Vivemos em uma sociedade racista, que foi construída a partir do colonialismo e da escravidão. No Brasil do século XIX, a escravidão negra ainda era legitimada por lei.
Ou seja, enquanto os brancos estudavam e escreviam, pretos e pretas eram vendidos como mercadoria e privados de sua própria cultura.
Ainda com toda a opressão, quilombos foram construídos… E o povo negro continua lutando para reduzir as desigualdades resultantes da escravidão.
Entre elas a marginalização de um povo e a desvalorização de tudo o que vem dele, incluindo a arte e a cultura.
Uma das formas de resistência é através da literatura, que é capaz de dar voz aqueles que foram silenciados. Mas, para que se faça justiça, é preciso que essas vozes sejam ouvidas e ecoem por toda a sociedade.
Por isso, no texto a seguir, apresento 6 autoras negras e brasileiras que estão produzindo atualmente, para você conhecer, acompanhar e divulgar.
Continue lendo e veja.
- Por que ler escritoras negras?
- Conceição Evaristo – @conceicaoevaristooficial
- Ryane Leão – @ondejazzmeucoracao
- Maria Vitória – @a_estranhamente
- Mel Duarte – @melduartepoesia
- Deise Oliveira – @cobradasmatas
- Isadora Silva – @akambapoetica
Por que ler escritoras negras?
No Brasil, a primeira romancista foi uma mulher negra, que viveu no Maranhão enquanto a escravidão ainda era legitimada pela lei.

Maria Firmina dos Reis, considerada a primeira romancista brasileira, era escritora e professora.
Em 1859, publicou o romance abolicionista “Úrsula“, uma obra inovadora que denunciou a escravidão e deu voz aos personagens negros da nossa história.
Ainda assim, a autora foi apagada da historiografia literária brasileira, como ainda são outras autoras negras.
Ao longo da nossa História, escritoras negras como Maria Firmina dos Reis sofreram apagamento em razão da escravidão, do racismo, do machismo e da segregação social.
É o caso também da escritora Carolina Maria de Jesus, contemporânea de Clarice Lispector, mas que não teve o mesmo reconhecimento.

Depois de um passado construído através da violência, do silenciamento e do apagamento do povo negro, é fundamental que a voz desse povo seja ouvida para que a história deixe de ser contado pela perspectiva do opressor. Certo?
Por isso é tão importante conhecer escritores negros, em especial as mulheres, que sofrem ainda mais com as violências de gênero.
Clique aqui para conhecer as obras de Carolina Maria de Jesus.
Não podemos permitir que as pessoas que construíram e constroem o Brasil permaneçam sendo silenciadas, invisibilizadas e que suas vozes não sejam ouvidas.
É preciso deixar que esse grito ecoe por todos os cantos!
E é através da literatura que as mulheres que você verá a seguir se expressam, combatem as violências do racismo e deixam a sua marca no mundo.
1 – Conceição Evaristo – @conceicaoevaristooficial

A primeira autora que destaco é Conceição Evaristo, mestra em literatura brasileira e doutora em literatura comparada.
A escritora nasceu e viveu parte de sua vida numa favela da zona sul de Belo Horizonte. Em 1990, estreou na literatura com publicações na série Cadernos Negros.
Suas obras abordam o racismo e as violências raciais, de gênero e de classe, pela perspectiva das vítimas.
Em seu livro de contos Olhos D’agua, as personagens negras e periféricas são as protagonistas.
A autora criou um neologismo para descrever a literatura que produz.
O termo “escrevivência”, concebido por Conceição Evaristo, define bem a sua literatura, porque se refere a uma escrita baseada nas vivências.
Veja um trecho do programa Ecos da Palavra, onde a autora fala sobre o termo:
Conheça outras obras de Conceição Evaristo: Ponciá Vicêncio, Becos da Memória, Insubmissas Lágrimas de Mulheres. E acompanhe a autora no Instagram.
2 – Ryane Leão – @ondejazzmeucoracao

Ryane Leão é escritora, professora e criadora de conteúdo.
Na internet, seus textos encantam mais de 600 mil seguidores, principalmente mulheres, que se identificam e se fortalecem com sua poesia.
A autora já escreveu em blog, no Facebook, já colou lambe-lambe com seus textos pela cidade de São Paulo e hoje continua o trabalho no Instagram @ondejazzmeucoracao.
Além disso, a escritora participa de saraus e do Slam (batalha de poesias).
Veja a seguir a participação da autora no Slam das Minas do Rio de Janeiro (RJ) em 2019 e no Slam Moinho Resiste em 2017:
Além de todo o trabalho que desenvolve recitando e criando conteúdo com sua arte, Ryane Leão, mulher preta e lésbica, é autora bestseller.
Seu livro “Tudo nela brilha e queima” já vendeu mais de 40 mil exemplares. Contando com o seu mais novo livro “Jamais peço desculpas por me derramar: Poemas de temporal e mansidão” já foram mais de 100 mil cópias vendidas.
E para a alegria dos fãs, segundo a escritora, o terceiro livro esta a caminho.
3 – Maria Vitória – @a_estranhamente
Maria Vitória é, além de escritora, empreendedora de sua escrita.
Possui uma marca digital potente e oferece diferentes serviços em seu site oficial, como leitura crítica, mentoria para escritores, consultorias e muito mais. Recentemente, publicou o Guia de carreira para profissionais da escrita.
Saiba mais no site aestranhamente.com
Além disso, a copidesque mantêm viva a veia literária. Sua obra “Eu Fragmentada” é descrita pela autora como um texto autobiográfico, que traz às realidades que “consomem as entranhas e que possuem a necessidade de serem vomitadas para fora de uma forma quente, fétida e torrencial” (Maria Vitória).

Acesse o site oficial da escritora para conhecer seu trabalho e comprar a obra Eu Fragmentada.
Acompanhe seu trabalho pelo Instagram e outras plataformas.
Mel Duarte – @melduartepoesia
Mel Duarte é natural de São Paulo e presenteia a literatura nacional com seus versos, poemas e canções.
A poeta começou a escrever na infância e passou a contribuir de forma ativa com a literatura nacional a partir de 2006, quando participava de saraus em sua cidade.
É formada em Comunicação Social, área onde trabalhou antes de se dedicar totalmente a carreira na escrita.
Além de escritora, Mel Duarte é slammer e produtora cultural. Integrou o coletivo “Poetas Ambulantes” e também o “Slam das Minas”.
Veja a seguir a participação de Mel Duarte no Slam Resistência 2017, no qual foi a vencedora.
Em 2016, Mel Duarte foi a primeira mulher a vencer o Rio Poetry Slam (campeonato internacional de poesia), evento que acontece durante a Festa Literária das Periferias (FLUP), no Rio de Janeiro.
Além disso, foi convidada, em 2017, para representar a literatura brasileira no Festival de Literatura Luso-Afro-Brasileira (Festilab Taag) em Luanda, Angola.
As obras de Mel Duarte mostram as dores, o processo de empoderamento e a realidade da mulher negra brasileira, para além dos estereótipos.
Conheça as obras da escritora.

O livro Colmeia e outras obras de escritora podem ser adquiridas através do seu site.
Algumas obras na Amazon.
A menina em mim – Mel Duarte (ilustrado por Nyan Araújo)
O ponto de vista da cadeira amarela – Mel Duarte
Reflexo Cru – Mel Duarte (ilustrado por Nyan Araújo)
As Bonecas da Vó Maria (Leia Para uma Criança) – Mel Duarte (ilustrado por Giovana Medeiros)
Acompanhe a escritora no instagram @melduartepoesia.
4 – Deise Oliveira – @cobradasmatas
Diretamente do recôncavo da Bahia, Deise Oliveira, natural de Cruz das Almas – BA, é graduada em nutrição pela UFRB.
Artista independente, iniciou na escrita com apenas 15 anos de idade e divulga seu trabalho através do Instagram @cobradasmatas.
Os textos de Deise Oliveira, preta e poetisa, transbordam a potência de seu ser, mulher negra.
Como vemos em seu site “sua poesia é conhecida pela maneira escancarada que destrincha os sentimentos, por ser poesia combativa. Sua arte é sua expressão, espelho”.
É autora de três livros autorais, publicados de forma independente.
Os livros “Eu sou melancolia, sensualidade e timidez”, “Vísceras, hemorragias e refluxos” e “Cobra das Matas”, seu ultimo lançamento, podem ser adquiridos clicando aqui.
O livro “Cobra das Matas”, seu ultimo lançamento, também está disponível em ebook pela Amazon, clique aqui e confira.
Além disso, você pode acompanhar o trabalho de Deise Oliveira em seu Instagram.
5 – Isadora Silva – @akambapoetica
Isadora Silva é escritora, professora e criativa. Nasceu na cidade de Santo Antônio de Jesus, também no Recôncavo baiano. É formada em Letras, Língua Portuguesa e Literatura, área na qual leciona.
Além disso, é pesquisadora, da escrita e da criatividade, e ministra oficinas de escrita para diversos públicos.
A artista baiana compartilha poesias, contos e outros textos através do Instagram @akambapoetica , onde mantêm uma relação com seus leitores e divulga o seu trabalho.
A autora já publicou dois livros físicos, “Versos Sólidos que Inundam” e seu ultimo lançamento “Eu sei fazer Tempestade em Gota”. Ambos podem ser comprados clicando aqui.
Seu segundo livro também foi publicado no formato de e-book, pela Amazon, clique aqui e confira.
Segundo a autora, seus textos são sobre as suas vivências como mulher negra, abordando temáticas que vão desde o genocídio da população negra à afetividade.
Dessa forma, assim como as outras autoras, desenvolve um trabalho muito importante de reunir e fortalecer o povo negro através da arte e do não silenciamento.
Confira o trabalho de Isadora Silva e de outras autoras listadas nesse texto e compartilhe o trabalho de mulheres pretas.
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