentimento. mas foi especificamente no CAPS que algo se consolidou. ali, escutando as mulheres, senti que meu coração encontrou um lar. foi um daqueles encontros que parecem destinados. não era apenas o fato de serem mulheres — havia algo mais. muitas delas me lembravam quem eu era, quem sou e quem posso vir a ser. elas me conectavam às minhas origens, àquelas mulheres que me acompanharam desde sempre. suas histórias eram singulares, mas, ao mesmo tempo, permeadas por questões tão parecidas. não era só sobre gênero. havia também os recortes de raça, classe — tudo isso entrelaçado.</p><p>esse movimento interno me levou a escolher o tema do meu trabalho de conclusão de curso. sempre ouvi dizer que o TCC é uma grande fonte de angústia, e não foi diferente para mim. o desafio de decidir sobre o que escrever parecia enorme. acabei escolhendo falar sobre mulheres — mas também sobre capitalismo, sobre classe. e, à medida que mergulhava no tema, em leituras e estudos, muitas vezes me vi paralisada diante da página em branco. não por falta de ideias, mas pelo peso do que eu sentia. era um sentir tão profundo que, às vezes, me impedia de continuar.</p><p>ser mulher é viver a duras penas. enxergar as violências, as exigências, os distanciamentos de si mesma é doloroso. com o tempo, ouvindo as histórias das mulheres na clínica, percebi que esse trabalho sempre me entusiasmou. ver uma faísca de incômodo surgindo em meio às narrativas era algo que me fazia vibrar. sentia um entusiasmo quase infantil, saindo do trabalho com aquela sensação de “isso é incrível”. algo que eu poderia passar horas falando, sem me cansar. e, assim, fui descobrindo que, mais do que uma escolha, esse foi um encontro. um encontro que me encanta e que eu escolho, todos os dias, continuar vivendo.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=79810261b50d" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[a maria que não queria ser]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Natasha Menezes]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 30 Aug 2024 21:19:15 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-08-30T21:47:27.586Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>em um dia ensolarado, a pequena Maria José, de joelhos, escrevia seu nome na beira da janela. aprender a escrever seu nome era um feito e tanto! ela o repetia várias vezes, com empenho e orgulho, como se cada letra desenhasse um futuro novo. aprender algo era como desvendar um mistério.</p><p>sua mãe, em meio às lutas do cotidiano, quando a encontrava desenhando, chamava com urgência: “você sabe que não é lugar para ficar! tem que varrer o pátio, alimentar os bichos!”. e Maria José, convocada, corria com pressa, ajeitando o espaço ao seu redor. cumprindo as tarefas que lhe eram convocadas.</p><p>dia após dia, Maria vivia para os afazeres, como se não houvesse outra escolha. o tempo passava rápido, como um piscar de olhos, e, de repente, Maria se tornava adulta. sem entender bem como o futuro tinha chegado tão depressa. ao seu redor, as tarefas de sua mãe, de sua avó, se repetiam como um eco antigo: ela acordava, limpava, cozinhava, cuidava, e se tornava mãe, mantendo e exercendo todas as funções que lhe foram ensinadas. o tempo, implacável, fazia com que aquela pequena maria josé, que tanto gostava de escrever seu nome e descobrir coisas novas, se perdesse na repetição do que já conhecia (ou do que já era esperado dela).</p><p>assim, como esperado, Maria José se tornava mãe de muitas outras marias: de Fátima, das Dores, do Carmo… e, com o tempo, passou a reproduzir as mesmas exigências que sua mãe fazia. chamava a filha caçula, Lurdes, que também gostava de olhar o céu e desenhar, e dizia: “não é lugar para você, menina! vá fazer suas tarefas, que isso aqui não é brincadeira”.</p><p>havia sempre esse “não é lugar para você”. a única possibilidade para aquelas meninas era repetir o que suas mães e avós tinham feito antes delas. as Marias não podiam escolher. largavam os estudos, assumiam o trabalho, as mãos endurecidas pelo tempo e pela rotina. ali, naquele espaço rígido, não havia flexibilidade; ali, o futuro não passava de um reflexo do passado.</p><p>como Maria José poderia sonhar com outros futuros, se o presente pedia urgência? como tantas de nós, quantas vezes já ouvimos esse “não é o seu lugar”? quantas vezes desistimos, porque nos fizeram acreditar que o nosso destino já estava traçado? quantas de nós continuamos a repetir essas histórias, porque o agora nos engole com suas necessidades? as vidas das Marias, de ontem e de hoje, parecem responder a essas perguntas com um silêncio que ecoa longe, tão longe quanto os sonhos que um dia tiveram.</p><p>Maria José, na sua pequena janela, talvez tenha vislumbrado outros horizontes. talvez, por um instante, tenha acreditado que poderia haver algo mais além daquela repetição. mas, como a vida é muitas vezes, urgente, ela convoca e intima, e o tempo passa sem esperar.</p><p>em um mundo onde tantas marias ainda são convocadas a renunciar aos seus sonhos, é impossível não questionar: até quando aceitaremos essa repetição? até quando deixaremos que a urgência do presente roube o direito de sonhar com outros futuros? essa cadeia de destinos não pode mais ser encarada como natural, como se fosse inevitável.</p><p>é difícil perceber, mas quantas vezes seguimos caminhos que não escolhemos, acreditando que era o que devia ser feito? quantas vezes aceitamos a repetição do que já foi, sem sequer imaginar que poderia ser diferente? talvez, a história de tantas Marias esteja também em nós — nas decisões que tomamos sem questionar, nas vezes em que deixamos de criar, de errar, de experimentar, de descobrirmos outras possibilidades.</p><p>a vida, afinal, não precisa ser uma reprodução do que nos ensinaram — ou do que fizeram de nós. e se o futuro for mais do que apenas um reflexo do passado? e se houver novos caminhos, ainda invisíveis, mas possíveis? talvez, ao nos incomodarmos, possamos encontrar a coragem de romper o ciclo, de reescrever nossa própria história, como tantas Marias sonharam, em silêncio, diante de um céu com limites.</p><p>referência para a produção desse texto:</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FyFpoG_htum4%3Fstart%3D63%26feature%3Doembed%26start%3D63&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DyFpoG_htum4&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FyFpoG_htum4%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/ab1e459176f05954c807ae5842e38461/href">https://medium.com/media/ab1e459176f05954c807ae5842e38461/href</a></iframe><ul><li>escrevi motivada pelo desafio da minha mentora Núbia, de contar a história de alguém. ♥</li></ul><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=77f265b3c22d" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[e(s)trelinha de formigas]]></title>
            <link>https://medium.com/@sernodevir/e-s-trelinha-de-formigas-07cc1fb56a94?source=rss-d59b6e7d58f7------2</link>
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            <dc:creator><![CDATA[Natasha Menezes]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 30 Aug 2024 15:40:26 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-08-30T15:40:26.467Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>o que eu quero falar aqui, está nas entrelinhas,</p><p>ou melhor, nas e(s)trelinhas</p><p>quando o céu se veste de sociedade, <br>as mulheres podem ser vistas como estrelas, <br>minúsculas e luminosas, <br>perdidas em um espaço imenso</p><p>cada uma brilha do seu jeito, <br>mas, ao longe, sua luz pode parecer fraca, <br>ofuscada por faíscas que as enganam</p><p>as estrelas podem ser como formiguinhas, <br>pequenos pontos sob um céu infinito<br>tão pequenas, quase invisíveis, <br>que, entre um espaço e outro, uma fantasia sussurra: <br>“será que meu brilho é suficiente?”</p><p>como estrelas que hesitam em brilhar, <br>acreditamos ser menos, <br>já que vemos outras estrelas cintilando mais forte, <br>ou a nossa própria luz <br>acaba se dissolvendo na imensidão</p><p>mas, quando nos aproximamos e observamos</p><p>vemos que essas formigas, <br>ainda que pequenas e dispersas, <br>têm um brilho que fica único em conjunto</p><p>a vastidão do céu revela um entrelaçar de luzes, <br>onde cada estrela, cada formiga, <br>contribui para um espetáculo</p><p>apesar de não sermos iguais, <br>formamos um céu estrelado, <br>um universo onde cada ponto, <br>com seu brilho próprio e singular, <br>ajuda a iluminar o todo</p><p>nessa imensidão, nossa luz pode parecer pequena, <br>mas é a soma das nossas luzes <br>que faz esse céu brilhar</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=07cc1fb56a94" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[o diploma e o que vem depois]]></title>
            <link>https://medium.com/@sernodevir/o-diploma-e-o-que-vem-depois-1ac44682d861?source=rss-d59b6e7d58f7------2</link>
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            <dc:creator><![CDATA[Natasha Menezes]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 29 Aug 2024 20:30:32 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-08-29T20:30:32.900Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>não por acaso, hoje, cruzei com um trecho de um dos meus filmes favoritos, “o fabuloso destino de amélie poulain”. nessa cena, é dito que a vida de amélie mudaria em 48 horas. curiosamente, foi nesse mesmo período que algo se transformou na minha vida: o dia em que me formei como psicóloga.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/564/0*5jRVFcvsE3Z3L7pB.jpg" /></figure><p>esse momento foi um ponto de virada, uma encruzilhada onde o possível e o impossível se encontraram. minha mãe, a mulher que mais admiro, estava ao meu lado, testemunha silenciosa de uma conquista pessoal e coletiva. ao me formar, ocupei um espaço que parecia, muitas vezes, fora do meu alcance. a ficha, porém, não caiu naquele instante. o peso do diploma nas minhas mãos não trouxe lágrimas, mas um silêncio profundo, como se o momento ainda estivesse se desenrolando dentro de mim.</p><p>um ano depois, ao olhar para o calendário e relembrar aquele dia, comecei a me questionar sobre o lugar que ocupo nessa jornada como psicóloga. será que o diploma é o que me define? ou é a constante transformação e o (re)fazer-se a cada dia que realmente moldam meu destino?</p><p>enquanto o destino de amélie mudaria em 48 horas, o meu, talvez, mude a cada instante. a transformação não se resume apenas a um evento específico, mas de reconhecer as inúmeras possibilidades que emergem no caminho. assim como amélie experimentou um momento de mudança, minha trajetória também inclui momentos de renúncia e novas descobertas. o diploma simboliza uma conquista e uma prova de que trilhei um caminho que escolhi e que, apesar das dificuldades, tornou-se possível para mim.</p><p>mas a jornada não termina aqui. é necessário continuar em movimento, (re)fazendo-me e (re)construindo-me a cada passo. não posso permitir que o ideal de ser psicóloga se cristalize; há tanto a aprender, a deixar para trás e a descobrir. e, talvez, esse seja o meu “<em>verdadeiro”</em> destino: seguir explorando tudo aquilo que ainda não sei.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/403/1*vm9lwUGN4Pq0_ZNN-FZz3Q.jpeg" /></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=1ac44682d861" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[álbum de fotos]]></title>
            <link>https://medium.com/@sernodevir/%C3%A1lbum-de-fotos-2f6565184cbf?source=rss-d59b6e7d58f7------2</link>
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            <dc:creator><![CDATA[Natasha Menezes]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 26 Aug 2024 20:42:07 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-08-26T20:47:48.910Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>sabe aquele álbum de fotos que deixamos de lado, empoeirado, com as memórias de quem já fomos? lá estão registrados momentos que moldaram quem somos hoje, fragmentos de uma história que continua a se construir. às vezes, sentimos saudade de algo que já fomos, encontramos uma parte de nós que parecia perdida, ou não queremos voltar a ver memórias que foram doloridas. ao folhear essas páginas, sem pressa, revisitamos nossa própria história.</p><p>a psicoterapia pode ser um espaço parecido como abrir esse álbum. é um momento dedicado a olhar para dentro — mas também para ao redor, para quem fomos, somos &amp; seremos. nela, olharemos para as páginas que encontraremos juntas e refletiremos sobre nossas escolhas. faremos muitas perguntas: quais fotos te fazem feliz? quais fotos você quer de volta? quais fotos você quer descartar? quais fotos você quer tirar a poeira?</p><p>olhar para essas fotos (e para os espaços vazios) é mais do que uma simples lembrança — é um encontro consigo mesma. esse espaço, onde, com cuidado e atenção, podemos reescrever as narrativas que nos definem e dar novos significados às nossas experiências, assim como organizamos as fotos em um álbum.</p><p>nesse espaço, não apenas relembramos — <strong>nós escolhemos</strong>. escolhemos o que queremos manter, o que queremos transformar, e o que queremos deixar para trás. cada foto que decidimos manter ou descartar é uma afirmação do nosso direito de ser quem somos e quem queremos ser.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=2f6565184cbf" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[por favor, pare este trem.]]></title>
            <link>https://medium.com/@sernodevir/por-favor-pare-este-trem-5c2131368355?source=rss-d59b6e7d58f7------2</link>
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            <dc:creator><![CDATA[Natasha Menezes]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 31 Jan 2024 19:24:56 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-01-31T19:24:56.384Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<ul><li>“<em>Não consigo suportar a velocidade em que ele se move</em>”.</li></ul><p><em>Tudo o que eu vejo é atravessado pelo tempo</em>. Tic-tac. Podemos perceber a marcação do tempo através dos fenômenos da natureza (amanhecer, entardecer e anoitecer), o tempo do calendário gregoriano, o tempo do trabalho/da produção, o tempo como a simples representação do relógio — que nos indica que <em>ele tá passando</em>.</p><p>Mas <strong>o que há</strong> nele que tanto nos inquieta? Quando escutei a música do John Mayer, “<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Mp8AhBV_5nI">Stop This Train</a>”, algo me mobilizou. Escutei de novo. O que tinha <strong>ali</strong> que me mexeu <strong>tanto</strong>? Era sobre a <strong>possibilidade</strong> que temos diante do <strong>tempo que nos é dado</strong>? (<em>quase</em> parafraseando Gandalf 😅). Nessa canção, podemos notar que uma das questões que surge é o fato de que esse trem (que nada mais é do que a vida), está em curso — e junto com ela, as fatalidades e as belezas que carregam consigo.</p><p>John pede quase como uma prece, para que o seu trem <strong>dê uma pausa</strong>. Porque ele tá<strong> correndo depressa demais</strong>. Essa corrida que é a <strong>vida</strong>, faz com que percamos a noção de que daqui a pouco nossos pais vão envelhecer, que as crianças não serão mais crianças, que nós envelheceremos e quando menos esperamos, percebemos as fichas caindo de que <strong>a vida também tem seu fim</strong>.</p><p>A vida sendo esse trem que toma como percurso o tempo do que está por vir. E ele parece acelerado. Contudo, por-vir também implica uma abertura do que nós também não conhecemos o que pode surgir. Implica o <strong>mistério da própria vida</strong> e o que<strong> podemos fazer com ela</strong>. Como bem coloca a Clarice:</p><blockquote>“O tempo corre, o tempo é curto: preciso me apressar, mas ao mesmo tempo viver como se esta minha vida fosse eterna.” <em>em A descoberta do mundo.</em></blockquote><p>De fato, <strong>o trem da vida realmente não vai parar</strong>. Ele vem com o seu tic-tac bem agitado, mas também<strong> trazendo novos amanheceres</strong>. Como você tem aproveitado esse trem que é a vida? Como tem se dedicado aos pequenos prazeres? Realmente estamos orgulhosos do tempo que nos é dado?</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=5c2131368355" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[livro #1. O livro do desassossego.]]></title>
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            <category><![CDATA[resenha]]></category>
            <category><![CDATA[resenha-de-livro]]></category>
            <category><![CDATA[indicação]]></category>
            <category><![CDATA[resenha-literária]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Natasha Menezes]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 21 Nov 2023 18:25:22 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2023-11-21T18:25:46.184Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>“<em>Livro do desassossego</em>” é um livro que tava na minha lista de desejo já tem um tempinho… esse ano não deixei escapar.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/900/1*S7iq4fDYp_hvRKFSOoA4zw.jpeg" /></figure><p>pelo o que andei sabendo, Fernando Pessoa, é um escritor que utiliza muitos heterônimos (<em>que é basicamente uma criação de personagens, que os autores assumem com outros nomes, personalidades etc. e assinam as suas obras</em>).</p><p>nesse livro especificamente, ele fala que é composto por “<em>Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa</em>” (note que o personagem tem um nome &amp; sobrenome, uma profissão e a cidade onde ele mora). O que é muito bonito, pois a criação que ele faz através da literatura, possibilitou ele viver mais de uma vida (<em>cada um com a sua singularidade</em>).</p><p>como se trata de uma leitura em andamento, ainda tô caminhando com ele. dias &amp; dias. normalmente a minha forma de fazer essa leitura tem se dado de maneira esporádica. tem dias que olho pra ele e ele pra mim. abro em uma página qualquer e perco horas facilmente lendo cada trecho. no fim das contas, escolhi ter uma caminhada lenta e me perder nessas horas não agendadas, desencontradas e gostosas. fica o convite pra vocês fazerem isso também! :)</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=1d6dbc70b6d0" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[decidir ir embora às vezes é doloroso (mas ficar também pode ser).]]></title>
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            <category><![CDATA[psicologia]]></category>
            <category><![CDATA[fernando-pessoa]]></category>
            <category><![CDATA[poema]]></category>
            <category><![CDATA[escolhas]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Natasha Menezes]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 07 Nov 2023 21:16:20 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2023-11-07T21:35:51.787Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>fiquei um bom tempo tentando colocar em palavras as afetações que estava sentido. um bocado de sentimentos vividos, miudinhos (um pouquinho a cada dia), que foram se juntando, mas sem ter um nome. era um sentimento sobre despedida; transformação; mudanças; rompimento ou até mesmo um adeus. por vezes, nomear nossos sentimentos realmente é complicado. eles são intensos demais, vividos demais, implicados demais.</p><p>até que certo dia, abri o livro “<em>Livro do</em> <em>Desassossego</em>”, do Fernando Pessoa, em uma página qualquer, e lá encontrei:</p><blockquote>“(…) se escrevo o que sinto, é porque assim diminuo a febre de sentir”. PESSOA, p. 50, 2021 [1997].</blockquote><p>pode até soar irônico, mas essa sensação continuava me desassossegando. muitas vezes abri essa página em branco, com pretensão de diminuir a febre de sentir e, muitas vezes, fechei essa janela para continuar sentindo. me perguntava o motivo de desviar, de abandonar essa escrita, que tanto me mobilizava. existia o desejo, o projeto, a vivência. mas, às vezes só não estava preparada para diminuir a febre de sentir.</p><p>porque <em>não é nada fácil decidir ir embora, pode ser doloroso</em>. às vezes precisamos entender o nosso tempo. decidir dar tchau para relações e tomar decisões, pode se tornar uma escolha muito difícil. <em>continuar em certos lugares, também pode ser. </em>romper relações que aparentemente podem parecer boas, na verdade, pode ser um espaço libertador também.</p><p>algumas narrativas nos enganam (e nos moldam). nem sempre a família vai ser um espaço que vamos ser bem-recebidos, nem sempre as relações amorosas vão ser saudáveis, nem sempre o ambiente de trabalho vai ser o melhor para a nossa realidade, nem sempre os amigos serão confiáveis. isso são alguns exemplos, mas daria para pensar em vários formatos. por isso mesmo, nem sempre precisamos estar nesses lugares. por serem lugares que aparentemente são vistos como “saudáveis”, as decisões de rompimento são complicadas.</p><p><em>mas, às vezes é preciso.</em></p><p>e,</p><p>um</p><p>passinho</p><p>de</p><p>cada</p><p>vez.</p><p>a febre pode até ter ficado muito intensa durante um tempo, os sentimentos não-nomeados também podem ter continuado sem nomes, entender nossas decisões é um processo. mas, escrevendo agora, entendi que escrever o que se sente, dá um alívio danado. mesmo sem um roteiro. essa página em branco, que tanto evitei, talvez estivesse me dizendo que eu tenha gostado de me despedir. e eu só tava evitando isso. caiu a ficha. acho que agora te entendo, Fernando Pessoa…</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=da881335c26d" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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