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        <title><![CDATA[Stories by Thaís Henriques Dias on Medium]]></title>
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            <title>Stories by Thaís Henriques Dias on Medium</title>
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            <title><![CDATA[Notas de um caminho com torcicolo, em busca do prazer]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Thaís Henriques Dias]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 19 Nov 2020 21:59:53 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2022-02-11T19:12:36.857Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*zHSF87mOXIQHZDIKggRWTw.png" /></figure><blockquote>Quando penso na minha vida de estudante, lembro-me vivamente dos rostos, gestos e hábitos de todos os professores e professoras que me orientaram, que me ofereceram a oportunidade de sentir alegria no aprendizado, que fizeram da sala de aula um espaço de pensamento crítico, que transformaram o intercâmbio de informações e ideias numa espécie de êxtase.</blockquote><blockquote>- bell hooks, Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade.</blockquote><p>Desde que comecei a dar aula, e mesmo antes, busquei nas minhas memórias de estudante todas as experiências que me marcaram. Uma delas foi com o meu professor e mestre de capoeira, o Gil, quem me disse que as coisas boas guardamos no bolso e as ruins também. E, atenta às suas ensinanças no Casarão em Niterói, não esqueci das experiências ruins. Em todas as aulas, ele, o professor Gil, terminava o treino de capoeira pedindo para que cada um falasse algo. Esse momento, quase que cotidiano, fez com que, aos poucos, me sentisse à vontade para falar o que quisesse, mesmo que fosse um agradecimento pela aula, um desabafo ou algo relacionado ao grupo. Assim como essa, guardo todas as experiências de ensino-aprendizado que acenderam em mim a vontade de estudar e pensar criticamente, não só em relação às disciplinas, mas também a mim mesma. Aulas que me afetaram e que me ajudaram a desconstruir o silêncio, que me constituiu desde criança.</p><p>O livro da bell hooks, “Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade”, do qual tirei o trecho desta epígrafe, tem me inspirado e auxiliado em confluir com os alunos. E, continuo revisitando minhas memórias, que guardei no bolso, para aprender como e o quê construir enquanto práticas pedagógicas. Agora, fazendo mestrado em sociologia e direito, tive minhas primeiras experiências de formação como professora. Tenho dado aulas como parte do estágio-docência: aulas remotas, para a graduação de um curso de direito. Após uma dessas aulas, de uma hora e meia, minhas costas estavam doloridas. Um período curto em que fiquei ali, sentada, de frente para o <em>notebook</em>, com o fone de ouvido, tentando interagir com os alunos; com paixão, escuta, mas aprendendo a ocupar um lugar de autoridade. Aprendo a ensinar e ensino aprendendo, com responsabilidade, atenta para não reproduzir a superioridade deste lugar engendrada pelas estruturas da universidade. Por isso, a palavra caminho no título. Pra mim, ser professora tem sido um ato de caminhar e aprender a falar, atenta à escuta.</p><p>A dor nas costas, após aquela aula, virou um torcicolo tenso no pescoço, que pegou também o lado direito da coluna. Não conseguia me mexer. A dor me paralisou. Coloquei compressa, deitei e tomei remédio. Melhorou, mas acho que parte disso foi <em>stress</em> e ansiedade. Ansiedade muito relacionada às inseguranças de fazer pesquisa e escrever uma dissertação, num contexto de pandemia, entre outras coisas. É dessas inseguranças, do falar-escrever e do caminho que faço, um passo após o outro, que alimento as perguntas. Se ensinar e aprender diz respeito a memórias, corpos, oralidade e escrita, como confluir em sala de aula nesta realidade ainda mais digital e <em>online</em>? Como transformar esse processo de ensino-aprendizado “numa espécie de êxtase”? Como criar espaços de prazer neste caminho com torcicolos?</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=ad6952be6b93" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Fragmentos insones: hábitos de lagarta]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Thaís Henriques Dias]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 24 Jul 2020 23:01:53 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-07-24T23:01:53.764Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*E5TQX11ASJbrjKCP30yWjw.jpeg" /></figure><p>Resignada, não durmo. Faltam dois minutos pras cinco e talvez eu veja o dia amanhecer. Ou somente a luz lá fora aparecer, da janela do quarto que dá pra dentro dos prédios. Me sinto a lagarta que coloquei num pote pequeno de terra e planta. Uma terra preta e leve, que nem sei se existiu como terra em algum outro lugar. Coloco tiras de couve pra ela comer, indiscriminadamente. Li que ela precisa de muitas folhas para ter força no processo de metamorfose: criar o casulo e se transformar em borboleta. Me sinto assim, uma lagarta dentro de um pequeno pote com terra artificial, comendo muito. Como para guardar palavras dentro de mim. Sufocá-las. Compensar o silêncio com outro ato menos difícil que a fala. E quando falo, recuo. Penso. Me julgo. Da onde tirar a energia para virar uma borboleta-sacerdotisa? Do sono, primeiramente. Lagartas dormem? Merda. Elas têm hábitos noturnos.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=f082d06c34f0" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[O peso do esquecimento]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Thaís Henriques Dias]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 16 Jul 2020 18:43:31 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-07-16T18:43:31.067Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Um senhor, dono da oficina mecânica mais antiga da cidade, cuida de sua esposa com Alzheimer. Tem ajuda do filho. Todos os dias, depois do almoço, o homem a leva para sentar no carona do carro velho que já não sai mais da garagem. Depois que a acomoda, ele ocupa seu lugar no volante e liga o toca-discos. Os dois ficam ali sentados quietos, ouvindo <em>chacarera</em> e olhando além da janela por várias horas.</p><p>A senhora já não conta mais histórias e conversa somente com os olhos. É o esposo quem a alimenta, a limpa e a tira da cama. Um dia foi impossível fazê-la ficar. Hoje é cada vez mais difícil convencê-la de sair. Todo dia o marido a leva do quarto à cozinha a passos arrastados. A cozinha fica fora da casa e o filho sempre faz o almoço. Devagar e repetidamente, o pai move a colher do prato à boca até ela decidir parar de abri-la. Na volta ao quarto, os dois param na garagem e entram no carro. Talvez esse seja o único momento que dê sentido ao esforço de arrastar os pés cotidianamente.</p><p>Foi nessa casa-oficina que o filho cresceu e construiu um estúdio de rádio ao lado do seu quarto. É pequeno, tem dois computadores, microfones e a parede é toda forrada com espuma. É a única rádio do <em>pueblo</em> que toca música pop argentina. Como todas as ondas eletromagnéticas de rádio, ele sempre desejou viajar para além das fronteiras e ouvir música pop em outras línguas. Ele guardou esse desejo na sola do pé, que é onde se cria a vontade de viajar e continuou tentando enviar as ondas da rádio à capital da província de Tucumán.</p><p>No dia que a mãe partiu fazia muito frio. Apesar de não estar no litoral a cidade era molhada, parecia a selva amazônica em plena região andina. A mulher pegou as coisas mais importantes, colocou tudo numa mala de couro já gasta e partiu, só. Do lado de dentro da fronteira, ficaram um jovem radialista e o melhor mecânico do <em>pueblo</em>, que depois se tornaria também o mais antigo.</p><p>A cada início de inverno o filho sentia o desejo de viajar crescer pelos seus pés. Era surpreendente ver o desejo chegar até o umbigo dele quando o frio estava em seu ápice no mês de julho. E como é de se esperar, no verão o desejo quase sumia entre o dedão e o dedinho do pé. Foi em um dia assim, quente, muito tempo depois, que a mãe voltou. Ela estava suada, a testa franzida e os olhos inquietos. Tinha na mão a mesma mala de couro gasta e era possível sentir outra presença, turva, atrás, à sua esquerda. Não vim só. A mulher explicou que aquela presença a ajudava a não se lembrar das memórias. O marido pegou a mala, que mesmo vazia era muito pesada e depois, empurrou o portão de ferro para os três entrarem.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=b0ad6d0eb053" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Olho o tempo passar e gozo]]></title>
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            <category><![CDATA[ansiedade]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Thaís Henriques Dias]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 13 Jul 2020 19:22:25 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2022-01-04T20:56:38.034Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Olho o tempo passar e gosto. Fico passivamente sentindo as horas, como elas se desenrolam sob as minhas vistas. Tento escrever para dar concretude ao agora, mas falho. Coloco um prazo e admiro o fato dele um dia chegar. Mergulho na distância entre mim e ele. Imagino o trabalho final da escrita pronto e acabado. Penso e fico maravilhada na criação dos meus pensamentos. Também existe aí a distância entre o pensado e o real. Me deparo com essa distância e tenho a necessidade da concretude. Tenho a necessidade de escolher outras estratégias de vida que não mais a passividade e a culpa. Hoje, elas não me servem mais.</p><p>Parecem simples os atos de falar e escrever. Mas o silêncio é para mim coisa de família. Então, cada começo é um passo. A escrita e a leitura são minhas aliadas nesse processo de pequenos passos que é aprender a falar. Me inspiro na escrita das mulheres e das suas diferenças. Me abro e me mostro como pequenos atos de coragem contra o silêncio que herdei. Tento destruir as estratégias antigas baseadas no guardar para si que meus pensamentos estão acostumados a usar. Fortaleço as novas estratégias dessa destruição: o falar, o fazer, escrever, agir.</p><p>À noite, não consigo dormir. Fecho os olhos e concentro na minha respiração. Não funciona mais. O fracasso me deixa ansiosa e assim amanhece e os meus olhos continuam abertos. É um duplo fracasso. O de não dormir e o de ser tomada pela insegurança quanto à escrita. A insônia se repete e recorro a um remédio com o nome “Seakalm”. Mas não existe remédio para escrever durante a pandemia. Tento me agarrar naquilo que fiz, nas poucas linhas que escrevi. Me agarro em mim mesma, na concretude do meu corpo e na energia que posso concentrar na feitura do texto. Coloco as novas estratégias em prática: um passo de cada vez, uma frase após a outra.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=be8039d7adf" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
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