6 escritoras negras, brasileiras e contemporâneas para conhecer

Vivemos em uma sociedade racista, que foi construída a partir do colonialismo e da escravidão. No Brasil do século XIX, a escravidão negra ainda era legitimada por lei.

Ou seja, enquanto os brancos estudavam e escreviam, pretos e pretas eram vendidos como mercadoria e privados de sua própria cultura.

Ainda com toda a opressão, quilombos foram construídos… E o povo negro continua lutando para reduzir as desigualdades resultantes da escravidão.

Entre elas a marginalização de um povo e a desvalorização de tudo o que vem dele, incluindo a arte e a cultura.

Uma das formas de resistência é através da literatura, que é capaz de dar voz aqueles que foram silenciados. Mas, para que se faça justiça, é preciso que essas vozes sejam ouvidas e ecoem por toda a sociedade.

Por isso, no texto a seguir, apresento 6 autoras negras e brasileiras que estão produzindo atualmente, para você conhecer, acompanhar e divulgar.

Continue lendo e veja.

  • Por que ler escritoras negras?
  • Conceição Evaristo – @conceicaoevaristooficial
  • Ryane Leão – @ondejazzmeucoracao
  • Maria Vitória – @a_estranhamente
  • Mel Duarte – @melduartepoesia
  • Deise Oliveira – @cobradasmatas
  • Isadora Silva – @akambapoetica

Por que ler escritoras negras?

No Brasil, a primeira romancista foi uma mulher negra, que viveu no Maranhão enquanto a escravidão ainda era legitimada pela lei.

BBC - Como se imagina que seja Maria Firmina dos Reis, autora de
Como se imagina Maria Firmina dos Reis (Foto: ANDRÉ VALENTE/BBC). Fonte: Época Negócios.

Maria Firmina dos Reis, considerada a primeira romancista brasileira, era escritora e professora.

Em 1859, publicou o romance abolicionista “Úrsula“, uma obra inovadora que denunciou a escravidão e deu voz aos personagens negros da nossa história.

Ainda assim, a autora foi apagada da historiografia literária brasileira, como ainda são outras autoras negras.

Compre Úrsula na Amazon.

Ao longo da nossa História, escritoras negras como Maria Firmina dos Reis sofreram apagamento em razão da escravidão, do racismo, do machismo e da segregação social.

É o caso também da escritora Carolina Maria de Jesus, contemporânea de Clarice Lispector, mas que não teve o mesmo reconhecimento.

Carolina Maria de Jesus - Instituto Moreira Salles
Carolina Maria de Jesus. Fonte: rascunho.com.br

Depois de um passado construído através da violência, do silenciamento e do apagamento do povo negro, é fundamental que a voz desse povo seja ouvida para que a história deixe de ser contado pela perspectiva do opressor. Certo?

Por isso é tão importante conhecer escritores negros, em especial as mulheres, que sofrem ainda mais com as violências de gênero.

Clique aqui para conhecer as obras de Carolina Maria de Jesus.

Não podemos permitir que as pessoas que construíram e constroem o Brasil permaneçam sendo silenciadas, invisibilizadas e que suas vozes não sejam ouvidas.

É preciso deixar que esse grito ecoe por todos os cantos!

E é através da literatura que as mulheres que você verá a seguir se expressam, combatem as violências do racismo e deixam a sua marca no mundo.

1 – Conceição Evaristo – @conceicaoevaristooficial

autora negra
Conceição Evaristo. Fonte: https://www.correio24horas.com.br/

A primeira autora que destaco é Conceição Evaristo, mestra em literatura brasileira e doutora em literatura comparada.

A escritora nasceu e viveu parte de sua vida numa favela da zona sul de Belo Horizonte. Em 1990, estreou na literatura com publicações na série Cadernos Negros.

Suas obras abordam o racismo e as violências raciais, de gênero e de classe, pela perspectiva das vítimas.

Em seu livro de contos Olhos D’agua, as personagens negras e periféricas são as protagonistas.

A autora criou um neologismo para descrever a literatura que produz.

O termo “escrevivência”, concebido por Conceição Evaristo, define bem a sua literatura, porque se refere a uma escrita baseada nas vivências.

Veja um trecho do programa Ecos da Palavra, onde a autora fala sobre o termo:

Conceição Evaristo no programa Ecos da Palavra. Disponível em: youtube.com

Conheça outras obras de Conceição Evaristo: Ponciá Vicêncio, Becos da Memória, Insubmissas Lágrimas de Mulheres. E acompanhe a autora no Instagram.

2 – Ryane Leão – @ondejazzmeucoracao

Ryane Leão lança livro com poemas sobre militância negra | CLAUDIA
Ryane Leão com seu livro “Tudo nela brilha e queima”. Fonte: claudia.abril.com.br

Ryane Leão é escritora, professora e criadora de conteúdo.

Na internet, seus textos encantam mais de 600 mil seguidores, principalmente mulheres, que se identificam e se fortalecem com sua poesia.

A autora já escreveu em blog, no Facebook, já colou lambe-lambe com seus textos pela cidade de São Paulo e hoje continua o trabalho no Instagram @ondejazzmeucoracao.

Além disso, a escritora participa de saraus e do Slam (batalha de poesias).

Veja a seguir a participação da autora no Slam das Minas do Rio de Janeiro (RJ) em 2019 e no Slam Moinho Resiste em 2017:

Ryane Leão no SLAM DAS MINAS RJ 2019
[Slam Moinho Resiste] Ryane Leão – Poesia: Deus é preta – Agosto 2017

Além de todo o trabalho que desenvolve recitando e criando conteúdo com sua arte, Ryane Leão, mulher preta e lésbica, é autora bestseller.

Seu livro “Tudo nela brilha e queima” já vendeu mais de 40 mil exemplares. Contando com o seu mais novo livro “Jamais peço desculpas por me derramar: Poemas de temporal e mansidão” já foram mais de 100 mil cópias vendidas.

E para a alegria dos fãs, segundo a escritora, o terceiro livro esta a caminho.

3 – Maria Vitória – @a_estranhamente

Maria Vitória é, além de escritora, empreendedora de sua escrita.

Possui uma marca digital potente e oferece diferentes serviços em seu site oficial, como leitura crítica, mentoria para escritores, consultorias e muito mais. Recentemente, publicou o Guia de carreira para profissionais da escrita.

Saiba mais no site aestranhamente.com

Além disso, a copidesque mantêm viva a veia literária. Sua obra “Eu Fragmentada” é descrita pela autora como um texto autobiográfico, que traz às realidades que “consomem as entranhas e que possuem a necessidade de serem vomitadas para fora de uma forma quente, fétida e torrencial” (Maria Vitória).

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Eu Fragmentada. Fonte: aestranhamente. com

Acesse o site oficial da escritora para conhecer seu trabalho e comprar a obra Eu Fragmentada.

Acompanhe seu trabalho pelo Instagram e outras plataformas.

Mel Duarte – @melduartepoesia

Mel Duarte é natural de São Paulo e presenteia a literatura nacional com seus versos, poemas e canções.

A poeta começou a escrever na infância e passou a contribuir de forma ativa com a literatura nacional a partir de 2006, quando participava de saraus em sua cidade.

É formada em Comunicação Social, área onde trabalhou antes de se dedicar totalmente a carreira na escrita.

Além de escritora, Mel Duarte é slammer e produtora cultural. Integrou o coletivo “Poetas Ambulantes” e também o “Slam das Minas”.

Veja a seguir a participação de Mel Duarte no Slam Resistência 2017, no qual foi a vencedora.

Mel Duarte no Slam Resistência de 2017.

Em 2016, Mel Duarte foi a primeira mulher a vencer o Rio Poetry Slam (campeonato internacional de poesia), evento que acontece durante a Festa Literária das Periferias (FLUP), no Rio de Janeiro.

Além disso, foi convidada, em 2017, para representar a literatura brasileira no Festival de Literatura Luso-Afro-Brasileira (Festilab Taag) em Luanda, Angola.

As obras de Mel Duarte mostram as dores, o processo de empoderamento e a realidade da mulher negra brasileira, para além dos estereótipos.

Conheça as obras da escritora.

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O livro Colmeia e outras obras de escritora podem ser adquiridas através do seu site.

Algumas obras na Amazon.

A menina em mim – Mel Duarte (ilustrado por Nyan Araújo)

O ponto de vista da cadeira amarela – Mel Duarte

Reflexo Cru – Mel Duarte (ilustrado por Nyan Araújo)

As Bonecas da Vó Maria (Leia Para uma Criança) – Mel Duarte (ilustrado por Giovana Medeiros)

Acompanhe a escritora no instagram @melduartepoesia.

4 – Deise Oliveira – @cobradasmatas

Diretamente do recôncavo da Bahia, Deise Oliveira, natural de Cruz das Almas – BA, é graduada em nutrição pela UFRB.

Artista independente, iniciou na escrita com apenas 15 anos de idade e divulga seu trabalho através do Instagram @cobradasmatas.

Os textos de Deise Oliveira, preta e poetisa, transbordam a potência de seu ser, mulher negra.

Como vemos em seu site “sua poesia é conhecida pela maneira escancarada que destrincha os sentimentos, por ser poesia combativa. Sua arte é sua expressão, espelho”.

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Fonte: https://dsoliveirasa.wixsite.com/deiseoliveirapretaep

É autora de três livros autorais, publicados de forma independente.

Os livros “Eu sou melancolia, sensualidade e timidez”, “Vísceras, hemorragias e refluxos” e “Cobra das Matas”, seu ultimo lançamento, podem ser adquiridos clicando aqui.

O livro “Cobra das Matas”, seu ultimo lançamento, também está disponível em ebook pela Amazon, clique aqui e confira.

Além disso, você pode acompanhar o trabalho de Deise Oliveira em seu Instagram.

5 – Isadora Silva – @akambapoetica

Isadora Silva é escritora, professora e criativa. Nasceu na cidade de Santo Antônio de Jesus, também no Recôncavo baiano. É formada em Letras, Língua Portuguesa e Literatura, área na qual leciona.

Além disso, é pesquisadora, da escrita e da criatividade, e ministra oficinas de escrita para diversos públicos.

Isadora Silva com seu segundo lançamento “Eu sei fazer tempestade em gota”.

A artista baiana compartilha poesias, contos e outros textos através do Instagram @akambapoetica , onde mantêm uma relação com seus leitores e divulga o seu trabalho.

A autora já publicou dois livros físicos, “Versos Sólidos que Inundam” e seu ultimo lançamento “Eu sei fazer Tempestade em Gota”. Ambos podem ser comprados clicando aqui.

Seu segundo livro também foi publicado no formato de e-book, pela Amazon, clique aqui e confira.

Segundo a autora, seus textos são sobre as suas vivências como mulher negra, abordando temáticas que vão desde o genocídio da população negra à afetividade.

Dessa forma, assim como as outras autoras, desenvolve um trabalho muito importante de reunir e fortalecer o povo negro através da arte e do não silenciamento.

Confira o trabalho de Isadora Silva e de outras autoras listadas nesse texto e compartilhe o trabalho de mulheres pretas.

Gostou do artigo? Já conhecia alguma dessas escritoras? Deixa um comentário e compartilhe esse conteúdo com outras pessoas.

Semana de Arte Contemporânea: TRANSconfigurações

O evento “Semana de Arte Contemporânea: TRANSconfigurações” está com inscrições abertas e pretende reivindicar uma transconfiguração da Semana de Arte Moderna de 1922, após 100 anos de sua realização.

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Continue lendo e saiba mais sobre o evento.

Sobre o evento

A SEMANA DE ARTE CONTEMPORÂNEA: TRANSconfigurações é um evento organizado pelo projeto de extensão “FALA, BARROCO”, pela Faculdade de Letras e Artes (FALA), pelo Grupo de Estudos da Literatura e Suas Interfaces Críticas (GELINTER), pelo Programa de Pós-graduação em Ciências da Linguagem (PPCL) e pela Pró-Reitoria de Extensão (PROEX).

Os grupos fazem parte da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e se unem na construção do evento que comemora o Centenário da Semana de Arte Moderna de 2022.

Centenário da Semana de Arte Moderna de 2022

O objetivo da Semana de Arte Contemporânea é relembrar a Semana de Arte Moderna de um ponto de vista (re)configurador, para dialogar sobre as “vozes presentes e ausentes” no evento de 1922.

Para que se abra o espaço negado as mulheres na Semana de Arte Moderna de 1922, algumas artistas da época são relembradas e homenageados. Entre elas:

  • Tarsila do Amaral (1886-1973);
  • Patrícia Galvão, Pagu, Patsy (1910-1962);
  • Hilária Batista de Almeida, a Tia Ciata (1854-1924);
  • Anita Malfatti (1889-1964);
  • Gilka Machado (1893-1980);

Veja a publicação no Instagram do grupo “Fala, Barroco!”.

Programação

Em 2022, a SEMANA DE ARTE acontecerá do dia 01 a 08 de abril, de forma híbrida, sendo a parte presencial do evento realizada na cidade de Mossoró-RN. Na programação há

  • Conferências;
  • Simpósios Temáticos;
  • Minicursos;
  • Oficinas;
  • Artes Plásticas;
  • Artes Cênicas e muito mais.

Tenho a honra de contribuir com esse evento em dois momentos. Veja a seguir.

semana de arte contemporânea transfigurações
Página de presenças confirmadas no site do evento

No dia 05 de abril, das ​13h:30min às 16h:30min, vou ministrar uma Oficina de Contos, na modalidade presencial, que acontecerá na Sede I da Faculdade de Letras e Artes (FALA), localizada no Campus Universitário Central da UERN.

E, ainda no dia 05 de abril, a partir das 19h, estarei como artista e produtora na “Intervenção Cultural: Sarau Multicultural e Autoral”, que acontecerá nos Murais da FALA, de forma presencial.

Veja a programação completa no site do evento.

Sobre as inscrições

As inscrições para o evento estão divididas em duas chamadas. A primeira chamada iniciou no dia 03 de março de 2022 e termina no dia 18 de março de 2022, já a segunda chamada vai do dia 19 ao dia 30 de março de 2022.

As incrições podem ser realizadas em 3 modalidades diferentes:

  1. Ouvinte (com direto a participação nas Mesas de Conferências e montagens artísticas do “FALA Barroco” em locais públicos);
  2. Ouvinte (com direito a participação em UM dos minicursos OU oficinas disponíveis);
  3. Participante em Simpósio Temático na modalidade Comunicação Oral (xom direito a participação em uma das Oficinas ou Minicursos disponíveis no evento).

Para se inscrever, é necessário preencher um formulário online, disponível no site oficial do evento, de acordo com a modalidade.

Confira todas as informações sobre o evento e vamos juntos reinvindicar nossos espaços!

Autobiografia em quadrinhos: conheça a série Persépolis

O livro Persépolis (completo) tem 352 páginas e reúne os quatro volumes da série Persépolis uma autobiografia em quadrinhos, escrita e ilustrada por Marjane Satrapi.

A autora viveu o período da Revolução Islâmica no Irã, em 1979, quando os xiitas derrubaram a ditadura de Reza Pahlevi e o que deveria ser uma revolução popular se tornou uma ditadura islâmica.

Sob o comando do líder religioso do aiatolá Ruhollah Khomeini, que se tornou o líder supremo da nação, a população muçulmana xiita garantiu a retomada dos costumes e tradições religiosas. Dessa forma, a população iraniana passou a seguir obrigatoriamente valores religiosos e se transformou em uma teocracia.

O primeiro capítulo da obra é intitulado “O véu” e conta sobre o momento em que o uso do véu se tornou obrigatório nas escolas, a partir do ano de 1980, quando Marjane tinha apenas 10 anos. Além disso, após a revolução, as escolas mudaram e ela passou a estudar apenas com meninas.

Durante sua infância no Irã, a escritora conviveu com guerras e com a repressão do governo. O livro traz situações como a falta de alimentos nos supermercados, os bombardeios, a violência contra aqueles que iam contra o governo, as prisões políticas, o medo e a morte.

Marjane veio de uma família politizada, com valores ocidentais e de esquerda, por isso questionava as privações do sistema, conversava sobre política e até participava de protestos.

Com apenas 14 anos, quando o regime se tornava cada vez mais opressor, seus pais a mandaram para viver sozinha em outro país. Dessa forma, ela poderia estudar e viver com maior liberdade.

A personagem foi morar na Austria, onde viveu parte de sua juventude e passou por dificuldades que a fizeram voltar ao Irã. De volta ao país, teve que se adaptar novamente aos valores religiosos e ao regime de opressão do governo.

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O livro mostra um pouco de como era a vida dos jovens iranianos, desde as privações as quais eram submetidos, as sequelas da guerra e as festas proibidas. Ainda no Irã, Marjane Satrapi estudou belas-artes e viveu tudo o que conseguiu dentro daquele regime. Depois, foi morar na França, onde se tornou autora e ilustradora.

A série Persépolis, publicada originalmente em Francês, foi um sucesso entre a crítica e o público, ganhou o prêmio de melhor história em quadrinhos na Feira de Frankfurt de 2004. E além de ser traduzida e publicada em diferentes países, foi transformada em longa-metragem em 2007.

Curtiu? Confira Persépolis na Amazon.

Os 6 melhores livros para ler esse ano (2022)

Com a chegada de um novo ano, é natural que os leitores queiram escolher as melhores leituras para ler no momento. Pensando nisso, eu resolvi indicar livros que considero muito importantes para serem lidos não apenas pela chegada do ano novo, mas pelo que cada uma das leituras pode ensinar aos leitores nesse contexto.

Não importa se você prefere criar listas e metas de livros para ler no ano, se prefere já saber cada livro que vai ler em cada mês do ano ou até se você se deixa levar pelo momento. Neste artigo eu vou te indicar 6 ótimos livros para conhecer esse ano.

Por que são os melhores livros para ler em 2022?

Sabe aqueles livros que todo mundo deveria ler? Os livros indicados na lista a seguir são leituras que trazem reflexões e aprendizados muito importantes, principalmente com a chegada das eleições presidenciais em 2022 e com o contexto político e social que estamos vivendo no Brasil.

Por isso continue lendo o texto a seguir e veja cada uma das sugestões para compor sua lista de leituras.

  1. A revolução dos bichos, de George Orwell (1945);
  2. Como as democracias morrem, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt (2018);
  3. Pequeno Manual Antirracista, de Djamila Ribeiro (2019);
  4. Ideias para adiar o fim do mundo, de Ailton Krenak (2019);
  5. Olhos d’agua, de Conceição Evaristo (2014);
  6. Torto Arado, de Itamar Vieira Junior (2019).

1 – A Revolução dos bichos, de George Orwell (1945)

O livro do escritor inglês George Orwell, A Revolução dos Bichos, foi publicado pela primeira vez no Reino Unido, em 17 de agosto de 1945, e tem como conflito uma revolução provocada pelos animais de uma fazenda.

Após perceber que o fazendeiro era muito cruel e injusto com todos os animais da fazenda, dois porcos organizam uma revolta, com o objetivo de expulsar os humanos e melhorar a vida de todos os animais.

Dessa forma, os animais conseguem expulsar os humanos da fazenda e passam a viver o quadro perfeito de uma utopia, onde o trabalho é dividido de forma mais justa. Assim, sobra mais tempo para lazer e qualidade de vida.

Porém, com o passar do tempo, surgem novos conflitos. A sociedade de animais passa a enfrentar novos jogos de poder e alienação, uma metáfora para a nossa sociedade e uma crítica ao totalitarismo.

2 – Como as democracias morrem, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt (2018)

O livro Como as democracias morrem, de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, aborda a “morte” das democracias. Na obra, os autores discutem como Donald Trump foi eleito nos Estados Unidos e comparam esse processo com exemplos históricos de rompimento com a democracia.

A ideia defendida pelos autores é de que atualmente às democracias não morrem em grandes acontecimentos e golpes de Estado, mas sim de forma lenta e gradual.

Dessa forma, os próprios governantes agem para destruir aos poucos as instituições democráticas de um país, como por exemplo a imprensa.

Publicada em 2018, a obra se torna um instrumento importante em 2022, com às frequentes ameaças à democracia e a chegada das eleições brasileiras. Um contexto onde é ainda mais fundamental que cada um de nós reflita sobre as nossas escolhas políticas.

Veja abaixo o vídeo de Henry Bugalho sobre o livro e a relação com o contexto político atual do Brasil:

3 – Pequeno Manual Antirracista, de Djamila Ribeiro (2019)

O livro Pequeno Manual Antirracista, da filósofa e ativista Djamila Ribeiro, foi lançado em novembro de 2019 pela Companhia das Letras. A obra é bem o que o nome descreve: um manual sobre como se tornar uma pessoa antirracista.

A autora explica o racismo estrutural brasileiro de forma didática e mostra que em uma sociedade estruturalmente racista, o racismo é reproduzido em suas instituições e indivíduos.

Por isso, não basta se posicionar como uma pessoa que não é racista, é preciso que todos adotem medidas para combater esse sistema. O livro tem onze cap´ítulos que tratam do tema de forma direta, sem dispensar estudos e dados científicos.

Veja no vídeo abaixo a autora Djamila Ribeiro falando para o Programa Roda Viva sobre a linguagem didática do seu livro:

4 – Olhos d’agua, de Conceição Evaristo (2014)

A obra Olhos d’agua, da professora e escritora Conceição Evaristo, é um livro de contos que retrata a realidade de personagens e comunidades periféricas do Brasil.

Diferente de outras obras, nos contos da autora, os negros e negras são protagonistas. Temáticas como o racismo, a violência e as dificuldades desses personagens aparecem como enredo principal.

Não a toa, Conceição Evaristo descreve a literatura criada por ela como “escrevivências”, um termo criado pela autora para descrever a escritas baseada na vivência, de forma individual e coletiva, como mulher negra na sociedade brasileira.

Além disso, seus textos trazem aspectos da cultura afrobrasileira. As realidades duras retratadas no livro e a importância da mensagem transmitida em seus textos são as razões dele ser indicado nesta lista.

Veja o que Conceição Evarista fala sobre seu processo de criação literária:

Confira o livro Olhos d’agua na Amazon.

6 – Ideias para adiar o fim do mundo, de Ailton Krenak (2019)

O livro Idéias para adiar o fim do mundo, de lider indigena Ailton Krenak, é uma adaptação de uma entrevista e duas conferências realizadas em Portugal entre os anos de 2017 e 2019.

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Líder indígena Ailton Krenak. Foto disponível em racismoambiental.net.br

O escritor é filósofo e ativista de defesa dos direitos indígenas e do movimento socioambiental. Na obra, o autor critica a ideia de humano como superior aos outros seres e a humanidade como algo separado da natureza.

Segundo Krenak, essa seria a razão pela qual o homem destrói o planeta sem muita preocupação, causando também a sua própria destruição.

O autor também publicou, em 2020, o livro “A vida não é util“, uma crítica ao capitalismo e a ideia de que a economia não pode parar.

5 – Torto Arado, de Itamar Vieira Júnior (2019)

O livro Torto Arado foi escrito por Itamar Vieira Junior e publicado no Brasil em 2019, pela Editora Todavia. A obra demonstra como as marcas do passado colonial permanecem nos sertões brasileiros e traz a tona as desigualdades sociais do país, ainda que o autor não indique em qual ano a história acontece.

Além da história das irmãs Bibiana e Belonísia, as personagens principais do romance, a narrativa tem como plano de fundo a vida de trabalhadores e trabalhadoras do Sertão da Bahia.

Além disso, com personagens descendentes de africanos escravizados, traz elementos da ancestralidade africana, religiões e da cultura afrobrasileira. No vídeo abaixo o escritor fala sobre a atemporalidade de sua obra:

Se você gostou deste artigo, confira também 6 Dicas para ler mais livros em 2022.