Fim de tarde…
No fim da tarde que se aproxima,
Chega tímida e pacata a neblina,
Um arrepio sentido,
Um aconchego, um abraço,
Um casaco pelas costas,
Um terno beijo molhado,
Longe do mundo,
Num banco sentados,
Em silêncio, abraçados!
Alberto Cuddel®
Fim de tarde…
No fim da tarde que se aproxima,
Chega tímida e pacata a neblina,
Um arrepio sentido,
Um aconchego, um abraço,
Um casaco pelas costas,
Um terno beijo molhado,
Longe do mundo,
Num banco sentados,
Em silêncio, abraçados!
Alberto Cuddel®
Tentação traída
Nego e renuncio,
Ao Amor tardio e fora de tempo,
Ao enredo tecido por teu corpo esguio,
No fusco sentir do sabor a mar,
No terno anoitecer das doces palavras!
Não,
Não me irás levar,
Nada me faz vacilar,
Nem promessas no desejo,
Nem o sabor do longo beijo,
Calor de teu corpo desnudado,
Oferecido por puro prazer dado!
Não,
De nada vale a doce tentação,
Pois eu tenho no coração a noção,
Que nunca deixei de ser Amado!
Alberto Cuddel®
Fuga
No fino talhado dos ramos quebrados,
Pela brisa apressada que sopra sem destino,
Varrendo estradas vazias de nada,
Em mesmo passando não te vais lembrando,
Que quebrado deixas-te meu pranto,
No abandono solitário das brancas paredes,
Do frio e gelado gritante quarto,
Que clama agora desesperado tua ausência!
Alberto Cuddel
Fome
Tenho fome,
Das quentes palavras,
Que me levam a ti,
No doce acordar,
No calor do teu leito!
Tenho fome,
De ser luz do teu dia,
Calor no teu rosto,
Cheiro no ar,
Do café da manhã!
Tenho fome,
De vida,
Do forte pisar na erva molhada,
Tenho fome de ti…
Alberto Cuddel®
Amar é uma decisão!
Amar é decisão,
A cada dia, cada manha,
É discutir, é sofrimento,
É para a paz arranjar um jeito,
É cuidar, é amar cada momento,
É dar, e não esperar,
É sofrer só por calar,
É a cor da rosa ao acordar,
É o beijo do despertar,
É acompanhar,
É cair do desespero e levantar,
É dormir na desilusão,
E acordar para a paixão,
É reinventar um sentimento,
É voltar-se apaixonar por um momento,
É a saudade da ausência,
É pedir e ter paciência,
Nos bons e nos maus momentos,
É viver com o coração,
Amar é a única decisão!
Alberto Cuddel®
Fome de gestos!
Fome de dar corpo às palavras,
Fome de ser físico o imenso sentir,
Fome do teu ser, do teu corpo,
Do sabor quente dos teus beijos,
Do salgado mar de teus lábios,
Perdição na profundidade do olhar,
Do caminhar guiado pelo mão,
De juntos realizar o sonho!
Fome de ti, da unidade dos corpos,
Do querer, do desejo, do pertencer,
Fome das tuas delicadas formas,
Vaguear com meus lábios por tua pele,
Saborear, beijar, fazer arrepiar,
Fome, do entrelaçado das mãos,
Dos sabores delicados, dos sons,
Dos gemidos abafados, da mordida,
Fome de me perder, de te encontrar,
Das mãos em meus cabelos,
Das longas pernas me rodeando,
Do embalo do movimento,
Da pressa, do ritmos, da batida,
Do grito, da ordem, do imediato,
Do Ama-me, do Sim…
Tenho fome, de nós…
Alberto Cuddel
14/05/2015
Sedução e Erotismo – 21
Entrega Mútua
Em minhas mãos depositas o teu coração,
Como um diamante, pequenas gotas de vida,
Entrega de corpo e alma, te dás, és meu,
Mas por favor cuida de mim, que a ti me dei!
Sou tua, como trovoada na tempestade,
Sou tua, como o reflexo polido do espelho,
Sou tua, como o peixe nadando na água,
Sou tua, como sede de água no deserto!
Entregas teu coração, mas cuida de mim,
Tu que me conheces, que me consolas,
Sabes o que a cada momento preciso,
Que me levas à loucura, ao prazer,
Que me deixas dormir, descansar,
Que me tens, sem exigir, sem dar,
Em minhas mãos depositas o teu coração,
Em meu corpo memoria do teu perfume,
No meu seio a essência do teu prazer,
Sou tua, porque ati me entreguei,
Que meu corpo conheces,
Nas minhas vontades,
No meu prazer,
Na entrega,
Na posse,
No ter-te em mim,
No ser,
No dar,
Sem respirar,
Movimento ritmado,
Gemido gritado,
Num beijo,
Abraço apertado,
Por amor me ter dado!
Não é submissão,
É confiança,
É entrega,
Em tuas hábeis mãos,
Depositar meu coração!
Alberto Cuddel
Politicamente incorrecto
Deixemo-nos do politicamente correcto,
Das palavras rasuradas, não ditas,
Das palavras ocultas no texto,
Nos sob entendimentos, nas entre linhas,
Deixemos de lado as falinhas mansas,
Se é sobre sexo, escrevamos sexo,
Se é sobre pobreza,
Que a palavra seja miséria,
Sé falamos do governo,
Chamemos pelo nome, ladrões,
Se é sob política,
Porque não uma política de merda,
Deixemos de lado as adjectivos,
Que tudo seja substantivo,
O nome ao que tem nome…
Alberto Cuddel
Felicidade
busca encanto satisfatório
insatisfeito humano ser
divino almeja poder
realizado, posso, quero, tenho,
no final apenas basta – Eu Sou!
Alberto Cuddel
Coisas
As coisas da vida, não a vida das coisas
as coisas que parecem,
as que perecem ser coisas,
o tempo da coisas,
as coisa do tempo,
as coisas sem tempo,
o tempo sem coisas
as coisas que acontecem,
o que acontece as coisas,
coisas para todos os gostos,
os gostos das coisas,
a simplicidade das coisas,
as coisas simples,
as coisas complexas,
a complexidade das coisas,
as coisas, essas mesmas coisas, supérfluas,
mas que seria da vida sem as coisas,
mesmo quando a vida para
por uma simples coisa,
pela simplicidade da coisa,
por uma simples coisa,
pelo local onde a coisa,
apresenta inusitadamente,
a beleza de uma coisa simples!
Alberto Cuddel
(o)dor da Sociedade
Escrevo,
Reescrevo,
Descrevo,
Rodas soltas, engrenagens desfeitas,
Limites ultrapassados, sociedade perdida,
Pérfida e dorida, extinguindo-se na moral
Inexistente na libertinagem da liberdade,
Direitos, sempre direitos, reclamados
Concedidos, negociados, injustiça,
Injustamente arrastada no tempo,
Deveres perfeitamente incumpridos,
Sem tempo, com tempo, tudo pode,
Nada se nega, tudo se concede,
Pelo injusto e obtuso preço certo,
Acertado e concertado na inconsciência,
Consciente da ganância do eu…
Podre, o cheiro nauseabundo,
Entope-me a consciência,
Inundando-me as fossas nasais!
Alberto Cuddel
Solidão
Caem-me as noites no olhar,
Perco em mim a luz do dia,
Arrancam de mim a vontade,
Do florescer, do acordar,
De me tornar vida,
Roubam de mim a verdade,
Subtraem-me a saudade,
De recordar o que sabia!
Alberto Cuddel®
Pudesse eu…
Pudesse eu plantar-me no teu peito,
E lá, enraizado no teu coração
Iria florir, como na Primavera
O canto em forma de canção!
Pudesse eu plantar-me no teu peito
Para que apenas vivesse em ti
Alberto Cuddel
Desistir!
Cabisbaixo, encolhido na orfandade do sentir,
Desfilam ideias sombrias sob o pesado partir,
Braços caídos por terra, forças em abandono,
Horizontalmente quieto, sem o embalo do sono,
Assim me perco, na vã esperança do encontro!
Sírio Andrade
01-04-2015
Exausto
cansado da fraude
do embuste que sou
mãos que apenas copiam
os pensamentos tidos
lidos nas imagens retidas
pelas retinas treinadas
a ver o que outros
distraídos não vêem
cansado do tempo perdido
em deixar escrito
memória da visão
adjectivos da paisagem
do sentir
do perder
da aragem
cansado das palavras
das pragas
de tudo escrever
cansado do papel
da caneta
da tinta
do fingir
cansado de ver
de querer
do agir
cansado da poesia
perdida
escrita
descrita
relatada
sem fim
sem nada!
Cansado apenas cansado!
Sírio Andrade
27-03-2015
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