arte urbana

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Sendo uma grande admiradora de arte urbana, volto com esta temática ao Discretamente para partilhar mais algumas obras das muitas existentes no concelho da Amadora. Já o fiz em 2021 neste post, mas outras surgiram nos últimos anos que merecem ser observadas e partilhadas.

Este municipio tem sido um grande impulsionador deste tipo de arte, sendo o festival Conversas na Rua um dos momentos mais importantes. Como se pode ler no site da autarquia, “O Conversas na Rua é um projeto organizado pela Câmara Municipal da Amadora que promove, anualmente, intervenções de arte pública mural, em articulação com o património e a paisagem urbana, com o objetivo de estimular a participação, o diálogo, e a reflexão sobre a cidade”.Com este apoio, todos os anos aparecem novas obras, sendo evidente a qualidade da maioria dos artistas convidados a mostrar a sua forma de expressão.

Começando pela obra acima, ela está nesse lugar porque foi a que mais apreciei. Intitula-se Maria, foi criada em 2024 e o autor é português Daniel Eime. É um belíssimo mural, pela singularidade, sobriedade e boa energia que transmite a quem o aprecia.

– As cinco fotos que se seguem referem-se a obras de Sérgio Odeith, um dos mais conhecidos artistas portugueses nesta área. Sempre em evolução, tem realizado um excelente trabalho de pesquisa e investigação nomeadamente na criação de pinturas com perspectiva 3D, gênero a que se dedicou nos ultimos anos. Vale a pena conhecer o vasto trabalho que tem realizado, tendo muitas obras espalhadas pelo mundo.

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– Esta última pintura de Odeith data de 2024 e foi igualmente realizada no âmbito dos cinquenta anos da revolução do 25 Abril 1974. Representa o capitão Salgueiro Maia e baseia-se numa fotografia de Alfredo Cunha, um conhecido fotógrafo português que captou muitos momentos importantes deste período da nossa história. A técnica que o artista escolheu para este mural é notoriamente diferente das restantes obras.

– As próximas duas pinturas são de Ricardo Romero, um artista portugês com um excelente trabalho para conhecer.

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– A foto que se segue é de uma obra de Mariana Duarte Santos, uma artista de Lisboa com um estilo muito próprio e excelentes obras no currículo. Li na sua página do Instagram que só em 2025 pintou vinte e quatro murais em oito países e dois continentes. Esta pintura é de 2020 e foi criada no âmbito do “Conversas na Rua”.

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– Segue-se uma obra de Add Fuel (Diogo Machado), autor facilmente reconhecível pela presença de recortes, de padrões associados ao azulejo e pela cor azul que caracteriza muitos desses elementos decorativos. O seu trabalho tem uma matriz muito pessoal.

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Mário Belém, nascido em Lisboa, é um pintor que gosta muito da cor e as suas obras revelam sempre algum humor e muitas estão associadas a frases ou pequenos textos que as complementam/questionam. Creio que a sua formação em ilustração é bem revelada na globalidade das obras que tem produzido.

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– Natural de Vila Franca de Xira, Jorge Charrua gosta de pintar as pessoas no seu quotidiano ou expressando os seus pensamentos, sentimentos, nostalgias, etc. Creio que a sua formação em pintura se revela no estilo que foi criando.

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Theic (Camilo Nuñez) é uruguaio e foi no âmbito do projecto Licuado – uma parceria que mantêm com Florência Durán na realização de murais – que fizeram a obra abaixo em 2023. Não conheço outras obras deste(s) autor(es).

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Daniela Guerreiro é uma pintora portuguesa nascida em Faro e com uma obra muitissimo interessante. Centrada na figura humana, também ela gosta de captar emoções e de expor as vulnerabilidades e sentimentos que nos percorrem como membros de uma sociedade tantas vezes fria e agressiva. Trabalha muito bem a cor e o jogo luz-sombra na expressão desses sentimentos.

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Poderia acrescentar mais obras e autores a este post, mas não o vou fazer para não me alongar. Ficarão para uma próxima oportunidade. Além disso, a continuar o projecto Conversas na Rua haverá sempre novas obras a aparecer neste concelho dos arredores deLisboa para serem encontradas, apreciadas e também partilhadas.

Uma boa semana para todos!🤗

a mensagem

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A rua é um palco de encontros, de muitos olhares e onde se descobrem deliciosos detalhes em locais bastante improváveis. Foi aí que, há algum tempo, me deparei com esta mensagem colada num poste de iluminação pública e não resisti a trazê-la comigo e agora ao Discretamente.

Num tempo em que o início de muitas ligações e relacionamentos têm por base o virtual ou sites de encontros, ver um anúncio escrito à mão e toscamente colado no espaço público é algo fora de todos os contextos ou previsibilidade.

“Rapaz sério carinhoso trabalhador pretende conhecer rapariga séria meiga com boa apresentação idade entre 21 a 40 anos para simples amizade ou para uma vida a dois” No final, um contacto que obviamente ocultei.

Não sei se alguma mulher com as condições pedidas contactou o autor desta mensagem. Gosto de pensar que sim, pois significaria que ambos estavam um pouco fora do sistema e desta inquietante “máquina virtual” em que se transformaram as amizades, os novos conhecimentos e até as relações amorosas. Como observadora, racionalmente poderia ter uma perspectiva menos ingénua dos objectivos desta mensagem, mas não quero ir por aí. Prefiro vê-la com a simplicidade que representa e até com algum romantismo.

Sendo eu de uma geração em que as relações pessoais eram presenciais, espontâneas, olhos nos olhos ou alimentadas por palavras escritas, tenho alguma dificuldade em perceber estes novos tempos onde o écran quase tudo medeia. Por isso, oxalá o “rapaz sério carinhoso trabalhador” tenha conhecido a tal “rapariga séria meiga com boa apresentação” e que estejam muito felizes.

O para sempre.…talvez já seja uma utopia!

Bom resto de domingo e boa semana!🤗

de novo #7

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dúvida

Entre o avançar e o retroceder, existe um ponto. De paragem, de dúvida.
Um lugar de reflexão, de ouvir a mente e  o coração.

Avançar, pode significar abertura, o novo, a aventura, o sair da zona de conforto. O enfrentar o medo e superá-lo. Ou não.
Retroceder, é excluir hipóteses, fechar, interiorizar. Fugir ao risco em favor do conforto e da contenção. Guardar o medo.

Ambos são caminhos possíveis e ambos estão certos. E tão difícil pode ser um, como pode ser o outro.

Por isso, deixemos o coração escolher!

Desenho e texto de Dulce Delgado – Publicado originalmente em Setembro 2016

vida de caracol

Vida de caracol resume-se, creio eu, a natureza, instinto, sobrevivência, procriação, hibernação e, amiúde, um final de existência bastante dramático na mão dos humanos ou de outras espécies que os apreciem.

Porém, com um pouco de imaginação talvez seja igualmente…

… aventura

… partilha

… diálogo

… equilíbrio

… e quem sabe, até sentimentos amorosos!

Gosto desta segunda versão. É ela que impera quando olho para os dois caracóis da imagem ao lado, foto que captei no último verão.

Diria que, nas encruzilhadas da vida, eles estão juntos para o que der e vier.

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Bom fim-de-semana!🤗

perspectivas

Perante as fotos acima que captei recentemente e em virtude da grande expressividade da planta que aparecia no interior da casa em ruína, vários pensamentos surgiram neste incessante respirar da mente. E eles centraram-se sobretudo na evidência que bastou uma pequena mudança da minha posição ao captar cada imagem para a leitura ser completamente diferente. Mudou a perspectiva e mudou a mensagem que chega ao meu olhar. Se na primeira imagem a expressão da planta é de receio/dúvida, na seguinte é notoriamente de certeza/confiança.

Levando esta constatação para outros campos da vida ou do nosso dia-a-dia, se na análise de determinada situação/pensamento formos observadores mais curiosos e “elásticos”, é muito provável que o bom senso impere e com ele também a justiça que sempre se deseja.

Um olhar apenas, sempre nos limita. Dois olhares fortalecem a perspectiva. Vários olhares podem levar-nos mais próximo da realidade/verdade.

E se no cerne da questão/situação estiver alguém de corpo e alma como nós, a capacidade de nos colocarmos no seu lugar poderá ser uma preciosa ajuda na dedução final ou numa eventual resolução a tomar.

Até poderá não ajudar, mas é uma premissa que mal nunca fará.

desejo de primavera

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Com os dias cinzentos, tempestuosos e destruidores a ficarem para trás, o sol começou a aparecer, apesar de intranquilo e ainda com pouco vigor.

Sedenta de energia, a natureza logo reagiu pintando-se com o amarelo oferecido pelas flores das azedas. Apesar da muitas estarem apenas semi-abertas porque a luz do sol é bastante efêmera, esta imagem que captei perto de minha casa revela bem a vontade de primavera que paira no ar.

Seja na natureza……seja no meu olhar!💛

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Boa semana!🤗

ave branca

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Na sua diversidade material, as tintas fazem parte da minha vida. Agora bem menos do que quando trabalhava, mas sempre continuo a fazer desenhos/pinturas, bricolages ou recuperação de objectos que exigem a sua presença.

Muito recentemente iniciei a tarefa de melhorar o aspecto das peças do nosso presépio, conjunto de figuras que já contabiliza mais de sessenta anos e que, era eu bem criança, foi oferecido pela minha avó materna.  Por lhe ter muita estima e apresentar bastantes mossas e faltas de tinta, estava a precisar do meu tempo, paciência…e obviamente de tintas.

Enquanto retocava as ovelhas com branco, de repente o meu olhar ficou preso no fundo da taça onde colocara a tinta. Percebi nesse instante que, ao cair do frasco, a tinta modelara a cabeça de uma ave. Nem que eu tentasse uma e outra vez seria capaz de fazer forma tão elegante e representativa.

Gosto imenso destes acasos. E gostei ainda mais por este definir o perfil de uma ave, grupo de animais que eu e o meu companheiro tanto apreciamos e são sempre um dos principais objectivos dos nossos passeios Provavelmente não repararia se a forma fosse outra qualquer….ou talvez reparasse, não sei. Creio que isso aconteceu porque o meu olhar está bastante atento e habituado/treinado a ver aves. Quando estamos direcionados para determinada área, é quase certo que haverá oportunidades, olhares ou aprendizagens que se perdem por se posicionarem em áreas diferentes. É uma realidade associada à habituação/rotina.

Eu própria sou um excelente exemplo disso: quando me deparo com uma pintura num museu ou igreja, o que vejo de imediato é o seu estado de conservação, bem antes de apreciar qualquer outro detalhe ou aspecto. Apesar de reformada e de já estar longe da profissão, os quase quarenta e quatro anos como restauradora/conservadora de pintura criaram tal hábito no meu olhar/sensibilidade que inconscientemente sou logo direccionada para esse tipo de observação/apreciação. Mesmo que racionalmente isso me irrite….é realmente isso que imediatamente eu vejo. Creio que apenas o tempo fará o”chip” desligar…

Para concluir, achei realmente muita piada no facto de uma ave branca ter espreitado no fundo da taça!😉